Mourinho fatura R$ 3,3 milhões por semana de trabalho na Sul-Americana

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Sem clube desde quando foi demitido do Manchester United em dezembro do ano passado, o técnico José Mourinho virou o principal chamariz de um programa especial de debates nos intervalos dos jogos da Sul-Americana transmitidos pelo DAZN. Mas para tê-lo, a plataforma fez um grande investimento.

Segundo apurou a reportagem, Mourinho recebeu cerca de 800 mil euros (R$ 3,3 milhões no câmbio atual) para participar da mesa redonda, que contou também com o ex-goleiro Júlio César e a apresentadora Mariana Fontes, ex-Esporte Interativo.

Mariana e Júlio estavam em Milão, na Itália, enquanto Mourinho participou das transmissões diretamente de Londres, na Inglaterra. Mourinho ainda vive no Reino Unido por conta do seu último trabalho no futebol. Tais valores mostram que o DAZN manteve a estratégia de lançamento que fez em outros mercados aqui no Brasil, com agressividade para contratação de pessoal e publicidade forte em todos os meios.

Por enquanto, a participação de Mourinho será apenas nesta semana, mas outros grandes técnicos e ex-jogadores deverão participar dessa espécie de “Show do Intervalo”, que será uma constante no serviço de streaming. Entre as falas que repercutiram da participação do técnico português, Mourinho afirmou que não descarta trabalhar no futebol brasileiro no futuro, mas que este não é o seu objetivo neste momento.

“Vocês têm uma cultura muito própria. Eu tento conhecer o melhor possível. Os fatos de trabalhar com muitos brasileiros e de passar muitas férias no Brasil fazem com que eu conheça um pouco do Brasil. Nunca diria ‘dessa água não beberei’, mas, por enquanto, meus planos são de continuar aqui na Europa”, disse o Special One. Procurado para falar sobre o assunto, a assessoria de imprensa do DAZN afirmou que não comentará valores pagos para o técnico português.

Pesquisa aponta Ronaldo como o melhor pós-Pelé

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Com 36,62% dos votos, Ronaldo foi eleito pelos leitores do UOL como o maior jogador brasileiro desde que Pelé deixou o futebol. Na enquete, o “Fenômeno” teve uma vantagem considerável em relação ao segundo colocado: Zico, escolhido por 21,17%. Romário (11,18%), Ronaldinho Gaúcho (10,98%) e o goleiro Marcos (3,12%) completam o Top 5 da votação.

Tudo começou com a última edição da revista Placar, que colocou Neymar como o “maior jogador brasileiro pós-Pelé”. Na pesquisa do UOL, o atacante do Paris Saint-Germain ficou apenas na sétima colocação, com 2,94% dos votos.

RANKING

1 – Ronaldo (36,62%)

2 – Zico (21,17%)

3 – Romário (11,18%)

4 – Ronaldinho Gaúcho (10,98%)

5 – Marcos (3,12%)

6 – Rivelino (3,02%)

7 – Neymar (2,94%)

8 – Rogério Ceni (2,30%)

9 – Adriano (2,28%)

10 – Sócrates (1,94%)

11 – Rivaldo (1,23%)

12 – Falcão (0,67%)

13 – Roberto Dinamite (0,62%)

14 – Taffarel (0,56%)

15 – Kaká (0,37%)

16 – Cafú (0,25%)

17 – Roberto Carlos (0,19%)

18 – Careca (0,19%)

19 – Júnior (0,17%)

20 – Bebeto (0,17%).

Para matar as saudades

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POR GERSON NOGUEIRA

Estamos às portas de mais um clássico dos clássicos, maior glória do futebol nortista, o mais disputado no mundo entre rivais históricos. São alguns dos superlativos que emolduram o Re-Pa, grande derby amazônico, que leva multidões à catarse mesmo quando não vale muita coisa, como desta vez.

É claro que o torcedor não há de chegar ao estádio Jornalista Edgar Proença com a pretensão de ver um grande espetáculo, como aqueles que tinham João Tavares, Bené, Amoroso, Rubilota, Ércio, Alcino, Mesquita, Roberto Diabo Louro, Roberto Bacuri, Aderson, Bira, Dadinho, Cacaio e Belterra como protagonistas.

Não, isso é coisa do passado.

O Re-Pa há muito tempo deixou de ser tecnicamente atraente. Os últimos grandes confrontos ocorreram há mais de 20 anos.

Nos dias de hoje o torcedor já sai no lucro se conseguir ver um jogo rico em luta, marcação, transpiração e gols, é claro – nada mais tedioso do que um clássico que não sai do 0 a 0.

O grande chamariz do confronto desta tarde é a saudade. A torcida não vê o Re-Pa há um ano. Por sorte – ou azar – terá muitas oportunidades de matar a saudade. No Estadual, há outro jogo confirmado para o returno. É provável ainda que os dois times se cruzem nas semifinais e na final.

Por enquanto, com base no que ambos mostraram na temporada, a previsão é de uma partida equilibrada e presa aos esquemas de cautela e respeito.

O Remo de João Neto vinha melhor, invicto no campeonato e sem sofrer gols, mas o revés na Copa do Brasil representou um duro golpe, que talvez tenha reflexo no gramado do Mangueirão.

Já o Papão de João Brigatti só jogou bem na estreia, quando goleou o fraco São Francisco na Curuzu. A partir de então, o rendimento coletivo caiu e o individual continuou nulo.

O melhor a fazer é esperar que as duas equipes façam um jogo de muita luta, mas sem violência, que agrade a massa e compense a longa espera.

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Afinal, quem foi o melhor na era pós-Pelé?

A revista Placar saiu nesta semana com uma capa provocadora glorificando os 10 anos de carreira de Neymar e apontando-o como o melhor jogador brasileiro depois da era Pelé. A jogada editorial é compreensível em tempos bicudos para o jornalismo impresso e, notadamente, para o segmento de revistas.

O tema, porém, é interessante e suscita um bom debate. Quase ninguém se detém em análises sobre os sucessores do Rei Pelé, talvez até pela intimidação causada por supercraques surgidos lá fora.

De minha parte, considero uma heresia posicionar Neymar como o melhor desde que o Rei se aposentou. Está atrás de vários grandes craques. É inferior, por exemplo, a Ronaldo Fenômeno, Romário, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Zico.

Com muita boa vontade, o camisa 10 do PSG pode ser elencado no mesmo patamar de Kaká, Bebeto, Sócrates, Geovani e Roberto Carlos, entre outros menos votados.

Não se considera aqui os títulos amealhados pelos que estão à sua frente, todos campeões do mundo e ganhadores da Bola de Ouro. O que salta aos olhos é a técnica refinada, a regularidade e a importância para a Seleção e os clubes que defenderam ao longo da carreira.

Neymar tem a possibilidade de ir longe, talvez até muito mais que alguns dos que o superam hoje, mas por enquanto isso não passa de expectativa. Pelo que se viu até hoje, pelos muitos passos em falso, os próximos 10 anos de carreira dificilmente reservarão as glórias que o jogador e seu pai julgam ser possível de atingir.

Ah, antes que pareça omissão deliberada, meu voto sobre o melhor craque brasileiro depois de Pelé vai para Ronaldo Nazário.

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Bola na Torre

O programa deste domingo dedica todas as atenções à cobertura do primeiro Re-Pa do ano. Guerreiro apresenta, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba baionense, a partir das 21h, na RBATV. O torcedor interage com perguntas e comentários, com direito a sorteio de prêmios.

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Dupla Re-Pa ganha novo patrocinador

Minutos antes do clássico deste domingo, no estádio Jornalista Edgar Proença, a diretoria da empresa VeganNation celebra oficialmente acordo de patrocínio com Leão e Papão, representando o futebol paraense, e Iranduba e Nacional, pelo futebol do Amazonas.

A VeganNation já patrocina clubes de futebol de outros Estados e decidiu partir para a parceria com clubes do Norte, mirando principalmente a dupla Re-Pa e suas fantásticas torcidas. No caso do Iranduba, o patrocínio destina-se ao futebol feminino.

O evento terá as presenças dos presidentes Fábio Bentes (CR), Ricardo Gluck Paul (PSC), Amarildo Dutra (Iranduba) e Nazareno Melo (Naça), além do diretor executivo e fundador da VeganNation, Isaac Thomas. Será servido um lanche vegano aos presentes.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 17)

Festina lente

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Por André Forastieri

Augusto – aquele, sobrinho do Júlio César, primeiro e maior Imperador de Roma – tinha um lema. Era: “o que foi bem feito, foi feito rápido suficiente.”

Ou, de outra maneira: “Festina Lente”.

Que dá pra traduzir, mais ou menos, por “Acelere lentamente”. Ou “Desacelere rapidamente”. Ou as duas coisas.

E significa, mais ou menos, “Faça tão rápido quanto possível para sair bom”.

Treze séculos depois, o lema foi adotado pela família Médici, poderosos banqueiros florentinos.

Que, entre outras coisas, financiaram a Academia Platônica, a redescoberta das sabedorias perdidas da antiguidade, recuperadas após a tomada de Constantinopla pelos turcos, e sua tradução do grego para o latim.

Que é o começo oficial de uma coisa chamada Renascença. E do Humanismo. E…

 

“Festina Lente” era também o lema do primeiro editor de livros da história, Aldo Manuzio. Meu padroeiro, e de todos os editores. Sei de duas ruas com o nome dele, em Roma e em Veneza, e fui lá pedir a benção do santo. Tenho a foto com a placa da rua, para provar.

Manuzio começou em 1494. Publicava inéditos (Aristóteles, Homero, Esopo!), caprichava nas edições, tinha tradutores maravilhosos (Erasmo de Roterdam!), um conselho editorial de sábios, e a amizade de gente como Pico della Mirandola e Marsilio Ficino.

Criou o formato de bolso, a lombada plana, a capa de papel cartão (em vez de madeira), o conceito da coleção de livros.

Ah, também era tipógrafo (criou o itálico, e definiu a margem ideal de uma página usando a proporção áurea). Era gráfico, editor e livreiro. Sua editora é que vendia os livros no final.

Lembra daquela empresa Aldus, que fazia o software Pagemaker, que todo mundo usava pra fazer revista e livro e tal? Era em homenagem ao Aldo, ou Aldus Manutius, em latim.

E o símbolo, o “logotipo” da editora de Aldo Manuzio, era um golfinho enrolado em uma âncora. O símbolo da velocidade e da leveza, unido ao símbolo do peso e da imobilidade. Rápido e devagar. Festina Lente.

Se deixasse o paraíso dos editores (uma biblioteca?) e viesse nos visitar essa semana, Aldo ia ficar boquiaberto de ver como, meio milênio após sua morte, nós no século 21 temos a possibilidade de controlarmos todos os aspectos do conteúdo, da informação, do conhecimento.

De criar, selecionar, editar, transmitir isso diretamente para o leitor.

Que é o que estou fazendo neste segundo.

E ia ficar espantado de constatar como quase sempre fazemos isso na velocidade errada. Com pressa e ansiedade, sem capricho nem responsabilidade.

Sem edição. Ou, na palavra que se usa muito hoje, sem curadoria.

Uma das poucas vantagens de ter uma certa idade é que a gente é convidado pela vida a desacelerar. É biológico. É inevitável. É convidativo e prazeiroso, aliás. Menos hormônios, menos agressividade, menos ansiedade.

Não é à toa que o movimento Slow Food nasceu e floresceu no Velho Mundo.

Nem sempre nos permitimos. Nem sempre me permito.

Buscar o ritmo certo, a maneira certa de viver, é meu trabalho de todo dia.

Estou tentando organizar essa informação – editar – isso direito. Para que eu possa compartilhar isso com consciência.

Enriquecer minha vida, e quem sabe a dos outros. Sem pretensão e sem picaretagem.

Uma parte importante disso é aprender – reaprender? – a trabalhar.

O que fiz esta semana, profissionalmente, não tem nada a ver com o que eu fazia 18 meses atrás.

A maior parte do meu trabalho tem sido, em grande parte, responder para mim mesmo e para outras pessoas as seguintes perguntas:

Como ser incrivelmente produtivo no menor tempo possível – e somente nesse tempo, deixando o restante para o prazer?

Trabalhar para viver, e jamais viver para trabalhar?

E o que exatamente, significa “ser produtivo”, em um mundo de robôs, globalização, precarização? Em que o Trabalho parece valer cada vez menos, e o Capital cada vez mais?

Como sobreviver a isso, e prosperar?

Como ganhar dinheiro, sem jamais abrir mão de mudar o mundo?

São questões que eu não esperava. A vida me impôs.

Eu gostava de ser editor. Hoje gosto de ser outras coisas. Eu gostava de ter 25 anos, hoje gosto de ter mais que o dobro disso.

Tenho saudade, mas zero nostalgia.

E são questões que também me foram impostas pela minha convivência no LinkedIn com pessoas em busca de trabalho, clientes, grana, sentido.

Questões que me levaram a conversar com um monte de gente super diversa. Primeiro informalmente, depois profissionalmente. E até aprendi a a usar termos esdrúxulos como “Empregabilidade” e “Empreendedorismo” sem ficar com a cara roxa de vergonha.

Levou mais de um ano para eu descobrir que tinha algo novo em mim, algo que muitas outras pessoas reconheciam como precioso.

Um valor diferente do que eu trouxe (espero) no passado, sendo – entre as várias coisas que fui – editor.

Um novo valor que quero levar pra mais e mais gente, e só é possível agora. Por causa de todas as coisas que fui. E sou. E por causa do que passei.

E por causa do tempo que levou.

É fundamental, para mim, me dar o tempo necessário para fazer as coisas direito. Visto que não tenho tanto tempo pela frente para desperdiçar fazendo as coisas erradas, ou as coisas errado.

E quero te convencer que você também não tem. Mesmo que não tenha 53 anos, como eu. Mesmo que tenha 43, 33, 23 ou, aliás, 13. A vida passa rápido.

Tem até uma coisa chamada Slow Movement. Te convido a ler um livro chamado “Devagar”, do Carl Honoré, que é a base desse “movimento”. Que se espalha de maneira bem lenta. Como convém.

Tenho grande simpatia pelo Slow Movement. Pela Slow Food, pelo Slow Work, pela Slow Life. O degustar, o aproveitar, o caprichar. Tanta correria pra quê? Pra acabar com o planeta mais rápido?

Esta é a questão central do meu trabalho em 2019. Que estou construindo, e revelando, adivinhe só, devagarinho…

Mas reconheço que a minha pegada não é desacelerar por desacelerar.

Meu ritmo, e o ritmo que te recomendo, e que quero espalhar por aí, e ensinar para quem quiser aprender, é Slow Fast. Ou Fast Slow. É fazer no ritmo ideal para fazermos o melhor.

“Festina Lente!”

Ó O OUTRO CARA

O melhor livro que eu conheço sobre o pai de todos os editores é “Aldo Manuzio: Editor, Tipógrafo, Livreiro”, do Enric Satué, publicado no Brasil pela Ateliê Editorial. Fora de catálogo, que pecado. Só tem dois usados na Estante Virtual. Compre rápido!