FPF descarta presença de público nas finais do Parazão

Os jogos do Campeonato Paraense continuam sem a presença de torcida nos estádios. O PSC, em ofício enviado à FPF na quinta-feira, tentou obter autorização para cobrar ingressos a 3 mil torcedores para os jogos da final do Parazão. O pedido foi negado nesta sexta-feira, 14, pela Procuradoria Geral do Estado (PGE).

Em nota, a Procuradoria se manifestou assim:

“A Procuradoria-Geral (PGE) informa que, até o momento, segue suspensa a presença de público nos estádios. O Governo tem avaliado semanalmente o cenário epidemiológico do Pará e que novas determinações vão depender das taxas de ocupação nas unidades hospitalares e de contaminação pela Covid-19 nas regiões de saúde estaduais”.

O jogo de ida contra a Tuna está marcado para domingo (16), no estádio do Souza, e o de volta será no domingo seguinte (23), na Curuzu, sem a presença de público.

Lições para o Brasileiro

POR GERSON NOGUEIRA

Remo foi eliminado pela Tuna na semifinal do Campeonato Paraense 2021 — Foto: Samara Miranda/Ascom Remo

O Remo está fora da decisão do Parazão 2021. Vai acompanhar pela TV a festa exclusiva de Tuna e PSC, finalistas da competição. Pior que isso: chega ao terceiro revés em finais nos últimos seis meses – Série C, Copa Verde e Estadual. Conta indigesta para uma torcida exigente; número negativo para o técnico Paulo Bonamigo, respeitado e identificado com o clube, mas que ainda não acertou a mão na hora de decidir títulos.

A repercussão da derrota para o Vila Nova-GO na Série C foi atenuada pelos muitos desfalques provocados pela covid-19 no elenco, após a festa do acesso. Em seguida, veio a Copa Verde. O Remo chegou à final diante do Brasiliense e jogou as duas partidas como se tivesse o condão de resolver tudo a qualquer momento. Perdeu.

Contra a Tuna, anteontem, no Evandro Almeida, a situação se repetiu. O Remo ostentou certa soberba, como de resto em quase todo o campeonato. Terminou superado por um time tecnicamente modesto, mas esforçado e determinado a vencer.

Em vários jogos, o Leão exibiu autossuficiência, como se sobrasse na disputa. Até sobrava, pelo menos em tese, na qualificação dos jogadores. Ocorre que o futebol não é (ainda bem) pautado por uma régua cartesiana segundo a qual elencos mais caros são naturalmente vencedores.

Fatores diversos contribuem para que uma equipe avance e alcance objetivos dentro de um torneio. O Remo de Bonamigo teve três grandes momentos no campeonato: a estreia contra o Gavião, a goleada sobre o PSC e o início arrasador diante do Águia em Marabá pelas quartas de final.

Foram sempre lampejos, nunca uma atuação completamente boa. Chegou perto disso no Re-Pa, mas em nenhum outro jogo mostrou a mesma volúpia ofensiva. Fazia um gol e descansava na sombra. Se marcasse dois, tirava o pé em definitivo. Ocorreu isso em quase todas as rodadas.

Contra a Tuna, na primeira partida, o Remo foi bastante superior. Impôs seu plano de jogo, fez um gol logo de cara, mas arrefeceu e permitiu a reação. Quando foi buscar o resultado, bateu de frente com o goleiro Gabriel e enfrentou a correria da jovem equipe cruzmaltina.

Não foi o suficiente para alertar a comissão técnica. No jogo de quarta-feira, a Tuna veio mais disposta a conquistar a vaga. Deixava claro essa vontade até nas duras entradas toleradas pela arbitragem. O Remo se resguardava, tentava jogadas de efeito, era quase petulante.

O grande lance foi o passe de primeira que Gedoz deu a Marlon para o cruzamento que levou ao gol. Estranhamente, essa manobra não se repetiu mais. O ataque se perdeu em tentativas individuais de Lucas Tocantins, Dioguinho e Edson Cariús. Todos renderam abaixo das expectativas, mas é fundamental reconhecer os méritos da brava Águia do Souza.

As mudanças feitas no 2º tempo foram um tiro no pé. Erick Flores e Vinícius Kiss precisam de tempo para entrosar. Renan Oliveira já teve tempo demais para mostrar utilidade. A dura realidade é que, após tirar Tocantins e Dioguinho, Bonamigo não tinha armas para o ataque. O Leão foi eliminado provavelmente nas substituições.

O grande legado da perda do Parazão talvez esteja nas lições deixadas para a Série B. Em primeiro lugar, está claro que o grupo carece de reforços. É evidente também que algumas peças não estão à altura dos planos para a competição nacional. E, por fim, a necessidade de calçar as chuteiras da humildade, ensinamento válido para qualquer tipo de competição. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Fuga de ideia: PSC quer público na decisão

O PSC quer a liberação de público nos jogos da decisão com a tuna. Em ofício, expedido ontem à tarde, solicita à Federação Paraense de Futebol a autorização para um público de três mil pessoas, nos dois estádios, Souza e Curuzu. A ideia se inspira no que aconteceu no Maranhão, mas aqui a FPF não poderá decidir. O decreto estadual sobre a covid proíbe aglomerações em eventos esportivos e culturais.

Apesar da menção aos “severos e enormes impactos financeiros” e à “redução no quadro de associados”, o clube não apresenta argumento que garanta a segurança sanitária necessária para a volta do público aos estádios. É improvável que tal proposta seja levada a sério, principalmente diante dos números ainda altos da pandemia em Belém.

Clubes fazem picadinho do regulamento

O acordo celebrado ontem por Remo e Castanhal para realizar a disputa do 3º lugar do Parazão em jogo único constitui uma séria afronta ao regulamento da competição. Apesar de homologado pela FPF, o arranjo descumpre o que foi estabelecido pelo conselho técnico e aprovado pelos clubes antes do campeonato.

Não foi a primeira vez. Em 2019, PSC e Castanhal também entraram em acordo para fazer um jogo só, escamoteando os termos do regulamento. Na ocasião, o Castanhal ficou com o terceiro lugar após disputa de penais.

Há o pressuposto de que, como é uma disputa isolada, só interessaria aos clubes envolvidos. Ledo engano. Toda decisão envolvendo quebra de regras pré-estabelecidas deveria passar pela aprovação de todos os clubes participantes.

Curiosamente, quando se discutia a fórmula de disputa, os clubes foram contrários à ideia de jogo único para o terceiro lugar. Todos se manifestaram contra. Diante disso, como entender o recuo? Regulamentos existem para serem cumpridos. Claro que é perda de tempo fazer dois jogos, mas isso deveria ter sido definido lá atrás.

De minha parte, sempre fui contra a realização de quartas de final, semifinais e definição de 3º lugar em ida e volta. Por desnecessário e desinteressante, as fases deveriam ser disputadas em um só confronto, até por razões econômicas, diante da crise gerada pela pandemia.

Aliás, disputar 3ª colocação é uma das coisas mais enfadonhas e melancólicas do futebol. Até na Copa do Mundo é algo que causa tédio. Em certames estaduais, fica pior ainda. Terceiros, quartos e demais classificados deveriam ser definidos por critério técnico. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 14)

Pará atinge marca de 1,9 milhões de vacinados contra covid-19

A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) registrou a superação de 1,9 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 na quinta-feira (13). O Vacinômetro indica que o Pará já recebeu 2.653.020 doses do Ministério da Saúde – a maior remessa com mais de 350 mil doses chegou, inclusive, na tarde de quinta. Com o repasse aos municípios, 1.286.733 doses da primeira fase já foram aplicadas e mais 624.561 da segunda.

O total de 1.911.294 de doses aplicadas estão distribuídas em 1.205.240 da Coronavac/Sinovac (desenvolvidas pelo Instituto Butantan); 1.396.300 da Oxford/ AstraZeneca (produzidas pela Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz); e mais 51.480 da Pfizer. A primeira fase de cobertura atinge 92% do público-alvo, enquanto que a segunda 44%.

A 21ª remessa chegou na tarde desta quinta-feira (13) com 355.250 doses, das quais 285.250 são da Oxford/AstraZeneca e outras 70 mil da CoronaVac/Sinovac. O Pará está vacinando idosos com mais de 60 anos – incluindo os institucionalizados (que residem em abrigos do Estado), indígenas, trabalhadores de saúde, agentes de segurança pública, populações quilombolas e pessoas com comorbidade.

A frase do dia

“Essa CPI precisa provar o óbvio genocídio que está em curso. Se no final prevalecer a tese de incompetência, que tem sido colocada subliminarmente pelo PIG e por alguns membros da própria CPI, os criminosos sairão impunes, como se fossem só idiotas. São genocidas. Merecem prisão”.

João Avanci, no Twitter

O voo triunfal da Águia

Tuna Luso comemora classificação para a final do Campeonato Paraense 2021

POR GERSON NOGUEIRA

Com arrojo, determinação e atitude vencedora, a Tuna se classificou ontem à noite para decidir o título estadual da temporada. Foi um jogo disputado em altíssima voltagem. Depois da vantagem inicial do Remo, a igualdade foi arrancada pelos cruzmaltinos nos instantes derradeiros. Nos pênaltis (6 a 5), a estrela da Águia brilhou garantindo a passagem à grande final.

Desde o começo, a Lusa procurou se impor ganhando a maioria das divididas e distribuindo-se em campo com gana e obstinação. O problema estava nos erros de passe, que comprometiam as investidas tunantes e permitiam aos azulinos uma superioridade momentânea, que se consolidou com o gol contra de Dedé aos 11 minutos do 1º tempo.

Uma rápida tabela entre Felipe Gedoz e Marlon confundiu a marcação. No cruzamento baixo, Dedé desviou para as próprias redes. Apesar das reclamações em relação ao lance, o esbarrão do zagueiro no árbitro no começo da jogada não configura irregularidade. A pressão da Tuna, porém, surtiu efeito. As marcações começaram a se inverter, refletindo a insegurança do apitador.

O Remo criou boas situações com Lucas Tocantins e Dioguinho, mas falhava na definição. A Tuna brigava pela bola e subia em bloco, sempre em velocidade. Quase chegou ao gol com um chute de Renan na trave. Depois, obrigou Vinícius a uma grande defesa em cabeceio de Artur.

Na virada para o 2º tempo, o jogo seguiu equilibrado, mas o Remo teve logo uma grande chance com Cariús, aos 6 minutos. Ele passou pela marcação e, diante do goleiro, bateu cruzado, facilitando a defesa.

Vibrante, mas com excesso de vigor por parte da jovem equipe tunante, a partida prosseguia com a Tuna buscando o empate. O Remo contribuiu bastante para isso. O técnico Paulo Bonamigo tirou Dioguinho, Lucas Tocantins e Cariús, lançando Erick Flores, Vinícius Kiss e Renan Gorne. Com isso, enfraqueceu o ataque e permitiu a pressão lusa.

Aos 38’, em cobrança de escanteio, Dedé subiu e tocou para o gol vazio, redimindo-se do gol contra. A zaga remista falhou e o goleiro Vinícius ficou pelo caminho, trombando no tunante Alexandre Pinho. Nos acréscimos, Gedoz bateu falta, Gabriel espalmou, Fredson aproveitou o rebote e o goleiro voltou a defender. Renan Oliveira ainda chutou para as redes, mas estava impedido.

Nos penais, Léo Rosa começou errando, mas a Tuna conseguiu fechar na frente, contando mais uma vez com excelente performance de Gabriel Bubniack, que pegou duas cobranças. O resultado, além de garantir a condição de finalista, dá à Tuna o direito de disputar novamente a Copa do Brasil 2022 – a última que disputou foi em 2008.

Muito além dos erros remistas – que não foram poucos, começando pelas substituições infelizes –, é preciso ressaltar os muitos méritos da Tuna, que cresceu nas últimas rodadas e foi obstinada nas semifinais contra o então favorito (e invicto) Remo. Classificação justa.

Papão supera Japiim e vai em busca do bi

Terminou sob forte emoção um jogo que foi fraco tecnicamente na maior parte do tempo. O empate em 1 a 1 nos 90 minutos, depois que Nicolas perdeu um pênalti, levou a disputa para a série de penalidades aumentando a angústia do torcedor. O Papão foi mais preciso na série extra e derrotou o Japiim por 4 a 2. O resultado, mesmo sofrido, garante a presença dos bicolores na decisão do Parazão 2021.

O primeiro tempo teve muito esforço e pouca inspiração, vários cruzamentos do PSC na área e muita cautela por parte do Castanhal. Com um trio de meio-campo formado por Denilson, Paulinho e Ratinho, o time de Itamar Schulle buscava o gol, embora criando pouco.

A coisa esquentou na etapa final. O Papão foi à frente e passou a pressionar com mais intensidade. Chegou ao gol após um vacilo de Cabecinha, que perdeu a bola na entrada da área para Ari Moura. O atacante dominou e disparou um chute certeiro, no canto esquerdo de Axel Lopes.

O Castanhal mexeu na equipe, colocou Fidélis aberto pela direita e Pecel na esquerda. Após uma sequência de bons ataques, o empate veio pelos pés de Fidélis, aos 15’, que aproveitou uma rebatida errada da zaga bicolor.

Denilson ainda foi expulso, o Japiim aumentou a pressão contra um PSC desarvorado e sem qualquer organização. Nos acréscimos, porém, um passe longo para Ari Moura terminou em pênalti, que Nicolas mandou no travessão. Nas penalidades, o Papão levou a melhor, marcando 4 a 2.

Mesmo com os problemas notados nos 30 minutos finais, quando cedeu espaço ao Castanhal e não teve qualidade na articulação de jogadas, o PSC exibiu um comportamento de time cascudo, que vai em busca de seus objetivos. Superou o trauma do penal perdido por Nicolas e mostrou força emocional para assegurar presença na decisão.

Tese de mestrado mapeia violência nos estádios de Belém

A advogada e desportista Vanessa Egla obteve ontem aprovação no mestrado de Segurança Pública, da UFPA, defendendo um tema muito atual: “Violências nos Estádios de Futebol em Belém do Pará, Brasil: insegurança e implicações para a mulher torcedora”. A pesquisa buscou construir um panorama nacional das mulheres torcedoras e identificar as principais violências sofridas pela mulher nos estádios de futebol.

Algumas constatações do trabalho de Vanessa: 40% da violência sofrida é de natureza sexual; 40% é moral; 15% é patrimonial e 5% é violência física. Além disso, 100 % dos agressores são homens e a totalidade das vítimas não registra Boletim de Ocorrência – 33% por achar que a denúncia não resultaria em nada. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 12)