Archive for março, 2014

A mentira que consagramos

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Por Daniel Malcher

É verdade que cinquenta anos se passaram. Verdade não, é mais do que isso. É um fato atestado pelo calendário pinçado nos cantos inferiores direitos das telas de computadores e nas margens superiores dos jornais impressos, bem abaixo de seus pomposos nomes.
Não somos como éramos há cinquenta anos. É verdade. Verdade não, talvez seja uma meia verdade. Já explico. Pois vamos aos fatos.
Sabe-se que há cinquenta anos uma das mais tacanhas ditaduras instaurou-se nos trópicos. Revolução para alguns, golpe para outros, contra-revolução para todos. Enganou-se (e engana-se) quem acreditava que os milicianos depuseram um governo constitucionalmente legal para “salvar o país” de todos os males que o assombravam: inflação, alta dos preços, precária infraestrutura, corrupção política, o “esgarçamento da sagrada instituição da família”, o ateísmo, a reforma agrária capitaneada por levantes “insurrecionais” e, claro, o “perigo vermelho”, o supremo medo a assolar nove a cada dez países no período pós guerra.
É duro dizer, mas há cinquenta anos, talvez tenhamos deixado de avançar no mínimo um período equivalente a uma geração (por volta de vinte e cinco anos) em questões que tanto afligiam (e ainda afligem) a vida cotidiana nacional. A democracia deixou de ajustar-se aos interesses nacionais. Pior, foi estrangulada. A melhoria da infra-estrutura necessária à economia do país e à geração de riquezas e ao fomento de serviços no campo e nas cidades foi relegada ao último plano em nome de um modelo de desenvolvimento que tornou o país mais dependente do capital externo e que propiciou aos estrangeiros o conhecimento de uma região que nós, ao coroarmos as patentes, fizemos questão de não conhecer. Aliás, esquecemos que ela também é Brasil. Não nos enganemos: tem gringo que por obra e graça dos homens fardados conhece a Amazônia melhor do que nós mesmos. Nossas ferrovias, que poderiam ser úteis na integração de nosso território e no escoamento de produtos e insumos que poderiam abastecer de forma mais efetiva a crescente demanda de consumo interno, bem como reduzir os custos do transporte de mercadorias e barateando preços ao consumidor foram solapadas pela vocação modernizante das quatro rodas. A indústria de automóveis e os grandes grupos de exploração do petróleo e beneficiamento de derivados como os combustíveis, aliados do planalto desde JK, tornaram-se amigos íntimos do pessoal de cinco estrelas e óculos escuros. Ou vocês acham que foi por plena obsolescência que desativaram a estrada de ferro Belém-Bragança, não por coincidência colocada fora de operação em 1965, um ano após os fardados tomarem o cetro? A educação pública precarizou-se a partir dos anos 70. O acesso à saúde, embora fortemente controlado pelo estado, piorou deveras.
Mas, como tão brilhantemente foi abordado pelas historiadoras Denise Rollemberg e Samatha Viz Quadrat em “A construção social dos regimes autoritários”, falar do que ocorreu há cinquenta anos é necessário. Desde que para além da dicotomia resistência versus opressão, do maniqueísmo entre bem versus mal. Torturas, assassinatos sumários, estupros, censura, perseguição política e o rolo compressor sobre os movimentos sociais, sindicais e trabalhistas foram chancelados por todos. O “medo” do “perigo vermelho” deu aos militares a cabeça de Jango em uma bandeja de prata. Lembram dos que se enganaram com o salvacionismo militarista citados acima? Pois é… este é o às na manga do discurso triunfalista dos generais instaurado em 1964. E da direita política que os apoiou.
Agora posso explicar o que deixei pra depois. Desde então, forjou-se no imaginário político e social nacional a marginalização e a estigmatização de movimentos sociais e da classe trabalhadora e estudantil. “Estudante tem que estudar” não é o que dizia o “filósofo” Erasmo Dias? Isto posto, logo, agricultor tem que arar a terra, e trabalhador tem que trabalhar. Greve? Vagabundagem. Bandido bom? Bandido morto…
Estes discursos ainda tem eco, reverberam. As chamadas “jornadas de junho” do ano passado mostraram grupos numerosos que ainda se aglutinam em torno destes acintes. Não somos como éramos há cinquenta anos. Mas a simpatia que tais “verdades” consagradas há meio século ainda conseguem arregimentar tornam esta assertiva uma meia verdade. Só sei de uma coisa: 31 de março de 1964 foi uma mentira.

31 de março de 2014 at 21:26 1 comentário

Talento brasileiro premiado pela propaganda mundial

fup20130527343O publicitário Washington Olivetto terá a sua carreira premiada durante a 55° cerimônia do Clio Lifetime Achievement Award, um dos principais festivais internacionais de publicidade, que acontecem em outubro em Nova York.
Olivetto receberá o Lifetime Achievement Award deste ano. A honra celebra as marcantes contribuições criativas realizadas por profissionais que abriram caminhos para os novos talentos na publicidade. O lendário criativo e ícone da publicidade mundial receberá a maior honra da indústria da publicidade na 55° edição do Clio.

“Por décadas, o trabalho do Washington tem levado criativos brasileiros para o mundo, como também uma mentalidade mais sofisticada de publicidade global para o mercado brasileiro. Desafiando a contradição, ele é ao mesmo tempo um publicitário clássico e um pioneiro radical”, destacou Nicole Purcell, vice-presidente executiva do Clio Awards.

Olivetto já venceu o Grand Prix do Clio Awards na categoria filme em 2001, com um comercial para a revista Época. Os organizadores do prêmio destacaram no anúncio que Olivetto é o nome da publicidade com mais citações no Google na América Latina.

31 de março de 2014 at 21:22 Deixe um comentário

E mestre Caetano encontra o açaí…

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O cantor e compositor Caetano Veloso, em visita ao Point do Açaí, no sábado, provando uma das riquezas do Pará.

31 de março de 2014 at 21:06 6 comentários

English Team apresenta novo uniforme

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A seleção da Inglaterra lança uniforme para a Copa do Mundo tomando como referência as campanhas do English Team nas Copas de 1966 e 1970.

31 de março de 2014 at 20:20 1 comentário

Folha admite que errou em apoiar o golpe

Do Comunique-se

Num momento em que, de acordo com a Folha, o “regime militar tem sido alvo de merecido e generalizado repúdio”, o impresso resolveu admitir que o apoio à ditadura foi um erro, mas reforçou que as opções então “se deram em condições bem mais adversas que as atuais”. O assunto foi tratado em editorial publicado nesse domingo, 30.

--0-----0----folhaEm 18 parágrafos, a Folha falou, em primeiro momento, sobre as diferentes fases do regime militar e em como o país mudou nos últimos 20 anos. “A economia cresceu três vezes e meia. O produto nacional per capita mais que dobrou. A infraestrutura de transportes e comunicações se ampliou e se modernizou. A inflação, na maior parte do tempo, manteve-se baixa”.

Sobre o apoio, afirmou que não há dúvidas de que foi um erro. “Às vezes se cobra, desta Folha, ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro. Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais”.

O diário termina o editorial ressaltando, porém, que, à época, todos agiram como lhes pareceu melhor ou inevitável. “É fácil, até pusilânime, porém, condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos, exercidas em condições tão mais adversas e angustiosas que as atuais”.

Outros apoiadores
Do ano passado para cá, outros dois grupos de comunicação se pronunciaram sobre o tema ditadura e afirmaram que apoiaram o golpe de 1964. Em setembro, a Globo transmitiu pelo ‘Jornal Nacional’ editorial sobre o assunto. Pela voz de William Bonner, parte do texto publicado em O Globo foi reproduzido na TV.

Não só em nome do jornal, o editorial garantiu que há anos as Organizações Globo definiram, internamente, que a defesa do golpe militar foi ação equivocada. “Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: ‘A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura’. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura”, avalia O Globo ao explicar que a decisão de revelar – de forma direta – o apoio ao começo do regime ditatorial foi definida há tempos para o lançamento da página de lembranças da publicação.

Em maio de 2013, quando Ruy Mesquita faleceu, o Estadão publicou texto revelando que o diretor do grupo foi defensor do golpe de 1964, mas que se opôs aos militares ao perceber o real cenário político da época. “Reuniu-se com militares antes do golpe de 1964, que apoiou, em nome da defesa da democracia, mas, assim como seu pai e seu irmão, também passou a criticar a ditadura, uma vez instalada”.

31 de março de 2014 at 20:10 1 comentário

O passado é uma parada…

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A atriz Audrey Hepburn no Congo, em 1958.

31 de março de 2014 at 20:05 2 comentários

Para os sem memória

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31 de março de 2014 at 20:01 1 comentário

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