País sofre 25,5 mil mortes por covid-19 e Bolsonaro reúne ministros para discutir picuinha

Era só o que faltava.

O presidente Jair Bolsonaro convocou seus ministros na tarde desta quarta-feira (27) para discutir uma reação ao STF. A resposta acontece após a operação deflagrada hoje pela Polícia Federal, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, para o cumprimento de mandados judiciais contra empresários, parlamentares e blogueiros no inquérito que investiga a criação e propagação de notícias falsas.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, uma das investidas contra a Corte seria a recusa do ministro da Educação Abraham Weintraub em depor ao STF neste mesmo inquérito. Outra negativa caberia ao general Augusto Heleno, da GSI. O presidente sugere que o ministro não acate o pedido do Supremo em outro inquérito na Corte. Em outra frente, Bolsonaro estaria disposto a insistir com a nomeação de Alexandre Ramagem para a PF, desafiando o STF.

Polícia Federal encontra provas de atuação dos ‘robôs bolsonaristas’

Relatórios técnicos que embasam o inquérito das fakenews no Supremo Tribunal Federal (STF), obtidos pelo UOL, “constataram a existência de um mecanismo coordenado de criação de fakenews”, disse o ministro Alexandre de Moraes na justificativa dos pedidos de busca e apreensão determinados hoje. Segundo Moraes, há indícios de uma “associação criminosa” com financiamento empresarial. O sistema envolveria a produção e a disseminação de “notícias ofensivas e fraudulentas por intermédio de publicações em redes sociais, atingindo um público diário de milhões de pessoas”.

Empresários bancariam as operações, segundo o gabinete do ministro. “As investigações também apontaram que toda essa estrutura, aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, atuando de maneira velada, fornecem recursos das mais variadas formas para os integrantes dessa organização, inclusive impulsionando vídeos e materiais contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes”.

No relatório feito pelo STF, em meio ao mandado emitido de Alexandre de Moraes, os investigadores afirmam terem colhido provas e evidências de atuação dos famigerados ‘robôs’ de Bolsonaro, que inflam as redes com a finalidade de manipular a opinião pública.

‘As postagens são inúmeras e reiteradas quase que diariamente. Há ainda indícios que essas postagens sejam disseminadas por intermédio de robôs para que atinjam números expressivos de leitores’, diz o texto da PF.

‘Toda essa estrutura, aparentemente, está sendo financiada por um grupo de empresários que, conforme os indícios constantes dos autos, atuaria de maneira velada fornecendo recursos (das mais variadas formas), para os integrantes dessa organização’.

‘Essas tratativas ocorreriam em grupos fechados no aplicativo de mensagens whatsapp, permitido somente a seus integrantes. O acesso a essas informações é de vital importância para as investigações, notadamente para identificar, de maneira precisa, qual o alcance da atuação desses empresários nessa intrincada estrutura de disseminação de notícias fraudulentas‘, afirmam os investigadores.

Leia aqui o mandado.

Assessora de Guedes comemora mortes de idosos por covid-19: “Reduzirá déficit previdenciário”

Do Extra

Solange Vieira (foto), aliada de Guedes que esteve envolvida na importante reforma previdenciária do governo no ano passado, também mostrou pouca urgência quando foi apresentada a previsões do Ministério da Saúde em meados de março, de acordo com o epidemiologista Croda. O ministério previu mortes generalizadas entre os idosos, se o vírus não fosse contido.

Segundo Croda, ela afirmou: “É bom que as mortes se concentrem entre os idosos… Isso melhorará nosso desempenho econômico, pois reduzirá nosso déficit previdenciário”. O relato de Croda foi corroborado por outra autoridade, que, falando sob condição de anonimato, contou que recebeu informação do ocorrido, mas não estava na reunião.

Solange Vieira não respondeu a uma mensagem no Linkedin. A Superintendência de Seguros Privados, que ela lidera, disse em resposta a perguntas sobre seus comentários que ela participou da reunião de meados de março a convite do então ministro da Saúde Mandetta para entender as projeções do ministério. Ela observou os impactos de vários cenários “sempre com foco na preservação de vidas”, informou, em nota.

Resposta de um professor ao manifesto do CIP em favor do ministro-motosserra

Por Leandro Barros (*)

A direção do Centro das Indústrias do Pará muito envergonha o povo do Pará, quando demonstra total conivência com a falta de cuidado e fino trato com a coisa pública justificando e legitimando o que temos de pior na história recente da democracia, que é a milícia no poder. Esta implantada por empresários, milicianos e evangélicos radicais que desrespeitam as instituições, que com muito sacrifício foram erguidas e hoje são ameaçadas exatamente por esses discursos de ‘deixa a boiada passar’, do ministro (ou sinistro) do Meio Ambiente.
Não deixaremos a ‘boiada passar’!
Lutaremos e resistiremos como sempre fizeram os nossos ancestrais quilombolas e indígenas.
Repudiamos e dizemos que vocês não representam esse povo e essa terra. E viva nossas leis, viva as instituições e viva o nosso povo!

(*) Professor

Moraes atinge coração do bolsonarismo: fake news e discurso de ódio

Alexandre de Moraes e Jair Bolsonaro

A percepção nos meios políticos é de que não haveria um crescimento do fascismo no Brasil sem fake news. Não haveria fascismo sem discurso de ódio. Essas duas pontas do bolsonarismo foram seriamente atingidas, na manhã desta quarta-feira, com a ação deflagrada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que se destaca como uma das figuras centrais no combate ao autoritarismo.

O chamado “gabinete do ódio”, alvo dos mandados, reproduz um método desenvolvido pela extrema-direita nos Estados Unidos por dois inimigos da democracia: Roger Stone, ex-marqueteiro de Donald Trump, e Steve Bannon, que foi assessor do presidente e fundador do site Breitbart.

Protagonista do documentário “Get me Roger Stone”, disponível na Netflix, o marqueteiro diz no filme que jamais se deve subestimar o poder da mentira e da ignorância. A mentira, quando atinge espíritos menos críticos, molda percepções equivocadas e alimenta o sentimento de ódio. E foi exatamente o ódio à política que abriu caminho para a ascensão de Trump, que prometia “drenar o pântano”, nos Estados Unidos, e de Bolsonaro, o “mito” que supostamente estaria lutando contra o sistema no Brasil.

Sem a mentira que alimenta o ódio, Bolsonaro jamais teria se tornado presidente da República. E esse processo já era evidente quando o alvo prioritário do extremismo nas redes era o chamado campo progressista. Foi necessário que as ameaças se voltassem contra as instituições republicanas e as forças de centro-direita para que houvesse reação efetiva.

O ponto fundamental do dia foi a ação contra prováveis financiadores do esquema de fake news na internet, que seriam empresários bolsonaristas, como os donos da Havan, Luciano Hang, e da rede de academias Smart Fit. Se a investigação avançar, será possível encontrar provas cabais de manipulação eleitoral, abrindo caminho para a anulação da eleição presidencial de 2018, com a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão. (Com informações do Brasil247 e Folha de S. Paulo)

Há perigo real e imediato

POR GERSON NOGUEIRA

O jogo Liverpool x Atlético de Madrid, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, disputado no dia 11 de março deste ano, é apontado como um dos fatos que contribuíram para a explosão de casos de novo coronavírus na Inglaterra. A grande aglomeração de pessoas teria causado 41 mortes, segundo o estudo do “Edge Health” publicado domingo pelo jornal The Sunday Times.

Para os especialistas do Edge Health, instituição que analisa dados para o Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa), a realização da partida em Liverpool causou 41 mortes por covid-19 entre 25 e 35 dias depois da data do jogo, um dos últimos grandes eventos públicos na Inglaterra antes do início da quarentena.

A partida arrastou 54 mil torcedores ao tradicional Anfield, do Liverpool, incluindo 3 mil adeptos do clube de Madri, que viajaram à Grã-Bretanha dias antes do governo espanhol fechar as fronteiras do país devido à pandemia. O time dirigido por Diego Simeone venceu o duelo de virada, por 3 a 2, na prorrogação, e avançou às quartas de final da Liga dos Campeões.

O reconhecimento do perigo que grandes concentrações de torcedores representam à saúde da população em tempos de pandemia deveria servir de reflexão no momento em que alguns clubes brasileiros, Flamengo à frente, pressionam pela volta dos jogos – e com torcida nos estádios.

Com a ideia fixa de atenuar o déficit financeiro decorrente do período de suspensão das atividades, o Flamengo já recorreu até ao presidente da República, endossando o discurso anticiência e pró-abertura de atividades não essenciais e continua a forçar barra no âmbito do futebol carioca.

Rodolfo Landim, presidente do clube, cuja postura arrogante costuma despertar críticas dentro do próprio Flamengo, passou a rebater asperamente a postura de Botafogo e Fluminense que se posicionam contra o retorno imediato do Campeonato Carioca.   

A atitude da diretoria do Flamengo, apoiada pela do rival Vasco, desafia toda a orientação das autoridades sanitárias, unânimes em recomendar que a volta de atividades não essenciais seja postergada por mais alguns meses, até que a pandemia esteja devidamente controlada no país.

Mais de 24 mil pessoas já morreram devido à covid-19. É absolutamente inaceitável que alguém defenda a volta do futebol, principalmente no Rio de Janeiro, Estado onde o índice de contaminação aumenta verticalmente.

O mais estarrecedor é o argumento de Landim quanto à necessidade de reabertura dos jogos. Ele acha que o crescimento do número de contágios por covid-19 não é motivo para manter a modalidade paralisada. Entende que os protocolos elaborados no Rio são suficientes para uma volta segura.

Em sentido oposto, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, manifestou oposição à volta das competições, criticando em carta aberta a postura de quem tenta “jogar sozinho”. Sinal de que ainda há pensamento lúcido entre os dirigentes dos maiores clubes do país.

Dor pelas perdas humanas supera o drama do confinamento

“O Flamengo, na pessoa do seu presidente, deixou muito claro que está pensando apenas nele. O que mostra, para mim, um comportamento muito individualista, quase egoísta, diante dos números que são mostrados todos os dias. O presidente do Flamengo disse ontem, por exemplo, que a pandemia está trazendo muitos problemas psicológicos para as pessoas, que estão sofrendo por ficar em casa. Acho que [estão] sofrendo muito mais as famílias das 24 mil pessoas que morreram até agora”, afirmou ontem o comentarista Flávio Gomes em programa da Fox Sports Rádio, com a contundência verbal conhecida. Cobrou também um posicionamento mais claro e corajoso por parte da CBF.

“Pensar no futebol, diante de tanta gente sofrendo e morrendo, é uma coisa menor. Acho que a resposta do Corinthians vem em bom momento. Se cada categoria profissional resolver agir por conta própria, nós estamos ferrados. Aí, realmente, abre a porteira e vamos empilhar cadáver. É mais ou menos isso que vai acontecer se cada um resolver fazer a coisa do jeito que bem entender”, completou.

A coluna assina embaixo.

Meia é maior vítima da quarentena no futebol do Pará

Carlos Alberto, meia-armador indicado ao Remo pelo técnico Márcio Fernandes no começo da temporada passada, é seguramente um dos jogadores mais ansiosos pelo retorno das competições após a quarentena pela pandemia de covid-19. Na verdade, ele foi também o mais prejudicado no elenco azulino com a interrupção forçada.

Começava a se exercitar normalmente com o elenco remista, depois de vencer grave enfermidade no ano passado – situação que o afastou das atividades esportivas por mais de seis meses –, quando veio a pandemia e todos precisaram ficar isolados em casa.

Para a retomada, que deve ocorrer entre final de julho e começo de agosto, Carlos Alberto é uma das boas opções à disposição do técnico Mazola Jr. para ocupar espaço criativo no meio-campo. Além de jovem, é um jogador de grande capacidade ofensiva e boa finalização.

Quando ainda estava em plena forma, na Série C 2019, chegou a ser uma importante arma ofensiva, caindo pelo lado esquerdo do ataque e avançando em diagonal rumo à área. Fez boa parelha com Douglas Packer (que deixaria o time em meio à competição) e marcou gols importantes na fase invicta do Remo na competição.  

Carlos Alberto pode dar o toque de qualidade e velocidade na transição ofensiva que Robinho, por exemplo, não conseguiu ao longo de toda a primeira fase do Parazão. Ao mesmo tempo, funcionará como um bom parceiro para Eduardo Ramos ou Packer, contribuindo ainda para diminuir a média etária da equipe.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 27)

Polícia Política? Ministério da Justiça troca centenas de cargos na PF

Por Ricardo Ribeiro

O Ministério da Justiça determinou na última segunda-feira (25) centenas de alterações na estrutura da Polícia Federal. As trocas acontecem logo depois do presidente Jair Bolsonaro mudar o ministro e o delegado-geral da PF, sob a acusação de interferir na corporação para benefícios pessoais.

Foram trocados seis superintendentes regionais e centenas de outros cargos da administração, coordenação e diretorias da PF, em sua sede e por estados de todo o Brasil. No total, são 99 portarias, contendo desde uma a até 50 nomeações, o que dificulta contabilizar e mapear a reestruturação.

Na página do Diário Oficial da União, as portarias não estão disponibilizadas facilmente. Apenas sete delas são apresentadas em uma lista, quando são selecionados os atos do Ministério da Justiça, no caderno extra do dia 25 de maio, quando foram publicadas as mudanças. No entanto, ao acessar a íntegra do caderno na versão certificada, são 16 páginas de alterações de quadro pessoal dentro da Polícia Federal e por atos do Ministério da Justiça.

Os novos nomes foram assinados pelo secretário-executivo do ministério, Tercio Issami Tokano, pela diretora de Gestão de Pessoal da PF, Cecilia Silva Franco, e pelo próprio diretor da PF nomeado por Bolsonaro, Rolando Alexandre de Souza.

Rolando assumiu o cargo depois que o presidente demitiu Maurício Valeixo. Foi a partir da exoneração de Valeixo que o então ministro da Justiça Sérgio Moro pediu demissão e fez as acusações que levaram a abertura do inquérito contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

Segundo as acusações de Moro e provas no inquérito, como o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril e mensagens por aplicativo de celular trocadas entre os envolvidos, o presidente queria um delegado-geral mais próximo dele, informações de inteligência e troca do comando da PF no Rio, onde tramitam investigações contra a família Bolsonaro. A troca no Rio foi um dos primeiros atos de Rolando.

Nesta terça-feira (26), após operação da PF contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, adversário de Bolsonaro, outros governadores expressaram a preocupação de que o presidente estariam transformando a corporação em sua polícia política.

(Com informações do jornal GGN)