O levante dos enjeitados

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POR GERSON NOGUEIRA

A primeira rodada da Copa do Mundo fechou em grande estilo, mostrando que algumas placas tectônicas parecem se mover no sentido de instaurar equilíbrio mais democrático ao jogo. Times como México, Japão, Islândia, Suíça e Senegal, todos do chamado terceiro escalão futebol, exibem uma desenvoltura técnica jamais vista na principal competição do planeta. É quase uma revolução dos enjeitados, erguendo-se bravamente contra a dominação dos vencedores de sempre.

Pode até ser que o desdobramento da Copa traga frustrações quanto a esses franco-atiradores, mas é evidente que algo começa a mudar na geografia do esporte mais popular do mundo. Pela maneira como os jogos têm sido decididos, com os favoritos enfrentando extrema dificuldade, não é improvável que o seleto clube de campeões mundiais – Brasil, Alemanha, Itália, Uruguai, Argentina, França, Inglaterra e Espanha – ganhe novo integrante na Rússia.

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Talvez esse privilégio não seja destinado ainda a um dos azarões citados lá em cima, mas pode perfeitamente sorrir para uma das forças secundárias, que há muito tempo mostram-se cotadas para chegar e acabam ficando pelo caminho. Nesse aspecto, Bélgica e Portugal talvez sejam os mais cotados.

Os belgas têm um dos times mais elogiados deste mundial, repleto de grandes jogadores. Portugal nem é um time excepcional, mas tem um fora-de-série para resolver seus problemas. Na estreia contra a Espanha, essa condição ficou patente quando Cristiano Ronaldo assumiu o papel de salvador da pátria lusitana e liderou a reação que levou ao empate (3 a 3) com gosto de vitória.

Por ora, prefiro concentrar minha atenção nos patinhos feios, países que vão às Copas como meros figurantes e sempre voltam para casa depois de três jogos, geralmente com o balaio cheio de gols. Desta vez, há a real possibilidade de que façam alguma ferida, ameaçando o poderio dos gigantes.

Na Copa de 2014, esse papel coube solitariamente à Costa Rica, que caiu no chamado grupo da morte e começou logo batendo no Uruguai (3 a 1), depois derrotou a Itália (1 a ) e empatou com a Inglaterra. Nas oitavas, passou pela Grécia e só foi perder fôlego nas quartas de final. Mesmo assim, saiu na série extra de penalidades contra a Holanda.

Há uma tendência universal de torcer pelos mais fracos. Vale para tudo, até mesmo para guerras entre países. No futebol, quase ninguém escapa a essa mania, embora seja óbvio que em geral nos solidarizamos com a fraqueza por nos sentirmos fracos também.

No caso da Copa, torcer pelos mais fracos é também um gesto egoísta e estratégico, pois no fundo queremos mesmo é ver o circo pegar fogo com a queda dos favoritos. Torcedores brasileiros, por exemplo, querem ver Alemanha e Argentina atropeladas pelas zebras, pois isso teoricamente nos favoreceria na disputa pelo título.

De toda sorte, é bom saber que o futebol bem jogado já não é de exclusivo domínio de alguns poucos países. Que a Copa permita que gente boa de bola consiga brilhar perante o mundo. Este deve ser o espírito da coisa.

Além disso, o futebol já se justifica ao provocar a explosão de alegria dos senegaleses no centro de São Paulo, ontem, após a vitória sobre a Polônia, tendo por um dia motivos para fazer festa.

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Desespero e afobação atrapalham o Leão dentro de casa

O Remo jogou razoavelmente bem, mas perdeu de novo. A parada era duríssima, todo mundo sabia. Melhor time do campeonato, bem organizado e com jogadores jovens, o Atlético-AC se comportou à vontade, sem temer os donos da casa. Levou um gol, ganhou um pênalti, perdeu e ainda assim empatou sete minutos depois. Depois, aproveitou uma brecha e virou o marcador. Permitiu o empate, mas deixou excelente impressão quanto à proposta de jogo e à capacidade de buscar sempre a vitória.

Não se pode diminuir o valor da atuação do Remo no 1º tempo, quando o meio-campo e o ataque funcionaram bem, com a defesa razoavelmente segura. O time marcou dois gols, mas a arbitragem anulou, errando no segundo lance, pois o jogador a quem a bola se dirigia (Ruan) não estava em impedimento.

Depois disso, após muito insistir com jogadas pelo meio, com Everton fazendo uma espécie de falso centroavante, o gol aconteceu em cobrança perfeita de falta por Rodriguinho. Pressionada pelos lados, a zaga acabou permitindo a penalidade, que Vinícius defendeu com muito arrojo. Pena que na sequência tenha saído ligeiramente atrasado, afastando a bola nos pés de Neto, que empatou o jogo.

Ainda surgiriam mais duas boas chances para o Remo, com Elielton e Rodriguinho, mas a velha afobação de sempre acabou sabotando as boas intenções. Logo no início do 2º tempo, veio o castigo pelo desperdício de chances na etapa inicial.

Em meio a uma sucessão de ataques, com boas chances de marcar, o time afrouxou a marcação e sofreu um contragolpe mortal, resultando no gol de Rafael Bastos logo aos 4 minutos. Aí o Remo resolveu abandonar tudo o que vinha sendo feito positivamente para embarcar numa aventura de chutões e ligações diretas.

Conseguiu empatar após esperta cobrança de escanteio de Rodriguinho para Nininho, mas não teve mais a mesma constância na troca de passes em velocidade e infiltrações em diagonal. Rafael Bastos substituiu Ruan, mas não manteve presença ofensiva. Everton cansou e, na melhor investida do segundo tempo, ia marcando gol após passe de Gabriel Lima, mas Jayme o atrapalhou no melhor estilo beque da roça.

A jogada tabajara é a demonstração mais clara dos desacertos que o time passou a ter quando optou pelo velho jogo do abafa, com cruzamentos sem objetivo, até porque o Remo não tinha atacantes altos na área do Atlético.

Como no caso de Rafael, a entrada de Jayme mostrou-se contraproducente. A troca de Elielton por Gabriel Lima ocorreu com atraso. Gabriel teria sido mais útil como companheiro de tramas de Everton no primeiro tempo, por ser mais hábil e finalizar melhor que Elielton, que saiu sob vaias por desperdiçar várias situações propícias para marcar.

O mais preocupante – além da posição desesperadora – é o claro desespero que toma conta de todos, inclusive de Artur, após mais um resultado ruim. Sem frieza e serenidade, o cenário pode ficar ainda mais trágico.

Só restam quatro jogos em Belém. Mesmo que ganhe todos, a pontuação será insuficiente para evitar a queda. Isso obrigará o Remo a ações kamikazes fora de casa, pela obrigatoriedade de vencer para seguir vivo.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 20)

Identificados torcedores brasileiros que assediaram jovem russa

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Um vídeo em que homens brasileiros aparecem assediando uma mulher russa durante a Copa do Mundo viralizou nas redes sociais na última semana. Nas imagens, eles se divertem cantando músicas em alusão à cor do órgão sexual da mulher. Fica claro, no vídeo, que a mulher não entende o idioma português e os homens a incentivam a repetir a frase dita pelo grupo como se fosse um hino de torcida.

Um dos agressores identificado é o policial militar Eduardo Nunes, de Santa Catarina. A PM do estado divulgou, na manhã de hoje, uma nota sobre o caso. Segundo a corporação, apesar de estar de férias, Eduardo terá de responder pela atitude e será aberto um processo administrativo.

“A corporação não corrobora com este tipo de atitude que é incompatível com a profissão e o decoro da classe, previsto no Regulamento Disciplinar e no Estatuto da PMSC, independentemente de estar em período de férias, folga de serviço ou qualquer outra situação de afastamento, devendo portanto, responder por suas atitudes”, diz a nota divulgada pela PM-SC. (Do Pragmatismo Político)

Anfitriã Rússia elimina Egito de Salah e se classifica à próxima fase

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Rússia e Egito abriram a 2ª rodada da fase de grupos da Copa, com uma vitória dos anfitriões por 3 a 1. Dessa vez a seleção egípcia contou com a presença da estrela do time Mohamed Salah, que não jogou a primeira partida porque se recuperava de uma lesão no ombro.

Mas o craque, assim como a fraca defesa do Egito, não conseguiu segurar os russos, que marcaram três gols nos primeiros 15 minutos do segundo tempo. Pelo menos Salah conseguiu deixar sua marca com um gol de pênalti, diminuindo o placar.

O resultado garantiu a seleção russa nas oitavas de final do campeonato, em que o adversário deverá ser Espanha ou Portugal. A Rússia ainda enfrenta o Uruguai no jogo que irá definir a liderança do grupo A.

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Japão bate Colômbia em jogo histórico para o futebol asiático

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Nesta terça-feira, o Japão conseguiu uma importante vitória na estreia do time na Copa do Mundo de 2018, diante da Colômbia. O placar de 2 a 1 faz com que os japoneses tenham suas chances aumentadas para avançar da fase de grupos, mas, além disso, foi o primeiro triunfo de uma seleção asiática diante de uma sul-americana na história dos Mundiais.

Durante a partida, os japoneses tiveram forte domínio nas estatísticas, como por exemplo na posse de bola. A equipe asiática teve 59% contra 41% dos colombianos, número surpreendente já que o Japão prefere dar a bola para o adversário e tentar explorar os contra-ataques, ponto forte do time comandado pelo técnico Akira Nishino.

Uma outra estatística que os Colombianos perderam foram no número de cartões vermelhos (neste caso, ter a mais é pior). A expulsão do volante Carlos Sánchez, com quase três minutos de jogo, mudou totalmente a situação da partida, já que os colombianos ficaram com um jogador a menos desde o início. Essa foi a segunda expulsão mais rápida da história das Copas do Mundo, atrás apenas do cartão do uruguaio José Batista, em 1986, que conseguiu o “feito” com apenas 54 segundos de jogo.

Com um jogador a mais desde o início, os japoneses conseguiram ter mais chances reais de gol (foram 13 finalizações), oferecendo perigo constante para o goleiro colombiano Ospina. No segundo tempo, os colombianos não conseguiram impor o ritmo que tiveram no final da primeira etapa e o número de finalizações não aumentou quase nada, permanecendo em apenas cinco chutes.

Outro ponto negativo da equipe colombiana foi o segundo gol que sofreu para os japoneses, após cobrança de escanteio. Apesar de estarem com um jogador a menos desde o começo, os colombianos tiveram um grave erro de marcação se levar em conta o fato da seleção do Japão ser uma das mais baixas desta edição da Copa do Mundo. (Da Gazeta Esportiva)

Neymar deixa treino mancando após sentir dores no pé direito

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O atacante Neymar deixou o treino desta terça-feira ainda no aquecimento da Seleção Brasileira, em Sochi. O jogador participava de uma roda de bobinho ao lado de Willian, Miranda, Thiago Silva e Philippe Coutinho quando abandonou a atividade para receber o atendimento do departamento médico.

Na última segunda-feira, Neymar já havia sido desfalque no primeiro treino da Seleção após o empate em 1 a 1 com a Suíça, em Rostov. Na ocasião, o craque do Paris Saint-Germain fez trabalhos regenerativos separado do elenco, assim como Paulinho e Thiago Silva.

Após ser examinado brevemente, Neymar deixou o campo mancando e acabou virando mais uma dúvida para o técnico Tite nesta Copa do Mundo por conta de um problema físico. Antes, Fagner, Douglas Costa, Renato Augusto e Fred já haviam sido desfalques para o treinador em decorrência de lesões.

A forma física de Neymar ainda é uma dúvida para o restante da Copa do Mundo. Após se recuperar de uma fratura no quinto metatarso no pé direito, o jogador voltou aos gramados de maneira bastante positiva, surpreendendo até mesmo o técnico Tite ao marcar o primeiro gol do time canarinho no amistoso com a Croácia.

Na estreia da Seleção Brasileira no Mundial, porém, o atacante não foi bem. Muito caçado em campo, Neymar prendeu a bola demasiadamente, sendo desarmado em diversas oportunidades. Tite chegou a enfatizar a possibilidade de ele oscilar neste seu retorno aos gramados após a lesão.

Agora, resta saber como o jogador irá reagir a esse incômodo que o tirou do penúltimo treino da Seleção Brasileira em Sochi antes do confronto com a Costa Rica, na próxima sexta, em São Petersburgo. (Da Gazeta Esportiva)

A história por trás de “Starway to Heaven”

Led Zeppelin File Photos

Por Ivison Poleto dos Santos, no Whiplash.Net

Aqueles que como eu são veteranos nas guerras metálicas sentem até um negócio à mínima menção deste nome. Incontáveis a amam de paixão, uns poucos a odeiam no mesmo nível, mas é impossível ficar impassível ao som dos seus primeiros dedilhados, aos primeiros versos cantados docemente por Robert Plant até o êxtase final com o solo de Jimmy Page. Uma canção perfeita, enfim.

Erroneamente, aqui no Brasil, a música foi tida como uma balada romântica e, por isso, muito gente dançou coladinho e rosto com rosto embalados por ela. Na verdade, sua letra nada de tem de romântica no sentido amoroso da palavra. É uma letra cheia de misticismo dentro do que a banda estava fazendo na época.

Escute aqui a versão de estúdio:

Não foi Led Zeppelin que inventou a balada dentro do rock. Mas o que se chamou depois de power balad, isso sim deve ser creditado a eles. Eles criaram a fórmula, talvez, mais copiada, e efetiva no mundo do rock, cuja tradição foi passada para as bandas de hard rock e Heavy Metal. A introdução com dedilhado somada à voz doce do cantor, ou cantora, que vão num crescendo até atingir o ápice com um solo de guitarraentremeado por muita distorção virou infalível, e convenhamos, funciona muitíssimo bem. De tão bem que funcionava, inclusive comercialmente, em meados da década de 1980 era presença obrigatória em todos os álbuns de bandas de hard rock ou de HM que quisessem ganhar notoriedade. Uma power balad bem feitinha garantia uns bons cobres a mais. É claro que a fórmula saturou. Tudo que é tocado à exaustão, uma hora exaure. Porém, até hoje, ainda há bandas apostando na fórmula.

O terreno das baladas rock nos anos 1970 já estava bem estabelecido. Bandas como os Beatles era exímios baladeiros, mas de uma forma musicalmente diferente. As baladas eram compostas ainda como as baladas renascentistas, ou seja, sempre com andamento mais lento adornada com violões ou pianos e outros instrumentos menos agressivos, ou mais doces, como queiram. Da mesma forma que já tinha anabolizado o blues com a suas versões pesadas dos blues americanos, o Led Zeppelin rompeu completamente com a tradição baladeira ocidental ao introduzir a bateria pesada que entra somente no meio da música aproveitando a tensão criada pelos dedilhados e, com mais força, a guitarra distorcida de Jimmy Page que desemboca em um solo furioso e sensacional. Ah, quantas vezes eu não voltei a fita cassete para ouvir o pedaço do solo, por vezes e vezes.

Veja um bom exemplo de balada dos anos 1960 com os Beatles:

A música causou tanto furor quando foi lançada em 1971 no álbum “Led Zeppelin IV”, que outras grandes bandas de rock na época, como os Rolling Stones (Angie, 1973) e o Black Sabbath (Changes, 1972), por exemplo, correram para lançar as suas baladas. Porém, a fórmula ainda não tinha sido apropriada definitivamente. A banda que primeiramente se apropriou definitivamente, e com grande sucesso, da fórmula foi o Nazareth com Love Hurts de 1975, esta sim uma balada romântica que alçou a banda ao estrelato mundial.

Não foi só isso. Todos guitarristas queriam tocá-la. Todos queriam fazer os dedilhados da introdução. O furor foi tanto que a situação foi tornada cômica no filme “Wayne”s World”, aqui no Brasil idioticamente traduzido como “Quanto mais idiota melhor”.

“Stairway to Heaven” é uma das poucas músicas que é celebrada igualmente tanto na sua versão de estúdio, quanto na sua versão ao vivo. Um fato interessante sobre a versão ao vivo é que por muito tempo se discutiu se Jimmy Page havia perdido a entrada do solo, fazendo a banda repetir a introdução mais um compasso para que, enfim, ele entrasse com o debulho.

Veja a versão ao vivo aqui:

Também, não houve outra balada que reinasse absoluta por tanto tempo, pois desde 1971 até meados dos anos 1980, ela foi executada exaustivamente nas rádios, inclusive nas que não tocavam rock, e nos já citados bailinhos. Somente na década de 1990 é que ela foi perdendo sua força. Infelizmente.

Pode parecer saudosismo de veterano, mas “Stairway to Heaven” faz falta. E outra coisa, ao escrever sobre ela, estou fazendo um serviço que é tradição no rock e no Metal, que é o de apresentar os clássicos aos mais jovens. É assim que o movimento vai se perpetuando.

O mundo sem “Stairway to Heaven” nos bailinhos, e sem os bailinhos, se tornou muito mais cruel.