Como só acontece com os boleiros de talento, Jóbson despontou que nem cometa no cenário futebolístico nacional. Bastaram dois jogos, na reta decisiva do Brasileiro, para consolidar a fama e torná-lo objeto de desejo de outros grandes clubes. Nós, botafoguenses, já havíamos percebido sua presença bem antes, em jogos de quarta-feira à noite que não chegaram a chamar muita atenção.
Mostrou técnica, velocidade e explosão. Combinação de recursos que vale ouro, por rara no futebol mundial de hoje, com exemplos que se contam nos dedos (Ribery, Ibrahimovic, Pato e outros poucos), guardando-se as devidas proporções. Diante disso, o jovem paraense, saído de Conceição do Araguaia diretamente para o Brasiliense, descobriu de repente que estava às portas da consagração.
A partir dos golaços contra a melhor defesa do campeonato (do S. Paulo), o sucesso veio rápido e as propostas também, apesar de ter desembarcado com ressalvas no Botafogo, em face de um começo de carreira problemático em Brasília. Nesse período, as farras comprometiam seu rendimento e apressaram sua negociação com o futebol estrangeiro.
Pelas mãos de Estevam Soares, Jóbson voltou à cena brasileira. Vinha se comportando exemplarmente. Virou peça-chave no esforço botafoguense para fugir ao rebaixamento. Encerrado o campeonato, sem qualquer gesto de agradecimento à vitrine alvinegra, o dono de seus direitos federativos (expressão quase tucana de tão empolada), Luís Estevão, anunciou com aquele conhecido ar de empáfia que o atacante estava a caminho do Cruzeiro dos irmãos Perrella, escala final rumo a uma rentável transação com o mercado europeu.
Não durou nem dois dias a transição do contrato de risco do Botafogo para os salários de R$ 70 mil na Toca da Raposa. Jóbson foi alvejado em pleno vôo pelos resultados implacáveis do antidoping. E por uma substância (a cocaína) que não dá nem o benefício da dúvida, como no caso dos remédios proibidos.
Suspenso inicialmente por 30 dias, o arisco ponteiro deve pegar suspensão a draconiana pena de dois anos. Para um jovem, um tempo plenamente recuperável. Para um jovem atleta, sujeito a tantas tentações, pode ser suficiente para interromper definitivamente todos os sonhos. Uma pena.
Sobre a hegemonia sulista, abordada na coluna de anteontem, sou instado a acrescentar mais nomes, a partir das dicas de leitores ilustres, como os amigos Zaire Filho e Harold Lisboa. Sérgio Poletto, Cassiá, Bagé e Adilson Batista, dentre os mais recentes. E teve ainda Valmir Louruz (Tuna, 1996), Ernesto Guedes e o mestre Carlos Froner, um dos maiores técnicos brasileiros, que por aqui esteve na década de 70.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 18)