Archive for abril, 2014

Atlético de Madri passeia em Londres

30 de abril de 2014 at 22:28 3 comentários

Nada de banana nem macacos, por favor!

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Por Douglas Belchior

A foto da esquerda todo mundo viu. É o craque Neymar com seu filho no colo e duas bananas, em apoio a Daniel Alves e em repulsa ao racismo no mundo do futebol.
Já a foto à direita, é do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição junto a macacos no zoológico do Bronx, Nova York, em 1906. Ota foi levado do Congo para Nova York e sua exibição em um zoológico americano serviu como um exemplo do que os cientistas da época proclamaram ser uma raça evolucionária inferior ao ser humano. A história de Ota serviu para inflamar crenças sobre a supremacia racial ariana defendida por Hitler. Sua história é contada no documentário “The Human Zoo”.
A comparação entre negros e macacos é racista em sua essência. No entanto muitos não compreendem a gravidade da utilização da figura do macaco como uma ofensa, um insulto aos negros.
Encontrei essa forte história num artigo sensacional que li dia desses, e que também trazia reflexões de James Bradley, professor de História da Medicina na Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele escreveu um texto com o título “O macaco como insulto: uma curta história de uma ideia racista”. Termina o artigo dizendo que “O sistema educacional não faz o suficiente para nos educar sobre a ciência ou a história do ser humano, porque se o fizesse, nós viveríamos o desaparecimento do uso do macaco como insulto.”
Não, querido Neymar. Não somos todos macacos. Ao menos não para efeito de fazer uso dessa expressão ou ideia como ferramenta de combate ao racismo.
Mas é bom separar: Uma coisa é a reação de Daniel Alves ao comer a banana jogada ao campo, num evidente e corriqueiro ato racista por parte da torcida; outra coisa é a campanha de apoio a Daniel e de denúncia ao racismo, promovida por Neymar.
No Brasil, a maioria dos jogadores de futebol advém de camadas mais pobres. Embora isso esteja mudando – porque o futebol mudou, ainda é assim. Dentre esses, a maioria dos que atingem grande sucesso são negros. Por buscarem o sonho de vencer na carreira desde cedo, pouco estudam. Os “fora de série” são descobertos cada vez mais cedo e depois de alçados à condição de estrelas vivem um mundo à parte, numa bolha. Poucos foram ou são aqueles que conseguem combinar genialidade esportiva e alguma coisa na cabeça. E quando o assunto é racismo, a tendência é piorar.
E Daniel comeu a banana! Ironia? Forma de protesto? Inteligência? Ora, ele mesmo respondeu na entrevista seguida ao jogo:
“Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados.”
É uma postura. Não há o que interpretar. Ele elaborou uma reação objetiva ao racismo: Vamos ignorar e rir!
Há um provérbio africano que diz: “Cada um vê o sol do meio dia a partir da janela de sua casa”. Do lugar de onde Daniel fala, do estrelato esportivo, dos ganhos milionários, da vida feita na Europa, da titularidade na seleção brasileira de futebol, para ele, isso é o melhor – e mais confortável, a se fazer: ignorar e rir. Vamos fazer piada! Vamos olhar para esses idiotas racistas e dizer: sou rico, seu babaca! Sou famoso! Tenho 5 Ferraris, idiota! Pode jogar bananas à vontade!
O racismo os incomoda. E os atinge. Mas de que maneira? Afinal, são ricos! E há quem diga que “enriqueceu, tá resolvido” ou que “problema é de classe”! O elemento econômico suaviza o efeito do racismo, mas não o anula. Nesse sentido, os racistas e as bananas prestam um serviço: Lembram a esses meninos que eles são negros e que o dinheiro e a fama não os tornam brancos!
Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo.
O racismo não os atinge dessa maneira. Mas os atinge. E sua reação é proporcional. Cabe a nós dizer que sua reação não nos serve! Não será possível para nós, negras e negros brasileiros e de todo o mundo, que não tivemos o talento (ou sorte?) para o estrelato, comer a banana de dinamite, ou chupar as balas dos fuzis, ou descascar a bainha das facas. Cabe a nós parafrasear Daniel, na invertida: “Não tem que ser assim! Nós precisamos mudar! Convivemos há 500 anos com a mesma coisa no Brasil. Temos que acabar com esses racistas retardados, especialmente os de farda e gravata”.
Quanto a Neymar, ele é bom de bola. E como quase todo gênio da bola, superacumula inteligência na ponta dos pés. Pousa com seu filho louro, sem saber que por ser louro, mesmo que se pendure num cacho de bananas, jamais será chamado de macaco. A ofensa, nesse caso, não fará sentido. Mas pensemos: sua maneira de rechaçar o racismo foi uma jogada de marketing ou apenas boa vontade? Seja o que for, não nos serve.
Sou negro, nascido em um país onde a violência e a pobreza são pressupostos para a vida da maior parte da população, que é negra. Querido Neymar – mas não: Luciano Hulk, Angélica, Reinaldo Azevedo, Aécio Neves, Dilma Rousseff, artistas e a imprensa que, de maneira geral, exaltou o “devorar da banana” e agora compartilham fotos empunhando a saborosa fruta, neste país, assim como em todo o mundo, a comparação de uma pessoa negra a um macaco é algo culturalmente ofensivo.
Eu como negro, não admito. Banana não é arma e tampouco serve como símbolo de luta contra o racismo. Ao contrário, o reafirma na medida em que relaciona o alvo a um macaco e principalmente na medida em que simplifica, desqualifica e pior, humoriza o debate sobre racismo no Brasil e no mundo.
O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.
Eu adoro banana. Aqui em casa nunca falta. E acho os macacos bichos incríveis, inteligentes e fortes. Adoro o filme Planeta dos Macacos e sempre que assisto, especialmente o primeiro, imagino o quanto os seres humanos merecem castigo parecido. Viemos deles e a história da evolução da espécie é linda. Mas se é para associar a origens, por que não dizer que #SomosTodosNegros ? Porque não dizer #SomosTodosDeÁfrica ? Porque não lembrar que é de África que viemos, todos e de todas as cores? E que por isso o racismo, em todas as suas formas, é uma estupidez incompatível com a própria evolução humana? E, se somos, por que nos tratamos assim?
Mas não. E seguem vocês, “olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico”.
Portanto, nada de bananas, nada de macacos, por favor!

30 de abril de 2014 at 15:53 Deixe um comentário

Gangue convoca entrevista para “explicar” baderna

Gangue organizada do Remo convoca a imprensa para entrevista coletiva hoje, às 19h, quando prestará “esclarecimentos do que houve no Baenão” no sábado passado.

Durma-se com um barulho desses. Deviam se entregar à Polícia e responder pela ação criminosa contra jogadores que estavam em pleno exercício de seu trabalho. E a Polícia devia aproveitar para prender os delinquentes.

Tidizê….

30 de abril de 2014 at 15:19 27 comentários

Sim, o nó tático existe

Por Gerson Nogueira

Ao contrário do que apregoa a implacável Lei de Murphy, de onde menos se espera às vezes é de lá que vem, sim. Não é que Carlo Ancelotti, que nunca foi um técnico de filosofia ofensiva (muito pelo contrário até), aplicou um fabuloso nó tático no sempre engrandecido Pep Guardiola e no timaço do Bayern de Munique, considerado o mais harmonioso conjunto europeu da atualidade?
Qualquer moleque peladeiro sabe que o futebol se alimenta das surpresas, que fazem dele o mais encantador dos esportes coletivos. Ocorre que, por força dos últimos acontecimentos na Liga dos Campeões, pouquíssimos torcedores e palpiteiros seriam capazes de prever a acachapante goleada de ontem na Allianz Arena.
Nem mesmo Ancelotti, sempre metódico e preocupado em guarnecer sua defesa, aparentava ter convicção num triunfo consagrador. É claro que, com o craque da temporada ao seu lado, ele dispunha de formidável poder de fogo para vencer a resistência alemã.
unnamed (81)O problema é que Cristiano Ronaldo também estava no primeiro jogo, em Madri, sem que isso tenha sido forte o suficiente para que o Real vencesse com folga. O placar foi apertado, com direito a sufoco do Bayern no final, deixando no ar o recado de que em Munique a história seria outra.
E foi mesmo, só que contra o próprio dono da casa, que sofreu dois gols inesperados, em cobranças de escanteio e falta. Quando a primeira bola entrou, aos 15 minutos, o jogo era de estudos, mas o Bayern não havia conseguido concretizar nenhum lance de perigo.
Com dois a zero atordoando a cabeça de Guardiola, os campeões da Europa entraram em surto. Craques como Robben e Ribery, normalmente ousados, não arriscavam chutes a gol e evitavam as tradicionais arrancadas. O mais tenso era Müller, escalado de última hora como centroavante. Irritado, o meia perdia todas as disputas para Ramos e Pepe, comportando-se às vezes como um reles peladeiro.
Os gols de Cristiano, um ainda no primeiro tempo e outro no fim do jogo, deram ao placar a dimensão exata da superioridade tática do Real, fortalecida pelas atuações inspiradas de Di Maria, Ramos, Carbajal e Alonso. É verdade que o Bayern teve 64% de posse de bola. Típico caso de domínio enganador. Em nenhum instante, esse tempo de bola significou pressão ou ameaça sobre a zaga espanhola.
A atuação do Real, impecável do ponto de vista estratégico, apequenou e fragilizou o poderoso Bayern. Com organização e método, os espanhóis reduziram a pó os recursos individuais do adversário. Fizeram seis ataques, encaçaparam quatro bolas. Objetividade é isso.

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Papão vence sem maior esforço

O Paissandu jogou o suficiente para vencer. Não foi envolvente, nem parecia tão ligado na tomada como de outras vezes. Exagerou nos passes errados e sofreu com a fraca atuação de jogadores importantes, como Pikachu, Djalma e Lima. Ciente de que o São Francisco iria sair para buscar o resultado, Mazola Junior posicionou o time com a velha tática de fechar o meio-de-campo com três volantes e esperar até fazer bom tempo.
Não deu outra. No segundo tempo, depois de se expor ainda mais, o São Francisco cedeu espaço e o Paissandu chegou ao gol, embora continuasse claudicante na ligação e excessivamente preocupado com a marcação.

unnamed (75)

Habituado ao jogo de contra-ataque, o Papão desta vez esperou além da conta, mas acabou premiado pela fragilidade do oponente. Como já virou rotina, o meio-de-campo não conseguiu criar jogadas, deixando o ataque inteiramente inoperante ao longo do primeiro tempo.

Com Bruninho mais participativo do que Marcos Paraná, o Papão chegava de vez em quando, arriscando pouco de fora da área. De vez em quando, em descuidos de marcação, permitia os avanços do São Francisco com Caçula e Elielton. Era um risco calculado, pois o time santareno não se mostrava capaz de entrar na área. Limitava-se a chutes de média e longa distância, de baixa eficácia.
Depois do gol, o Papão teve campo para jogar e podia ter ampliado a vantagem no placar, mas não seria inteiramente justo, levando-se em conta a burocrática apresentação da equipe. (Fotos: CARLOS BANDEIRA)

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Quando a banana faz mal ao fígado

A banana que Daniel Alves usou para devolver na Espanha o insulto racista acabou se desmanchando na feira oportunista promovida por alguns pobres personagens da cena brasileira atual. A vaidade e a ganância permitiram até a abusiva confecção de camisetas alusivas, tirando a força espontânea do corajoso gesto de Daniel.
Prova de que nem toda macaquice representa a macacada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

30 de abril de 2014 at 2:41 52 comentários

Capa do DIÁRIO, edição de quarta-feira, 30

unnamed (90)

30 de abril de 2014 at 2:41 1 comentário

Rock na madrugada – Husker Du, Makes No Sense At All

30 de abril de 2014 at 2:40 Deixe um comentário

Capa do Bola, edição de quarta-feira, 30

unnamed (36)

30 de abril de 2014 at 2:13 15 comentários

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