Militante do PT foi espancado e torturado na prisão por pedir “Fora Bolsonaro!”

Rodrigo Pilha, preso no dia 18 de março por estender uma faixa chamando o presidente Jair Bolsonaro de genocida, foi espancado e torturado na prisão e tem dormido no chão desde quando foi privado de sua liberdade. Ou seja, há exatos 41 dias.

Durante os últimos dias o blogue conversou com diversas pessoas que têm proximidade com Pilha que não pode dar entrevistas e confirmou a informação que já havia sido publicada sem maiores detalhes num tuíte por Guga Noblat.

Enquanto esteve na Polícia Federal prestando depoimento, Pilha foi tratado de forma respeitosa, mas ao chegar no Centro de Detenção Provisória II, área conhecida como Covidão, em Brasília, alguns agentes já o esperavam perguntando quem era o petista.

A recepção de Pilha foi realizada com crueldade. Ele recebeu chutes, pontapés e murros enquanto ficava no chão sentado com as mãos na cabeça. Enquanto Pilha estava praticamente desmaiado, o agente que o agredia, e do qual a família e advogados têm a identificação, perguntava se ele com 43 anos não tinha vergonha de ser um vagabundo petista. E dizia que Bolsonaro tinha vindo para que gente como ele tomasse vergonha na cara.

Na cela, Pilha foi recebido pelos outros presidiários com solidariedade e respeito. Mas durante à noite esses mesmos agentes foram fazer uma blitz na cela e deixaram todos pelados e os agrediram a todos com chutes e pontapés. Com Pilha, foram mais cruéis. Esparramaram um saco de sabão em pó na sua cabeça, jogaram água e depois o sufocaram com um balde. Todos foram avisados que estavam sendo agredidos por culpa de Pilha. Do petista que não era bem-vindo na cadeia.

A tentativa dos agentes que se diziam bolsonaristas de estimular a violência dos colegas de cela contra Pilha não deu resultado. Pelo contrário, Pilha ficou 22 dias só com uma bermuda, uma cueca e uma camiseta que lhe foram doados por colegas de cela. Não lhe foi oferecida nenhuma roupa.

Como também ficou sem contato com a família neste período inicial, era na camaradagem com outros presos que Pilha conseguia comer uma bolacha, uma fruta ou outros produtos que podem ser comprados.

Atualmente, Pilha está trabalhando por 6 horas todos os dias e com isso consegue ficar fora do presídio das 14h30 às 20h30. Mas tem que voltar para a cela todas as noites, onde convive com outros colegas, com baratas e escorpiões, por exemplo. Seus advogados estão tentando conseguir progressão de pena com base em leituras e cursos, mas têm tido dificuldade.

Em entrevista ao Fórum Onze e Meia, realizada nesta sexta-feira (30) o irmão de Rodrigo Pilha, Erico Grassi, comentou sobre a prisão de seu irmão e afirmou que as “vias técnicas e jurídicas não estão dando em absolutamente nada” e que ele “não teve nenhum benefício concedido”

“A família sabia dessas violações já há muito tempo. Aqueles meus desabamentos nas lives e entrevistas não era só pela situação da detenção dele, ele estava tendo os seus direitos violados. Que bom que já surtiu algum efeito institucional. Indo pelas vias técnicas e jurídicas a gente não está avançando em absolutamente nada. O Rodrigo não teve nenhum benefício concedido pra ele até agora”.

Questionado sobre a reportagem veiculada pela Fórum, que revela a tortura que Pilha sofreu, Grassi afirmou que ela está “irretocável”. (Com informações da Revista Fórum)

O balanço dos números

POR GERSON NOGUEIRA

Robson Melo, treinador da Tuna — Foto: Matheus Vieira

O leitor habitual da coluna sabe que não é bem-vinda neste espaço a tendência de valorização abusiva de números e estatísticas para mensurar competições e destrinchar radiografia de jogos. Abro uma exceção hoje para os números da fase de classificação do Parazão, que revelam alguns aspectos curiosos e significativos.

O melhor ataque pertence à Tuna, que balançou as redes 20 vezes em oito jogos. A melhor defesa é do surpreendente Itupiranga, 5º colocado, que só tomou cinco gols, e fez apenas quatro gols.

O Remo, líder geral com 20 pontos, tem a segunda artilharia do campeonato – 18 gols. O PSC, vice-líder, vem na quarta posição, 12. Fica atrás até do Bragantino (7º), que tem 15 gols.

Nas 48 partidas disputadas, foram marcados 126 gols na primeira fase do Estadual, com a excelente média de 2,6 por jogo. Em boa medida, esses números têm a Tuna como grande responsável.  

A voracidade ofensiva da Águia Guerreira merece ser ressaltada a forma mais aberta como a equipe tem atuado. Não se limitando aos gols necessários para vencer. Sob o comando de Robson Melo, a Lusa tem demonstrado um apetite para fazer todos os gols possíveis.

Foi assim diante do Paragominas, vencido por 4 a 1, no Souza. Depois, veio a goleada de 6 a 1 sobre o Gavião, em Marabá. Finalmente, na rodada que fechou a primeira etapa do Parazão, aplicou 5 a 3 no Bragantino.

O time cruzmaltino nem faz um campeonato tão regular. Começou com derrota, tropeçou em equipes inferiores tecnicamente e só engrenou de fato a partir da 4ª rodada. Chama atenção que, apesar de resultados inicialmente insatisfatórios, Robson não abriu mão da crença no futebol de qualidade, sempre priorizando o uso de jogadores habilidosos do meio para frente.

Mesmo contra o PSC, no sábado passado, quando foi derrotada por 2 a 0 e apresentou problemas de organização ofensiva, a Tuna entrou com cinco jogadores avançados, tendo às vezes até seis homens no ataque. Não venceu, mas demonstrou que a proposta é atacar sempre.

Isso ajuda a explicar a abundante quantidade de gols (média de 2,5 por jogo, quase a mesma da própria competição), obtida a partir basicamente de boas atuações contra PFC, Gavião e Bragantino. Graças a isso, a Tuna incluiu Paulo Rangel entre os líderes da artilharia, com seis gols, ao lado de Dioguinho (Remo) e atrás apenas de Cris Maranhense (8). (Foto: Matheus Vieira)

Bonamigo: noção de que o jogo agora é outro

Quando o jogo contra o Paragominas terminou, na quarta-feira, o técnico Paulo Bonamigo admitiu a atuação ruim do Remo, mas destacou a regularidade demonstrada ao longo do campeonato e a importância de garantir a primeira colocação na classificação.

Contra o Águia, amanhã, em Marabá, o Remo tentará fazer um jogo diferente daquele de duas semanas atrás, quando ficou no empate ao utilizar uma equipe mesclada, poupando cinco titulares.

Há, acima de tudo, a compreensão de que o campeonato agora é outro, com motivações e características diferentes. Errar pode ser fatal. O Remo tem o favoritismo para superar o Águia, mas a batalha em dois jogos não será fácil.

Com a possibilidade de usar o recém-contratado Erick Flores, Bonamigo vai com força máxima para o jogo. Com a volta de Renan Gorne ao ataque, o time deverá ter Dioguinho e Gabriel Lima como pontas.

O Águia, que se classificou na antepenúltima posição, terá que fazer jogos de superação, buscando extrair competitividade de um grupo que sofreu muitas baixas nas últimas semanas.

Rei Artur acerta com terceiro time no Parazão

Em movimento surpreendente, a diretoria do Bragantino acertou ontem a contratação de Artur Oliveira para comandar o time nas fases de mata-mata do Parazão. Ele substituirá Glauco Luiz, que respondia interinamente pela equipe desde a saída de Cacaio, contratado pelo Castanhal.

Rei Artur tem história em Bragança. Passou por lá, com sucesso, em 2017/2018, conseguindo levar o time à conquista da Segundinha e realizar uma boa campanha no Estadual daquele ano.  

Curiosamente, será o terceiro time de Artur neste campeonato, um recorde na história do Parazão. Ele treinava o Castanhal e foi demitido na quarta rodada. Assumiu o Tapajós e conseguiu salvar o time do rebaixamento.

Futebol divulga campanha inclusiva sobre autismo

Na rodada que fechou a fase de classificação do campeonato, os 12 times usaram o símbolo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no uniforme. Até o fim da competição, por iniciativa do Governo do Estado, as equipes divulgarão a causa em todas as partidas, dentro da campanha “O Meu Mundo Inclui o Seu”.

As ações fazem parte da campanha Abril Azul, dedicada à conscientização sobre o autismo. A Sespa, através da Coordenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa), já desenvolve uma série de ações para fortalecer e valorizar pessoas com o Transtorno do Espectro Austista (TEA).

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 30)

Brasil atinge marca de 400 mil mortes para covid no mês mais letal da pandemia

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A política genocida de boicote às vacinas e às medidas de contenção do novo coronavírus do governo Jair Bolsonaro levaram o país a ultrapassar a triste marca de mais de 400 mil brasileiros mortos nesta quinta-feira (29) durante a pandemia. Segundo o consórcio de mídia, que se baseia nos números das secretarias estaduais, 400.021 pessoas morreram em decorrência da covid-19 no Brasil desde março de 2020, quando foi registrado o primeiro óbito no país. No total, uma em cada cinco mortes notificadas no país (21,7%) desde março do ano passado é decorrente da doença.

No início da tarde de hoje, o total de mortos chegou 400.021, e o de casos confirmados, 14.541.806. A marca dos primeiros 100 mil óbitos no Brasil foi atingida quase 5 meses – 149 dias – após a primeira pessoa morrer pela doença no país. Dos 100 mil para os 200 mil, passaram-se outros 5 meses – 152 dias. Mas para chegar aos 300 mil, foram necessários somente 76 dias, número que agora caiu quase pela metade.

As 400 mil vidas perdidas estão sendo registradas justamente no mês que mais matou pessoas: foram mais de 76 mil em 29 dias de abril. Março, o mês anterior mais letal da pandemia, teve 66.868 mortes em 31 dias.

Diferentemente do mês passado, quando a média de mortes estava com tendência de alta, neste final de abril, a média de mortes está em queda, após vários estados terem adotado medidas mais duras de restrição em meio à segunda onda da Covid.

No entanto, o número diário de mortes permanece num patamar muito alto: são mais de 2 mil vítimas diárias da Covid há mais de 40 dias – a maior média do mundo entre 9 de março e 25 de abril. 

Infográfico mostra a evolução das mortes por Covid por faixa etária no Brasil  — Foto: Editoria de Arte/G1

A frase do dia

“Contam que o termo ‘grilagem’ decorre da prática de trancar grilos junto com uma escritura de terras falsa. A ação dos insetos (roer e defecar) ‘envelhecia’ o documento. Atualmente, os grilos não são mais necessários, basta uma publicação no diário oficial”.

Alexandre Saraiva, delegado da Polícia Federal

Rock na madrugada – Deep Purple, “Strange Kind Of Woman”

Vídeo do fundo do baú. Bacana ver a marra dos caras do Deep Purple na Itália. Entram no programa sem saudar ou acenar para ninguém. Os caras eram reis. Quando a música começa, Ritchie Blackmore vira um demônio na guitarra. Ian Gillan, um sensacional frontman, põe a voz de prata para rugir. John Lord nos teclados. Ian Pace nas baquetas. Uma superbanda, com o nome cravado na história do rock.

Líder Leão ficou devendo

Azulinos comemoram gol de Gedoz

POR GERSON NOGUEIRA

Durante boa parte do jogo em Paragominas, o Remo se limitou a rebater bolas na defesa, aceitando passivamente a meia pressão exercida pelo time da casa. O time parecia sentir a temperatura elevada, comportando-se com displicência em vários momentos, abrindo claros na marcação.

Nos primeiros 20 minutos, o Paragominas tomou a iniciativa, buscando chegar ao gol, afinal precisava vencer para se classificar. Sem cobertura adequada à frente da zaga, a última linha do Remo sofreu com as investidas rápidas de Paulo Vítor e Aleilson, principalmente.

Aos 24 minutos, Kaikinha perdeu um gol de cara, batendo rasteiro para boa defesa de Vinícius. Logo em seguida, Aleilson recebeu na área, aplicou um chapéu em Fredson e perdeu tempo na hora de bater para as redes. A bola acabou saindo à esquerda da trave.

Enquanto isso, o Remo tinha como única estratégia ofensiva cruzamentos em direção a Edson Cariús. Muito bem vigiado pelos zagueiros, o centroavante não conseguiu acertar um cabeceio.

As manobras de aproximação eram prejudicadas pela distância entre Dioguinho, que fez seu pior jogo no campeonato, Felipe Gedoz e Gabriel Lima. Sem conexão, o time se perdia em tentativas longas e inúteis.

Isolado, Gedoz também não aparecia para o jogo, mas aos 4 minutos do 2º tempo ele finalmente despertou. Recebeu de Gabriel Lima um passe curto, de letra, na intermediária do Paragominas e invadiu a área para bater na saída do goleiro Gustavo, abrindo o placar.

A partida não melhorou nem com a chuva que caiu sobre a Arena Verde suavizando a temperatura. O Remo continuou esticando bolas, perdendo lances bobos e Cariús seguiu sem jogar, esquecido entre os zagueiros.

Depois da metade da etapa final, Bonamigo trocou várias peças aproveitando para prestigiar os garotos. Entraram Pingo, Tiago Miranda e Ronald no lugar de Uchoa, Gabriel e Dioguinho, mas nada mudou.

A situação continuou rigorosamente igual porque o time continuou desinteressado de pressionar na frente. Ronald foi colocado de um lado e Tiago de outro apenas para dificultar as saídas do Paragominas.

Mesmo assim, com Buiú e João Neto pelos lados, o PFC foi em busca do empate e quase conseguiu em penalidade mal assinalada pela arbitragem. Aleilson recebeu na área, Fredson afastou a bola e o atacante caiu. Na cobrança do pênalti, aos 49’, Vinícius defendeu o chute de Buiú.

A classificação já estava garantida, o Leão fechou a 1ª fase em primeiro, mas o futebol de ontem não foi digno do líder geral do campeonato.

Rodada não entregou o que prometeu

Não foi tão emocionante como se esperava. A oitava rodada, que definiria os classificados à próxima fase, teve jogos ruins e pouco alterou os cruzamentos desenhados de véspera. Nas quartas de final, o Parazão terá a dupla Re-Pa enfrentando Águia e Bragantino, respectivamente. Os grandes da capital entram como favoritos, principalmente porque são jogos em ida e volta, fato que sempre beneficia as equipes de maior poderio técnico.

Dos seis jogos realizados ontem à tarde, o mais emocionante foi entre os desesperados Tapajós e Gavião, que lutavam para não cair. O time treinado por Artur Oliveira venceu por 2 a 1 e garantiu permanência na divisão principal.

A partida mais movimentada foi entre Tuna e Bragantino, no Souza. A Águia se reabilitou da derrota para o PSC, metendo 5 a 3 no Tubarão. A fartura de gols está virando rotina na campanha da Lusa, que já tinha disparado a maior goleada do Parazão (6 a 1 sobre o Gavião). Com a vitória, o ataque cruzmaltino é agora o mais positivo, com 19 gols.

O PSC só precisou jogar o feijão-com-arroz para superar o desfalcado Águia, que entrou sem oito titulares. No fim das contas, além de vencer e manter a segunda posição na classificação geral, o Papão rodou elenco, lançando jogadores que não vinham atuando como titulares.

Foram raras as chances de gol no primeiro tempo, disputado sob calor inclemente, na Curuzu. O Águia não oferecia perigo, o PSC agredia pouco. Só chegava com algum perigo quando Ari Moura, correndo pela direita e buscando acionar o centroavante Gabriel Barbosa. Um chute cruzado de Bruno Collaço foi a melhor jogada do Papão na primeira etapa.

No segundo tempo, em ritmo lento, os times erravam muito e pouco produziam. O gol nasceu de cruzamento alto de Laércio para o centro da área, aos 20 minutos do segundo tempo. O garoto Flávio, que havia substituído Gabriel, cabeceou no canto direito do gol marabaense.

As mudanças feitas por Schulle, colocando em campo Rikelton, Elyeser e Ratinho no meio de campo, fizeram o Águia ficar ainda mais preso ao seu campo. As tentativas sempre esbarravam na forte marcação do PSC. Bruno Collaço ainda teve boa oportunidade, mas chutou no centro do gol.

Schulle deve ter tirado lições, mas dificilmente mudará a base titular que vem utilizando desde a competição. A não ser que resolva dar uma oportunidade a Ari Moura, seu melhor atacante de lado.

Rony dá show, mas mídia paulistana minimiza

Não foi a primeira vez, e seguramente não será a última. Rony foi decisivo no triunfo sobre o Independiente Del Valle, anteontem. A goleada palmeirense foi construída, em grande parte, pelo esforço e talento do atacante paraense.

Apesar disso, a apaixonada mídia paulistana voltou a mostrar seu pachequismo, dando mínima importância ao astro da noite. Prefere destacar coadjuvantes e ignora o protagonista. Está ficando chato.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 29)