Archive for outubro, 2012

Papão treina na Arena Verde (by Mário Quadros)

31 de outubro de 2012 at 23:01 2 comentários

Ainda sobre o JT

Por Flávio Gomes

Meu jornal era o da tarde. Talvez porque eu estudasse de manhã. Tinha 11, 12 anos. Não havia tempo de ler o jornal de manhã, e mesmo se houvesse, meu jornal não estaria lá, porque o meu era o da tarde. Então a gente saía da escola, eu e meu irmão mais velho, tirando corrida para ver quem chegava em casa primeiro para poder pegar a edição de esportes do jornal que chegava de tarde. Eu tinha uma tática certeira, de pegar o metrô até o Paraíso, uma estação à frente do ponto inicial, que era na Ana Rosa. Entrava no ônibus um pouco mais cheio, mas era mais rápido o trajeto até o destino final, em frente ao Conjunto Nacional.

Claro que depois de duas ou três vitórias, meu irmão mais velho passou a fazer o mesmo. Como saíamos da escola na mesma hora, não era raro o encontro no mesmo ônibus, o que me levava a buscar um posicionamento um pouco melhor no coletivo, de modo que pudesse saltar antes dele pela porta da frente, ganhando preciosos segundos. Muitas vezes era a diferença entre pegar o farol de pedestre aberto e deixá-lo para trás quando ficava vermelho, o que me concedia uma considerável vantagem. Então, desabalada carreira ladeira abaixo para chegar antes e pegar o jornal da tarde e ler a edição de esportes antes.

Na maioria das vezes, eu perdia. O que me estragava o humor miseravelmente, porque o irmão mais velho enrolava para ler de propósito. Irmãos mais velhos são insuportáveis. E no meu caso isso foi ainda mais traumático, porque não pude fazer o mesmo com meu irmão mais novo, que não se interessava pelo jornal que chegava de tarde, muito menos pelas páginas de esportes. Assim, não pude ser insuportável para meu irmão mais novo nesse quesito. Tive de criar outros.

Eu sabia o que queria ser desde muito pequeno, mas esse vespertino, adequadamente chamado “Jornal da Tarde”, só me fez ter certeza e pressa para que chegasse logo a faculdade e a hora de colocar minhas palavras e meu nome nele. Lia Roberto Avallone e Alberto Helena Jr. na “Bola de Papel”, a coluna diária que dizia o que eu deveria pensar sobre o futebol e o mundo. Lia Lourenço Diaféria e invejava aquela escrita elegante e cotidiana. Lia até os reaças bélicos que sempre trabalharam no grupo, embora o “JT” tenha sido criado por um humanista brilhante como Mino Carta. Com 11, 12 anos, não sabia direito o que era um reaça. Eles não me influenciaram. Mino, sim.

Lia o “Divirta-se” e escolhia os filmes que não veria. Lia o “Jornal do Carro” e escolhia os carros que não teria. Lia, lia, lia. E quando o irmão mais velho liberava a edição de esportes, que se chamava “Edição de Esportes”, lia palavra por palavra, as crônicas dos jogos, as atuações com notas comentadas para cada jogador, xingava quem dava notas ruins para nossos jogadores, detinha-me por minutos a fio nos gols desenhados por Gepp e Maia, depois recortava o que achava interessante, colava em cadernos, registrava meu mundo.

Quando, anos depois, fui entrevistado para uma vaga na “Folha”, disse aos entrevistadores que não lia a “Folha”, mas sim o “JT”, e que achava a “Folha” uma bosta. Não exatamente com estas palavras. Mas ficou claro que achava a “Folha” uma bosta, e fui contratado.

Nunca trabalhei no “JT”, e depois de alguns anos deixei de lê-lo, também. A corrida fratricida para pegar a “Edição de Esportes” primeiro se perdeu no tempo e tornou-se desnecessária, porque na redação, pela manhã, eu era o primeiro a pegar o exemplar do “JT”, então apenas para ver o que eles tinham dado e a gente, não. O jornal da tarde, àquela altura, já era matinal. E fazia parte do time deles, não do meu. A relação passou a ser de respeito, não mais de companheirismo. Ainda assim, a memória guardava algumas capas de dar raiva, porque a gente nunca faria igual. Sarriá, 1982. Jânio “é isso aí” prefeito. A página negra das Diretas que não passaram. O nariz do Maluf que não parava de crescer.

Hoje, o grupo informou que quarta-feira, dia 31, o “JT” circula pela última vez. Vítima da internet, dirão. Não.

O “JT” é vítima de outra coisa. Aquele “JT” criado em 1966 e que me fez gostar de ler nos anos 70 era melhor do que qualquer jornal que se faz hoje. Melhor, mais moderno, criativo, nervoso. E quem faz um jornal bom, moderno, criativo, nervoso, são jornalistas bons, modernos, criativos, nervosos.

Esses são cada vez mais raros, e é isso que vai matar o jornal impresso, não a internet.

31 de outubro de 2012 at 20:40 1 comentário

O menino da capa histórica do JT

Adriano Wilkson – Do UOL, em São Paulo

No fim do JT, menino da tragédia do Sarriá conta como a foto histórica de 6 de julho de 1982 marcou sua vida. 

Aos 10 anos, José Carlos Vilella Jr. foi protagonista de um dos melhores momentos do jornalismo brasileiro. Aos 22, porém, já estava deixando seu pai sexagenário profundamente irritado. Na tarde de 5 de julho de 1982, no estádio do Sarriá, em Barcelona, o garoto foi clicado pelo fotógrafo Reginaldo Manente enquanto chorava a eliminação brasileira na Copa da Espanha.

No dia seguinte, seu rosto triste estampava a capa do “Jornal da Tarde”, na edição de maior tiragem da história de um dos mais importantes jornais de São Paulo. Somente a foto, ampliada, sem texto nenhum além da data da tragédia do Sarriá. A imagem ganhou o Prêmio Esso, láurea maior entre os jornalistas do país.

A capa histórica protagonizada pelo choro de José Carlos foi o grande momento do jornalismo brasileiro, nas palavras de Ruy Mesquita, diretor do Grupo Estado, empresa que criou o “Jornal da Tarde”. O periódico viu sua última edição circular nesta quarta-feira, depois de 46 anos. “É como se fosse a morte de um parente querido ou de um amigo”, compara Reginaldo Manente, o autor da foto.

“Era uma morte anunciada. É como se você estivesse vendo seu amigo morrendo aos poucos sem poder fazer nada”, continua Mário Marinho, ex-editor de esporte da publicação. Doze anos depois, embarcado no sucesso involuntário do filho, José Carlos Vilella pai fez um coquetel em seu apartamento no Rio de Janeiro para recepcionar quase 30 jornalistas interessados em assistir à final da Copa de 1994 com a família. Outro jogo entre Brasil e Itália.

A pauta do dia era ver como o garoto reagiria em caso de mais uma derrota para o mesmo adversário depois de tanto tempo. José Carlos primeiro aceitou. Na hora agá, sumiu. “Fiquei com medo de virar, de novo, a cara da derrota, o símbolo da tristeza”, afirmou o hoje advogado de 40 anos. “Pedi abrigo na casa de um amigo que meus pais não conheciam e vi a final lá”, completou.

Impacientes e frustrados, os jornalistas iniciaram uma caçada pelo bairro de São Conrado atrás de José Carlos e bateram na porta de todos os amigos lembrados pela mãe. Mas o rapaz não foi encontrado antes de Roberto Baggio isolar sua cobrança de pênalti no Rose Bowl. “Quando ganhamos, voltei para casa e meu pai, que era muito vaidoso e tinha preparado tudo para aquele dia, ficou quase três meses sem falar comigo”, lembra o advogado, que hoje tem uma reprodução ampliada da capa histórica do JT pendurada na parede de seu escritório em Florianópolis.

A Copa do Mundo de 1982 foi a única in loco do garoto. Ele e a família foram convidados à Espanha pelo então presidente da Fifa, João Havelange. O elo entre eles era José Carlos Vilella pai, então advogado do Fluminense, conhecido no Rio de Janeiro como “Rei do Tapetão” pela capacidade de consertar os erros do tricolor nos tribunais. “Ali do meu lado no estádio tinha um monte de gente importante do futebol. Vi uns fotógrafos, mas não conseguia parar de chorar. Minha mãe tentava me consolar, me enganar que o Brasil não tinha saído da Copa, que ainda tinha repescagem, mas eu já entendia tudo.”

A primeira pessoa que chamou a atenção do fotógrafo Reginaldo Manente segundos depois da consumação da tragédia do Sarriá foi mesmo a mãe de José Carlos. “Era uma mulher muito, muito bonita. Descobri que tinha sido miss Fluminense. Ela chorava, borrava a maquiagem e tentava retocar.” Após 13 anos como fotógrafo do Grupo Estado e já com três Prêmios Esso na estante, Manente pulou alambrados, ultrapassou barreiras de proteção (“esbarrei no Havelange, mas nem reconheci”) e ficou a um metro e meio de mãe e filho. “Como eles estavam na parte coberta, a luz era perfeita, bem espalhada e não estourava a foto.”

Mas ele não gostou da primeira foto que fez de José Carlos. “Estava chorando demais”, lembra. Passou a clicar a mãe, se esforçando para não parecer intrometido. José Carlos não se recorda de ter visto um fotógrafo tão perto. Quando o garoto se distraiu, o fotógrafo deu o bote. “A foto foi tirada no momento exato em que ele puxava ar para recomeçar a chorar”, diz Manente.

A um oceano de distância dali, em São Paulo, Mário Marinho, o editor do caderno de esportes do “Jornal da Tarde”, estava preocupado com a forma como noticiaria, um dia depois, a derrota da seleção que o Brasil todo já conhecia. “Não dava para simplesmente dizer ‘a seleção perdeu para a Itália com três gols de Paolo Rossi’. A gente precisava de um diferencial”, afirma o jornalista, 30 anos depois. O diferencial apareceu quando um aparelho ligado à linha telefônica (arqueologicamente chamado de transmissor de fotografias) apitou.

Era Manente enviando as “15 ou 20 fotos” daquela cobertura, incluindo a única de José Carlos. Depois de mandá-la à redação, o fotógrafo fez uma cópia e mostrou a Roberto Avallone e Vital Bataglia, outros jornalistas que cobriam aquela Copa do Mundo. Ao olhar pra ela, Bataglia chorou copiosamente, incapaz de conter as lágrimas diante da contenção do garoto de dez anos. O repórter acabou ganhando de presente aquela foto, com uma dedicatória do autor.

31 de outubro de 2012 at 16:42 9 comentários

Adeus, JT (1966/2012)

31 de outubro de 2012 at 16:31 1 comentário

Papão treina para decisão em Paragominas

A delegação do Paissandu chegou no começo da tarde à Paragominas e treinou na Arena Verde a partir das 16h (17h HBV), horário previsto para o jogo desta sexta-feira contra o Macaé (RJ). Um público expressivo acompanhou a prática. Lecheva não confirmou a escalação, mas ao que tudo indica, com o retorno de Vânderson, o time será este: João Ricardo; Pikachu, Fábio Sanches (foto), Marcus Vinícius e Rodrigo Fernandes; Vânderson, Ricardo Capanema, Alex Gaibu e Harisson; Kiros e Tiago Potiguar.

A diretoria está mobilizada para levantar uma quantia em dinheiro para quitar um mês de salários atrasados antes do jogo contra o Macaé. Uma outra parte seria paga com a bilheteria da partida, que deve render aproximadamente R$ 200 mil aos cofres do clube. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

31 de outubro de 2012 at 15:55 15 comentários

Gol de mão

Por Hélio Schwartsman

Ao entrar com o pedido de anulação do jogo contra o Internacional, o Palmeiras estará na prática reivindicando o direito de fazer gols com a mão, o que não pega bem para um clube de futebol. Antes que rábulas ludopédicos e palmeirenses em geral me venham corrigir, sei que a ideia é questionar uma suposta interferência externa na decisão do árbitro, o que é vedado pelas regras. Pior, a pessoa que teria influenciado o juiz lhe teria passado informações obtidas através de imagens de TV, o que também é proibido.

A analogia cabível, sustentam os “filopalmeirenses”, seria com provas judiciais colhidas de forma ilegal, as quais, segundo a melhor doutrina do Direito, devem ser peremptoriamente excluídas do processo. “Mutatis mutandis”, a informação de que o gol de Barcos foi feito com a mão não poderia ter chegado licitamente ao conhecimento do árbitro.

A tentativa é boa, mas não me convence. A razão para não tolerarmos provas ilegais na vida real não se aplica ao esporte bretão. Trata-se de uma proteção conferida ao indivíduo para protegê-lo do poder do Estado. Recusamos a busca sem mandado para preservar a privacidade do cidadão. Abominamos a confissão sob tortura para garantir-lhe a integridade física.

Obviamente, um jogador que se exibe diante de um público de dezenas de milhares de pessoas (sem contar a TV) não pode legitimamente invocar o direito de privacidade. Por mais que tente, não consigo ver, no contexto do futebol, nenhum interesse que possa competir com o de apurar o que de fato ocorreu na jogada.

É por essas e outras que me parece absurda a insistência da Fifa em banir ferramentas tecnológicas que possam melhorar a qualidade da arbitragem. Os esforços da entidade me lembram o rival de Galileu que se recusou a pôr o olho no telescópio para ver as evidências, alegando que tudo o que havia para saber sobre os astros já estava descrito na doutrina aristotélica sobre os céus.

31 de outubro de 2012 at 14:54 5 comentários

Aviso

Estive por dois dias envolvido numa missão profissional que não me permitiu dar a devida atenção ao blog. Conto com a compreensão e generosidade dos amigos comentaristas e baluartes, que seguraram a onda ao longo da segunda-feira. A partir de hoje, se o bom Deus assim o permitir, as coisas voltam à normalidade.

31 de outubro de 2012 at 13:13 46 comentários

Posts antigos


CONTAGEM DE ACESSOS

  • 7,366,551 visitantes

Tópicos recentes

gersonnogueira@gmail.com

Junte-se a 12.896 outros seguidores

ARQUIVOS DO BLOG

FOLHINHA

NO TWITTER

Erro: o Twitter não respondeu. Por favor, aguarde alguns minutos e atualize esta página.

GENTE DA CASA

POSTS QUE EU CURTO


%d blogueiros gostam disto: