Jogo aberto, futebol sem medo

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POR GERSON NOGUEIRA

Fazia um tempão que não se via um clássico no sentido pleno do termo. Todos os elementos capazes de incendiar um jogo estavam ali no gramado do Mangueirão, sábado à noite. Intensidade, propostas ofensivas, mínima preocupação com bloqueios e luta incessante pela vitória. O Re-Pa só se justifica quando disputado dessa forma. Do contrário, torna-se um jogo como outro qualquer.   

Quando saíram as escalações, com três homens de meio-campo e três atacantes de cada lado, ousadia dos dois treinadores, ficou a certeza de que a partida seria disputada em estado de alta combustão, com possibilidade de muitos gols.

O 1º tempo não confirmou a previsão. Por capricho dos deuses da bola, não houve gol, apesar das mais de 10 chances de lado criadas. Ricardo Luz mandou uma bola na trave de Gabriel Leite. Vinícius Leite chutou no canto para excelente pegada de Vinícius.

Outros lances de perigo se sucederam nas duas áreas, mas faltou sempre o apuro no último chute. O equilíbrio predominou na primeira metade, com os times se alternando na criação de momentos mais agudos no ataque. Um jogo gostoso de ver, apesar do placar em branco.

No intervalo, Matheus Costa não mexeu na formação do Papão. Manteve a meia-cancha com Serginho, Calbergue e Juninho. O ataque seguiu com Uilliam, Nicolas e Vinícius Leite.

Do lado leonino, Paulo Bonamigo expôs a insatisfação com uma peça destoante: Gustavo Ermel, que errou praticamente todas as jogadas e escolhas, foi substituído por Wallace. Sábia decisão.

Com Wallace, o ataque ganhou mobilidade, passou a girar melhor a bola e a marcar presença pelo lado esquerdo. Na direita, Hélio Borges e Ricardo Luz se movimentavam bem, atacando muito e ao mesmo tempo criando empecilhos para as saídas do PSC por ali, com Collaço e Vinícius Leite.

Remo voltou a vencer um Re-Pa após dois anos e meio de jejum — Foto: Samara Miranda/Remo

Logo aos 7 minutos, Hélio tocou para Ricardo, que avançou até a beirada da área e deu um passe recuado em direção à marca do pênalti, onde Hélio já estava posicionado. O atacante bateu rasteiro e marcou. Um lance simples, mas bem elaborado, resultando no primeiro gol do clássico.

Superior no jogo, o Remo avançou novamente pela direita para ampliar a vantagem, aos 17’. Ricardo Luz chegou à linha de fundo, cruzou rasteiro, a bola foi rebatida pela zaga e recuperada por Carlos Alberto, que tocou para Marlon disparar uma bomba indefensável. O gol mais bonito da noite.

Depois disso, o Remo construiu mais dois lances agudos, que poderiam ter resultado em gol. Primeiro, Wallace invadiu a área e chutou no ângulo direito, mas Gabriel Leite espalmou a escanteio. Na sequência, Mimica desviou bola no primeiro pau e acertou o cabeceio no travessão.

Ali pelos 30 minutos, começaram as trocas, que determinariam as reviravoltas no placar. Matheus trocou os laterais, colocando Netinho e Diego Matos. Substituiu Juninho por Alex Maranhão, Calbergue por Luiz Felipe e Uilliam por Elielton. O PSC melhorou, passou a ser mais ágil nas tentativas de ataque.

Bonamigo manteve a pegada ofensiva. Botou o novato João Diogo no lugar de Hélio. No meio, tirou Lucas e lançou Gelson, substituindo Carlos Alberto por Dioguinho.

Aos poucos, o PSC foi quebrando as resistências de marcação e conquistou dois escanteios seguidos. No segundo, aos 38’, Wesley iludiu a marcação remista e testou para as redes. Jogada manjada, mas que funciona sempre.

O jogo ficou eletrizante. O gol atiçou os bicolores, que aumentaram presença no campo azulino. Quatro minutos depois, em lance rápido na área, a bola se apresentou à Nicolas, que tocou de primeira para empatar. Não era um placar justo, mas se inseria no paiol de surpresas que o Re-Pa costuma reservar.

O empate a poucos instantes do final recolocou em cena o peso do tabu de 10 jogos que o PSC mantinha sobre o rival. Só que, logo a seguir, veio a jogada definitiva. Bola com Wallace, que avançou até a área, deu um corte em Netinho e bateu à meia altura, no canto direito de Gabriel Leite: 3 a 2.

Emoção até o fim, como reza a bíblia do Re-Pa.

No ataque como se não houvesse amanhã

Aos 47 do 2º tempo, Paulo Bonamigo chegou a ensaiar fazer a quinta substituição no Remo. O time havia acabado de fazer o terceiro gol e ainda teria que enfrentar alguns minutos de pressão para assegurar a vitória. O técnico decidiu sacar Eduardo Ramos, cansado, e promover a estreia de Eron, atacante oriundo do Vitória-BA. Acabou não levando a cabo a ideia, mas ficou bem claro que não hesitaria em arriscar.

A opção que seria por um atacante em momento crítico da partida diz muito do estilo do técnico. Para Bonamigo, o risco é parte do processo.

Atacar sempre, brigar pelo gol, mesmo que represente uma temeridade, como a quase troca de Ramos por Eron a minutos do fim. Atitudes típicas de um técnico que não abre mão de suas crenças ofensivas. Poderia, ao invés de colocar mais um atacante no jogo, optar por um defensor, como Warley ou Kevem. Mas, aí, não seria Bonamigo.  

Muitos torcedores, em manifestações após o jogo, mencionaram os riscos que o time correu no finalzinho do clássico. Essa lembrança tem a ver com as circunstâncias da virada-relâmpago que o Remo sofreu para o PSV na primeira partida da decisão do Parazão.

Acontece que, naquela ocasião, o Remo era dirigido por Mazola Junior, um defensivista em tempo integral, que preferiu segurar o placar mínimo e acabou castigado. Bonamigo pode até sofrer um revertério, mas jamais por excesso de cautela ou medo.   

No futebol conservador de hoje, a solução ofensiva abraçada por Bonamigo pode parecer temerária, mas, convenhamos, é bem mais interessante e saudável do que a retranca canina que alguns técnicos praticam, impunemente.

É importante destacar a firme contribuição de Matheus Costa ao futebol ofensivo e de peito aberto, visto no sábado à noite. O PSC foi até mais ousado na proposta inicial, surpreendendo com um volante (Serginho), um meia recuado (Alan Calbergue) e um articulador (Juninho).

A configuração, rara num clássico, foi uma pequena mostra do que Matheus preparava para o jogo, onde recorreu a todas as alternativas para reverter o resultado construído pelo Remo no segundo tempo. O esforço deu certo. O PSC alcançou o empate. O castigo do terceiro gol não tira os méritos de uma atitude tão ousada quanto à do rival. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 05)

A paz ameaçada

POR GERSON NOGUEIRA

É improvável que ocorra uma repetição do traumático episódio de domingo passado, quando o Flamengo ameaçou não entrar em campo contra o Palmeiras, amparado em liminar concedido pela Justiça Trabalho. Com 18 atletas contaminados pela covid-19, o clube alegava não ter atletas disponíveis para escalar o time. Em consequência, a dúvida persistiu até minutos antes de a bola rolar e a partida sofreu grande atraso.

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O futebol tem problemas acumulados que florescem nos bastidores, mas nem sempre vêm à tona e chegam ao conhecimento do torcedor. Nos últimos dias, a postura dos dirigentes do Flamengo, notadamente o presidente Rodolfo Valentim, no episódio acima citado expôs animosidades que eram represadas no convívio dos grandes clubes.

As boas relações começaram a ruir quando o clube carioca descumpriu o acordo celebrado com a CBF e demais agremiações que estabeleceu em 13 atletas o limite mínimo para um clube participar de jogos, mesmo tendo parte do elenco contaminada pelo novo coronavírus.

Sem diálogo com os outros clubes, o Flamengo agiu com arrogância e tentou de todas as maneiras impor sua vontade, indiferente ao posicionamento assumido pela CBF e clubes da Série A. Ainda em meio à pandemia, conseguiu antecipar a volta do campeonato estadual e tentou forçar o retorno da torcida aos estádios.

Diante disso, Landim passou a ser comparado a Eurico Miranda, pelas estratégias individualistas e métodos pouco ortodoxos na condução de problemas envolvendo interesses de seu clube. É visível o isolamento crescente do Flamengo e o choque entre suas propostas e a dos outros clubes.

Eurico vestia a camisa do Vasco e, a partir do suposto amor ao clube, não hesitava em trapacear e em armar esquemas que envolviam tribunais e comissões de arbitragem. Até nisso o Flamengo reviveu o Vasco dos tempos de Eurico: a liminar obtida foi reivindicada por um funcionário do clube que dirige o sindicato de atletas.

A grande campanha rubro-negra em 2019, com a conquista dos principais títulos em disputa e reconhecimento nacional das qualidades do time treinado por Jorge Jesus, parece ter exercido um efeito negativo sobre a direção do clube, que passou a pautar seus atos pelo mais completo desprezo pelos concorrentes.

Em consequência disso, o clube entrou em conflito direto com a CBF e passou a ser alvo de protestos públicos de outras agremiações. O Atlético-MG foi o mais explícito, defendendo a aplicação de punições ao Flamengo pelo descumprimento de protocolos e acordos.

O atual estado de coisas impressiona pelo ineditismo. Como se sabe, a união entre os clubes se mantém sólida até diante de questões polêmicas e delicadas. O Flamengo está desafiando essa convivência pacífica.

A grandeza do clube, o mais popular do país, sempre foi usada para garantir benefícios e privilégios. Por isso mesmo, Landim não deveria se exceder nas ações que fazem do clube ao mesmo tempo um fenômeno popular e um prodígio de antipatia. Uma coisa não combina com a outra.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h45, na RBATV, logo após o jogo da NBA. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

Em pauta, o clássico Re-Pa, válido pela nona rodada da Série C e a campanha dos clubes paraenses na Série D.

Web espelha popularidade de atletas e força das marcas

Uma pesquisa do Ibope Repucom, lançada na sexta-feira, mediu a popularidade dos atletas no Instagram, tida como a rede social com maior incidência de atletas da chamada elite do futebol brasileiro. Daniel Alves, camisa 10 do S. Paulo, lidera o ranking com mais de 31 milhões de seguidores na rede.

No top 5 do ranking, o astro tricolor é seguido à distância por três jogadores do Flamengo – Gabigol com 7,7 milhões seguidores, Filipe Luís com 5 milhões e Diego com 4,2 milhões – e um do Internacional, o atacante peruano Paolo Guerrero, com 4 milhões de fãs na rede.

O levantamento considerou os 20 clubes da Série A, além do Cruzeiro e Vitória, que estão na B. O top 10 jogadores com mais seguidores no Instagram destaca o Flamengo, com seis de seus atletas. Além dos já citados, Bruno Henrique, Everton Ribeiro e Arrascaeta marcam presença entre os boleiros mais seguidos do país.

A lista tem dois jogadores de clubes de S. Paulo: Daniel Alves, do S. Paulo, e Felipe Melo, do Palmeiras. Fred, do Fluminense, é o décimo jogador mais presente no Instagram, com 2,6 milhões de seguidores.

A boa notícia envolvendo a identificação dos torcedores com seus ídolos é que pode virar uma preciosa estratégia de potencialização das marcas patrocinadoras. Entre os seguidores de Daniel Alves, por exemplo, estão 80% do total de seguidores do S. Paulo. Guerrero é outra referência: seus seguidores representam 43% do volume entre os demais atletas do Inter.

Como o sucesso está diretamente associado ao investimento em craques, não surpreende que a pesquisa Ibope Repucom tenha Flamengo, S. Paulo e Palmeiras como os clubes (e marcas) com maior volume de seguidores entre seus atletas. O trio representa 57% do valor acumulado de inscrições entre os mais de 700 jogadores das 22 equipes mapeadas.

O Flamengo, líder no acumulado, tem 46,2 milhões de seguidores entre todos os seus atletas, o que representa 26% do valor total entre todos os clubes. Em resumo: 1 a cada 4 seguidores de atletas dos clubes mapeados pela pesquisa segue um atleta do Flamengo.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 04)

Acidente interrompe clássico feminino, que termina empatado

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O primeiro Re-Pa do Campeonato Paraense de futebol feminino, disputado na manhã deste domingo, 4, no campo do Ceju, foi paralisado por um acidente com o repórter cinematográfico João Luiz, da RBATV. Ele caiu de uma altura de cinco metros enquanto filmava o jogo. Segundo a repórter Mariana de Moraes, a alta temperatura no Ceju pode ter causado um desmaio, provocando a queda do cinegrafista.

“Estava muito quente. As jogadoras ficaram desesperadas com a cena, muitas delas gritando, todo mundo ficou em choque. Ele caiu com todo equipamento, quebrou a cabeça e ficou desacordado. Foi tudo muito rápido, ele chegou aqui com a gente, estava arrumando os equipamentos, conversou e tudo posicionou a câmera, falou que ia fazer dele e depois aconteceu isso. Mas ele recebeu os primeiros atendimentos na ambulância do jogo e depois foi levado para um hospital particular”, disse a repórter.

“O João está consciente, passando por exames. O médico só quer afastar a suspeita de algum trauma, mas ele está bem, respondeu aos estímulos. Graças a Deus não foi nada de mais grave”, disse a repórter Lourdes Cesar.

Após o acidente, a partida foi interrompida enquanto o cinegrafista era atendido por uma ambulância. Levado a um hospital particular, foi medicado e está em observação, recebendo toda assistência. O jogo terminou com o placar de 0 a 0. (Com informações do portal Romanews)

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Técnico do Papão lamenta erros e desperdício de chances

Matheus Costa lamenta derrota no Re-Pa: 'É frustrante para todos nós' - Crédito: Fernando Torres

O técnico Matheus Costa disputou ontem seu primeiro clássico Re-Pa. Na coletiva pós-jogo, Matheus lamentou a derrota e observou que teve pouco tempo para trabalhar com todo o grupo de jogadores. “A gente tem total consciência da responsabilidade, a partir do momento que se assume uma equipe da grandeza do Paysandu, você passa a ter desde o primeiro momento a responsabilidade em colocar onde deveria estar nesse primeiro momento, que é a Série B. Temos que analisar que tivemos oito sessões de treinamentos, ainda não tive a oportunidade de trabalhar com todo o elenco, seja por motivo de lesão ou suspensão”.

“A situação é frustrante pra todos nós por não ter conquistado um resultado melhor aqui até pelos momentos que tivemos durante a partida, buscamos o resultado depois de uma situação adversa. Agora temos uma semana pra trabalhar e, quem sabe, conquistar uma vitória e reagir em Recife. A gente sabe que tem, de forma imediata, buscar essa reconquista das vitórias pra gente novamente, ficar entre os quatro, buscando essa classificação”, disse o técnico.

Quanto ao jogo, Matheus admite que o rival teve mais chances de gol. “Vejo que foi um jogo aberto, com as duas equipes jogando pra vencer. No primeiro tempo tivemos inúmeras oportunidades, o Remo jogando em cima dos nossos erros e também tendo. No segundo tempo não iniciamos da forma que deveríamos, sofremos o gol, sentimos muito. O Remo teve mais volume, conseguiu fazer o segundo e nós, com algumas alterações, buscando ainda mais o jogo ofensivo, fizemos o gol que nos deu a confiança pra buscar o empate. Conseguimos realizar o empate e em um momento, talvez, favorável pra nós, em uma situação momentânea de jogo, estávamos com a bola, acabamos perdendo e demos a oportunidade pro Remo fazer o terceiro gol. Foi um jogo aberto, onde a equipe que soube aproveitar as oportunidades criadas acabou vencendo. Criamos muito e acabamos pecando em situações pra finalizar, chegar ao gol”.

Ele também comentou as chances perdidas e as tomadas de decisão de alguns jogadores na hora de finalizar ou dar o passe final. “Tivemos inúmeras situações no 1° tempo de fazer o gol. Em momentos de 2 pra 1, 4 pra 3, e acabamos não interpretando da melhor forma para dar a oportunidade para o companheiro ter a chance real de finalização”.

Destacou o papel de Wallace na construção ofensiva do adversário. “Sabíamos que o Wallace poderia ser uma opção de entrada deles, acabou entrando no intervalo, sendo agudo naquele espaço de desequilíbrio nosso, situações específicas de jogo. Nos nossos erros o Remo foi mais feliz. A partir do 1° gol nós tivemos um desequilíbrio e na sequência sofremos o 2° gol. Foi uma situação momentânea de retorno de jogo, início de segundo tempo.  Buscamos o resultado, mas nem sentimos o gosto do empate, sofremos o 3° gol. É justo pra gente corrigir, trabalhar pra evitar esse tipo de erro. Temos ainda uma competição pela metade e precisamos buscar as pontuações pra classificação”.

Guardiola e Bielsa

Por Edyr Augusto Proença – especial para o blog

Bielsa x Guardiola: mestre e discípulo se encontram neste sábado no  Campeonato Inglês - Jornal O Globo

As equipes dirigidas por Guardiola e Bielsa, no Campeonato inglês deram uma aula de futebol na tarde deste sábado. O primeiro, sem pagar para ver, colocou seu time para agredir vigorosamente o adversário logo no primeiro minuto, conseguindo marcar um gol. Aos poucos, fisicamente, o time de Bielsa se recompôs, passando a ter alguma supremacia, o que colaborou para uma partida excelente.

Marcação sobre pressão, passes rápidos, recomposição imediata, marcação dura mas leal, com raras faltas. Caía uma chuva intensa e nem por isso o campo de jogo ficou alagado. A questão é que Guardiola comanda uma legião estrangeira de grandes craques, que jogam nas seleções de seus países, enquanto Bielsa vem com o Leeds desde a Segunda Divisão, apresentando novos jogadores, todos com a compreensão exata do jogo coletivo, tirando o melhor de cada um. E esse melhor, em ambos os times era o passe perfeito, vertical, ousado.

Em campos magníficos, isso é essencial. Claro, não se trata dos campos em que são jogados as partidas do campeonato paraense, no período chuvoso, no interior. Aí é outro esporte, apelidado de futebol. Mas o jogador brasileiro desaprendeu a passar. Mínimos passes ousados não são feitos por medo ou certeza de errar. E o passe é sempre com a bola rasteira, servindo ao companheiro. Pelo contrário, sempre passamos uma bola quicando, fazendo nosso companheiro dar dois ou três toques para dominar, permitindo a chegada do adversário.

Pep Guardiola Reveals What Marcelo Bielsa Told Him Post Manchester City &  Leeds United 1-1 Draw

Como dizia Neném Prancha, a bola é de couro, couro de vaca, e vaca come capim. A bola precisa rolar. Os zagueiros, hoje, precisam saber jogar. A única saída, por enquanto, para nós, talvez fosse escalar jogadores de meio campo, com alguma estatura para a zaga, pois a saída de bola é muito importante. Agora, convencer nossos jogadores a correr pelos companheiros, marcar ao invés de aguardar um possível erro para estar bem colocado para receber a bola, ainda é difícil.

Após Manchester e City, assisti Grêmio e Internacional, que foi uma lástima, certo, um clássico, com detalhes emocionais, mas mesmo assim. Atletas fortes, mas com pouca compreensão do jogo, da tática e sim atuando para não perder, aguardando o erro adversário para obter alguma vantagem. Guardiola x Bielsa foi um show.

Bonamigo elogia atuação das joias e destaca necessidade de crescimento

Wallace marcou o gol da vitória do Leão

Em entrevista após a vitória de 3 a 2 sobre o PSC, o técnico azulino Paulo Bonamigo enalteceu o trabalho dos garotos vindos da base, autores de dois gols na partida.

“Acho que [a vitória] foi digna de um grande Re-Pa. foi uma partida muito bem jogada, as duas equipes procurando o gol e alternando bons momentos. Em alguns momentos o adversário teve mais posse, em outros conseguimos ter um pouco mais de controle do jogo. Acho que no segundo tempo fomos mais eficientes. Quando fomos [ao ataque] foi realmente para fazer o gol”, observou.

Dos três goleadores da noite, Marlon é experiente e passou por vários clubes. Cria do Pinheirense, esteve no Remo entre 2008 e 2010 e depois saiu para defender clubes de outros Estados. Hélio, que abriu o placar, e Wallace, que fez o gol da vitória, são atletas revelados na base do clube.

“Eu só parabenizo eles, porque não é fácil eles terem a responsabilidade de ganhar do nosso tradicional adversário. São jogadores que estão buscando uma maturação técnica, emocional, física. Acho que a atitude coletiva deu tranquilidade, o apoio da comissão técnica, a eles, para treinar, se preparar bem para ter personalidade dentro do jogo”, acrescentou.

“O menino ou tem personalidade para jogar com 18/19 anos ou não vai ter com 30. Tudo é questão da forma como vê o jogo. Fiquei muito feliz com o que eles estão me entregando”.

Hélio é abraçado por Wallace e Carlos Alberto na comemoração do primeiro gol do jogo — Foto: Samara Miranda/Remo

Sobre Hélio, o técnico destacou a atuação tática. O atacante de 20 anos anos recebeu críticas da torcida em outros, mas Bonamigo considera que ele é importante para o time não são pela boa presença no ataque:

“O Hélio, na questão tática, talvez o torcedor não observe muito, mas é um atleta que corre mais de 10km em termos de preenchimento de espaços. Isso faz com que outras individualidades possam aparecer. Esconde bem o meu lateral, protege muito o Ricardo [Luz], faz com que o Ricardo troque e também ataque com boa intensidade, como aconteceu muito hoje no jogo. Enfim, têm algumas ideias e conceitos que estamos procurando apresentar e ir formatando dentro da equipe. Mas temos que crescer mais ainda. Foi uma vitória bacana, já passou e segunda-feira temos que pensar em trabalhar para enfrentar a Jacuipense no início do returno”, finalizou. (Fotos: Samara Miranda/Ascom Remo)