A caminho da Copa

Amigos, sumanos e baluartes do blog, tenho o prazer e a honra de informar que a Fifa aprovou o meu credenciamento e irei cobrir (pela terceira vez) a Copa do Mundo. Ponto alto da carreira de qualquer jornalista esportivo, a cobertura do Mundial será novamente prioridade para o grupo RBA (jornal DIÁRIO DO PARÁ, Rádio Clube do Pará e RBATV). Estarei, junto com competente equipe, cobrindo os passos da Seleção Brasileira em busca do hexa. Abaixo, a transcrição do comunicado oficial da entidade:

2014 FIFA World Cup Brazil™

Dear Gerson Nogueira Rodrigues NOGUEIRA,

We are pleased to inform you that your application for media accreditation to the 2014 FIFA World Cup Brazil™ has been approved.

The attached PDF document is your official approval letter. Please print and bring the attached letter, together with proper identification, to the accreditation centre in order to collect your accreditation badge.

Sincerely,
FIFA and LOC Media Team

2014 FIFA World Cup Brazil

Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™

Prezado(a) Gerson Nogueira Rodrigues NOGUEIRA,

É um prazer informá-lo que seu pedido de credenciamento para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™ foi aprovado.

O arquivo em PDF em anexo é a sua carta oficial de aprovação. Por favor, imprima e leve a carta em anexo, juntamente com um documento de identificação (com foto), ao centro de credenciamento para receber a sua credencial.

Atenciosamente,
Equipe de Imprensa da FIFA e do COL

Da nova era dos meias

Por Gerson Nogueira

O papel desempenhado pelos meias é talvez a maior transformação vivida pelo futebol moderno. Quase todos os grandes times do mundo se sustentam no aspecto ofensivo da movimentação de seus armadores. Alguns, mais afortunados, conseguem jogar com dois e até três jogadores nessa função, garantindo presença permanente na área inimiga e chances reais de gol. No Brasil, nem sempre essa importância é observada, a ponto de a Seleção contar com poucos jogadores capazes de executar a tarefa exigida de um organizador.

Não é tão simples como parece, principalmente depois desse processo de mudança. Antigamente, esperava-se que o armador tivesse fôlego e qualidade na distribuição, além de visão privilegiada para fazer a bola chegar aos melhores endereços do campo. Hoje, além desses atributos, precisa se movimentar de um campo a outro, oferecer alternativas aos companheiros e participar diretamente das ações ofensivas.
Atentos à marcação duríssima das linhas de zagueiros, treinadores mais antenados começaram a ver no avanço dos meias a oportunidade para furar o bloqueio. Até equipes que empregam um estilo mais de força, como o Chelsea, jogam hoje com um atacante especialista, secundado por três jogadores criativos em aproximação constante – caso, Samuel Etoo, acompanhado de perto por Oscar, Hazar e Lampard. O poderoso Barcelona executa uma variação interessante, usando Messi (ou Neymar) adiantado, sob escolta de Xavi, Iniesta e Pedro.

O destaque dado aos meias tem o efeito paralelo e salutar de qualificar os volantes, pois é necessário que os jogadores que fazem a contenção também saibam passar corretamente. Não há lugar para o mero destruidor, que não consegue executar passes de três ou cinco metros. Quem vive a depender de volantes conservadores está condenado a ser superado por equipes mais bem estruturadas ofensivamente.
O próprio Oscar, que no Brasil era um meia clássico, voltado para passes longos e jogando quase parado na faixa do meio-campo, tornou-se um dínamo nas mãos de José Mourinho no Chelsea. Carrega o jogo quando necessário, cadencia ou acelera conforme o momento, mas não guarda posição fixa e muitas vezes se arrisca a marcar também. Talvez isto explique porque ganhou a camisa 10 do escrete e é nome certo para a Copa do Mundo.
Grandes meias do passado – Zenon, Neto, Pita, Palhinha, Geovani e Raí – jogavam atrás, municiando os homens de frente, ou tornavam-se pontas-de-lança, trabalhando ao lado do centroavante. Este novo cenário remete de imediato a dois jogadores, um consagrado mundialmente e outro que ainda não vingou: Rivaldo, mais importante jogador do Brasil na Copa do Mundo de 2002, que antecipou a tendência, movimentando-se com inteligência e tirocínio tanto na Seleção quanto nos clubes. E Paulo Henrique Ganso, grande revelação de 2010 que se tornou antigo e ultrapassado nos últimos quatro anos. Histórias separadas por um abismo determinado pela capacidade de participação do primeiro e pelo crônica acomodação do segundo.   

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Um rebelde com causa
unnamed (91)E um dos mais talentosos meias surgidos no futebol paraense briga na Justiça pela chance de mostrar seu futebol. O garoto Rodrigo, grande expoente do Remo na Copa do Brasil sub-20, cansou de esperar uma oportunidade no time titular e decidiu procurar um clube que lhe valorize. A confusão está criada e lembra a cruzada de Afonsinho, meia que inaugurou a rebeldia (com causa) no futebol brasileiro. O atleta vai à Justiça, por entender que precisa assegurar seus direitos. O clube mantém a posição de endurecer negociação e dificultar sua transferência.
Nas alegações do pai e procurador de Rodrigo, a reivindicação de salários e benefícios não respeitados soma-se às queixas pela falta de oportunidades. Depois do torneio sub-20, Rodrigo não teve chance de mostrar seu futebol refinado sequer no limitadíssimo campeonato estadual, cujo nível técnico permite experimentar revelações.
O mais irônico é que o Remo vive se atrapalhando em campo pela ausência de talento criativo no meio-de-campo. O titular do setor, Eduardo Ramos, até hoje não convenceu e a torcida cobra consistência no setor. Rodrigo, que podia ser testado ali, não entra nem na lista de suplentes. Seu grito de liberdade talvez tenha o efeito de fazer com que dirigentes e comissão técnica do Remo olhem mais para os garotos saídos da base.
O discurso é velho, mas a esperança sempre se renova.
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Papão e Leão em jornadas arriscadas
Contra o Paragominas, na Curuzu, o Paissandu tenta se manter vivo na classificação do returno. Na luta para chegar ao título estadual, o time acumula quatro pontos e não pode tropeçar em casa. Ao mesmo tempo, precisa poupar os titulares para o clássico decisivo de domingo pela Copa Verde. Entre as duas competições, Mazola optou por priorizar a segunda, assumindo os riscos no confronto pelo Parazão.
Em Castanhal, diante do Santa Cruz, o Remo terá desafio ainda mais indigesto. Com apenas um ponto no segundo turno, não pode se distanciar dos ponteiros. Mesmo precisando poupar peças para o Re-Pa, não pode se dar ao luxo de lançar um time reserva, pois a derrota teria efeito desastroso na semana decisiva da Copa Verde.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 19)

Tribuna do torcedor

Por João Lopes Jr. (englopesjr@gmail.com)

Prezado Gerson,

Ante ao mais do mesmo de domingo, pelo lado azulino, o que não posso ignorar é o posicionamento dos meias Eduardo Ramos e Athos. Um e outro não são equivalentes, aliás, são bem diferentes. Poderiam ser complementares. O curioso é que cada um tem procurado um posicionamento que não parece ser o seu. Ramos, recuado, Athos, avançado. Vez ou outra eles invertem o posicionamento e melhoram. Ramos parece ir melhor quando joga mais próximo da área, na ilharga dos atacantes e laterais, mas Ratinho também faz isso muito bem. Athos parece mais a vontade no meio, iniciando as jogadas por ali próximo dos volantes. E ele funciona bem como um elemento surpresa, assim como o Jhonnatan, vindo de trás, ele aparece perigosamente para concluir jogadas, pelo meio, de trás, tabelando, cara a cara com o goleiro. É curioso observar que mesmo o Jhonnatan, o melhor jogador do Remo nos últimos anos, caiu de produção na era CG/Agnaldo. Alguma coisa está errada. Analiso o fraco desempenho de Leandrão como um sintoma do conjunto. Atacante de área, tem recebido poucas bolas em condições de arremate. Pense no Val Barreto, que tem a seu favor a explosão muscular e a força física, tem feito gols de jogadas trabalhadas com os meias perto da área, não como centro-avante. Leandrão fez um gol de cabeça, brigando com zagueiros e outro de fora da área, o que prova que a bola não chega com qualidade na área, ou não chega. Leandro Cearense, este sim o atacante mais completo no Remo atualmente, quando fez gols de formas variadas, de cabeça, com bola rolando e deu passe para Potiguar. Val Barreto também deu passes importantes e uns dois terminaram em gols, mas Cearense é mais técnico e tem participado menos dos jogos. Val Barreto está suspenso.
Entendo que o Remo abriu mão de zagueiros que têm jogo aéreo forte, como é o caso do Henrique, e deu chances demais a Rogélio, que ainda não mostrou segurança para atuar com a camisa azulina. Acho o Dadá um jogador muito esforçado e lutador, mas tem errado muitos passes, o que desvaloriza o trabalho dele na marcação. Pessoalmente, enfrentaria o Paysandu com André e Ilailson na cabeça de área, são muito bons no desarme e, não são nenhum Pelé, entendem bem o feijão com arroz do desarme e sequência das jogadas, sem carregar demais a bola e sem se ausentar da cobertura da zaga. Uma escalação para o Remo seria: Fabiano, Levy, Raphael Andrade (Henrique), Max e Alex Ruan; André, Ilailson (Jhonnatan), Athos e Ratinho; Potiguar e Leandro Cearense. De todo modo, qualquer escalação levada a campo deve valorizar mais a posse de bola, tocá-la de lado a lado se for caso e não desperdiçá-la pela ansiedade. O grupo tem qualidade, disso se sabe há muito tempo, mas é preciso tirar a qualidade da teoria e botá-la em prática.
 
Um abraço.