TJD julga incidentes ocorridos na Curuzu e decide tirar mandos de campo do PSC

O mais tumultuado campeonato de todos os tempos está ameaçado de mergulhar em nova crise às vésperas da decisão. Tudo porque o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PA) julgou, na noite desta sexta-feira (1), os incidentes registrados no clássico entre Paysandu e Clube do Remo disputado a dia 20 de fevereiro e válido pela 7ª rodada da fase classificatória do Campeonato Paraense. Em pauta, infrações cometidas pelos dois clubes, envolvendo jogadores, dirigentes e torcedores.

No julgamento desta sexta-feira, o tribunal puniu o PSC com a perda de dois mandos de campo e uma multa no valor de R$ 5 mil. A decisão já vale para o segundo jogo da final do Parazão 2022. Com isso, os bicolores terão que jogar em outro estádio (fora de Belém) sem contar com a presença de seu torcedor. Já o Remo foi punido com a aplicação de multa de R$ 2 mil pela conduta do diretor Dirson Neto, que também foi suspenso por 30 dias.

Ao ser informado da decisão, o PSC se manifestou alegando que não foi notificado sobre o julgamento. Em nota, o clube expôs sua posição:

“O Paysandu Sport Club informa que tomou conhecimento de que seria julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Pará (TJD-PA), na tarde desta sexta-feira (1º), somente através de publicações que circularam na imprensa e nas redes sociais, uma vez que não foi notificado de forma oficial.

Vale ressaltar que o TJD-PA possui a lista de contatos oficiais do clube, que foi atualizada no início deste ano, na qual constam vários e-mails, mas enviou a notificação apenas para o endereço eletrônico que era usado pela antiga advogada do Paysandu, Renata Hachem, que faleceu ano passado, vítima de câncer. Aliás, este e-mail não faz parte da atualização enviada.

(Foto: John Wesley/Ascom PSC)

Para nunca mais esquecer

Em sua edição de 1º de abril de 1964, o jornal “O Globo” tratou a deposição do presidente João Goulart como restabelecimento da democracia. Publicado na capa, o editorial exaltou “heroísmo” das Forças Armadas que “salvaram” o país da “comunização”. Graças a esse apoio incondicional, o empresário Roberto Marinho foi imensamente agraciado. Recebeu dezenas de concessões para transmissões de TV pelo país e foi beneficiado com proteção e favorecimento. Assim, com concessões e tecnologia de ponta, enquanto as outras redes não podiam comprar nada de fora, a Rede Globo se tornou líder de audiência e monopolizou a comunicação no país.

Pregação golpista não é mais apito de cachorro, mas ataque dos cães

Convém fazer a Frente Única em favor da democracia. O resto vem depois. Ou a terceira via vai piscar para o golpe?

POR REINALDO AZEVEDO

Ninguém tem o direito de duvidar de que Jair Bolsonaro e alguns outros extremistas com ou sem farda, de uniforme ou de pijama, estão se preparando para tentar golpear as eleições caso Lula vença a disputa. Os sinais estão em toda parte.

Não se trata de ilações oriundas de maquinações conspiratórias. Como sempre acontece desde a fábula do lobo e do cordeiro, os argumentos não têm importância, só os pretextos. Os outros pré-candidatos vão ou não defender a ordem legal? Já não se trata de combater o “apito de cachorro”, mas o ataque dos cães.

A intimidação se adensa de forma escancarada. No Rio Grande do Norte, o dito “Mito” associou a população armada ao resultado das urnas. Em caso de vitória do “mal” —e ele se refere obviamente ao candidato petista—, então cumpre, nas suas palavras, dar “até a vida”, necessariamente a dos outros, pela “nossa (deles!) liberdade”. A liberdade de rasgar a Constituição, a exemplo de 1964.

O golpe, note-se, foi exaltado por Braga Netto, dublê de general da reserva, ministro da defesa e pré-candidato a vice na chapa do “capitão”, numa Ordem do Dia que, dadas essas circunstâncias, entra para a história como uma das peças mais desavergonhadas da República em razão das mentiras que conta, das conclusões a que chega e das ameaças que embute.

Numa passagem particularmente sórdida, ele insere a “anistia ampla, geral e irrestrita” como uma das conquistas da ditadura, como se os anistiados não fossem personagens que a própria quartelada engendrou, fossem vítimas, fossem algozes. Parafraseando com ligeira torção música de Chico Buarque, este senhor se jacta da invenção do perdão para os pecados que eles mesmos inventaram. Lixo!

Cumpre prestar atenção ao fim da Ordem do Dia, que reproduzo: “Cinquenta e oito anos passados, cabe-nos reconhecer o papel desempenhado por civis e por militares, que nos deixaram um legado de paz, de liberdade e de democracia, valores estes inegociáveis, cuja preservação demanda de todos os brasileiros o eterno compromisso com a lei, com a estabilidade institucional e com a vontade popular.” Dispenso-me de vomitar sobre a suposição de que o AI-5, por exemplo, garantiu o regime de liberdades.

Atenho-me ao anunciado compromisso “com a vontade popular”. O texto veio à luz no mesmo dia em que o presidente voltou a associar as urnas eletrônicas a fraudes e a povo armado. O círculo se fecha com tenebrosa clareza. Em 1964, pretextando-se o risco do “avanço de uma ideologia totalitária”, rasgou-se a Constituição em nome do “fortalecimento da democracia” (as aspas são uma cortesia de Braga Netto). Em 2022, bastaria anunciar que as urnas eletrônicas não refletem o que os armados consideram a “vontade popular”. E pronto!

Um presidente não tem três comandantes do Exército em menos de quatro anos —jamais as Forças Armadas estiveram tão presentes no governo e foram, a um só tempo tão humilhadas!— se está com boas intenções. Os tolos aqui e ali tentam buscar também no STF a responsabilidade pela tensão. Mentira e cretinismo. Dias Toffoli abriu de ofício o inquérito das “fake news” antes de se concluir o terceiro mês de governo porque as milícias já estavam em ação.

E agora puxo o fio que larguei lá no primeiro parágrafo. A tal “terceira via” se esboroou, como antevi desde sempre. O nem-nem, a “quimera da dupla negação”, tinha uma falha moral imperdoável —e há o risco de conservá-la em se chegando a algum nome: nunca disse que inegociável mesmo, acima de qualquer outro valor, é a democracia e que, pois, uma composição com o golpista, num eventual segundo turno, é impossível.

E poderia tê-lo feito, mesmo opondo-se ao pré-candidato do PT. Não conseguiu estabelecer a hierarquia entre o inaceitável e o indesejável porque tentou ser, de algum modo, beneficiária da política do “medo do comunismo”, aquele miasma fétido que vem lá de 1964.

Pouco importa quantos sejam os candidatos, convém fazer a Frente Única em favor da democracia. O resto vem depois. “Ah, isso só favorece Lula…” Não é verdade. Mas e se fosse? Contra Lula, vale dar uma piscadela para o golpe?

FONTE
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldoazevedo/2022/03/pregacao-golpista-nao-e-mais-apito-de-cachorro-mas-ataque-dos-caes.shtml

O histórico de lutas da SPDDH e do Jornal Resistência

Instituição histórica na luta contra as desigualdades, a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SPDDH) foi criada em 1977 por pessoas que dedicaram sua vida à luta contra a ditadura militar. Seu principal veículo de comunicação foi o jornal impresso Resistência, fundado em 1978, pelo esforço direto de seus fundadores Humberto Cunha, Luiz Maklouf Carvalho e Iza Cunha. Nas redes sociais, no transcurso de mais um aniversário do golpe militar de 1964, a SPDDH destaca: “Nosso compromisso permanece, seguimos em apoio e nas denúncias das violações e desrespeito aos #DireitosHumanos no #Pará. Continuamos em luta na defesa da #Democracia, Pelo Direito à Memória e a Verdade e pelo #ForaBolsonaro e seu bando de criminosos!”.

Uma baixa de grande impacto

POR GERSON NOGUEIRA

O meio-campo é, desde o começo da temporada, o ponto mais frágil do Remo. A situação se acentuou quando Felipe Gedoz saiu de combate, vitimado por contusão grave. O time aos poucos se acostumou a jogar sem um camisa 10, utilizando Erick Flores na armação.

A evolução técnica custou a se materializar, mas finalmente surgiu nas quartas de final, na segunda partida contra o Caeté. Na ocasião, Erick Flores foi um dos destaques, tanto na construção de jogadas como na definição – marcou um gol de cabeça.

Diante da Tuna, o meia-atacante voltou a atuar em bom nível, marcou outro gol e saiu como um dos melhores do primeiro jogo. Na volta, no Baenão, Erick era um dos melhores em campo quando foi atingido e teve que sair para a entrada de Ronald.

Com a perda de Erick, ruiu toda a estrutura armada por Paulo Bonamigo para garantir consistência ao meio-campo. Sem ele, o time terá como organizador o volante Marco Antônio, cujo desempenho é apenas razoável.

O fato é que Erick vem se constituindo desde o ano passado em peça exponencial na meia-cancha do Leão. Viveu seu melhor momento durante a Série B. Não por coincidência, a derrocada azulina no Brasileiro aconteceu após a lesão sofrida por ele no final do primeiro turno.

A facilidade para a troca de passes e a virtude de aproximar os setores fazem dele um dos jogadores mais importantes do elenco no aspecto tático. Com ele em ação, todos passam a render mais, com efeitos positivos sobre o balanço ofensivo e até para a estratégia de proteção à zaga.

Sem muitas opções no grupo, Bonamigo tem que buscar saídas para compensar a ausência de Erick. É quase certo que optará por um jogo mais verticalizado, a partir da presença de Ronald pelos lados do campo. E, para que esse trunfo seja bem aproveitado, é fundamental que Marco Antônio se posicione à frente dos volantes Uchoa e Curuá.

Para um cenário de forte marcação no meio, como normalmente ocorre jogos decisivos, a qualidade e a técnica de Erick teriam papel precioso. Um time não vive apenas de correria e contragolpes velozes. A maior parte do jogo se desenvolve no meio, onde domínio e bom passe são fundamentais. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Candidato a ídolo da Fiel, Danrlei é dúvida no Papão

Principal goleador do Papão no campeonato, o artilheiro Danrlei pode desfalcar a equipe na decisão contra o Remo, domingo e quarta-feira que vem. O atacante saiu de campo lesionado, amparado pelos companheiros, aos 35 minutos do 1º tempo contra o Águia na Curuzu, anteontem.

Apesar das outras duas baixas que o time teve – o lateral esquerdo João Paulo e o volante Bileu –, não há mais dúvida quanto à importância de Danrlei para o setor ofensivo e para o funcionamento do time, embora Márcio Fernandes tenha demorado a notar isso.

Autor do primeiro gol no confronto de anteontem, Danrlei sentiu a coxa direita e foi substituído por Henan, o ex-titular e jogador de confiança do técnico. Com Danrlei no time, o PSC teve um ataque muito mais satisfatório, mesmo quando ele entrava apenas nos minutos finais.

Caso Danrlei não possa jogar no domingo, a opção natural é Henan, que marcou apenas um gol no campeonato – justamente diante do Águia. A torcida já elegeu Danrlei como xodó, comparando-o a ídolos como Zé Augusto, o Zé da Fiel, célebre pela raça com que entregava aos jogos.

Na hipótese de se confirmar a ausência de Danrlei, é provável que Márcio Fernandes modifique o modelo de jogo para o primeiro duelo com o Remo, reforçando a importância de jogadores como Marlon, Robinho e José Aldo para a movimentação ofensiva.  

O fato é que o estilo brigador e intenso de Danrlei não encontra substituto no elenco bicolor. Nenhum dos atacantes é capaz de fazer o que ele faz na área. A boa colocação na área faz com que ele aproveite passes e cruzamentos com média muito superior à dos companheiros.

Das demais baixas, a mais sentida é a do volante Bileu, com lesão muscular. Os laterais João Paulo e Igor Carvalho seguem em tratamento intensivo para atuar no primeiro confronto, domingo, às 18h, no estádio Evandro Almeida.

Caminhos da Copa começam a ser definidos hoje

O mundo está de olho no sorteio das chaves da Copa do Mundo, que a Fifa promove hoje, às 13h, em Doha. Recordista em pontuação nas Eliminatórias e primeira no ranking da entidade (atualização anunciada ontem), a Seleção Brasileira lidera o pelotão dos cabeças-de-chave. É o primeiro grande evento do Mundial, que vai começar a 21 de novembro.

No chaveamento, o Brasil pode pegar de cara adversários do porte da tetracampeã Alemanha e da atual sensação africana, Senegal, de Saio Mané, astro do Liverpool. Seria certamente o “grupo da morte” da Copa.

Há, ainda, a possibilidade de cair no mesmo grupo da Holanda, tri vice-campeã mundial, e da Polônia, do goleador Robert Lewandowski, melhor do mundo.

As 32 seleções classificadas serão distribuídas por quatro potes com oito times cada. Os grupos serão constituídos com a escolha de um time de cada pote. As regras não mudaram: nenhuma chave pode reunir seleções do mesmo continente, exceto a Europa, que pode ter até duas seleções por grupo.

Outra novidade que pode influir na arrumação dos grupos é a presença do anfitrião Qatar entre os cabeças-de-chave do Mundial, mesmo estando fora da lista das 50 melhores seleções. Os três países que ainda disputam repescagens ficarão no pote 4.

Para o torcedor raiz, esta é a última configuração da Copa do Mundo. Com o firme propósito de desconstruir o torneio, a Fifa já definiu que a partir de 2026 serão 48 competidores, quase uma homenagem ao Brasileirão hiper inchado daqueles tempos de ditadura militar.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 01)