A frase do dia

“Enquanto morrem mais de 600 pessoas por dia pelo covid-19, a preocupação da turma do Moro lotados no TRF4 é com o Lula. As elites brasileiras são o grande atraso civilizatório do planeta. Estão preocupadas apenas com seus privilégios às custas do povo trabalhador”.

Florisvaldo Raimundo

Morre Florian Schneider, co-fundador do Kraftwerk

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Florian Schneider, co-fundador do grupo eletrônico alemão Kraftwerk, morreu aos 73 anos de idade. Segundo um representante do grupo [via Variety], o músico faleceu alguns dias após seu aniversário em 7 de abril, em razão de uma doença relacionada à câncer.

Nascido na cidade de Düsseldorf, na Alemanha, Schneider ficou mundialmente reconhecido quando, em 1970, ajudou a fundar o Kraftwerk ao lado de Ralf Hutter. Com som bastante experimental e repleto de sintetizadores, o grupo alemão foi pioneiro da música eletrônica e do synthpop.

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Dentre seus vários admiradores, tanto do som quanto da estética robótica da banda, estão Daft Punk, Depeche Mode e David Bowie, que não só tocava músicas do Kraftwerk antes de seus shows como também chegou a escrever um tributo para o músico, chamado “V-2 Schneider”.

O músico integrou a banda por quatro décadas, até deixá-la em 2008. Alguns anos depois, em 2014, Schneider e Hutter receberam o Grammy Lifetime Award em 2014. Ainda em 2020, a dupla havia anunciado uma turnê pelos Estados Unidos para celebrar os 50 anos do Kraftwerk.

Ricos de Belém escapam em UTI aérea do colapso de hospitais da cidade

Paciente com coronavírus é colocado em uma UTI aeromédica, que deixou Belém do Pará com destino a hospital de São Paulo Foto: Reprodução

Após ignorar riscos da Covid-19, trio de empresários do Pará acaba infectado e voa para São Paulo em busca de socorro em unidades estreladas como Albert Einstein e Sirío-Libanês; viagens chegam a custar R$ 120 mil

Por Ullisses Campbell – revista Época

O empresário Jonas Rodrigues, de 41 anos, é um dos homens mais ricos do Pará. Sua família é proprietária da maior rede de supermercados do estado, o Grupo Líder. Mesmo com as recomendações das autoridades sanitárias para ficar em casa, ele saía diariamente sem máscara, como se a pandemia de coronavírus não tivesse chegado a Belém, onde mora.

“Não era muito adepto do álcool em gel. Estava trabalhando todos os dias no escritório, sem home-office, passeava pela cidade e ia às compras mesmo sendo dono uma rede de supermercado. Adoro visitar mercados pelo país afora”, conta. Não deu outra. Ele, o pai e a mãe contraíram Covid-19. “Se arrependimento matasse…”, comenta.

Outro supermercadista afortunado do Pará, José Santos de Oliveira, de 77 anos, achava que estava imune ao vírus. Atleta, exercitava-se todos os dias em casa e no trabalho e sempre manteve uma alimentação saudável. Ao descumprir as recomendações de distanciamento social, foi infectado pela Covid-19 e agonizou com a doença, deixando familiares muito apreensivos.

O empresário Kleber Ferreira Menezes foi secretário de Transportes do Pará. Quando esteve no cargo, chegou a ser denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa e crime contra o erário, envolvendo valores na casa dos 20 milhões de reais em contratos com sérias suspeitas de fraudes. Ele refuta todas as acusações (“Não sou ladrão!”). Kleber também não dava a menor bola para o coronavírus e levava uma vida em Belém como se nada estivesse acontecendo. Sentiu uma tosse enquanto assistia televisão e, em poucos dias, passou perto de morrer.

Mas o que Jonas, José e Kleber têm em comum além do teste positivo para Covid-19 e da conta bancária milionária? Para fugir da morte, os ricos de Belém – como o trio de empresários – estão abrindo a carteira, correndo para o aeroporto e embarcando em jatinhos de luxo equipados com UTIs. Eles seguem rumo aos melhores hospitais de São Paulo em busca de sobrevivência. Jonas foi socorrido no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, José no Hospital Israelita Albert Einstein e Kleber no Sírio-Libanês, todos na capital paulista. Os três estavam em estado grave quando fizeram a viagem.

Levantamento de ÉPOCA atesta que são embarcados diariamente oito pacientes de Covid-19 em jatos com UTI de Belém para outros estados e até para o exterior. A maioria segue para São Paulo. Os paraenses endinheirados não fogem do Pará à toa quando são contaminados pelo coronavírus. A nova doença está devastando a capital numa velocidade assustadora.

Em duas semanas, os casos de mortes pela Covi-19 aumentaram 900% no Estado. Até terça-feira (5/5), o Pará já computava 4,756 casos confirmados e 375 mortes, uma taxa de 4,2 óbitos por 100 mil habitantes. Na média do Brasil, esse índice está em 3,7 por 100 mil.

A maioria dos casos se concentra em Belém, que vive clima de terra arrasada. Todos os hospitais – tanto da rede pública quanto da privada – estão lotados e operando acima do limite. No Hospital Abelardo Santos, a maior referência paraense em coronavírus, há pacientes definhando em macas à espera de uma vaga na UTI.

Sem capacidade de atender a demanda, Belém vive uma situação inédita no país: os pacientes estão saindo de casa em busca de atendimento médico, dão de cara na porta e acabam sucumbindo no meio da rua. Com o estado de calamidade e com uma adesão de 45% ao isolamento social na capital, o governo foi obrigado a decretar lockdown (bloqueio total) na quinta-feira (7/5) em dez municípios da Região Metropolitana de Belém.

Jonas, o dono de mercados, conta que o primeiro a pegar coronavírus na família foi o pai, José Corrêa Rodrigues, de 70 anos. Rapidamente a doença avançou e sua mãe, Ana Célia, de 67 anos, também foi contaminada. Ele chegou a ligar para alguns hospitais particulares de Belém, mas não havia leito de UTI disponível nem no mais aparelhado da capital.

“Se não tivéssemos embarcado na UIT aeromédica, meu pai teria morrido, pois essa doença evolui numa rapidez impressionante. Graças a Deus ele apresentou melhoras”, agradece. “Olha, eu assumo que subestimei a essa doença. Achava que ela era algo distante. Até que vi meu pai passando mal como nunca vi antes. Aí passei a achar que era coisa de idoso. Foi preciso eu sofrer uma súbita falta de ar para atestar que não dá para brincar com isso”, descreve. Jonas se curou e teve alta hospitalar, mas resolveu ficar em São Paulo para cuidar do pai. “Só saio daqui com ele”, avisa.

Kleber achava que ia morrer quando sentiu os piores efeitos da Covid-19. Ele chegou a se internar em um hospital particular em Belém, mas correu de lá tão logo conseguiu contratar a UTI aérea, e reservou duas vagas nos apartamentos do Sírio-Libanês.

O empresário Kleber Ferreira Menezes e a mulher, a cirurgiã plástica Lastênia Menezes, embarcaram do Pará rumo ao Sírio-Libanês, em São Paulo, numa UTI aeromédica Foto: Reprodução

Uma para ele e outra para a sua mulher, a cirurgiã plástica Lastênia Menezes, uma das mais requisitadas da capital paraense. A médica também pegou o vírus e adoeceu de Covid-19. Apavorada, escapou de Belém junto com o marido na mesma UTI aeromédica.

No Pará, Kleber é uma figura polêmica. Além das acusações feitas pelo Ministério Público, ganhou fama pelos vídeos que posta em suas redes sociais ostentando riqueza. Quando embarcou na UTI aérea, no aeroporto de Belém, fez questão de gravar um vídeo pelo celular e postar no grupo de WhasApp do condomínio, todo paramentado com equipamentos de proteção individual. A ideia, segundo diz, era mostrar aos vizinhos que estava bem.

No vídeo, ele tosse logo na introdução e faz uma narração na sequência: “Oi gente! Estou embarcando agora de Belém para São Paulo. Estamos eu e minha esposa, a doutora Lastênia. Estamos entrando na UTI aeromédica. Se Deus quiser, vai dar tudo certo. Um forte abraço a todos.” O vídeo, lógico, migrou do WhatsApp para todas as redes sociais e rapidamente viralizou. Kleber recebeu críticas por todos os lados.

Alguns comentários maldosos insinuaram que o ex-secretário pagou a UTI aeromédica e as diárias do Sírio-Libanês com dinheiro supostamente desviado dos cofres públicos. “Jamais!”, defende-se. “Quando assumi cargo público eu já era rico, pois atuava na área portuária. (…) Meu sangue é nordestino. Na minha terra, pode até chamar alguém de corno, que se leva na brincadeira. Agora, de ladrão? Nunca!”, argumenta ele, que é baiano.

Pegar uma UTI aérea de Belém para São Paulo custa caro. ÉPOCA levantou uma cotação com três empresas que fazem esse tipo de transporte. O valor é calculado pela quilometragem. Em época de pandemia, as tarifas sofreram aumentos de até 30% por causa da alta demanda e do risco de contaminação a que a tripulação é submetida ao transportar doentes com coronavírus.

O custo médio para levar um paciente entubado da capital do Pará até São Paulo gira em torno de 120 mil reais. Uma das maiores empresas que atuam com pacientes de Covid é a Brasil Vida. Na cotação feita no sábado (2/5) pela reportagem com essa empresa, o transporte de um paciente de Belém para o Sírio-Libanês custaria 118 mil reais. Na quarta-feira (6/5), esse valor estava em 125 mil.

O funcionário encarregado de fazer a cotação, Tiago Pinheiro, justificou o aumento alegando a alta procura e os custos de manter médicos em enfermeiros em casa à disposição 24 horas para uma possível emergência. “Eles recebem diárias de plantão mesmo estando em casa sem fazer nada”, ponderou. E garantiu que não há aumento no preço quando o paciente tem Covid-19. “Tanto faz se ele foi contaminado com coronavírus ou se quebrou a perna. O preço é o mesmo”, assegura.

O voo numa UTI aeromédica é algo delicado quando o paciente tem problemas respiratórios por conta do aumento da pressão atmosférica nas alturas. “O risco de óbito é muito maior. Os pacientes precisam de muito cuidado, até porque o voo de Belém para São Paulo é muito longo (dura três horas e meia) para um paciente que segue entubado”, explica o enfermeiro de UTI aérea João Godoi.

Ele também diz que a equipe voa com muito medo de ser contaminada, mesmo que o paciente siga a viagem todo “embrulhado” num plástico de polietileno. Já os profissionais de saúde e o piloto vestem-se com roupas impermeáveis, incluindo galochas de borracha, e duas máscaras e mais o protetor facial de plástico conhecido como face shield.

Isso é proteção para contaminação biológica, a de nível III. Mesmo assim há casos de profissionais de Saúde que se contaminam com coronavírus durante o voo numa UTI. Algumas empresas de táxi aéreo, inclusive, vêm se recusando a transportar pacientes com Covid-19 por conta do risco de contágio.

Na UTI aeromédica, há todos os equipamentos que uma UTI hospitalar possui. Todos os voos são feitos com um médico intensivista e um enfermeiro especializado. Se o paciente de Covid-19 embarcar respirando e, durante a viagem, enfrentar problemas de respiração, ele é entubado durante a viagem.

Caso o estado de saúde se agrave com risco iminente de óbito, o piloto decide se volta para a cidade de origem ou se faz um pouso de emergência no aeroporto mais próximo. Segundo todas as empresas consultadas por ÉPOCA, no valor cobrado pelo transporte aéreo dos doentes estão inclusos os transportes em ambulâncias do hospital de origem em Belém até o avião e do avião em solo paulistano até o hospital onde o paciente será internado. No voo é possível levar até dois acompanhantes.

O médico intensivista César Collyer atua na linha de frente no combate ao coronavírus em Belém no Hospital Ophir Loyola. Pertencente à rede estadual, a entidade é especializada em câncer, mas as 30 UTIs do hospital estão abarrotadas de pacientes com Covid-19.

“Nunca vi nada igual em meus 20 anos de carreira. Ontem, um médico da minha equipe morreu contaminado por esse vírus. Estamos esgotados fisicamente e psicologicamente. Me sinto com as mãos atadas por ver pessoas morrendo todos os dias sem ter o que fazer”, desabafa. “Quem tem dinheiro tem mais que procurar atendimento fora de Belém porque a rede particular também está colapsada”, avisa.

O prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB), também aconselha os ricos a procurarem tratamento fora da cidade que administra, pois a situação no Pará está num nível de colapso nunca visto antes. Ele diz que nunca viu nada parecido em 40 anos de vida pública.

“Aqui, a situação é dramática. A população não deu muita bola para a pandemia. As feiras e os supermercados ficam lotados no fim de semana. Nos bairros mais populares, as pessoas vão para ruas e fazem aglomerações sem usar máscara. O paraense não acredita no que vê na TV todos os dias. Parte da população também sai de casa porque precisa trabalhar para sobreviver”, avalia o prefeito.

Ele também atribui o pouco caso dos paraenses em relação à pandemia às fakenews disseminadas na internet . “Muita gente não acredita no avanço da doença porque se informa nas bobagens publicadas em redes sociais”,  conclui. Ele diz que entende que os ricos estejam procurando tratamento em outros estados. “Os muito ricos vão para onde tem as melhores tecnologias. Isso é uma evidência de que a rede privada no Pará também saturou”, diz o prefeito.

Ricos e pobres do Pará costumam recorrer a Nossa Senhora de Nazaré para alcançar a cura de doenças graves, como câncer. No dia do Círio, no segundo domingo de outubro, os fiéis costumam pagar pelas graças alcançadas ao longo do ano.

Em 2020, os promesseiros poderão não ter como quitar a dívida com a Santa. Como o Círio de Nazaré se constitui na maior aglomeração de gente – a procissão do ano passado reuniu mais de 2 milhões de pessoas – não há a menor possibilidade de a festa religiosa ser realizada daqui a cinco meses, conforme o previsto.

Como a democracia morre no Brasil

Mídia contribuiu diariamente, anos a fio, para formar no imaginário popular a necessidade da chegada de um salvador da pátria.

Por Laurindo Lalo Leal Filho, no GGN

Agora, a cada domingo, o presidente da República corre atrás das saias protetoras das Forças Armadas. Começou fazendo de palanque – a porta do Quartel General do Exército em Brasília. Depois, no domingo seguinte – este último – foi adiante.

Mencionou explicitamente as Forças Armadas em seu linguajar claudicante. Há mais de trinta anos não se ouvia no Brasil um discurso presidencial desse tipo, tão assustador.

Assustou até alguns militares, talvez com memória suficiente, para lembrar o estrago causado pela ditadura de 64, na imagem dos quarteis.

De uns tempos para cá, têm sido publicados alguns livros tratando do declínio das democracias no mundo. Um que tornou-se bestseller é este: “Como as democracias morrem” escrito por dois professores da Universidade Harvard.

Num determinado trecho, eles dizem: “Nós devemos nos preocupar quando políticos rejeitam, em palavras ou ações, as regras democráticas em jogo.

Quando negam a legitimidade de oponentes.

Quando toleram e encorajam a violência e dão indicações de disposição para restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia”.

Soa familiar, não?

Claro, eles estão falando de Donald Trump, o modelo seguido à risca pelo sociopata que nos preside. O livro é anterior à tragédia miliciana brasileira mas há vários trechos que parecem estar descrevendo cenas de hoje, vistas por aqui.

Centrados na política estadunidense, quando os autores falam de América Latina, derrapam. São preconceituosos, por exemplo, ao criticarem ações jurídicas do presidente Rafael Correa, no Equador, contra a mídia que o caluniava.

Para eles a mídia é sempre vista como um obstáculo a arroubos autoritários dos governantes. Sabemos que não é bem assim. Os golpes militares do século passado, em quase todos os países da América Latina, tiveram apoio da mídia comercial.

No caso brasileiro, essa contribuição para morte da democracia é histórica. Basta lembrar o apoio ao golpe de 64.

E agora – em anos mais recentes – quando a democracia começava a reviver no Brasil, a mídia não cansou de criminalizar a política. Contribuiu diariamente, anos a fio, para formar no imaginário popular a necessidade da chegada de um salvador da pátria. E ele chegou.

Podem não gostar, mas era isso que cevavam. Será que os donos da mídia não sabiam o que estavam fazendo. Esqueceram que depois de apoiar o golpe em 64, foram censurados por aqueles que apoiaram?

Mas mesmo apanhando tanto não aprendem. Continuam dizendo, quase todo dia, que o atual governo foi eleito democraticamente, dando a ele uma legitimidade que não tem. Escondem que o atual governo é resultado de um golpe jurídico-parlamentar.

E, quase sempre, quando precisam criticá-lo fazem comparações esdrúxulas, com os governos democráticos e populares anteriores. É assim que as democracias morrem. E isso não está apenas no nome de um livro.

É a realidade brasileira de hoje, construída com a colaboração entusiasmada da mídia comercial.

Tchau.

Em meio a pandemia, Exército vai gastar R$ 3 milhões em evento com Bolsonaro

Da Veja:

O Exército vai gastar cerca de 3 milhões de reais com montagem de palanques para eventos em frente ao Quartel General em Brasília. Em plena pandemia de coronavírus, que já infectou 1.740 pessoas no Distrito Federal e matou 33 pessoas, o Exército manteve o calendário anual de eventos.

Estão previstas locações de pelo menos três camarotes, cada um com capacidade de 100 pessoas. Somente com filmagem feita por drones com câmeras full HD, o Exército vai gastar 229.000 reais. Um dos itens mais caros da licitação é a contratação de 84 painéis de led de alta definição, de 56 metros quadrados, por 1,2 milhão de reais.

O Exército também vai locar mobiliário decorativo, incluindo cadeiras coloniais modelo Luiz XV, tapetes persas, mesas para café e sala para banheiros químicos. Segundo o Exército, um dos eventos previstos é o Dia do Soldado, 25 de agosto, que deverá contar com a presença de Jair Bolsonaro.

Que beleza…

Cade aprova fusão entre Disney e Fox; ESPN poderá transmitir Libertadores

Pepê e Moisés disputam lance no clássico entre Grêmio e Internacional pela Libertadores - Jeferson Guareze/AGIF

Em sessão realizada hoje (6), o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a fusão entre Disney e Fox no Brasil após revisão do negócio. O maior entrave era o Fox Sports, que a princípio deveria ser vendido, mas nenhum comprador que se apresentou cumpriu os requisitos da entidade reguladora. Assim, outra solução foi dada: o canal precisa ser mantido no ar pela multinacional por três anos ou até a conclusão de seus contratos de direito de transmissão.

Segundo a decisão a Disney precisa se comprometer a manter o Fox Sports no ar em pacotes básicos até 1º de janeiro de 2022 com obrigatoriedade da exibição da Libertadores no canal. No entanto, o Cade aprovou que outros direitos de transmissão sejam exibidos também em emissoras irmãs. Ou seja, a ESPN está liberada para exibir a competição continental caso queira.

Ao fim dos três anos, a Disney pode devolver a marca ao mercado para que ela fique disponível para outras empresas. Profissionais, sede do Fox Sports no Rio de Janeiro e direitos de transmissão ficam totalmente sob gerência da empresa americana. Relator do caso, o conselheiro Luis Henrique Bertolino Braido iniciou o voto após ser elogiado pelo economista-chefe do departamento de estudos econômicos do Cade, Guilherme Resende, que disse que o processo foi muito bem gerido e que o colega teve “competência” para tomar a decisão que tomaria.

Após resumir o assunto, Braido afirmou que a solução anterior do assunto, a venda do Fox Sports, não poderia ser feita naquele momento porque houveram mudanças no mercado econômico que merecem ser consideradas, já que os possíveis compradores não atenderam aos critérios exigidos para adquirir o canal, que deu prejuízo nos últimos anos e afastou interessados.

“O que exatamente aconteceu? Pois, nós chegamos a algumas conclusões. O negócio Fox Sports está em prejuízo ao longo do ano de 2019. Os canais Fox eram negociados em pacote para a TV por assinatura, ou seja, nenhum canal tinha um valor fixo. Pedi recibos contábeis dos canais, e observa-se com clareza que o negócio desinvestido tinha receitas boas em 2015. Em 2016, ele passa a ter considerável prejuízo por conta dos direitos de transmissão mais caros de futebol”, afirmou o conselheiro.

Braido usou como exemplo a Libertadores da América, principal torneio de futebol do continente. O Fox Sports tem o melhor pacote de TV paga e exclusividade de exibição da final, mas, para o conselheiro, o canal pagou mais do que tinha em caixa e não obteve retorno de audiência e de faturamento com esses direitos de transmissão, comprados a partir de 2016.

Após perceber isto, o conselheiro afirmou que pediu um plano de revisão do remédio de concentração a partir de fevereiro. A Disney relutou e, a partir de negociações, aceitou a nova sugestão do Cade, que consultou três interessados na aquisição do Fox Sports, mas todos desistiram após notarem que não teriam lucro financeiro no futuro com o canal.

Braido citou um quarto candidato a comprador, que apareceu em abril – no caso, a Rio Motorsports, que pediu a suspensão da sessão sobre o assunto. Segundo o conselheiro, este novo interessado não foi aprovado em relatório feito pelo responsável por não comprovação de poderio financeiro e experiência no meio de televisão.

O conselheiro disse que o fato de a Rio Motorsports estar em negociações de Fórmula 1 pelos seus direitos de transmissão não tem nenhuma valia para tornar a empresa apta para a compra. Braido também disse que a empresa mentiu ao dizer que tem fundos de capital para comprar o Fox Sports. “A Rio Motorspots disse que ainda estava atrás deste capital”, afirmou ele, descartando a empresa da negociação.

Ao seguir seu voto, Braido declarou que o estado brasileiro não pode impedir que uma empresa não tenha direito aos ativos que comprou sem motivos ou responsabilidade. Ele também citou a pandemia da Covd-19, dizendo que os canais esportivos são os que mais sofrem com a situação. “O Fox Sports em particular sofre bastante com a desvalorização do real. Os seus direitos de transmissão negociações estão em euros e dólares, enquanto seus contratos de publicidade são feitos em reais, o que torna a sua situação ainda mais dramática”, afirmou. (Com informações do UOL)

Procuradoria investiga Wajngarten por post da Secom chamando Curió de ‘herói’

Do Estadão

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão quer investigação e eventual responsabilização, inclusive por improbidade administrativa, do Secretário Especial de Comunicação Social da Presidência, Fábio Wajngarten, outras autoridades eventualmente envolvidas, em razão de postagem sobre o encontro entre Jair Bolsonaro e o tenente-coronel da reserva Sebastião Curió Rodrigues de Moura, o “Major Curió”, agente da repressão durante a ditadura militar que atuou no combate à Guerrilha do Araguaia, no sudeste paraense, nos anos 1970.

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Publicação no Twitter da Secom chamou de ‘herói’ o militar denunciado seis vezes por crimes como sequestro, assassinato, tortura e ocultação de cadáver.

Representação enviada ao procurador-chefe do Ministério Público Federal no Distrito Federal, destaca que a publicação ‘é uma ofensa direta e objetiva ao princípio constitucional da moralidade administrativa, por representar uma apologia à prática, por autoridades brasileiras, de crimes contra a humanidade e graves violações aos direitos humanos’.