Diego Barbosa está liberado para jogar pelo Papão

O Paissandu recebeu nesta quinta-feira o resultado da contraprova solicitada pela Fifa e, mais uma vez, o resultado foi negativo. Com isso, o meia Diego Barbosa está livre para voltar a jogar pelo clube. A informação é da Assessoria de Comunicação do clube. O atleta estava afastado dos jogos desde a partida contra o Oeste-SP, válida pela 15ª rodada da série B, mas seguia treinando normalmente com a equipe. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já foi comunicada sobre o resultado do exame e oficializará a liberação do o atleta, que ficará à disposição do técnico Vagner Benazzi para o restante do Campeonato Brasileiro da Série B.

E Simba atropelou o Urubu

Por Gerson Nogueira

bol_qui_031013_15.psFoi daquelas vitórias de lavar a alma. O torcedor remista, tão decepcionado com seu time de profissionais ao longo da temporada, teve ontem à noite o privilégio de deixar as mágoas e aborrecimentos de lado, dedicando-se a apreciar um time aguerrido e lúcido como não se via há muito tempo. Interessante é que lá no gramado do Mangueirão a camisa azul não estava vestindo profissionais, mas garotos recém-saídos da base, o que torna os festejos ainda mais significativos.

O locutor da ESPN não parava de se surpreender com a grandeza da torcida. Mais de 25 mil espectadores, 23.294 pagantes, reunidos para ver um jogo de garotos. E os garotos do Leão responderam à altura. Lançaram-se ao jogo com voracidade e entrega. Lembrava até, em determinados lances, aquela velha máxima de Neném Prancha sobre jogadores que se atiram à peleja como quem avança num prato de comida.

Tanto apetite fez com que o placar de 3 a 0 fosse até modesto para o tamanho da superioridade do Remo na partida. O time podia ter feito quatro ou cinco gols e o marcador ainda assim não seria exagerado. No primeiro tempo, houve algum equilíbrio, mas a vitória parcial de 1 a 0, gol de Sílvio, foi inteiramente justa.

O artilheiro saiu após deslocar o ombro, mas a gana de vencer não abandonou os moleques. Walter Lima, comandante do pequeno exército leonino, pôs em prática o mesmo estilo agressivo e veloz empregado com sucesso diante do Vitória. Acertou em cheio.

Imagino até que o Flamengo tenha mais bala na agulha do que o exibido aqui, mas em certas passagens do confronto ficou a impressão de que os meninos do Rio não esperavam que seus adversários do Pará estivessem tão famintos de bola.

A surpresa era perceptível no olhar espantado, na falta de pegada nas divididas. Nadson, Rai, Beto (principalmente), Edcléber, Igor e Guilherme foram incansáveis, pareciam dispostos a continuar correndo depois do jogo.

A reger tudo, com serenidade e precisão, um autêntico maestro. O menino Rodrigo. Camisa 10 clássico, que se diz inspirado nos bons tempos de Gian e Paulo Henrique Ganso, jogou como gente grande. De cabeça erguida. Fez lançamentos de 40 metros, passes precisos. E marcou dois golaços. No primeiro, logo no recomeço do jogo, se livrou de um beque e mandou da entrada da área, fora do alcance do goleiro.

Quando o Flamengo se arrumava para tentar descontar, veio o segundo gol. Em falta pelo lado esquerdo do ataque, Rodrigo bateu de esquerda meio cruzado, meio direto. Quando o goleiro cismou que a bola podia entrar, ela já estava no fundo das redes.

Depois disso, Rodrigo ainda teve outras boas participações, mas nem precisava. Já estava eleito o craque da noite. Com todas as honras e méritos. Ao final, com humildade, admitiu que a presença calorosa e vibrante do torcedor foi fundamental para impulsionar o time. Sinal de que os garotos, que jogam muito, também já sabem interpretar os anseios da massa. É um excelente começo.

Grande jogo, noite feliz para os corações azulinos.

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Maior público da Copa BR sub-20

Virou lugar comum o impacto que jornalistas do Brasil inteiro sentem diante da torcida paraense. Inúmeras vezes a fidelidade do torcedor local foi testada e nunca negou fogo. Tivemos aqui jogos importantes pela Taça Libertadores 2003, campanha memorável do Remo na Série C 2005 e amistosos da Seleção Brasileira prestigiados com invulgar presença da galera. Ontem, porém, foi diferente.

Pela primeira vez na história de uma competição sub-20 no Brasil, um jogo reuniu tamanha multidão. Mais de 25 mil pessoas no estádio Edgar Proença. A ESPN, que exibiu a partida para todo o país, ressaltava isso a todo instante, comparando com a maior plateia da competição até então: a decisão do ano passado, quando 21,6 mil torcedores compareceram ao Barradão para incentivar o Vitória diante do Atlético-MG.

O Brasil ainda não se acostumou com um torcedor tão apaixonado por futebol quanto o nosso. Mesmo absurdamente barrado da Copa do Mundo pela dupla de farsantes Ricardo Teixeira/João Havelange, segue dando suas respostas aqui e ali. Com o dado admirável de que não vai a estádio para ver os visitantes, mas para celebrar e reverenciar seus próprios times.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 03)