Leão reconquista título estadual e faz a festa dentro da Curuzu

O Clube do Remo é o campeão paraense da temporada 2022. O título veio na noite desta quarta-feira (6), de forma dramática, em partida realizada no estádio da Curuzu. O placar foi de 3 a 1 para o PSC, mas, no placar agregado (4 a 3), o Leão ficou com o troféu máximo. É o 47º título estadual dos azulinos. Os bicolores lutavam pelo tri estadual e o 50º título.

Nos primeiros minutos, o Remo tentou abafar a pressão do PSC. Aos poucos, porém, a defensiva azulina cedeu à movimentação do ataque bicolor. A diferença de três gols foi desfeita ainda no primeiro tempo. Ricardinho e José Aldo (2) construíram a vitória parcial do Papão. No segundo tempo, o Leão se recompôs e partiu para a reação, que veio aos 15 minutos, em golaço de Leonan.

A festa de entrega do troféu foi interrompida pelo desligamento das luzes do estádio da Curuzu, fato muito criticado pela presidente da FPF, Graciete Maués.

Carta aberta aberta a D. Orani Tempesta: Arrependei-vos! (Mt 4,17)

Para: Dom Orani Tempesta
Cardeal arcebispo do Rio de Janeiro

Exmo Sr. Arcebispo,
estivesse eu me dirigindo a um bispo identificado com o povo pobre – tal como nasceu, viveu e morreu aquele que confessam por mestre, Jesus Nazareno –, eu me sentiria mal usando esse tratamento formal, e meu interlocutor certamente também se sentiria constrangido. Esse certamente não parece ser o seu caso; portanto, Excelência, não posso dirigir-me a vós senão por essa formalidade do mundo, que agrada aos que são do mundo.

Escrevo para fazer o que, provavelmente, muitíssimos fiéis do seu arcebispado e muitos padres sob sua autoridade gostariam de fazer: alertá-lo para o descaminho em que se meteu, fazendo ouvido mouco às palavras do próprio Cristo. Pior que isso: fazendo ouvidos de mercador, porque se tratou mesmo de comércio de um “príncipe da Igreja” com os vendilhões do templo, o seu encontro, neste 4 de abril, com o presidente Bolsonaro e seu filho senador.
Não me venha com a desculpa de que Cristo comia com os pecadores, ou com aquela teologia manca e falaciosa, pela qual se afirma condenar o pecado, mas não o pecador. Seu mestre (será mesmo?) alertou, sem meias palavras: Eu os estou enviando como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam astutos como as serpentes e sem malícia como as pombas (Mt 10, 16).

Será possível que, em mais de 50 anos de vida religiosa, jamais meditou sobre essas palavras? Será que um homem da Igreja, com 25 anos de vida episcopal, cai em uma armadilha dessas, sem saber que está se prestando como (falso) inocente útil para os fascistas?
Será que alguém que, como sacerdote, acompanha de perto a trajetória da CNBB há mais de quatro décadas, não foi capaz, até hoje, de entender que Bolsonaro, seus filhos e seus maiores apoiadores são nazi-fascistas?
Desconhece, Vossa Excelência, que esse ex-capitão, com quem se congraçou, assim como seus filhos, é um defensor da tortura? Desconhece que Bolsonaro é um defensor dos atos mais vis praticados pelos militares durante a última Ditadura em nosso país, contra presas e presos políticos? Desconhece que esse homem favorece conscientemente o crime organizado e as milícias, facilitando a venda de armas e munições, praticamente sem controle? Desconhece o que esse sujeito disse e fez com respeito à pandemia do Coronavírus em nosso país? Desconhece os atos e os pronunciamentos antidemocráticos do homem com quem se deixou fotografar?

Sinceramente, não consigo acreditar nisso. Na verdade, é mesmo impossível acreditar nisso. Só me resta entender que os Bolsonaros compraram o apoio do Arcebispo do Rio de Janeiro, oferecendo dinheiro arrecadado no Cristo Redentor, ao preço altíssimo de Vossa Excelência trair seu mestre, cuspir no seu Evangelho, e dar aval para que católicos votem mais uma vez naquele que é a negação de tudo o que se pode aprender com Jesus de Nazaré.
Hoje, a imagem de Cristo entre dois ladrões já corre nas redes sociais. Mas não é Jesus – simbolizado, ali, por um crucifixo pendurado na parede – quem abençoa os dois criminosos impenitentes e incorrigíveis. Quem os abençoa e lhes presta o serviço de afiançar os crimes, é Vossa Excelência, Dom Orani, que sequer se envergonha de instrumentalizar a imagem do Cristo martirizado para dar apoio ao que de pior já se gestou na política brasileira.

No facebook de Flavio Bolsonaro a foto está lá, com essa mensagem: “Estivemos hoje com Dom Orani Tempesta …para reafirmar o compromisso com os valores da família e do respeito à vida!” Que sacrilégio! Vossa Excelência acredita que os Bolsonaros, como Jesus, vieram para que todos tenham vida, e vida em abundância (Jo 10, 10) ?
Dom Orani, o grande pecador, nesse episódio, foi Vossa Excelência, já que os Bolsonaros não crêem em uma palavra sequer dos Evangelhos. E lhe digo mais: eles sabiam que não o estavam enganando; que sua escolha foi consciente, que V. Excia escolheu o erro. Diferente de Jesus, que levado ao alto de um monte pelo demônio, para ser tentado, o repeliu (Mt 4, 8ss), Vossa Excia se colocou, por vontade própria, no alto do Corcovado, aceitou a oferta dos representantes de Satanás, e ajoelhou-se diante deles.
Alguns religiosos sonham com o martírio, um momento de provação extrema em que provariam ou provarão seu amor incondicional à sua causa e ao seu Deus. O seu momento de martírio, Dom Orani, está sendo ofertado agora; está em suas mãos. Publicamente peça desculpas a Deus e às suas ovelhas, pelo grande pecado cometido hoje, ao prestigiar o anti-Cristo e favorecer seus planos de morte.
Faça isso, antes que chegue o dia em que seja chamado a renunciar, pelo escândalo causado aos fiéis. São palavras de Jesus: Qualquer que escandalize um destes pequeninos, que creem em mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado nas profundezas do mar. (Mt 18, 6).

Atenciosamente,

Wilmar da Rocha D’Angelis
Indigenista e linguista

A saga do renascimento

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo parte hoje para uma missão que parecia praticamente perdida quando terminou a fase de classificação do Parazão. O time ficou em 2º lugar no seu grupo – atrás do azarão Caeté – com atuações fracas e uma sucessão incômoda de empates (cinco em oito jogos). O trabalho de Paulo Bonamigo sofria questionamentos, bem como a política de contratações para o campeonato estadual.

A rigor, poucos acreditavam que o Leão pudesse empreender uma reação na competição. A comparação com o maior rival era ainda mais desfavorável. O PSC se estabelecia como líder geral na pontuação, com desempenho que empolgava sua torcida.

Quando chegou a fase de quartas de final, o Remo começou a renascer. O marco da virada foi a categórica goleada sobre o Caeté, no Baenão, por 4 a 0. Uma grande atuação, centrada em movimentação intensa no meio-campo e forte presença ofensiva ao longo de todo o confronto.

A partir daí, o time teve boas atuações contra a Tuna nas semifinais. Venceu na ida, dentro do Souza, e perdeu por 1 a 0 na volta em jogo de resultado enganoso, pois o rendimento do time de Paulo Bonamigo foi avassalador, falhando apenas na hora de definir as jogadas. A classificação para a final veio na série de penais, superando o trauma da eliminação de 2021 diante da própria Tuna.

No duelo inicial com o PSC, domingo, outra exibição bem encaixada, taticamente segura e objetiva quanto às finalizações. Em função do volume apresentado, o time fez três gols até com relativa facilidade.

A reabilitação no campeonato se confirmou plenamente, contrariando todas as projeções e expectativas do período inicial da competição. Entra agora em fase muito mais delicada, agora como favorito ao título a partir da ampla vantagem que conquistou na final.

Sem Anderson Uchoa, suspenso, Paulo Bonamigo terá que fazer uma variação de seu triunvirato defensivo. Pingo entra na vaga de Uchoa, com Paulinho Curuá posicionado um pouco mais à frente. Ambos conectados a Marlon, peça fundamental no equilíbrio da zaga.

Os laterais, fundamentais para o funcionamento do sistema, são Ricardo Luz e Leonan, ambos com tarefas tanto de cobertura quanto de apoio ao ataque. Daniel Felipe continua na zaga, substituindo Everton Sena.

O meia Felipe Gedoz reaparece na lista de relacionados, mas fica como opção para o segundo tempo. Marco Antônio segue responsável pela armação. Bruno Alves, Brenner e Ronald formam a linha de frente que mais se destacou na fase de mata-mata do Parazão.

Caso vença o campeonato, o Remo terá sua campanha lembrada pelo incrível renascimento ao longo de uma disputa que parecia inevitavelmente perdida. Algo raro de acontecer numa competição de tiro curto.

Márcio faz mudanças para tentar a virada

Com vários problemas de contusão no elenco, o técnico Márcio Fernandes passou os últimos dias tentando achar uma formação que permita ao PSC reverter a situação desfavorável na decisão do Campeonato Paraense. A principal baixa está justamente no ataque, setor que precisa funcionar com perfeição na decisiva partida de hoje à noite.

A desvantagem de 3 a 0, naturalmente difícil de ser superada, traz como agravante o obstáculo de envolver um clássico tradicionalmente equilibrado, onde placares folgados são raros de acontecer.

Ao mesmo tempo, as surpresas estão no DNA do Re-Pa, fato que embala as esperanças do torcedor alviceleste. Como a derrota no primeiro jogo provocou forte impacto dentro e fora do elenco, o técnico Márcio Fernandes busca corrigir erros e valorizar os pontos fortes do time.

Por esse aspecto, as mudanças incluem a substituição de Elias Curzel por Tiago Coelho, principalmente em função das críticas que têm sido dirigidas ao goleiro nas últimas partidas, embora não tenha cometido nenhuma falha bisonha no clássico de domingo passado.

Contratado para ser uma das atrações da equipe, Tiago acabou perdendo espaço em função de uma contusão que o deixou longe dos gramados durante toda a primeira fase do campeonato. Recuperado, teve que ficar na suplência de Elias, que foi prestigiado por Márcio Fernandes.

A linha de zaga também será alterada. Setor mais bombardeado por todos após a quantidade de gols sofridos nos últimos jogos, incluindo a derrota para o CSA na Copa do Brasil. A principal mexida será no centro da defesa, com a volta de Marcão no lugar de Heverton.

Igor Carvalho, já inteiramente recuperado de contusão, deve entrar jogando na lateral direita em substituição a Polegar. No meio-campo, apesar da expectativa em relação ao volante Bileu, que ficou de fora da equipe desde as quartas de final do Parazão devido a uma contusão na coxa.

Está confirmada a presença de Ricardinho, que saiu aos 30 minutos do confronto no Baenão e foi protagonista de um início de crise na segunda-feira, com os boatos de que teria pedido rescisão de contrato – fato desmentido pelo próprio atleta.

Toscano herda a camisa 9 após a apagada atuação de Henan no primeiro jogo. Não que Toscano seja uma unanimidade, longe disso. Tem sido muito criticado pela fraca produção (não fez gol ainda com a camisa do Papão), mas Márcio Fernandes não tem muitas alternativas para o centro do ataque.

Marlon será o atacante de lado, como normalmente já ocorre. Robinho e Dioguinho serão opções para o decorrer da partida.

E a montanha pariu um rato, de novo

Por alguns dias, o Parazão ficou ameaçado de mergulhar em nova crise. O PSC foi julgado à revelia no TJD e acabou punido com a perda de dois mandos de campo, em função de incidentes ocorridos no Re-Pa da primeira fase. O imbróglio durou até ontem, quando o tribunal aceitou recurso do Papão para suspender a punição, garantindo o jogo na Curuzu.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 06)