Gilberto Gil, patrimônio da música brasileira, merece respeito

O cantor e compositor Gilberto Gil, um dos maiores nomes da música mundial, foi insultado por fascistas bolsonaristas, que o insultaram no Catar. Aos 80 anos, Gil estava acompanhado da esposa Flora Gil e foi filmado e xingado de “filho da puta”. Os nazistas brasileiros também gritaram palavras de ordem contra a Lei Rouanet e em defesa de Jair Bolsonaro, que disseminou o ódio político no Brasil. A agressão dos nazistas a Gil provocou indignação nas redes:

Preta Gil

“Saí do show há pouco e estou devastada com as agressões que Gilberto Gil sofreu no Qatar. Gil é um patrimônio cultural do Brasil. É nosso mestre. É um Deus da música. Toda minha solidariedade a ele. Todos meus esforços para achar o agressor”. Daniela Mercury

“Meu irmão na música e na vida, Gilberto Gil, foi injuriado por bolsonaristas no Catar. Ele tem 80 anos e estava com sua esposa. Quero prestar solidariedade ao gênio Gil e dizer que nós, os artistas, assim como a verdadeira sociedade, esperamos que os criminosos sejam punidos”. Caetano Veloso

“O cara chamar GILBERTO GIL de ‘filho da puta’ já é de ferver o sangue; fazer isso por causa de BOLSONARO é para desistir da humanidade”. Pablo Villaça

“Bolsonaristas que insultaram Gilberto Gil são como os insetos em volta da lâmpada. Desprezíveis, burros e covardes, não serão mais que lixo digital amanhã. Já Gil é gigante e eterno”. Jean Wyllys

Na mosca

“Neymar (craque!) tinha que ser muito maior, muito mais importante do que é, para merecer que eu torça contra a seleção brasileira por causa dele. Essa moral, de mim, ele não vai ter nunca. Eu vou lá torcer contra essa entidade que é a seleção por causa de jogador? Vai, Brasil!”.

Luiz Antonio Simas, escritor

O covarde em questão

Bolsonaro não tem a hombridade dos generais que perdem a guerra e saem de cabeça erguida

Por Ruy Castro, na Folha de SP

Acontece na guerra: o exército vencido bate em retirada e tenta se vingar do vitorioso deixando um rastro de destruição e morte. Mas, como bem sabem os militares, quem faz isto está sendo só covarde. Primeiro, porque é uma vingança a distância, a salvo, pelas costas, típica dos covardes. E também porque, ao plantar minas ao fugir, tocar fogo em cidades e florestas e envenenar rios e plantações, matarão muito mais inocentes, como crianças e animais, do que os experientes inimigos que pretendem atingir.

Jair Bolsonaro é o covarde em questão. Ao encontrar o que merecia nas urnas e ter data marcada para ir embora, está aproveitando os últimos dias no cargo para completar seus quatro anos de meticulosa demolição do país. Vide seu apoio mudo e tácito aos atos terroristas e às barricadas nas estradas. O histérico baderneiro que, há dias, impediu um pai de vencer a barreira para levar o filho a uma cirurgia que lhe garantiria a visão pode ter nome e sobrenome. Mas este é só o pseudônimo do celerado. Seu verdadeiro nome é Jair Bolsonaro, e será a este que o pai deverá exigir satisfações se seu filho perder o olho.

Como ainda tem tinta na caneta, Bolsonaro tenta passar o resto da boiada, infiltrando os derradeiros pilantras de sua confiança em órgãos judiciais, cortando verbas essenciais e desmontando os já poucos serviços de proteção às florestas. Quem perde com isso é o Brasil, mas e daí? E seu silêncio fala alto quando, agora temendo processos de verdade, ele escala Walter Braga Netto e Valdemar Costa Neto para fazer o trabalho sujo.

Bolsonaro não tem a hombridade dos grandes generais que, ao perder a guerra, entregam sua espada ao vitorioso e saem de cabeça erguida —vencidos, mas não derrotados. Sua atitude é a de um moleque.

Moleque, segundo o Houaiss, pode ser tanto um sujeito brincalhão e gaiato quanto uma criança ou um canalha. Você escolhe.

Seleção sobrevive a Neymar

POR GERSON NOGUEIRA

O drama é parte essencial do futebol, às vezes até em excesso. Latinos tendem a ser mais sensíveis a situações de forte envolvimento emocional. Daí a nuvem de preocupação que se abateu sobre os torcedores depois que Neymar entrou na zona de risco, podendo mesmo ser cortado da Seleção. A contusão grave no tornozelo vem se juntar ao histórico de problemas que o atacante apresenta em competições de alto nível.

Teve que ser desligado da Seleção em 2014 após levar uma joelhada criminosa nas costas. Inicialmente, ninguém imaginou que a lesão era tão grave. Horas depois, descobriu-se que o impacto do baque na espinha poderia ter levado a uma situação mais séria, deixando o atleta paraplégico.

Na Copa de 2018, na Rússia, chegou abaixo da forma ideal. Recuperava-se de uma lesão no dedo do pé, o que lhe custou resistência e velocidade nas partidas do Mundial. Ganhou fama de malandragem pelo excesso de teatro quando recebia faltas. Levou muita pancada, é verdade, mas podia ter evitado os rompantes de arte dramática.

Neymar sempre foi franzino. Por essa razão, Luxemburgo apelidou de “filé de borboleta”. O drible foi sempre a sua arma para se livrar das botinadas de marcadores mais ferozes. Ágil, magrinho, sempre conseguiu escapar ileso nos primeiros anos antes da fama.

A coisa mudou de figura quando ganhou notoriedade pelo bom futebol desde a estreia pelo Santos. Passou, como todos os grandes jogadores, a ser perseguido e às vezes caçado em campo. Na Europa, no Barcelona, virou astro de dimensão internacional e a receber mais bordoadas ainda.

Ao invés de mudar o estilo para evitar pontapés, ele fez o caminho inverso: cultivou a mania de desafiar os algozes, aplicando dribles para irritar e desconcertar o adversário. Um recurso legítimo, ao alcance dos malabaristas da bola. O preço foi alto. As já citadas lesões sempre o perseguiram, prejudicando a caminhada.

Caso se confirme sua ausência nos dois próximos jogos da Seleção, contra Suíça e Camarões, ele irá repetir o que tem sido rotina na carreira. Sair de cena nos momentos de culminância sabota o que pode ser o último plano de Neymar para alcançar o prêmio de Melhor do Mundo da Fifa.

Com baixo rendimento nos torneios europeus, ele só terá alguma chance de receber a honraria se liderar o Brasil em campos do Qatar. Dificilmente isso ocorrerá caso ele se ausente desses jogos ou acabe voltando meia-boca.

O certo é que, em situações desse tipo, o torcedor costuma se preocupar com o futuro da Seleção no torneio, receando que ficar sem um jogador do porte de Neymar pode decretar nova frustração em relação ao título. Neste caso específico, penso que o time sofrerá menos do que sofreu em 2014.

Neymar é importante pela qualidade de seu jogo, mas há algum tempo deixou de ser peça fundamental no aspecto coletivo. Costuma jogar num universo particular, preocupado em deixar seu nome marcado e funcionando como o dono do time.

Contra a Sérvia, isso ficou óbvio de novo. Todas as vezes em que teve a bola nos pés optou sempre pelo lance individual, pela firula desnecessária. Perdeu pelo menos quatro jogadas assim. Em seu melhor momento, avançou para a área com intenções de arremate, mas Vinícius Jr. se intrometeu e deu o chute que originou o primeiro gol de Richarlison.  

É claro que Neymar pode evoluir com a Seleção na Copa, mas é improvável que mude de estilo. Por essa razão, é mais lógico lamentar a perda do lateral direito Danilo. Sem ele, Tite terá que escalar o reserva imediato, Daniel Alves, o mais idoso do elenco e o menos preparado para os rigores de um Mundial que exige velocidade e força.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 19h30, na RBATV, com participações de Giuseppe Tommaso e Valmir Rodrigues, com a entrada ao vivo do escriba baionense a partir de Doha, no Qatar. Copa do Mundo e preparativos para o Campeonato Paraense são os principais temas em pauta. A edição é de Lourdes Cezar. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 27)

Estadão ilustra com foto de um negro a notícia do ataque de um nazista à escola de Aracruz

O Estado de S. Paulo, o popular Estadão, um dos jornais mais antigos e conservadores do país, não toma jeito. Em postagem nas redes sociais, o perfil do vetusto matutino paulistano se superou: repercutiu o ataque de um jovem neonazista utilizando como ilustração as mãos de um jovem negro. Só que o assassino da escola de Aracruz é branco, tem suástica tatuada no braço e é filho de um PM que recomenda nas redes sociais a leitura do livro “Mein Kampf”, de Adolf Hitler.

Uma absurda, racista e inaceitável distorção de narrativa. Horas depois, pressionado pela repercussão negativa, o jornal trocou a foto da ilustração (abaixo), admitindo que a imagem era inadequada, mas nem se deu ao trabalho de pedir desculpas pela postagem racista.

Raphinha se irrita com críticas a Neymar e Casão aconselha: “Estude a história do Brasil”

O ex-jogador Walter Casagrande está no Qatar para fazer a cobertura da Copa do Mundo e por meio de seu blog na internet, fez declarações fortes após Raphinha publicar uma foto na qual critica parte do povo brasileiro e diz que o “maior erro da carreira de Neymar é nascer brasileiro, esse país não merece seu talento e seu futebol”.

“Raphinha, minha recomendação é de que você estude a história do Brasil, para não compartilhar coisas absurdas como essa. Se ele tivesse apenas falado que é um absurdo que torcedores brasileiros torcem para o Neymar quebrar a perna, teria razão. Mas dizer que o povo brasileiro não merece Neymar, é um desrespeito a um povo sofrido como nosso”, escreveu Casagrande.

“Prefiro achar que você, Raphinha, não sabe o que está compartilhando na internet. Porque se você concorda com isso, de forma consciente, sinto muito. Talvez você também não mereça ser brasileiro”, rebateu o ex-jogador.

Ao mesmo tempo, Casagrande fez questão de afirmar que vai torcer pelo título da Seleção na Copa do Mundo. Mas, disse para Raphinha se explicar melhor depois e para se concentrar apenas em jogar bola. “Mesmo você desmerecendo o povo brasileiro ao concordar com essa fala arrogante, iremos torcer pelo título. Depois você se explica melhor. Por ora, jogue bola”, completou Casagrande.

Na estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, Raphinha teve uma boa atuação, mas perdeu duas grandes chances de gol na partida contra a Sérvia. Por causa de uma lesão ligamentar no tornozelo direito, Neymar está fora dos próximos dois jogos da fase de grupos, contra Suíça, segunda-feira, e Camarões, sexta. O lateral-direito Danilo também lesionou o tornozelo (esquerdo) e será outro desfalque nesta primeira fase. (Com informações do Yahoo!)

Missão Qatar: pelos pés de Messi, Argentina vence e entra na briga pela classificação

POR GERSON NOGUEIRA

Doha, Qatar – Acabei de sair do estádio de Lusail, onde Argentina e México se enfrentaram numa batalha encarniçada, jogando futebol de altíssima intensidade. Aliás, quando usar essa palavra tão desgastada que respeite o que os dois times fizeram nesta noite de sábado em Doha. Desde o primeiro minuto, um duelo ferrenho pela posse da bola, palmo a palmo, sem concessões de espaço. A destacar, mais uma vez, a disposição de Messi em se colocar a serviço do time, que retribui jogando para ele também.

A Argentina, tecnicamente melhor, ditava o ritmo no início, mas quem mais levou perigo nos primeiros 20 minutos foi o time mexicano, empurrado por sua fanática torcida. Aos poucos, porém, Messi e Di María começaram a fazer triangulações e a se aproximar da área de Ochoa, mas sem acertar o gol.

O primeiro tem terminou com o jogo em total equilíbrio, embora com construções táticas diferentes. O México empenhado em se defender, neutralizar os talentos do adversários e à espera de um contra-ataque para resolver o jogo. A Argentina caprichando no toque de bola para tentar abrir os caminhos.

O placar da etapa inicial, 0 a 0, foi produto do esforço dos times em se sobrepor ao adversário. Mesmo sem técnica refinada, o jogo valeu pelo combate incessante, sem tréguas.

Veio o 2º tempo e a excepcional qualidade técnica do solista Messi fez a diferença logo no começo. No único momento em que foi deixado com um espaço mínimo para manobrar, ele encaixou a bola que abriu caminho para a importante vitória argentina. O chute saiu seco, preciso, milimétrico. Entre o poste esquerdo e os braços do goleiro, que inutilmente tentou interceptar a bola.

Uma catarse no estádio. A torcida vibrando e saudando seu ídolo. Messi festejado e festejando com os companheiros, depois erguendo as mãos para o alto, em agradecimento. Um alívio. A vitória se consumaria com o gol de Enzo Fernandes nos acréscimos, para fazer a hincha argentina explodir de contentamento.

A Argentina volta à competição, após afugentar o fantasma da eliminação na primeira fase. Messi & cia terão agora um outro desafio pela frente: a Polônia de Lewandowski, líder do grupo. Mas isso já é outra história. O importante é que uma das favoritas do torneio volta a ter chances de seguir na briga.

O aspecto lamentável do jogo foi a confusão envolvendo torcedores às proximidades do estádio. Argentinos e mexicanos promoveram brigas, dando imenso trabalho à polícia de Doha. Foi o primeiro registro de tumultos provocados por torcidas nesta Copa.

Hermanos em situação de risco

POR GERSON NOGUEIRA

Um clássico entre países de língua espanhola movimenta a Copa do Mundo do Qatar, hoje. Tudo porque a Argentina, cotada para a disputa do título e que caiu logo na estreia diante da Arábia Saudita, corre o risco de ser eliminada logo na primeira fase. Terá pela frente o México, que tem suas pretensões também, embora não seja levado a sério.

O que mais chama atenção nesse aperreio argentino é o fato de que o time de Lionel Messi chegou ao Qatar com um cartel reluzente. Estava invicta há 36 partidas, com atuações convincentes sob a direção de Lionel Scaloni.

A zebra representada pelo triunfo saudita nem se compara com um eventual insucesso diante dos mexicanos. Em caso de derrota, a eliminação será imediata. Sem dúvida, um risco tremendo para a reputação do craque Messi, que veio para o Mundial em busca do único título importante que não conseguiu conquistar.

Em termos de jogo coletivo, a Argentina é hoje uma das equipes mais respeitadas do mundo. Até a fragilidade defensiva, característica que pesou na perda da Copa de 2014, foi corrigida por Scaloni.

Do meio para a frente, coadjuvantes de luxo – De Paul, Di María e Lautaro Martinez – se encarregaram de dar a Messi a tranquilidade para comandar o time com a maestria conhecida.

Os mexicanos são normalmente franco-atiradores em Copas do Mundo. Nunca tiveram maior destaque, mas chegam sempre fazendo barulho e botando fé. A situação imposta pelo mau passo da Argentina na estreia põe a seleção alviverde diante de um gostoso desafio.

Pode ser a senha para exorcizar um velho e cruel ditado sobre o México: o time que joga nunca e perde como sempre.

Já me credenciei para ver a partida, que tem tudo para ser uma das mais emocionantes deste início de Mundial.

Um confronto que ficou apenas na promessa

Como muita gente, fiquei atento ao jogo entre ingleses e americanos, considerado o mais esperado desta abertura do segundo giro da Copa. Foi uma decepção. Como se diz no meio da torcida, o jogo deu calo no olho.

Kane, Sterling e outros afamados do English Team sofreram para furar o bloqueio ianque no meio-de-campo. Pouco inspirado, o time inglês limitou-se ao tradicional chuveirinho, também chamado de Muricybol, sem o menor sucesso.

Do lado americano, algumas boas investidas, incluindo um disparo no travessão, que deixou a fanática torcida inglesa em suspense. No geral, o jogo bem organizado dos americanos mostrou mais eficiência que a propalada qualidade britânica.  

O empate em 0 a 0 foi daqueles que significam uma nota para o desempenho dos times do que demonstração de equilíbrio.

O papel de Givanildo na carreira de Richarlison

A notícia de que Richarlison surgiu para o futebol pelas mãos de Givanildo Oliveira, que treinava o América-MG em 2015 e bancou a escalação do jovem atacante. A aposta se revelou certeira, embora ninguém pudesse prever que chegaria aos nível de consagração atual.

Um gostinho especial para os torcedores de PSC e Remo, sempre ligados a personagens que passaram pelos dois clubes. Meticuloso e atento às divisões de base, Givanildo costumava descobrir talentos e também turbinar carreiras que pareciam sem futuro.

Fez isso, com saudável frequência, por todos os clubes em que trabalhou até optar pela aposentadoria, há cinco anos.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado, 26)