Papão abre o placar, mas cede empate ao Ypiranga e perde posição na classificação

O PSC empatou com o Ypiranga-RS, por 1 a 1, na tarde deste sábado, em Paragominas. A partida valeu pela 4ª rodada da Série C do Brasileiro e os gols saíram na primeira etapa. O Papão saiu na frente. Aos 23 minutos, após cobrança de escanteio, Lucas Costa marcou de cabeça. Dez minutos depois, a bola bateu no braço de Bruno Leonardo dentro da área e o pênalti foi marcado: o ex-bicolor Hugo Almeida bateu e empatou para o Canarinho gaúcho. Com espaços na marcação e pouca movimentação pelos lados, a atuação do PSC destoou das últimas apresentações do time.

No 2º tempo, o time de Márcio Fernandes voltou mais agressivo. Mikael bateu de fora da área e assustou. Mais organizado, aos poucos o Ypiranga passou a controlar as ações e amiudou os ataques, embora sem oferecer grande perigo. O PSC de vez em quando ameaçava. Aos 35′, João Paulo mandou por cima da trave. Aos 43′, Danrlei ainda teve um grande oportunidade, mas chutou cruzado para fora.

O tropeço em casa deixa o PSC fora do G8. Com seis pontos, caiu para a 9ª posição. O Ypiranga subiu para 11°, com cinco pontos. As duas equipes ainda podem perder posições no decorrer da 4ª rodada.

REFORÇOS – O PSC anunciou, na noite deste sábado, a contratação de dois novos reforços. Um é o lateral-direito Leandro Silva, que já defendeu a equipe em 2021. O outro jogador é Marcelinho, atacante que defendia o Londrina.

Militares, fiadores das eleições

Por Pablo Ortellado, em O Globo

Na última semana, vimos mais uma rodada desta espécie de dança entre a Justiça e militares ligados ao presidente. De um lado, há o movimento por parte desses militares para semear desconfiança no sistema eleitoral, ao que tudo indica, preparando a alegação de fraude caso Bolsonaro perca as eleições por margem reduzida. De outro, há o movimento da Justiça para dirimir quaisquer dúvidas sobre as urnas e envolver os militares na preparação das eleições.

O TSE criou em setembro de 2021 uma Comissão de Transparência nas Eleições (CTE) para fazer a fiscalização e auditoria do processo eleitoral. Nessa comissão, além de representantes de ONGs e universidades, uma vaga foi reservada aos militares. Segundo o jornal Valor Econômico, o TSE convidou um almirante para a vaga, mas o Ministério da Defesa ficou incomodado com o convite e terminou indicando o general Heber Portella, alinhado com o Planalto.

Na comissão, o general Portella tem feito críticas detalhadas e incisivas às urnas. Algumas foram vazadas nas redes bolsonaristas, no espírito de mostrar o caráter “vigilante” das Forças Armadas. Isso levou o TSE a publicar respostas a elas (um relatório de mais de 700 páginas!). Depois, o general preparou uma réplica minuciosa — que permanece em sigilo —, e o TSE respondeu numa tréplica publicada pela imprensa.

É a esse jogo duro do representante da Defesa na comissão que o ministro Luís Roberto Barroso aludiu num debate acadêmico na Alemanha no último domingo, ao dizer que as Forças Armadas têm sido orientadas a atacar e a desacreditar o processo eleitoral. A Defesa respondeu à declaração em nota oficial, dizendo que a insinuação do ministro era “ofensa grave” e que os militares “apresentaram propostas colaborativas, plausíveis e exequíveis no âmbito da Comissão de Transparência das Eleições”.

Na quarta-feira, Bolsonaro disse num evento que uma solução para a falta de confiança no sistema eleitoral seria uma apuração paralela das eleições pelas Forças Armadas: “Quando encerra eleições e os dados chegam pela internet, tem um cabo que alimenta a ‘sala secreta do TSE’ (…), onde meia dúzia de técnicos diz ‘quem ganhou foi esse’. Uma sugestão é que, nesse mesmo duto, seja feita uma ramificação, um pouco à direita, porque temos um computador também das Forças Armadas para contar os votos”. Um dia depois, em sua live semanal, o presidente disse que o TSE deveria atender às sugestões das Forças Armadas “para o bem de todos”.

Não existe uma sala secreta que recebe os dados das urnas e declara o vencedor. A proposta de uma apuração em paralelo pelos militares deveria acender um alerta. Assim como também deveria acender um alerta a proposta da Defesa na comissão do TSE de que se tomem “medidas que permitam a validação e a contagem de cada voto, mesmo que as mídias ou urnas sejam descartadas” —proposta que cheira demais à tese derrotada do voto impresso.

Essa situação toda começou com o esforço de Bolsonaro por cooptar militares para o governo e, ao mesmo tempo, promover a descrença no sistema eleitoral. A campanha de Bolsonaro pôs bastante energia em desacreditar as urnas ainda nas eleições de 2018, mesmo quase tendo vencido no primeiro turno (Bolsonaro teve 46% dos votos). Na Universidade de São Paulo, fizemos um levantamento das postagens bolsonaristas no Facebook nos 40 dias de campanha do primeiro turno e identificamos 1,5 milhão de compartilhamentos de postagens atacando as urnas.

Não é segredo que a estratégia é a mesma de Donald Trump, que, também tendo vencido Hillary Clinton em 2016, alegou fraude. Depois, em 2020, saiu da Casa Branca vociferando que as eleições haviam sido roubadas. Trump incentivou a invasão do Congresso americano no dia da validação do resultado e, soube-se depois, estudou mandar o Exército para apreender urnas nos estados. Até hoje, um terço do eleitorado americano acredita que as eleições de 2020 foram fraudadas. A tese conspiratória tem até nome: “A grande mentira”.

Toda essa movimentação do TSE é para impedir que o Brasil viva sua própria versão da grande mentira. A estratégia é segurar os militares, esclarecendo dúvidas e os incorporando à própria dinâmica do processo eleitoral, para que não possam se somar aos gritos de fraude que vierem do lado de fora. A própria necessidade de segurar os militares para impedir que sejam mobilizados pelas alegações fantasiosas do presidente mostra quanto nossa democracia já está fragilizada.

Leão apresenta o novo camisa 10

O Remo apresentou oficialmente nesta quinta-feira, 28, o meia-armador Albano. Ele declarou estar pronto para assumir o papel de novo camisa 10 do time. Ex-jogador do Goiás, ele disse que está bem fisicamente e pode estrear já contra o Confiança, domingo. “Me sinto bem. Acho que eu estou bem fisicamente, venho treinando. Eu estou pronto para aproveitar essa oportunidade. Espero que eu consiga corresponder”.

Albano surgiu na Aparecidense e foi contratado pelo Goiás. Esteve na campanha do acesso do clube goiano à Série A, mas disputou poucos jogos na Série B e não conseguiu fazer gols com a camisa do clube esmeraldino.

“Tive dificuldade no começo da temporada, eu tive covid. Precisei tirar dois sisos. Fiquei 30 dias parado, isso dificultou. Por conta disso, eu fiquei um pouco fora de forma, mas não estou dando desculpas, sei que preciso melhorar e trabalhar mais. Vou aproveitar a oportunidade que o Remo está dando”, explicou.

O técnico Paulo Bonamigo ganha a opção de um jogador de criação que gosta de atuar perto do gol. Albano pode jogar no meio ou pelos lados do ataque. “Sou um meio-campista. Jogo com ponta, mas prefiro como meio-campista. Gosto de jogar perto da área, de jogar com a bola no pé e entrando na área, assim consigo deixar meus companheiros de frente para o gol”.

Ataque deve ser prioridade

POR GERSON NOGUEIRA

Marlon vem se destacando no PSC neste começo de Campeonato Brasileiro. Com tarefas e responsabilidades amplificadas depois que Ricardinho deixou o time por contusão, ele participa da elaboração das jogadas ao lado de José Aldo e ainda encontra tempo para ir ao ataque fazer gol.

Foi assim contra o Mirassol, na segunda-feira à noite. Depois de uma atuação quase perfeita ao longo do primeiro tempo, ajudando a recompor e a armar as manobras ofensivas, ele teve a visão necessária para aparecer na área e receber o cruzamento de Robinho. Pegou de primeira e estufou as redes.

A visão privilegiada dentro e às proximidades da área é uma das grandes qualidades de Marlon. A outra é a técnica para definir jogadas. No começo, assim que chegou há três anos, entrava como flecha nas defesas adversárias. Qualquer cochilo dos zagueiros, lá estava ele para matar.

Pelo estilo rápido, lembrava muito Tiago Potiguar, atacante que marcou época na Curuzu. Aos poucos, porém, Marlon foi recuado para o meio-campo, e perdeu muito com isso. Passou a ser olhado como um armador, talvez pela habilidade, drible fácil e passes perfeitos.

É um erro. Marlon deve ser aproveitado essencialmente como jogador de ataque, o mais avançado possível, alargando a linha ofensiva e abrindo defesas. Quando recebe a bola e parte em diagonal em direção à área para finalizar ou tabelar é, de longe, o melhor atacante do Papão.

Poucos jogadores no futebol paraense batem na bola da intermediária com tanta qualidade e pontaria. Mesmo na Série C do ano passado, no horroroso time de Vinícius Eutrópio/Roberto Fonseca, ele conseguiu se destacar com gols bonitos, consignados a partir de manobras individuais.

Com Márcio Fernandes, Marlon tem sido usado como um meia de articulação, mas é liberado para chegar até a área adversária pelo lado esquerdo. A questão é que, como apoiador, ele perde tempo demais com as ações longe da área – e do gol.

Esse papel deve ficar com outros jogadores, José Aldo, Vieira (que nem estreou ainda) e Serginho (quando estiver recuperado). Eles que cuidem da elaboração das jogadas. Marlon deve ser posicionado lá na frente, sem precisar ir e voltar o tempo todo. Com isso, terá fôlego e condições plenas de explorar sua capacidade de definir.

Direto do blog campeão

“O Remo passou a temporada passada com vários jogadores meias-bocas no elenco. Jogadores que aguentavam jogar só meio tempo de jogo, no máximo. Outros faziam de conta que jogavam. Assim foram levando a vida até que a casa caiu com a queda para a Série C de maneira patética. Gedoz era um desses. Com a sua saída, é hora de observar outros do mesmo naipe, chegados a calçar um chinelinho, e mandá-los cantar em outra freguesia. Acorda, Leão”.

Miguel Silva, um azulino cabreiro

Um futebol de outra galáxia, bonito e intenso

Quem dedicou duas horas de seu tempo para apreciar – o termo é exatamente este – o jogo Manchester City x Real Madrid, pela Liga dos Campeões, ainda deve estar enlevado com a incrível dinâmica e a excelência do espetáculo ali encenado.

A partida redesenhou o significado da palavra intensidade no futebol. Os times atuaram em alta velocidade, sem linhas de marcação e recursos sujos, como o rodízio de faltas. Os técnicos brasileiros, todos, incluindo os portugueses que aqui aportaram, deveriam sentir vergonha.

O que se pratica aqui é algo mais ou menos parecido com o futebol europeu cintura-dura dos anos 1960 e 1970. Como sempre defendi, a Europa veio buscar talento e inventividade aqui na América do Sul, e no Brasil, em particular. Pagou caro por isso, mas hoje lucra com a experiência.

O começo foi vertiginoso. Um gol antes de 1 minuto, com De Bruyne; outro aos 10’, com Gabriel Jesus. Os ataques pareciam bombardeios. O City era mais desenvolto, distribuindo bolas de lado a lado. Bernardo, Fernandinho (sim, ele mesmo), Phil Folden e De Bruyne desfilavam.

Atordoado, o Real custou a entrar no jogo. Só aos 33’, quando Benzema finalizou para as redes, deu para perceber que a mística merengue estava viva e presente. O primeiro tempo passou voando, tal a rapidez dos lances e a sucessão incrível de chances de gol.

Veio a etapa final e os dois gigantes não se acomodaram. O jogo ficou ainda mais emocionante. Logo aos 2 minutos, o City invadiu a área e botou uma bola na trave. No rebote, Carbajal salvou junto à linha.

Mas, aos 7’ não teve jeito. Fernandinho (sim, ele mesmo) surgiu como ponta direita e cruzou na medida para Foden cumprimentar para as redes. Não deu tempo de comemorar porque nova reviravolta estava vindo.

Em lance sensacional, Vinícius Jr. aplica um drible de corpo em Fernandinho junto à linha lateral e arranca do meio-campo até a área do City para tocar na saída de Ederson. Uma pintura de gol. Delirante, o jornal Ás fez ilustração comparando Vini a Pelé. Menos, menos – por ora.

O City fez o quarto gol aos 22’, com Bernardo Silva. Tudo parecia enfim definido. Não estava. Aos 35’, Tony Kroos levanta na área, o zagueiro desvia de cabeça e com o braço. Para os analistas de arbitragem do Brasil seria lance legal, mas o pênalti foi marcado e Benzema fez o 3º do Real. Até nisso houve arte. O francês deu a cavadinha e enganou Ederson.

No final, para não deixar a peteca cair, as caixas de som explodem com o clássico “Wonderwall”, do Oasis. E tudo fica em aberto para a decisão em Madri. Promessa de nova catarse.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 28)

Comitê da ONU considera Moro e dá ganho de causa a Lula

Por Jamil Chade, no UOL

O Comitê de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) concluiu que o ex-juiz Sérgio Moro foi parcial em seu julgamento dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão é o primeiro golpe internacional contra o ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro. O órgão também concluiu que os direitos políticos de Lula foram violados em 2018. Depois de seis anos de análise em Genebra, a decisão é legalmente vinculante e, com o Brasil tendo ratificado os tratados internacionais, o estado tem a obrigação de seguir a recomendação.

Mas sem uma forma de obrigar os países a adotar as medidas e nem penas contra os governos, o Comitê sabe que muitas de suas decisões correm o risco de ser ignoradas. O comitê é o encarregado de supervisionar o cumprimento do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, assinado e ratificado pelo Brasil.

Para a entidade, Moro foi parcial em seus julgamentos sobre as denúncias envolvendo o ex-presidente. Tanto o governo como os advogados de Lula já foram informados sobre o resultado do caso. Mas o anúncio oficial ocorre apenas nesta quinta-feira. Procurada, a defesa do ex-presidente indicou que não poderia comentar o resultado, por conta de um embargo imposto pela ONU.