Camisas 10 estão devendo

POR GERSON NOGUEIRA

Quem viu o primeiro Re-Pa da semifinal da Copa Verde passado tem justas esperanças de que o clássico do próximo domingo seja mais vibrante e interessante. Nem precisa ser um primor de técnico, basta que não seja sonolento como foi o primeiro. Nesse sentido, a responsabilidade maior cabe aos jogadores mais categorizados, os homens que têm a incumbência de organizar e dar ritmo à movimentação das equipes.

Eduardo Ramos

Os carregadores de piano, encarregados de marcar e destruir, não têm responsabilidade com o jogo bonito. A tarefa deles é defender a qualquer custo, chutando de bico para manter protegidos seus sistemas de defesa.

No Remo, Eduardo Ramos é o camisa 10 e referência. Considerado o jogador mais habilidoso do time, é visto como um maestro capaz de organizar o jogo, fazer lançamentos, vislumbrar caminhos que ninguém vê e assumir a postura de desbravadores do campo inimigo quando isso se fizer necessário e possível.   

Tiago Luís é o meia-armador do PSC. Ao contrário de Ramos, não tem conseguido encaixar uma sequência de jogos, entrando eventualmente nos minutos finais. Atravessou um período complicado, com problemas de lesão e questões de natureza pessoal, como explicou depois do jogo de domingo. Mas dele sempre se espera a jogada cerebral e surpreendente.

Ambos têm extrema responsabilidade com seus times e a obrigação de fazer o jogo ficar menos feio. Parece carga excessiva nos ombros de dois homens, mas o cartaz de que desfrutam é o bônus de uma função que só é dada a quem sabe o que faz com a bola.

Muito da pobreza técnica do Re-Pa que abriu a semifinal da Copa Verde tem a ver com o baixo rendimento dos armadores. Tanto Ramos quanto Tiago Luís ficaram muito abaixo do que podem render. O primeiro jogou por 70 minutos, o segundo entrou por apenas 30 minutos.

Nem a diferença de tempo diminui a responsabilidade do meia bicolor. Apesar de entrar na reta final, substituindo a Tiago Primão, Tiago teve pela frente adversários desgastados fisicamente e mais espaço de manobra, o que deveria propiciar atuação menos discreta.

É claro que ambos não jogam sozinhos, dependem do sistema utilizado por seus times e da movimentação dos companheiros. No Remo, fica óbvio que Ramos não tem com Eudes Pedro a mesma liberdade que tinha no período de Márcio Fernandes. É visível também que não dispõe do mesmo fôlego mostrado quando chegou em meio à Série C.

A dificuldade se amplia com o esquema 4-2-3-1 utilizado por Eudes, que prioriza a movimentação pelos lados e faz com que a meia-cancha seja muito mais municiadora do ataque, sem tanta margem de movimentação. Quando o adversário fecha os caminhos, como fez o PSC, Ramos fica sem poder estabelecer profundidade.

Tiago vive situação diferente, embora não menos complexa. Precisa se adaptar a um modelo de jogo já consolidado, com volantes (Uchoa e Léo Baiano) que participam intensamente do esforço ofensivo, mas que tendem a afunilar jogadas. O meia que flutua junto ao ataque muitas vezes acaba sem função. Foi o que ocorreu no clássico quando Tiago entrou.

Caso Hélio dos Anjos não encontre lugar para ele, problema agravado pela falta de confiança no condicionamento físico do jogador, Tiago pode não ter a chance real de mostrar utilidade naquele que pode ser seu último jogo na temporada.

Papão avalia novo modelo de negócio da marca Lobo

O Conselho Deliberativo do Papão realiza reunião extraordinária na próxima quinta-feira, dia 10, para ouvir e submeter à aprovação o novo modelo de negócio desenvolvido para a marca Lobo. Depois do sucesso inicial do projeto de fabricação própria, o clube tem contabilizado números que estão abaixo da expectativa de lucratividade.

A convocação foi publicada ontem, pelo presidente do Condel bicolor, Edson Ortiz de Matos.

Flamengo superior em jogo abaixo das expectativas

A expectativa criada em torno do jogo Grêmio x Flamengo não foi atendida pelo nível mostrado em campo. Apesar de mandante, o time gaúcho se comportou com um surpreendente acanhamento. Pouco se atirava à frente e parecia recear a rapidez na troca de passes do adversário.

No fim das contas, o temor se justificou. Todas as bolas que o Flamengo trabalhava do meio para frente resultavam em lances agudos sobre área gremista. Dois gols rubro-negros foram corretamente anulados, enquanto o Grêmio nem isso conseguia produzir. As emoções ficaram para o final.

Na etapa final, quando o Grêmio mais se mostrava ofensivo, chegando a ameaçar em chegadas de Cebolinha e Tardelli, nasceu o gol que deu a vitória ao time de Jorge Jesus. Cruzamento alto para Bruno Henrique cabecear, certeiro. Simplicidade na armação e eficiência na execução.

A vantagem de 1 a 0 abria uma excepcional vantagem na disputa. Ocorre que o espírito copeiro do Grêmio se fez presente aos 43 minutos do 2º tempo. Luan tocou para o meio, a bola chegou a Cebolinha e este disparou um foguete para a pequena área, onde Pepê desviou para as redes.

No estilo desassombrado que Jorge Luís implantou, o Flamengo buscou mais o gol, conseguindo 59% de posse de bola e chutando 11 vezes ao gol. Não venceu por detalhes e porque teve pela frente o sempre respeitável espírito copeiro do Grêmio.

Esperanças renovadas para o confronto do próximo dia 23. Apesar da frustração pelo empate no apagar das luzes, o Flamengo leva a vantagem do 0 a 0 para a segunda partida. Decisão ainda em aberto. 

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 03)