Projeções do Chance de Gol para a Série B

O Palmeiras, segundo as estimativas do Chance de Gol, já é virtualmente o campeão da Série B 2013. Chapecoense, Paraná e Joinville são apontados como prováveis classificados à Série A 2014. Da mesma forma, ASA, ABC, S. Caetano e América-RN são os mais cotados para rebaixamento à Série C. O Paissandu teve reduzida sua expectativa de queda, aparecendo com 35,2% de probabilidades, bem abaixo dos times mais ameaçados no momento.

Time Probabilidade de Título
Palmeiras 91,3 %
Chapecoense 6,1 %
 
Time Probabilidade de acesso
Palmeiras 99,99 %
Chapecoense 96,2 %
Paraná 91,6 %
Joinville 51,5 %
Sport 23,6 %
 
Time Probabilidade de rebaixamento
ASA 91,5 %
ABC 79,8 %
São Caetano 70,8 %
América RN 66,9 %
Paysandu 35,2 %
Atlético GO 23,3 %
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Breaking Bad e o poder das escolhas

Por Ana Maria Bahiana

A definição aristotélica de tragédia é: uma narrativa dramática concentrada num grupo de personagens, em um lugar e período definidos, cuja ação é deflagrada pelas escolhas equivocadas de um protagonista complexo, com consequências que ecoam em todos à sua volta e fazem a plateia refletir sobre a condição humana.

Aristóteles teria adorado Breaking Bad. Possivelmente estaria, como eu, pulando do sofá ao final de mais de um episódio para aplaudir de pé (se a toga não atrapalhasse). E isso incluiria “Felina”, o episódio final,  exato em tom e conteúdo, que foi ao ar ontem pela AMC, e foi visto por mais de 10 milhões de espectadores, apenas nos Estados Unidos.

Vou tentar falar da série e do final com o máximo cuidado para evitar SPOILERS mas se você for ultra-sensível, pode parar aqui.

Como alguns colegas, eu também vi em “Felina” grande buracos de credibilidade. Não é a primeira vez: em muitos momentos dos 62 episódios de Breaking Bad Vince Gilligan e seus roteiristas armaram situações que desafiam a plausibilidade e/ou a lógica. Mas isso nunca me incomodou, nem na série nem no final porque:

1. A realidade consistentemente consegue ser mais absurda que a ficção, e quase tudo que se pode imaginar pode acontecer- e talvez já tenha acontecido.

2. Não é isso que importa na série. O que importa é a exatidão da trajetória de dois arcos exatos e opostos que se cruzam, se encontram e finalmente se separam: o de Walter White, o “homem bom” que nunca foi tão “bom” assim, e o de Jesse Pinkman, o “homem mau” que nunca foi tão “mau” assim.

Sempre coloquei os soluços de trama de Breaking Bad numa categoria entre a metáfora, o sonho e o “estado de fuga” – verdadeiro ou fake, não importa. Eles nunca me perturbaram porque o importante – a coerência interior do mundo criado pelas ações do protagonista, a clareza do traço da dupla trajetória de Walter e Jesse- sempre esteve lá. Breaking Bad sempre foi uma calma, clara, violenta, profunda, perturbadora, divertida e intensa meditação sobre certo e errado, bem e mal, legal e ilegal, o que nos faz feliz e o que nos faz sofrer, até onde nossa consciência e nossos desejos nos dizem o que fazer, e até onde nós seguimos essas ordens.

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Quando  subiu o som de “Baby Blue”, do Badfinger (uma escolha absolutamente perfeita), nos segundos finais, enquanto a câmera deslizava lentamente para cima, naquele movimento amplo e eufórico conhecido como “o ângulo dos anjos”, Walter e Jesse haviam encontrado a meta justa da jornada que haviam iniciado 62 episódios atrás.

Jesse, o bandidinho de terceira, passara pelo crivo das reais provações da bandidagem em grande escala e perdera nesse fogo, camada por camada, a fina capa de safadeza que um dia achou que tivesse. Em seu lugar, às custas de muita porrada e muitas perdas irreparáveis, ele encontrou algo que nunca achou que tivesse: um firme centro moral, uma imensa compaixão, uma profunda humanidade. Jesse sempre foi o Grilo Falante do Pinóquio de Walter, esse boneco que ganhou vida ao quebrar a lei (“eu fiz por mim mesmo. Eu me sentia vivo”, ele diz no episódio final).

Walter, o bom sujeito classe média, fizera a escolha que, em outros mitos, já havia arruinado outros indivíduos brilhantes –como o favorito de Aristóteles, Édipo: optar pelo que não é permitido, arriscar-se pela sombra. E na sombra ele teve a sua provação, cada escolha sombria levando a uma mentira, cada mentira levando a uma nova, maior, escolha sombria, despertando nele o Outro com o qual, imagina-se, ele sempre dançara – seu Batman, seu Mr. Hyde, Heisenberg.

O x de Walter White está logo num dos primeiros episódios da série, quando ele diz “eu nunca tive controle sobre minha vida, nunca pude fazer minhas próprias escolhas.” O que não sabemos sobre o passado de Walter White é muito, mas o que importa é isto: ele foi parar em Negra Arroyo Lane, Albuquerque, e no laboratório de química do ginásio do bairro por escolhas que deixou de fazer. O que veremos a seguir é seu fantástico “erro de alvo”, tão caro a Aristóteles: as escolhas que ele, finalmente, fez.

Tudo se resolve, clara e elegantemente, em “Felina” – palavra que oculta “finale” e que referencia a personagem da canção “El Paso” do ídolo country/western Marty Robbins, que Walter acha no cassete de um dos carros do episódio,  e cujo refrão diz “acho que ganhei o que eu merecia”. A cada um a coerência de suas escolhas, inclusive os que foram tragados pelo redemoinho da progressiva divisão dos átomos de Walter White, partido entre Mr. White e Heisenberg.

Além da imensa satisfação de acompanhar uma obra tão excelente em todos os seus aspectos – roteiro, direção, interpretação, fotografia, música, som – Breaking Baddeixou grandes lições para a indústria do audiovisual. A Variety listou algumas, importantes, e concordo com todas – especialmente “nem tudo está no piloto” e “Netflix é um aliado, não um inimigo”.

A todos essas lições eu acrescentaria mais uma: confie na inteligência do público. Somos inteiramente capazes de acompanhar, entender e apreciar um drama complexo em tema e tom. 2438 anos atrás Aristóteles já sabia disso.

Futebol feminino: a pátria sem chuteiras

Por José Cruz

Modalidade que distribui medalhas em jogos olímpicos, o futebol feminino é “prima miserável” da milionária CBF.

A Seleção Brasileira foi prata, em Atenas, mas, hoje, a situação é tão grave que quando alguém se interessa jogar com as gurias o convite precisa vir com passagem aérea para toda delegação, hospedagem e alimentação garantidas.

“Não temos dinheiro porque a Seleção feminina não é rentável”, resumiu Ronaldo dos Santos, supervisor da CBF, na audiência pública desta quarta-feira, na Comissão de Turismo e Desporto (CTD) da Câmara dos Deputados.

Anualmente, a CBF aplica R$ 4 milhões no futebol feminino. Já para a Série D do Campeonato Brasileiro são R$ 40 milhões.

Pra salvar a “pátria feminina de chuteiras” o secretário de Futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento, entrou em campo.

Conseguiu patrocínio da Caixa, R$ 10 milhões, para um campeonato com 20 times, transmissão de jogos pela Fox e acertou com a prefeitura de Foz de Iguaçu a construção de um Centro de Excelência. O terreno é da usina de Itaipu e o dinheiro virá da Lei de Incentivo ao Esporte.

E agora, vai?

Não se sabe. O ex-técnico da Seleção Brasileira, René Simões, que participou da audiência pública, disse que esse assunto não é para o governo se meter.
“O esporte de alto rendimento não deveria estar sendo discutido nesta mesa, mas nas confederações”, afirmou.

“O ponto central é a CBF. Sem tocarmos nesse ponto não vamos a lugar algum”, disse René. “Da forma como a CBF trata o futebol feminino temo uma vergonha nos Jogos Olímpicos do Rio!”…

A CBF não quer saber mesmo do assunto e nem aceita dinheiro do governo para a categoria feminina. Por isso, uma liga, por exemplo, prevista na Lei Pelé, poderá surgir para livrar o futebol feminino da CBF e dar novos rumos à modalidade.

Enquanto isso…

O sonho de Toninho Nascimento é repatriar jogadoras famosas para fortalecer a competição interna e até formar uma seleção permanente.

O gaúcho Marcos Planela, que trabalha há 20 anos com a modalidade, quer “amparo de leis para a modalidade não ficar dependente dos benefícios individuais – como o da Caixa – e temporários”. É a tese do Estado se envolvendo cada vez mais com a atividade particular.

A fragilidade do futebol feminino reflete a falta de políticas públicas para o esporte. Repete as falhas do basquete, do hadebol, do atletismo, natação etc. Não há projetos a partir da escola para incentivar a formação de atletas. E muito menos para que se torne uma prática de puro lazer.

É aí que o Ministério do Esporte aproveita a brecha. Sem planos integrados trata cada modalidade conforme a ocasião, num diálogo de cofre aberto. Este filme dura 10 anos… E no caso do futebol feminino, com forte apelo popular, pode até faltar resultados de longo prazo, mas as boas ações ministeriais poderão render votos ao partido já na próxima eleição.

Jogo fraco, resultado bom

Por Gerson Nogueira

A sina de não vencer fora de casa, que marca a campanha do Paissandu nesta Série B, esteve bem perto de ser derrubada ontem à noite. Apesar do campo de várzea do Guaratinguetá, o time de Vagner Benazzi teve poucas e boas oportunidades, principalmente enquanto o meia Eduardo Ramos teve fôlego e inspiração para arquitetar jogadas.

bol_qua_021013_15.psDepois de um primeiro tempo morno, com poucos lances agudos, embora o Paissandu tenha chutado duas bolas perigosíssimas, o equilíbrio mostrado na etapa final justificou plenamente o empate (1 a 1). Com volúpia ofensiva, o Papão voltou do intervalo disposto a marcar. Djalma e Héliton quase puseram a bola no fundo das redes.

Ironicamente, a sorte sorriu para o Guaratinguetá, que conseguiu encaixar um ataque fulminante, criando duas chances reais. Na primeira bola, Paulo Rafael defendeu disparo forte, evitando o gol. Acontece que na sequência a zaga cochilou miseravelmente e Leandro aproveitou para abrir o placar.

Era cedo ainda e o Paissandu não se abateu. Voltou a atacar com disposição, com Eduardo Ramos lançando os laterais e sufocando o confuso setor defensivo do Guará. A criação de jogadas de ataque acabou propiciando o empate. Pikachu avançou sobre a marcação, foi derrubado na área e converteu o pênalti, aos 15 minutos.

Depois disso, o jogo ficou na base do toma lá, dá cá. Cabe aqui um pequeno adendo sobre esse novo Paissandu. Benazzi encontrou o desenho tático mais adequado aos jogadores que tem. Escalou o time num 3-5-2 disfarçado e conseguiu conter o jogo aéreo, principal arma do time de Leandro Campos. Nesse sentido, o papel desempenhado por Pablo e Djalma foi muito importante. O primeiro ajudou a reforçar a zaga e o segundo era o motor de ligação no meio.

Quando Ramos cansou, Pikachu e Héliton apareciam pelas extremas para pressionar o Guará. Dênis, que estreava, executava a função de pivô, embora prejudicado pelas condições do campo e a falta de ritmo. O interessante é que, ao contrário de outras jornadas, o time não recuou ou se deixou dominar. Jogou com disposição ofensiva permanente e em pelo menos dois momentos (com Gaibu e Djalma) podia ter sido premiado com o gol da virada.

Por outro lado, os donos da casa também tiveram suas oportunidades, com um cabeceio na trave de Paulo Rafael e no finalzinho quando Alex Afonso mandou fora oportunidade clara.

Pode-se argumentar que o Papão podia ter rendido mais caso Benazzi tivesse substituído logo Djalma e Héliton. Careca substituiu Dênis aos 35 minutos e não acrescentou nada. Gaibu, que entrou no lugar de Héliton, foi mais participativo.

A lamentar que a troca de Djalma por Iarley tenha ocorrido a três minutos do apito final. Com essa mexida, Benazzi fez lembrar seus antecessores Givanildo e Arturzinho.

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Adeus a um baionense ilustre

Janivaldo Santos morreu anteontem. Recebe merecidas homenagens de todos os seus muitos amigos. Transcrevo aqui o breve comentário do amigo Antonio Fernando Ramos a respeito dele. “Janivaldo fez história em Baião. Foi atleta e cartola, fundou e manteve o Barão Atlético Clube por muitos anos, conduzindo a juventude a um sadio entretenimento; foi um dos fundadores da festividade de Nossa Senhora do Bom Parto, junto com Zé Piano, Quebra da Raimunda, Raimundinho Preto, Alcindo e outros; professor devotado; político, exercendo mandato de vereador e músico. É um pouco de nós que morre junto. Nossas eternas saudades”.

Seu Janivaldo era destacado integrante da célebre banda Rabelo Nogueira, fundada nos anos 30 pelo meu tio Dico Nogueira.

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A noite do Leãozinho

Depois que o Jurídico conseguiu sustar o bloqueio da renda de Remo x Flamengo, que havia sido autorizado pela Justiça Trabalhista, parece que nada mais deve atrapalhar os passos do Leãozinho no confronto desta noite, pela segunda fase da Copa do Brasil sub-20.

A filosofia ofensiva de Walter Lima será novamente empregada, com a escalação de três atacantes – Guilherme, Sílvio e Beto (Edcléber). Diante do Vitória essa tática mostrou-se apropriada. Contra o Fla, vai depender principalmente da velocidade que o Remo impuser ao jogo.

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Direto do blog

“Como o futebol brasileiro quer ter visibilidade no exterior com palcos tão medíocres para a prática do futebol? Esse gramado do estádio do Guaratinguetá lembra muito aqueles charcos de fazenda dos nossos interiores. Na estrada do Uriboca, a caminho do restaurante Terra do Meio em Marituba, tem um gramado de futebol pelada que é mil vezes melhor do que esse de Guará. Aliás, nem cabe comparação”.

De Daniel Malcher, injuriado com as condições precárias do estádio Dario Rodrigues, em Guaratinguetá.  

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 02)

No tributo de Bruce a Raul, jornalismo comeu mosca

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Por André Barcinski

Sábado, meu amigo Álvaro Pereira Jr., em sua coluna na “Folha”, revelou a história por trás das homenagens que Bruce Springsteen fez a Raul Seixas. Álvaro havia me contado o caso na terça, 17 de setembro, um dia antes do show de Bruce em São Paulo e cinco antes da apresentação do cantor no Rock in Rio.

Na ocasião, concordei que “Sociedade Alternativa” seria uma ótima opção de “cover” para Bruce, e dei minha sugestão: “Asa Branca”. Achei que Bruce e a E Street Band fariam uma versão matadora do clássico de Gonzagão e Humberto Teixeira.

Na quarta, dia 18, Bruce arrepiou quem foi ao Espaço das Américas com uma versão soul de “Sociedade Alternativa”.

No dia seguinte, Álvaro me disse que estava pensando em contar a história na “Folha”. Mas como a coluna dele é quinzenal e a seguinte só seria publicada no sábado, dia 28 – uma semana depois do show de Bruce no Rock in Rio – ofereci o espaço aqui do blog. Pensei: se Bruce cantar “Sociedade Alternativa” no Rock in Rio, todo mundo vai escrever sobre o fato, e não podemos levar um “furo”.

Veio o show do Rio e Bruce repetiu a homenagem. Para nossa surpresa, ninguém se preocupou em tentar descobrir por que Bruce Springsteen havia cantado Raul. Ninguém.

E olha que Bruce ficou dando sopa no Rio: foi à praia duas vezes, tomou banho de mar, almoçou em churrascarias, conversou com fãs e até tocou violão no calçadão de Copacabana.

Durante esse tempo todo, ninguém chegou perto dele e fez a pergunta óbvia: “Bruce, como você conheceu Raul Seixas?”

Porque isso não é pouca coisa. Um dos maiores nomes do rock homenagear o maior nome do rock brasileiro é, sim, uma grande história. Tanto que Paulo Coelho, co-autor da música, fez uma coisa raríssima: publicou comentários em um blog, falando da emoção que sentiu ao saber do tributo e contando detalhes da composição da música. Por sorte, ele escolheu fazer isso aqui no “Confraria de Tolos” (leia).

O caso só me deixou ainda mais decepcionado com o estado do jornalismo musical brasileiro. O que está acontecendo? Não temos mais repórteres de música? Quando o Google substitui a rua como fonte de informação, é porque tem algo muito errado com nossa imprensa musical.

Hoje, todo mundo sabe a cor da meia que Bruce usou quando gravou a demo de “Born to Run” – contanto que isso tenha sido publicado em algum blog obscuro. Mas quando é preciso ir à rua e apurar, bate aquela preguiça… Nossa cobertura musical está assim: opinião demais e jornalismo de menos. Claro que escrever críticas de shows é uma função importante do jornalista. Mas não é a única.

Eu não ia ao Rock in Rio desde 2001, mas fui a essa edição e fiquei espantado com a sala de imprensa, que mais parecia um hotel. Tinha bufê, geladeiras lotadas de guloseimas, funcionários prestativos trazendo macarrão para jornalistas e até – acreditem – um massagista full time, para aliviar as lombares cansadinhas dos repórteres.

Havia também um escritório da assessoria de imprensa oficial do evento, onde qualquer um podia pegar updates sobre os BBBs e pseudocelebridades que estavam na área VIP. Tudo para “facilitar” nossa cobertura.

A verdade é que esses grandes eventos se esforçam cada vez mais em controlar a cobertura e garantir matérias positivas (um exemplo: o Rock in Rio ofereceu uma entrevista com o Metallica, contanto que o assunto fosse só o recente filme da banda).

Isso faz parte de uma tendência mundial, que cresceu nos últimos 15 ou 20 anos, de ver a imprensa como parte da engrenagem de comunicação das corporações de entretenimento, e não como uma potência autônoma e independente.

É preciso combater essa visão. E a única maneira de fazer isso é ignorar a cobertura fácil e conveniente empurrada pelos eventos e voltar às ruas. Afinal, rapaziada, sol faz bem.