Papão será julgado pelo STJD na quarta, 6

O departamento jurídico do Paissandu foi informado no final da tarde desta quinta-feira (31) que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva remarcou o julgamento do Paissandu para a próxima quarta-feira (6), às 15h. O clube responde pelos incidentes ocorridos no jogo contra o Avaí, válido pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro 2013, na Curuzu. O julgamento estava previsto para ocorrer na última quarta-feira (30), mas o processo foi retirado da pauta. (Da Ascom/PSC) 

Felipão dá nova chance a Robinho

O atacante Robinho, 29, do Milan, e o meia-atacante Willian, 25, do Chelsea, foram as principais novidades na lista divulgada pelo técnico Luiz Felipe Scolari nesta quinta-feira para os amistosos contra Honduras (dia 16 de novembro, em Miami) e Chile (dia 19 de novembro, em Toronto). Robinho volta à seleção brasileira após dois anos. Ele foi chamado pela última vez em agosto de 2011, quando participou da derrota do time da CBF para a Alemanha. Robinho foi chamado para a vaga de Diego Costa, que rejeitou a convocação de Scolari na última terça-feira. Scolari tinha chamado o atacante do Atlético de Madri no último dia 25. Daniel Alves, Hulk, Lucas Leiva e o zagueiro Marquinhos, do Paris Saint-Germain, também foram convocados na semana passada. De acordo com a CBF, os atletas foram chamados com antecedência para obtenção de vistos de entrada nos Estados Unidos e Canadá.

Já Willian está no Chelsea desde a última janela de transferência. Revelado nas categorias de base do Corinthians, o jogador se destacou no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, foi para o russo Anzhi para depois de ir para o clube inglês. Já o atacante Lucas, do Paris Saint-Germain, que integrou o grupo da Copa das Confederações, ficou fora da lista assim como o atacante corintiano Alexandre Pato. A convocação desta quinta-feira é a penúltima de Felipão antes da convocação oficial para a Copa do Mundo. Em março, a seleção brasileira realiza o último amistoso antes do Mundial. (Do Folhaonline) 

Uma nova Copa do Mundo

Por Edyr Augusto Proença

O brasileiro Diego, atacante que se tornou famoso jogando no Atlético de Madri, convocado para a seleção brasileira, prefere jogar pela Espanha. Tem suas razões. Não jogou suficientemente no Brasil. Ninguém o conhece a não ser pela TV. Felipão não parece tão disposto a apostar nele para o ataque nacional, ao contrário dos espanhóis. Isso me leva a pensar, novamente, em algo que escrevi há algum tempo, que talvez ainda pareça difícil de aceitar, mas que considero inexorável.

Quando Jules Rimet inventou a Copa do Mundo, a realidade era outra. As seleções viajavam de navio para o local do torneio. As comunicações também eram lentas. Assim, em uma Copa, era uma delícia assistir o enfrentamento das diferentes escolas de futebol do planeta. Os russos e seu futebol científico. Os ingleses com suas bolas aéreas. Brasileiros e argentinos. Enfim.

O mundo mudou. Muito. Acabaram as distâncias. As comunicações. Os meios de transporte. O profissionalismo fala mais alto. Há muito dinheiro envolvido. Patrocínios, prêmios, salários. Jogadores brasileiros estão espalhados pelos mais longínquos lugares. Outras nacionalidades, também. Os clubes, que gastam fortunas, detestam ceder atletas para seleções. Atrapalha o calendário. Há risco de contusão. Há desgaste. A Fifa está cada vez mais frágil, mercê de escândalos internos.

E os jogadores? Para alguns, ser convocado significa prestígio. No Brasil, empresários ladinos conseguem convocações para então negociar atletas. Para os craques, um fardo. Vivem outra realidade. Um mundo diferente, na Europa. De repente, precisam vir ao Brasil. Aproveitam para rever amigos. Na hora do jogo, não se esforçam. Sabem que são intocáveis. E logo depois, retornam em jatinhos fretados.

Hoje, nossos jogadores, maioria, joga lá fora. Há uma nova maneira de jogar. Sua habilidade é importante, mas há toda uma dinâmica que assistimos na tv. Um jogo diferente do praticado aqui, por jovens atletas, loucos para se destacar e ir embora e veteranos que não vingaram lá fora e retornaram para encerrar carreira.

A Copa deixou de ser um encontro de escolas de futebol. É como se os europeus formassem novas equipes para um torneio rápido, realizado em período de férias, com tudo a perder, no que diz respeito ao descanso dos jogadores e o reinício de seus campeonatos.

Minha ideia: cada país faz uma seleção dos atletas que atuam em seu território. Sim, seria uma disputa entre Inglaterra e Espanha, primordialmente, mas seria mais interessante. Como você escalaria a Espanha? E nós escalaríamos como nossa seleção? Vaga para uruguaios, argentinos e chilenos que aqui jogam? Para mim, seria muito mais interessante em todos os aspectos. Torceríamos para jogadores com os quais convivemos. Um torneio profissional, totalmente.

O difícil seria convencer essa turma chata, vibrar, nos vários meios, sem meter essa coisa de amarelinha, coração, pátria e hexa, totalmente absurdos. Ainda parece estranho? Está espantado?

Os fósseis Chico, Caetano, Gil, Roberto…

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Por Elias Pinto, no DIÁRIO

1 O escritor francês Louis-Ferdinand Céline escreveu libelos terríveis contra os judeus e apoiou os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, mas nos deixou obras-primas, como Morte a Crédito e Viagem ao Fim da Noite. O poeta norte-americano Ezra Pound, em programas de rádio na Europa, apoiou o fascismo italiano, no mesmo período. Condenado e preso por traição em seu país, foi mais tarde perdoado. Os Cantos, seu livro maior, escrito ao longo de décadas, alterna grandes momentos poéticos com uma algaravia multilinguística que beira o impenetrável.
2 Céline e Pound são retratos de uma época, assim como o nosso Getúlio Vargas, que flertou desbragadamente com o nazifascismo. Chamado às falas pelo poderoso vizinho norte-americano, e adoçado com o ferro (de Volta Redonda) na boneca (Carmen Miranda), o homenzinho cambou para os Aliados. Deposto, o velhinho voltou ao poder nos braços do povo.
3 A biografia de Céline, Pound e Vargas – e de tantos outros, antes e depois – foi certamente tisnada pelos maus passos. Suas obras – na literatura, na poesia, no governo –, aqui e ali, respiram esse ar opressivo, nocivo à existência democrática (notadamente no gaúcho de São Borja, por deter as rédeas do poder, no caso, o Estado Novo), mas a posteridade lhes reconheceu a importância, a contribuição transmitida por seu incontornável legado, o positivo.
4 E nem as biografias que lhes investigaram a vida contornaram os passos incômodos, a filiação ou adesão a ideias e governos totalitários, como podemos acompanhar nos dois volumes já publicados da trilogia biográfica de Getúlio Vargas por Lira Neto, que já escreveu livros sobre o escritor José de Alencar, o ex-presidente (da ditadura militar) Castello Branco, a cantora Maysa e o padre Cícero. Que eu saiba, nenhum dos parentes desses biografados lhe interpôs restrições ou recorreu ao aberrante artigo 20 do Código Civil que concede a biografados e herdeiros que vetem biografias não autorizadas, “se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”. Além de aberrante, medieval, a lei, mal ordenada, mal redigida, se presta exatamente à censura prévia.
5 O leitor já deve estar razoavelmente inteirado da polêmica em torno dessa questão, e de que há um projeto em trâmite na Câmara dos Deputados, chamado de Lei das Biografias, que propõe mudanças na legislação, fazendo com que prevaleça a lei maior, a Constituição, que garante a livre expressão.
6 O leitor também já deve ter ouvido falar da associação Procure Saber. Tendo à frente a ex-caetana (ei, Caetana Ferreira, não é contigo) Paula Lavigne, e integrado por Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Milton Nascimento, Roberto Carlos e Erasmo Carlos (amigos de fé na repressão), o movimento foi criado a fim de lutar pela manutenção da censura prévia. Por isso eu o chamo de Procure (não) Saber.
7 Roberto Carlos deu uma entrevista ao Fantástico, a que eu não assisti, acenando com uma mudança de postura, dizendo-se a favor das publicações sem autorização, porém, “com certos ajustes”. Não soube explicar que ajustes seriam esses. O que esses artistas perceberam (e muitos deles foram censurados durante o regime militar) foi que desafinaram feio e agora buscam reparar o irreparável. Conspurcaram as próprias biografias como nenhum biógrafo indiscreto ou mal intencionado lograria emporcalhá-las.
8 Roberto, por exemplo, proibiu a biografia de Paulo Cesar de Araújo, Roberto Carlos em Detalhes, depois de publicada. Em entrevista ao Roda Viva de anteontem, Araújo disse que um caminhão a mando do alcunhado rei parou à porta da editora, a Planeta, e de lá saiu com 10 mil exemplares confiscados e que desde então estariam atirados em um armazém, um depósito real.
9 Eu hoje leio, com prazer e proveito, Céline e Pound. E admiro Vargas. Não sei quanto a vocês, mas hoje eu não compro nada que Chico, Roberto, Caetano, Gil et caterva venham a lançar, produzir, ou qualquer disco anterior. Que as gerações vindouras possam, revolvendo a merda fóssil de agora produzida por esses artistas, lhes recuperar a criação.

Papão x Oeste não pode ser realizado no Mangueirão

A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) informou agora há pouco que o estádio Jornalista Edigar Proença recebe os Jogos Escolares da Juventude entre os dias 8 e 10 de novembro. Por este motivo, o jogo entre Paissandu e Oeste (SP), marcado para o dia 9 de novembro, não poderá ser realizado no estádio. A Seel informa ainda que mais de 5 mil alunos dos 26 Estados brasileiros participarão dos Jogos Escolares da Juventude, além de observadores de 20 países. As competições são organizadas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que reservou o Mangueirão há mais de um ano para a realização do evento. A secretaria ressalta que, para o dia 12 de novembro, o Mangueirão estará preparado para receber o jogo entre Paissandu e Palmeiras, pela 2º divisão do Campeonato Brasileiro. O drama agora é quanto ao local do jogo Papão x Oeste. A opção mais próxima é Castanhal, mas é grande a possibilidade de o jogo ser programado para Paragominas.

As contas da sobrevivência

Por Gerson Nogueira

bol_qui_311013_15.psA matemática passa a ser, a partir de agora, tão importante quanto a estratégia de jogo na Série B. Ainda na zona da morte, mesmo depois de vencer o América em Belo Horizonte, o Paissandu debruça-se sobre as contas para escapar à degola. Chegou a temida hora de recorrer à máquina calculadora, quase uma sina na vida dos clubes paraenses.

Com 35 pontos ganhos, o Papão precisa – segundo cálculos mais atualizados – acumular pelo menos mais 11 pontos para não ser rebaixado. Terá seis rodadas para alcançar esse objetivo. Três jogos em casa – Oeste, Palmeiras e Bragantino. Três fora – Joinville, Icasa e Sport.

Paradas indigestas, com exceção talvez do Bragantino, que não ameaça ninguém como visitante. Nas demais partidas, o Papão precisará jogar muito bem e contar com a raça que caracterizou o time no confronto de anteontem na Arena Independência.

Ao mesmo tempo, terá que torcer também pelo insucesso de ABC e Atlético-GO, seus concorrentes diretos, ambos também com 35 pontos, mas à frente na classificação por critérios de desempate. Outros adversários também podem vir a ser superados, mas a possibilidade é mais remota. É o caso de América-RN, Oeste e Bragantino, que têm 39 pontos e precisam de mais sete pontos para se salvar.

Como o São Caetano está quatro pontos atrás e o ASA já caiu, restam duas vagas no bonde da desgraça da Série B. A não ser que ocorram muitas surpresas nas próximas rodadas, dois destes times – Papão, ABC e Atlético-GO – irão cair.

Diante de tal cenário, cabe ao Paissandu empenhar-se ao máximo para vencer seus compromissos em casa e tentar uma segunda vitória fora. É uma tarefa duríssima, mas não impossível. Não custa recordar que o Fluminense, há quatro anos, conseguiu renascer das cinzas na Série A contrariando todas as projeções estatísticas e formulações aritméticas.

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Tribunal quer punições mais duras

Enquanto o Paissandu espera, angustiado, o desfecho do julgamento no STJD dos incidentes do jogo contra o Avaí na Curuzu, a corte máxima do esporte no país tenta liderar uma cruzada contra as arruaças de torcedores nos estádios brasileiros. Em mensagem ao presidente da CBF, José Maria Marin, o procurador geral Paulo Schmidt pede modificações no Regulamento Geral de Competições (RGC) para 2014 quanto a perdas de mando de campo. Meio tardia a preocupação, mas, ainda assim, válida.

O procurador defende a inclusão no RGC das sanções previstas pela Fifa: jogos com portões fechados, de uma torcida só e até mesmo banimentos de estádios. Pela legislação atual, os clubes punidos com perda de mando fazem seus jogos a 100 quilômetros da cidade-sede.

Schmidt entende, com razão, que essa punição não ataca o problema. Mesmo longe de seus estádios, os clubes seguem atraindo torcedores que repetem as costumeiras cenas de violência. A escalada de violência nos principais campeonatos nacional indica, segundo ele, que as penas têm tido pouca eficácia.

Além de pedir o apoio da CBF, o procurador está juntando documentos e imagens para reforçar sua tese e tenta conseguir o apoio dos ministérios públicos estaduais para que sejam criadas punições mais rigorosas nas áreas cível e criminal. Contrariando seu tradicional imobilismo, o STJD parece consciente de sua responsabilidade para que torcidas violentas sejam banidas do futebol. Bom sinal.

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Goiás é “operado” dentro de casa

O árbitro Wilson Luiz Seneme, considerado um dos melhores do país, foi decisivo para o triunfo do Flamengo ontem à noite no estádio Serra Dourada. Errou em dois lances capitais. Inverteu uma falta, que levou ao segundo gol rubro-negro, e ignorou um pênalti claro sobre o goiano Wellington, aos 40 do segundo tempo. Sem seu principal jogador, o gordinho Walter, o Goiás não jogou com a agressividade habitual.

Desse jeito, mesmo aos trancos e barrancos, mas extremamente feliz quanto a interpretações das arbitragens, o Fla vai se consolidando como candidatíssimo ao título da Copa do Brasil deste ano. Grêmio e Atlético-PR, que decidem a outra chave, são até superiores tecnicamente, mas nenhum deles tem força de bastidores para superar o grande favorito.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 31)