Papão empata e se complica

POR GERSON NOGUEIRA

Times caíram de rendimento no fim

O jogo era decisivo e exigia uma atuação decidida. O PSC, porém, ficou nos passes improdutivos e na própria incapacidade de superar a bem organizada marcação do Vila Nova. O equilíbrio prevaleceu na maior parte do tempo, o que era do agrado do visitante, mas terrível para o anfitrião. No fim das contas, o placar das finalizações registrou 9 a 8 para os goianos. E é bom registrar que as chances mais agudas couberam ao Vila.

Na primeira etapa, o PSC começou apertando a marcação no meio e avançando pelos lados, com Tony e Uilliam na direita e Collaço e Vinícius Leite. Logo aos 5 minutos surgiu a melhor chance. Vinícius cabeceou e obrigou o goleiro Fabrício a uma defesa arrojada.

Depois disso, o Vila se assentou em campo e passou a tocar a bola e explorar a qualidade do meio-campo, liderado por Biancucchi e os deslocamentos de Henan. Apesar de não brilhar ofensivamente, o meia argentino arrumou a meiúca e cuidou de acionar os laterais.

Já a meia cancha não produzia nada, com Juninho muito preso a passes curtos e escolhas erradas. A segunda grande chegada do PSC foi aos 31’, com Bruno Collaço passando para Vinícius, mas o goleiro tocou na bola e evitou que Wellington Reis, na sobra, aproveitasse.

Sem clareza de propósitos, os jogadores não sabiam bem o que fazer. Quando tinham a bola retardavam arrancadas, temendo cometer erros. A bola queimava nos pés até de jogadores fundamentais, como Nicolas e Vinícius, estiveram aquém de suas jornadas anteriores.

Veio o 2º tempo e o técnico Matheus Costa não fez mudanças que podiam obrigar o Vila a sair da zona de conforto. A produção ofensiva continuou murcha, com Nicolas muito bem vigiado por Rafael Donato. 

Aos poucos, a superioridade do Vila Nova no aspecto de organização começou a se manifestar. Aos 8 minutos, Talles disparou da entrada da área para boa defesa de Paulo Ricardo. O técnico Bolívar tirou Biancucchi e lançou Alan Mineiro, que se posicionou na intermediária do PSC e ajudou a criar pelo menos duas grandes situações para o centroavante Henan.

Nas duas chegadas mais perigosas, Henan recebeu livre, dominou e chutou no pé da trave esquerda de Paulo Ricardo, aos 26′. A movimentação ofensiva continuou eficiente e o camisa 9 voltou a aparecer desmarcado, aos 27′: pegou de virada, para defesa de puro reflexo do goleiro bicolor.

Além de se movimentar com mais acerto e objetividade, o Vila Nova se mantinha sempre no campo do PSC, explorando erros e hesitações de volantes e zagueiros. Pode-se dizer que a etapa final foi controlada pelos goianos, que demonstraram ainda melhor condicionamento físico.

Como as articulações não funcionaram e a velha jogada aérea não se consumou, o PSC ficou dependendo de seus destaques individuais, Nicolas e Vinícius, que praticamente sumiram da partida no 2º tempo.

Alex Maranhão e Elielton entraram, mas os esparsos ataques só geravam saídas de bola pelo fundo ou trombadas com a firme zaga do Vila, que em nenhum momento correu riscos nos 45 minutos finais.

O resultado foi terrível para o PSC. Com 12 pontos, foi ultrapassado por Treze e Jacuipense, caindo para a sétima posição. Mais do que mirar no G4, a preocupação de momento passa a ser evitar a queda. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Lento e errático, Leão cai em Fortaleza

Com atuação abaixo das expectativas, o Remo perdeu a primeira partida sob o comando de Paulo Bonamigo. O 1º tempo foi disputado em ritmo acelerado por parte do Ferroviário e com muita lentidão pelos remistas. Os lances de perigo do mandante nasciam dos muitos passes errados na intermediária do Leão. Na etapa final, o time avançou as linhas, mas sofreu o gol logo aos 4 minutos após cobrança de escanteio.

Foto: (Kid Júnior)

A partida teve dois tempos bem distintos. Na fase inicial, o Ferroviário prevaleceu, acelerando e pressionando a defensiva azulina. Levou perigo em lances com Gabriel Cassimiro e Siloé, a partir de bolas ganhas em erros de passe de Gelson, Carlos Alberto e Ricardo Cruz, principalmente.

O Ferroviário não tinha articulação criativa para ameaçar, mas o Leão também não mostrava nenhuma inspiração. Os melhores momentos nasceram em contra-ataques. No primeiro, Wallace tocou de cabeça para Eduardo Ramos, que disparou em direção ao gol e finalizou com perigo. Logo em seguida, Hélio foi à linha de fundo e cruzou para Ramos, que bateu rasteiro para boa defesa de Genivaldo.

Impressionava a parcimônia com que o Remo trabalhava a bola. Eram toques repetitivos para os lados e para trás, anulando qualquer tentativa de impor presença no campo inimigo. Eduardo Ramos e Carlos Alberto não conseguiram organizar o jogo, falhando até em simples domínio de bola, o que revelou a dificuldade de achar o tempo certo da bola no gramado da Arena Castelão, mais baixo e rápido que o do Mangueirão.

Em meio às jogadas sem consequência, o destaque negativo foi Gelson, que errou a maioria dos passe e lançamento, desequilibrando um setor que sempre funcionou bem com Charles e Lucas Siqueira. Sem encontrar o espaço adequado para atuar, o volante foi peça nula, mas curiosamente foi mantido em campo até os 40 minutos do 2º tempo.

Na segunda metade do confronto, o Remo apresentou-se mais adiantado e tentando pressionar a saída de bola do Ferroviário. Com Tcharlles substituindo a Carlos Alberto, o time ficou mais agressivo e aos 3 minutos quase abriu o placar. Tcharlles pegou um rebote da defesa e bateu rasteiro. A bola beijou o poste esquerdo de Genivaldo e saiu pelo fundo.

Um minuto depois, veio o gol do Ferroviário. Escanteio da esquerda foi desviado por Olávio entre os zagueiros remistas e complementado junto ao poste esquerdo por Wesley. A bola ainda tocou na trave antes de entrar. A falha coletiva custou caro ao Leão. Atordoada, a zaga vacilou de novo aos 12’ em cruzamento do bom Siloé que William Lira quase encaçapou.

Bonamigo aumentou o grau de ofensividade trocando Wallace por Eron. Mesmo exposto atrás, o time iniciou uma meia pressão. Aos 9’, Eduardo Ramos mandou no travessão, mas o lance foi invalidado. Aos 20’, Tcharlles bateu forte, o goleiro dá rebote e Eron quase empatou.

Quando saía em contragolpe, o Ferrão sempre ameaçava. Aos 27’, Wesley invadiu a área pelo lado esquerdo e cruzou rasteiro. Rafael Jansen salvou em cima da linha. Quase ao final, outra boa jogada de Tcharlles rendeu situação perigosa, com João Diogo finalizando para defesa de Genivaldo.

A disposição demonstrada pelo Remo no 2º tempo faltou ao time no começo da partida. O desligamento inicial, com direito a muitas falhas de marcação e passe, responde em grande parte pela derrota. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 19)

Jogo Bragantino x Rio Branco é adiado para segunda-feira

Com a constatação de um quadro de intoxicação alimentar que vitimou 17 jogadores do elenco do Rio Branco/AC, a CBF decidiu remarcar o jogo para segunda-feira (19), às 15h, no estádio Diogão. O médico da CBF, Jorge Pagura, conversou com o médico do Bragantino, a respeito do problema alimentar envolvendo atletas do Rio Branco.

Noite de decisão para o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

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Para o confronto diante do Vila Nova-GO, hoje à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença, o técnico Matheus Costa bem que poderia analisar o VT da partida entre o time goiano e o Remo, em Belém. Naquela ocasião, o Vila jogou ofensivamente em boa parte do tempo e quase saiu vencedor. O placar final foi 0 a 0, mas os encarnados foram superiores, principalmente quanto à distribuição em campo.

Com base no que o Vila mostrou naquela ocasião, o PSC pode ser estruturado para evitar surpresas. O time que tem ido a campo ainda guarda muita semelhança, na escalação e na forma de jogar, com o que Hélio dos Anjos comandou por mais de um ano.

Matheus Costas, que assumiu a equipe há três rodadas, precisa imprimir sua marca. A essa altura, ainda mais em casa, não é possível se cercar de excessos defensivos. Cautela é importante, mas a prioridade agora é vencer. Afinal, caso não consiga os três pontos, o Papão ficará ainda mais distanciado dos ponteiros do grupo A.

O êxito do Papão na partida decisiva deste domingo dependerá muito da capacidade de controlar o meio-campo, da utilização dos laterais como armas ofensivas e da aceleração das jogadas. Exatamente tudo o que o time não conseguiu mostrar nas últimas partidas.

O maior obstáculo para dominar a meia cancha é conseguir levar a melhor sobre Emanuel Biancucchi, meia-atacante que coordena todas as saídas do Vila e sempre vai à frente para finalizar. Habilidoso e bom chutador, o argentino merece atenção. Não pode desfrutar de muito espaço para jogar. Saem de seus pés as ações mais criativas da equipe goiana.

Além de Biancucchi, o experiente Henan é outro trunfo ofensivo importante, principalmente nas bolas aéreas. Movimenta-se pelos lados e sabe jogar infiltrado na área. Se não puder atuar (recupera-se de lesão) deve ser substituído por Rodrigo Alves ou Gilsinho.

Durante os treinamentos da semana, ficou a dúvida quanto à formação do PSC no meio-campo. A única certeza é que Uchoa volta. Serginho e Calbergue disputam a função de segundo volante. A armação deve ficar com Juninho ou Alex Maranhão.

Na linha de ataque, Nicolas e Vinícius Leite têm escalação garantida, mas pela direita a vaga está em aberto. Uilliam Barros era o titular até o Re-Pa, foi mantido contra o Santa Cruz, mas não conseguiu render. Elielton tem entrado e funcionado bem, principalmente porque é um velocista, abrindo alternativas para Nicolas, que fica mais centralizado.

Com 11 pontos na classificação, ocupando a sétima posição, o PSC não pode correr o risco de um tropeço, que comprometeria até os cálculos mais otimistas de classificação.

Para passar à próxima fase, a linha de corte é 28 pontos – pode até subir um pouco em função da baixíssima pontuação do Imperatriz. Para alcançar esse total, os bicolores precisam somar 17 pontos em 24 disputados. Tarefa espinhosa, mas não impossível, desde que o dever de casa seja cumprido.

E isso já vale para o jogo de hoje.

Depois de grande alarido, MP do Mandante morre em silêncio

Rendeu muita polêmica, abriu uma cisão entre os grandes clubes e acaba por morrer em silêncio: a Medida Provisória 984, mais conhecida como MP do Mandante, perdeu a validade nesta sexta-feira (16). Apesar do apoio entusiasmado do presidente Jair Bolsonaro, idealizador da proposta como forma de atingir a Globo, a MP não foi votada no Congresso Nacional e perdeu efeito.

Volta a valer a regra da Lei Pelé. O clube que deve sentir mais impacto é o Athletico-PR, que estava usando a MP a seu favor. Sem contrato com a Globo no pay-per-view, o Furacão aproveita para comercializar livremente a exibição de seus jogos.  

A mudança estabelecida pela MP do mandante em relação aos direitos de transmissão é que os donos da casa passavam a ter o direito exclusivo. Pelo previsto na Lei Pelé, os dois times têm o mesmo direito. Portanto, para transmitir o jogo, a TV precisa fechar contrato com ambas as equipes.

Clubes que se posicionaram contra a MP – Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional e São Paulo – saem, em tese, favorecidos. Os demais apoiaram a medida com sofreguidão, casos de Flamengo, Palmeiras, Athletico, Ceará, Fortaleza, Santos e Inter, que chegaram a reunir com Bolsonaro para hipotecar apoio.

A dúvida que se estabelece agora é se haverá uma reedição da medida ou se a perda de validade foi proposital.

Cruzeiro convoca velho comandante para evitar a queda

O veterano treinador, cujas últimas experiências deixaram muito a desejar, foi resgatado de seu exílio voluntário nos Pampas para assumir o desafio de salvar o Cruzeiro do vexame de cair para a Série C. Felipão havia sido demitido pelo Palmeiras no ano passado, após um baile diante do Flamengo de Jorge Jesus, e desde então havia mergulhado em silêncio monástico.

A diretoria do Cruzeiro, que andava dando tiros a esmo e levando invertida de vários técnicos sondados, decidiu mirar no gaúcho e foi bem sucedida. Para isso, precisou oferecer um pacote salarial alto para os padrões da Série B e uma garantia fundamental: os ganhos da comissão técnica de Scolari serão bancados pelo patrocinador master do clube.

Felipão exigiu que o clube não atrase salários. Sabe, pela vasta experiência, que jogador insatisfeito é capaz de incontáveis diabruras. Assume na próxima rodada sem prometer o acesso. A meta é salvar a Raposa. Voltar à Série A, levando em conta a pífia campanha, será quase um milagre.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração a partir das 22h, na RBATV. Em debate, as rodadas da Série C e da Série D. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião, com direção de Toninho Costa. 

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 18)

Eric Stoltz, o primeiro Marty McFly de “De Volta para o Futuro”

Eric Stoltz (captura TV)

Cinco semanas de filmagem e um adeus inesperado. Eric Stoltz sempre será o Marty McFly que não foi, o protagonista falhado, demitido e esquecido de Back to the Future.

Sua revanche pode ter sido permanente, além da fama. Possui mais de 40 filmes e dezenas de séries e peças. Embora nem todo mundo em Hollywood fale bem dele… De acordo com o livro We Don’t Need Roads: The Making of the Back to the Future Trilogy (do jornalista Caseen Gaines), Stoltz deixou o filme “porque ninguém o suportava, a começar por Thomas F. Wilson, o intérprete de Biff Tannen”.

Wilson tinha motivos para pensar mal de seu parceiro, já que havia levado cenas como a briga no refeitório muito a sério: aparentemente, segundo os boatos, ele deixou o corpo coberto de hematomas.

Lea Thompson (Lorraine no filme), amiga de Stoltz na vida real, esclareceu que o personagem de Eric “podia ser muito difícil”: “Naquela época, todos os jovens atores queriam ser como De Niro e Pacino”. Mais pacífico e menos polêmico, Michael J. Fox comentou que “Eric não era um comediante e eles, Zemeckis e o roteirista Bob Gale, precisavam de um comediante”.

Nascido em 30 de setembro de 1961, na Califórnia, Eric é filho de professores, violinista e professor e professor do ensino fundamental. Terceiro de três filhos, desde criança já ganhava dinheiro tocando piano em obras musicais locais.

De família alemã, inglesa e escocesa, iniciou suas atividades como ator em 1979, quando ingressou em uma companhia de teatro que atuou no Festival de Edimburgo, na Escócia. Em 1981 ele decidiu voltar aos Estados Unidos e estudou com Stella Adler e Peggy Feury em Nova York.

Seu primeiro filme foi Fast Times at Ridgemont High (1982). O grande golpe do trabalho foi recebido após ser escolhido para interpretar Marty McFly em Back to the Future ( Back to the Future, 1985) . A alegria inicial se transformou em pesadelo. Ele foi substituído após cinco semanas de filmagem. Michael J. Fox (a primeira escolha do diretor para o papel, que estava filmando uma série e não tinha tempo), mas então concordou em dividir suas horas entre o filme de Robert Zemeckis e o sucesso de ficção de TV Family Ties.

Disparado da filmagem, parecia que o destino de Fox era ser Marty a todo custo. Zemeckis afirmou mais tarde que, embora Stoltz tivesse “uma maneira admirável de agir”, faltava-lhe o toque de humor que procurava para o personagem principal.

Apesar desse transe ruim, o ator conseguiu brilhar em outras produções, embora nunca tenha alcançado a popularidade mundial de Fox. Indicado ao Globo de Ouro por interpretar Rocky Dennis em Mask (1985) e Keith Nelson em S ome Kind of Wonderful (1987), Stoltz possui o que pode ser considerado um currículo eclético, que vai de filmes como Pulp Fiction (1994) a produções independentes. 

“Há uma estranha sensação de realização em fazer um filme independente. Tudo está contra você; não dá tempo, e menos dinheiro, você carrega um frasco de cola, você coloca 20 dólares. Se conseguir terminar o dia de gravação, é emocionante”, declarou.

No teatro, ele continuou nos palcos de Nova York, tanto na Broadway quanto na Broadway. Ele é lembrado na TV por papéis como o ex de Helen Hunt em Mad About You (1992). Hoje ele também está se concentrando em seu papel de diretor.

Pai de Catherine Stoltz, de 13 anos, ex-parceiro das atrizes Ally Sheedy, Jennifer Jason Leigh e Bridget Fonda, ele se casou com a cantora Bernadette Moley em 2005. Mais algumas curiosidades de sua carreira: passou três meses em uma cadeira de rodas se preparando para seu papel no filme The Waterdance (1992). Depois de perder o papel em De Volta para o Futuro, ele apareceu em A Mosca II (1989), como um personagem chamado –exatamente – Marty.

Eric junto a Christopher Lloyd en una escena de "Volver al futuro" que se borró.

No 35º aniversário de Back to the Future este ano, circulou a informação de que de alguma forma Eric estava na fita, com seus punhos ou partes de seu corpo que pareciam Fox na edição das cenas que foram lançadas. A cena em que Marty bate em Biff Tannen (Thomas Wilson) em uma cafeteria de 1955 foi especificamente discutida.

Conforme citado pelo  The Hollywood Reporter, o roteirista Bob Gale disse: “Pode ser o punho de Eric. Acho que a única maneira de saber com certeza é verificar os números das bordas do negativo original, mas ninguém se arriscará a danificar o negativo ao fazer isso. Os números das bordas da impressão podem revelar a verdade, mas não tenho ideia se isso existe”. (Transcrito do Clarín)