STF e TSE terão que acelerar a cassação de Bolsonaro

Por Luis Nassif

Premissa 1 – Bolsonaro não vai parar até dar o golpe ou ser deposto.

Premissa 2 – a cada dia que passar, sem reação, as milícias bolsonarianas se tornarão mais atrevidas. Ontem e hoje as manifestações em frente ao STF (Supremo Tribunal Federal) foram de ameaças explícitas aos ministros, especialmente a Alexandre de Moraes. Ou seja, o inquérito para coibir os abusos digitais está sendo enfrentado com ampliação da violência presencial. No limite, haverá atentados por parte de grupos paramilitares. Há pelo menos três manifestações nesse sentido, o grupo de Sara Winter, os neonazistas reunidos ontem na Paulista e associações de defensores de armas.

Premissa 3 – até por efeito demonstração dos Estados Unidos, se ampliarão as manifestações anti-Bolsonaro. Por isso, aumentam as possibilidades de grandes conflitos de rua, com envolvimento cada vez maior dos batalhões de choque das Polícias Militares, criando uma simbiose preocupante com os movimentos de ultradireita.

Hoje foi o ensaio do que virá pela frente. Bolsonaro comparecendo às manifestações, o Terça Livre dobrando a aposta contra o Supremo, Sara Winter juntando milicianos na frente da corte.

Por tudo isso, o STF e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) terão que rever sua agenda. A demora em decidir sobre os destinos de Bolsonaro servirá para alimentar ainda mais a serpente da guerra civil.

A próxima semana mostrará essa mudança no ritmo dos trabalhos.

O dia do levante contra o fascismo em S. Paulo

Neste domingo (31), em São Paulo e em outras capitais, os bolsonaristas, intervencionistas, militaristas, ultranacionalistas e olavistas encontraram um contraponto para sua sandice. Na avenida Paulista, para onde tem se dirigido algumas centenas de bolsonaristas todos os domingos, contrariando as recomendações sanitárias e de isolamento em tempos de pandemia, um outro grupo se fez presente: os dos que se levantam contra pleitos antidemocráticos e contra o autoritarismo.

A Polícia Militar de São Paulo mostrou de que lado está – o que de resto não pode ser surpresa para ninguém -, atirando bombas nos antifascistas e deixando livres aqueles que carregavam bandeiras ultranacionalistas e pediam o fechamento do Congresso Nacional.

De qualquer maneira, a mensagem ficou clara. Há, no Brasil, com pandemia ou sem ela, quem se levante contra os que investem contra a democracia. Veja, abaixo, imagens deste domingo na avenida Paulista, da fotógrafa Thais Haliski.

Hamilton reclama da alienação da F1 em relação ao racismo

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Lewis Hamilton voltou a usar seu perfil nas redes sociais para protestar sobre o caso George Floyd, homem negro asfixiado e morto por um policial americano na última semana. Na última sexta, ele já tinha criticado excessos cometidos por autoridades, a quem chamou de “desgraça”. Neste domingo, o hexacampeão foi além. Ele se mostrou revoltado com o silêncio dos colegas de Fórmula 1 sobre caso.

– Eu vejo aqueles de vocês que ficam calados, alguns de vocês são as maiores estrelas, e ainda assim ficam calados no meio da injustiça. Não há sinal de ninguém na minha indústria que, é claro, é o esporte dominado por brancos – disse em sua conta do Instagram.

Decepcionado, Hamilton citou ainda ser o único piloto negro na Fórmula 1. Ele chegou a insinuar que atitudes e fatos como esse demonstram que há racismo em seu esporte.

– Eu sou uma das únicas pessoas de cor lá e ainda estou sozinho. Eu teria pensado que agora você veria por que isso acontece e diria algo sobre isso, mas você não pode ficar ao lado. Só sei que sei quem você é e eu vejo você – completou.

Para quem não sabe, George Floyd, que sofria de doença arterial coronariana e doença cardíaca hipertensiva, morreu asfixiado por um policial na cidade de Minneapolis, no estado americano de Minnesota. O oficial ficou durante 8 minutos e 46 segundos pressionando o pescoço do homem negro de 40 anos com o joelho. Imagens foram divulgadas da brutalidade e, posteriormente, o policial acabou preso pelo crime.

PM mostra simpatia por grupos fascistas, que usam bandeira da ultra-direita ucraniana

A PM, segundo o noticiário de Globo e CNN, usou bombas sem motivo aparente. Alguns observadores avaliam que a corporação pretenda fomentar o conflito para justificar uma possível decretação de estado de defesa em São Paulo.

Na manifestação de apoio a Jair Bolsonaro deste domingo, 31, na Avenida Paulista, bolsonaristas carregavam uma bandeira de um grupo da extrema-direita nacionalista ucraniana conhecida como Pravyy Sektor.

Bandeira neonazista da Ucrânia em protesto pró-Bolsonaro na Avenida Paulista (31.5.20)

A bandeira neonazista teria sido o estopim dos confrontos entre os grupos pró-Bolsonaro e os manifestantes antifascistas que foram à Paulista protestar pela democracia e contra o fascismo.

No confronto, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta contra os manifestantes antifascistas. Não é a primeira vez que grupos neonazistas participam de manifestações de apoio a Bolsonaro. 

Torcidas se unem para afugentar fascistas em SP e no Rio

Uma aliança inusitada colocou lado a lado, na tarde deste domingo, em São Paulo, as torcidas de Corinthians e Palmeiras, rivais históricos nos estádios. A Gaviões da Fiel, que tem uma tradição de combatividade herdada da era da Democracia Corintiana de Sócrates e Casagrande, foi às ruas em grande número com uma faixa pregando “Democracia” e afugentando os fascistas que defendem o governo Bolsonaro. Por volta das 13h, a manifestação juntava centenas de pessoas e bloqueava a via no sentido Consolação. “O futebol é o que une as pessoas nesse país, não poderia ser diferente em um momento como esse”, afirma o autônomo Wagner de Souza, de 45 anos e torcedor do Palmeiras.

“Eu não sou otário, foda-se o sistema e a família Bolsonaro” era o grito de guerra da Gaviões, mas corintianos e palmeirenses tiveram que enfrentar a hostilidade da PM paulistana, que atirou bombas de gás para desmobilizar os torcedores. Além disso, partiram para cima do grupo da Gaviões e iniciou-se o tumulto. O fato é que a PM tradicionalmente trata adeptos bolsonaristas com atenção e gentileza, mas usa de força para conter protestos contra o governo.

Segundo o UOL, representantes da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) acompanhavam o ato no local. Em outro ponto da Paulista, mais próximo à Fiesp (Federação das Indústrias do estado de SP), manifestantes a favor do presidente, em menor número, também reuniam-se com bandeiras do Brasil e camisetas da seleção. A Polícia Militar separou os dois grupos com cordões de isolamento, com a distância de um quarteirão para cada uma das manifestações..

Por volta das 13h30, a polícia separou o início de uma confusão entre dois manifestantes ao lado da estação Trianon Masp, do lado da avenida onde estão os manifestantes bolsonaristas. A PM soltou pelo menos quatro bombas de efeito moral e sprays de pimenta pata separar a confusão. Um fotógrafo da agência EFE ficou ferido.

Em entrevista à CNN, o secretário-executivo da Polícia Militar de São Paulo, coronel Álvaro Batista Camilo, afirmou que pessoas que portavam bandeiras neonazistas foram o estopim do tumulto nas manifestações que aconteceram hoje na Avenida Paulista, em São Paulo. “A polícia filma tudo, estamos filmando isso também, vamos passar para a Justiça e o Ministério Público para que se apure. Provavelmente, [o estopim] seja o pessoal ligado ao neonazismo que acabaram começando, levando a esse tumulto”, disse Camilo.

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No Rio, torcidas organizadas do Flamengo saíram às ruas para enfrentar manifestação fascista na praia de Copacabana e protestar pela morte do garoto João Pedro, assassinado em ação policial. A Polícia, para variar, agiu duramente para reprimir os grupos antifascistas.