Torcedoras protestam contra a presença de Bruno e reagem à acusação de jornal do Nordeste

'Bruno assassino', reage torcida feminina do Bragantino em protesto contra a presença do goleiro na cidade - Crédito: Instagram/TubaLindas

O Rio Branco (AC) não teve vida tranquila na passagem por Bragança. Após a intoxicação alimentar que vitimou 17 atletas no sábado à noite, a principal torcida feminina da cidade foi ao hotel em que a delegação estava hospedada para protestar contra a presença do goleiro Bruno.

Condenado pelo assassinato da ex-namorada Eliza Samudio, em 2010, ele foi liberado pela Justiça para voltar a jogar futebol.  Sob os gritos de “Bruno assassino”, cerca de 20 torcedoras se manifestar em frente ao hotel. Com cartazes, as torcedoras pediam “respeito às mulheres”.

Nesta segunda-feira, 19, o portal “Tribuna do Nordeste” publicou uma matéria (abaixo) dizendo que as suspeitas pela intoxicação alimentar na delegação do Rio Branco seriam as “torcedoras do Clube do Remo”.

A representante das Azulindas, uma das principais torcidas femininas do Clube do Remo, Áurea Diniz, disse que recebeu a notícia como um susto e que não entende de onde foi tirado tamanho “absurdo”. “Acordei com o susto dessa notícia. Estou horrorizada com a forma como esse cara acusou de forma absurda a torcida feminina do Remo. Estamos sendo orientadas a juntar as provas antes de tomar uma medida contra ele. O jurídico do Remo já nos ofereceu ajuda, assim como o Movimento Feminino da Arquibancada (MFA) e a Associação das Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg). Fábio (Bentes, presidente do Remo) nos procurou e ofereceu ajuda”, disse.

Áurea diz ainda que o movimento em Bragança foi feito em parceria com as torcedoras do Tubarão do Caeté porque “não podemos aceitar a sociedade nos empurrando assassinos e estupradores”. Além disso, ela diz que provavelmente deverá acontecer outro protesto na noite desta segunda-feira em Belém, quando a delegação do Rio Branco embarca de volta para o Acre. 

“Entramos em contato com as meninas de Bragança. Teve protesto ontem e hoje na frente do estádio e estamos organizando para ter um aqui em Belém na hora que eles chegarem para saírem do Estado. Não podemos aceitar a sociedade nos empurrando assassinos e estupradores pelo futebol. A mulher precisa ser respeitada”.

O setor jurídico do Remo acompanha o caso. Segundo o chefe do departamento, Pietro Alves, a situação está sendo analisada. “Estou em contato com uma das líderes das torcidas femininas do Remo e tentando apurar essa situação e avaliando quais medidas podemos tomar para não ter o nome do Remo e suas torcedoras colocadas nesse contexto extremamente criminoso, sem que sejam apurados os fatos. Estou tentando contato com esse jornalista irresponsável”, disse.

“Recuperamos a democracia e a esperança”, diz Luis Arce após vitória histórica contra o fascismo

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A vitória do MAS-IPSP com Lucho Arce nas eleições da Bolívia de ontem é a prova cabal de que em 2019 houve um golpe de Estado contra Evo Morales @evoespueblo. Que luta linda, viva as classes trabalhadoras latinoamericanas!#BoliviaRecuperaSuDemocracia #MAS pic.twitter.com/R1an9gZcAoDaniel Valença (@danielvalencapt)

“Recuperamos a democracia e a esperança”. Essas foram as primeiras palavras do candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), Luís Arce Catacora, após a divulgação da contagem rápida com 95% do padrão eleitoral, realizado pela empresa Unitel.

De acordo com os dados, o candidato, apoiado pelo ex-presidente Evo Morales, venceu as eleições realizadas neste domingo (18) já no primeiro turno. Os dados não são oficiais, mas uma pesquisa de boca de urna. De acordo com o levantamento, Luís Arce obteve 52,4%; Carlos Mesa, 31,5% e Fernando Camacho, 14,1%.

Desde a Casa do MAS em La Paz, ao lado de apoiadores, Arce saudou os bolivianos e destacou a jornada pacífica realizada no país. “Vamos governar para todos os bolivianos, vamos construir um governo de unidade nacional”, ressaltou antes de destacar seu compromisso com a retomada do desenvolvimento econômico do país.

Jeanine Añez, que se autoproclamou presidenta do país após o golpe de Estado contra Evo Morales também reconheceu o resultado eleitoral e a tendência demonstrada pela pesquisa de boca de urna.

“Ainda não temos a contagem oficial, mas pelos dados com que contamos, o sr. Arce e o sr. Choquehuanca ganharam a eleição. Felicito aos ganhadores e lhes peço governar pensando na Bolívia e na democracia”.

A atuação do candidato do MAS durante o último governo ajuda a entender sua popularidade. Luis Alberto Arce Catacora é economista, graduado pela Universidade Mayor de San Andrés e foi ministro de Economia durante 13 anos. Responsável pelas políticas do período chamado de “milagre econômico”, quando a Bolívia foi o país que mais cresceu na América Latina durante quatro anos consecutivos.

Em 2018, o país sul-americano registrou um aumento de 4,7% do Produto Interno Bruto (PIB), batendo um recorde de US$ 40,8 bilhões, enquanto a média de crescimento mundial foi de 3,2% e regional 1,7%, segundo a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).

Natural de La Paz, antes de ser ministro, Arce trabalhou entre 1987 e 2006 no Banco Central da Bolívia. Entre 2017 e 2019, esteve licenciado por 18 meses do cargo, devido a um tratamento de câncer no rim, que realizou no Brasil.

Urnas da pandemia: a virada na Bolívia, após um golpe marcado por massacres, prisões e arbítrio, distingue-se do que se vê no Brasil. Uma explicação para essa diferença – que deveria ser objeto de cuidadosa análise da esquerda brasileira – chama-se: organização popular de base.

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