Pelé faz aniversário. Viva o Rei!

Pelé, o Rei do futebol, está aniversariando hoje. Completa 79 anos com amplo reconhecimento pela carreira gloriosa. No auge da fama e do prestígio, o Rei passou por Belém e no amistoso com o Remo, no estádio Evandro Almeida, vestiu a camisa azulina.

O jogo aconteceu na noite de 19 de abril de 1965, marcando a inauguração do sistema de refletores do estádio remista. Pelé foi muito aplaudido pela torcida que lotava o estádio. O Rei foi homenageado e recebeu um ramalhete de flores das mãos do atacante Jaster.

Em campo, uma chuva de gols: Santos 9 x 4 Remo. Depois de começar perdendo por 2 a 1, o Peixe virou e partiu para uma vitória arrasadora, com direito a cinco gols de Pelé

Schülle entra na mira do Leão

Depois de dispensar Eudes Pedro, o Remo sai em busca de um substituto para o comando técnico. A prioridade é contratar o novo executivo de futebol, mas nomes de treinadores já são especulados no Evandro Almeida.

Um dos nomes mais lembrados é o de Itamar Schülle está livre no mercado, depois de ser dispensado pelo Cuiabá (MT). Segundo a imprensa goiana, ele negocia com o Vila Nova (GO), que está na luta contra o rebaixamento.

O técnico, de 52 anos, já esteve na mira do Remo no final de 2017, mas o clube optou por fechar com Ney da Matta.

Outro nome mencionado nos últimos dias é o de Hemerson Maria, técnico que tem grande experiência na Série B.

Futebol não é para amadores

POR GERSON NOGUEIRA

Em tempos de vazamentos que mudam a configuração política do país e ameaçam desnudar vacas sagradas, chamou atenção a divulgação nas redes sociais de um áudio atribuído ao técnico remista Eudes Pedro, que não fez qualquer desmentido a respeito.

A conversa, com alguém da comissão técnica ou um amigo próximo, é reveladora da inexperiência do treinador. Todo mundo sabe que a expansão de canais e plataformas de comunicação exige travas e cuidados redobrados para evitar que um diálogo privado se torne público.

Em tom confidencial, o papo expõe a posição pessoal de Eudes sobre a permanência dos jogadores Eduardo Ramos e Neto Baiano, atletas que já estavam no elenco quando ele chegou ao clube no mês passado.

Diante dos boatos de iminente dispensa do técnico, após o resultado negativo na semifinal da Copa Verde, a divulgação do áudio soou como a manjada tática de jogar no ventilador para ver o que acontece.

Ninguém pode fazer defesa prévia dos atletas, mas é no mínimo inadequado e antiético que o técnico expresse posicionamento tão negativo sem jamais ter criticado antes os jogadores em entrevistas ou em relatos à diretoria – pelo menos que se saiba.  

Pior ainda foi a afirmação de que só ficaria no cargo se ambos forem dispensados, colocando o próprio presidente Fábio Bentes contra a parede. A postura de emparedar não é recomendável em qualquer nível de relação profissional, mas no universo do futebol costuma ser fatal para quem aciona o botão.

Eudes, talvez pela pouca vivência no comando de um time que tem uma torcida imensa por trás, parece ter decidido pagar para ver. Aposta perigosa. Não apenas pela imagem antipática que fica, mas porque seu trabalho ainda é incipiente, sem resultados que respaldem arroubos mais radicais.

No áudio, o técnico diz, a certa altura, que não espera mesmo continuar no comando, o que soa ainda mais confuso. Se não pretende ficar no clube ou acha que não querem que permaneça, por que impor uma condição taxava à diretoria, conforme afirma ter feito?

Se Eudes tentou dar uma cartada decisiva, fez o lance errado. Primeiro, porque dificilmente a diretoria irá romper acordos com Ramos e Baiano. Depois, porque o tiro pode sair pela culatra: se a demissão não era certa, o áudio torna a situação praticamente insustentável. A diretoria, se não tomar atitude, passará imagem de banana e passiva. 

Quando até os milímetros jogam contra

Quando a fase é negativa tudo conspira contra. O Botafogo mandou uma bola na forquilha da trave do Goiás em cabeceio de Luís Fernando. Logo em seguida, teve anulado um gol de Cícero, de cabeça.

O VAR traçou a tal linha tridimensional e verificou que, por uma fração de centímetros, a chuteira do meia botafoguense aparece à frente do último zagueiro.

Como nem tudo é notícia ruim, o belíssimo gol de Michael para o Goiás foi anulado porque na construção do lance a bola resvalou (também milimetricamente) no braço de Malone.

Depois disso, o Botafogo se manteve firme e conseguiu sua primeira vitória no returno, marcando 3 a 1.

Luxa caiu no Real porque impôs a Lei Seca

Vanderlei Luxemburgo gosta de distribuir a versão de que rodou do comando do Real Madrid na metade da década de 2000 por divergências com a presidência do clube. Sempre me pareceu que faltava alguma verdade na história. Ontem, Roberto Carlos deu tintas mais realistas ao episódio. Sincerão, o lateral esquerdo dos galácticos explicou que o técnico caiu mesmo porque cortou o vinho e a cervejinha da rapaziada.

Zidane, Beckham, Figo, Ronaldo Fenômeno, Casillas e outras cobras criadas estavam habituados a uma sessão de relaxamento etílico de 20 minutos na concentração. Roberto Carlos ainda avisou o treinador para não mexer nas bebidas, mas Luxa resolveu impor lei seca.

Conta que Vicente Del Bosque, ao contrário, liberava geral e sempre colocava o treino à tarde. “Não colocava nunca às 11 da manhã porque sabia que quase ninguém chegava”. O próprio RC admite que a história não é lá muito edificante, mas arremata com um conselho irretorquível: “Não façam o que fizemos, mas ganhem o que ganhamos”.

Técnico vira o grande ídolo da Fiel Bicolor

Uma vitória no Re-Pa é algo às vezes mais relevante e duradouro que um título de campeonato. Hélio dos Anjos é prova viva desse fenômeno. De uma hora para outra, ele se transformou no grande ídolo da torcida do Papão depois da série invicta de quatro jogos sobre o maior rival.

É para nas ruas para autografar camisas, tira selfies com a torcida no aeroporto e distribui sorriso até para manequim de loja. Uma simpatia só.

Caso se candidatasse hoje, teria boas chances de se eleger a alguma coisa. Nos últimos dias, passeou pela Basílica e já deu até uns volteios no Ver-o-Peso para êxtase dos feirantes bicolores.

E não ganhou rigorosamente nada até agora. Imagine se fechar o ano conquistando a Copa Verde.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 10)

Eudes na mira das cornetas

POR GERSON NOGUEIRA

Da surpresa inicial com o anúncio de um nome desconhecido, que nem técnico era ainda, o torcedor do Remo passou a uma clara desconfiança em relação a Eudes Pedro, o profissional escolhido pela diretoria para comandar o processo de reconstrução do time após a eliminação na Série C.

Auxiliar técnico de Cuca, embora pouco conhecido entre os integrantes da equipe pessoal do ex-técnico do São Paulo, Eudes chegou cercado da pior credencial que um treinador pode ter ao se apresentar para dirigir um time popular, dono de torcida exigente: a condição de iniciante.

Foi chamado de estagiário e aprendiz inúmeras vezes. Em meio a isso, teve pela frente o desafio extra de se impor junto aos jogadores do elenco, alguns com muito maior experiência profissional que ele.

Nada, porém, mais difícil do que conquistar o coração da torcida ainda frustrada com a desclassificação na Terceira Divisão, tendo o sonho de brigar pelo acesso interrompido pelo maior rival no jogo decisivo – mesmo que, verdade, o Remo tenha perdido a vaga para o Ypiranga, que obteve surpreendente vitória sobre o Juventude nos instantes finais.

Na Copa Verde, superou o baixo astral que assolava o time na primeira fase da competição e teve seu melhor momento na goleada aplicada sobre o Atlético-AC, no estádio Evandro Almeida, melhor apresentação do time na temporada.

Mas, como havia ocorrido com Márcio Fernandes, Eudes não conseguiu fazer a leitura correta do que é o Re-Pa. Em relação ao antecessor, ele tem em seu favor o fato de ser um novato e não conhecer as entranhas do futebol paraense.

Ambos foram colocados no bolso por Hélio dos Anjos, comandante do PSC e com experiência suficiente para saber que o clássico-rei da Amazônia não é para amadores e não pode ser olhado como um jogo qualquer. Hélio respeitou a história do jogo, por isso levou a melhor nos quatro confrontos que teve na temporada – 2 na Série C e 2 na CV.

A derrota de domingo recolocou o nome de Eudes na marca do pênalti. Irritada com outro revés frente ao maior rival, a torcida exige mudanças drásticas, a começar pelo comando técnico. Cobra dispensa de jogadores e exige reforços, como sempre.

Apesar da pressão das arquibancadas, é pouco provável que Eudes seja afastado agora, pois a diretoria ainda aposta nele para montar o time para o Parazão. No entanto, a decepção do torcedor azulino com o desfecho da temporada pode forçar uma mudança de rumos.

O clube obteve conquistas importantes em 2019. Ganhou o bicampeonato estadual e se manteve na Série C com campanha de razoável para boa – ficou a um ponto da classificação à 2ª fase. Fora de campo, a diretoria marcou um golaço ao entregar o estádio Baenão revitalizado.

Tudo isso está na memória do torcedor, mas a lembrança que fica é sempre a mais recente: a terceira eliminação consecutiva na Copa Verde, desta vez pelas mãos do PSC. E as mudanças no time antes e durante o jogo deixaram uma impressão negativa sobre o trabalho do treinador.

De certo modo, confirma-se aqui a máxima de que o campeonato mais importante ainda é o Re-Pa, pois dele pode resultar alegria e desconsolo.

Mesmo sem competições a disputar até o Campeonato Paraense, o Remo continuará a ser agitado pelos corneteiros, que exigem sangue e cabeças. Eudes, por conta disso, corre riscos mesmo sem bola rolando.

Estilo minimalista confere pontos a Geovani

Reserva de Mota durante grande parte da Série C, o goleiro Geovani aproveitou muito bem as oportunidades surgidas na Copa Verde. Bem recomendado pela passagem no Atlético-MG, ele foi regular nos jogos iniciais contra o Manaus-AM e brilhou na disputa com o Bragantino, quando foi o herói da classificação agarrando três penalidades.

Nos clássicos da semifinal, demonstrou segurança, tranquilidade e uma virtude que é sempre apreciada nos goleiros: a contenção dos gestos. No jargão das arquibancadas, não é um goleiro dado a presepadas, fazendo o perfil minimalista.

Teve até um rasgo de ousadia no primeiro Re-Pa, saindo perigosamente com a bola dominada, mas deve ter sido orientado a evitar tais arroubos. No clássico de domingo, esteve quase impecável e ainda teve sorte no lance em que a bola passou por ele e por toda a zaga no final do 1º tempo.

Na disputa direta com Mota, titular durante toda a Série C, Geovani vem ganhando preciosos pontos pela performance na CV. Terá, ainda, as finais em novembro para consolidar prestígio e transformar a oportunidade do rodízio em titularidade.   

Na era sombria da intolerância a qualquer preço

Um dos filhos do técnico Marcão, do Fluminense, foi importunado e chegou a ser agarrado pelo pescoço por integrantes de uma torcida organizada do Botafogo, domingo, após o jogo no estádio Nilton Santos, no Rio. O filho e o sobrinho de Marcão estavam com a esposa do técnico quando foram abordados.

O incidente não teve maiores consequências porque outros torcedores intercederam, mas é sintomático da violência gratuita que tomou conta do ambiente o futebol no Brasil. O simples fato de andar com a camisa de outro clube aciona o gatilho da intolerância estúpida e selvagem.

Não é um ato exclusivo da torcida botafoguense, mas é lamentável que o clube que já foi um dos mais pacíficos do país tenha também sua cota de brucutus. Definitivamente, este não é o Botafogo que eu conheço.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 08)

Cirúrgico, Papão mata nos acréscimos

POR GERSON NOGUEIRA

Fiel às melhores tradições do clássico centenário, o PSC usou os acréscimos para vencer o Remo e garantir vaga na final da Copa Verde. A vitória veio em ações consistentes, produzidas por um time mais inteiro fisicamente e melhor organizado. Méritos também do atacante Nicolas, incansável dentro da área e participando diretamente de dois gols.

Nos primeiros 45 minutos, apesar de o Remo ter tomado a iniciativa e exibisse uma distribuição inteligente na meia-cancha, a melhor chance de gol pertenceu ao time bicolor, num lance que teve participação de Vinícius Leite, Nicolas e Hygor, com a bola batendo duas vezes na trave remista.

As dificuldades exibidas por Tomas Bastos na volta ao time, errando passes além da conta, fizeram Hélio dos Anjos optar por Tiago Primão aos 25 minutos de jogo. A mexida ajudou o Papão a equilibrar as ações.

Depois de ver o rival se movimentar melhor no começo do jogo, com a participação dos armadores Eduardo Ramo e Zotti, o PSC voltou mais armado na defesa, aumentando o combate no meio e disposto a explorar melhor a velocidade de Bruno Collaço pela esquerda.

Além disso, Hélio mexeu bem no meio, trocando Wellington Reis por Léo Baiano. Teve sorte, como costumam ter todos os vitoriosos, aproveitando bola alta na área do Remo após erro de Zotti em troca de passes na intermediária. O cruzamento foi desviado por Nicolas para a pequena área deixando Hygor em condições de bater e marcar, aos 13 minutos.

O Remo se perturbou – e seu técnico também. Eudes Pedro, cujo esquema inicial havia se mostrado bem ajustado, decidiu embaralhar as cartas e trocou, de uma só tacada, os dois meias. Zotti e Ramos saíram para a entrada de Djalma e Wesley.  

Com Djalma avançado, o Remo adquiriu força e ímpeto para ir à frente, mas continuou com problemas na saída de bola, até porque as jogadas passaram a ser iniciadas com os zagueiros e volantes. Wesley também deu oxigênio ao ataque, participando da manobra que levou ao empate.

O problema é que os volantes Yuri e Ramires ficaram sobrecarregados. Para piorar, Cesinha não participava do esforço pelo lado direito e Ronaell fazia uma de suas piores partidas.

No Papão, com a entrada de Léo Baiano, a armação ficou sólida e passou a ganhar todos os rebotes defensivos. Nicolas voltou a ocupar mais a faixa esquerda para abrir ainda mais a marcação.

Com mais compactação, os bicolores envolviam o novo meio-campo do adversário com trocas rápidas de passes, invertendo a situação do início do confronto. Mas, numa vacilação de Uchoa, que tentou driblar dentro da área, a bola foi e voltou até cair nos pés de Neto Baiano, que chutou para as redes, aos 37’. O gol levantou a galera e entusiasmou o Leão, que, por cinco minutos, insistiu com jogadas rasantes na área.

Depois que o Remo diminuiu a pressão, o cenário indicava que o clássico terminaria novamente empatado, caminhando para a decisão em cobranças de penalidades. Ocorre que o PSC, mais focado, mostrou-se pronto a aproveitar as brechas permitidas pelo rival.

No primeiro lance, houve uma saída errada de Ronaell permitindo que o PSC trocasse passes e a bola chegasse a Bruno Collaço. Ele cruzou na cabeça de Nicolas, que desviou no canto direito e no contrapé de Vinícius.  Detalhe: Nicolas subiu livre, acompanhado apenas por Ronaell e longe dos zagueiros mais altos do Remo, aos 45’.

Dois minutos depois, com a zaga remista aberta, Vinícius deu o passe que deixou Léo Baiano livre para romper a linha final de marcação e tocar na saída do goleiro azulino, fazendo 3 a 1 e liquidando a fatura.

Além de assegurar presença pela quinta vez na final no torneio regional, o escore de ontem coloca o Papão em 1º lugar na artilharia acumulada do clássico centenário pela primeira vez em mais de 40 anos. (Fotos: Jorge Luiz/Ascom PSC; Samara Miranda/Ascom Remo)

Hélio fecha ano com vantagem absoluta nos clássicos

Ao final da partida, Hélio dos Anjos disse que a vitória foi conquistada com emoção, cabeça fria e coração quente. Dado a rompantes poéticos – quando não encara perguntas incômodas –, ele resumiu bem o que foi a classificação à final da Copa Verde. Além disso, o PSC ostenta a marca de 21 partidas sem derrota, o que é um irrefutável atestado de maturidade.

Firme na defesa, o PSC teve alguns pecados no desenvolvimento do jogo, mas se estabilizou após a troca de Tomas por Tiago Primão e assumiu o protagonismo na segunda etapa. Só permitiu o empate numa falha individual de Uchoa, que oportunizou a chegada azulina.

Do lado azulino, Eudes pode argumentar que mexeu para tentar mudar a cara do jogo. Quase conseguiu o intento, mas teria feito melhor se mantivesse Ramos (ou Zotti) ao lado de Djalma, a fim de não expor tanto a retaguarda. Pecou também na escolha de Higor Félix, que nada produziu e parecia sem função. Hélio Borges, que havia atuado bem no Re-Pa anterior, seria a opção mais lógica.

O fato é que, pelo menos no universo do clássico, Hélio fecha a temporada em posição de vantagem absoluta. Disputou quatro partidas, venceu duas e empatou duas correndo poucos riscos nos confrontos.

Vale frisar que Hélio iniciou essa saga particular neutralizando os pontos mais positivos do Remo na era Márcio Fernandes: o toque de bola pelo meio como forma de imposição técnica e as jogadas aéreas para os zagueiros Marcão e Fredson. Ao contrário do colega de ofício, entendeu já naquele primeiro embate pela Série C que o jogo era um divisor de águas.

Contra Eudes, teve até mais dificuldades porque o time adversário mudou peças e sistema. Ainda assim, teve serenidade para segurar a pressão inicial ontem e foi pontual no uso de suas principais valências (entrosamento e aplicação tática) para triunfar nos instantes finais.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 07)

Futebol, lenda urbana

POR GERSON NOGUEIRA

Já vai longe o tempo em que o Brasil podia se orgulhar, bater no peito até, que tinha um campeonato nacional repleto de grandes times, capazes de produzir jogos eletrizantes e inesquecíveis. Infelizmente, os últimos anos – décadas talvez – mostram um cenário completamente diferente.

Ao contrário do que dizem os ‘pachequistas’ de sempre, o Brasil não tem um dos campeonatos mais difíceis do mundo. Tem, quase certamente, um dos certames mais difíceis de assistir. É duro parar por duas horas em frente à TV para acompanhar autênticas peladas a cada rodada.

E não há como se queixar do apoio das torcidas. O público até melhorou nos estádios. A média de 2019 é de 21.321 pagantes, com média de ocupação em 47%. Não chega a ser um colosso de popularidade, mas são números razoáveis e até espantosos para o nível das partidas.

Os bons resultados obtidos por times populares como Flamengo, Palmeiras e até o Corinthians, mesmo aos trancos e barrancos, ajudam a explicar o relativo êxito nas bilheterias. O problema é que o torcedor está pagando – muito caro, em média – por um produto que não é entregue nos gramados.

O futebol é paupérrimo, salvo exceções – Flamengo, Santos e Atlético-PR. Os demais 17 clubes praticam o feijão-com-arroz com condimentos variados. Os jogos se transformaram em desfile de chutões, caneladas, cruzamentos no padrão Muricybol, “faltas táticas” e retrancas mal disfarçadas juntam-se às maçantes interrupções causadas pelo VAR.

O Corinthians, citado algumas linhas acima, ostenta números que exemplificam bem a penúria técnica da Série A. Acumula nada menos que 17 vitórias por 1 x 0 desde 2017 até este ano. O recorde resulta do esquema “gol é mero detalhe” de Fábio Carille, o técnico da nova geração mais identificado com a filosofia defensivita de Carlos Alberto Parreira.

O Flamengo, de Jorge Jesus, empregou um bom dinheiro na contratação de boleiros qualificados – Bruno Henrique, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Gerson, Rafinha, Filipe Luís e Gabriel – e colhe os frutos dessa estratégia.

Melhor de um campeonato fraco, o Fla busca (e alcança) vitórias jogando o suficiente para atropelar adversários tecnicamente inferiores, medrosos pela própria condição e pouco empenhados em adotar estratégias alternativas.

Na Libertadores, imprevisível pela própria natureza da disputa, o confronto mais aguardado resultou em brutal desperdício de expectativa, anteontem. O Grêmio, acovardado em boa parte do duelo, só resolveu jogar o que pode na 2ª etapa, mas ainda assim sofreu bastante para empatar.

Quando Jorge Jesus concedeu entrevista enaltecendo a Série A brasileira certamente exprimia a velha fidalguia lusitana, sendo gentil na chegada ao país. É improvável que hoje, diante dos arremedos de adversários que topou pelo caminho, ele veja as coisas do mesmo jeito.

Calendário da CBF segue esmagando estaduais

A CBF anunciou ontem o calendário do futebol para 2020, garantindo as 10 datas necessárias para o lucrativo negócio dos amistosos oficializados pela Fifa. Ao mesmo tempo, deu um passo a mais na redução de datas dos campeonatos estaduais (agora com 16). Esse esmagamento não chega a afetar torneios com menor quantidade de clubes como o do Pará, que usa 14 datas – 12 na fase classificatória, 2 na semifinal e 2 na final.

O novo calendário reabre a discussão sobre o futuro dos regionais. O problema vai recair sobre os Estados do Sul e do Sudeste, com necessidade maior de datas para contemplar vários clássicos. A redução de datas expressa a diminuição de importância das batalhas regionais, justamente onde estão as históricas rivalidades que alimentam grandes torcidas.

Ainda levará um tempo até a extinção dos estaduais, mas o ritmo da prosa indica que esse dia está cada vez mais próximo, em função do olho gordo da CBF nas datas que beneficiam suas jogadas mais lucrativas e pela subserviência histórica de suas filiais nos Estados.

A cúpula da CBF sabe que qualquer migalha, como aqueles convites para eventos fúteis, bancados em hotéis luxuosos com as mordomias conhecidas, já garante a anuência da cartolagem pé-de-chumbo, por mais lesivo que um projeto possa ser aos interesses dos clubes filiados.

O próprio exemplo das datas impostas aos clubes paraenses na fase decisiva da Copa Verde atesta o menosprezo com que a entidade olha para federações menos importantes. As datas das finais do torneio – 23 de outubro e 20 de novembro – desafiam a lógica e o bom senso.

Um absurdo que a FPF nem se deu ao trabalho de contestar. O finalista do Norte, que sai neste domingo (6), terá que se submeter ao critério injusto estabelecido pela CBF exclusivamente para não contrariar os interesses de Cuiabá e Goiás, que disputam as Séries B e A, respectivamente.

Em termos financeiros, isso irá custar muito alto ao clube paraense classificado para a decisão, pois terá que prorrogar contratos de vários atletas para manter time completo e competitivo para as finais.

Rony: grande chance e imensa responsabilidade

O lateral-direito Rony é hoje a mais valiosa revelação do Remo na temporada. É o jogador que mais se destacou entre os jovens atletas que compõem o elenco azulino, mostrando segurança e categoria quando foi lançado inicialmente contra o Atlético-AC no Baenão.

Desenvolto e ofensivo, como há muito não se via no clube, Rony impressionou de cara pelo bom passe e a precisão de seus cruzamentos. Tais atributos já lhe permitiram entrar no clássico que abriu a semifinal da Copa Verde e podem garantir a titularidade no próximo domingo.

A responsabilidade é grande, mas Rony encontrou em Eudes Pedro um comandante atento às suas qualidades e consciente dos riscos que uma jovem aposta corre em meio ao fervor de uma rivalidade centenária.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 04) 

Atacante do Leão treina chutes de média distância

Na semana de preparativos para o clássico decisivo pela semifinal da Copa Verde, o Remo busca ajustar situações que atrapalharam o time no primeiro jogo. Um dos que têm se empenhado no treinamentos é o atacante Gustavo Ramos, que vem se dedicando a exercitar finalizações de longa e média distância, uma das estratégias de jogo que o técnico Eudes Pedro tenta implantar.

“Ao meu modo de ver, precisamos de um pouco mais de concentração, não pecar nas oportunidades que temos, porque clássico se define com uma bola”, comentou Gustavo.

“Para pegar uma bola em velocidade, receber uma bola na frente, a gente tem que ter essa compactação da defesa e no ataque. Essa semana a gente vai trabalhar mais”, disse. Quanto aos chutes de fora da área, o atacante avalia que podem funcionar como arma de ataque e que sempre teve facilidade para esse tipo de jogada.

Camisas 10 estão devendo

POR GERSON NOGUEIRA

Quem viu o primeiro Re-Pa da semifinal da Copa Verde passado tem justas esperanças de que o clássico do próximo domingo seja mais vibrante e interessante. Nem precisa ser um primor de técnico, basta que não seja sonolento como foi o primeiro. Nesse sentido, a responsabilidade maior cabe aos jogadores mais categorizados, os homens que têm a incumbência de organizar e dar ritmo à movimentação das equipes.

Eduardo Ramos

Os carregadores de piano, encarregados de marcar e destruir, não têm responsabilidade com o jogo bonito. A tarefa deles é defender a qualquer custo, chutando de bico para manter protegidos seus sistemas de defesa.

No Remo, Eduardo Ramos é o camisa 10 e referência. Considerado o jogador mais habilidoso do time, é visto como um maestro capaz de organizar o jogo, fazer lançamentos, vislumbrar caminhos que ninguém vê e assumir a postura de desbravadores do campo inimigo quando isso se fizer necessário e possível.   

Tiago Luís é o meia-armador do PSC. Ao contrário de Ramos, não tem conseguido encaixar uma sequência de jogos, entrando eventualmente nos minutos finais. Atravessou um período complicado, com problemas de lesão e questões de natureza pessoal, como explicou depois do jogo de domingo. Mas dele sempre se espera a jogada cerebral e surpreendente.

Ambos têm extrema responsabilidade com seus times e a obrigação de fazer o jogo ficar menos feio. Parece carga excessiva nos ombros de dois homens, mas o cartaz de que desfrutam é o bônus de uma função que só é dada a quem sabe o que faz com a bola.

Muito da pobreza técnica do Re-Pa que abriu a semifinal da Copa Verde tem a ver com o baixo rendimento dos armadores. Tanto Ramos quanto Tiago Luís ficaram muito abaixo do que podem render. O primeiro jogou por 70 minutos, o segundo entrou por apenas 30 minutos.

Nem a diferença de tempo diminui a responsabilidade do meia bicolor. Apesar de entrar na reta final, substituindo a Tiago Primão, Tiago teve pela frente adversários desgastados fisicamente e mais espaço de manobra, o que deveria propiciar atuação menos discreta.

É claro que ambos não jogam sozinhos, dependem do sistema utilizado por seus times e da movimentação dos companheiros. No Remo, fica óbvio que Ramos não tem com Eudes Pedro a mesma liberdade que tinha no período de Márcio Fernandes. É visível também que não dispõe do mesmo fôlego mostrado quando chegou em meio à Série C.

A dificuldade se amplia com o esquema 4-2-3-1 utilizado por Eudes, que prioriza a movimentação pelos lados e faz com que a meia-cancha seja muito mais municiadora do ataque, sem tanta margem de movimentação. Quando o adversário fecha os caminhos, como fez o PSC, Ramos fica sem poder estabelecer profundidade.

Tiago vive situação diferente, embora não menos complexa. Precisa se adaptar a um modelo de jogo já consolidado, com volantes (Uchoa e Léo Baiano) que participam intensamente do esforço ofensivo, mas que tendem a afunilar jogadas. O meia que flutua junto ao ataque muitas vezes acaba sem função. Foi o que ocorreu no clássico quando Tiago entrou.

Caso Hélio dos Anjos não encontre lugar para ele, problema agravado pela falta de confiança no condicionamento físico do jogador, Tiago pode não ter a chance real de mostrar utilidade naquele que pode ser seu último jogo na temporada.

Papão avalia novo modelo de negócio da marca Lobo

O Conselho Deliberativo do Papão realiza reunião extraordinária na próxima quinta-feira, dia 10, para ouvir e submeter à aprovação o novo modelo de negócio desenvolvido para a marca Lobo. Depois do sucesso inicial do projeto de fabricação própria, o clube tem contabilizado números que estão abaixo da expectativa de lucratividade.

A convocação foi publicada ontem, pelo presidente do Condel bicolor, Edson Ortiz de Matos.

Flamengo superior em jogo abaixo das expectativas

A expectativa criada em torno do jogo Grêmio x Flamengo não foi atendida pelo nível mostrado em campo. Apesar de mandante, o time gaúcho se comportou com um surpreendente acanhamento. Pouco se atirava à frente e parecia recear a rapidez na troca de passes do adversário.

No fim das contas, o temor se justificou. Todas as bolas que o Flamengo trabalhava do meio para frente resultavam em lances agudos sobre área gremista. Dois gols rubro-negros foram corretamente anulados, enquanto o Grêmio nem isso conseguia produzir. As emoções ficaram para o final.

Na etapa final, quando o Grêmio mais se mostrava ofensivo, chegando a ameaçar em chegadas de Cebolinha e Tardelli, nasceu o gol que deu a vitória ao time de Jorge Jesus. Cruzamento alto para Bruno Henrique cabecear, certeiro. Simplicidade na armação e eficiência na execução.

A vantagem de 1 a 0 abria uma excepcional vantagem na disputa. Ocorre que o espírito copeiro do Grêmio se fez presente aos 43 minutos do 2º tempo. Luan tocou para o meio, a bola chegou a Cebolinha e este disparou um foguete para a pequena área, onde Pepê desviou para as redes.

No estilo desassombrado que Jorge Luís implantou, o Flamengo buscou mais o gol, conseguindo 59% de posse de bola e chutando 11 vezes ao gol. Não venceu por detalhes e porque teve pela frente o sempre respeitável espírito copeiro do Grêmio.

Esperanças renovadas para o confronto do próximo dia 23. Apesar da frustração pelo empate no apagar das luzes, o Flamengo leva a vantagem do 0 a 0 para a segunda partida. Decisão ainda em aberto. 

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 03)

Bate-Papo: Ronaldo Passarinho, grande benemérito/Clube do Remo

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POR CLÁUDIO SANTOS

A entrevista, há muito solicitada por frequentadores do blog e torcedores azulinos, foi feita na semana passada, via e-mail. Com a atenção e o carinho habituais para com o blog, Ronaldo Passarinho respondeu a todos os questionamentos, esclarecendo pontos importantes sobre a vida e a história de seu amado Clube do Remo. Responsável por inúmeras vitórias para o Remo em demandas trabalhistas, Ronaldo já se aposentou como advogado e hoje acompanha o clube à distância, como um torcedor comum. Deu informações importantes sobre dívidas e perda de patrimônio causadas por má gestão e contratações indiscriminada de jogadores. Mesmo convalescendo de doença degenerativa, o grande benemérito opinou sobre os caminhos que devem ser seguidos para que o Leão reencontre a glória e a vitória. E mencionou um princípio básico da economia ao falar como alternativa fundamental para a recuperação financeira e administrativa da agremiação: “Gastar menos do que arrecada”. 

Cláudio Santos – Quantas e quais funções o senhor ocupou dentro do Remo?

Ronaldo Passarinho – Em 1964, diretor de basquetebol e relações públicas. Em 1968, assessor do departamento de futebol. Em 1973/78, vice-presidente de futebol. Em 1990, vice de futebol. E, em 2003/2004, vice-presidente do Clube do Remo.

CS – Em matéria no Blog do Gerson, sob o título: “Eleição Direta no Remo”, o Sr. deixou transparecer que era contra as eleições diretas por pensar que não resolveria os problemas no clube. Por quê?

RP – Em uma leitura mais acurada do artigo citado, ninguém poderá concluir ser eu contrário a eleição direta no Remo. O que afirmei e reafirmei é que um grupo vendia ilusão que eleição direta era solução para todos os problemas. Demonstrei no artigo que o Estatuto começava desmoralizado, pois para as 100 vagas do Condel apenas 63 sócios postularam a indicação e dizia “sem dúvida, é um Conselho que começa mutilado”. Com a nova eleição um mês depois, aí sim, foram eleitos 100 conselheiros.

CS – Penso que a salvação do Remo seria dar o direito a voto ao Sócio Torcedor, que já provou ser mais interessado nas coisas do clube que os demais sócios, remidos e proprietários. O que o Sr. pensa sobre isso?

RP – Concordo. O programa ST precisa ser alavancado. O problema é o péssimo rendimento do time de futebol. Espero ardentemente que ganhando o returno do Parazão o programa dispare.

CS – Mas o direito a voto ao ST é uma das formas de alavancar o programa. O que fazer pra implantar isso no clube o mais rápido possível?

RP – Colocar de forma clara, no Estatuto.

CS – O Remo, em pelo menos 50 anos, foi comandado pelos ditos “cardeais”, pois quando não estavam no poder “faziam” os presidentes. Em 50 anos, Remo não evoluiu administrativamente e, no futebol, está há mais de 20 anos fora da série A e, há muitos anos, sem série. O que o Sr. pensa sobre isso?

RP – Sua acusação não se compadece com a verdade. Ao contrário, o Remo cresceu muito nos últimos 50 anos. Como exemplos, a quadra descoberta de esportes amadores transformou-se no ginásio Serra Freire, Construção de nova piscina, aquisição da sede campestre (1 hectare maior que o Vaticano), reforma total do telhado da sede, reforma total da garagem náutica, recuperação total do sistema elétrico e duplicação  da capacidade do Baenão com o aumento das arquibancadas etc. Nos esportes títulos de ouro: título de ouro no futebol, 2 tri na década de 70, um tri em 1989/90/91, um penta nos anos 90, bicampeão do Norte-Nordeste e campeão brasileiro da Série C em 1995. No basquetebol um hepta-campeonato na década de 70, além de outros títulos. No voleibol masculino e feminino, são incontáveis os títulos. Na natação, quebrando uma hegemonia da Tuna, fomos 17 anos seguidos campeões. Se fosse rememorar tudo, ocuparia todo o blog. Quanto a estar fora da série A e há muitos anos sem série, a responsabilidade é de direções incompetentes e contratações criminosas que só oneraram o nosso patrimônio. É importante notar que grandes clubes brasileiros, como o Bahia, o Vitória, o Santa Cruz e até mesmo o poderoso Fluminense, amargaram anos na série C e na B. Tenho certeza que o modelo de contratações caríssimas aliados a técnicos incompetentes e com pouco retorno ao clube, está esgotado. Há jogadores que com muito pouco tempo de Remo ganham quantias altíssimas na Justiça do Trabalho.

CS – E o que o Remo perdeu nesses 50 anos, em relação ao seu patrimônio?

RP – A sede campestre, em Marituba, graças a uma administração desastrosa, e por valor vil: R$ 3 milhões, com R$ 600 mil de entrada e mais 13 parcelas de R$ 200 mil, sem juros e correção monetária. Decisão da Justiça do Trabalho, levando a leilão um bem que àquela altura valia pelo menos três vezes mais.

Remo exposicao juridico Ronaldo Passarinho-MQuadros (4)

CS – Sempre falo que o Remo precisa de renovação no seu quadro de conselheiros, candidatos à presidência do clube, dirigentes, mas essa renovação não passa pela questão etária, e sim em valorização de pessoas com ideias novas. O Sr. concorda?

RP – A renovação dentro do Remo já é uma realidade, graças à eleição direta que legitimou tanto o presidente, como os conselheiros. Concordo que o Remo precise de um choque de juventude e de pessoas com idéias novas, mas que tenham total comprometimento com o clube.

CS – Quando foi destruído e retirado o escudo da frente do Baenão, o Sr., juntamente com conselheiros, sócios, ex-presidentes e torcedores, participou de um abraço simbólico ao Baenão em repúdio àquele ato. O estado em que se encontra o Baenão hoje não merecia esse mesmo abraço, ou é diferente?

RP – Situações completamente diferentes. O escudo foi derrubado para impedir um novo pedido de tombamento, e vender todo o conjunto do Baenão por preço vil. Agora foi para aumentar o patrimônio do clube com um belo estádio, projeto de uma dos grandes remistas, o dr. Aurélio Meira. Lamentavelmente, a irresponsabilidade criminosa de contratações para o time de futebol, quase todas inúteis, gerando uma folha impagável de R$ 550 mil/mês, sem cobertura de patrocínios, foi um sorvedouro de todas as receitas auferidas, incluindo-se a venda de camarotes e cadeiras. Sem falar em Leandrão, Rogélio, Zé Soares etc. Basta citar a contratação do Danilo Lins, que ninguém sabe se tem futebol porque aqui não entrou em campo.

CS – O Sr. defende muito a volta do que muita gente chama de time cabano, montado pelo dr. Ubirajara Salgado, mas o time montado pelo senhor em 2004, também era cabano e foi rebaixado à Série C. O que deu certo no primeiro e o que deu errado no segundo time cabano?

RP – Defendo a criação do time cabano da gestão Ubirajara. Graças a isso, o Remo foi saneado financeiramente e fomos tricampeões. Em 1990, com um time cabano fomos bicampeões, sob minha direção. O time campeão, com Wagner, Paulo Verdun, Chico Monte Alegre, Tonho e Fofão. Varela, Bebeto ( Paulo de Tarso), Edmilson; Tiago, Helinho e Paulo Sérgio. Como é fácil verificar, 8 jogadores paraenses e apenas 3 de fora. Quanto à queda para a Série C, não era um esquadrão cabano, já que os goleiros Buzzeto, Gilberto e Gian, eram de fora, embora tenha jogado, só na decisão, o Jucélio. Tínhamos Juninho, Rômulo, Junior Amorim, Junior Ferrin, que saiu graças à cláusula contratual antes do último jogo, além de Allison e outros que não me recordo. Desagregação e desmotivação por motivos extracampo foram determinantes.

CS – Como foi ser campeão 100% no Parazão, um título inédito, e quais fatores foram importantes nessa conquista?

RP – Foi gostoso demais. O fundamental para o êxito foi um elenco de boa qualidade técnica e a união entre plantel, comissão técnica e diretoria.

CS – Percebo em alguns comentários seus a preocupação com os jogadores de base do Remo, de terem vez no profissional e no time titular. As categorias de base no Remo funcionam, dr. Ronaldo?

RP – Divisão de base, ainda que precariamente, funciona sim no Clube do Remo, graças à abnegação de Ulisses d’Oliveira, Roberto Porto, Paulinho Araújo e outros. Veja alguns nomes de jogadores que saíram das divisões de base e seriam indispensáveis hoje, para formação de um plantel. Alguns: Cicinho – Raul – Rodrigo – Tsunami – Betinho – Jaime, e os que continuam, como Igor João – Yan – Ameixa – Alex Juan – Levy – Sílvio (citou também Rony, que já anunciou saída). Esta base reforçada por jogadores regionais, como Henrique, Chicão e Romeu, além de 3 ou 4 contratações de fora fariam um time, que se não fosse campeão pelo menos não destruiria as finanças do Clube e jogaria com amor à camisa.

CS – O Sr., que já comandou o futebol do Remo, hoje teria a receita para o clube chegar à Série D e conseguir o acesso à Série C?

RP – A receita já está dada na resposta acima.

CS – O Sr. tomou a iniciativa de se afastar totalmente do clube. Por quê?

RP – Grande parte de dirigentes e alguns chamados pejorativamente de “cardeais” é que se afastaram de mim. Na última eleição não fui chamado a nenhuma reunião, nem para apontar nomes na disputa para a eleição de conselheiros, mas esse não é o motivo principal. Sofro de uma doença degenerativa, que além de me deixar quase surdo vem com crises de severas tonturas. Diversas vezes nos últimos quatro anos saí da sede amparado por amigos como Pablo Coimbra, Sérgio Reis, Baralho e Ubirajara Salgado.

CS – Há muita vaidade dentro do Remo, dr. Ronaldo?

RP – Infelizmente, sim. Sempre defendi a posição de que o Remo é maior que tudo, não somos partidos políticos que querem o poder a qualquer custo. Quem perde a eleição no clube deve obrigatoriamente unir-se aos eleitos. Para mim, pouco me importa quem é o presidente. Quero que ele sempre brilhe, pois nós, parte do Fenômeno Azul, é que ganhamos, com as alegrias que merecemos. E o pior é que a intriga impera e prospera dentro das hostes vencedoras, como acontece presentemente.

CS – Dizem que no Paysandu, as pessoas se unem em prol do clube. No Remo, cada um só quer saber de si e o clube vai ficando em segundo plano. É isso mesmo?

RP – Por ética, não comento a situação interna do PSC, que considero adversário, mas não inimigo. Sonho ver um dia todos os remistas unidos para voltarmos ao nosso destino de “Filho da Glória e do Triunfo”.

CS- O que fazer pra salvar o Remo, em todos os sentidos, na sua opinião?

RP – A solução é seguir na prática um trecho do hino do Remo, que diz: “Se um dia formos unidos para a luta…”

CS – Nessa reforma do Estatuto que estão fazendo dei uma ideia a um amigo, conselheiro do Remo, para que procurasse ver a possibilidade de colocar uma cláusula, onde dirigentes não poderiam colocar seu dinheiro no clube e, em colocando, não seriam ressarcidos. Penso eu que os maus candidatos à presidência do clube se afastariam e, os que se propusessem a ser candidatos, viriam com projetos, ao invés de dinheiro para mais tarde ser reembolsado. O que o Sr. pensa?

RP – Seria o ideal, mas perdidamente inconstitucional. O dono do dinheiro pode dar a destinação que quiser aos seus bens. No entanto, basta deixar de forma clara e explícita a responsabilidade do mandatário, respondendo solidariamente pelos danos causados ao patrimônio do clube, com rígida fiscalização do Condel e demonstração permanente do Conselho Fiscal.

CS – Alguma coisa que eu não lhe perguntei e que o senhor gostaria de publicar?

RP – Agradecer a oportunidade, e que o Remo implante, urgentemente, uma lição básica para qualquer família, comunidade. PASSO INICIAL: “GASTAR MENOS DO QUE ARRECADA”.

O nosso Bate-Papo desta vez foi com o grande benemérito do Clube do Remo, dr. Ronaldo Passarinho, a quem considero uma pessoa correta e do bem e que poderia esclarecer algumas coisas relacionadas ao Leão Azul. Espero que os amigos tenham gostado. Ainda este mês faremos um rápido bate-papo com o empresário Eduardo Guizzo, do Sócio Torcedor Nação Azul, do Remo, a fim de se posicionar sobre algumas acusações que têm sido feitas à gestão do ST. Aguardem.

(Fotos: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Zé Teodoro só fica se diretoria der garantias

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Depois do jogo de sábado, no Mangueirão, o técnico Zé Teodoro deixou claro que só fica no Baenão se a diretoria cumprir com suas responsabilidades. O pito teve endereço certo: a direção do clube. “Eu não posso me envolver na situação financeira do time. Tenho que resolver os assuntos dentro de campo. Essa é a hora de todos que fazem o Remo se unirem e não torcerem contra. Não é possível que o foco principal do Remo seja interrompido por atraso de salários. Só fico no Remo se a diretoria der condições”, afirmou em entrevista à Rádio Clube do Pará. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Nova hegemonia europeia

Por Gerson Nogueira

Não bastaram os humilhantes 7 a 1 nas semifinais, nem o título mundial conquistado com requintes de competência e método em pleno Maraca. Incansáveis, os alemães continuam a nos assombrar com exemplos quase diários de evolução dentro e fora de campo. Todo o planejamento concebido e executado a partir de 2000, com investimentos grandiosos na formação de atletas, materializa-se em vitórias de valor incalculável.

A história da transformação alemã de força decadente em potência revitalizada já é bem conhecida. Veio à tona durante a própria Copa, quando todos os olhos se voltaram para a campanha impecável e o apuro nos detalhes da preparação da seleção de Joachin Low. Não custa, porém, reavivar memórias no país que sempre gostou de pensar que tinha o melhor futebol do mundo.

Que a Alemanha é um exemplo de determinação e competitividade todo mundo está cansado de saber. A firmeza com que o país se reergueu depois da destruição advinda das insanidades do nazismo é prova mais do que eloquente da fibra de seu povo e da confiabilidade de suas instituições.

Em termos globais, a execução do ambicioso plano de reforma do futebol, a partir do estímulo à criação de escolinhas, é tão significativa para o esporte quanto a formatação da Premier League na Inglaterra e o renovado esforço norte-americano para conquistar excelência e respeito mundial.

Pois a combinação de fartura de atletas com a solidez econômica dos clubes permite hoje à Alemanha inverter uma rota que normalmente a situava como mercado de quarta linha na Europa, atrás de Itália, Espanha e Inglaterra.

Seus clubes, notadamente Bayern de Munique e Borussia Dortmund, já rivalizam com Real Madri, Barcelona, Manchester United, Internazionale, Milan, Juventus, Chelsea e Arsenal. Prova eloquente dessa mudança de cenário foi dada nesta semana, quando o ídolo Thomas Müller recusou oferta milionária do Manchester United para deixar o Bayern.

Ao descartar a oferta do United, Müller disse simplesmente que estava bem na Alemanha e no Bayern, seu clube de coração e onde aprendeu a jogar bola. Bem remunerado e disputando um campeonato quase tão charmoso quanto o inglês, o craque não viu razão para mudar de país.

Cabe também a Müller e seus talentosos companheiros campeões do mundo a manutenção da hegemonia europeia no futebol planetário. Desde 2006, somente seleções do Velho Mundo conquistaram a Copa. Antes da Alemanha, Itália e Espanha haviam vencido. E, pelo andar da carruagem, diante da decadência de potências como o Brasil, é improvável que a situação se altere nos próximos mundiais.

São três potências conhecidas pela importação maciça de talentos da América do Sul e da África, que, ao contrário do que se imaginava anteriormente, conseguiram reagir à influência dos estrangeiros e passaram a formar seus próprios craques. Alguns – caso de Müller – até bem superiores à média dos boleiros revelados nas “colônias”.

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Dura missão azulina no sertão do Ceará

Em meio a boatos de divisões internas, zangas entre o técnico e os jogadores, o Remo viaja a Sobral-CE para tentar devolver o prejuízo sofrido semana passada em Bragança. A tarefa é duplamente ingrata, pois o Guarani jogará em sua casa e com informações sobre a maneira de atuar do campeão paraense.

Acima da boataria que nada acrescenta e ciente de que sua permanência depende de um bom resultado, o técnico Roberto Fernandes comandou treinos durante a semana que pouco modificaram a escalação que já era prevista para o jogo de hoje. O meio-de-campo deve ter três volantes (Dadá, Ilaílson e Michel) e Reis como meia de ligação.

No ataque, as dúvidas de sempre. Fernandes deve manter Leandro Cearense, centroavante que tem sua preferência desde o Parazão. O segundo atacante deve ser Tiago Potiguar, embora o jogo se prenuncie ideal para as arrancadas de Roni em contra-ataque.

Ocorre que Roni, como Jonathan e Alex Ruan (substituído por Rodrigo Fernandes), carrega a sina de ser um jogador local, cujas limitações são sempre superdimensionadas enquanto as virtudes ficam em segundo plano.

De qualquer maneira, assustado com o tropeço em casa, o Remo parece armado para se defender à espera de erros do Guarani. Exatamente como os cearenses fizeram em Bragança. O fato é que, pelas características dos times, o jogo corre o risco de virar um chatíssimo embate de volantes.

A conferir.   

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O futebol na era do amadorismo

Cascata, de procedência não muito clara, e Leandrão, aquele centroavante que passou em branco pelo Remo, são os “reforços” que o Icasa garbosamente se prepara para receber nos próximos dias.

Não há jeito.

O futebol muda de perfil em muitas áreas, assimila fundamentos de gestão avançada e busca se tornar um negócio rentável para todos, mas certas práticas seguem imutáveis.

Contratar mal e sem critério é aleijão que assombra todos os clubes brasileiros, de A a D. Uma simples busca no Google permitiria avaliar as reais condições dos jogadores, evitando frustrações e prejuízos financeiros.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta e a bancada será formada por Giuseppe Tommaso, João Cunha e este escriba baionense. O programa vai ao ar na RBATV por volta de 00h15, logo depois do Pânico na Band. 

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Boas perspectivas para o Papão em Alagoas

Não há dúvida quanto à evolução do Papão em relação à fase sob o comando de Vica. O time ganhou outro astral, os jogadores estão animados e o bom resultado aconteceu. A partida contra o CRB marca um recomeço na caminhada bicolor na Série C. Mazola Jr., que havia treinado o time no primeiro semestre, voltou ao cargo e as coisas se encaixaram novamente.

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O principal sinal deste novo momento é o ressurgimento de Pikachu, que havia passado em branco nas últimas seis partidas. Com vocação para a finalização, o meia-atacante andava longe da área, arriscando pouco e sem achar uma posição certa para jogar. Como por encanto, bastou Mazola chegar para que Pikachu, Djalma e outros jogadores se reencontrassem com o bom futebol.

Contra o ASA, neste domingo, será fundamental reproduzir a marcação forte e a rapidez nas saídas para o ataque. Caso consiga reeditar a boa atuação de segunda-feira – principalmente no segundo tempo -, o Papão pode sair de Arapiraca com um bom resultado, que permita se aproximar do G4 do grupo A. Apesar da anunciada dúvida no meio, entre Raul e Rafael, é provável que Mazola prefira Djalma para compor o setor, ganhando em velocidade e entrosamento com Pikachu. (Fotos; MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 24)