Pelé faz aniversário. Viva o Rei!

Pelé, o Rei do futebol, está aniversariando hoje. Completa 79 anos com amplo reconhecimento pela carreira gloriosa. No auge da fama e do prestígio, o Rei passou por Belém e no amistoso com o Remo, no estádio Evandro Almeida, vestiu a camisa azulina.

O jogo aconteceu na noite de 19 de abril de 1965, marcando a inauguração do sistema de refletores do estádio remista. Pelé foi muito aplaudido pela torcida que lotava o estádio. O Rei foi homenageado e recebeu um ramalhete de flores das mãos do atacante Jaster.

Em campo, uma chuva de gols: Santos 9 x 4 Remo. Depois de começar perdendo por 2 a 1, o Peixe virou e partiu para uma vitória arrasadora, com direito a cinco gols de Pelé

Bahia e Santos salvando a pátria

POR GERSON NOGUEIRA

O futebol brasileiro é tradicionalmente um reduto de alienação e falta de consciência política. Nesse quesito, uruguaios, argentinos e chilenos dão um banho de engajamento e ativismo quando o interesse coletivo está em jogo. O Bahia tornou-se nos últimos anos uma exceção nesse cenário, com campanhas de incentivo à inclusão social e luta inclemente contra o racismo e outras formas de discriminação.

Felizmente, nesta semana a agremiação baiana teve a companhia de outro gigante do futebol brasileiro. O Santos divulgou na sexta-feira, 18, um duro comunicado contra o preconceito e o racismo. Tudo em função de injúrias raciais proferidas por um torcedor contra o volante Fabinho, do Ceará.

O Bahia abraçou a causa da defesa da natureza. Em face da poluição provocada por manchas de óleo nas praias do Nordeste, o clube anunciou que vai fazer no jogo desta segunda-feira contra o Ceará um protesto contra a negligência dos órgãos federais de proteção ao meio ambiente.  

O time treinado por Roger Machado usará camisas manchadas de preto para simbolizar as manchas de óleo que devastam o litoral nordestino, destruindo a vida marinha e afetando quase 200 localidades. O desastre, até agora não controlado, afeta diretamente a indústria turística da região.

O problema é seu. O problema é nosso. Quem derramou esse óleo? Quem será punido por tamanha irresponsabilidade? Será que esse assunto vai ficar esquecido? O Bahia é você, somos nós, cada ser humano”, diz o manifesto publicado ontem no site oficial.

É a forma como representamos o amor, o apego, o chamego, o sagrado, a justiça. O Bahia é a união de um povo que vibra na mesma direção, que respira o mesmo ar e que depende da mesma natureza para existir, para sobreviver. Jogaremos nesta segunda-feira (21), contra o Ceará, em Pituaçu, com a camisa do Esquadrão manchada de óleo”, acrescenta.

E faz um convite à reflexão: “O que faz um ser humano atacar e destruir espaços sagrados? O lucro a qualquer custo pode ser capaz de destruir a ética e as leis que regem e viabilizam a humanidade? A barbárie deve ser tratada como tal, não como algo natural.

Em tempo: o acidente ambiental tem consequências mais graves porque, em abril, foram extintos dois comitês que integravam o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Água (PNC).

Volto à mensagem do Santos, tão importante e urgente quanto a atitude do Bahia, para trazer luz e comprometimento social ao mundinho do futebol.

Na mensagem postada nas redes sociais, o Peixe não deixa dúvidas quanto aos princípios que defende: “Se você é racista, preconceituoso ou xenófobo, por favor não compareça aos jogos do Santos FC, não seja Sócio Rei e não use nossos produto oficiais. Melhor ainda: deixe de torcer para o Santos. Você não merece esse clube e não é bem-vindo em nossa casa”.

É a mais firme posição assumida por um clube nacional contra todas as formas de discriminação. Um gesto histórico se lembrarmos em que país vivemos hoje. Parabéns a Bahia e Santos pelas corajosas iniciativas. Gestos assim reforçam a resistência contra as trevas da intolerância.

Ainda o debate sobre torcedores “mistos”

A propósito do tema abordado na coluna de ontem, recebi o seguinte comentário do amigo José Marcos (Marcão Fontelles) Araújo:

“Isso tem raiz na tradição cultural. Anos atrás, na minha infância, o meio de comunicação mais arraigado era o rádio e até o jornal escrito. E, lá no rádio, transmitido pelas rádios nacionais como Rádio Globo e Rádio Nacional, se acompanhava os jogos de Flamengo, Santos, Vasco, Palmeiras e outros, como se fossem de campeonatos locais. Era comum a molecada descer para as brincadeiras, nas domingueiras, com o radinho de pilha para não perder os lances do Pelé, do Fio Maravilha, Garrincha e outros.

Esse hábito levou ao crescimento de torcidas pelos times com que convivíamos. Hoje, com a explosão da tecnologia, em tempos em que quase todas as casas têm ao menos uma televisão, onde o celular está desde cedo nas mãos das pessoas, naturalmente vai haver (está havendo) uma mudança. Ou as paixões locais são destruídas, pela presença e domínio das equipes nacionais, ou as equipes locais se consolidam, reduzindo paulatinamente a expressão e poder dos clubes de Rio e São Paulo.

A manutenção da política de times de ‘bucaneiros’ que, em hordas, invadem o estado e, mesmo com qualidade técnica sofrível, envergam os mantos sagrados, de forma ridícula em detrimento de atletas de base e até de interioranos, que cada vez mais passam direto por cima de Belém e vão direto brilhar em outras praças, é o maior inimigo de clubes locais fortes. Além de que a falta de qualidade dos que vem para cá e do ato custo para manter esses ‘jogadores’ faz com que, a cada ano, nova leva de jogadores seja trazida, não criando empatia desses com a torcida. Não se tem mais ídolos dignos desse nome, como eram Bené, Moreira, Da Costa, Alcino, Neves, João Tavares, Quarenta e outros”.

Boa fase do Vasco faz emergir o velho Luxa

Vanderlei Luxemburgo é reconhecidamente um treinador competente. Sabe montar times e ler um jogo como poucos. Ontem, por exemplo, mexeu no time do Vasco no 2º tempo contra o Internacional, após o sufoco inicial.

A mudança de posicionamento reequilibrou a marcação e o time acabou chegando ao gol (Marrony) no reinício da partida. Depois disso, armou uma retranca que lhe valeu a terceira vitória consecutiva no campeonato.

Luxa é conhecido também por não segurar a língua afiada. Na entrevista pós-jogo, depois de algumas boas frases de efeito, ele se melindrou ao ser indagado sobre se vive uma “fase de recuperação” na carreira.

Respondeu ao repórter que, pela carreira vitoriosa, não pode sequer ser perguntado sobre isso. Acrescentou ainda que é hoje um dos mais bem sucedidos técnicos do futebol mundial.

Então, tá…

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)

Futebol, lenda urbana

POR GERSON NOGUEIRA

Já vai longe o tempo em que o Brasil podia se orgulhar, bater no peito até, que tinha um campeonato nacional repleto de grandes times, capazes de produzir jogos eletrizantes e inesquecíveis. Infelizmente, os últimos anos – décadas talvez – mostram um cenário completamente diferente.

Ao contrário do que dizem os ‘pachequistas’ de sempre, o Brasil não tem um dos campeonatos mais difíceis do mundo. Tem, quase certamente, um dos certames mais difíceis de assistir. É duro parar por duas horas em frente à TV para acompanhar autênticas peladas a cada rodada.

E não há como se queixar do apoio das torcidas. O público até melhorou nos estádios. A média de 2019 é de 21.321 pagantes, com média de ocupação em 47%. Não chega a ser um colosso de popularidade, mas são números razoáveis e até espantosos para o nível das partidas.

Os bons resultados obtidos por times populares como Flamengo, Palmeiras e até o Corinthians, mesmo aos trancos e barrancos, ajudam a explicar o relativo êxito nas bilheterias. O problema é que o torcedor está pagando – muito caro, em média – por um produto que não é entregue nos gramados.

O futebol é paupérrimo, salvo exceções – Flamengo, Santos e Atlético-PR. Os demais 17 clubes praticam o feijão-com-arroz com condimentos variados. Os jogos se transformaram em desfile de chutões, caneladas, cruzamentos no padrão Muricybol, “faltas táticas” e retrancas mal disfarçadas juntam-se às maçantes interrupções causadas pelo VAR.

O Corinthians, citado algumas linhas acima, ostenta números que exemplificam bem a penúria técnica da Série A. Acumula nada menos que 17 vitórias por 1 x 0 desde 2017 até este ano. O recorde resulta do esquema “gol é mero detalhe” de Fábio Carille, o técnico da nova geração mais identificado com a filosofia defensivita de Carlos Alberto Parreira.

O Flamengo, de Jorge Jesus, empregou um bom dinheiro na contratação de boleiros qualificados – Bruno Henrique, Everton Ribeiro, Arrascaeta, Gerson, Rafinha, Filipe Luís e Gabriel – e colhe os frutos dessa estratégia.

Melhor de um campeonato fraco, o Fla busca (e alcança) vitórias jogando o suficiente para atropelar adversários tecnicamente inferiores, medrosos pela própria condição e pouco empenhados em adotar estratégias alternativas.

Na Libertadores, imprevisível pela própria natureza da disputa, o confronto mais aguardado resultou em brutal desperdício de expectativa, anteontem. O Grêmio, acovardado em boa parte do duelo, só resolveu jogar o que pode na 2ª etapa, mas ainda assim sofreu bastante para empatar.

Quando Jorge Jesus concedeu entrevista enaltecendo a Série A brasileira certamente exprimia a velha fidalguia lusitana, sendo gentil na chegada ao país. É improvável que hoje, diante dos arremedos de adversários que topou pelo caminho, ele veja as coisas do mesmo jeito.

Calendário da CBF segue esmagando estaduais

A CBF anunciou ontem o calendário do futebol para 2020, garantindo as 10 datas necessárias para o lucrativo negócio dos amistosos oficializados pela Fifa. Ao mesmo tempo, deu um passo a mais na redução de datas dos campeonatos estaduais (agora com 16). Esse esmagamento não chega a afetar torneios com menor quantidade de clubes como o do Pará, que usa 14 datas – 12 na fase classificatória, 2 na semifinal e 2 na final.

O novo calendário reabre a discussão sobre o futuro dos regionais. O problema vai recair sobre os Estados do Sul e do Sudeste, com necessidade maior de datas para contemplar vários clássicos. A redução de datas expressa a diminuição de importância das batalhas regionais, justamente onde estão as históricas rivalidades que alimentam grandes torcidas.

Ainda levará um tempo até a extinção dos estaduais, mas o ritmo da prosa indica que esse dia está cada vez mais próximo, em função do olho gordo da CBF nas datas que beneficiam suas jogadas mais lucrativas e pela subserviência histórica de suas filiais nos Estados.

A cúpula da CBF sabe que qualquer migalha, como aqueles convites para eventos fúteis, bancados em hotéis luxuosos com as mordomias conhecidas, já garante a anuência da cartolagem pé-de-chumbo, por mais lesivo que um projeto possa ser aos interesses dos clubes filiados.

O próprio exemplo das datas impostas aos clubes paraenses na fase decisiva da Copa Verde atesta o menosprezo com que a entidade olha para federações menos importantes. As datas das finais do torneio – 23 de outubro e 20 de novembro – desafiam a lógica e o bom senso.

Um absurdo que a FPF nem se deu ao trabalho de contestar. O finalista do Norte, que sai neste domingo (6), terá que se submeter ao critério injusto estabelecido pela CBF exclusivamente para não contrariar os interesses de Cuiabá e Goiás, que disputam as Séries B e A, respectivamente.

Em termos financeiros, isso irá custar muito alto ao clube paraense classificado para a decisão, pois terá que prorrogar contratos de vários atletas para manter time completo e competitivo para as finais.

Rony: grande chance e imensa responsabilidade

O lateral-direito Rony é hoje a mais valiosa revelação do Remo na temporada. É o jogador que mais se destacou entre os jovens atletas que compõem o elenco azulino, mostrando segurança e categoria quando foi lançado inicialmente contra o Atlético-AC no Baenão.

Desenvolto e ofensivo, como há muito não se via no clube, Rony impressionou de cara pelo bom passe e a precisão de seus cruzamentos. Tais atributos já lhe permitiram entrar no clássico que abriu a semifinal da Copa Verde e podem garantir a titularidade no próximo domingo.

A responsabilidade é grande, mas Rony encontrou em Eudes Pedro um comandante atento às suas qualidades e consciente dos riscos que uma jovem aposta corre em meio ao fervor de uma rivalidade centenária.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 04)