Neurologista, médica que pediu teste de Covid de Bolsonaro respondeu processo por corrupção

A médica Stella Taylor Portella foi a responsável pela solicitação do primeiro exame do presidente Jair Bolsonaro no Hospital das Forças Armadas (HFA). Doutora em neurologia, a profissional é capitã-de-Mar-e-Guerra atua na Divisão de Emergência do HFA e já respondeu por processo por corrupção quando atuava no Hospital Naval Marcilio Dias.

Portella foi quem atendeu o presidente no primeiro exame que fez no HFA, em 12 de março de 2020, como consta nos exames divulgados pelo presidente. A profissional, que é especializada em neurologia, mas trabalha na Emergência, foi a responsável pelo exame do codinome “Airton Guedes”.‌‌‌

Em setembro de 2009, o Ministério Público Federal apresentou denúncia contra Portella, Carlos Roberto de Lima e Antonio Henrique Nunes Ribeiro em razão de contratos entre a empresa CRL Serviços Neurológicos com o Hospital Naval Marcilio Dias. Segundo o MPF, a empresa “cobrava por procedimentos neurocirúrgicos não prestados diretamente”.

Portella e Ribeiro, segundo os autos do processo, atuavam como Chefes do Setor de Neurocirurgia do referido hospital e seriam os responsáveis por assinar as notas dos serviços prestados pela CRL.‌

Após passar pela Justiça Militar da União – por envolver oficiais -, a denúncia chegou à Primeira Vara Federal Criminal, do Rio de Janeiro. Após a apresentação da defesa dos réus, o MPF recuou na acusação e defendeu a absolvição dos referidos por “dúvida” e falta de provas.‌

A sentença do juiz Marcos André Bizzo Moliari vai nesse sentido: “este magistrado também partilha da certeza de que os réus [Portella e Ribeiro] não agiram com vontade e consciência para a subtração de dinheiro público em proveito alheio, diante dos elementos coligidos em Juízo”.‌‌

Os dois médicos militares foram absolvidos por “estar provado que o réu não concorreu para a infração penal” enquanto Lima foi absolvido por “não existir prova suficiente para a condenação”.

Nem o MPF nem os réus recorreram da decisão e o processo foi transitado em julgado em outubro de 2012 sem avançar para outras instâncias.

#AdiaEnem: ‘Protesto virtual incomoda porque eles governam pelas redes’, diz presidente da UNE

Por Eduardo Maretti, na Rede Brasil Atual:

O movimento estudantil realiza nesta sexta-feira (15)uma manifestação virtual que não apenas se insere no contexto imediato, a pressão política pelo adiamento do Enem, como também no cenário de uma estratégia a médio prazo, que objetiva um desgaste sistemático do presidente Jair Bolsonaro e seu governo. Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), a petição #AdiaEnem já tem mais de 170 mil adesões.

Há exato um ano, mais de um milhão de pessoas foram às ruas protestar contra os ataques à educação promovidos pelo então iniciante governo Bolsonaro, no movimento conhecido como 15M.

“Embora a gente não possa estar na rua hoje, a internet é uma ferramenta importante na nossa pressão”, diz Iago Montalvão, presidente da UNE. Isso porque, em sua avaliação, a utilização das redes sociais como instrumento de pressão incomoda o governo Bolsonaro em um terreno em que ele se movimenta com habilidade. “Querendo ou não, eles se sentem afetados pelas manifestações virtuais. Principalmente porque governam pelas redes sociais.”

As entidades estudantis realizam na tarde de sexta um “tuitaço” a partir das 18 horas. A ideia é, desde a manhã, mobilizar estudantes e sociedade civil para que comentem a questão do Enem em todas as redes do Ministério da Educação (MEC).

Os ativistas prometem ainda publicar fotos com artistas, influenciadores e estudantes em todas as redes, “para mostrar a sociedade a importância do adiamento do Enem”, diz Montalvão, que afirma estar cumprindo quarentena. “Só saio para ir ao supermercado.”

Para a UNE, as pressões se mostraram eficazes no ano passado, como demonstrou o recuo do Executivo diante das enormes mobilizações contra o corte de 30% do orçamento federal na área da educação, especialmente a mobilização nacional de 15 de maio de 2019.

O bloqueio de 30% das verbas do orçamento para custeio das universidades federais (corte global de R$ 1,7 bilhão das instituições) foi o primeiro ato de “destaque” do atual ministro Abraham Weintraub, que em abril de 2019 substituiu o então titular do MEC Ricardo Vélez Rodríguez.

No ano passado, o Enem foi marcadopor graves e inéditos erros na correção de cerca de 6 mil provas. As falhas no Sisu também foram motivos de protestos.

Para Montalvão, a pressão pelo adiamento do exame já dá sinais de que pode dar resultado. Ontem Bolsonaro admitiu a possibilidade de reavaliar o calendário do Enem.  “Estou conversando com o Weintraub. Se for o caso, atrasa um pouco, mas tem que ser aplicado esse ano”, disse o chefe do Executivo.

Na Justiça

O presidente da UNE menciona também o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter indicado que o adiamento do Enem é uma questão de bom senso. O ministro do órgão Augusto Nardes justificou, em despacho do dia 4, que a pandemia de coronavírus se reflete na educação e coloca em risco os fundamentos do exame.

No atual cenário, a realização das provas do Enem prejudica os estudantes com menor poder aquisitivo, e portanto menos capacidade de estudar pela internet.

A Secretaria de Controle Externo da Educação do TCU proferiu parecer favorável ao adiamento. Na segunda-feira (11), o TCU pediu ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, que se manifeste em cinco dias sobre o tema.

Embora a UNE e a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) tenham perdido ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na qual pleiteavam o adiamento da prova, as entidades continuam a luta judicial. “Já entramos com mandado de segurança, dessa vez na Justiça Federal do Distrito Federal. Se for o caso, vamos também recorrer no STJ. Além disso, tem uma ação da Defensoria Pública da União em São Paulo que pode ser outro caminho”, diz Montalvão.

Impeachment?

Para ele, a questão do impeachment de Bolsonaro depende mais de estratégia política do que de vontade. “Nosso desejo é que Bolsonaro fosse retirado do poder, mas entendemos que o processo da luta é complexo e exige estratégia.”

Para o dirigente, pode não ser eficaz haver vários pedidos de impeachment ou que cada partido ou movimento protocole pedidos nesse sentido. “Precisamos criar mais desgaste e ganhar mais setores da sociedade. É fundamental acumular forças com outros movimentos, e depois, com uma ampla unidade, a gente entrar em conjunto com as entidades e partidos com um pedido de impeachment”, explica o dirigente. “Sozinhos não vamos entrar.”

Prefeito de Manaus afirma que Bolsonaro é responsável por mortes

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, afirmou nesta quinta-feira (14) que o presidente Jair Bolsonaro é co-responsável pelas mortes de Covid-19, e rebateu afirmações que o presidente da República teria feito sobre ele e seu pai durante a reunião ministerial de 22 de abril.

Foto: Reprodução/Instagram e Agência Brasil

Segundo a coluna de Matheus Leitão, da revista Veja, após ministros, incentivados por ele, criticarem medidas restritivas tomadas por governadores e prefeitos, Bolsonaro citou Arthur e riu ao mencionar quem é o pai do prefeito, Arthur Virgílio Filho, que foi torturado durante a ditadura.

Segundo a coluna de Matheus Leitão, em reunião com seus ministros, o presidente da República citou especificamente Arthur ao criticar os gestores que determinaram abertura de covas coletivas. Bolsonaro riu ao fazer menção ao pai do prefeito, que foi torturado durante a Ditadura Militar:  “aquele ‘vagabundo’ do prefeito de Manaus, que está abrindo cova coletiva para enterrar gente e aumentar o índice da Covid. Vocês sabem filho de quem ele é, né?”, teria dito o presidente, aos risos.

Ao saber das declarações, Arthur afirmou que Bolsonaro “não respeita ninguém, insulta a todos e não muda”. “Eu passo o dia trabalhando, já ele bate perna. Então se tem um vagabundo aqui não sou eu não. Vagabundo é quem não faz nada. Eu é que não vejo ele trabalhando. Bolsonaro é co-responsável por essas mortes todas pela Covid-19”, disse à coluna. “Como eu trabalho e não sou vagabundo, tenho de fato enfrentado a pandemia como guerra. E na guerra a gente enterra. Não tem cova rasa. Estamos fazendo um memorial para os que tombaram por conta do vírus”, completou. 

O prefeito de Manaus também afirmou que Bolsonaro não poderia se referir ao seu desta forma: “Não pode porque ele não se aproxima na coragem, nem na honradez do meu pai. Meu pai não se metia em rachadinha. É um exemplo. Se ele seguisse o exemplo do meu pai o país não estaria como está agora”.

“O ídolo dele é o torturador [Carlos Alberto] Brilhante Ustra, de quem eu tenho nojo e asco. Bolsonaro que fique com o Ustra, enquanto eu fico com o meu pai, com Ulysses Guimarães, com tantas pessoas imoladas e que lutaram contra o regime militar. Se Bolsonaro estivesse no Exército e dessem a ele essa oportunidade, ele torturaria. Ele busca memórias que torturam. Ele é um torturador”, disse Arthur, emocionado, ao colunista. 

A gravação da reunião ministerial de 22 de abril é a principal prova, até o momento, no inquérito que investiga se Bolsonaro tentou interferir politicamente na Polícia Federal do Rio de Janeiro, após denúncias feitas por Sergio Moro no momento de sua demissão. (Do Portal do Holanda)

Sobre escolhas e apostas

POR GERSON NOGUEIRA

Marlon

O futebol profissional é uma área de atividade sempre propícia para ideias inovadoras, experimentais e revolucionárias, tanto nas questões de campo quanto no plano administrativo. Exemplos não faltam, no Brasil e no mundo, de clubes que conseguiram destaque justamente pela ousadia gerencial e na adoção de práticas que resultam em sucesso, o que no futebol quase sempre vem a reboque de vitórias e títulos.

Agremiações populares, como os dois grandes do Pará, exigem uma dose extra de arrojo por parte dos dirigentes. Não é fácil lidar com a paixão do torcedor, que se materializa em grandes arrecadações e pressões gigantescas sobre jogadores, técnicos e gestores.

Para efeito de observação, a política de contratações e formação de elenco é a mais vulnerável aos olhos da torcida. Tanto Remo quanto PSC têm se mantido rigorosos quanto à redução de despesas durante a inatividade forçada pela quarentena.

A essa altura, com tantas incertezas a rondar a vida de todos, a cautela é a melhor conselheira e os clubes irão sair melhor da quarentena caso contenham gastos, adotando critérios certeiros na hora de fazer qualquer tipo de despesa.  

Nos últimos anos, o maior desembolso no futebol paraense envolve contratações de atletas. O lado nefasto é que a maioria das aquisições resultou em prejuízos financeiros e técnicos para os clubes. Agora mesmo, enquanto o futebol está paralisado, começa a busca por reforços.

O PSC mantém sigilo sobre os jogadores que lhe interessam. No Remo, quatro jogadores estariam em perspectiva, mas o que chama atenção é o interesse pelo veterano Marlon (34 anos), apontado como “reforço de peso” e com aval do técnico Mazola Jr.

Jogador experiente, mas em fase declinante, Marlon rodou por vários clubes da Série B nos últimos anos. Revelado no Pinheirense, defendeu o próprio Remo (de 2008 a 2011) e viveu momento mais destacado no Vasco, em 2014. Depois disso, passou rapidamente e sem brilho pelo PSC e esteve no Águia (um jogo apenas) no ano passado.

São as tais escolhas que podem ter consequências lá na frente e, por isso mesmo, precisam ser pesadas e ponderadas com cuidado.

Ajuda aos clubes pode abrir caminho para o acesso

Os clubes que representarão o Pará no Campeonato Brasileiro de 2020 ganharam ontem uma substancial ajuda extra em plena quarentena de combate à covid-19. Por iniciativa do governo do Estado, ganharam uma verba de R$ 2,4 milhões para que se organizem, ajustem as contas e reforcem seus elencos para a disputa das Séries C e D.

A dupla Re-Pa fica com a parte mais expressiva, pela maior importância da divisão que integra e pelos custos com a campanha. Cada um receberá R$ 1 milhão. Bragantino e Independente, da Série D, ficam com R$ 200,00 cada.

Em tempos de retração financeira, fuga de patrocinadores e falta de receita com bilheteria, o incentivo é providencial. Na assinatura do contrato, o governador Helder Barbalho reafirmou o compromisso com o esporte paraense: “A iniciativa de patrocinar é uma ferramenta de visibilidade da marca do banco, mas também do governo do Estado para divulgação de pontos turísticos do Pará e de tantas outras potencialidades”, afirmou.

Como contrapartida, o convênio prevê a exposição da marca do Banpará nas camisas oficiais e em placas de publicidade nos estádios, além da disponibilização de camarotes. O dinheiro cai amanhã (15) nas contas dos clubes. A Federação Paraense de Futebol, em surpreendente gesto de boa vontade, abriu mão de sua porcentagem habitual, permitindo o repasse integral aos quatro clubes.

Profut flexibiliza prazos para atenuar sufoco dos clubes

Clubes que aderiram ao Programa de Refinanciamento Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut) ganharam mais tempo para quitar débitos. Portaria do Ministério da Economia prorroga as prestações dos parcelamentos de maio, junho e julho, em face da emergência criada pela pandemia.

A partir de agora, as prestações, pagas sempre no último dia útil do mês, foram prorrogadas para pagamento a partir de agosto. Existem ainda propostas de flexibilização da Lei Pelé, do Estatuto do Torcedor e do próprio Profut, atendendo apelos do Conselho Nacional de Clubes.

Estudos de consultorias especializadas indicam que o negócio futebol representa 0,78% do PIB nacional, o que explica o esforço governamental para socorrer os clubes. Em troca, a Secretaria Especial do Esporte cobra administrações mais profissionais e focadas em resultados.

Nos 70 anos da F1, aclamação de uma lenda das pistas   

Que Michael Schumacher tenha sido eleito a pessoa mais influente da história da F1, em votação livre na internet, não surpreende a quase ninguém. Afinal, ganhou sete títulos mundiais e conquistou 91 vitórias, pulverizando recordes ao longo de uma carreira incrivelmente vitoriosa.

Espantoso é ver que o 2º colocado foi o cartolão Bernie Ecclestone, que nunca entrou num carro de F1. Muita gente teria mais direito ao posto. Stewart, Senna, Piquet, Villeneuve, Emerson, Lauda, Prost, Hamilton, Enzo Ferrari ou Juan Manuel Fangio.  

É como se numa eleição para escolher o futebolista brasileiro mais importante da história a vitória coubesse ao Rei Pelé e a segunda posição ficasse com Ricardo Teixeira.

Só mesmo a máfia de robôs que infesta a web em votações do gênero explica tamanho absurdo. De certa forma, a festa do 70º aniversário do primeiro GP da categoria acabou manchada pelo bizarro resultado. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 14)

Jornalistas são ameaçados de morte em Belo Horizonte

Muros em Belo Horizonte amanheceram pichados nesta quinta-feira (14) com apologia ao assassinato de jornalistas e atentados contra a imprensa. “Jornalista bom é jornalista morto”, era uma das mensagens nos tapumes na Avenida Alfredo Balena. “Colabore com a limpeza do Brasil, mate um jornalista, um artista, comunista por dia”, dizia outra.

Os presidentes do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, Alessandra Mello, e da ONG Casa do Jornalista,  Kerison Lopes, foram até o local e taparam as ameaças com cartazes que buscam valorizar os profissionais da imprensa.

Alessandra e Kerison localizaram uma loja que tem câmeras de segurança em frente aos tapumes nos quais estavam estampadas as ameaças. “Falei com a gerente da loja, que disse que as imagens ficarão guardadas por dez dias, porém, o jurídico só libera se tiver uma requisição da Justiça”, disse a presidente do Sindicato.

Alessandra está fazendo o registro de um boletim de ocorrência para que a polícia possa requisitar as imagens e chegar aos responsáveis pelos ataques.

No lugar das ameaças, foram colados cartazes com os dizeres: “jornalista bom é jornalista que incomoda”, “viva o jornalista”, “jornalista bom é jornalista vivo”, “sou jornalista e não me calo” e “respeita os jornalistas!”.

Segundo o presidente da Casa do Jornalista, de 2018 pra cá, aumentaram os ataques aos profissionais de imprensa, em especial, os virtuais. “Sempre acontece algum tipo de ataques na internet, crimes virtuais e cibernéticos a gente recebe denúncias há algum tempo”, afirmou.

Kerinson conta que durante a ditadura militar esse tipo de ataque contra a instituição eram frequentes. Na época, duas bombas chegaram a ser jogadas contra a sede da instituição.

Em 1994 houve um atentado a bomba. Segundo ele, o último episódio aconteceu devido a uma série de reportagens que denunciavam crimes cometidos por “uma banda podre da Polícia Militar”. Todos os ataques foram durante a madrugada. Não houve feridos.

Esses ataques não são isolados. No último dia 5 o presidente Jair Bolsonaro mandou jornalistas que o entrevistavam calarem a boca.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) afirma que em 2019 a mídia profissional sofreu 11 mil ataques por dia via redes sociais. A média é de sete agressões por minuto. Os dados estão no relatório anual sobre Violações à Liberdade de Expressão.

De acordo com monitoramento realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj),”somente no ano de 2020 Bolsonaro proferiu 179 ataques à imprensa, sendo 28 ocorrências de agressões diretas a jornalistas, duas ocorrências direcionadas à Fenaj e 149 tentativas de descredibilização da imprensa”.

O órgão aponta que somente no mês de abril, foram 38 ocorrências, sendo seis ataques a jornalistas e 32 casos de descredibilização da imprensa.

No último dia 3, em ato pró-Bolsonaro, na Esplanada dos Ministérios, manifestantes agrediram fisicamente jornalistas que cobriam o ato. “Os profissionais que foram alvo da violência pertenciam aos veículos Folha de S.Paulo, Poder 360, Estadão e Os Divergentes e os relatos dos quais o sindicato tomou conhecimento dão conta de que as agressões incluíram socos, empurrões e pontapés, em um ato de extremo desrespeito e violência contra a dignidade dos trabalhadores em questão”, afirmou a Fenaj.

No dia 2 de maio, em Curitiba, o repórter cinematográfico da RICTV, filiada da Record no Paraná,  Robson Silva, foi alvo de agressão física durante cobertura do depoimento do ex-juiz Sergio Moro na Polícia Federal, e quase teve o equipamento danificado.

Médicos com patrocínio político e planos de saúde promovem uso da cloroquina

Por Raíssa Ebrahim, no site Marco Zero Conteúdo

Enquanto estudos internacionais apontam para a não eficácia – e o pior, para os riscos colaterais – do uso da hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19, um grupo de médicos do Recife, chamados “Doutores da Verdade”, vem receitando e distribuindo a medicação de graça em comunidades.

A compra do remédio e a promessa de salvar vidas são patrocinadas por empresários e pela deputada estadual evangélica Clarissa Tércio (PSC), que anunciou a doação de metade do seu salário para a compra da hidroxicloroquina.

Planos de saúde também estão doando, com prescrição, a medicação, inclusive para o uso em domicílio. Sob o argumento da escassez da droga no mercado farmacêutico brasileiro, a Fundação Ana Lima, braço social do Sistema Hapvida, doou a hidroxicloroquina para as operadoras do Sistema Hapvida (Hapvida, São Francisco, América e RN Saúde).

Em Belém, a Unimed também está com uma ação desse tipo, distribuindo aos seus pacientes com prescrição, por drive thru, o coquetel cloroquina, azitromicina e ivermectina.

As ações políticas e do mercado de saúde estão alinhadas com o anúncio desta quarta-feira (13) do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ele disse que vai discutir com o ministro da Saúde, Nelson Teich, a ampliação do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina.

Mesmo ciente de que não há eficácia comprovada, Bolsonaro defende que o uso da medicação tem que ser pensado de forma emergencial e alega que existem médicos no Brasil e no exterior com o entendimento de que a utilização é adequada sobretudo se feita precocemente e em pacientes do grupo de risco.

“Se fosse minha mãe, com 93 anos, eu vou atrás dela, pego o médico… Claro que não vou forçar, mas tem muitos que concordam com esse tipo de medicamento e ela usaria. Enquanto não tiver medicamento comprovado no mundo, temos esse no Brasil que pode dar certo ou não, mas como não pode esperar quatro ou cinco dias, é melhor usar”, disse o presidente.

O anúncio de Bolsonaro, que também aproveitou para falar da necessidade de alinhamento com os ministros, acontece um dia depois de Teich ter feito alertas sobre o uso da cloroquina em sua conta no Twitter.

No início desta semana, um dos maiores estudos já feitos com hidroxicloroquina no combate à Covid-19 apontou que a droga não diminui a mortalidade, seja usada com ou sem associação à azitromicina. O estudo foi feito com 1.438 pessoas hospitalizadas em 25 hospitais da região metropolitana de Nova York e publicado no importante periódico médico Journal of the American Medical Association (Jama).

Além da não eficácia, a publicação aponta que o uso da hidroxicloroquina pode aumentar os riscos de problemas cardíacos.

Na semana passada, o The New England Journal of Medicine, outra publicação médica respeitada mundialmente, mostrou, após estudo com 1.376 pacientes, também em Nova York, que não houve evidências de queda no número de mortes e intubações após o uso da medicação.

No fim de abril, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (National Institute of Allergy and Infectious Diseases – Niaid), dos Estados Unidos, publicou que contraindicava o uso da hidroxicloroquina com azitromicina no combate ao coronavírus por conta do potencial de toxicidade.

Sobre o uso da cloroquina ou hidroxicloroquina individualmente, o instituto disse ainda não haver dados para indicar ou contraindicar.

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou, nesta quarta (13), mais 592 novos casos da Covid-19 – 232 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 360 são casos leves. Agora, Pernambuco totaliza 14.901 casos já confirmados, sendo 7.876 graves e 7.025 leves. Também foram confirmados laboratorialmente mais 67 óbitos, totalizando 1.224 mortes no estado.

Médicos defendem uso precoce da cloroquina

O grupo Doutores da Verdade atendeu cerca de 100 pessoas na noite da última segunda-feira (11) na Igreja Evangélica Ministério Labareda, no bairro de Casa Amarela, Zona Norte da capital, e está avaliando qual será a próxima comunidade atendida. A ideia é percorrer vários locais pobres com a ação.

Segundo o pneumologista e alergologista, com mestrado em medicina pela UFPE, Antônio Aguiar, cerca de 15 pacientes tiveram, na ocasião, após consulta e avaliação médica, a indicação do uso da cloroquina e levaram a medicação para casa mediante assinatura de um termo de consentimento e atestando que conhecem os riscos dos efeitos colaterais.

“Não podemos banalizar o uso, a maioria não irá precisar de tratamento”, disse ele em conversa com a Marco Zero Conteúdo por telefone nesta quarta (13). “A impressão que a imprensa passou é que todo mundo que tem coronavírus vai morrer. Tenho atendido muita gente com estresse, depressão e ansiedade achando que é uma pena de morte”, afirmou.

De acordo com Antônio, “existem muitas evidências apontando a eficácia (do remédio) em revistas sérias internacionais, mostrando que, quando usado precocemente, a gente diminui os números de internamento, a necessidade de UTI e os casos de óbitos”.

Porém, o médico não citou as fontes da informação quando questionado, detalhando, no entanto, que já há metanálise mostrando a eficácia do remédio, quando se reúnem vários trabalhos já publicados.

O especialista sustenta que o que está havendo é “uma confusão, inclusive entre médicos”, pois, na visão dele, muitos estudos importantes demonstraram que realmente não há eficácia no tratamento, mas em pacientes já hospitalizados. Antônio disse ter 180 pacientes em seu consultório, onde prescreve o remédio, e apenas um óbito até agora.

No início da epidemia no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), por não haver tratamento para o novo coronavírus, autorizou que médicos prescrevessem a hidroxicloroquina, inclusive ambulatorialmente, desde que haja um consentimento do paciente de que é um tratamento experimental ou se for para fins de estudo científico.

Nesta terça (12) à noite, em live no Instagram com a deputada Clarissa Tércio (PSC), Antônio Aguiar, que disse saber que tem o apoio do Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco), declarou: “Não estou fazendo nada ilegal. Podem denunciar ao Cremepe. Estou apenas curando pacientes e, se não curar, estou diminuindo o sofrimento”.

“Não vão pelos dados da televisão, o coronavírus está desaparecendo, toda virose é limitada, ela faz seu ciclo. O vírus vem, causa seu estrago e vai passar. Vamos ter fé e esperança”, afirmou o pneumologista.

Em nota enviada à reportagem, o Cremepe informou que “instaurou expediente de apuração das informações referentes ao programa ‘Doutores da verdade’. O expediente corre em sigilo processual para não comprometer a investigação. Os expedientes são regidos pelo Código de Processo Ético – Profissional (CPEP) estabelecidos pela Resolução CFM Nº 2.145/2016”.

Clarissa Tércio prega o isolamento vertical

Sempre alinhada às falas do presidente, a deputada Clarissa Tércio, financiadora de atos pró-Bolsonaro no Recife, defende o isolamento vertical, em que somente os grupos de risco, a exemplo de idosos e pessoas com comorbidades, precisam ficar isolados em casa.

Especialistas no mundo inteiro já mostraram, desde o início da pandemia, que, num estágio de crescimento exponencial dos casos, situação que o Brasil vive hoje, é necessário ampliar as restrições de contato social. Países europeus se arrependeram de terem iniciado as ações com isolamentos seletivos porque os casos cresceram assustadoramente.

Confira algumas frases ditas pela deputada na live:

“Vocês não devem se assustar com as más notícias propagadas pela grande mídia”

“Acho absurdo estar colocando o tempo todo fotos de covas e pessoas morrendo. Estamos atravessando um momento difícil, mas vai passar”

“Eu estou aí há um tempo, acho até que peguei esse negócio porque é o tempo todo entrando em UTI, em hospital e agora nessas ações”

“Em momento nenhum negamos a doença, sempre defendemos o isolamento vertical e o cuidado das pessoas que são grupo de risco. Elas, sim, expostas à doença é muito perigoso”

São essas as ideias que a deputada propaga também em seus canais de comunicação e na Rádio Ministério Novas de Paz, líder de audiência na Região Metropolitana do Recife e que pertence à Assembleia de Deus de mesmo nome, presidida pelo seu pai, o pastor Francisco Tércio. Seu marido, o pastor Júnior, também pertence à igreja, que possui mais de 20 mil fiéis.

A deputada também vem pedindo para que o governo de Pernambuco publicize onde estão as medicações recebidas via governo federal e como estão sendo distribuídas. Ela também requereu que o remédio seja usado nas UPAs . O protocolo do uso do medicamento cloroquina, para casos graves, é definido pelo Ministério da Saúde (MS) e seguido pelo estado.

Isto é, ele é disponibilizado para uso, “a critério médico, como terapia adjuvante no tratamento de formas graves, em pacientes hospitalizados, sem que outras medidas de suporte sejam preteridas em seu favor”.

A Marco Zero Conteúdo perguntou à SES-PE quantas unidades foram enviadas por Brasília: “O governo federal enviou duas remessas dessa medicação para Pernambuco, que foram encaminhadas às unidades hospitalares, totalizando 184 mil comprimidos. Além disso, a SES-PE adquiriu 86.200 comprimidos de hidroxicloroquina para atender pacientes da Covid-19, além de doentes com outras patologias que fazem uso do medicamento, por meio da Farmácia de Pernambuco, como lúpus e artrite reumatóide”, respondeu a secretaria em nota.

Clarissa Tércio também sustenta seus argumentos com base em declarações do mercado ao citar o presidente do Sistema Hapvida, Jorge Pinheiro. Em comunicado que a reportagem recebeu via assessoria de imprensa do Hapvida, Jorge diz que “a percepção clínica de nossos médicos é de que o uso da hidroxicloroquina, em associação com outras drogas, na fase inicial da doença, tem sido um elemento essencial para evitar a gravidade da Covid-19 em nossos pacientes. Dessa forma, para cuidar do nosso paciente e contribuir para que a sua situação não se agrave, vamos doar a medicação, desde que tenha prescrição médica. Quando ele se consultar com nosso médico em nossas unidades, e o médico entender que ele possui condições de ficar em casa e precisa da medicação, daremos acesso à hidroxicloroquina, já que muitos pacientes têm nos relatado dificuldades de encontrar a medicação na rede farmacêutica do país como um todo. Já temos, no momento, tratamento para 20 mil pessoas, mas estamos trabalhando para ampliar essa quantidade”.

Clarissa disse ontem na live, com pico de audiência de quase 800 pessoas simultaneamente, que acredita que “existe uma militância contra a droga”. “Pode denunciar na Polícia Federal, FBI, Interpol, o que for. Não somos criminosos, não estamos fazendo nada errado”, provocou.

E aproveitou para alfinetar o Psol, partido opositor e para quem ela perdeu a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), presidida pelo mandato coletivo das Juntas: “Do Psol não podemos esperar aplausos. É bem provável que, se eu tivesse distribuindo maconha e pílula abortiva, eu estaria sendo aplaudida”.

O Psol, através da advogada e ex-candidata ao governo do estado, Dani Portela, protocolou denúncia no Ministério Público de Pernambuco (MPPE), no Cremepe e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pedindo investigação das ações do grupo “ Doutores da Verdade” e a relação com a deputada evangélica na promoção do uso da hidroxicloroquina em bairros de periferia.

A promotora Ivana Botelho, do MPPE, informou à Marco Zero Conteúdo que o órgão decidiu distribuir a “notícia de fato” sobre o grupo “Doutores da Verdade” e vai iniciar uma investigação com o objetivo de verificar se há dano à saúde pública. O MPPE também oficiou o Cremepe para saber que providências o órgão tomou em relação ao fato.

Lives X artigos científicos

“Infelizmente estamos vivendo um momento em que lives são mais importante que artigos científicos”. A declaração é do médico clínico geral Pedro Alves, há mais de dois meses na linha de frente do combate à Covid-19 na enfermaria do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), referência em infectologia.

Ele avalia como natural, diante de uma pandemia, o medo e a necessidade de ir-se atrás de uma cura. Mas alerta que não há evidências robustas até o momento de que o uso da cloroquina é eficiente. “Na verdade, as evidências até agora não estão conseguindo demonstrar a eficácia. Hoje, à luz da ciência, não há vantagens e, para alguns pacientes, há até riscos maiores”, frisa.

Pedro também problematiza a a possibilidade de comprovação da eficácia da cloroquina a partir das ações de promoção do remédio: “Com um presidente que acha que é uma gripezinha, você vai lançar mão de uma droga que não tem efetividade comprovada num tratamento em massa para um percentual muito pequeno que terá complicações. Como você vai comprovar que a droga foi a solução? Porque já é evidente, do ponto de vista científico, que a maioria dos quadros são domiciliares e sem maiores complicações”.

O médico levanta outras questões: o fato de profissionais se colocarem numa posição de propagadores de uma verdade absoluta e prometerem uma solução, o que não é permitido pela ética médica. O código, no artigo 113, diz que não se pode “divulgar, fora do meio científico, processo de tratamento ou descoberta cujo valor ainda não esteja expressamente reconhecido cientificamente por órgão competente”.

Na avaliação do professor de farmacologia e coordenador do curso de farmácia da Unicap, Leando Medeiros, que vem acompanhando de perto as publicações científicas, as iniciativas de incentivo ao uso da medicação são uma tentativa política de forçar a barra, uma forma de mostrar serviço e mostrar que existe uma preocupação política com a saúde das pessoas.

“É mais um mecanismo de tentativa e erro para que as pessoas se recuperam rapidamente para voltar a estimular economia”, critica. A grande preocupação de Leandro é que, com esse tipo de iniciativa, vai se estar dando acesso a um medicamento muito útil para tratar outras doenças, como malária, lúpus e artrite reumatoide, desabastecendo pacientes que precisam.

Segundo ele, até farmácias de manipulação que fazem a hidroxicloroquina com prescrição médica estão com dificuldade de abastecer porque seus fornecedores também têm limitação.

“Fake news na ciência”

“É um fenômeno de fake news na ciência”, conclui Rafaela Pacheco, médica de família e comunidade, sanitarista, professora de medicina da UFPE Caruaru e presidente da Associação Pernambucana de Medicina de Família e Comunidade.

“Não é surpreendente perceber que as pessoas que não têm notadamente habilidade para ler e criticar de forma efetiva um artigo científico caiam nessas orientações travestidas de ciência. Assustador é ver a categoria médica ter esse tipo de comportamento. É compreensível a pressão e angústia dos profissionais de saúde e a sensação de impotência. Eu acolho esse sofrimento, mas desespero não é o melhor conselheiro”, sobe o tom da crítica.

Rafaela avalia que a mídia também tem uma responsabilidade nisso porque as publicações geram ansiedade e uma corrida pelos remédios. “Pode ser que amanhã isso mude, mas o que temos por enquanto são dados sérios publicados por revistas renomadas internacionalmente e não há comprovação de sucesso no tratamento (com hidroxicloroquina)”, aponta.

Outra preocupação de Rafaela, que atende em uma unidade de referência municipal para a Covid-19, é que as promessas de tratamento e cura terminem gerando um descuido no que de fato há comprovação de eficácia: o isolamento social e o uso de máscara. “O pouco que temos conseguido (de isolamento), com tanto esforço público e societário, pode ir de ralo abaixo”, alerta.

A médica prevê ainda outro problema na atenção primária: o comprometimento do vínculo na relação entre médico e paciente, “algo muito caro para quem trabalha com medicina de família e comunidade e cuidado longitudinal. Imagina a cobrança pela prescrição do medicamento e a necessidade de explicar tudo isso o tempo todo à população”, pondera.

Presidente do Bahia lamenta uso da camisa do clube por Bolsonaro

Do Estadão

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, lamentou nesta quinta-feira ter visto o presidente Jair Bolsonaro vestido com a camisa do clube durante passeio de jet ski no último domingo no Lago Paranoá, em Brasília. Para o dirigente do clube tricolor, a aparição de um dos símbolos do time em um vídeo de Bolsonaro gerou uma associação com o noticiário negativo do fim de semana, quando o Brasil chegou à marca de 10 mil mortos pela pandemia do novo coronavírus.

“Foi ruim ver a camisa do Bahia relacionada ao momento dos 10 mil mortos, mas cada um usa a camisa do Bahia. Não posso condenar o Presidente da República de jeito nenhum. Dentro da torcida do Bahia tem pessoas que votam em A, B e C. Não posso ficar aqui condenando pessoas especificamente. Tenho que lutar por causas. E é isso que o Bahia tem feito”, disse Bellintani à rádio A Tarde FM.

No vídeo citado por Bellintani, Bolsonaro está com a camisa do Bahia em um jet ski, enquanto é filmado por algumas pessoas que estão em um barco no Lago Paranoá. O presidente do Brasil chega até mesmo a se aproximar dessa outra embarcação e durante a conversa, permite ser gravado e comenta sobre a pandemia. “É uma neurose, 70% vai pegar o vírus, não tem como. É uma loucura”, afirmou na ocasião. (…)