Lula recebe da universidade de Rosário o título de Doutor Honoris Causa

Lula

O ex-presidente Lula recebe nesta quinta-feira, 21, um título de doutor Honoris Causa da Universidade Nacional de Rosário (UNR), na Argentina, em razão de sua luta pela erradicação do analfabetismo no Brasil. Trata-se de 36° título Honoris Causa do dirigente, que continuou sendo premiado mesmo durante o período em que era preso político da direita golpista.

A UNR afirma que Lula receberá o título em evento de análise e intercâmbio digital com intelectuais e lideranças mundiais. O evento é chamado “Reflexões ao pôr do sol – o cenário pós-pandemia”. “O que pretendemos construir é um dispositivo para internacionalização da universidade dentro do espaço da UNR”, explicou o reitor Franco Bartolacci.

Pandemia está arruinando as bases do império evangélico no país

Por Raquel Farias

De todas as atividades humanas, a religião é a mais dependente de um tipo de catarse e êxtase que só as multidões conseguem produzir. A fé se alimenta de energia coletiva. Daí os templos erguidos para aglomerar pessoas desde tempos imemoriais. E por isso o pânico instalado no meio evangélico. O coronavírus está destruindo as bases que sustentam as suas igrejas e o seu formidável império no país.

O desespero já bateu às portas. Com os templos fechados pela pandemia, pastores relatam queda de até 90% na arrecadação das igrejas. A alternativa das doações digitais não está dando certo; sem o clima eufórico dos cultos, o fiel não sente a mesma propensão a doar. E se as sacolinhas secam, quebra-se corrente essencial de liquidez para todo o complexo político-empresarial em que se transformaram diversas igrejas no Brasil.

Os sinais da crise estão por toda parte, especialmente no núcleo de comunicação dos impérios religiosos. A TV Record, da Universal do Reino de Deus, pediu no mês passado moratória de dívidas trabalhistas. Mas não só os veículos de mídia ligados a igrejas estão sendo atingidos pela crise religiosa. Emissoras de rádio e TV que alugam espaço para pastores ou denominações evangélicas estão amargando calotes milionários.

A solução buscada pelos evangélicos é a convencional: pedir ajuda ao governo. Além de pressionar pelo fim da quarentena e reabertura dos templos, querem socorro financeiro. A Igreja Internacional da Graça de Deus pediu a interveniência do presidente para obter o perdão de R$ 144 milhões de débitos inscritos na Dívida Ativa da União e de R$ 44 milhões em multas no Carf. O deputado Marcos Pereira, bispo licenciado da Universal, liderou uma romaria ao Banco Central para pedir acesso das igrejas a empréstimos bancários.

Pereira é o atual primeiro-vice-presidente da Câmara Federal, o segundo posto na casa. Hoje os evangélicos integram a cúpula do legislativo e detém cargos de relevo no executivo. O baixo clero escalou no poder político, reflexo do crescente aumento de suas bancadas parlamentares, inclusive nos municípios.

As igrejas viraram máquinas de votos ao canalizarem recursos para um poderoso sistema de comunicação que projeta líderes, divulga crenças e alinha fieis a uma determinada visão do mundo. O dinheiro da fé move refletores e mecanismos que elegem políticos. E estes retornam o apoio em benesses.

Toda essa engrenagem agora está ameaçada. E não se trata de crise passageira. Não se sabe quando as multidões voltarão a ocupar os templos nem em que condições isso ocorrerá. Na religião, a falta de dinheiro pode durar meses a fio. Ou anos. Mesmo com apoio de Bolsonaro, sobreviver não será para todos. Impérios evangélicos vão desmoronar, como as muralhas de Jericó.

E a Igreja Católica, também não seria afetada? Sim, claro. Mas, há uma diferença: ela tem dois mil anos, enquanto a maioria das denominações evangélicas tem a idade de seus fundadores ainda vivos. Além disso, há a lendária riqueza de Roma.

Zuckerberg cita post de Bolsonaro como exemplo de como Facebook age contra fake news

Facebook se defende contra críticos de redes sociais

Da AFP

Mark Zuckerberg disse nesta quinta-feira (21) que o Facebook está removendo informações falsas sobre o coronavírus e deu o exemplo sobre a exclusão de publicação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

O Facebook retirou uma alegação do presidente brasileiro Jair Bolsonaro de que os cientistas “mostraram” que havia uma cura para o coronavírus.“Isso obviamente não é verdade e é por isso que a removemos. Não importa quem diga isso”, disse Zuckerberg, em entrevista à rádio pública britânica BBC.

O Facebook removerá da plataforma todo o conteúdo que cause “dano imediato” a qualquer usuário, acrescentou Zuckerberg.

No final de março, Facebook e Instagram removeram vídeo publicado por Bolsonaro por violação das regras das redes sociais.

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Black Jesus, GOAT, gênio? Jordan

Michael Jordan: esportista e uma mina de ouro - La Parola

POR GERSON NOGUEIRA

A quarentena nos permite tempo livre para dedicar atenção a coisas que talvez passassem despercebidos em outra situação. “The Last Dance” (Arremesso Final, no título em português) é um desses prazeres que o isolamento trouxe de maravilhoso. Atraente na forma e impactante no conteúdo sobre personagem tão exaustivamente esmiuçado pela mídia. Quem achava, como eu, que não havia nada mais a descobrir sobre Michael Jordan, quebrou a cara.  

Air Jordan, GOAT (sigla que significa “melhor de todos os tempos”) ou Black Jesus, apelido antigo e que Reggie Miller adorava utilizar, irrompe ainda maior e mais gigantesco do que sempre foi. Ninguém tira os olhos da tela porque as entrevistas são encaixadas como a formar um mosaico, mesclando momentos curiosos, dramáticos, engraçados e até bobos, como a pizza fuleira que quase tirou Jordan da semifinal de 1997.

O truque de avançar e retroagir a linha de tempo usado pelo diretor Jason Hehir é elegante e facilita a compreensão. Como se vê, até na linguagem técnica o doc é inovador. Se a ideia era tributar o mais genial jogador da história do basquete, o objetivo foi largamente alcançado.

E o que dizer das imagens inéditas de bastidores do Bulls, como as conversas fiadas entre MJ e seu time de seguranças, numa relação quase paternal em relação ao ídolo? Os quatro estão sempre em torno dele quando fora da quadra, prontos a abrir caminho entre a floresta de microfones e câmeras, ágeis também na missão de afastar os chatos de plantão.

The NBA's Richest Shoe Deals: LeBron, Kobe And Durant Are Still No ...

Há algumas semanas, escrevi comentário sobre a série, que apenas começava a ser exibida. Ao longo das últimas segundas-feiras me acostumei ao prazer de ver um trabalho jornalístico tão competente, minucioso e bem acabado, fiel ao rigor métrico da narrativa cinematográfica.

Jordan é o tema, o norte e dita o ritmo. Conta deliciosas passagens, clareia polêmicas, acrescenta algumas e rebate opiniões de antigos desafetos, como Miller e Isiah Thomas, talvez o mais notório. Scottie Pippen, Dennis Rodman e Steve Kerr são os coadjuvantes, pontuando e enobrecendo a narrativa. Pippen era um valoroso carregador de piano, rei das assistências que garantiam o brilho do astro maior. 

Rodman, cheio de tatuagens e colares, é um show à parte, flertando sempre com o visual bad boy roqueiro. É protagonista de episódios hilários, como a fuga de uma semana a Vegas com a beldade Carmen Electra. Chegou ao Bulls após pontificar como carrapato de Jordan quando defendia o Detroit Pistons, o time mais casca grossa da NBA moderna, pedra no sapato do supercraque.

É fato que o Pistons aprontou e irritou bastante MJ, mas este quase sempre levava a melhor porque, além de incomparável fintador e arremessador, era talhado para duelos em qualquer nível, inclusive embates físicos. Encestava como ninguém, mas saía no soco e no cuspe quando era necessário. Atleta completo, um campeão implacável nos treinos e jogos cobrando sempre mais e mais dos companheiros, sem jamais descumprir metas assumidas. Competitividade no limite da compulsão.

Às vésperas de final de conferência ou decisão de título, Jordan sempre sacava da cartola um motivo extra para se motivar. Servia qualquer coisa, da pinimba com um novato abusado ou a bronca pela perda de um troféu para Karl Malone, por exemplo. “Virou questão pessoal”, decretava, e a frase virou símbolo do estilo Jordan gerando memes hilários na web.  

A mídia bateu palmas para The Last Dance (parceria da Netflix com a ESPN Films), mas espetou Jordan, criticando o culto à personalidade. Bobagem. É justamente o lado pessoal do gênio o que mais encanta na minissérie, que também é uma declaração de amor ao basquete americano, através de imagens espetaculares e inéditas de disputas em quadra.

Há abundância de informação, com abas para passagens da infância de Kerr e recortes da autoridade técnica e moral de Phil Jackson sobre a trupe de Chicago. Nem o futebol, esporte das multidões, conseguiu até hoje produzir obra tão monumental sobre um time ou um craque.

Jordan venceu mais uma vez. Assistam.

Flamengo alia-se a negocionistas pelo fim do isolamento 

O Brasil superou as 17 mil mortes pela pandemia, mas o Flamengo parece viver em outra dimensão. Obcecado em voltar aos gramados, o clube decidiu, através de sua diretoria, aliar-se à campanha que o presidente da República move diariamente contra o isolamento social.

Ontem, surgiram imagens ainda mais preocupantes: o time está treinando normalmente e descumprindo normas do governo estadual e da prefeitura do Rio. Em choque direto com as imagens, o clube tornou a emenda pior do que o soneto e negou que tenha desrespeitado a quarentena.

O convescote de anteontem com o presidente, em Brasília, foi um show de deboche em relação à covid-19. Ao lado do presidente do Vasco, o flamenguista Landim apareceu risonho e animado nas fotos com Bolsonaro e seu filho Flávio. Ninguém usava máscaras de proteção.

O cinismo sem limites da cartolagem irresponsável

Enquanto o clube amarga um déficit de R$ 394 milhões, o ex-presidente do Cruzeiro, Vagner Pires de Sá, em resposta a denúncias de gastos extravagantes com o cartão corporativo do clube, teve a pachorra de dizer que as críticas visam queimá-lo com a torcida. O sujeito torrou um dinheiro pesado indo a restaurantes e casas de prostituição no exterior, mas entende que não é um problema relevante.

O cartola não lembra nem se gastou no almoço ou no jantar o dinheiro do clube. Administrava o Cruzeiro como se fosse o puxadinho de casa, sem a menor preocupação com o controle das finanças, como se fosse um sheik árabe dono de poços de petróleo.

Para tentar abrandar o peso das denúncias, Pires de Sá chega ao cúmulo de dizer que o valor pago a uma acompanhante em Portugal chegaria a 2 mil euros, como se isso atenuasse a gravidade de suas gastanças.

Agora, chega a conta amarga de tanta irresponsabilidade. Condenado pela Fifa a iniciar a Série B com 6 pontos a menos por conta de uma dívida com o Al Wahda, dos Emirados Árabes. Pior ainda: a nova direção do clube foi avisada ontem de uma pendência de R$ 9 milhões, referente a débito com o Zorya Luhansk, da Ucrânia, pela compra do atacante William, em 2014. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 21)

Sleeping Giants explica como atua no Brasil para enterrar sites de extrema direita

Do Sleeping Giants Brasil no Twitter:

Muitas pessoas têm se perguntado como nos ajudar, e acredito ser de suma importância reforçar isso agora que os robôs nos acharam.

O movimento vai sempre manter o foco em um site por tempo determinado, até realmente desmonetiza-lo – pois de início ao retirar um anúncio o adsense apenas vai substituí-lo por outro.

Contamos com ajuda de vocês para que twittem prints marcando o @slpng_giants_pt em anúncios de empresas que encontrarem nos sites.

Os envios de vocês serão verificados, e após essa etapa então publicaremos o tweet buscando uma resposta da empresa (que geralmente não sabe da vinculação dos seus anúncios nesses sites). Lembrando que buscamos a conscientização e não o boicote!

Essa resposta depende de vocês, é a hora de vocês retuitarem e favoritarem o tweet, além de cobrar constantemente a empresa através da marcação do seu @, mandando mensagens por dm, e etc.

Todas essas ações são fundamentalmente feitas com a nossa hashtag #SleepingGiantsBrasil, não esqueçam de mencioná-la para nos unirmos em uma única frente. E aí podemos contar com a ajuda de todos vocês para derrubar esses sites antidemocráticos?

Unida pelo impeachment, oposição celebra frente ampla contra o fascismo

Líderes políticos de sete partidos de esquerda, juristas, intelectuais, artistas e movimentos protocolaram nesta quinta-feira, 21, um pedido coletivo de impeachment de Jair Bolsonaro. O documento, assinado por PSOL, PT, PCdoB, PCB, PCO, PSTU e UP, além de mais de 400 organizações sindicais e da sociedade civil, acusa Bolsonaro de crimes de responsabilidade e de atentar contra a saúde pública e arriscar a vida da população pelo comportamento à frente da pandemia do coronavírus, entre outras práticas passíveis de punição com a perda do mandato. 

Bolsonaro e pedido de impeachment da oposição

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse em entrevista coletiva que Bolsonaro age com descaso com as vítimas da covid-19, com os trabalhadores mais pobres e também com os donos de pequenos negócios. “Até agora o crédito não chegou e as pessoas estão sendo demitidas. Bolsonaro não tem condição alguma de governar, nem humana, de se colocar no lugar do outro, muito menos de proteger. Só saber brigar o tempo todo e vive o tempo todo em meio a crimes de todo tipo, inclusive de responsabilidade e eleitoral”, disse Gleisi. 

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse que a unidade do campo da esquerda é o caminho para derrotar Jair Bolsonaro. “Demos hoje um passo essencial na construção da frente democrática para derrotar o fascismo bolsonarista. Mais de 500 organizações da sociedade civil e partidos de oposição apresentam juntos novo pedido de impeachment. Esse é o caminho, unidade pelo Brasil!”, disse Freixo pelo Twitter. 

Integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, Guilherme Boulos (PSOL) disse que Bolsonaro é um “aliado do vírus” e por isso está sob observação de todo o mundo que, incrédulo, assiste a um líder que despreza as vítimas da doença. E destacou o perfil antidemocrático do presidente, que faz apologia à ditadura e à tortura, e destacou os crimes de responsabilidade que têm praticado até aqui e as tentativas de interferência na Polícia Federal para proteger seus filhos.

Ex-rubro-negro Paquetá entra na “seleção das decepções” do Italiano

Decepção brasileira na Itália. (Foto: Divulgação)

Todo jogador brasileiro sonha com o futebol europeu. Dinheiro, eles até ganham, mas nem todos conseguem mostrar o futebol. O jovem Lucas Paquetá pouco acrescentou ao Milan e, de quebra, entrou na “seleção das decepções” do Campeonato Italiano elaborado pelo Gazzetta dello Sport.

O jogador do Milan é o único brasileiro na lista de 11 atletas. Lucas Paquetá foi contratado no final de 2018 pelo Rubro-negro e chegou ao clube italiano em 2019 por 35 milhões de euros. Aos 21 anos, ele tem contrato até 2023. Na atual temporada são 19 jogos, só nove como titular, e nenhum gol.

Além do brasileiro, a seleção das decepções conta com o goleiro Meret (Napoli); o lateral-direito Spinazzola (Roma), os zagueiros Godín (Inter de Milão) e Vavro (Lazio) e o lateral-esquerdo Barreca (Genoa); os meio-campistas Rabiot (Juventus) e Pastore (Roma); e os atacantes Verdi (Torino), Sanchez (Inter de Milão) e Lozano (Napoli). (Do FI)

Botafogo vê Touré mais perto, mas vinda de Robben é difícil

Yaya Touré comemora seu gol pelo Manchester City na Liga dos Campeões - Getty Images

Segundo o ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, Yayá Touré está próximo do clube. Em entrevista ao Os Donos da Bola desta quarta-feira, o integrante do comitê gestor alvinegro afirmou que o clube, apesar da pandemia, segue em contato com o marfinense. Tendo o sucesso na contratação de Honda como motivador para buscar Touré, o cartola também falou sobre a possível vinda de Arjen Robben. Para Montenegro, no entanto, a contratação do holandês, hoje aposentado, é difícil.

“A gente, com todas as dificuldades, descobriu que precisava motivar o torcedor. O projeto começou com o Honda. A gente fez um movimento, conseguimos acertar com ele, foi uma festa no aeroporto. (…) Em função disso, a gente começou a pensar no Yayá Touré, mas começou a pandemia. Nós, hoje, continuamos conversando com ele”, explicou o ex-presidente, que completou: “Chegamos a pensar no Robben, mas acho difícil. E estamos muito adiantados com o Yayá Touré, que viria para nos ajudar tanto neste projeto de arrecadar mais com o sócio-torcedor, e também no campo”.

Bolsonaro tentou alterar bula da cloroquina, revela Mandetta

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta concedeu uma entrevista à GloboNews, onde comentou, entre outros assuntos relacionados com sua passagem pelo governo de Jair Bolsonaro, que pretendia alterar a bula da cloroquina, para incluir no documento sua recomendação para o tratamento da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Mandetta contou que a tentativa de alterar a bula aconteceria via decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“O presidente se assessorava ou se cercava de outros profissionais médicos. Eu me lembro de quando, no final de um dia de reunião de conselho ministerial, me pediram para entrar numa sala e estavam lá um médico anestesista e uma médica imunologista, que estavam com a redação de um provável ou futuro, ou alguma coisa do gênero, um decreto presidencial… E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19”, afirmou o ex-ministro.

Além disso, Mandetta afirmou que o protocolo recomendado para o uso da droga é ‘distante do razoável’.

De acordo com Mandettaé muito mais confortável para Bolsonaro ter um ministro que não é médico. “Qualquer um que se sentou nas cadeiras das universidades de medicina tem dificuldade em assinar”. O médico estava se referindo ao ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello. 
O ex-ministro ainda alertou para os riscos da automedicação. “Meu maior medo é que as pessoas comecem realmente a se automedicar. Para jovens, não vejo problemas. Mas, por ter muitos efeitos colaterais, os idosos correm risco”, afirmou.

Comparar Lula a Bolsonaro é, antes de tudo, uma opção pelo mau-caratismo

Lula e Jair Bolsonaro

Por Leandro Fortes

A frase infeliz de Lula (“ainda bem que a natureza criou o coronavírus, etc,etc,etc”) é extremamente reveladora, mas não da essência do emissor, sobre o qual nunca pairou nenhum tipo de desvio humanitário.

Lula é e sempre foi um humanista pautado pela política de solidariedade, nos discursos e nas ações, ancorado na força do Estado como agente financiador de mudanças. Em dois mandatos como presidente da República, ele fez do desenvolvimento econômico do Brasil de então, o maior da história republicana, um ponto de partida para tirar o País do mapa da fome mundial, resgatar 40 milhões de pessoas da pobreza e garantir que cada brasileiro tivesse, ao fim de seu governo, três refeições diárias.

É preciso ser um ignorante absoluto sobre a história de Luiz Inácio Lula da Silva para interpretar uma frase mal construída como expressão de pensamento, em si. A alternativa, como rapidamente se pôde notar, foi a interpretação de má fé, opção adotada, de imediato, pelos arautos do universo antipetista: bolsonaristas, isentões, sabujos da mídia e ressentidos em geral.

Na mídia, a fala de Lula caiu como uma luva para o modelo de narrativa com a qual se pretende, em 2022, finalmente recolocar no Palácio do Planalto um tucano – embora, não necessariamente, do PSDB. Nessa moldura, Bolsonaro e Lula são antípodas do mesmo mundo bizarro, cada qual com suas loucuras extremistas, daí a necessidade de se buscar uma opção alegadamente moderada, de preferência, um ex-juiz capacho da TV Globo – ou um apresentador da emissora, se tudo der errado.

Comparar uma fala desastrada de Lula, um estadista reconhecido e admirado por todo o mundo civilizado, com o esgoto diário que transborda da boca imunda do demente que ora nos governa é, antes de tudo, uma opção pelo mau-caratismo.