Uma lambança atrás da outra

Da coluna de Jamil Chade no UOL:

A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeitou insinuações por parte do governo de Jair Bolsonaro de que tenha apoiado a ideia de que políticas de isolamento não devam ser aplicadas.

Na segunda-feira, o diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, usou sua coletiva de imprensa em Genebra para convocar os países a também lidar com os mais pobres. Bolsonaro usou a frase para justificar sua política de rejeição de medidas de isolamento.   Tedros, porém, não se referia a isso. Mas sim à necessidade de que instrumentos sejam criados para garantir o sustento dessas pessoas, por medidas sociais e transferência de recursos.

Diante da polêmica gerada no Brasil e o temor de que o discurso de Tedros fosse manipulado, a OMS decidiu ir de maneira deliberada às redes sociais nesta terça-feira. Ainda que não cite expressamente o nome do brasileiro, a entidade decidiu esclarecer seu posicionamento em duas mensagens.

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS”, disse o direto-geral da OMS. “Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”, completou.

(…)

Cai o mito do “milagre econômico” durante a ditadura militar

Milagre econômico para quem? No dia em que o golpe militar faz 56 anos, a jornalista Miriam Leitão revela que dois pesquisadores trabalham na tese de que o que houve durante os anos de chumbo foi recessão para pelo menos um terço dos trabalhadores, estagnação para outros 40% e concentração de riqueza para 10%.

Cai por terra, portanto, a principal defesa dos entusiastas da ditadura militar, a de que os regime trouxe milagres para a economia. Segundo os estudiosos, 82% do crescimento da renda dos salários nos primeiros anos do chamado “milagre” foi apropriado pelos mais ricos da sociedade.

Marcelo Medeiros, professor visitante da Princeton University, e Rogério Barbosa, pós-doutorando da Universidade de São Paulo escreveram à jornalista: “Nossa principal conclusão até o momento é de que o crescimento de 1960 a 1970 foi altamente pró-ricos, com grandes parcelas da população tendo perdas ou permanecendo praticamente estagnadas.”

Medeiros e Barbosa ainda pretendem analisar os períodos posteriores à ditadura antes de divulgar o estudo na íntegra, mas já anteciparam 3 pontos: 1- O crescimento foi altamente concentrado. 2- O crescimento econômico entre 1960 e 1970 foi pró-ricos e deixou os pobres para trás e 3- Houve grande aumento da desigualdade de renda. (Do Jornal GGN)

Petição pelo impeachment alcança 1 milhão de assinaturas

Após 13 dias no ar, uma petição pedindo o impeachment de Jair Bolsonaro atingiu um milhão de assinaturas. O documento online foi criado no dia 18 de março e será incorporada ao pedido de impeachment protocolado na Câmara por lideranças do Psol. Entre os signatários estão os deputados federais Fernanda Melchionna (RS), Sâmia Bomfim (SP), David Miranda (RJ) e a deputada estadual do Rio Grande do Sul, Luciana Genro, além de artistas e intelectuais.

Para assinar o documento, o cidadão precisa preencher no site da líder do partido na Câmara, Fernanda Melchionna, o nome completo, e-mail, Whatsapp e cidade. A petição não exige CPF e RG dos adeptos. Segundo o partido, todas as assinaturas são registradas em sistemas auditáveis com o registro do IP dos assinantes, evitando assim assinaturas falsas.

Dentre os nomes conhecidos que aderiram ao pedido, estão  a economista Monica de Bolle, os cientistas Stevens Rehen e Sidarta Ribeiro e as antropólogas Débora Diniz e Rosana Pinheiro-Machado, o filósofo Vladimir Safatle, youtubers como Felipe Neto e artistas como Gregório Duvivier, Maria Rita, Chico César e Zélia Duncan.

Após apresentar as assinaturas na Câmara, o partido pretende iniciar uma campanha para que o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), receba o pedido, trâmite necessário para o início do processo que precisa de maioria absoluta na Câmara e no Senado para obter êxito.

“A coleta de mais de um milhão de assinaturas ao pedido de impeachment de Bolsonaro é a demonstração da indignação popular diante das atitudes e declarações criminosas e irresponsáveis de Bolsonaro. No momento de pandemia do novo coronavírus precisávamos de um líder da nação, Bolsonaro prefere liderar os seus, a extrema-direita. Ele atenta contra a vida de 200 milhões de brasileiros, ao negar a ciência e ignorar as recomendações da [Organização Mundial da Saúde] OMS sobre o isolamento social. Bolsonaro não tem mais condições de continuar”, afirma a líder.

Marin das Medalhas é libertado por risco de coronavírus

Marin é liberado de prisão nos EUA por risco de coronavírus - Crédito: REUTERS/Brendan McDermid

O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin teve aprovado na última segunda-feira, 30, um pedido de liberação da prisão nos Estados Unidos devido ao risco de contrair o novo coronavírus. Os advogados citaram a pandemia da covid-19 em sua solicitação, que foi acatada pela juíza distrital Pamela Chen, do Brooklyn, em Nova York. Ainda restavam nove meses para ele cumprir pena.

Um dos advogados responsáveis pela defesa de Marin, Julio Barbosa, confirmou a informação ao portal UOL. O ex-presidente da CBF, porém, ainda não tem data de soltura confirmada. 

O pedido foi feito no último domingo, 29, em caráter de urgência. Os procuradores do caso concordaram com a redução e o imediato encerramento da pena. Chen considerou que já foi registrado o cumprimento de 80% da sentença. 

Em 2018, Marin, que também foi governador de São Paulo nos anos 1980, foi sentenciado a quatro anos de prisão pela mesma juíza por crimes cometidos quando foi presidente da CBF, entre os anos de 2012 e 2015. Ele foi preso na Suíça e depois extraditado para os Estados Unidos. 

O Capetão Corona e o coveiro

Bolsonaro fazendo discurso: “Temos que voltar à normalidade e ao trabalho”.

Alguém da plateia solta o grito: “TRABALHAREMOS O DOBRO!”

Ele continua: “Não podemos deixar que uma gripezinha derrube nossa economia”, e de novo se ouve: “TRABALHAREMOS O TRIPLO!”

Bolsonaro continua: “Não podemos ceder a uma histeria criada pela imprensa”, quando é interrompido de novo: “TRABALHAREMOS 10 VEZES MAIS!”

Bolsonaro vira pro assessor e pergunta: “Quem é esse cara todo empolgado?”

O assessor responde: “É o coveiro, presidente”.

Pária internacional e pedra no caminho da luta contra o coronavírus no Brasil

Jair Bolsonaro durante coletiva de imprensa sobre o coronavírus

A irresponsabilidade de Jair Bolsonaro levou o jornal Estado de S. Paulo a praticamente abraçar seu impeachment, no editorial A pedra no caminho, publicado nesta terça-feira. “Bolsonaro, graças a seu comportamento irresponsável, começa a conquistar um lugar jamais ocupado por um presidente brasileiro – o de vilão internacional. Nem mesmo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, idolatrado por Bolsonaro, persistiu em sua costumeira arrogância diante do avanço dramático da epidemia, rendendo-se à necessidade de prorrogar o isolamento social, mesmo ante o colossal custo econômico dessa medida”, aponta o texto.

“Aparentemente, contudo, Bolsonaro não se importa de ser visto como pária. Ao contrário: decerto feliz com a notoriedade global subitamente adquirida, na presunção de que isso lhe trará votos, insiste em desafiar abertamente as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), adotadas pelo Ministério da Saúde e por governadores e prefeitos de quase todo o Brasil. No domingo passado, o presidente passeou por Brasília, visitando zonas comerciais, pedindo que a vida volte ao normal e cumprimentando simpatizantes que se aglomeravam em torno dele – escarnecendo, assim, de reiteradas recomendações de seu próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta”, prossegue o editorial.

Segundo o texto, o “temerário passeio de Bolsonaro por Brasília demarcou definitivamente a fronteira que separa o presidente do resto do mundo civilizado” e “Bolsonaro hoje só governa o território habitado por seus fanáticos devotos”. O texto afirma ainda que ele é a “pedra no caminho” para que o Brasil enfrente a pandemia.

Parazão em modo de espera

Reunião para definir detalhes do Campeonato Paraense de 2020 será ...

As fake news assumem cada vez mais a condição de praga universal de efeitos devastadores. São tão poderosas que se tornaram arma letal em eleições recentes no Brasil e no mundo. Agora também causam estrago no ambiente boleiro, disseminando especulações e desinformando as pessoas. Só ontem recebi via e-mail e redes sociais seis supostas propostas da CBF para a complementação do calendário do futebol no pós-pandemia.

À tarde, a própria entidade esclareceu as coisas, divulgando a pauta da reunião da Comissão Nacional de Clubes, prevista para o dia 7 de abril. O que se supõe é que a tese de um Campeonato Brasileiro em formato misto deverá ser um dos pontos em discussão, a partir das propostas que os dirigentes devem apresentar.

Alguns clubes defendem um Brasileiro com etapa classificatória em sistema de pontos corridos e as fases decisivas disputadas em mata-mata, o que garantiria redução de datas e encurtamento da competição, a fim de garantir que termine até dezembro.

O encontro, promovido pela Comissão Nacional de Clubes, sob a chancela da CBF, será realizado através de videoconferência. Três temas compõem a pauta: direitos internacionais: análise e deliberação das propostas recebidas; tabela de distribuição por performance (grupo Globo): repactuação da divisão de valores; e início das discussões sobre calendário.

Como dá para perceber da pauta distribuída pela CBF, a problemática dos campeonatos estaduais não é item prioritário, embora os clubes da Série A não disfarcem a pressa em se livrar das competições regionais, por deficitárias e consideradas menos importantes.

Fala mais alto o abismo de interesses e cifras entre os grandes clubes e o grupo das agremiações medianas. A expectativa é de que as federações sejam autorizadas a bater o martelo sobre o destino dos certames estaduais interrompidos. No caso do Parazão, a boa notícia é que restam apenas seis datas a serem cumpridas (02 pela etapa classificatória, 02 pelas semifinais e 02 pelas finais).

Caso seja permitida a mudança de formato, em caráter excepcional, o campeonato poderá sofrer a supressão dos jogos restantes da primeira fase e partir para as etapas decisivas, com semifinais entre os quatro primeiros classificados. A final pode ser realizada em jogo único, facilitando ainda mais o encaixe das datas de maio ou junho, simultaneamente com a tabela de jogos da Série C.

Não há, por enquanto, nenhuma proposta oficializada pelos clubes junto à FPF a respeito do futuro do Parazão. Prevalecem posicionamentos isolados, mas é certo que a entidade vai esperar a reunião da Comissão Nacional de Clubes para reunir com os 10 participantes e decidir o que será feito quanto ao Estadual.

A dupla Re-Pa, por enquanto, concentra esforços na obtenção de ajuda financeira da CBF aos clubes da Série C para garantir o pagamento de salários e encargos durante a quarentena do coronavírus.

Um plano emergencial será encaminhado à entidade detalhando necessidades e contendo sugestões para a liberação de recursos. Até o momento, porém, mesmo sinalizando a intenção de ajudar, a CBF não revelou quanto pretende liberar para cada clube.

Versão engajada de Messi causa surpresa e aplausos

Lionel Messi, visto como um sujeito retraído e de poucas palavras, tem se movimentado bastante nas internas. Posicionou-se com firmeza no episódio envolvendo o diretor Abidal, que tentou culpar o elenco pela queda do técnico Valverde. E, agora, em meio ao alastramento da Covid-19 na Espanha, representou os companheiros de Barcelona no acordo que resultou em redução salarial de até 70%.

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A atitude de desassombro surpreendeu a mídia europeia. Messi assume protagonismo e vira líder. Ganhou pontos pela atitude responsável diante da crise, que pode influenciar elencos de outros clubes de primeira linha, famosos pelos valores astronômicos da folha salarial.

Para romper o silêncio dos tempos de confinamento

Tempos de quarentena podem se tornar uma bênção para quem consome arte e cultura. O amigo Edyr Augusto Proença, escritor e cronista, lançou via internet a ideia de trocar impressões sobre obras, famosas ou não, a fim de estimular a conversação nestes tempos de isolamento social obrigatório. Um jeito bacana e inteligente de preservar a sanidade.

Quem segue Edyr nas redes sociais recebeu como primeira sugestão para debate uma resenha deliciosa sobre “Apocalypse Now”, filmaço de Francis Ford Coppola com Marlon Brando e Robert Duval, crônica maior da guerra do Vietnã. Aprendi a gostar do filme após anos de resistência, mas o texto certamente conquistará mais adeptos para a obra-prima de Coppola.

Outra boa sacada é de músicos que promovem shows no Facebook para matar a saudade dos fãs. Caso de Marcelo Kahwage, um dos bambas do circuito roqueiro, que tem feito lives bastante concorridas, de repertório impecável, indo de Kinks a Radiohead.

Mestre Neil Young já ensinava que o rock nunca pode morrer.

Errata

O crédito da fotografia do jogador Pecel, publicada na coluna de ontem, pertence a Jivago Lemos (da Assessoria de Comunicação do Castanhal), cujo nome saiu grafado de maneira incorreta. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 31)