Lennon: 39 anos sem a presença (física) de um deus do rock

Em 8 de dezembro de 1980, John chegava a seu prédio, o Edifício Dakota, no centro de Nova York, quando foi baleado por um homem chamado Mark Chapman, que depois seria identificado como um fã do fundador do Beatles. O cantor, atingido por quatro tiros, morreu a caminho do hospital.

Médicos brasileiros não querem trabalhar com Saúde da Família e com pobres

“Só 3,7% querem atuar exclusivamente com Medicina da Família e 66,2% dizem que não desejam atuar na atenção primária. Dados são da pesquisa da USP e Conselho Federal de Medicina”. Dados inéditos de uma pesquisa com 4.601 graduados entre 2014 e 2015 mostram que só 3,7% deles desejavam trabalhar exclusivamente nesse setor, responsável pelo atendimento nas unidades de saúde.

Médicos cubanos do Mais Médicos exerciam a medicina preventiva, visitando as famílias, inclusive nos rincões mais pobres. Agora com a saída dos médicos cubanos, veio o embuste: médicos brasileiros se inscreveram para a maioria das vagas abertas pela expulsão dos cubanos mas parte destes brasileiros nem se apresentou nas vagas para as quais se inscreveram, porque não querem atuar como “generalistas” e muito menos visitar famílias para fazer medicina preventiva, ou seja, evitar que as pessoas fiquem doentes antecipando-lhes o atendimento. Diferente de Cuba e de boa parte do mundo, aqui os médicos querem ser “especialistas”. E a razão está expressa na frase de Mário Scheffer, autor do estudo: “Os recém-formados vem de famílias brancas e ricas. Nem sabem o que é pobreza. Vivem num mundo à parte. Por isto nem sabem que a maioria da população é pobre e muito menos querem saber”.

Fiz este pequeno comentário introdutório para publicar a matéria da Folha sobre o tema. É claro que a Folha não chamaria a atenção para o que na verdade é o central do problema, mas está ali, bem expresso no conteúdo da própria matéria:

Aposta do Mais Médicos, residência em medicina da família tem 70% das vagas ociosas

Aposta do Mais Médicos para atrair profissionais para as unidades de saúde, programas de residência em medicina da família e comunidade têm atualmente quase 70% das vagas ociosas.

A reportagem é de Natália Cancian, publicada por Folha de São Paulo, 03-12-2018. 

Nos últimos cinco anos, o número de vagas para a especialidade cuja principal função é prestar cuidados de saúde e prevenir doenças de uma comunidade cresceu mais de 260% —de 991 para 3.587.

Apesar da ampliação, dados do Ministério da Educação obtidos pela Folha mostram que a adesão a esse modelo ainda é baixa. Neste ano, de 3.587 vagas autorizadas para ingresso na residência em medicina da família, só 1.183 foram preenchidas —33%.

Para especialistas, o problema ocorre devido à baixa remuneração desses profissionais e à pouca atratividade da carreira na atenção básica. Diante da falta de equipes nessa área, o Mais Médicos fez parceria para ter profissionais cubanos nos últimos anos. No mês passado, Cuba anunciou a saída do programa, por divergir das condições impostas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), como revalidação do diploma e mudanças na remuneração —Havana só repassa cerca de um quarto aos profissionais.

Diogo Sampaio, que representa a AMB (Associação Médica Brasileira) na Comissão Nacional de Residência Médica, ressalta que “não é preciso ser médico de família para poder atender na unidade de saúde”. “Por isso há uma ociosidade muito alta”, afirma.

Em alguns casos, a baixa adesão, somada à falta de preceptores, nome dado aos médicos designados para orientar os residentes, já faz com que parte das vagas disponíveis nem sejam ofertadas. Inicialmente, o objetivo do Mais Médicos era ampliar as vagas nesta especialidade como estratégia para aumentar equipes dispostas a atuar nas unidades básicas de saúde. Hoje, o país tem 6.000 especialistas em medicina da família e comunidade, menos de 2% do total de médicos.

Para facilitar a adesão, a lei que criou o programa chegou a prever que a residência em medicina da família se tornasse pré-requisito para a formação na maioria das outras especialidades em 2019. A condição para que a medida entrasse em vigor, porém, era que o número de vagas em um grupo de dez residências específicas fosse equivalente ao de egressos de cursos de medicina, o que não ocorreu.

Em 2017, o país teve cerca de 17 mil egressos de medicina. Para comparação, o número de vagas dessas residências soma atualmente 4.034. Com isso, membros do Ministério da Educação ouvidos pela Folha já ressaltam que a medida não será cumprida.

Dois fatores colaboram para isso. Um deles é o impasse em atingir a meta prevista no Mais Médicos, considerada pouco factível no governo. Outro seria o risco de um “apagão” no atendimento de algumas especialidades. “Hoje, muitos hospitais dependem do residente para funcionar. Se fizesse essa transição de forma brusca, seria inviável”, afirma Daniel Knupp, presidente da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família).

Para a SBMFC, a crise no Mais Médicos gerada pela saída de cubanos pode ser uma oportunidade para uma reformulação nas regras de oferta desse tipo de residência. A entidade sugere que o incentivo dado aos cubanos seja repassado para vagas de residência em medicina da família. Com isso, em vez dos R$ 3.300 de bolsa da residência, os profissionais receberiam R$ 11,8 mil, valor pago a profissionais do Mais Médicos.

O modelo é semelhante ao adotado no Rio, onde residentes em medicina da família recebem uma complementação da prefeitura ao valor da bolsa de residência —o que faz com que chegue a R$ 10 mil.

Lá, a medida, somada ao bônus de 20% no salário para formados na especialidade, colaborou para a adesão ao programa. No início, eram 60 vagas. Hoje, são 150. Já a taxa de ocupação variou nos últimos anos de 75% a 100%.

Para o superintendente de atenção primária do Rio, Leonardo Graever, a residência na especialidade é a melhor solução para aumentar o número de médicos dispostos a atuar nas unidades de saúde. “Em dois anos, tem-se um profissional de qualidade e apto a lidar com os problemas mais comuns da população. Não adianta o município oferecer residência em neurocirurgia se a maior demanda é outra”, diz.

Mesmo que seja possível ampliar a adesão à medicina da família, mudanças no mercado de atuação desses profissionais trazem dúvidas sobre a permanência deles no SUSPlanos de saúde têm aumentado a oferta de acompanhamento por médicos de família. O objetivo é prevenir doenças, reduzir internações e, com isso, cortar custos.

Ao mesmo tempo em que representa um aumento na possibilidade de atuação desses profissionais, a medida pode trazer dificuldade para que a rede pública mantenha essas equipes. Isso porque, em alguns lugares, salários ofertados chegam a R$ 25 mil. “O que garante que os especialistas formados nessas novas vagas vão permanecer nos locais onde não têm médicos e no SUS?”, questiona Mário Scheffer, da Faculdade de Medicina da USP. “Já perdemos alguns bons profissionais para planos de saúde”, relata Graever, do Rio.

Para Hermano Castro, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, o ideal seria aumentar o estímulo à busca por vagas de medicina da família na graduação e investir em plano de carreira para fixar esses profissionais no SUS. Sampaio, da AMB, concorda. “Se tivéssemos uma carreira de estado, a ociosidade nas vagas ia ser zero”, diz.

Dos recém-formados, apenas 4% miram unidades de saúde. Considerada uma área estratégica e capaz de solucionar até 80% dos problemas que chegam ao SUS, a atenção básica em saúde tem registrado baixa adesão de recém-formados em medicina quando o assunto é a preferência no mercado de trabalho.

Dados inéditos de uma pesquisa com 4.601 graduados entre 2014 e 2015 mostram que só 3,7% deles desejavam trabalhar exclusivamente nesse setor, responsável pelo atendimento nas unidades de saúde.

Já 30,1% dizem que até aceitam trabalhar na área, mas também assinalam outras, como hospitais e consultórios particulares.

Na outra ponta, 66,2% dizem que não desejam atuar na atenção primária. Os dados fazem parte de um novo recorte da pesquisa Demografia Médica, divulgada neste ano pela USP e Conselho Federal de Medicina.

Para Mário Scheffer, autor do estudo, os dados mostram uma distância entre as demandas e as preferências dos profissionais. “É uma preferência muito aquém do que precisa o sistema de saúde.”

Segundo ele, a menor opção por trabalhar exclusivamente na atenção básica coincide com as características do mercado de trabalho na medicina, marcado pela multiplicidade de empregos e maior direcionamento ao setor privado.

Outro impasse é o acesso restrito à formação médica a alunos de perfil mais alto de renda. Dados da pesquisa Demografia Médica mostram que 77% dos estudantes se declaram brancos e que 79% vêm de escolas particulares. “O perfil atual de alunos ainda é muito distante do perfil da população. A medicina é um curso de brancos e ricos.”

E como atrair os estudantes para a atenção básica na graduação? Para Scheffer, o ideal seria investir em mudanças nas diretrizes curriculares, com mais conteúdos voltados para a atenção primária desde a graduação.

Saudade das grandes finais

POR GERSON NOGUEIRA

O Campeonato Brasileiro tem hoje à tarde sua última rodada. A bem da verdade, o Brasileiro já terminou. Todos sabem que o campeonato acabou lá naquele Palmeiras x Grêmio de duas semanas atrás que garantiu o título antecipado ao Flamengo. O que isso, na prática, quer dizer¿ A rigor, não significa nada. Afinal, torneios podem ser decididos antes do giro final. O problema da história é a completa ausência da grande emoção que cerca o desfecho dos grandes eventos esportivos.

O triunfo do Flamengo, meritório e acachapante, deve ser aplaudido por todos, mas foi sacramentado sem que o campeão estivesse em campo. Foi, pela primeira vez na história do Brasileiro de pontos corridos, um campeonato ganho no sofá. Tanto pelo time como pelos torcedores. Um verdadeiro anticlímax. Nada poderia ser mais sem graça.

Por sorte, houve a coincidência com as comemorações pelo título da Copa Libertadores, conquistado um dia antes, em Lima. A torcida aproveitou o embalo e seguiu festejando. Mas, que é um troço esquisito, é.

A propósito da rodada de hoje, cuja única e frágil emoção é a disputa entre Ceará e Cruzeiro pela última vaga de permanência na Primeira Divisão, cabe lembrar que mais de 110 milhões de torcedores – parcela da população brasileira que, estatisticamente, acompanha futebol – acompanharão os jogos desta tarde imersos em desinteresse ou tédio.

A ocasião é propícia também para reabrir a discussão sobre um tema sempre alvo de debates acalorados: o formato de disputa do Campeonato Brasileiro. Já imaginou se hoje, ao invés de uma protocolar rodada de encerramento, tivéssemos uma final eletrizante entre os dois melhores times da competição¿

O Brasil inteiro iria parar, como parou para ver Flamengo e River decidindo a Libertadores. Pelas razões que expus acima, muita gente já defende o formato misto, ideal para um país de dimensões continentais como o Brasil, ávido por extravasar paixões. Merecemos um campeonato menos mixuruca que o atual.

Uma das ideias é instituir um confronto extra entre os dois times que terminarem nas primeiras colocações. Se a diferença for de três pontos ou menos, haveria um jogo único. Caso a diferença fique entre 4 e 6 pontos, a final seria em duas partidas. Seria uma alternativa interessante, sem quebra da meritocracia dos pontos corridos e adicionando emoção à disputa.

Outra hipótese seria um campeonato com tuno único, definindo a vaga para a Libertadores e classificando para um mata-mata espetacular entre os oito melhores. Um mês, provavelmente entre 15 de novembro e 15 de dezembro, seria dedicado a playoffs de três jogos para decidir o campeão.

Há, ainda, a sugestão de um Brasileiro com 25 clubes, permitindo a participação de Estados com clubes de massa que hoje ficam de fora do banquete da elite, casso dos representantes do Pará. De longe, a fórmula mais interessante: 12 jogos fora, 12 em casa, com playoffs de 3 jogos com os oito primeiros colocados.

Tenho acompanhado na internet, principalmente, uma troca inteligente de jabs entre defensores do sacrossanto certame de pontos corridos e os que pregam a necessidade de decisões mais empolgantes. Enquanto os primeiros costumam citar a “justiça” do formato atual, os últimos advogam o conceito de “não justiça” como igualmente válido.

A catarse, sufocada com a extinção das grandes finais, é ingrediente fundamental no cenário de um esporte naturalmente empolgante. Rompantes de improvisação e arte, explosão de sentimentos, trovões de alegria. Nada disso é possível ver no desfecho de um campeonato de pontos corridos, que parece preso ao formalismo da burocracia.

Em meio a isso, viceja a sensação de que em breve o campeonato nacional tende a aceitar de volta o sistema com mata-mata. Talvez demore um pouco, mas será reinstituído quando uns 15 clubes notarem que não têm mais chance de ganhar um título e fazer festa nos estádios, como ocorre com os 18 coadjuvantes do certame espanhol.

Vive-se hoje uma situação estranha e desconfortável. Na falta de o que fazer na domingueira, metade da torcida brasileira estará torcendo pelo sucesso ou pela desgraça do Cruzeiro. Convenhamos, é muito pouco.

Homenagem justa a um exemplo de dignidade

O técnico Roger Machado, do Bahia, foi recebido com aplausos, flores e música, sexta-feira, ao entrar no plenário da Câmara Municipal de Salvador para a solenidade de entrega da Medalha Zumbi dos Palmares.

É o reconhecimento público a um dos poucos técnicos negros em atividade na elite do futebol brasileiro e que tem adotado uma postura consciente e destemida no debate sobre racismo e intolerância no esporte.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir de 22h30, logo depois do jogo da NBA. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, as movimentações da dupla Re-Pa para formação de elenco para a próxima temporada.

Um campeonato que nasce marcado pela confusão  

Quando o torcedor busca saber algo sobre o Parazão 2020, é convidado pela FPF e pelos clubes a perder de imediato o interesse. É tanta discussão vazia, críticas em torno de datas e mandos já acertados, que fica a impressão de que Chacrinha entrou em cena. Ninguém parece a fim de explicar, apenas confundir.

Por ora, vale o que foi decidido pelo Conselho Técnico da competição, com apenas um Re-Pa na fase de classificação (disputada em pontos corridos) e mata-mata a partir das semifinais. Não seria surpresa, porém, se até janeiro surgissem novas mudanças. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 08)

Trivial variado do governo ioiô, que muda decisões a cada 24 horas

“A incrível história do presidente que forja atitudes populares anulando decisões impopulares que ele mesmo havia tomado. Essa estratégia é uma maravilha pra distrair gado otário”. Paulo RJ

“Funciona assim: – ele determina. – Se não tem reação, fica determinado… – Se se há reação, ele finge que foi um “alienígena” no governo que determinou (Quem sabe um cubano, um Venezuelano ou comunista?) e determina excluir a determinação! Hahahah”. Drica Camara

“O projeto de Bolsonaro é destruir o que conhecemos hoje como arte e cultura. Quem tem deus acima de todos, como creem os bolsonaristas, não precisa de mais nada”. Lula Falcão

“Quando eu falo que o golpe foi misógino tem gente que me pede provas. Dilma foi afastada há 3 anos, foi inocentada de uma série de acusações, mas não pode ter paz em um voo, é chamada de “bandida” enquanto essa mesma gente exalta miliciano suspeito de envolvimento em assassinato”. Raniele Carvalho

“Macri fez tudo o que o receituário neoliberal manda. O mesmo que bolsonaro e guedes adotam aqui. Durante seu governo a economia só retrocedeu e a Argentina foi bater na porta do FMI. O Brasil está no mesmo caminho. Mas os hermanos, pelo menos, já se livraram do seu encosto”. Ricardo Pereira

Luxemburgo, comissão e parte dos funcionários do Vasco não recebem salários desde julho

Livre do rebaixamento, em clima de mobilização e com festa no Maracanã cheio para se despedir da temporada contra a Chapecoense, o Vasco ainda busca recursos para resolver problemas em casa. O técnico Vanderlei Luxemburgo, a comissão técnica, a direção do futebol e parte dos funcionários, de faixa salarial mais elevada (acima de R$5,5 mil), não recebem desde julho.

São quatro meses de atraso: agosto, setembro, outubro e novembro, de acordo com regime das leis trabalhistas. O Vasco há anos mantém acordo para que os pagamentos até o dia 20 de cada mês, o que tiraria o vencimento de novembro desta dívida, que é maior do que a dos jogadores.

Os últimos pagamentos privilegiaram atletas e funcionários com faixa salarial menor, que ainda têm a receber setembro, outubro e novembro. Havia promessa de pagamento de parte dessa dívida nesta semana, mas até sexta-feira à noite não foi quitada. Para funcionários mais antigos, de faixa salarial maior, consta da dívida ainda dezembro e 13º salário de 2017. Sim, 2017.

Com premiação do Brasileiro e outra parte de recursos de direito de transmissão nos próximos dias, o clube espera acertar boa parte da dívida com todos os funcionários – dos jogadores aos colaboradores que recebem menos até os de faixa salarial mais elevada. O incremento de verba com a associação em massa de mais de 100 mil sócios também vai ajudar a diminuir o débito.

A dívida com o elenco ainda é uma barreira no planejamento do futebol para 2020. Neste sábado o presidente vai conversar com Vanderlei para discutir a renovação de contrato. Na pauta, além de possíveis reforços, dispensas e promoções da base, a dívida com funcionários, com ele próprio e com toda a comissão técnica do Vasco. (Do GE)

Datafolha: população não confia nas falas de Bolsonaro

Uma parcela de 43% da população declarou que nunca confia nas falas do presidente da República, Jair Bolsonaro, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. De acordo com o estudo, outras 37% afirmaram confiar às vezes, e uma parcela de 19% disse confiar sempre. Um por cento não soube responder.

A pesquisa ouviu 2.948 pessoas em 176 cidades de todo o país, entre a última quinta-feira, 5, e sexta-feira, 6. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Bolsonaro e Moro usam máquinas de manipulação de redes sociais

A deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) apresentou na última semana na CPI das Fake News um rico material que mostra o suposto esquema de funcionamento das milícias digitais do clã-Bolsonaro. O material apresentado aponta que são usadas máquinas de manipulação via redes sociais digitais que impulsionam a quantidade de seguidores de alguns perfis e que também são responsáveis pela criação artificial de distorções dos temas debatidos nas próprias redes.

Em estudo exclusivo para a Fórum, o cientista de dados Antonio Arles analisou quais dos possíveis candidatos à presidência em 2022 poderiam estar usando o mesmo sistema de manipulação das redes.

O estudo recolheu dados de 50 mil usuários e seguidores de: Jair Bolsonaro, Lula, Sérgio Moro, Ciro Gome e Luciano Huck. As personalidades foram escolhidas por terem pontuação expressiva na última pesquisa divulgada pela revista Veja.

“Os 50.000 usuários foram submetidos a um algoritmo que os classificou em grau de automação, com índices indo de 0 a 1, sendo zero para menor probabilidade de automação e 1 para maior probabilidade de automação. Este algoritmo é o TweetBotOrNot que tem, auto declaradamente, 91.9% de acurácia que é, grosso modo, uma medida de precisão. Depois de detectada a probabilidade de automação, plotamos gráficos dos que explicitam a densidade dos graus onde se encontram os possíveis bots seguidores de cada personagem”, explicou Antonio Arles.

Desta forma, é possível concluir que Jair Bolsonaro e Sérgio Moro são as duas personalidades políticas que mais tiveram perfis automatizados localizados pelo método entre seus seguidores.

O cientista de dados afirma que o estudo, apesar de ser ponto de partida para outras investigações mais profundas, confirma o que foi apresentado pela deputada federal Joice Hasselmann na CPI das Fake News.

Remo inaugura Núcleo de Saúde e Performance

Foi inaugurado na manhã deste sábado, no estádio Evandro Almeida, o Nasp – Núcleo Azulino de Saúde e Performance, novo departamento médico do Clube do Remo. O DM foi batizado com o nome de Fernando Oliveira, em homenagem ao ex-atleta, ex-técnico e ex-gerente do clube.

Nas paredes do NASP e em outras dependências do estádio, há espaço para a plotagem de fotos da torcida e de grandes ídolos da história do Leão Azul.

Financiamento privado de campanha: Globo sempre na contramão

Mesmo depois de vários escândalos de corrupção no Brasil decorrentes do financiamento empresarial de campanhas, que foi criminalizado no Brasil pela mídia corporativa para que fosse possível derrubar governos progressistas e implantar uma agenda neoliberal, a Globo agora defende que empresas privadas voltem a ser liberadas a doar recursos para candidaturas políticas.

Em editorial publicado neste sábado, a Globo comnate o único legado positivo da Lava Jato, que é o financiamento público de campanhas. “Grupos políticos que se esforçavam para aprovar o financiamento público integral e a adoção do sistema eleitoral por lista fechada, para aumentar o poder dos caciques partidários — o PT sempre esteve à frente deste bloco —, conseguiram uma grande vitória, mesmo parcial. Não veio o voto em lista, mas foram usados com esperteza os escândalos do petrolão e outros, em que grandes empresas privadas se envolveram em esquemas políticos para assaltar estatais (Petrobras, Furnas, Eletrobras etc.), com a finalidade de levar o Supremo a ver no financiamento público a chave da moralidade”, diz o texto.

“Cabe ao presidente Bolsonaro vetar o inchaço do Fundo Eleitoral. A questão, porém, é mais ampla, tem a ver com o sistema de financiamento instituído depois que o STF alijou as empresas das finanças da política. A realidade mostra que este mundo continua envolto em sombras, com o Tesouro pagando uma conta crescente. Trocou-se o custo da corrupção arcado pelo contribuinte pelo preço da avidez do Congresso em inflar o orçamento da política, também pago pelo Erário. É preciso repensar as contribuições de empresas em novos moldes, assentados num sistema de freios e contrapesos que, além de reduzir o fardo sobre os contribuintes, garanta a lisura entre partidos, políticos e seus financiadores”, diz ainda o texto.

Na prática, a Globo defende que empresas privadas sejam autorizadas novamente a sequestrar a agenda pública do País, por meio do financiamento privado de campanhas.

A pequena-burguesia e o mito da classe média

Por Leonardo Coreicha

A pequena-burguesia é uma classe pré-capitalista. Ela surgiu na Idade Média, dos caixeiros-viajantes, dos artesãos e dos comerciantes das cidades portuárias. Mas foi sendo lentamente suplantada pelos grandes comerciantes, que se aproveitaram das cruzadas e, principalmente das grandes navegações.

A grande burguesia comercial alcançou o poder, mas não suprimiu a pequena burguesia, que ainda dominava o comércio varejista até a Revolução Industrial.

Durante a Idade Média, a pequena-burguesia se organizou em corporações de ofício, onde reuniam os artesãos e comerciantes das cidades (burgos). As corporações de ofício era uma organização de classe, garantindo à pequena-burguesia o domínio econômico sobre determinado setor e impedindo que os trabalhadores assalariados pudessem disputar espaço na economia autonomamente.

Assim, conforme crescia a pequena-burguesia, crescia junto com ela um proletariado, que ainda era pequeno e desorganizado. Porém, com a revolução industrial, a pequena-burguesia perde espaço para a grande burguesia e o número de proletários sobe numa progressão geométrica em relação ao avanço da industrialização da produção de mercadorias.

Com o avanço da manufatura, e ainda mais com a indústria, a pequena-burguesia perde o status de donos da cidade (os burgueses, por definição) e passam a ser periféricos, uma sombra da burguesia. Entretanto, ideologicamente, esta classe, já empobrecida e desprivilegiada, mantém a pompa e o orgulho burguês.

“O comércio e a manufaturara criaram a grande burguesia, enquanto nas corporações concentravam a pequena-burguesia. Que então já não dominava mais nas cidades como antes, mas tinha que se curvar ao domínio dos grandes comerciantes e manufatureitos.” (Marx;Engels, 2007. p. 57)

Durante a Revolução Francesa, a pequena-burguesia toma a vanguarda do movimento. Se torna revolucionária, radical, contra os desmandos da nobreza. Apoiam o partido jacobino, buscando alçar o poder através do domínio do Estado. Entretanto, acabam cedendo à burguesia e retomam seu papel periférico, disputando com o lumpemproletariado os espaços que restaram nas cidades.

Esta constante insegurança faz da pequena-burguesia um caldeirão ideológico, de onde saem os intelectuais da burguesia e, em número bem menor, também intelectuais comprometidos com o proletariado. Isto se deve ao fato da pequena-burguesia ser a fração mais letrada da sociedade, pois necessita de conhecimentos para manter seus negócios. Ao contrário do burguês que vive tão somente da mais-valia, muitos pequeno-burgueses têm que trabalhar, seja gerindo seus negócios, como sendo profissionais liberais (advogados, professores universitários, engenheiros, médicos, entre outros poucos ofícios que mantiveram o status de profissão liberal, ou seja, a condição econômica que permite que vivam como pequeno-burgueses.

Como membro de uma classe intermediária, o pequeno-burguês luta para alçar a posição de classe dominante (burguês, strito sensu), entretanto, vive sob o medo de tornar-se aquilo que mais abomina: o trabalhador assalariado (o proletário).

Em meio a crise economia, a pequena-burguesia tende a radicalizar-se, geralmente ao lado da burguesia, pois mais do que do dinheiro, o pequeno-burguês vive do status de ser superior aos trabalhadores, gabando-se da sua posição na divisão intelectual do trabalho. E pretende a todo custo manter os mais pobres em seu devido lugar.

Entretanto, desde a ascensão do capitalismo, a pequena-burguesia se proletarizou, como dizem Marx e Engels (2001):

A burguesia despojou de sua auréola todas as atividades até então reputadas veneráveis e encaradas com piedoso respeito. Do médico, do jurista, do sacerdote, do poeta, do sábio fez seus servidores assalariados.

Logo, a grande maioria dos que se acham pequeno-burgueses vive apenas de um passado que nunca viveu. Vivem alienados em uma construção ideológica chamada de Classe Média.

Marilena Chauí define acertadamente a classe média como uma bobagem sociológica, pois não define nada. A classe média é um mito. Ela critica veementemente a propaganda governamental que impõe ideologicamente o conceito de nova classe média ao proletariado que alcançou níveis mais altos de consumo, se comparando à pequena-burguesia.

É a sociologia, sobretudo a de inspiração estadunidense, que introduz a noção de classe média para designar esse setor socioeconômico, empregando, como dissemos acima, os critérios de renda, escolaridade, profissão e consumo, a pirâmide das classes A, B, C, D e E, e a célebre ideia de mobilidade social para descrever a passagem de um indivíduo de uma classe para outra. (CHAUÍ, 2013)

Assim, segundo Chauí, o proletariado não estava entrando na classe média, estava sendo introduzido na sociedade de consumo, se misturando neste (único) ponto à pequena-burguesia, fruto da política social-democrata promovida pelos governos do PT. Para ela surge sim uma nova classe trabalhadora, ampliada através do alcance de direitos sociais.

A fala de Marilena Chauí no lançamento do livro sobre os 10 anos dos Governos Lula e Dilma foi criticada duramente pela direita, que postou diversas vezes uma fala descontextualizada e até por uma “esquerda” social-democrata, que se prendeu aos vídeos da direita e nem teve o trabalho de tentar entender o contexto (I). Pois, Marilena diz:

“Eu odeio a classe média. A classe média é atraso de vida. A classe média é estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. (…) A classe média é uma abominação política, porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética, porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante.” (II)

Neste ponto, Marilena Chauí se remete ao conceito de pequena-burguesia como classe média, a pseudo-elite preconceituosa, empobrecida e ideologicamente mais próxima do lumpemproletariado do que, como acha, da burguesia.

Assim sendo, o conceito de classe média não nos serve. Apenas nos remete à confusão entre a definição da decadente pequena-burguesia (que se mistura com o lumpemproletariado, na proliferação ideológica de extrema direita) com a definição de proletariado (que abarca todos os trabalhadores assalariados, incluindo os trabalhadores improdutivos que antes eram profissionais liberais).

REFERÊNCIAS:

CHAUÍ, Marilena. Uma nova classe trabalhadora. In: SADER, Emir. (org.).10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma / — São Paulo, SP: Boitempo; Rio de Janeiro: FLACSO Brasil 2013.

MARX, K.; ENGELS, F. A ideologia Alemã: crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feurbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas. São Paulo: Boitempo, 2007.

MARX, K.; ENGEL, F. Manifesto Comunista. São Paulo: CPV, 2001.

(I) http://www.socialistamorena.com.br/marilena-chaui-errou-em-atacar-a-classe-media/

(II) https://www.youtube.com/watch?v=FeP4rWe0zdw