Sobre os crimes da ditadura

Imagem

“Eu vi o golpe, vivi a ditadura e a ela sobrevivi. Os meninos aludidos no título poderiam ser os generais que na época ainda vestiam calças curtas e hoje contam mentiras sobre o golpe, mas apenas representam uma singela homenagem a Gonçalves Dias. Rest my case”. Sérgio Augusto, no Twitter

O Botafogo e a “Sexta-Feira Sangrenta”

Imagem

Torcer para o @Botafogo é ter como ídolos Afonsinho, João Saldanha, Nei Conceição e Paulo César Caju, além de torcedores como Vinícius de Moraes e Beth Carvalho. É não esquecer a invasão dos militares em General Severiano para prender estudantes na Sexta-Feira Sangrenta. #DitaduraNuncaMais (por Igor Navarro, no Twitter)

Expectativas para o clássico

POR GERSON NOGUEIRA

Edson Cariús

O clássico Re-Pa tão esperado, por ser o primeiro da temporada, deve marcar algumas estreias. No Remo, a expectativa é pela apresentação do centroavante Edson Cariús, contratado junto ao Fortaleza numa transação que envolveu transferência internacional. Do lado bicolor, um outro centroavante também pode ser uma das atrações do choque-rei da Amazônia: Gabriel Duarte, que já estreou no Parazão, marcando gol contra o Carajás na terceira rodada.

Cariús foi uma das contratações mais resenhadas da nova safra do Remo. Questões burocráticas retardaram sua apresentação oficial, depois veio a passagem pelo Núcleo Azulino de Saúde e Performance (Nasp) para reforço muscular e prevenção de contusões, o que atrasou ainda mais a estreia do atacante.

Quis o destino que a ocasião para sua estreia seja justamente o clássico. Por ora, não há certeza da escalação de Cariús. É mais provável que o técnico Paulo Bonamigo deixe para lançá-lo no segundo tempo, a fim de revigorar o poder ofensivo da equipe. Renan Gorne é o centroavante titular, um dos artilheiros do campeonato, com três gols marcados.

Curiosamente, Cariús (32 anos) já esteve bem próximo de vir defender o Remo em outras ocasiões, mas por um motivo ou outro o acerto não se concretizou. Finalmente, neste ano, os interesses se cruzaram e o jogador decidiu defender o Leão.

Na primeira entrevista que concedeu, destacou a torcida como fator decisivo para topar a oferta azulina. A perspectiva de jogar para uma torcida apaixonada e que segue o time incondicionalmente deixou Cariús entusiasmado. Teve conhecimento da força do Fenômeno Azul através de vídeos e acompanhando aos jogos do Remo pela TV.

Para Bonamigo, que já revelou que a fase é de “polimento final”, há a necessidade de rodar peças na busca pelo entrosamento ideal. Os dias de treinos em Castanhal serão complementados em Belém para que a equipe tente manter a invencibilidade no Estadual. O confronto com o maior rival, muito aguardado pela torcida, é tradicionalmente uma armadilha para técnicos em começo de trabalho.

Neste sentido, Bonamigo – que está no Baenão desde setembro do ano passado –, leva certa vantagem sobre o rival Itamar Schulle, que desembarcou na Curuzu há pouco mais de dois meses. Acontece que a pressão é igual. Os cuidados para dar uma cara definitiva ao time depende do equilíbrio de forças nas competições em andamento – Copa do Brasil e Estadual.

Nesse sentido, o técnico azulino deixa claro que não pretende ficar dependendo de peças, daí a insistência em dar ao grupo de jogadores um ordenamento técnico e físico que deixe todos em igualdade de condições.

Cariús ganha a chance de estrear justamente porque já treina no mesmo nível dos demais e pode vir a ser testado como substituto ou parceiro de Gorne na linha de ataque. A permissão de cinco substituições oferece aos técnicos a chance tão destacada por Bonamigo de rodar atletas.

O Re-Pa é importante, afinal é o auge da tradicional rivalidade, mas a preparação azulina mira no futuro próximo: a Série B do Campeonato Brasileiro. Tudo o que for feito agora, envolvendo o aproveitamento e as opções por atletas, tem a ver com o objetivo principal. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Gabriel Barbosa, atacante do Paysandu — Foto: Jorge Luiz/ Paysandu

Uma chance para quem pede passagem

Gabriel Barbosa estreou contra o Carajás e foi logo o carimbador do placar, marcando o gol que garantiu a virada e a vitória por 2 a 1. Era um confronto complicado, contra um adversário aguerrido, e o PSC precisou buscar forças para reverter um placar adverso na reta final. Com estatura que lembra a de um jogador de basquete, o centroavante usou justamente a facilidade para o jogo aéreo na hora de finalizar para as redes.

O jovem atleta, cedido pelo Palmeiras a custo zero (o PSC banca as despesas com moradia e alimentação), entrou nos 20 minutos finais e não perdeu a oportunidade de mostrar serviço para o técnico Itamar Schulle.

Da mesma forma como ocorre com Cariús no Remo, não há confirmação de que Gabriel entre jogando, mas é muito provável que apareça na etapa final, a fim de ajudar a aproveitar os cruzamentos sobre a área.

Como o reforço azulino, ele tem declarado a tristeza de não ter chance de jogar com estádio cheio, com incentivo da Fiel torcida bicolor. Gabigol da Curuzu, por ser homônimo do artilheiro e ídolo do Flamengo, deu um depoimento emocionado depois da partida com o Carajás.

Falou das amarguras vividas e deixou claro que o Papão é sua cartada final para abrir caminho finalmente para êxito na profissão. A torcida, obviamente, está com ele. Afinal, os objetivos se cruzam.

Vindo de uma contusão grave há dois anos, Gabriel encara a oportunidade no futebol paraense como um renascimento na carreira. A consagração pode vir com uma boa presença no Re-Pa, como já aconteceu tantas vezes com tantos jogadores. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Custos fazem clubes optarem por arbitragem local

Sai hoje a escalação dos árbitros para o clássico de domingo. A opção por profissionais da terra surgiu consensualmente entre as diretorias dos clubes, com aval da Federação Paraense de Futebol. O sorteio que definirá a equipe de arbitragem acontece às 15h, na sede da entidade.

É óbvio que a decisão tem a ver com os custos, afinal o campeonato é deficitário e as receitas são minguadas. Importar árbitros a essa altura seria um luxo, uma extravagância. Além disso, o jogo não decide nada na competição, o que diminui (até certo ponto) a pressão sobre a arbitragem. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 31)

Recusa em apoiar Estado de Sítio levou à demissão do ministro da Defesa

Por Ricardo Kotscho

A falta de apoio das Forças Armadas na sua tentativa de decretar o Estado de Sítio foi a principal razão para Bolsonaro demitir sumariamente o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, segundo fontes militares ouvidas pela coluna. Bolsonaro queria que os militares pressionassem o Congresso a aprovar o estado de exceção, que suspende garantias individuais e dá plenos poderes ao presidente. Há várias semanas o capitão já vinha preparando o terreno para adotar essa medida extrema, ao fracassar no combate à pandemia e anunciar que “o caos vem aí”.

Governo Bolsonaro troca quatro ministros em duas semanas - Raul Spinassé/Folhapress

Azevedo e Silva ainda tentou argumentar que as Forças Armadas são instituições de Estado e não de governo, mas o presidente estava decidido a tocar em frente seu plano para dar um autogolpe. Foi o mesmo motivo da demissão do advogado Geral da União, José Levi do Amaral Junior, que se recusou a assinar a ação de Bolsonaro contra os governadores no STF. A ação, recusada pelo Supremo, foi entregue na semana passada só com a assinatura do presidente da República. Para o lugar dele na AGU, o presidente quer levar de volta André Mendonça, que tinha ido para o Ministério da Justiça.

Para o Ministério da Justiça foi o delegado da Polícia Federal Anderson Torres, que era Secretário Nacional da Segurança Pública e deve coordenar as Polícias Militares (ver final da coluna). De forma secundária, outra recusa contribuiu também para a saída de Azevedo e Silva, que se negou a assinar a promoção do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para general de quatro estrelas.

Bolsonaro simplesmente não admite ser contrariado e, quando isso acontece, age por impulso, o que já vinha preocupando a alta cúpula militar. O objetivo do presidente, nesta louca dança das cadeiras que desencadeou hoje, é se cercar apenas de fiéis aliados terrivelmente submissos como eram Pazuello e Araújo. O que os militares não conseguem entender é com qual apoio o capitão pretende contar agora para levar adiante seu plano golpista, depois dos atritos com o Congresso, o STF e o mercado, sendo demonizado pela maior parte da grande mídia e com a perda de poder dos seus fanáticos seguidores nas redes sociais.

Cada vez mais só e isolado, o capitão tornou-se incontrolável. Desde a decisão do STF de cancelar as condenações de Lula pelo ex-juiz Sergio Moro na Lava Jato, Bolsonaro entrou em parafuso, começou a atirar para todo lado e acabou promovendo o desmanche do seu próprio governo, que derrete a olho nu. Acabou o governo Bolsonaro que tomou posse no dia 1º de janeiro de 2019. Se e quando virá outro, ninguém sabe como será.

O que se sabe é que o presidente vem há tempos trabalhando para garantir o apoio das Polícias Militares estaduais, que, somadas, têm o dobro do contingente das Forças Armadas, tirando-as do comando dos governadores contra os quais já apontou sua artilharia. É nesse contexto que se insere o movimento do que sobrou das forças bolsonaristas no Congresso e nas redes sociais para atiçar um motim da Polícia Militar contra o governador da Bahia, Rui Costa, após um conflito na corporação neste fim de semana.

Os próximos dias, enquanto o presidente não for contido em sua escalada autoritária, prometem fortes emoções. E tudo isso está acontecendo na antevéspera de mais um 31 de Março, aniversário do Golpe Militar de 1964 sempre defendido por Bolsonaro. Preparem-se. Vida que segue.