Reunião de clubes na CBF veta torcida nos estádios agora; Flamengo ausente

Uma reunião de clubes com a CBF determinou o veto da presença de torcida em estádios pelo menos por enquanto. O Flamengo, que defendia o retorno imediato do público, não esteve presente ao encontro. A partir de agora, a CBF vai consultar prefeituras e Estados para saber sobre autorizações e vai analisar a situação em novas reuniões a cada 15 dias.

O último encontro da CBF com os clubes acabou em briga entre o presidente da CBF, Rogério Caboclo, e o presidente da Ferj, Rubens Lopes. O dirigente da Ferj queria o retorno de público imediato e hoje bate-boca.

Com isso, o presidente da CBF decidiu convocar uma nova reunião já para este sábado sem a presença dos presidentes de federações. Houve uma votação e ficou determinado por 19 a 0 que a volta do público está vetada por enquanto. Haverá uma nova reunião em 15 dias para reavaliar a situação.

A maioria dos clubes é a favor do retorno do público desde que ocorra em todos os Estados da Série A. Por isso, a CBF vai conversar com as prefeituras e Estados para saber quando há liberação. E só com uma reunião nova entre todos os clubes poderá ser aprovada a presença de público. (Por Rodrigo Mattos)

Jogo de desafio e recomeço

POR GERSON NOGUEIRA

Bonamigo observa elenco em treino tático no Baenão | Remo 100%

Vencer em casa é uma daquelas tarefas obrigatórias para times que cotados para classificação à fase de grupos da Série C. A razão é simples: mesmo sem a influência da torcida, os jogos tendem a ser dominados pelos mandantes. Perder a chance de pontuar dentro de seu quintal representa um desperdício que pode ter consequências sérias no momento de definição das vagas.

O Remo, que recebe o Manaus, sabe bem quanto custa atirar pela janela pontos considerados praticamente ganhos. Foi assim com Tombense e Luverdense no ano passado. Cinco pontos que fizeram muita falta nas rodadas finais.

Para deixar de vacilar em situações decisivas e encontrar um padrão mais construtivo é que o clube decidiu trocar de comando há uma semana. Depois do segundo empate em casa, diante do Botafogo da Paraíba, saiu de cena o estilo defensivista de Mazola dando lugar a um projeto mais arrojado, com Paulo Bonamigo, que volta ao Baenão.

Mesmo levando em conta que o novo técnico dirigiu apenas quatro treinos, a expectativa é de que o time já produza mais ações ofensivas e passe a valorizar as jogadas construídas.

É preciso entender que o Remo, apesar do começo com boa pontuação e um sistema assumidamente pragmático, sofria muito com a liberdade que concedia aos adversários para se movimentar.

Aferrado à ideia de jogar por uma bola, o time se acomodava ao marcar um gol ou ficava atrás esperando uma oportunidade – que muitas vezes não aparecia – para encaixar um ataque.

Em nenhuma das sete partidas disputadas até agora (2 vitórias, 4 empates e 1 derrota), o Remo tomou a iniciativa de atacar e intimidar o adversário. Nas duas vitórias, começou mal e melhorou após fazer gol. Ainda assim, na partida contra o Ferroviário, no Mangueirão, o domínio do visitante escancarou a timidez tática da equipe.

Bonamigo chegou com o desafio de mexer nesse estado de coisas. O alto percentual de erros de passe é um dos problemas a serem imediatamente atacados. Para desenvolver um jogo de imposição e controle das ações não há como abrir mão da qualidade e acerto na troca de passes.  

A provável escalação não traz mudanças em relação à última formação utilizada sob o comando de Mazola. Carlos Alberto segue na articulação, tendo Eduardo Ramos mais à frente, com Tcharlles e Gustavo Ermel (ou Hélio Borges) avançados.

Mais do que as peças, importa a distribuição em campo e a atitude em relação aos objetivos do time. O torcedor azulino precisa readquirir confiança na equipe e nos planos de acesso à Série B. Com Mazola isso poderia acontecer, mas certamente com muito sofrimento. Bonamigo é a esperança remista de uma campanha um pouco mais festiva. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Clubes tentam, mas Re-Pa não terá presença de torcida

Como o Ministério da Saúde já deu OK à pretensão da CBF de voltar a ter jogos com torcida pagando ingresso, a Federação Paraense de Futebol e os clubes tentam obter autorização para adotar a mesma prática. Há uma óbvia ansiedade dos dirigentes em função das perdas financeiras geradas pela pandemia.

A grande dúvida é se a iniciativa vale o alto risco para a saúde das pessoas. Em Budapeste (Hungria), a final da Supercopa da Europa entre Sevilla e Real Madrid teve 15 mil espectadores, no estádio Ferenc Puskas. É um exemplo que passou a ser usado como argumento dos defensores da volta do torcedor.  

O problema é que a Hungria não está entre os países mais afetados pela covid. O controle de acesso e saída dos torcedores foi cuidadosamente planejado, evitando ao máximo a aproximação entre as pessoas.

Dada a diferença de perfil entre o torcedor europeu de alto poder aquisitivo presente à final e o público habitual do clássico Re-Pa, é de uma óbvia temeridade tentar impor a presença de 14 mil pessoas no Mangueirão. Ninguém pode garantir segurança e distanciamento nessas circunstâncias.

Reunião realizada sexta-feira, entre autoridades da Secretaria de Segurança Pública e dirigentes, não teve caráter decisório. Foi apresentada uma minuta dos protocolos de segurança, com detalhamentos dos processos de venda de ingressos e dispersão da torcida, será submetida à apreciação da CBF.

Mesmo que a entidade aprove o protocolo, restará pendente a posição do Governo do Estado e da Prefeitura de Belém, o que inviabiliza a pretensão de cobrança de ingressos no Re-Pa do próximo sábado, 3 de outubro.

Bola na Torre

O programa começa às 22h (RBATV), com apresentação de Guilherme Guerreiro e participação da jornalista Karen Sena e deste escriba de Baião. Em debate, as rodadas das Séries C e D.

Na falta de ideia melhor, cartola tira o sofá da sala

E acabou sobrando para quem menos tinha culpa na história da foto dos jogadores do Flamengo sem máscara dentro do avião, na viagem de volta do Equador para o Rio. O presidente do clube determinou, de maneira atrabiliária, típica dos déspotas, a demissão sumária do funcionário Mateus Grangeiro, que fez o registro.

Curiosamente, horas antes, em entrevista à TV, Rodolfo Landim aparentou naturalidade em relação ao assunto. De volta ao clube, expediu a ordem de dispensa. Grangeiro captou imagens de atletas que não respeitavam os cuidados básicos contra a covid – distanciamento e uso de máscaras.

Obviamente, o fotógrafo não era o responsável pelo descumprimento das normas. Se alguém merecia punição era o grupo de jogadores, cuja atitude refletiu a falta de zelo do próprio Landim em relação à pandemia. Talvez por isso o Flamengo batido o recorde nacional de contaminação: 16 jogadores e o técnico Domènec Torrent.

Landim, por mais essa, deve garantir o troféu de rei do mico da temporada. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 27)

N’URSS

Do Blog do Flavio Gomes

RIO (quase) – São 96 poles agora para Hamilton, mas atenção: tem uma chance de ele perder amanhã em Sóchi, adiando a histórica marca de 91 vitórias para igualar Schumacher. Porque por pouco não ficou empacado no Q2. E por isso vai ter de largar com pneus macios, contra os médios de Verstappinho, segundo no grid, e Sapattos, o terceiro.

Já conto como foi. Antes, falemos do meu espanto com esse GP da Rússia cheio de gente nas arquibancadas. Notei que há uma certa disciplina, as pessoas separadas e tal. Mas será que já é a hora? Na Rússia de Putin, nunca se sabe. Fosse na gloriosa União Soviética, não teria ninguém e pronto. Mas as coisas mudaram por lá, virou tudo uma zona.

Na foto abaixo dá para ver o público, que começou a voltar em Mugello (apenas alguns gatos pingados convidados) e deverá estar também nas arquibancadas de Imola, Nürburgring, Portimão e Bahrein. Dá até medo — se bem que esses países têm sido menos cretinos que o Brasil no trato com a pandemia, inclusive são nações dirigidas por pessoas que acham que a Terra é redonda, vejam só…

Verstappen: terceiro surpreendente no grid, diante de público nas arquibancadas

Já identificaram o cabra acima, né? Max foi o nome do sábado, Hamilton à parte. Conseguiu colocar seu carro à frente de uma Mercedes, o que nos dias de hoje é uma façanha. Até então, a dupla do time alemão vinha enfiando 1s em todo mundo. O holandês (país-baixense?) conseguiu quebrar o padrão. Ficou a 0s563 de Hamilton e deixou Bottas na segunda fila, 0s652 pior que o pole.

Ah, o pole… Foi a oitava de Hamilton no ano, quinta consecutiva. Mas foi com emoção. No Q2, tudo parecia tranquilo depois que ele fechou uma volta em 1min32s085 com pneus médios, para largar com eles amanhã e adiar a primeira parada. Bottas e Verstappen fizeram o mesmo. Mas os comissários flagraram o inglês exceder os limites da pista numa curva X, que não lembro qual era, e anularam sua volta — vou resistir até onde puder a dizer “deletaram”.

Tudo bem, era só colocar outro jogo de pneus e mandar ver de novo. Mas…

Faltavam 2min15s para o fim da sessão quando a bandeira vermelha foi agitada por causa de uma panca de um carro também vermelho. Vettel bateu forte e quase uma tragédia se configura: Leclerc vinha bem atrás, desviou e por pouco não encheu o companheiro de lado. Foi bem perigoso.

Hamilton estava em sua volta rápida quando o sinistro foi registrado. Vettel, em 14º, lá ficou, por óbvio. Na lista dos que seriam eliminados naquele momento ainda estavam Albon, Stroll e Russell. Este último nem estava ligando. Pela sexta vez no ano, em dez corridas, passara ao Q2 e já estava de bom tamanho. Os demais, no entanto, tinham maiores pretensões na classificação. Principalmente Hamilton.

Fila para sair dos boxes: Hamilton quase dança no Q2

Recolhidos os destroços da Ferrari #5, 12 carros fizeram fila na saída dos boxes para salvar o dia. Stroll ficou na garagem com o motor superaquecido. Jorginho nem se preocupou em suar o macacão. Sabia que com a Williams não conseguiria superar os que estavam à sua frente e já tinha cumprido a missão de deixar para trás as duplas de Haas e Alfa Romeo, além de seu lerdo companheiro Latifi. Ficar na frente de uma Ferrari já era bônus — no caso, a de Vettel.

(Só para não deixar passar, no Q1 ficaram, pela ordem, Grojã, Giovanetti, Magnólia Arrependida, Lentifi e Kimi Dera Ter Um Carro Melhor Pra Igualar o Recorde do Rubinho de GPs Disputados. Quatro dos cinco com motores Ferrari. Como Leclerc foi 14º e Vettel 15º no Q1, é só fazer as contas: dos sete últimos, seis motores Ferrari.)

Lewis não tinha tempo registrado no Q2, por conta da sua volta cancelada no início. A segunda teve de abortar por causa da bandeira vermelha. Então, não arriscou. Até porque não tinha mais pneus médios novos, colocou os macios para se garantir nos minutos finais da sessão. Mas abriu a volta no talo, faltando décimos de microlésimos de milionésimos de pentelhésimos para a quadriculada. Ficou em quarto e passou ao Q3. E teve de aceitar o fato de que Bottas e Verstappen, que tinham feito seus tempos com pneus médios, largarão com alguma vantagem estratégica amanhã.

Russell: sexta vez no Q2, deixando Alfa, Haas e Ferrari para trás

O finalzinho do Q2 foi muito divertido, todos com pneus frios (ficaram uns cinco minutos na fila para sair dos boxes sem cobertores elétricos), tráfego, uma bela zona, e ao fim e ao cabo rodaram Leclerc, K-Vyda Dura, o já mencionado Strollvenga (parado nos boxes), o igualmente mencionado (e fotografado acima) Jorge Russo e o não menos mencionado Vettel, com o carro todo estropiado em cima de uma plataforma chamada pelo seguro.

Veio então o Q3 e Hamilton, na primeira tentativa, enfiou uma luneta de 0s793 em Bottas, meio que para humilhar. Na segunda volta, melhorou ainda mais seu tempo, estabelecendo novo recorde para Sóchi com 1min31s304.

Bottas: não entendeu como Lewis fez a pole e disse que terceiro é melhor que primeiro

Confesso que fiquei surpreso com o segundo lugar de Verstappen e com as voltas ruins de Bottas, que vinha andando bem nos treinos livres e costuma se acertar na pista russa. E não foi só Max que se destacou, não. O quarto colocado no grid foi Pérez, de saída da Force Martin sem direito sequer aos últimos pacotes de atualização do carro rosa. OK, ficou a mastodôntico 1s013 da pole, mas quem é que tem conseguido andar perto da Mercedes? Ótima classificação, a do mexicano, para júbilo de alguns dentro do time que ainda lhe dão “buenos dias” quando ele chega ao autódromo.

Depois de Pérez, na turma dos dez primeiros, vieram Ricardão, Sainz Carro em 2021, L’Ocon, Mini Norris, Olha o Gás-ly e All Bom. Engraçado foi ver Bottas, ao chegar no pitlane, estacionando seu carro na placa de segundo colocado. Não contava com a astúcia de Verstappen. Tentou racionalizar ao dizer que largar em terceiro é muito bom, porque tem uma retona enorme nesse circuito, porque tem vácuo, porque isso, porque aquilo.

Mas tem certa razão na história do vácuo. Hamilton disse que Sóchi talvez seja a pior pista de todos para largar na pole, porque quem vem atrás baba no traseira do outro até a primeira curva, e a chance de perder a posição é bem razoável. É no que Verstappen aposta para o início da corrida.

Ricciardo: ótimo quinto lugar e chance de bons pontos na Rússia

Não gosto muito desse circuito soviético, cheio de curvas de 90 graus e sem muitos pontos de ultrapassagem. Mas o fato de Hamilton largar com pneus macios pode oferecer algum movimento à corrida. É bom ficar atento também ao desempenho dos dois carros da Renault e da dupla da McLaren. Os motores franceses têm tido uma performance mais do que digna na Rússia, e por isso a disputa no segundo pelotão promete alguns arranca-rabos interessantes.

E a Ferrari?

Solução para Vettel: Leclerc que mandou

Foi com essa imagem que me deparei assim abri meu WhatsApp após o treino. A mensagem veio de Gola Profonda, meu informante em terras soviéticas abrigado desde sempre na equipe italiana. O que é isso, Gola?, perguntei de bate-pronto. “Tá rolando no nosso grupo, parece que esse cara aí no Brasil tem feito umas coisas interessantes e o Seb se interessou. Pediu até o link com mais informações e o Charlito, que anda bem colaborativo, mandou.”

Veio o link. Fiquei com medo de abrir, podia ter vírus, mas se vocês quiserem arriscar, é este aqui.

Assim, segui conversando no aplicativo de mensagens, prometendo ver o link depois. E como está Vettel, dolorido, chateado? “Nada, tá de boa. Assim que chegou nos boxes, pegou o laptop e ficou pesquisando coisas no Google.” No Google? Mas o que ele estava procurando? “Encostei atrás dele e fiquei espiando. Aí perguntei o que ele queria.” E o que era?, insisti, impaciente. “Na hora, não disse. Mas depois mandou no nosso grupo o resultado das suas buscas. Mandou a foto e escreveu: ‘Nossos problemas estão resolvidos, o cara faz serviço de todas as marcas, segue o contato. Não precisa nem polir’. Depois não o vi mais.”

A foto.

Vettel encontrou o que queria no Google: serviço especializado