Torcida do Colo-Colo repudia contratação de Scolari, apoiador de Pinochet e Bolsonaro

A torcida organizada Antifascistas De La Garra Blanca, que reúne torcedores da equipe do Colo-Colo, do Chile, declarou guerra à possibilidade de a equipe contratar o técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari. Os fãs do time postaram, em suas redes sociais, uma nota de repúdio ao treinador, que fez elogios ao ditador sanguinário, general Augusto Pinochet. Em nota, a torcida diz que está pronta para “declarar guerra à chegada de Scolari e de qualquer um que abrace práticas e ideias fascistas”. Felipão também manifestou apoio a Jair Bolsonaro quando dirigia o Palmeiras.

Castanhal, uma grata surpresa

POR GERSON NOGUEIRA

Pecel (direita) já marcou cinco gols pelo Castanhal depois de quatro partidas disputadas — Foto: Jivago Lemos/Ascom Castanhal

A campanha é surpreendente, acima das expectativas de seu próprio torcedor. O Castanhal é um dos líderes do campeonato, tem 4 vitórias em cinco jogos disputados e aproveitamento de 80%. O estilo é agressivo, rápido e de busca incessante pelo gol. Falando assim parece até discurso de Rafael Jaques no Remo, mas é o que Artur Oliveira conseguiu tornar real no Japiim.

É juto reconhecer que, ao contrário da dupla Re-Pa, com quem divide a ponta da tabela, o Castanhal só ganhou uma partida em casa, no estádio Maximino Porpino, em cima do Carajás, por 3 a 0. As outras três foram obtidas em Cametá contra o Independente (3 a 2), em Belém diante do PSC (3 a 2) e em Santarém sobre o Tapajós (2 a 1).   

Marcou 12 gols e sofreu sete. Tem o artilheiro (Pecel, 6 gols) e a principal revelação do Parazão, o meia Dioguinho. Além deles, Artur conseguiu extrair bom rendimento de um grupo que conta com João Leonardo, Léo Rosa, Santa Maria e Keoma.

Para uma competição de tiro curto como é o Estadual, a estratégia de partir sempre em direção ao gol, num esforço que só cessa quando soa o apito final, é uma prova da qualidade do trabalho de Artur Oliveira, que já demonstrou capacidade ao comandar e montar o Bragantino.

Teve breve passagem pelo Remo na Série C, em 2018, mas acabou prejudicado pelas escassas opções para estruturar a equipe. No Braga, foi mais feliz. Revelou Pecel e Keoma, que hoje contribuem para a caminhada do Castanhal, a equipe de melhor desempenho no atual campeonato.

A vitória sobre os bicolores na terceira rodada foi o ponto alto da campanha, respondendo pelo entusiasmo e confiança que a equipe exibe a cada rodada. O confronto de hoje com o Águia, em Castanhal, pode consolidar a arrancada pela classificação às semifinais. (Foto: Jivago Lemos/Ascom Castanhal)

Leão estreia Mazola e busca a reabilitação

O adversário não poderia ser melhor para o atual momento dos azulinos. O Carajás, lanterna do campeonato, surge como franco-atirador na manhã provavelmente ensolarada de domingo no estádio Evandro Almeida. Apesar do favoritismo, o Remo precisa ter em mente as dificuldades enfrentadas no jogo do ‘turno’, quando penou para vencer por 1 a 0.

Mazola Jr. estreia no comando e impõe mudanças importantes, algumas por questões técnicas, outras por necessidade. Talvez a mais significativa mexida seja a escalação de Charles, que assume a titularidade substituindo ao opaco Xaves, que foi titular absoluto com Jaques.

Lukinha, ausente nos últimos jogos, será o meia de ligação, dividindo a tarefa com Robinho, outro imexível sob o comando do ex-técnico. Djalma, velho conhecido do treinador, ganha um lugar em sua posição de origem.

No ataque, com a ausência de Gustavo Ermel, Mazola viu-se obrigado a escalar Jackson e Geovane. Tinha a alternativa de lançar Hélio Borges ou Wesley, mais velozes pelos lados. De toda sorte, parece uma formação mais coerente e equilibrada que as últimas escalações de Jaques.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa a partir das 22h30, na RBATV, logo depois do jogo da NBA. Participação de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião. Em pauta, gols e análises da 6ª rodada do Parazão.

Carniceiro implacável e com licença para matar

Há jogadores que se tornam famosos pelos dribles, lançamentos e capacidade de encantar plateias. Outros, ao contrário, entram para a história pela porta dos fundos, marcados pela violência desmedida e impune. É o casso de Fagner, lateral do Corinthians e da Seleção de Tite, cujo histórico de sarrafadas supera qualquer outro apontamento estatístico.

A última foi sobre o atacante Marlon, do Santo André, atingido brutalmente por trás. Fagner recebeu apenas um cartão amarelo. Já havia deixado um são-paulino arriado no clássico de uma semana atrás.

É espantoso que um jogador tão associado a práticas desleais seja alvo de tanta benevolência por parte de árbitros e da própria Justiça Desportiva. Nunca é demais lembrar que Fagner nocauteou Ederson (então no Flamengo) em 2016 com uma tesoura voadora de alta letalidade.

O atacante ficou praticamente impedido de continuar jogando em alto nível e acabou por antecipar a aposentadoria. Fagner, porém, continua com carta branca para distribuir coices e pontapés. Como um James Bond dos gramados, ele tem licença para matar.  

Um boleiro daqueles tempos sem executivos

Alex Dias conta, no programa Resenha (ESPN), que o Remo surgiu na vida dele quando já pensava em desistir da profissão e jogador. Recebeu um convite de um amigo, Helenílton, e se mandou de João Brilhante (MS) até Belém, de ônibus, para se apresentar no Evandro Almeida. Chegou sem pompa, ficou treinando um mês e meio, passou pelos aspirantes e quando virou titular não saiu mais do time.

Caiu nas graças da torcida do Leão com dribles, gols de voleio e por cobertura, como dois golaços conta o PSC no Mangueirão. Humilde, recordou a goleada sofrida frente à Tuna do craque Giovane.

Em participação gravada, o técnico Hélio dos Anjos elogiou o futebol de Alex e contou que resolveu apostar calças da moda com ele quando comandava o time do Goiás. O acerto previa uma calça de presente a cada gol de voleio. Hélio diz que gastou uma boa grana pagando a aposta.

Alex foi um dos últimos jogadores importados que realmente funcionaram no futebol paraense. Veio jovem e aqui despontou. Era um tempo feliz, com olheiros voluntários e ainda sem executivos. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 01.03)

Moro vai atrás de roqueiro e porteiro, mas não incomoda miliciano

Leonardo Sakamoto e Sérgio Moro.

“Não deixa de causar espanto a seletividade do Ministério da Justiça sob o comando do ex-juiz federal Sérgio Moro, escreve o jornalista Leonardo Sakamoto. “A pasta pediu abertura de inquérito para investigar roqueiros paraenses que organizam um festival de punk e hardcore chamado ‘Facada Fest'”, afirma. 

O colunista reforça que “o evento usou cartazes de divulgação que o governo federal considerou ofensivos à honra do presidente da República”. “O mesmo ministério, contudo, deixou de incluir Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime e ligado a Flávio Bolsonaro, na lista dos mais procurados, quando divulgou essa relação em janeiro. O líder miliciano, ligado ao antigo gabinete do filho 01, foi morto no último dia 9”, continua.

“O ministro Sergio Moro fez sua carreira tentando construir a imagem de lutador contra o crime organizado. Ironicamente, tem feito muito pouco para combater o crime organizado de madeireiros, garimpeiros, grileiros e pecuaristas que formam quadrilhas e montam milícias para invadir e manter terras indígenas, levando embora suas riquezas. A Funai, vale lembrar, segue sob sua responsabilidade”, acrescenta.

De acordo com o jornalista, “Moro precisa tomar cuidado para não confundir defesa da honra com culto à personalidade de um líder máximo, porque é isso o que governos autoritários fazem”. “E, no caminho, fazer uma autocrítica”.

Leia a íntegra no Blog do Sakamoto

Facada Fest: governo insiste em investigar “cartaz do Bozo”

pessoas pulando durante show punk

O ex-juiz e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, foi para o Twitter negar uma afirmação feita pelo jornal Folha de S. Paulo, de que ele teria pedido abertura de um inquérito contra quatro artistas que organizaram um evento de punk chamado Facada Fest. Moro, porém, disse que expor em um cartaz a imagem de Bolsonaro esfaqueado não é liberdade de expressão, é “apologia ao crime”.

Internautas começaram a exibir imagens semelhantes cobrando manifestação do ministro, mas nessas imagens aparecem bolsonaristas que expuseram bonecos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff enforcados,  uma camisa com Lula decapitado e uma capa da Veja em que a cabeça de Lula, decapitado, aparece pingando sangue. Até o momento Moro não se posicionou sobre o assunto.

A deputada Sâmia Bomfim (Psol-RJ) comentou na publicação do ministro com uma imagem de Bolsonaro segurando um tripé, enquanto simulava que era uma metralhadora. No momento da imagem, o então candidato falava no microfone que iria metralhar a petralhada. “Vamos falar de ‘apologia ao crime’, ministro?”, questionou a deputada, que não foi respondida.

Outra imagem publicada pelos internautas é a de Bolsonaro simulando uma arma contra um desenho da cabeça de Lula. O ex-juiz está sendo cobrado também por não ter se posicionado quando o filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), falou em fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) com um cabo e um soltado e nem quando o mesmo falou em instalar um novo AI-5.

O ministro da Justiça, também se calou quando Bolsonaro disse recentemente que esquerdista não deve ser tratado como gente normal. Bolsonaro, inclusive, está sendo criticado nos últimos dias por ter espalhado vídeos chamando a população para manifestações contra o Congresso Nacional. Moro também não comentou o assunto.

Internautas também criticam o silêncio do ministro quando Bolsonaro elogiou ditadores e torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra e Pinochet.

Facada Fest

Os organizadores do evento são investigados por “crimes contra a honra do presidente Jair Bolsonaro” e “apologia ao homicídio”. Apesar de Moro ter negado que partiu dele o pedido de investigação, em nota enviada ao jornal Folha de S. Paulo, o Ministério da Justiça afirmou que “a sua consultoria jurídica apontou a necessidade de investigação”.

Segundo o jornal, o ministro disse em seu despacho que “elementos que indicam a prática, em tese, de crime contra a honra do Sr. Presidente da República” deveriam ser investigados. O evento acontece desde 2017, ou seja, pelo menos um ano antes de Jair Bolsonaro ser esfaqueado o nome da festa já era Facada Fest.

Segundo Josy Lobato, baterista das bandas Klitores Kaos e THC, e integrante fundadora do coletivo, o evento Facada Fest 3 não aconteceu na data prevista. “Meia hora antes de começar, chegou a polícia. Foram conversar com os donos do estabelecimento e constataram que estava vencido um dos alvarás”, declarou a baterista para a Folha. Após toda a repercussão que a situação gerou, o evento aconteceu dois meses depois.

Ciro: “Vou te enfrentar, presidente canalha!”

Reprodução/Twitter

Ex-candidato à presidência, Ciro Gomes usou o Twitter para disparar contra Jair Bolsonaro, o classificando como “canalha” e prometendo “enfrentar” o atual presidente (assista abaixo). Em vídeo, Ciro começa o discurso – que tem pouco mais de um minuto – dizendo que Bolsonaro “está mentindo para a população brasileira e atacando as instituições democráticas”. O pedetista faz menção ao recente episódio em que o presidente teria usado sua conta do WhatsApp para compartilhar vídeos que convocam para manifestações anti-Congresso.

“Ele é um camarada que simplesmente não sabe o que fazer com o gravíssimo problema que ele herdou do Brasil. E que, equivocado, está transformando essa crise que ele recebeu numa verdadeira ameaça à integridade nacional brasileira”, iniciou.

“Portanto, por conta desses dois fatos, a escalada da violência nazi-fascista das milícias que chegaram a dar dois tiros no peito do meu irmão, o senador Cid Gomes, e por essa declaração que procura excitar a população brasileira contra as instituições democráticas, que de alguma forma, com todos os seus defeitos, volto a dizer, ainda são refúgio por onde as liberdades públicas podem, devem e serão defendidas…”, continuou Ciro, antes de mandar o recado diretamente a Bolsonaro.

“Atenção, senhor Jair Messias Bolsonaro, canalha mor: as instituições brasileiras serão defendidas. Nem todo mundo tem compromisso com o ‘lulopetismo corrompido’. Eu sou limpo, tenho vida limpa, tenho coerência e vou te enfrentar, presidente canalha, sua família de canalhas e aqueles que, traindo a nação brasileira e seu juramento, vão atacar ou tentar atacar a constituição brasileira”.