Leão deve ter novas mudanças para enfrentar o Águia amanhã

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Depois da criticada atuação na derrota para o Independente, sábado, em Tucuruí, o time do Remo deve mudar novamente para o jogo desta terça-feira contra o Águia, no Mangueirão. O primeiro revés azulino não foi bem absorvido pela torcida, que constatou as muitas vulnerabilidades do time. Na prática, em nenhum momento o ataque azulino ameaçou o gol defendido por Paulo Rafael, salvo uma chegada de Jayme no segundo tempo.

O técnico Ney da Matta assumiu a culpa pelos erros, prometendo mudanças imediatas. Admitiu ter se equivocado nas modificações implementadas no meio-campo. “A gente quer movimentar aquilo que temos para depois ajustar o time. Não quero cometer injustiça com jogador para dizer depois que não teve chance de jogar”, considerou.

Acha, porém, que a derrota não foi causada pelas mudanças que fez, mas pelo gol sofrido logo a 2 minutos. “Aquele gol no início do jogo complicou tudo, atrapalhou toda a equipe. Infelizmente, não tivemos como nos recuperar. Faltou marcação e mais agilidade na saída de bola. Fomos presa fácil para o adversário. O time não teve como sair jogando. Foi inerte, deixou o Independente tomar conta do campo”.

Para enfrentar o Águia, Da Matta deve fazer novas mudanças, talvez voltando à escalação da estreia contra o Bragantino, a fim de conseguir a reabilitação. “Vamos trabalhar. Se for para mudar esquema, mudamos. Estamos aqui pra fazer esse time mais forte”, disse. Com a boa atuação, Jayme deve ser efetivado, pois Isac ainda está em condicionamento abaixo do ideal e Marcelo não conseguiu se encaixar, mesmo sendo o titular desde o primeiro jogo.

Time mais provável do Remo para amanhã: Vinícius; Levy, Bruno Maia, Martony (Mimica) e Felipe Recife; Geandro, Leandro Brasília e Andrey; Elielton, Jayme e Felipe Marques.

A propagação triunfante dos ‘idiotas intelectualizados’

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Por Marconi Severo*, no Pragmatismo Político

Em cada homem de ânimo fraco e não muito certo do êxito de sua tarefa surge uma necessidade torturante de se convencer, de se animar e acalmar. Ele começa até a acreditar em sinais propícios.

DOSTOIÉVSKI. Fiódor M. In: Notas de inverno sobre impressões de verão.

Atualmente encontramo-nos na Era da Informação. E nesta, através de redes virtuais de comunicação, é que assuntos da economia à política, da cultura à sociedade, e, não menos importante, da vida privada ao interesse público, ganham uma notoriedade ímpar (não entremos, todavia, no mérito da qualidade do debate). Assim como outros casos, o mundo virtual pode ser benéfico na mesma proporção que letal, dependendo unicamente de como é utilizado. A ambiguidade permanece, tanto mais que neste novo patamar impera uma frenética afetação de títeres made in Facebook.

Na sociedade atual, esta dubiedade virtual/real está de tal forma amalgamada que é impossível sequer cogitar uma distinção sociológica sem considerar a complexidade das relações sociais. Se o virtual d’outrora era alcançado, dentre outras opções, por meio de concentração espiritual (leia-se fé), hoje a tecnologia permite-nos que, em apenas um clique, um vasto leque de possibilidades se abra. E isto é excepcionalmente sublime, pois há uma comodidade ímpar para, dentro do conforto do lar, promover a insaciável busca pelo conhecimento e pelo prazer anímico.

No entanto, mesmo com esta relativa praticidade e, sob uma visão existencialista-filosófica, muitos atualmente fogem à introspeção reflexiva ou, em outras palavras, evitam de todas as formas possíveis o que erroneamente chamam de tédio. Sejamos mais práticos neste ponto, pois, salvo exceções, pode-se ao final do dia inferir o seguinte: o que acrescentei em minha vida, em meu conhecimento hoje? Se não houver uma resposta (e tanto pior se isto persistir), fora então diagnosticado o sintoma de um grave problema. Não obstante, o remorso causado pela negligência consciente tende a repercutir seriamente nas relações socais e psicológicas, individual e/ou familiar. Em outras palavras, uma hora a conta é cobrada…

Na sociedade atual, facilmente encontraremos uma pessoa alienada na mais pura abstração de “se fazer bem vista para os outros”. O exibicionismo sempre existiu, assim como sempre existirá; e também disto decorre a exponencial propagação de idiotas intelectualizados. Expliquemos: hoje a velocidade da informação é a mesma de um clique, ou seja, é de uma agilidade espectral, quase indescritível, com a qual podemos obter uma informação em qualquer parte dos seis continentes.

Esta mesma surpreendente agilidade é a razão da efemeridade e volatilidade com que muitos constroem não apenas o seu cotidiano, mas muitas vezes moldam sua vida. Por exemplo, hoje as redes sociais já cumprem amiúde uma brumosa função educativa que, em muitos casos, supera os responsáveis ad hoc desta função. São recursos educativos, sim; desde que não se confie unicamente nas capacidades, muitas vezes inexistentes, do autodidatismo.

Para as pessoas que sofrem de “preguiça mental”, ler e informar-se verdadeiramente de algo é tido por chato, por enfadonho. É melhor, na conjuntura atual, assistir um vídeo; é mais didático, não é? Didatismo exacerbado a tal ponto que infantiliza extremamente, formando seres relativamente incapazes em quase tudo, os quais carecem de eterna tutela. Se a era da informação, através de seus meios (celulares, smartphones, tablets, etc.), forneceu acesso imediato e sem pré-requisito, por parte do cidadão comum, ao mundo global como um todo, dando-lhe voz, é compreensível que condutas pessoais sejam facilmente induzidas e/ou manipuladas, especialmente em termos políticos. Vide, para todos os efeitos, os exemplos da praticidade consumista contida em one click.

Resulta desta conjuntura um hediondo exibicionismo generalizado, uma preocupação com a estética superficial, um “belo e sublime” negligenciado, sem profundidade. Muitos coetâneos querem opinar, querem demonstrar “notório saber”, especialmente quando se trata de política. É justamente por esta razão que não é raro encontrarmos analfabetos políticos vociferando em exaltada verborragia os mais cômicos delírios. É nas redes sociais que podemos ver um idiota intelectualizado que, geralmente por não gostar de ler, assiste vídeos, absorve abjetos chavões, vê imagens (não sabe se manipuladas ou não), e é com base neste risível e cômico modus operandi que contesta um especialista (não importando se este dedica/dedicou parcialmente ou integralmente sua vida à pesquisa deste ou daquele tema, seja em política ou em qualquer área do conhecimento humano).

Por esta razão que uma criança pode facilmente (e publicamente) contestar um douto, a qualquer momento. São no mínimo mentalmente infantis aqueles que aqui chamamos de idiotas intelectualizados, mas, em contrapartida, são deveras perigosos. Aliás, este comportamento foi magistralmente registrado por Quiroga, no seu conto A galinha degolada. Estes idiotas, é claro, estão conscientes de sua fragilidade, por isso que não são abertos ao diálogo (dialogar o quê?). Quanto maior a necessidade de alguém expressar seu fanatismo (seja religioso, político ou esportivo), maior será a propensão à intolerância de opiniões contrárias às suas. Aliás, é por meio da sua experiência de vida inigualável (no meu tempo não era assim) que eles sabem quem será o “mito” presidente em 2018 (sim, eles ainda creem em salvadores da pátria). Há sempre um problema perene e uma culpa em busca de um culpado; uma vítima sendo culpada pela violência que sofreu…

Questionados, no sentido de como estes seres vegetativos detém tanto “saber”, certamente, não responderão. Conhecimento de causa, profundidade e humildade, além de adjetivos corretos, fogem à compreensão destas pessoas. Em resumo, caro leitor, porque são perigosos? Estas pessoas, na maioria das ocasiões, votam. E quem vota, elege. Além de que, direta ou indiretamente, fomentam a intolerância sociopolítica e (o que é pior), geralmente são favoráveis às relações opressivas de dominação, com o clássico e palpável caso da dominação masculina, como bem ressaltou Bourdieu. Agem mais por instinto. Aliás, um abjeto e asco instinto primitivo, inclusive sexual.

Os bares, restaurantes, pubs, etc., já incorporaram esta realidade virtualizada, pois sempre há um espaço alternativo para que sejam registradas as selfies. Não seria isto altamente sugestivo? Exemplo desta situação pode ser verificado no simples fato de alguém ficar por algumas horas (ou minutos), sem acesso à internet. Ela é dinheiro, é atrativo no comércio. Inclusive, há os que abrem mão dos familiares (esposas, maridos, filhos, etc.), por conta desta conjuntura; mas há também aqueles que os perdem por pura negligência. Isto não é mera crítica, é a percepção da conjuntura sociológica deste início de século, ou melhor, de toda uma era sem precedentes na Humanidade.

O problema consiste no fato de que a maior parte das iniciativas virtualizadas, inclusive as sentimentais, são superficiais e efêmeras, enquanto que pouco consiste em essência. Às vezes, podemos encontrar certo respeito ao verdadeiro conhecimento, mas tudo se limita ao curtir, uma vez que apropriar-se dele é considerado por este público como algo enfadonho, chato, cansativo – por isto, amigo leitor, se chegou até aqui, está de parabéns. Obviamente que focar na superficialidade é mais rápido, na mesma proporção em que é volátil.

Veja-se outro aspecto fundamental realçado, além dos idiotas intelectualizados, na necessidade de exibicionismo, e este, por sua vez, servindo debilmente como um instrumento de constante necessidade de autoafirmação. Na maioria destes casos, as publicações virtuais são de estilo autoajuda, o que é deveras motivo de preocupação, por dois motivos: (1) ausência de personalidade e, consequentemente, (2) fomento às doenças e abalos de viés depressivo. Não é necessário ser um profissional especializado para compreender os nocivos efeitos psicológicos presentes no virtualismo (neste caso, mais real do que nunca), com relação ao montante exponencial de pessoas socialmente inseguras, que buscam acreditar em quaisquer pífios sinais, seletivamente propícios.

Um exemplo vale mais do que a descrição a fundo do problema. Vamos lá: especialmente em grupos de WhatsApp, mas também nas redes sociais como um todo, qual seria a razão de ter uma mesa farta, com atavios diversos, de uma janta ou almoço, se a mesma não pudesse ser utilizada como motivo de exibição perante os demais? O “é o que temos pra hoje” demonstra gritantemente duas coisas: (1) a insegurança de quem age assim, por indiscutivelmente necessitar da opinião e legitimação alheia e, justamente por isto, (2) assegura a futilidade do esteticismo banal, no exato momento em que preocupa mais com “o bonito para os outros” do que aquilo que seria o bom para si. A simples tomada de consciência desta realidade já é, em si, uma proposição.

Percebe-se que há uma evolução nas formas de demonstrações de variados ethos. Os limites entre o útil e o fútil de um recurso virtual confundem-se no exato momento em que seu uso torna-se duvido: exibicionismo. Os mais conscientes sabem que estamos diante de um grave problema de nossa era, o qual não considera sexo, idade, cor ou classes sociais. O mundo virtual conquista o âmago de muitos com uma facilidade muitas vezes superior à educação advinda do ambiente familiar. Em outras palavras, algumas vezes observa-se uma colossal distância entre aquelas pessoas que estão fisicamente próximas, em prol de uma virtual aproximação.

Ademais, estar informado não é sinônimo de conhecimento ou mesmo de interpretação correta das informações disponíveis. Propaga-se hoje um público relativamente incapaz de raciocinar, de dialogar e compreender assuntos que, em muitas ocasiões, são demasiados simples. Este público perde sua razão de existir (ah, o existencialismo é algo caríssimo), no exato momento em que se vê fora do alcance virtual (por mais que não lhes falte os suprimentos básicos à vida, ainda que com relativo conforto). Em uma conjuntura como a atual, não seria o mundo virtual, ou melhor, o seu imprudente usufruto, tão nocivo quanto tantos outros vícios lícitos (ou ilícitos)? É de se pensar…

(*) Marconi Severo é Cientista Social & Político e colaborou para Pragmatismo Político

A frase do dia

“Não repare, não! Os meninos da Lava Jato sofriam bullyng na escola, ‘empinavam pipa com ventilador’, ‘brincavam de bola de gude no carpete’ e hoje, quando terminam de obrar alguma coisa, ainda gritam: ‘Mãeee, acabei!’. Hoje descontam suas frustrações brincando de Torquemada.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

Força no contra-ataque

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POR GERSON NOGUEIRA

O apagão no final não empanou o brilho e a importância da vitória do Papão sobre o Castanhal, ontem à tarde, no estádio Maximino Porpino. Com objetividade, força nos contra-ataques e boas finalizações, o time superou a melhor atuação do adversário no 1º tempo e alcançou sua primeira goleada no Campeonato Paraense 2018.

Cirúrgico, o time aproveitou todas as chances criadas e decidiu o jogo em lances rápidos, construídos com habilidade e frieza. Até por volta dos 40 minutos o jogo pendia mais para os donos da casa, que tinham se aproximado perigosamente da área bicolor, com avanços do lateral Souza e boa atuação de Dadá e Dedeco no meio-campo. Júnior Rato abusou do direito de perder gols. Foram pelo menos três chances diante do goleiro Marcão. Ramon e Val Barreto também desperdiçaram lances agudos.

Foi justamente logo após um gol perdido por Ramon, aos 41 minutos, que o Papão achou o caminho para abrir o placar. Depois de recuperar a bola em sua defesa, o Castanhal saiu jogando errado e permitiu que Lindenbergh cruzasse da esquerda para a finalização certeira de Nando Carandina.

Na etapa final, o Papão veio mais fechado e armado para explorar o contra-ataque aproveitando os previsíveis espaços. O Castanhal trocou Val Barreto por Railson, mas seguiu improdutivo na definição de jogadas.

Aos 12 minutos, surgiu o gol que tirou o Castanhal do eixo. Contragolpe mortal puxado por Moisés pela direita levou ao segundo gol, marcado por Cassiano após receber passe perfeito de Fábio. Marquinhos reforçou então a meia-cancha trocando Cáceres por Danilo Pires e Cassiano por Magno.

O terceiro gol surgiu em consequência da desarrumação do Castanhal, que se lançava à frente e expunha claros na defesa, muito bem aproveitados por Fábio Matos e Moisés, principalmente. Em novo contragolpe, aos 31’, Maicon Silva cruzou para o cabeceio fulminante de Magno, de peixinho.

A porteira abriu de vez aos 34’ com novo contra-ataque. Moisés caiu pela direita e bateu cruzado para Pedro Carmona, que havia acabado de entrar no lugar de Fábio. Parecia que o Papão ia deslanchar ainda mais, beneficiando-se do caos que reinava do lado castanhalense.

Foi então que o time da casa resolveu finalmente acordar, marcando no espaço de cinco minutos os gols que não conseguiu fazer no começo da partida. Aos 38’, em falha do goleiro Marcão, Dedeco diminuiu. O mesmo Dedeco fez o segundo, aos 43’, mandando na gaveta. Um golaço.

Foi um jogo que mostrou evolução do Papão quanto ao entrosamento e variação de jogadas. Correu riscos e podia ter se complicado no primeiro tempo, mas soube sair da pressão usando a arma do contra-ataque. Já o Castanhal foi vítima de seus próprios erros. Deixou de fazer gols que poderiam ter mudado a cara do jogo.

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Galo confiante supera Leão atrapalhado

O Independente confirmou a condição de mandante e se impôs ao Remo, sábado à tarde, no Navegantão, vencendo por 2 a 0 com tranquilidade, sem passar grandes sustos. O Remo não teve capacidade de reação, nem mesmo para pressionar o adversário na base da valentia, aceitando até passivamente o domínio do time de Tucuruí.

Um gol de Fabrício logo aos 2 minutos, em falha do zagueiro Martony, abriu caminho para a vitória do Galo Elétrico. Em desvantagem, o Remo não conseguia se aprumar em campo, errando passes fáceis e quase não arriscando no ataque. O time sofreu com a distância entre os setores, a má atuação dos volantes e zagueiros e a ausência de vida ofensiva.

A apresentação do Remo foi tão ruim que, em vários momentos, fez lembrar a desarrumação vista no time montado por Josué Teixeira para a Série C 2017. O ponto mais crítico foi a desconexão entre defesa e meio, com os zagueiros muito expostos. Ficou claro que a troca do trio de meio-campistas foi determinante para o mau rendimento geral.

Ney da Matta, em entrevista a Paulo Caxiado na Rádio Clube, reconheceu que as mudanças não surtiram o efeito desejado, mas atribuiu a derrota à falha que gerou o gol de abertura. Surpreendentemente, o técnico considerou satisfatória a atuação dos volantes Dudu e Felipe Recife, de desempenho errático ao longo dos dois tempos.

Já o Independente fez um jogo tranquilo e taticamente perfeito. Além do equilíbrio no meio-campo, com Fabrício e Chicão ditando o ritmo, a defesa foi sempre firme, tendo à frente o experiente Ezequias, premiado com o belíssimo segundo gol, aos 14 minutos, escorando cruzamento de Fabrício com uma cabeçada que saiu forte como um chute.

Mesmo recheado de veteranos, o Galo se posicionou com quatro peças no meio, explorando o conhecido vazio nas laterais do Remo infiltrando por ali os rápidos Chaveirinho e Rai. Acima de tudo, o time de Junior Amorim teve maturidade para administrar o jogo sem incorrer no vacilo de recuar excessivamente depois que construiu o placar.

No geral, um triunfo merecido do time que mostrou mais entrosamento e organização, sabendo explorar suas virtudes. O Remo não se encontrou em campo, praticamente não chutou a gol e se mostrou incapaz até de tentar até as jogadas de abafa no segundo tempo.

Mesmo levando em conta que a temporada está apenas começando, Ney da Matta terá muito trabalho para dar um perfil competitivo ao Remo. Com o elenco que têm à disposição, insistir no sistema 4-3-3 é uma opção temerária.

O jogo em Tucuruí deve servir como alerta. A zaga é lenta, os laterais não apoiam, não há um organizador no meio e o ataque chuta pouco (e mal). No sábado, foram apenas dois chutes, sem maior perigo e já nos instantes finais da partida.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 22)

Alforria no futebol

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POR GERSON NOGUEIRA

A CBF, com significativo atraso, decide tornar obrigatória a apresentação da carteira de trabalho assinada para efeito de registro de jogadores no sistema BID (Boletim Informativo Diário). Na prática, a norma deveria vigorar há décadas, ajudando a tornar mais digno o exercício da profissão de futebolista no país, como convém a países realmente democráticos. De todo modo, vale o dito popular: antes tarde do que nunca.

As medidas recentes, que concedem salvaguardas a técnicos e atletas, já mereceram bastante festejos, mas só passaram a constar da pauta de preocupações da entidade a partir da mobilização dos próprios profissionais. No Brasil, dentro ou fora do futebol, nada se conquista sem esforço ou luta.

Os jogadores tomaram a iniciativa de reivindicar mais rigor quanto ao respeito a salários e direitos, com a consequente punição (incluindo perdas de ponto e rebaixamento) a clubes caloteiros.

Para expor o problema à sociedade, protestos pacíficos foram realizados antes e durante os jogos do Brasileiro. De início, como seria previsível, a CBF conservadora de sempre mostrou cara feia, tentou intimidar os líderes do movimento, mas teve que ceder à realidade dos fatos.

Graças a isso, hoje nenhum clube arrisca mais atrasar salários por mais de dois meses. O castigo é sério, incluindo até a perda de direitos sobre o jogador, que fica livre e desimpedido para buscar outro emprego.

A exigência da CT, anunciada na sexta-feira, vai desencadear uma verdadeira revolução nas relações trabalhistas entre atletas e clubes, notadamente aqueles das séries C e D. Significará, ainda, o fim (ou a redução) dos contratos verbais lesivos ao lado mais fraco da corda.

Com a obrigatoriedade de apresentar a carteira de trabalho para inscrição de jogadores, após período de carência, o governo garante também o recolhimento de benefícios previdenciários. Os clubes que não agiam dentro da lei terão que se ajustar rapidamente.

Ao mesmo tempo, os jogadores poderão escapar do costumeiro prejuízo – que atrapalha a vida de outros trabalhadores também – quanto à contagem de tempo para aposentadoria. Por tudo isso, a medida deve ser aplaudida pelos que lutam por respeito às leis e condições dignas de trabalho, com ou sem bola.

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Teste de fogo para o renovado Papão em Castanhal

Com a provável entrada de Pedro Carmona, de cara ou durante o jogo, o Papão deve ter mudanças pontuais para enfrentar o Castanhal de Lecheva. O grau de dificuldade será evidentemente maior do que o da estreia, contra o Parauapebas, na Curuzu.

A curiosidade fica por conta da manutenção do sistema de três homens de frente e da composição do meio-campo, onde Cáceres e Danilo Pires tiveram boa participação nos 20 minutos finais na quarta-feira, mas dificilmente terão condições de jogar os dois tempos.

A lateral esquerda é outro mistério nos planos de Marquinhos. Pelo que mostrou na estreia, Timbó dificilmente será mantido como titular. Na direita, porém, Maicon terminou bem o jogo e tem presença certa.

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Torcida da capital do futebol continua a encantar

“E Belém do Pará? A cidade mais apaixonada por futebol no país ficou fora das 12 sedes da Copa de 2014, mas continua lotando estádio. No último domingo, o Remo levou 30.860 pagantes ao estádio Olímpico Mangueirão na goleada por 3 a 0 sobre o Bragantino, na abertura do Campeonato Paraense. E lá não tinha nenhum Fred ou Lucas Lima para atrair o povo”. Este é o trecho da matéria escrita por Marcos Paulo Lima, na edição on-line do “Correio Braziliense” (DF), tecendo loas à força da torcida de Belém.

De quebra, a reportagem de Marcos Paulo ainda faz menção ao maior dos absurdos já perpetrados contra Belém, a capital do futebol: a exclusão da Copa do Mundo 2014, por ação direta (e confessada) do ex-presidente da Fifa João Havelange, o mesmo que anos depois seria varrido da entidade na esteira de um dos maiores escândalos de corrupção da era moderna.

Além dos milhões de dólares que embolsou na Fifa, conforme investigação do FBI, o velho capo – que foi homenageado por políticos sem miolo com o título de Cidadão Paraense, sem nunca vir pegar a comenda vira-lata – surrupiou também o legítimo direito de Belém ser palco dos jogos da Copa.

Por interesses obscuros, preferiu premiar a vizinha Manaus, cujo amor pela bola é reconhecidamente inferior à paixão pelo boi-bumbá, legando à capital baré um estádio belíssimo e caro, hoje relegado à condição de elefante branco e dispendioso. Afirmou isso com a pesporrência de sempre, assumindo a responsabilidade pelo ato de lesa-futebol.

Como nada é para sempre, não há razão para chorar sobre o leite derramado. Havelange e seu bando passaram e o torcedor paraense prova que não precisa de estímulos externos para ir a campo aplaudir seus times.

Em tempo, o público do Remo no Mangueirão foi o terceiro maior da rodada de abertura dos estaduais, perdendo apenas para o de Cruzeiro x Tupi (33.187) e de Palmeiras x Santo André (31.678).

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Bola na Torre

A apresentação é de Guilherme Guerreiro, a partir das 21h, na RBATV. Em pauta, a segunda rodada do Campeonato Paraense. Sorteios e participação dos internautas ao longo do programa. Na bancada, Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 21)

Entidades santarenas debatem perda de direitos civis e trabalhistas

Santarém – Um grupo de sindicatos e associações e outras entidades representativas da sociedade civil organizada de Santarém realiza na próxima terça-feira (23/01) um evento intitulado “Ato pela defesa da Democracia e dos direitos civis e trabalhistas”, que terá palestras e debates sobre vários temas.

O principal palestrante do ato será o jornalista santareno Manuel Dutra, que fará uma análise da atual conjuntura política e econômica do Brasil. Além dele, a mesa de debates terá ainda a presença de Dom Flávio Giovenale, bispo da Igreja Católica e um representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ainda a ser definido. Após a palestra, haverá um debate aberto a todos os presentes.

Segundo o sindicalista Narciso Senna, um dos membros do Fórum em Defesa da Democracia e dos Direitos Civis e Trabalhistas que organiza o evento, “essa é uma oportunidade de refletirmos sobre a perda de várias conquistas sociais e direitos civis do cidadão brasileiro, que parecem escorrer entre nossos dedos como grãos de areia”.

Ele diz ainda que “a atual situação do trabalhador, diante da reforma trabalhista já aprovada pelo Congresso Nacional, tende a se agravar, ainda mais, com a Reforma Previdenciária que pode ser votada este ano”.

Senna diz ainda que “o País vive um momento conturbado, onde vários direitos civis do cidadão são desrespeitados, além de vivermos um momento político confuso, às vésperas de uma eleição nacional, com um clima de intolerância nunca visto, o que prejudica o debate das grandes questões nacionais”.

Para as entidades do Fórum, segundo o sindicalista, “é preocupante, também, o que ocorre na região amazônica, da qual fazemos parte, e que está cada vez mais no epicentro dos debates por causa da implantação de projetos governamentais que podem afetar o meio ambiente e atingir as populações tradicionais, além da violência do campo e privatização de serviços públicos”.

SERVIÇO:

Evento: ATO PELA DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS DIREITOS CIVIS E TRABALHISTAS
Data: 23/01/2018, às 19h00
Local: Auditório da OAB, na presidente Vargas ao lado do INCRA.

Pela 2ª vez na história, UNE muda sede para Porto Alegre para defender a democracia

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Em nota publicada nas redes sociais neste sábado (20), a União Nacional dos Estudantes do Brasil (UNE) anunciou que está mudando temporariamente a sua sede para Porto Alegre em razão do julgamento do ex-presidente Lula no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, marcado para a próxima quarta-feira (24) em Porto Alegre. Esta é a segunda vez na história que a entidade faz a transferência simbólica de sua sede, que fica em São Paulo, sendo a primeira também para a capital gaúcha, em 1961, quando convocou os estudantes do país a participarem da campanha pela legalidade e da defesa da democracia.

“Acreditamos que os estudantes brasileiros precisam estar aonde existe luta e resistência pela democracia e pelos nossos direitos. Convocamos, pois, os estudantes de canto a canto do país para somarem-se às próximas lutas em Porto Alegre e em todo o Brasil, que serão decisivas para os rumos da democracia”, diz a nota.

A UNE também lembra que medidas tomadas pelos poderes municipais, como a aprovação da “Lei Antivandalismo” pela Câmara Municipal de Porto Alegre e o pedido do prefeito Nelson Marchezan para que o Exército e a Força Nacional atuassem no dia do julgamento, evidenciam a perseguição aos movimentos sociais e populares, o que contribuiu para que a entidade adotasse essa medida.

“No dia 24 Porto Alegre, que é sede do tribunal onde acontecerá o julgamento de Lula, será palco de grandes manifestações de resistência. A história nos mostra que em 1961 a capital gaúcha também foi palco de grandes lutas na campanha pela legalidade, para garantir que João Goulart fosse empossado presidente”, diz a UNE.

Confira a íntegra da nota:

MUDANÇA DA CASA DO PODER JOVEM 
A casa dos estudantes é onde tem luta!

Diante da realidade social e política conturbada que o Brasil vive hoje, o Estado Democrático de Direito vem sofrendo retaliações, modificações e ameaças. O Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal, tem usado dos seus poderes de forma arbitrária e abusiva, se sobrepondo à democracia. Estas instituições se tornaram instrumentos não da garantia das leis, mas da negação delas, sendo amparados pelo apoio e espetacularização dos oligopólios midiáticos.

A hipertrofia do Poder Judiciário – com destaque para a Operação Lava Jato – tem sido braço fundamental para a continuidade do golpe em curso no nosso país. Fica cada vez mais evidente como a condução das operações dessas instituições tem como alvo os alicerces da democracia, partidos políticos, movimentos sociais e lideranças políticas.
Nesse cenário, no dia 24 de janeiro a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), que fica em Porto Alegre, julgará o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a sentença do juiz Sérgio Moro. Esse é um processo marcado por perseguições e decisões parciais, sem provas consistentes, sem fundamento jurídico e fruto de tratamento seletivo.

Com apenas 30 anos de uma frágil democracia, nosso país já sofre uma nova ruptura quando a presidenta Dilma Rousseff foi afastada da Presidência da República sem crime de responsabilidade, por uma articulação de setores da elite, do parlamento, da mídia e do judiciário. O que está em jogo no país neste momento não é apenas a condenação de Lula, mas o desdobramento do golpe, um verdadeiro ataque ao estado democrático de direito. E isso não é novo na história de nosso país, ainda que com suas particularidades, o que se tenta fazer hoje em muitos aspectos se assemelha à tentativa de golpe de 1961 quando os militares tentaram impedir que João Goulart tomasse posse com a renúncia de Jânio Quadros, ao fim e ao cabo se trata da tentativa de retirar lideranças políticas da disputa do poder por meios não democráticos ou constitucionais.

Agora no caso de Lula, também querem condená-lo sem provas, com o intuito de impedir o seu direito de ser candidato. Portanto, se ousarem condená-lo provarão o caráter político de todo este processo. Se há corrupção e improbidades, que se façam as investigações cabíveis, mas em consonância com o Estado de Direito. Sendo assim, as entidades estudantis, UNE e UBES, reafirmam sua posição em defesa do direito de Lula ser candidato.

No dia 24 Porto Alegre, que é sede do tribunal onde acontecerá o julgamento de Lula, será palco de grandes manifestações de resistência. A história nos mostra que em 1961 a capital gaúcha também foi palco de grandes lutas na campanha pela legalidade, para garantir que João Goulart fosse empossado presidente. Na ocasião, a UNE transferiu a sua sede para Porto Alegre, convocando os estudantes do Brasil à se somarem nessa luta em defesa da democracia.

Vale ressaltar que a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou nos últimos dias a “Lei Anitivandalismo” (chamada assim pelo governo), que abre brechas para que a guarda municipal possa coibir manifestações. Além disso, o prefeito da capital, Nelson Marchezan, solicitou o Exército e a Força Nacional para atuarem no dia 24 do julgamento e reprimir manifestações. Ações como essas, evidenciam a perseguição aos movimentos sociais e populares.

Diante de todos esses acontecimentos, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), tomam novamente a decisão de transferir simbolicamente a sua sede para Porto Alegre. Acreditamos que os estudantes brasileiros precisam estar aonde existe luta e resistência pela democracia e pelos nossos direitos. Convocamos, pois, os estudantes de canto a canto do país para somarem-se às próximas lutas em Porto Alegre e em todo o Brasil, que serão decisivas para os rumos da democracia.

A história nos mostra que em 1961 a capital gaúcha também foi palco de grandes lutas na campanha pela legalidade, para garantir que João Goulart fosse empossado presidente. Na ocasião, a UNE transferiu a sua sede para Porto Alegre, convocando os estudantes do Brasil à se somarem nessa luta em defesa da democracia.