STF condena deputado paraense por difamação contra Jean Wyllys

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão realizada nesta quarta-feira, condenou o deputado federal Eder Mauro (PSD-PA) pelo crime de difamação agravada praticado contra o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ). Os ministros entenderam que Mauro, de forma fraudulenta, adulterou e divulgou no Facebook um discurso de Wyllys para dar a entender que o ex-parlamentar teria preconceito contra negros e pobres. A decisão foi proferida na Ação Penal (AP) 1021.

Eder Mauro foi condenado por adulterar uma vídeo de Jean Wyllys para incriminar o deputado.

A condenação abre precedente para que o deputado perca o mandato, mediante deliberação da Câmara dos Deputados. Por maioria de votos, foi fixada a pena de um ano de detenção, em regime aberto, mais 36 dias-multa no valor de um salário mínimo por dia estabelecido, a ser revertido ao fundo penitenciário. Também por maioria, a pena privativa de liberdade foi substituída pela de prestação pecuniária (artigo 45, parágrafo 1º, do Código Penal), consistente no pagamento de 30 salários mínimos à vítima.

Esse valor foi fixado como montante mínimo para reparação dos danos causados pela infração. Em ambos os casos, foi voto vencido o ministro Marco Aurélio, que não concordou com a imposição do regime aberto nem com a substituição da pena privativa de liberdade.

Adulteração

Em maio de 2015, Eder Mauro publicou em sua página no Facebook o vídeo de uma reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados com a edição de uma fala de Jean Wyllys. No discurso, o ex-parlamentar dizia que havia, no imaginário de algumas pessoas, “sobretudo nos agentes das forças de segurança, de que uma pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa”.

O vídeo foi editado, e a publicação na página de Eder Mauro continha apenas a parte final, dando a entender que Wyllys teria dito apenas que “uma pessoa negra e pobre é potencialmente perigosa”.

Por videoconferência, o representante de Wyllys, autor da queixa-crime, afirmou que o deputado do PSD havia adulterado o vídeo “de forma ardilosa”, com intuito claramente difamatório, a fim de imputar a ele uma manifestação ofensiva aos negros, como se fosse sua opinião. Ressaltou ainda que, no interrogatório, Mauro disse conhecer o discurso político do ex-deputado em favor das minorias.

Inaplicabilidade da imunidade parlamentar

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela condenação do deputado e sustentou que a imunidade parlamentar não se aplica ao caso, porque “a conduta de produzir material difamatório não se enquadra no contexto de opiniões, palavras e votos proferidos por um parlamentar”. Observou que o laudo da perícia criminal comprova a montagem e a adulteração do vídeo e que o deputado o publicou, mesmo tendo conhecimento de que o conteúdo era totalmente distinto do que defendeu Wyllys na CPI que apurava a violência contra jovens e negros e pobres no Brasil, da qual também participava.

Em manifestação por escrito, a defesa do parlamentar afirmou que a conduta estaria amparada pela imunidade material parlamentar. Segundo o advogados, Eder Mauro “apenas e tão somente divulgou trechos da manifestação” de Wyllys na CPI, sem intenção de manipular fraudulentamente seu discurso. Alegou, também, que não houve edição ilícita do vídeo, mas apenas “um seccionamento” da manifestação.

Intenção de difamar

O relator da ação penal, ministro Luiz Fux, afirmou que a edição foi fraudulenta e teve o intuito de ofender a honra de Wyllys. Segundo ele, a publicação foi feita de modo doloso, para atribuir ao ex-deputado uma conduta gravíssima (a prática de preconceito racial e social) e teria atingido seus objetivos. De acordo com depoimentos anexados aos autos, a fala editada teve “impacto substantivo e absolutamente negativo” junto aos ativistas do movimento negro e dos movimentos sociais e, em razão disso, o ex-parlamentar foi obrigado a se explicar por supostamente ter dito algo contrário às bandeiras que defendia junto a seu eleitorado.

Responsabilidade

Para Fux, não é possível retirar a responsabilidade de autores de perfis utilizados para a disseminação dolosa de campanhas difamatórias, caluniosas ou injuriosas nas redes sociais, fundadas em conteúdos falsos. A seu ver, é irrelevante, para fins de determinação da autoria, o anonimato do “criador do conteúdo”: basta a demonstração do conhecimento do titular do perfil sobre a fraude e sua intenção de causar danos à honra das vítimas.

Um dos pontos observados pelo relator foi que a publicação teve mais de 250 mil visualizações, cerca de 14,8 mil aprovações (curtidas) e mais de 12 mil compartilhamentos e só foi excluída do perfil de Mauro por determinação judicial. Na sua avaliação, o deputado do PSD tinha todas as informações necessárias para conhecer o descompasso entre o discurso efetivamente proferido por Wyllys e o divulgado no vídeo, “com adulterações aptas a inverter o sentido da fala e a conferir-lhe teor racista”.

Fux salientou ainda que a imunidade parlamentar, prevista no artigo 53 da Constituição Federal, não se aplica a este caso, pois a ofensa à honra não ocorreu em um debate, por exemplo, mas pela divulgação de um vídeo adulterado com a intenção de incompatibilizar o então deputado com a comunidade que o apoiava. Segundo ele, a imunidade parlamentar material, estabelecida para a proteção do livre exercício do mandato, não confere aos parlamentares o direito de empregar expediente fraudulento, artificioso ou ardiloso para alterar a verdade.

Chega de racismo!

Em nota oficial, o Paissandu denunciou ontem a prática de racismo contra dois de seus jogadores do time sub-23:

Até quando a presença de jovens negros em um local público vai incomodar a sociedade? Nossos atletas George e Debu, do time sub-23, voltavam para casa ontem à noite, quando o ônibus em que eles estavam recebeu ordem de parada, depois que uma passageira acionou a polícia para denunciar que havia suspeitos ali.

Os jogadores tiveram de descer do coletivo para revista pessoal. Foram minutos de muito constrangimento. Na mochila, nada de armas ou drogas, como devia imaginar a denunciante. Eles carregavam apenas chuteiras e os uniformes banhados de suor, após mais um dia de treino.

George e Debu poderiam ter tido um dia melhor, mas não. Terminou de uma maneira muito desconfortante para dois jovens humildes, negros, que precisaram dar explicações por simplesmente não terem feito nada.

A vocês, George e Debu, toda a nossa solidariedade e dividimos esse sentimento de revolta com ambos.

O clube informou que os atletas estão recebendo todo suporte psicológico e jurídico.

Governo da Espanha vai taxar mais ricos e grandes empresas para superar a crise

Do El País

Pedro Sánchez e Pablo Iglesias.

Os partidos PSOE e Unidas Podemos, sócios na coalizão de esquerda que governa a Espanha, pactuaram finalmente o aumento de impostos para os mais ricos e grandes empresas, como forma de fechar a conta da crise provocada pelo coronavírus: será uma tributação menor do que previa o acordo de Governo entre os dois partidos, mas mesmo assim relevante para garantir o Orçamento, que abandonou os períodos de cortes e a austeridade. “Deixamos para trás a etapa dos ajustes”, disse o presidente do Governo (primeiro-ministro), o socialista Pedro Sánchez. “Hoje inauguramos uma nova etapa que deixa para trás o caminho neoliberal”, disse o segundo vice-presidente Pablo Iglesias, do Podemos.

Sánchez afirma que depois do “duríssimo golpe da pandemia”, o Governo espanhol podia se recolher em cortes e seguir em frente. Mas as mudanças vão garantir que o Orçamento tenha 10,3% mais de investimento que os anteriores, incluindo o adiantamento dos 27 bilhões de euros [181 bilhões de reais] do plano europeu. A estratégia adotada pela Espanha é defendida inclusive pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que se distancia cada vez mais da ortodoxia pela qual se destacou nos anos mais difíceis do chamado consenso de Washington. O órgão multilateral, que começou a crise sanitária exortando os países a “gastar o máximo que pudessem”, também recomenda a criação de impostos para os mais ricos.

O acordo anunciado nesta terça-feira prevê um aumento do imposto de renda para os grandes grupos empresariais, ao limitar as isenções por dividendos e lucros gerados por sua participação em filiais. Além disso o Governo eleva em três pontos percentuais o imposto de renda de pessoa física (IRPF) sobre ganhos de capital superiores a 200.000 euros (1,34 milhão de reais), o que atinge um número muito pequeno de contribuintes ― poupando a classe média e os mais pobres―, mas com valor político e simbólico em plena crise. O acordo também aumenta em dois pontos o IRPF para a renda do trabalho superior a 300.000 euros (dois milhões de reais), o que abrange um número menor de contribuintes do que o Governo propunha iniciamente, que eram 130.000 (871.000 reais). A elevação do imposto de renda para quem ganha mais de 300.000 euros afetará 16.740 contribuintes, segundo fontes governamentais, ou 0,08% do total de declarantes. Somando-se a elevação na alíquota sobre ganhos de capital, o aumento no IRPF pode afetar 36.200 contribuintes, ou 0,17% do conjunto, segundo a Fazenda espanhola.

O acordo também estabelece uma tributação mínima de 15% para as empresas cotadas de investimento imobiliário (Socimis, na sigla em espanhol)― sociedades anônimas que têm como atividade principal a aquisição, promoção e reabilitação de imóveis ―, um tipo de empresa que os grandes capitais utilizam para economizar impostos. Também serão reduzidas as deduções relativas a planos privados de aposentadoria, mas só para as contribuições mais altas. Membros do Governo ainda pactuaram uma elevação de um ponto percentual no imposto patrimonial para que disponha de mais de 10 milhões de euros (cerca de 67 milhões de reais). A aplicação destes recursos, no entanto, ficará a cargo dos Governos regionais. Por outro lado foi eliminada do projeto, em virtude da situação econômica, a alíquota mínima efetiva de 15% no imposto de renda de pessoa jurídica, que estava previsto no acordo de formação do Governo. O Executivo já havia anunciado que a grande reforma fiscal que estava prevista ficará para um momento mais propício de recuperação econômica, como explicou a ministra da Fazenda, María Jesús Montero.

O esquerdista Unidas Podemos também conseguiu aumentar em 5% o IPREM, índice que determina boa parte dos subsídios e ajudas públicas. O Governo também vai aumentar o salário aos funcionários públicos e as pensões segundo a inflação oficial estimada.

Pedro Sánchez detalhou que o novo Orçamento resultará em um investimento público recorde de 239,76 bilhões de euros. Concretamente, antecipou que o investimento em educação aumentará 70%, com um acréscimo de 514 milhões de euros nas bolsas de estudos e 1,5 bilhão em quatro anos para a modernização da formação profissional. Do mesmo modo, haverá uma injeção de mais de 5 bilhões de euros adicionais em pesquisa e desenvolvimento, um aumento de 80%. O investimento em infraestrutura ganhará 6,16 bilhões de euros adicionais, uma alta de 115%; e as verbas destinadas à indústria e energia aumentarão em 5,7 bilhões de euros. Sánchez também anunciou, entre outras medidas, que as ajudas a setores especialmente afetados pela pandemia, como o comércio, o turismo e as pequenas e médias empresas, crescerão 150%, com 1,3 bilhão a mais; para a cultura, se prevê uma alta de 25,6%; e a agroindústria contará com recursos adicionais de quase 790 milhões de euros.

Os dois políticos pareciam eufóricos ao anunciar o acordo nesta terça-feira, mas agora será preciso incorporar outros sócios da coalizão parlamentar para aprová-lo. O Governo trabalhou a alternativa de um pacto com o partido centrista Cidadãos, mas nas últimas semanas foi se afastando dessa possibilidade, que o Unidas Podemos nunca viu com bons olhos. Ainda assim, tudo continua em aberto, e ainda haverá muita negociação com as bancadas. “É um Orçamento progressista, excepcional pela situação e pelo volume de investimento público que mobiliza. Seu primeiro objetivo é reconstruir o que a crise pela pandemia nos tirou. O segundo, modernizar nosso modelo produtivo. E o terceiro, fortalecer nosso Estado do bem-estar”, proclamou Sánchez.

Uma das grandes apostas do Orçamento é a decisão de reforçar a saúde pública, que a pandemia colocou em primeiro plano. “Destinaremos 3,064 bilhões de euros (20,54 bilhões de reais) a mais à saúde, 151,4% a mais. Uma das lições que devemos tirar é o fortalecimento da saúde pública”, afirmou o presidente.

No acordo orçamentário, embora não esteja nas contas, o PSOE e Unidas Podemos incluíram um pacto para regular o controle dos preços dos aluguéis, um tema sobre o qual o grupo de Iglesias, que inclui muitos dirigentes egressos da Plataforma de Afetados pela Hipoteca (PAH), está há anos pressionando. “Devemos acelerar o objetivo que estabelecemos de intervir no mercado da moradia para regular os preços do aluguel. Nós nos comprometemos a levar ao Congresso dentro de quatro meses uma lei que permita estabelecer mecanismos de limitação ou redução dos preços do aluguel em zonas de mercado tensionado, tanto nos novos contratos como nos existentes. A Espanha terá a lei nacional de moradia com o maior grau de intervenção pública no mercado de aluguel na Europa”, afirmou Iglesias. Essa reforma chegará, portanto, dentro de alguns meses, mas as pressões de diferentes grupos econômicos são muito fortes, e há no Governo uma importante divisão sobre este assunto, de modo que ainda resta muita negociação para ver como ficará, finalmente, a regulação.

Sánchez e Iglesias apresentaram as propostas para o Orçamento nesta terça-feira, em um ato sem perguntas nem presença da imprensa, no palácio de La Moncloa. Mas será María Jesus Montero, a ministra de Fazenda, que explicará as contas perante os jornalistas depois que elas forem aprovadas no Conselho de ministros.

As novas contas oferecerão uma antecipação de 27 bilhões de euros dos recursos europeus e incluirão outras mudanças tributárias: IVA (imposto sobre consumo) de 21% sobre bebidas açucaradas e adoçadas; a criação de um novo tributo sobre embalagens plásticas descartáveis; políticas fiscais verdes e modificações na tributação direta e indireta. Nesta segunda-feira, o PSOE e o Unidas Podemos aprovaram a regulação dos preços do aluguel e alcançaram um acordo para melhorar a regulação da renda mínima vital, os dois últimos cabos soltos antes de poder concretizar o rascunho do Orçamento. Uma vez remetido o anteprojeto das novas contas ao Congresso, calcula-se que sua primeira votação no plenário será na semana de 11 e 12 de novembro.Adere a

Remo compra refletores e Baenão terá iluminação ainda em 2020

Novos refletores do Baenão chegam a Belém em 45 dias - Crédito: Divulgação / Remo

A diretoria do Remo assinou convênio com o governo do Estado, cedendo por dois anos ao Banpará o direito de dar nome ao estádio Evandro Almeida. Graças ao acordo, ainda em 2020 o Baenão passará a ter novos refletores. Esse é o plano do clube, que pretende modernizar o estádio a partir de projetos iniciados em 2019, divididos em três etapas – a última delas será a chegada dos novos refletores.

A primeira etapa foi a adequação do estádio às normas da CBF, para que estivesse dentro dos requisitos mínimos para ter reabertura, que estava sem receber partidas oficiais desde 2014. Gramado, arquibancadas da praça esportiva, camarotes e vestiários passaram por uma completa reforma, uma espécie de revitalização.

A segunda foi a troca de subestação, pois a que existia não estava dentro da norma, e ficava no meio da passagem da rampa de saída da arquibancada da avenida Almirante Barroso.

Já na última etapa será instalado o novo sistema de iluminação em Led, que deve ser a etapa final de uma sequência de obras realizadas no estádio durante os últimos anos. Segundo o engenheiro mecânico e diretor de estádio do Baenão , Carlos Magno, esta será a melhor iluminação da região Norte.

“ O material será importado e pelo nosso conhecimento, esse será o primeiro estádio do Estado com Iluminação em Led. Os refletores foram projetados para 100 mil horas de vida útil”, disse.

“Os refletores anteriores tinham peso de 29 quilos, os novos projetores são 10 quilos mais leves. Então mesmo que a quantidade seja um pouquinho superior, a gente vai colocar projetores no total de 50 quilos, mais leves do que todo o peso de uma torre no modelo anterior. As torres vão ser revitalizadas e no futuro a gente pretende colocar uma passarela e um guarda-corpo para acesso. Se for possível, a gente vai agregar esse projeto, dependendo dos valores ou não, o mais breve possível”, contou.

Desde a 3ª rodada do Campeonato Paraense de 2013, o Remo não sabe o que é disputar um duelo noturno no Baenão. Na ocasião, o time azulino venceu o Cametá por 3 a 1. Em 2014, o estádio foi fechado para reformas e, em 2019, foi reinaugurado, mas recebendo apenas jogos em horário diurno.

Carlos Magno diz que os materiais poderiam ter chegado ao Baenão bem antes do previsto, mas por conta da pandemia os valores foram alterados e foi preciso refazer a cotação de preços.

“Com a pandemia, encontramos grandes variações de preços no dólar e isso influenciou bastante nos materiais que serão adquiridos e aplicados na obra. Tivemos uma grande diferença com relação a preço e valores desses projetores, já que eles não serão fabricados no Brasil, são importados. Assim como o cabeamento elétrico, componentes, disjuntores, contactoras. Então, todos eles sofrem alteração e variação de preço, de acordo com o dólar. Além disso, muitos fornecedores não estão estocando material. Estão fabricando de acordo com a demanda. Então, refizemos toda uma listagem com as alterações”, observa.

Sobre a entrega do material, Magno disse que está prevista para 45 dias. “Já estamos com os orçamentos em mãos. Faltam cerca de 20% dos orçamentos desejados, já extratamos ontem (segunda-feira) a compra e o prazo de entrega é de 45 dias, assim como do material elétrico. Vamos corrigir o nosso cronograma de obra e estamos adiantando os serviços de obra civil, que não dependem do material que ainda vai ser despachado”, finalizou.

Felipe Neto desabafa, faz apelos e vê Fogão a caminho da falência

Felipe Neto, youtuber e torcedor do Botafogo - Reprodução/Instagram

As últimas horas foram agitadas no Botafogo. E não apenas pela derrota por 1 a 0 para o Cuiabá no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, na noite da última terça-feira (28). Fora de campo, o alvinegro viu o líder do plano de negócios da Botafogo S/A, Laércio Paiva, deixar o clube e aumentar o clima de instabilidade interno. O racha por conta do projeto milionário tornou-se público quando o youtuber e torcedor botafoguense se pronunciou no twitter e, irritado, expôs a questão.

“Vou expor aqui o que sei, o que vi, o que acompanhei. Não terei mais qualquer amigo dentro do Botafogo depois disso, mas não ligo mais. O Botafogo caminha para a, agora, inevitável falência e ninguém mais vê saída. Então vou falar”, disse Neto no início de um longo fio em sua rede social.

Nas 23 mensagens postadas, o influenciador digital que se tornou também importante agente político do Alvinegro detalhou o projeto que pretendia tornar o clube uma S/A, atacou fortemente os irmãos Moreira Salles e contou por que desistiu da ideia de injetar R$ 3 milhões no Botafogo.

Confira o desabafo de Felipe Neto:

“Em 2018-19, em situação caótica, surgiu um anjo no Botafogo. Um homem de SP que, mesmo sendo um P… gestor financeiro, nunca entrou pra fazer parte das corjas que comandaram o clube. Seu nome: Laercio Paiva. Ele montou o projeto S/A do zero, com o brilhantismo da sua mente. Naquela época, era cada bobajada q saía na imprensa esportiva… Serviu para eu ver como uma parte considerável das notícias de futebol são apenas orelhadas sem fonte. Inventaram q o projeto era da Ernst&Young e q tinha sido contratado pelos irmãos MS [Moreira Salles]. Uma bobagem. Os irmãos haviam sim contratado uma consultoria da E&Y, q no final não teve praticamente qualquer serventia. O projeto era criado e tocado pelo Laercio enquanto a t. orcida era informada q o clube “esperava a gigantesca consultoria paga pelos irmãos. O Laercio, inteligente pra cacete, até colocou a logo da E&Y no projeto, pra passar credibilidade aos investidores. Afinal, embora a consultoria não tenha mudado NADA no projeto da S/A, a empresa tem uma colossal credibilidade no mercado. Nessa época, fui procurado pelo Laercio, q me apresentou o projeto da S/A. Amigos, eu já criei muita empresa. Já vendi empresa, já fali, já fiz negócios internacionais, nacionais, já vi de tudo. Nunca eu vi algo tão lindo e promissor quanto o 1° projeto da S/A do Laercio. O projeto era claro: juntar em torno de 250 milhões com investidores, usar para sanear as dívidas do clube (praticamente zerar a dívida com negociações à vista) e ainda sobraria recursos para investir no futebol. Criaria a gestão profissional. CEO, board, diretores, etc. O projeto era incrível, colocaria o clube em outro nível. Ainda por cima, o exit pros investidores era fácil: deixaria o clube em situação de ponta e ofereceria a gigantescos investidores internacionais. Eu mesmo me dispus a injetar 3 milhões no projeto (não sou os MS). O Laercio, SOZINHO, conseguiu convencer tanta gente q a S/A parecia impossível de não sair. Juntou-se a ele o incrível advogado André Chame, meu amigo e profissional impressionante. Com os dois na tomada de decisões, não tinha como dar errado! Os irmãos veriam isso… O problema é q os irmãos se tornaram a maior novela da história centenária do Botafogo. Eu não participei de nenhuma reunião com eles, mas ouvi relatos sobre inúmeras, de fontes diferentes. E a única coisa q eu posso dizer é: que inferno do cacete! Meses se passaram e o Laercio veio até a minha casa. Seu olhar era diferente. Aquela gana, aquele fascínio, tinha acabado. De repente eu descubro q o dinheiro agora seria usado diferente. Nada de sanar dívidas. Agora o foco seria investir pesado no futebol. Eu perguntei como aquilo era possível. O Laercio é um cara tão maravilhoso q ele chamou a responsabilidade pra ele, dizendo q confiava q era o melhor caminho. Mas não sou burro. O comitê havia mudado o projeto na marra, pra mim isso não resta a menor dúvida. Ele foi vencido. Com o projeto novo, não senti mais segurança. E não senti nenhuma confiança de q a turma q controla o Botafogo há décadas deixaria o clube de fato ser tocado por profissionais. Foi qnd avisei q não mais seria investidor. Eu não poderia arriscar 3 milhões dessa forma. Contudo, o Laercio continuava, guerreiro, tentando viabilizar a S/A, junto do Chame. Os irmãos, porém, não queriam mergulhar de cabeça. O q é bizarro, visto q o valor q eles precisavam investir era basicamente “dinheiro de bala” pro patrimônio deles. No meio, o Botafogo quase foi pro brejo. Os irmãos se aproximaram de 2 aproveitadores q convenceram q o melhor caminho era fechar com uma empresa intermediadora de investimento europeia. Essa empresa tinha sido ENXOTADA do time q tinha se associado. Foram dias de terror. Por fim, eu me afastei. Não via mais como aquilo ser resolvido. As últimas notícias q recebi foram q os irmãos tinham se recusado a colocar o montante necessário pra fechar o projeto e o Laercio não tinha mais como continuar. Hoje veio a notícia de q ele saiu. Uma observação: eu quero deixar mto claro q o lance do comitê ter mudado o projeto em relação às dívidas é uma OPINIÃO minha. Eu não vi isso acontecer, apenas não imagino quem mais teria pressionado pra mudar o projeto de saneamento de dívidas para investimento em futebol. A saída do Laercio é o fim do projeto da S/A. A menos q ele volte, esse projeto não acontecerá. Ou até pode vir a acontecer, mas totalmente esfrangalhado. E agora o Botafogo está em situação de calamidade. Qlq um q diga o contrário, está mentindo. Não vou ver meu clube do coração acabar sem tentar td q eu posso pra expor o q tá acontecendo e, quem sabe, ajudar a chacoalhar a árvore. Já tem gente mto puta me xingando no wpp [WhatsApp, aplicativo de mensagens]. Não posso fazer nada. Tudo q falei aqui ou foi FATO, ou opinião (deixei claro o q foi opinião). Agora, a única saída q resta ao Botafogo é o projeto de recuperação judicial, q é uma lástima. Tão ruim q o Laercio não fará parte. O projeto é apenas adiar o inadiável. A falência completa do clube. Sem o projeto S/A, há 99,9% de certeza de q o Botafogo não irá sobreviver. Por fim: NUNCA vou entender o fascínio dos irmãos em investir tudo q for preciso no CT, mas se recusarem a botar o q era realmente necessário pra S/A acontecer. Nunca. Absolutamente NUNCA! O clube tende a falir sem a S/A, mas é melhor investir no CT? NUNCA! Finalizo essa thread com duas súplicas: 1- Volta, Laercio! 2- Irmãos, ACORDEM CACETE! E uma observação: Quem acha q o Montenegro é o culpado, não sabe q o clube JÁ ESTARIA FALIDO se não fosse por ele. Não existiria Botafogo hoje se ele não existisse. Não é exagero.”

Mais cedo, imediatamente após o apito final de Botafogo 0 x 1 Cuiabá pela Copa do Brasil, Neto já tinha feito um desabafo com ataque direcionado aos irmãos Moreira Salles.

“Situação do Botafogo é drástica. Sem o projeto da S/A, não há qualquer esperança de uma real sobrevivência do clube. Eu estive ali dentro e vi de perto os projetos e possibilidades. Hoje, caminham pra Recuperação Judicial sem saberem nada sobre isso. É aterrorizante”, acrescentou em outra publicação. Gostaria de avisar aos irmãos Moreira Salles que não adianta nada construir um CT de ponta para um clube que vai fechar as portas. Vão usar o CT para a família fazer churrasco?”, postou.

O fenômeno Brigatti

POR GERSON NOGUEIRA

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É uma trajetória única no futebol do Pará. João Brigatti fez tudo ao contrário do que os manuais recomendam em termos de relação profissional com um clube. Senão, vejamos: ele era o técnico que comandava o PSC no rebaixamento da Série B em 2018, realizando uma campanha errática, com direito a eliminação na última rodada – e com goleada (Atlético-GO 5 a 2, na Curuzu).

Não ficou nisso. Quando todos esperavam que fosse dispensado no final da temporada, ele novamente contrariou a lógica. Contra todas as previsões, ele foi mantido pela diretoria para a disputa do Campeonato Paraense de 2019. Depois do primeiro Re-Pa, acabou demitido intempestivamente.

Um episódio até hoje mal explicado envolvendo o zagueiro Micael tornou ainda mais conturbada a saída do técnico. Mais ou menos como ocorreria depois com Hélio dos Anjos, Brigatti caiu atirando. Em meio a críticas generalizadas à diretoria, atacou diretamente o mandatário bicolor.

Criou-se uma situação que os especialistas em conflitos laborais classificam de um caso perdido, principalmente pelo fato de o técnico ter queimado pontes após a rescisão de contrato.

Mas, de repente, para atestar que o futebol tem razões que a própria razão desconhece, eis que Brigatti foi procurado para reassumir o comando técnico depois que Matheus Costa saiu e levou com ele o auxiliar Leandro Niehues. Reabilitado, o ex-técnico da Ponte Preta protagonizou na segunda-feira uma reapresentação que nem os maiores adivinhos teriam dificuldade em prever um ano atrás.

Com as juras de amor protocolares, incluindo beijo no escudo, Brigatti assumiu oficialmente o elenco disposto a recomeçar sua história na Curuzu após duas passagens – a primeira foi como auxiliar de Dado Cavalcanti.

Tão pavio curto quanto Hélio dos Anjos, embora mais midiático, Brigatti tem boas chances de recolocar o Papão no trilho, o que significa voltar a brigar diretamente pela classificação à próxima fase, ambição que havia sido deixada de lado quando o time caiu para a oitava colocação.

Com a vitória sobre o Treze, ainda com Niehues, o time voltou à disputa. Com 15 pontos, ganha vida nova no grupo A e entra no bolo dos que brigam pela última vaga do G4 – levando em conta que Santa Cruz (27), Vila Nova (23) e Remo (22) já têm a classificação encaminhada.

Brigatti vai estrear contra o Manaus, um concorrente direto pela vaga. Tem a semana toda para treinar e conviver com o elenco, quase todo renovado em relação ao começo do ano passado. Será uma das últimas apresentações de Vinícius Leite, cuja saída já foi confirmada. Achar uma alternativa para o atacante é um dos grandes desafios do novo-velho comandante.

Uma coisa é certa: Brigatti já demonstrou, com o próprio retorno ao clube, grande capacidade de sobrevivência e até de ressurreição.

Nova oportunidade para o ex-xerife azulino

Mimica nunca foi capitão efetivo no Remo. Apesar disso, sempre representou segurança e liderança no setor defensivo, tendo a regularidade como maior credencial. Em 2019, foi prejudicado por lesão grave, que o tirou de vários jogos. Com Mazola, teve poucas oportunidades. No único momento de instabilidade, acabou perdendo espaço. Com Bonamigo, reapareceu contra o Imperatriz, fazendo dupla com Rafael Jansen.

O rendimento da defesa foi tranquilo e seguro, mesmo levando em conta as limitações do adversário. A combinação do estilo técnico de Jansen com a seriedade do jogo de Mimica foi posta à prova por 90 minutos e o resultado parece ter sido bem avaliado pelo técnico.

É interessante a maneira como o treinador vem observando seus zagueiros. Deu chance a todos e criou duplas diferentes ao longo dos cinco jogos em que comandou o Remo: Jansen/Alemão, Jansen/Fredson e Jansen/Mimica. Por óbvio, Jansen é o titular e os demais brigam pela segunda vaga.

Mimica ganhou pontos pela partida contra o Imperatriz, principalmente pelo entendimento com Jansen. Até a virada do ‘turno’, a defesa remista era a menos vazada, com apenas cinco gols. Agora, com oito gols sofridos, continua bem situada: ocupa o 2º lugar, atrás apenas do Vila Nova, com 6.

Por coincidência, o Vila é o próximo adversário do Leão. O time goiano está na vice-liderança e conta com um time bem entrosado, dirigido por Bolívar. Além da zaga ajustada, a parte ofensiva merece respeito. É aí que entrada a necessidade de um forte bloqueio de última linha. Pela seriedade, Mimica é forte candidato a entrar jogando. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Um pandemônio chamado Campeonato Brasileiro

Quem pega a tabela de jogos do Brasileiro fica confuso com os buracos existentes, provocados por sucessivos adiamentos, o que torna a classificação desigual e enganosa. A pandemia causou um pandemônio, não que a CBF não esteja acostumada a bagunçar com datas e horários das competições. Desta vez, porém, a coisa extrapolou todos os limites.

No momento, 10 times da Série A têm partidas em atraso na reta final do turno. A confederação demora a reprogramar e, por esse motivo, os clubes vivem a estranha situação de atrasos ainda da primeira rodada.

O adiamento de três jogos para priorizar as finais dos campeonatos mineiro, gaúcho e paulista complicou de vez a situação. Palmeiras x Vasco, por exemplo, lá da 1ª rodada, ainda não tem data confirmada.

Para suportar o impacto da pandemia, a CBF diminuiu o intervalo entre as partidas, passando de 66 horas para 48 horas, expediente ainda não utilizado. Mas, pelo jeito, será inevitável colocar a regra em prática.

Não há ilegalidade no retardamento de jogos, mas é fato que partidas atrasadas podem influir no resultado final dos campeonatos e na definição de vagas para a Libertadores, assim como para rebaixamento.

Direto do Twitter

“O treinador argentino Coudet, do Inter, falou que acha um absurdo o Brasil sacrificar seu talento, os jogadores, com um calendário em que não descansam, e gramados ruins em que se contundem. Só pensei numa coisa: eternamente uma sociedade escravocrata”. Marcelo Rubens Paiva, escritor

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 28)