Re-Pa: a final esperada

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC entrou com a vantagem folgada de 3 a 1 no cruzamento com o Águia, podendo até perder por um gol de diferença e talvez por isso não tenha se atirado à partida no nível de intensidade que uma semifinal exige. A classificação era dada como certa desde o final do jogo em Marabá e a partida de ontem confirmou essa expectativa.

O placar de 2 a 0 resultou mais dos muitos descuidos defensivos do Águia do que propriamente de uma ação organizada por parte do PSC. O primeiro tempo transcorreu em ritmo lento, quase de treino, com erros na construção de jogadas e poucas oportunidades de gol.

Com a necessidade de reduzir a diferença de dois gols, o Águia ia ao ataque, mas não encaixava as tentativas de aproximação. O melhor momento foi com Luan Parede completando cruzamento de Levy, aos 6 minutos. Aos 15’, um lance assustou a zaga do Papão: Adauto disparou chute alto que bateu na trave e resvalou no ombro do goleiro Elias.

A primeira boa chance do PSC foi com Ricardinho. Lançado na área, mas perdeu o tempo da bola diante do goleiro Zé Carlos. O gol de abertura saiu em contra-ataque puxado por Polegar, aos 17’. Ele avançou até a intermediária, observou Danrlei se descolando da marcação e deu o passe na medida para o centroavante entrar na área e bater para as redes.

Nem deu tempo de aumentar a pressão, pois Danrlei se contundiu minutos depois e teve que deixar o gramado. Foi substituído por Henan, que não acompanhava as tentativas de José Aldo e Marlon junto à área.

Apesar do impacto causado pelo gol, o Águia seguia com disposição para tentar abrir espaços na defensiva do PSC, mas esbarrava nas indecisões de seus atacantes e meias. Luan Parede permaneceu o resto da primeira etapa isolado, sem ser acionado pelos companheiros.

Aos 27’, nova chegada do Águia: Adauto cobrou outra falta, a bola tocou na barreira e quase surpreendeu o goleiro bicolor. Aos 35’, Ricardinho finalizou em direção à área e José Aldo não chegou a tempo de completar.

Márcio Fernandes aproveitou o intervalo para fazer trocas e poupar alguns titulares para a decisão com o Remo. Saíram João Paulo, Ricardinho e José Aldo para a entrada de Patrick Brey, Bileu e Robinho. A intensidade, que já não era alta, diminuiu ainda mais.

Diante do posicionamento meio largado do PSC, o Águia criou algumas situações dentro da área, com Flamel, Adauto e Luan Parede tentando chegar ao gol. Flamel ameaçou em cobrança de falta, mas, aos poucos, a situação voltou a ser bem controlada pelos bicolores.

Aos 45’, Robinho driblou dois marcadores, entrou na área pelo lado direito e viu Henan livre na pequena área. Cruzou sob medida, como quem diz: “Faz!”. Henan só cumprimentou de cabeça para o fundo do barbante. Foi o seu primeiro gol com a camisa do Papão após 10 partidas.

Nos acréscimos, Robinho ainda teve chance de fazer o terceiro gol, mas bateu para fora. O jogo chegou ao fim com a sensação de que a classificação foi mais fácil do que o PSC poderia esperar, anotando duas vitórias incontestáveis nos dois jogos – 5 a 1 no placar agregado. O jogo foi, no fim das contas, um bom treino para a final diante do Remo. 

Arbitragem nativa faz feio e está fora da decisão

Os apitadores paraenses terão que se contentar com a disputa do terceiro lugar do Parazão entre Águia e Tuna. Sim, para o banquete principal, a decisão do título estadual, entre PSC e Remo, a arbitragem será de fora. O martelo deve ser batido hoje. Dirigentes da dupla Re-Pa sinalizaram ontem que preferem arcar com os custos da vinda de trios de outros Estados a ter que conviver com os erros primários cometidos pelos apitadores nativos, principalmente nas fases de mata-mata do campeonato.

A bem da verdade, ninguém pode culpar os clubes por essa opção. Afinal, todos estão preocupados em resguardar seus interesses e a arbitragem é item fundamental em qualquer final.

O despreparo dos árbitros locais ficou patente em vários jogos das quartas de final e das semifinais. Na partida entre Caeté e Remo, o árbitro Marcos José de Almeida errou ao não dar um pênalti sobre Bruno Alves e errou de novo ao marcar um penal inexistente em favor do Remo.

No confronto entre PSC e Tapajós, no estádio do Souza, o árbitro Joelson Nazareno Cardoso ignorou um pênalti sobre Marlon e uma falta de Yure no início da jogada que levou ao gol da vitória do Papão. Na partida de volta, na Curuzu, Dewson Freitas deixou de expulsar dois jogadores do Tapajós por agressões a José Aldo e Danrlei.

Anteontem, na semifinal entre Remo e Tuna, no Baenão, Djonaltan Costa de Araújo teve atuação desastrosa, com influência direta no placar. Permitiu o antijogo e deixou a pancadaria correr solta, além de avalizar a marcação equivocada da assistente Bárbara Costa Loiola (Fifa), que anulou gol legal de Brenner, logo aos 3 minutos.

Tribuna do torcedor

“Assistindo este calejante jogo PSC x Águia. Bileu, Mikael, Patrick Brei, Dênis Pedra, Henan figuram entre os piores jogadores deste campeonato que já vai tarde. Com esses plantéis, a Série B é um sonho difícil. Não consigo imaginar fórmulas para tentar melhorar o nível deste campeonato. 

O Governo do Estado financia, a imprensa dá a maior força, mas o trem é lerdo, sem motivações, sem revelações, sem perspectivas. O único jogador que me chamou alguma atenção foi um certo (Emerson) Bacas, do Bragantino, que não sei onde vai parar”. Aldo Valente, torcedor (bicolor) desencantado

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 31)

Emoção até o último instante

POR GERSON NOGUEIRA

A decisão da semifinal do Parazão foi mais emocionante do que o previsto. O Remo impôs intensidade desde os primeiros movimentos, ocupou espaços e cercou a área tunante com troca de passes rápidos e jogadas em velocidade. Perdeu um caminhão de gols tanto no primeiro quanto no segundo tempo. Como as leis implacáveis do futebol são implacáveis, o desperdício custaria caro ao Leão. A Tuna fez seu gol e provocou a série de penalidades, afinal vencida pelos azulinos.

Em ritmo de alta velocidade, o jogo começou quente. O primeiro ataque azulino terminou com a bola nas redes, mas o lance não valeu. Aos 3 minutos, Erick Flores cruzou para a área, Laílson tocou de cabeça para Brenner e este completou para o gol. A auxiliar Barbara Loyola entendeu, erradamente, que a bola havia transposto a linha de fundo.

O Remo não se abalou e seguiu atacando. Marco Antonio perdeu um gol de cara, aos 6’. O time perdeu qualidade no meio com a saída de Erick Flores, que saiu lesionado e foi substituído por Ronald, que passou a atormentar o lado direito da Tuna, ajudando a criar chances seguidas.

Aos 24’, Laílson cruzou, Bruno Alves cabeceou na trave e a bola voltou nas mãos do goleiro Victor Lube. Aos 32’, Curuá lançou Ronald em contra-ataque, este passou para Brenner, que estava sozinho no meio da grande área. Ele dominou, escolheu o canto e mandou para fora.

Aos 32’, Bruno Alves recebeu passe dentro da área, finalizou e Victor Lube fez boa defesa. A bola sobrou para Marco Antônio, mas o chute acertou o zagueiro Lucão em cima da linha. Três minutos depois, Brenner disputou com a zaga e cabeceou rente ao travessão.

No segundo tempo, repetindo a mesma postura da primeira etapa, o Remo começou logo apertando com Marco Antônio, que recebeu lançamento de Marlon e entrou na área driblando. A finalização saiu à meia altura, mas Vítor Lube espalmou para escanteio.

Logo em seguida, dois lances chamaram atenção. Cruzamento alto na área da Tuna teve empurrão no atacante Brenner e, em seguida, após bola lançada por Paulinho Curuá a bola resvalou no braço do zagueiro Lucão.

A arbitragem tinha dificuldades em conter as reclamações dos jogadores da Tuna. Chegou ao ponto de uma falta ser cobrada com jogador a menos de três metros da bola. Diante disso, o jogo ficou violento e feio. 

Aí veio o lance fatal, aos 31′. Em um raro ataque tunante, Jayme cruzou na área e achou Paulo Rangel. O centroavante dominou com o pé direito e, mesmo cercado por dois zagueiros, chutou no canto esquerdo para fazer o gol da vitória.

A decisão foi para as penalidades, como no ano passado, mas o resultado desta vez favoreceu o lado azulino, por 4 a 2. Vinícius, como na final da Copa Verde, saiu consagrado ao defender duas penalidades e garantir o Leão na final.

Craque da escrita, Palmério teve seus dias de boleiro

Ao contrário do que informei domingo no Bola na Torre, em papo com o amigo Guilherme Guerreiro, o craque Palmério Dória não jogou no time dente-de-leite do Papão. O amigo Nelson Maués me repassou por mensagem o esclarecimento feito por Valdemar, irmão do nosso personagem: Palmério foi juvenil do Remo e, depois, levado por Adalberto Chady, passou a defender as cores alvicelestes.

Ficou um tempo no futebol e depois migrou para o futebol de salão. Nessa época, viajou a Fortaleza para um torneio nacional, mas ficou na reserva. Como Valdemar curtia férias por lá, Palmério passou uns dias na capital cearense e acabou convidado para jogar no juvenil do América-CE.

Abafou nos jogos, pegando até pensamento e ganhando elogios da imprensa esportiva. Convidado para permanecer, preferiu voltar para Belém, onde ainda jogou vôlei pelo PSC antes de mergulhar por inteiro na labuta jornalística, onde se consagrou em definitivo.

Segundo Nelson, Palmério costuma contar sobre os tempos de juvenil do Remo. Certa vez, foi ao Apeú enfrentar um selecionado adulto de lá. Como é comum no interior, havia uma aparelhagem irradiando a partida. O narrador citava o nome dos jogadores do Apeú e os números dos atletas azulinos, meio assim: “O 4 entrega pro 8, que dribla e lança para o 10…”.

Palmério era o goleiro e ficou fazendo cera porque o Remo vencia o amistoso. De repente, o narrador passou a incitar os torcedores para invadir o campo e baixar o cacete nos remistas. E foi o que aconteceu. Entre os que tomaram uns tabefes estava Palmério, que era o mais visado por causa da catimba. O narrador gritava: “Pega o loiro, pega o loiro!”.

Histórias que os compêndios do futebol paraense não contam, mas que a coluna faz questão de publicar em respeito ao goleiro Palmério, que pendurou as chuteiras bem a tempo de sair para abrilhantar o jornalismo brasileiro.

Mesmo na altitude, Seleção de Tite quebra recorde

A Seleção Brasileira conseguiu uma vitória acachapante sobre a Bolívia, pela 18ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, no em La Paz, estabeleceu um novo recorde na pontuação do torneio. O time de Tite envolveu totalmente os adversários e não pareceu se incomodar com o problema decorrente da altitude.

Depois de um ritmo lento no começo, dosando energias, o time foi se soltando e os gols surgindo. Lucas Paquetá, Richarlison (duas vezes) e Bruno Guimarães construíram a goleada.

Com o triunfo, a Seleção Brasileira alcançou os 45 pontos e quebrou o recorde de melhor campanha da história das Eliminatórias Sul-Americanas no formato atual. Até então, a Argentina, no ciclo para a Copa de 2002, havia somado 43 pontos e tinha a melhor marca.

O excepcional desempenho do escrete nas Eliminatórias conquista elogios gerais, mas não garante nada em relação ao que o Brasil vai mostrar daqui a sete meses no Qatar. Pelo contrário, em 2018, já sob o reinado de Tite, a fulgurante fase de classificação não impediu o fiasco em gramados russos. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 30)

Ufa! Portugal vence Macedônia e garante vaga na Copa do Qatar

Cristiano Ronaldo vai disputar sua última Copa do Mundo. A seleção de Portugal fez seu dever de casa na tarde de hoje (29), venceu a Macedônia do Norte por 2 a 0 no Estádio do Dragão e garantiu lugar na Copa do Qatar. Bruno Fernandes fez os dois gols que espantaram a zebra que havia derrubado a Itália na repescagem das Eliminatórias Europeias.

De certa forma a classificação vem “atrasada” para Portugal, que havia perdido a vaga direta na Copa por causa de dois tropeços seguidos nas rodadas decisivas das Eliminatórias. Agora os portugueses aguardam o sorteio da sexta-feira (1º), no qual compõe o pote 1, para conhecer seus adversários na fase de grupos do Mundial.

Municípios do Pará sofrem impacto dos incêndios florestais na Amazônia

Quatro cidades do Pará estão entre os municípios que mais sofrem impacto dos incêndios florestais no Brasil. Cumaru do Norte, São Félix do Xingu, Santa Maria das Barreiras e Santana do Araguaia estão entre os 40 municípios onde o impacto do fogo é mais alto. Os incêndios não são naturais e tendem a se agravar com a expansão da agropecuária e mudanças climáticas

Os incêndios florestais vêm aumentando ao redor do mundo. Nos últimos anos, queimadas descontroladas devastaram extensas áreas do Pantanal, Amazônia e Cerrado. O aumento dos incêndios florestais no Brasil parece estar associado a uma combinação entre as mudanças climáticas e o aumento do desmatamento devido ao enfraquecimento das políticas ambientais. No novo estudo Determinants of the impact of fire in the Brazilian biomes, publicado na Frontiers in Forests and Global Change, pesquisadores do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) investigaram as causas dos incêndios nos biomas brasileiros, seus impactos na vegetação nativa e tendências futuras. O estudo quantifica a influência dos fatores climáticos, uso da terra, desmatamento e vegetação seca, que atua como combustível ao fogo, na ocorrência de incêndios na Amazônia, Pantanal, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

Ao contrário do que foi especulado durante os incêndios de 2020, a presença de gado é um fator estatisticamente associado aos incêndios de grande impacto no Pantanal e no Cerrado, descontruindo assim a lenda do “boi bombeiro”, aventada pela ministra Teresa Cristina, que afirmou que um rebanho bovino maior poderia ter feito diminuir a dimensão dos incêndios no Pantanal, porque comeria o capim nativo ou plantado, impedindo que se transformasse em material altamente combustível. A ministra, enquanto deputada federal em 2016, já havia apresentado o Projeto de Lei 4508/2016 para permitir que o boi adentre nas áreas de reserva legal (originalmente dedicadas à conservação) por seis meses ao ano.

No entanto, novamente a ciência brasileira desfaz falácias utilizadas para influenciar a política nacional. Segundo o estudo, no Cerrado e no Pantanal, o histórico de incêndios de grande impacto mostra que eles ocorrem em áreas de vegetação nativa, comumente em Unidades de Conservação próximas a propriedades rurais que possuem maiores rebanhos bovinos e, principalmente, nas quais ocorreu desmatamento recente. Logo, o desmatamento para a produção agropecuária e o uso do fogo para rebrota de pasto são as principais causas dos incêndios, que se iniciam em propriedades privadas, escapando em seguida para as áreas de vegetação nativa das Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Ou seja, embora no Pantanal a presença de vegetação seca influencie a propagação do fogo, o uso da terra, incluindo a pecuária, o desmatamento e o clima são os fatores principais que explicam 78% da ocorrência de grandes incêndios. Com base nessas evidências o Prof. Raoni Rajão, coautor do artigo, afirma que: “É essencial guiar as políticas públicas com base na ciência. Fica claro que permitir o uso das reservas legais para o pastoreio não irá contribuir para a redução dos grandes incêndios, mas sim degradar ecossistemas frágeis”.

Ao mesmo tempo, as Unidades de Conservação no Cerrado são sistematicamente alvo de incêndios criminosos, registrando, frequentemente, grandes queimadas apesar da presença de brigadas e de programas de prevenção de fogo em algumas delas. Na Amazônia, as queimadas estão inerentemente relacionadas ao desmatamento ao longo da fronteira agrícola. Contudo, suas Unidades de Conservação e Terras Indígenas são ainda pouco afetadas pelos incêndios de grande impacto, funcionando como um “escudo verde”, mesmo diante da carência de fiscalização.

O estudo concluiu, assim, que os grandes incêndios não são naturais, tendo causa majoritariamente humana; porém, um clima mais quente e seco tem agravado em muito as queimadas. Nas palavras do Prof. Britaldo Soares-Filho, coautor do artigo: “isso tende a se tornar o novo normal”. O estudo também mostrou que a vegetação nativa, sobretudo as formações florestais em todos os biomas, está sendo fortemente impactada pelo fogo, perdendo, como resultado, sua capacidade de regeneração devido à recorrência do fogo. Por exemplo, nos 20 anos examinados pelo estudo, 45% do Pantanal, 34% do Cerrado e 9% da Amazônia pegaram fogo pelo menos uma vez.

A tendência, com as mudanças climáticas e com a expansão agropecuária, é que a maior parte do Cerrado, Pantanal e Amazônia sofram com incêndios mais intensos e vastos. Em algumas regiões do Cerrado poderão ocorrer incêndios até cinco vezes mais intensos. Segundo Dr. Ubirajara Oliveira, líder do estudo: “isso tornará o trabalho das brigadas de fogo cada vez mais difícil. Será necessária a intensificação da fiscalização visando a coibição dos causadores de incêndios, aliada ao maior investimento em programas de prevenção e combate de fogo”. Apesar dos recentes cortes no orçamento federal para esses fins, o Brasil hoje dispõe de um sistema inédito mundialmente de previsão de incêndios para o Cerrado desenvolvido pela UFMG em parceria com INPE. Inovações da comunidade científica, como essa, demostram a resiliência da sociedade civil brasileira em desenvolver soluções em prol do meio ambiente, mesmo em um cenário atual de desmonte da ciência nacional e políticas socioambientais.

Vídeo de divulgação: aqui

(Imprensa Approach Comunicação)