Coringa de Joaquin Phoenix não é nenhuma piada

Por Tommaso Koch, no El País

Levantar-se de madrugada nunca tem muita graça. Mas o palhaço Arthur Fleck já não está interessado em divertir. Ao contrário: adora causar dor e frustração, devolver ao mundo o tormento que ele sofreu. Por isso, talvez o clown tenha desfrutado da angústia que reinava na Mostra de Veneza entre seus sequazes: o espetáculo começava às 20h30, mas às 19h já havia fila para entrar na sala. E, na fila, surgiam sustos e temores: ninguém queria ficar de fora do circo. No festival de cinema mais antigo do mundo, o filme mais esperado da competição era um longa de Hollywood sobre o arqui-inimigo do Batman. O mundo ao contrário. Coisas de Coringa.

No final, o clown mais macabro tem um filme só para ele. Uma obra peculiar, que não tem nada a ver com seus odiados super-heróis. E um sucesso medonho, a julgar pelas primeiras reações. Basta dizer que a interpretação de Joaquin Phoenix foi aplaudida por unanimidade. Meses de cortejo foram necessários para convencê-lo a fazer o filme. Diz-se que o ator emagreceu até 23 quilos para encarnar o palhaço. Mas o transformista da sétima arte pôde enfrentar a maldição do Coringa. O papel que deixou Jack Nicholson marcado, que se tornou o legado de Heath Ledger e fez Jared Leto sair do trilho fica tão perfeito em Phoenix quanto seu terno vermelho. Feito sob medida. O ator foi ovacionado ao aparecer na sala da imprensa. “Para mim a chave, o que atrai nesse filme, é essa aproximação totalmente nossa. Não me baseei em nenhuma outra interpretação do personagem”, disse ele.

Mas o ator está acima do filme. Coringa fala sobre as origens do mal. Sobre como um anódino candidato a comediante, educado por sua mãe para “dar risos e alegrias ao mundo”, transforma-se num assassino cruel. No princípio o diretor, Todd Philips (Starsky & Hutch – Justiça em Dobro e a saga Se Beber, Não Case!), tem muita pressa em levar seu personagem rumo à escuridão. Após empurrar sua criatura até as sombras, porém, o cineasta decide cuidar mais dele. Emergem então sequências e ideias mais interessantes: o mundo é igualmente culpado, por dar as costas a um marginalizado que pede compreensão e recebe golpes em troca. “O pior lado da doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não a tivesse”, escreve Fleck em seu sombrio diário. Um discurso integrado, um dedo em riste contra todos. E o próprio Philips aproveita essa doença e suas consequências para tornar seu personagem mais inquietante. O Coringa da história se torna símbolo de uma revolução dos inadaptados. Mas seu criador parece estar convencido dessa via. “Os filmes são muitas vezes espelhos da sociedade, mas este não é um filme político”, disse.“O personagem é complicado de definir. Eu me concentrei em sua luz, sua luta por se conectar. Tentei identificar alguns lados de sua personalidade, mas logo dava um passo atrás porque queria algo de incerteza”

Diretor e protagonista preferiram não contar muito. Acreditam que é melhor manter certo mistério. “O personagem é complicado de definir, não queremos fazê-lo. Eu me concentrei em sua luz, sua luta por se conectar, por receber calor e amor. Tentei identificar alguns lados de sua personalidade, mas logo dava um passo atrás porque queria algo de incerteza. Durante a filmagem, descobríamos constantemente novos aspectos dele”, relatou Phoenix. O ator, porém, compartilhou com o público e os jornalistas algumas das dificuldades que enfrentou. Também contou que foi útil ler um livro sobre assassinos políticos. Para dar a risada do personagem, por exemplo, foi de especial ajuda uma das incontáveis conversas com o diretor. “Ele me disse que era algo doloroso, que o Coringa é uma parte de Arthur que quer superar a situação.” Phoenix reconheceu que o processo foi longo e que teve medo de não conseguir. Também não imaginou que poderia emagrecer tanto para um papel. “Você se torna um pouco louco quando perde tanto peso em tão pouco tempo. Isso afeta a sua mente”, afirmou.

Para DC Comics, o próprio projeto parecia insensato. “Eu pensava: por que não podia fazer um filme de gênero com o Coringa? Mas foi muito difícil convencê-los”, contou o diretor. Uma vez obtida a aprovação da DC e da Warner, Philips pôde dar asas à sua fantasia. Assistiu a vários musicais, inspirou-se em Taxi Driver – Motorista de Táxi e Um Estranho no Ninho, no romance gráfico Batman: A Piada Mortal e no filme mudo O Homem Que Ri, de 1928. “O Coringa diz nos quadrinhos que concebe seu passado como uma série de escolhas múltiplas, de modo que havia muita liberdade. Tentamos criar algo totalmente louco a cada dia. Não tínhamos fronteiras nem limites.” Tanto que já se fala de uma sequência. Este Coringa é sério: não é nenhuma piada.

Dez momentos biográficos de Joaquin Phoenix, tão trágicos como seu papel em ‘Coringa’

Nascido na pobreza e criado em seita sexual

“A razão pela qual é tão bom dando vida a personagens traumatizados é porque ele também foi um”. Assim analisava um produtor de cinema no site Page Six, tentando explicar de onde procedia o talento inato de Joaquin Phoenix para interpretar personagens tão torturados como o recente Coringa. Não lhe falta razão. A vida do intérprete é um compêndio de tragédias de difícil assimilação que começaram assim que ele nasceu, numa família de hippies evangelizadores que viajavam pelos Estados Unidos e América do Sul. Os Phoenix eram parte da seita Filhos de Deus, que sob sua mensagem de revolução espiritual e defesa do amor livre escondia a incitação à prostituição entre os integrantes ou para a captação de novos membros. Quando Joaquin chegou ao mundo, seus pais pediam dinheiro para poder comer, e seus irmãos mais velhos passavam o dia atuando nas ruas de San Juan (Porto Rico), em vez de irem à escola. O culto também tolerou a corrupção de menores e o abuso sexual. River Phoenix, futura estrela da meca do cinema, confessou que tinha perdido a virgindade aos quatro anos. “As seitas poucas vezes se anunciam como tal. Costumam se anunciar como ‘somos gente que pensa como você, somos uma comunidade’, mas, no momento em que meus pais notaram que havia algo além disso, foram embora”, declarou o protagonista de Ela. Outra célebre atriz, Rose McGowan, também cresceu dentro dessa organização, que foi dissolvida em 1978.

Crianças-prodígio

A família fugiu de Porto Rico escondida em um navio cargueiro. Quando chegaram a Los Angeles, os pais, John e Arlyn, decidiram não escolarizar seus filhos e em vez disso buscar uma carreira em Hollywood para eles. River e Joaquin começaram a trabalhar como atores com apenas oito anos, assim como suas irmãs Liberty e Summer. John tinha um forte vício em álcool, e o adolescente River Phoenix, que não tardaria a despontar na indústria, foi quem assumiu a manutenção da família. Joaquin, com 13 anos, confessava-se assim frente às câmeras de televisão sobre sua insólita infância: “Às vezes sentimos falta de ter uma infância normal. Quando vamos a um lugar novo conhecemos gente nova, mas depois temos que nos despedir”. Na imagem, com Angela Lansbury.

Morte de River

O irmão mais velho já era um astro indiscutível em Hollywood aos 23 anos. Com filmes como Conta ComigoIndiana Jones e a Última Cruzada e Garotos de Programa tinha conseguido uma indicação ao Oscar, uma Copa Volpi, forrava os cadernos de hordas de adolescentes e liderava uma nova geração de atores. Sua morte por overdose, na noite de 31 de outubro de 1993 no The Viper Room, um estabelecimento pertencente a Johnny Depp aonde ele tinha ido para tocar ao vivo – sua grande paixão era a música – junto com Flea, dos Rede Hot Chili Peppers, comoveu a sociedade na época. Joaquin, então com 19 anos, foi quem ligou para o serviço de emergência enquanto Rain tentava reanimá-lo sem sucesso. Todos os anos, em 31 de outubro, o Viper Club fecha suas portas em homenagem ao falecido ator.

Alcoolismo

Em 2005, poucas semanas depois de terminar a rodagem de Johnny & June, Phoenix ingressou em um centro de reabilitação. O ator reconheceu que foi durante a filmagem – o filme inclui várias cenas que mostram um Johnny Cash viciado em bebida – que percebeu que dependia do consumo de álcool para ficar bem. “Eu me via como um hedonista, era um ator em Hollywood que queria me divertir por um momento. Mas estava sendo um idiota, indo por aí bebendo, tentando ferrar com as pessoas e entrando em clubes estúpidos”, reconheceu no The New York Times.

I’m Still Here

O falso documentário perpetrado com Casey Affleck é um marco excêntrico no cinema norte-americano. Com a – frustrada – intenção de mostrar o lado mais sombrio de ser um astro da sétima ar. Phoenix se submeteu a uma deterioração física, mental e de reputação inigualáveis, aparecendo perante a câmara como um autêntico louco cujo verdadeiro sonho era ser rapper. Vimos o ator cheirar droga, fazer – supostamente – sexo com prostitutas e servir como privada humana, numa interpretação que conseguiu, isso é verdade, enganar Hollywood, mas que deixou mais incertezas que certezas sobre a saúde mental de seus responsáveis. Sua divertida entrevista a David Letterman já é um dos grandes momentos da cultura pop.

Casey Affleck e acusações de assédio sexual

Phoenix e o ganhador do Oscar por Manchester à Beira-Mar são amigos desde a adolescência, quando trabalharam juntos em na rodagem de Um Sonho Sem Limites, de Gus Van Sant. Eles dividiram apartamento em Nova York e fizeram tatuagens combinando, e Affleck inclusive virou seu cunhado ao se casar com sua irmã Summer (divorciaram-se em 2017). Juntos perpetraram o documentário I’m Still Here, protagonizaram as maiores festas jamais vistas na meca do cinema – com perdão de Leonardo DiCaprio – e levaram sua camaradagem a extremos delitivos. A produtora e a diretora de fotografia do falso documentário denunciaram Affleck por assédio sexual e agressões verbais durante a filmagem, com Phoenix como suposta testemunha silente dos fatos. Embora o ator e cineasta tenha rejeitado taxativamente as acusações, terminou chegando a um acordo milionário com ambas as mulheres para evitar ir a julgamento. Phoenix afirmou recentemente que há “três ou quatro anos” não fala com quem foi seu amigo mais próximo.

Perda de amigos íntimos

Joaquin Phoenix teve que lamentar a morte pelas drogas de dois de seus mais próximos e talentosos amigos e colegas de geração: Heath Ledger e Philip Seymour-Hoffman. Este último, quando Phoenix estava rodando O Mestre, afirmou que havia sentido uma química dificilmente explicável com seu colega de elenco, e ele foi um dos poucos rostos conhecidos no funeral do ator de Capote. A Ledger, com quem agora compartilha para a posteridade o papel do palhaço antagonista, unia-o uma grande amizade desde o início da carreira. Em Coringa se escondem várias homenagens ao saudoso intérprete australiano.

Destruição e lesões no set

Quando Paul Thomas Anderson, diretor de O Mestre, foi perguntado se durante a filmagem temeu alguma vez pela integridade física de Joaquin Phoenix, não pôde ser mais contundente: “Sim, muitas vezes”. O porto-riquenho, interpretando um vagabundo que entra para uma organização inspirada na Igreja da Cienciologia, entrou tanto no papel que se lesionou e destruiu vários sets de tão passional que foi sua interpretação. “Acredito que houve várias oportunidades em que podia ter se machucado e se machucou. Mas isso é um pouco o que você quer (como diretor), sempre dentro da razão”, acrescentou Anderson.

Maus tratos à equipe técnica e aos figurantes

Ser um ator de método implica uma série de sacrifícios que beiram a loucura, e que pouquíssimos estão dispostos a assumir na Hollywood atual. Phoenix é um deles. O intérprete não hesitou em perder e ganhar grandes quantidades de peso segundo os papéis, passear com uma espada real a todas as horas em Gladiador, passar meses numa cadeira de rodas para interpretar um paraplégico e trabalhar em um quartel real de Baltimore para dar vida a um bombeiro. Em Coringa, costumava escapar no meio da cena, sem falar nada, se não se sentisse suficientemente convencido, e inclusive foi publicado um vídeo em que insulta o diretor de fotografia do filme por distraí-lo. Durante as cenas gravadas na prisão em Johnny & June, Phoenix exigiu que a equipe técnica tratasse os figurantes como verdadeiros detentos. Impediu que saíssem para comer, beber ou ir ao banheiro durante a filmagem de uma sequência para criar a atmosfera de tensão exigida.

Conflitos com colegas e desafio com De Niro

Os modos extremos de Phoenix nem sempre são bem entendidos por todos os que o cercam. O maior e mais questionável feito de I’m Still Here foi ofuscar a que certamente é um dos melhores filmes do Joaquin Phoenix, Amantes. Imbuído do seu traje autodestrutivo, o intérprete decidiu boicotar toda a promoção do drama coprotagonizado por Gwyneth Paltrow para usá-lo como material do documentário. “Lamento muito se o que fiz afetou de maneira negativa o filme”, desculpou-se o ator depois. Seu atrito com Ridley Scott no set de Gladiador se soma aos recentemente mantidos com Robert de Niro nos set de Coringa. Phoenix estava tão encerrado em seu personagem que assegura que não chegou a estabelecer contato social com o que é “seu ator favorito de todos os tempos”. Conforme acrescentou o diretor Todd Phillips, os dois intérpretes também se enfrentaram na hora de ensaiar ou não os diálogos antes da filmagem. Spoiler: ganhou De Niro.

(Do El País)

Schülle entra na mira do Leão

Depois de dispensar Eudes Pedro, o Remo sai em busca de um substituto para o comando técnico. A prioridade é contratar o novo executivo de futebol, mas nomes de treinadores já são especulados no Evandro Almeida.

Um dos nomes mais lembrados é o de Itamar Schülle está livre no mercado, depois de ser dispensado pelo Cuiabá (MT). Segundo a imprensa goiana, ele negocia com o Vila Nova (GO), que está na luta contra o rebaixamento.

O técnico, de 52 anos, já esteve na mira do Remo no final de 2017, mas o clube optou por fechar com Ney da Matta.

Outro nome mencionado nos últimos dias é o de Hemerson Maria, técnico que tem grande experiência na Série B.

Foto de Bolsonaro “executando” Moro viraliza na internet

Uma imagem estampada na capa na edição desta quarta-feira (16) do jornal O Estado de S.Paulo, captada pela fotojornalista Gabriela Biló, mostra Jair Bolsonaro (PSL) com sua imortalizada imagem de arma nas mãos apontada para a cabeça do ministro da Justiça, Sergio Moro, sob risos de seu colega da Economia, Paulo Guedes.

A foto, feita durante a cerimônia de hasteamento da bandeira, ilustra a reportagem de capa sobre a nova crise instaurada por Bolsonaro após a ação da Polícia Federal, comandada por Moro, contra o presidente do PSL, Luciano Bivar, na investigação sobre as candidaturas laranjas da sigla.

De forma metafórica, a imagem mostra um Moro rendido às ordens de Bolsonaro, a quem teria antecipado as informações sobre a operação da PF contra o presidente da sigla que levou o capitão ao poder.

Vereador quer proibir o uso do VAR no Rio de Janeiro

O vereador Zico (PTB-RJ) quer proibir o uso do VAR no Rio de Janeiro. Hoje (16), o político publicou um projeto de lei no Diário Oficial da Câmara da capital fluminense em que propõe o veto ao recurso tecnológico, utilizado no Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. O UOL Esporte acessou o documento e traz as justificativas apresentadas para vetar a tecnologia em partidas na cidade.

“Apesar de ser uma tecnologia muito cara, o uso do árbitro de vídeo não tem contribuído para a melhoria do futebol. Com interrupções demoradas, fazendo com que o ritmo das partidas seja alterado, quem perde é o torcedor, o público que paga para assistir ao espetáculo”, alega o vereador, ainda duvidando das decisões.

“Temos que registrar também os julgamentos incoerentes e duvidosos que fazem com que a tecnologia, que deveria vir para somar, subtraia a alegria do torcedor. A proposição visa devolver ao juiz da partida o poder de decisão sem a ajuda de um computador. É isto que o torcedor carioca pede, e que por todo o exposto, conto com o apoio dos meus pares para a aprovação desta Lei”, diz o projeto de lei escrito pelo vereador Zico.

A proposta do vereador surge três dias depois de o Flamengo se manifestar publicamente contra a arbitragem do Brasileirão. O líder da competição emitiu nota oficial e repudiou a atuação de Bráulio da Silva Machado, árbitro que anulou a marcação de um pênalti ao consultar o vídeo no duelo contra o Athletico Paranaense, na Arena da Baixada. Em campo, o time carioca venceu por 2 a 0 e se manteve confortável na liderança. (Do UOL)

Desabafo de professor

Por Daniel Malcher

Fala-se tanto em “respeito ao professor”, de que ele é “um herói sem capa”, que sua contribuição à sociedade é “veicular conhecimento, forjando cidadãos críticos”… tudo bazófia, palavras ao vento eivadas de senso comum pseudo-elogiosas. A verdade é que somos detestados, maltratados, vilipendiados, controlados e monitorados por aqueles que reproduzem esses falsos elogios. O que importa, para a máquina é que nós sejamos parte passiva de uma engrenagem enferrujada que diz defender interesses “nobres”: “o aluno”, “os pais”, “a eficiência”… “olha o horário, professor!?”; “não reclame, trabalhe!”; “desculpe professor, mas não podemos resolver seu problema”; “a ordem das secretarias é a seguinte: não vai ter piso; e tratem de ministrar aulas, aulas, aulas” não importa em que condições estruturais, físicas ou emocionais.

E assim o sistema segue forte, apesar de enferrujado, afinal, tem os seus prepostos prontos a defendê-lo acriticamente, com unhas e dentes. Não se pode esquecer, no entanto, que a máquina traga a todos, não existem peças insubstituíveis.Enquanto formos desrespeitados, cobrados de forma injusta ou acusados de não sermos “eficientes”, não haverá 200 dias letivos que dêem conta de tanta contradição, pois sabe-se que não formaremos cidadãos críticos e plenamente hábeis e capazes dentro de uma estrutura acrítica, persecutória, que vigia e pune a quem deveria ter plena autonomia, reproduzindo no dia a dia autoritarismo e mandonismo onde se supõe existir o exercício de liberdade de cátedra e de pensamento.

A reflexão se faz também fora da sala de aula! Nos respeitem! Adoecemos, dormimos pouco e comemos mal em razão dos nossos problemas pessoais e, sobretudo, do trabalho que levamos para casa, não contabilizado e nem registrado em folhas de ponto, e que também nos afastam das pessoas que amamos e de momentos aprazíveis. Retiramos do próprio bolso, muitas vezes, o custo de material para que todos os alunos possam acompanhar nossas aulas de forma minimamente satisfatória.

Será isso tudo “falta de compromisso”? Será isso tudo “ineficiência”? Não temos nada a comemorar. E por favor, não precisam nos homenagear. Deixem-nos, ao menos hoje, descansar. Silenciem, pois hoje dormimos um pouco mais. Ao menos isso.