Sim, o nó tático existe

Por Gerson Nogueira

Ao contrário do que apregoa a implacável Lei de Murphy, de onde menos se espera às vezes é de lá que vem, sim. Não é que Carlo Ancelotti, que nunca foi um técnico de filosofia ofensiva (muito pelo contrário até), aplicou um fabuloso nó tático no sempre engrandecido Pep Guardiola e no timaço do Bayern de Munique, considerado o mais harmonioso conjunto europeu da atualidade?
Qualquer moleque peladeiro sabe que o futebol se alimenta das surpresas, que fazem dele o mais encantador dos esportes coletivos. Ocorre que, por força dos últimos acontecimentos na Liga dos Campeões, pouquíssimos torcedores e palpiteiros seriam capazes de prever a acachapante goleada de ontem na Allianz Arena.
Nem mesmo Ancelotti, sempre metódico e preocupado em guarnecer sua defesa, aparentava ter convicção num triunfo consagrador. É claro que, com o craque da temporada ao seu lado, ele dispunha de formidável poder de fogo para vencer a resistência alemã.
unnamed (81)O problema é que Cristiano Ronaldo também estava no primeiro jogo, em Madri, sem que isso tenha sido forte o suficiente para que o Real vencesse com folga. O placar foi apertado, com direito a sufoco do Bayern no final, deixando no ar o recado de que em Munique a história seria outra.
E foi mesmo, só que contra o próprio dono da casa, que sofreu dois gols inesperados, em cobranças de escanteio e falta. Quando a primeira bola entrou, aos 15 minutos, o jogo era de estudos, mas o Bayern não havia conseguido concretizar nenhum lance de perigo.
Com dois a zero atordoando a cabeça de Guardiola, os campeões da Europa entraram em surto. Craques como Robben e Ribery, normalmente ousados, não arriscavam chutes a gol e evitavam as tradicionais arrancadas. O mais tenso era Müller, escalado de última hora como centroavante. Irritado, o meia perdia todas as disputas para Ramos e Pepe, comportando-se às vezes como um reles peladeiro.
Os gols de Cristiano, um ainda no primeiro tempo e outro no fim do jogo, deram ao placar a dimensão exata da superioridade tática do Real, fortalecida pelas atuações inspiradas de Di Maria, Ramos, Carbajal e Alonso. É verdade que o Bayern teve 64% de posse de bola. Típico caso de domínio enganador. Em nenhum instante, esse tempo de bola significou pressão ou ameaça sobre a zaga espanhola.
A atuação do Real, impecável do ponto de vista estratégico, apequenou e fragilizou o poderoso Bayern. Com organização e método, os espanhóis reduziram a pó os recursos individuais do adversário. Fizeram seis ataques, encaçaparam quatro bolas. Objetividade é isso.

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Papão vence sem maior esforço

O Paissandu jogou o suficiente para vencer. Não foi envolvente, nem parecia tão ligado na tomada como de outras vezes. Exagerou nos passes errados e sofreu com a fraca atuação de jogadores importantes, como Pikachu, Djalma e Lima. Ciente de que o São Francisco iria sair para buscar o resultado, Mazola Junior posicionou o time com a velha tática de fechar o meio-de-campo com três volantes e esperar até fazer bom tempo.
Não deu outra. No segundo tempo, depois de se expor ainda mais, o São Francisco cedeu espaço e o Paissandu chegou ao gol, embora continuasse claudicante na ligação e excessivamente preocupado com a marcação.

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Habituado ao jogo de contra-ataque, o Papão desta vez esperou além da conta, mas acabou premiado pela fragilidade do oponente. Como já virou rotina, o meio-de-campo não conseguiu criar jogadas, deixando o ataque inteiramente inoperante ao longo do primeiro tempo.

Com Bruninho mais participativo do que Marcos Paraná, o Papão chegava de vez em quando, arriscando pouco de fora da área. De vez em quando, em descuidos de marcação, permitia os avanços do São Francisco com Caçula e Elielton. Era um risco calculado, pois o time santareno não se mostrava capaz de entrar na área. Limitava-se a chutes de média e longa distância, de baixa eficácia.
Depois do gol, o Papão teve campo para jogar e podia ter ampliado a vantagem no placar, mas não seria inteiramente justo, levando-se em conta a burocrática apresentação da equipe. (Fotos: CARLOS BANDEIRA)

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Quando a banana faz mal ao fígado

A banana que Daniel Alves usou para devolver na Espanha o insulto racista acabou se desmanchando na feira oportunista promovida por alguns pobres personagens da cena brasileira atual. A vaidade e a ganância permitiram até a abusiva confecção de camisetas alusivas, tirando a força espontânea do corajoso gesto de Daniel.
Prova de que nem toda macaquice representa a macacada.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 30)

52 comentários em “Sim, o nó tático existe

  1. Com trinta segundos de jogo a derrota do Bayern se desenhou, quando a jogada do gol feito em Madri foi repetida com jogador diferente. Cristiano Ronaldo lançou pra Di Maria cruzar no rumo de Benzema, só que o fez mais fechado do que havia feito Coentrão e Neuer pode defender. Porém, ali estava desenhado que Pep Guardiola não aprendeu nada com a derrota.
    Ao contrário, fez da soberba sua arma e colocou todos no campo adversário e os dois últimos homens, Boateng e Dante, no meio do campo. Como Roben, Muller, Mandzukic não foram capazes de dar a pressão que o esquema exigia e como o croata Modric mexe-se em campo como poucos no mundo, atualmente, escancarou-se novamente a rua direita e a partida tornou-se um amor pro Real, que volta a decidir o título da competição após 12 anos de jejum. Quem segura?

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  2. Grande jogo na liga dos campeões. Uma aula de esquema tático. O Real preparou o bote e foi extremamente eficaz nas conclusões a gol.

    Vale destacar qur Pep Guardiola tem sido bastante questionado na Almanha. Franz Beckenbauer tem feito severas críticas ao esquema de Guardiola, inclusive disse que o Real deveria ter goleado no joga na Espanha.

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  3. Sobre o jogo do Papão, muita burocracia e pouco inspiração. Placar justo e jogo chato. Espero que sábado, diante do CRB, o Paissandu jogue melhor e consiga ser objetivo nos gols e eficiente na defesa.

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  4. O sempre filantrópico, “Luciano Hulk”, que o diga, esperto oportunista, não deixou escapar a chance de por R$69,90, aumentar sua receita com a vemda de camisetas referentes a ação.
    Penso,mesmo, que temos muitos macacos comprando a ideia.

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  5. O Pepe quer fazer do Bayer um Barça! Impossível, tanto pela qualidade do plantel quanto pela falta de um Messi, simples assim!
    Simples assim também seria o Mazola ter escalado Leandro Carvalho ao invés do Vanderson e o resultado seria mais folgado. Com todo respeito ao passado do Vandeson no Paysandu, mas não dá mais! A falta de um homem de ligação também é evidente, o Paraná poderia ter deixado o Lima algumas vezes de cara pro gol e errou o passe.

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  6. Não vamos criticar o modelo adotado por Pep Guardiola, ele continua sendo o único treinador com diferencial, talvez falta alguns jogadores no elenco, começando pela zaga.

    Qual a escalação do Leão para amanhã ?

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  7. Gosto de assistir ao campeonato alemão e os comentaristas da ESPN costumam observar como o Bayern se expõe e leva gols de contra-ataque. Talvez Guardiola, com insucessos em partidas decisivas, repense e seja mais um a priorizar a defesa daqui pra frente. Dar show em campeonato longo de pontos corridos é uma coisa, encarar retrancas e cuidar lá atrás em tensas partidas de mata-mata contra adversários de peso é diferente. Pelo Real, muita bobeira do Xabi Alonso. Placar de 2×0, leva um amarelo numa falta evitável e está fora do banquete depois de uma longa recuperação de contusão quando vinha provando sua liderança e qualidade na meiuca.

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  8. É preciso ter humildade para marcar e assim conseguir vencer no futebol atual, é preciso respeitar o adversário, isso vale tanto para a máquina de fazer gols, Bayern, quanto para o fraco e desarrumado Remo. Acontece que a crônica esportiva adora enaltecer os times das décadas de 50 e 60 como modelos perfeitos de futebol ofensivo, ouço isso sempre na Rádio Clube, na voz de um saudosista locutor septuagenário, só esquecem que a preparação física atual está há anos-luz àquela daqueles anos, se é que havia condicionamento físico naquela época. É lógico que o futebol atual está infestado de times retranqueiros, mas, bons treinadores, como o Guardiola, são frequentemente ludibriados pela imprensa saudosista a adotarem esquemas exageradamente ofensivos e a abandonarem seus sistema de marcação, o que acaba provocando tragédias como as de ontem na Alianz Arena e a do ano passado no Camp Nou, cujo algoz de outrora foi o agora humilhado Bayern. Derrotas humilhantes como as de ontem são um duro golpe no futebol bonito, pois servem também como desculpa para os treinadores retranqueiros insistirem no futebol feio e de resultados. Futebol é simples, não precisa inventar muito, nem retrancas exageradas, como ocorre por aqui, nem a ofensividade irresponsável de Bayern e Barcelona. Futebol é como falamos por aqui, é feijão com arroz.

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  9. O que mais me chateou ontem foi a nova atuação apática do Paraná.

    Um jogador desses é prejudicial ao time, pois erra muitos passes, e justamente no meio.

    E não é por falta de qualidade perto dele, pois os caras dão a bola redonda pra ele e ele devolve quadrada.

    Se fosse pra ser assim, mas antes ter ficado o Lineker.

    Dos que falharam em Brasília, parece que o Pep Mazola só não castigou o Lima e o Charles, os demais todos foram postos de castigo.

    Mateus, Zé Antônio e Helinton.

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  10. Impressionante como o Paissandu erra passes na passagem do meio do campo para o ataque. E não são apenas os jogadores mais novos. Ontem, Marcos Paraná e Augusto Recife exageraram no erro desse passe. Dá a impressão que eles imaginam estar o adversário morto em campo, mesmo vendo o esforço do oponente na luta pela bola. Um pouco mais de concentração, visão de jogo e espírito coletivo de jogo não fariam mal a ninguém. Afinal, o time está bem postado em campo.

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  11. Em relação ao marido da Angelica, tudo leva a crer que o cara foi rápido no gatilho.

    Num mundo onde quem tem vale tanto quanto tem, o cara nem tá tão errado, besta é quem é gente e compra uma camisa se auto colocando como um macaco.

    Eu não sou racista
    Mas não sou macaco
    Sou filho de Deus
    E o meu Deus disse
    Que somos imagem e semelhança dele.
    Meu Deus não é macaco.

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  12. Detalhe interessante sobre o jogo de ontem da Champions. Os vermelhos perderam a calma a ponto do Ribéry meter um tapão na cara de um espanhol. Se suspenso por agressão, e deveria ser, provavelmente desfalcaria a França na Copa. A conferir, mas acho que vão abafar.

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  13. Penso que o Paraná seja um bom jogador mas não um meia de ligação e estava jogando ontem com travas baixas visto que escorregou em demasia.

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  14. O Marcos Paraná, ainda não disse a que veio, penso que não deslancha mais, considerando as oportunidades que teve, apesar de bom de bola, deveria ser dispensado, abrindo espaço para contratação de outro meia; não adianta cobrar apenas do Pikachjú e do Djalma, eles não tem a característica requerida.
    Apesar da meiúca não criar condições adequadas para as finalizações do grande atacante, vamos reconhecer uma coisa, o Lima tá numa fase, que vou te contar; no jogo de ontem, teve atuação de peladeiro.

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  15. Bomba: O Pirão (de caldo de galinha azul) falou que o seu boneco vai entrar jogando com a infeliz e rejeitada 33. hahahahahahahahaha………………………………..e vai fazer uma caminhão de gols, porque de caminhão ele entende. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…….. essa galinha azul me mata de rir.

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  16. A NBA baniu o dono do LA Clipers pra sempre do esporte, vai ter que vender o time tb, isso é atitude, o resto e larilari

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  17. A mim não me pareceu nó tático. Acredito que o que ocorreu foi que o time do Guardiola exagerou na troca de passes diante da área do RM sem efetuar arremates compatíveis com as oportunidades que o elevado índice de posse de bola lhe proporcionou. Numa palavra, no meu modo de ver, o time alemão foi quem se enlaçou nas próprias pernas. Faltou atitud

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  18. – O que aconteceu com o Bayern foi a velha história de priorizar demais o ataque e deixar a defesa de lado. Um dia alguém percebe isso e o resultado em muitos casos é o chamado nó tático.

    – O PSC ganhou por causa de um gol contra, isto é, sorte; sorte que faltou no jogo contra o CR e o Brasília.

    – O Luciano Tucano Hulk é um marqueteiro de mão cheio, além de uma máquina de fazer dinheiro, fama que os judeus possuem. Alguém já viu um judeu pobre? Eu nunca vi.

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  19. O Bayern continua sendo o melhor time do mundo,mas o Real Madrid foi perfeito taticamente,nos dois jogos,além de possuir jogadores que desequilibram,inquestionavelmente.

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  20. Nó tático é o que o Lecheva fez no liaum e vai fazer novamente, amanhã.
    hahahahahaha…..e olha que ele, segundo os experts do blog, é um aprendiz incompetente do mesmo quilate do Charles Guerreiro. Os dois devem estar achando é muita graça dos galácticos importados.

    O Papão manda lembranças, porque ele mora em um avião e não pode comparecer aqui. Sabe como é: ontem Santarém, amanhã Alagoas e agenda cheia.

    Quem não pode vai de cata corno pela PA 150. hahahahaha……

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