O Pará perde Padre Bruno

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O Pará perdeu um gigante da luta contra as desigualdades. Padre Bruno Sechi se foi. Deixa saudade e um legado de bonomia e preocupação com os desvalidos. Ele morreu na tarde desta sexta-feira em consequência da covid-19.

Com grande repercussão nas redes sociais, a morte de Padre Bruno foi lamentada pelo Governo do Pará, que decretou luto oficial de três dias pelo falecimento.

Padre Bruno tinha 80 anos, fundou e coordenou o Movimento República de Emaús e tinha um trabalho social reconhecido internacionalmente. Foi precursor na defesa dos direitos da criança e do adolescente e dos direitos humanos no Estado.

Governo decreta luto oficial de três dias pelo falecimento do padre Bruno Secchi - Crédito: Reprodução/Ascom Fasepa

Que descanse em paz!

Espanha aprova plano de renda mínima de R$ 2.753,00

Bons exemplos vêm da Europa no momento agudo da pandemia do novo coronavírus. A Espanha aprovou a criação de uma renda mínima nacional, em plena pandemia de coronavírus. O vice-primeiro-ministro Pablo Iglesias disse nesta sexta (29) que o benefício no valor de 462 euros por mês (R$ 2.753,00) terá como alvo 850.000 famílias ou 2,5 milhões de pessoas. A ideia do governo, segundo o site estrangeiro Independent, é pagar a bolsa mensal e aumentar a receita de pessoas que ganham menos, para que elas tenham um patamar mínimo de renda.

No Brasil, Bolsonaro e seu lugar-tenente Paulo Guedes chamam as famílias de baixa renda como gente vagabunda, queriam pagar auxílio emergencial de R$ 200,00 (o aumento para R$ 600,00 foi imposto pelo Congresso Nacional), planejam reduzir a ajuda nos próximos meses e há no decreto que aprovou a medida um item que permitirá cobrar ressarcimento do auxílio futuramente.

O preço da boiada

O Ministério Público de São Paulo descobriu transferências milionárias entre contas controladas pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. A promotoria suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

Segundo a instituição, Salles repassou R$ 2,75 milhões da conta de seu escritório de advocacia para a sua conta pessoal em 54 transferências, feitas entre 2014 e 2017.

À época, ele exercia dois cargos públicos na gestão do ex-governador Alckmin em São Paulo, além de atuar como advogado na iniciativa privada.

As informações são da Crusoé.

O fosso entre talento e enganação

POR GERSON NOGUEIRA

Ditadura de 70, caso Saldanha e pressão pelos 23: Gérson conta ...

Seis anos depois, os comentários e análises ficam mais definitivos sobre a tragédia da Arena Mineirão, pior momento da história do futebol brasileiro em todos os tempos. É possível estabelecer um paralelo também entre as palavras de protagonistas negativos do 7 a 1 e os heróis do tri de 70 no México. O cabalístico 7, como se vê, sempre está presente nas rotas e descaminhos do futebol.  

Pai de todos os meias modernos, Gerson Canhotinha de Ouro deu entrevista a Pedro Bial relembrando histórias da campanha vitoriosa no México e, a essa certa altura, emocionou-se com uma mensagem de Jairzinho, seu companheiro de Seleção Brasileira e Botafogo. No tom enfático de sempre, enalteceu o aprendizado com grandes técnicos e parceiros talentosos.

Há poucos dias, li uma inacreditável entrevista do zagueiro David Luiz ao UOL lamentando a desdita em Belo Horizonte frente aos alemães, dizendo até hoje não ter assimilado o golpe e afirmando que o fracasso nas semifinais lhe tirou o título de “melhor jogador da Copa 2014”.

Incrível, espantoso, extraordinário. Acompanhei toda a competição, cobri a campanha brasileira e alguns jogos de outras seleções. Em nenhum momento, David Luiz apareceu entre os destaques da competição na análise de jornalistas nacionais e estrangeiros. O egocentrismo faz com que até hoje o beque acredite na ficção mental de que era um dos grandes do torneio. Nunca foi.

É mais do que evidente a diferença abissal entre a clareza de raciocínio do septuagenário Canhotinha e o zagueiro que Felipão teve a temerária e péssima ideia de lançar como titular em 2014. David, com sua basta cabeleireira em forma de samambaia, está entre as imagens que o torcedor brasileiro quer ver definitivamente longe de seu alcance visual.

Gerson lembrou que Jojoba, apelido de Jair antes de virar o Furacão da Copa, era quase um garoto em 1970, correndo como nunca, turbinado pela preparação física de ponta que o capitão Claudio Coutinho foi buscar na fonte. Visitou o professor Kenneth Cooper, autor do método revolucionário que faria furor nas décadas seguintes, trazendo as orientações para aplicação no período de preparação da Seleção na altitude mexicana.

A fase de preparação é apenas um dos segredos daquele time excepcional, montado ainda em 1969 por João Saldanha. Os cuidados com o condicionamento dos atletas é até hoje ressaltado como referência para competições de tiro curto. É preciso entender também o contexto da fase que antecedeu a Copa do México.

O Brasil vinha de uma fragorosa campanha na Inglaterra, em 1966, quando um time envelhecido foi facilmente sobrepujado por adversários pouco brilhantes, mas extremamente fortes fisicamente, além de violentos, como Bulgária e Portugal.

Em 1970, o Brasil voltou à Copa com cuidados redobrados, atenção aos mínimos detalhes. Acima de tudo, levou ao México um naipe de craques que nunca mais se viu num só time na história das Copas. Do meio para a frente, eram pelo menos oito jogadores fenomenais – Gerson, Clodoaldo, Tostão, Rivellino, Jair, Edu, Paulo César Lima e Pelé.

Gerson reverenciou os companheiros, recusando-se até a incluir craques de outras épocas naquela seleção fabulosa. Romário? Não, disse o Canhotinha. O Baixinho entraria no lugar de quem? Rivellino, Tostão, Pelé? Resposta impecável do 2º melhor jogador daquele mundial, como seus certeiros lançamentos de 30, 40 metros.

David, enquanto isso, vai continuar no mundo da fantasia, esquecendo-se de fazer um mea-culpa da monstruosa contribuição que deu ao ataque alemão naquela surra desgraçada em BH. Ele, Fernandinho, Dante, Luiz Gustavo, Julio César e Felipão foram responsáveis diretos pelo pior pesadelo que já vivemos em Copas do Mundo. Não há perdão possível.

Mais um capítulo do lucrativo negócio do vale-tudo

Como pulverizar definitivamente um passado de retumbantes vitórias e recordes? Mike Tyson, que foi o campeão mundial de boxe mais jovem da história entre os pesos-pesados, segue à risca esse manual de derrocada. Aliás, não é de agora. No final da carreira, ele havia protagonizado aquela cena bizarra da mordida na orelha de Hollyfield.

Mas, como se isso já não bastasse, ele reaparece com o anúncio de retorno às competições. Une-se nesse projeto tortuoso a figuras do subesporte MMA, entre os quais o brasileiro Vitor Belfort. Na quarta-feira, Tyson participou de um teatrinho próprio da categoria para efeito de publicidade do evento. Tudo devidamente ensaiado, como curtem os fãs da categoria.

As cenas estão no YouTube. O time do ex-campeão trocou carícias com o de seu “inimigo” Chris Jericho revivendo episódio em que Tyson “nocauteou” o rival, há dez anos. O falso tumulto serviu para promover o retorno dos veteranos aos ringues de telecatch, espetáculo bem ao gosto de parcela do público americano e de um segmento de adeptos no Brasil.

Enquanto Jericho e Tyson se “estranhavam”, Vitor Belfort e os demais atletas de MMA trocavam safanões com o resto do estafe no palco montado para o torneio fake, na Flórida. Há quem curta e até pague por essas lutas de araque. Gosto não se discute.

Alto custo para retorno do futebol continua sem suporte

Com base nos protocolos até agora conhecidos, o Remo estima que o investimento inicial para a retomada do futebol em R$ 40 mil por clube, para treinos e jogos, avaliando as despesas de adaptação dos espaços e aquisição de exames clínicos para atletas e comissões técnicas.

Depois, com os jogos já acontecendo, as despesas por partida ficariam em torno de R$ 10 mil. Com as rodadas restantes pelo Estadual, o custo total chegaria a mais de R$ 100 mil, valor até agora sem suporte de receitas. Para o Brasileiro, há a perspectiva de ajuda da CBF, ainda não confirmada.Além dos custos extras do pós-pandemia, existem as despesas normais com folha de pagamentos e custos da rotina do clube. São preocupações que os dirigentes têm partilhado com a FPF na esperança de encontrar uma saída.  

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 29)

ANDI emite nota em memória de Dimenstein

Gilberto Dimenstein defende o aprendizado além dos muros escolares ...

A ANDI perde o seu criador e o Brasil perde um grande homem, um excelente e revolucionário jornalista. Nossa tristeza é imensa, pois sabemos o processo pelo qual estava passando e tão bravamente compartilhando publicamente. Nesse momento de dor nos solidarizamos com a família e com os amigos e amigas de Gilberto Dimenstein.

Para além do papel central que Gilberto desempenhou na criação de nossa instituição, lamentamos a perda de um profissional que contribuiu diretamente para o reconhecimento do potencial do jornalismo e das diversas linguagens da comunicação enquanto ferramentas de transformação social.

Seja no cotidiano da redação da Folha de S.Paulo, seja liderando iniciativas pioneiras, como a própria ANDI, o Projeto Aprendiz e o Catraca Livre, ao longo de sua trajetória Gilberto sempre colocou como prioridade a qualidade da informação pública. Ao mesmo tempo, soube como poucos oferecer um tratamento jornalístico diferenciado à agenda dos direitos humanos e, em especial, aos direitos de crianças e adolescentes.

É imensa nossa gratidão ao Gilberto Dimenstein que, ao lado de Âmbar de Barros, no início dos anos 1990, soube enxergar no Estatuto da Criança e do Adolescente um instrumento decisivo para a construção de um país mais justo e democrático.

Em seu nome honramos o compromisso de colocar em prática, cotidianamente, essa visão.

Que descanse em paz!

Equipe da ANDI – Comunicação e Direitos

Jornalismo de qualidade perde Gilberto Dimenstein

Jornalista e escritor Gilberto Dimenstein morre aos 63 anos | Exame

Amigos do jornalista, colunista e escritor Gilberto Dimenstein, 63 anos, confirmaram seu falecimento na manhã desta sexta-feira (29), em São Paulo. Ele lutava contra um câncer no pâncreas, descoberto no início de 2019. Filho de um pernambucano de origem polonesa e uma paraense morou em Vila Mariana, distrito de São Paulo.

Formado na Faculdade Cásper Líbero, foi colunista da Folha de São Paulo, onde também foi diretor na sucursal de Brasília, e correspondente em Nova Iorque e na rádio CBN. Atuou no Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Última Hora, Visão e Veja, além de ter sido acadêmico visitante do programa de Direitos Humanos na Universidade de Columbia.

Gilberto Dimenstein - MM7 Palestras atua na contração de ...

Recebeu o  Prêmio Nacional de Direitos Humanos junto com Dom Paulo Evaristo Arns, o Prêmio Criança e Paz, do Unicef, Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York. Também ganhou os prêmios Esso (categoria principal) e Jabuti, em 1993, de melhor livro de não-ficção, com a obra “Cidadão de Papel”.

MEA CULPA – Dimenstein declarou no início de maio de 2019 que se arrependeu de ter apoiado o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro. “Estou arrependido de ter defendido tanto Sérgio Moro”, disse o proprietário do site Catraca Livre.

O jornalista pede desculpas aos leitores e faz um mea culpa por ter defendido Sérgio Moro. “Sempre defendi Sérgio Moro pelo seu trabalho à frente da Lava Jato. Se alguém tiver dúvidas, procure no Google”, declarou. “Peço desculpas aos leitores por ter ajudado a criar uma imagem heroica de alguém que não a merecia”, também disparou arrependido.

Em longo texto no site Catraca Livre, ele enumerou motivos que o levaram a não confiar mais em Moro: “Cheguei até a minimizar internamente (confesso e peço desculpas) quando foi revelado seu indigno auxílio-moradia: ganha R$ 4 mil embora tenha casa na mesma cidade onde trabalha. Esclareço que a Catraca Livre não deixou de noticiar – afinal, fizemos e continuamos fazendo campanha contra essa indignidade”, assinalou.

O jornalista arrependido disse também: “Nunca aceitei as acusações – e continuo não aceitando – que Sérgio Moro estivesse atuando para ajudar esse ou aquele candidato”. Dimenstein conclui: “Deixei de ser fã de Moro – e sou obrigado a suspeitar de coisas que eu não suspeitava”, lamentou.