O futebol está perto do fim?

Por João Ricardo Cozac
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Três semanas para a Copa e hoje recebi o convite de um grande amigo para participar de um bolão. Pensei: “não estou muito animado, mas vamos brincar”.
 
Por que não estou muito animado ?
 
Porque não vejo mais uma rua pintada como tradicionalmente se via meses antes dos Mundiais. Onde estão as camisas da seleção que já desfilavam no réveillon anterior ao ano da Copa? As bandeirinhas nos carros não são mais vendidas nem feitas em casa. A alma do brasileiro mora em outro lugar.
 
O que você acha do futebol brasileiro?
 
Quem já teve o melhor futebol do mundo consegue se contentar com essa 4ª linhagem de jogadores que aqui promovem espetáculos grotescos e sonolentos nos campeonatos locais ?
 
Sim, amigos. A 1ª linhagem joga na Europa A (Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha). A 2ª linhagem joga na Europa B (Rússia, Ucrânia, Letônia). A 3ª linhagem está nos Estados Unidos, China e mundo árabe. A 4ª linhagem está na Globo quartas e domingos. Aliás ninguém aguenta essa transgenia cultural – a falta total de identificação com o povo e a camisa da seleção dos meninos da 1ª linhagem.
 
Como amar o futebol quando mais se mata, rouba, passa fome e não educa ?
 
Se você encontrar alguém com a camisa da seleção ou uma bandeirinha presa no carro, não deixe de lembrar: a Copa do Mundo vem aí. Ligue a televisão e veja o trabalho do banco Itaú que tentou montar o personagem de House of Cards no treinador Tite. Sim, Tite Underwood para cativar uma nação que já não calça mais chuteiras. Antes disso ela clama por justiça e está de saco cheio de tanta hipocrisia, mentiras e perversões.
 
A copa vem aí. E eu com isso?

CNDH critica militarização da resposta humanitária ao fluxo de venezuelanos

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relatório final do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) sobre as violações de direitos contra imigrantes venezuelanos e venezuelanas no Brasil foi aprovado, por unanimidade, na última Plenária colegiado, realizada em Brasília nos dias 9 e 10 de maio.

O documento, além de relatar as violações identificadas, traz um conjunto de recomendações direcionadas à Presidência da República, a diversos órgãos do Executivo Federal e aos poderes locais dos estados e municípios visitados e dos que participam do programa de interiorização acolhendo venezuelanos e venezuelanas. As recomendações são relacionadas principalmente à estratégia de interiorização, à atuação das Forças Armadas, à regularização migratória, ao abrigamento dos imigrantes e à assistência social e ingresso no mercado de trabalho.

O relatório também ressalta a necessidade de atenção específica aos indígenas que têm migrado para o Brasil desde a Venezuela. “A presença de grupos indígenas entre os migrantes não tem recebido a atenção que a situação exige”, ressalta o colegiado, mencionando a legislação internacional ratificada pelo Estado brasileiro para recomendar que as medidas que afetem os indígenas devem ser desenvolvidas com sua participação e consentimento.

De acordo com o CNDH, desde janeiro o fluxo de imigrantes tem aumentado, e as medidas de acolhimento, integração e ações de interiorização ainda se mostram confusas e pouco transparentes.  “O baixo nível de compartilhamento de informações sobre o fluxo migratório, a ausência de diálogo, de apoio técnico, de cooperação e de um trabalho minimamente coordenado, tem como resultado a desassistência aos migrantes e é, em grande parte, responsável pela potencialização de suas vulnerabilidades e pelas violações de direitos humanos”, menciona o relatório.

Sobre as iniciativas já em andamento, o CNDH vê com preocupação a militarização da resposta humanitária ao fluxo de venezuelanos. Por isso, recomenda que o governo brasileiro reavalie esta decisão que, de acordo com CNDH, vai na contramão do que preconiza a Nova Lei de Migração (Lei nº 13.445/17), que é a substituição do paradigma da segurança nacional pela lógica dos direitos humanos. “A adequada acolhida de migrantes envolve aspectos de documentação, abrigamento e acesso a direitos, competências que fogem ao escopo constitucional das funções das Forças Armadas”, destaca o documento do CNDH.

O CNDH também destaca que irá articular, juntamente com os Conselhos Estaduais de Direitos Humanos, os Conselhos Regionais de Psicologia, e demais entidades que se interessarem, uma rede de monitoramento das ações que afetem os imigrantes venezuelanos.

Regularização migratória

O Conselho ressalta, ainda, que a regularização migratória é um passo fundamental para o acesso a direitos. Nas recomendações ao Ministério da Justiça (MJ), solicita que o órgão “garanta o acesso à solicitação de refúgio a todo indivíduo que esteja em território nacional brasileiro, como garantido pela Lei nº 9.474/1997”. Para o Conselho, aos que buscarem o reconhecimento como refugiados, deve ser garantido o direito à solicitação e que o caso seja analisado individualmente e de forma célere. “O CNDH considera que há bases para que o Artigo 1º, III da Lei nº 9.474/1997 seja aplicado no caso do atual fluxo venezuelano, considerando as graves violações dos direitos econômicos e sociais”, sublinha o relatório.

Ainda neste ponto, o CNDH solicita que os Ministérios da Justiça, Trabalho, Extraordinário de Segurança Pública e Relações Exteriores “assegurem aos venezuelanos e venezuelanas a via de regularização migratória de autorização de residência por acolhida humanitária”, conforme previsto na Lei nº 13.445/2017 (Lei de Migração) e no Decreto nº 9.199/2017.

Histórico

O relatório é resultado da missão que o CNDH realizou entre os dias 17 e 26 de janeiro deste ano aos Estados do Pará (Belém e Santarém), Amazonas (Manaus) e Roraima (Boa Vista e Pacaraima) para verificar a situação dos direitos humanos de imigrantes venezuelanos que têm ingressado no território brasileiro solicitando refúgio e residência em decorrência da crise econômica e humanitária estabelecida na Venezuela.

Em fevereiro, logo após a missão, o CNDH aprovou recomendação com medidas emergenciais a serem adotadas pelo Estado brasileiro, como a instalação de um Gabinete Emergencial de Gestão Migratória, composto pelo governo federal e governos estaduais e municipais envolvidos na acolhida das venezuelanas e dos venezuelanos no país.

Acesse aqui o relatório na íntegra

Os caminhões de Carille e a imprensa

Por Alberto Helena Jr.

Posso entender a frustração que deve ter se apossado do nosso querido Carille quando viu passar diante de sua casa o comboio de caminhões cheios de petrodólares para descarrega-los na varanda do murruga ali da esquina – ó, raios!

Mas, daí a descarregá-la sobre a imprensa que noticiou a probabilidade de ele ser o destinatário desse presente vai uma distância igual à percorrida de Riad, na Arábia Saudita, à Zona Leste de São Paulo até chegar em Lisboa.

Chego a essa conclusão, sobretudo, depois de ver o pai de Carille na televisão declarando que o filho havia lhe dito que a proposta árabe era simplesmente irrecusável. Quer dizer, então, que havia, sim, uma proposta. E que Carille estava ciente dela a ponto de comentá-la com ninguém menos que seu próprio pai. Portanto…

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A imprensa brasileira comete barbaridades, é verdade. Não só na manipulação das informações como no trato verbal que se lhes dá. Neste campo, então, comete atrocidades a cada instante, assemelhando-se às que se repetem sem fim nas escolas americanas, onde não só trucidam o idioma e o conhecimento em geral como também vidas inocentes.

A bem da verdade, ainda neste domingo, lendo a coluna do incomparável Janio de Freitas, na Folha, que dava um toque a respeito, confirmava comigo mesmo que o jornalismo praticado hoje em dia pouco tem a ver com aquele que aprendi nas redações do meu tempo – e lá já se vão mais de sessenta anos de ininterrupta atividade nesse ofício (comecei muito garoto, com 15 anos, diga-se).

O mundo deu voltas, a TV tomou conta da cena jornalística promovendo o showrnalismo e abrindo espaços pra qualquer celebridade, seja ou não um profissional do ramo. Em seguida, veio a Internet e suas redes sociais, espaço mágico em que qualquer um pode opinar a respeito do que quiser sem a necessária formação técnica e ética pra tanto – o que, se de um lado abre espaço para a opinião pública se manifestar diretamente, sem freios, de outro pode também conduzir a equívocos irrevogáveis.

A tal da última flor do Lácio inculta e bela do poeta reduziu-se a meras cinquenta palavras e um farto dicionário do idioma do Império, que, dentro de duas gerações, no máximo, será língua oficial deste país, belo e inculto até a raiz.

Mas, não me parece seja o caso presente. Aqui, a imprensa noticiou um fato que era evidente para todas as partes envolvidas. Fato que se alterou nas últimas horas, provocando a ressentida declaração de Carille, que, a estas alturas já deve estar arrependido do que disse depois do empate do Corinthians com o Sport, em Recife, por 1 a 1.

Como se diz por aí, faz parte, meu.

Herói alemão de 2014 está fora da Copa do Mundo da Rússia

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Herói do tetracampeonato mundial da Alemanha, Mario Götze não poderá repetir o feito que conseguiu ao marcar o gol da final na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Isso porque o jogador não está na lista de convocados do técnico Joachim Löw para o torneio deste ano, situação que deixou o meia bastante chateado logo após o anúncio oficial do comandante.

“Claro que estou triste por não estar presente na convocação para defender meu país na Copa do Mundo. Mas farei tudo o que puder para conseguiu voltar ao time da nossa equipe nacional. Eu desejo que os jogadores, que os treinadores e toda a equipe tenha sucesso na Rússia. E estarei a todo momento apoiando e torcendo para que todos sejam campeões do mundo”, afirmou o jogador em sua conta oficial no twitter.

Outro que ficou desapontado com a lista de Löw foi o atacante Sandro Wagner, do Bayern de Munique. O atleta se mostrou extremamente incomodado por não poder integrar o grupo de jogadores para o Mundial na Rússia. “Eu renuncio imediatamente à seleção nacional. Para mim, é muito claro que eu não pareço me encaixar com a comissão técnica do meu jeito: sempre aberto, honesto e direto para lidar com as coisas”.

Como resposta, o técnico Löw afirmou que entende a reação do atleta, mas que pensa que não foi a mais adequada para o momento. “Eu posso entender um pouco que ele esteja desapontado. Eu apenas acho sua reação um tanto quanto exagerada. Todo mundo que nos conhece sabe como sempre encorajamos os jogadores a falar, serem abertos e honestos e também a serem críticos. Essas coisas são muito importantes para nós”.

A seleção da Alemanha estreará na Copa do Mundo no dia 17 de junho, domingo, diante da equipe do México. Seis dias depois, os atuais campeões do mundo encaram a Suécia,e fecham a participação na fase de grupos no dia 27, contra a Coréia do Sul.

Seleção analisa adversários e começa a receber os convocados

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A comissão técnica chefiada por Tite iniciou neste domingo os trabalhos na Granja Comary voltados à Copa do Mundo da Rússia. Na véspera de receber 17 dos 23 convocados, entre eles o atacante Neymar, o treinador estudou a Costa Rica, segundo adversário do Brasil no torneio.

Com a finalidade de potencializar a análise dos concorrentes, a CBF distribuiu a missão de estudar as seleções entre os analistas dos clubes da Série A em 2017. Os profissionais do Avaí, responsáveis por esmiuçar a Costa Rica, estiveram na Granja Comary neste domingo.

Ricardo Henry Duarte, chefe do departamento de análise no clube catarinense, e Vinícius Frason passaram a tarde falando sobre o time da América Central. O confronto entre Brasil e está marcado para as 9 horas (de Brasília) do dia 22 de junho, em São Petersburgo.

Durante a semana, os analistas de Grêmio e Sport, encarregados da observação de Suíça e Sérvia, respectivamente, também estarão na Granja Comary. A Seleção permanece em Teresópolis até o próximo domingo, data em que embarca para a Inglaterra.

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APRESENTAÇÃO

A Seleção Brasileira começou a chegar na Granja Comary, em Teresópolis, para iniciar a preparação para a Copa do Mundo da Rússia. Logo às 7h20 (de Brasília), o zagueiro Marquinhos, do PSG, chegou ao local, onde Tite e sua comissão já estão desde o domingo, sendo o primeiro atleta a se apresentar na concentração. Além do defensor, o lateral-esquerdo Filipe Luís, do Atlético de Madrid, e o volante Fred, do Shakhtar Donetsk, também já estão no local, que deve receber mais 14 atletas ainda hoje.

Até as 14h desta segunda a expectativa é de cheguem mais 13 atletas, além do goleiro Cássio, esperado na parte da noite. Na terça-feira, o grupo recebe mais três convocados: Alisson, Philippe Coutinho e Miranda. Dessa forma, só restarão os três jogadores que estarão envolvidos na decisão da Liga dos Campeões da Europa e só devem se apresentar no dia 28, já em Londres: Marcelo, Casemiro e Roberto Firmino. Entre segunda e terça-feira, a expectativa é de que os jogadores passem por todas sessão de exames e avaliações físicas e médicas. (Da Gazeta Esportiva)

A “loucura” do Serrano, um clube centenário resgatado por um jornalista

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Por Diogo Magri, no El País

“Cobri três Olimpíadas e duas Copas do Mundo. E daí? O que eu fiz pela minha cidade?”. A pergunta é de Eduardo Monsanto, jornalista, apresentador e narrador dos canais ESPN e natural de Petrópolis, cidade do interior do Rio de Janeiro. Além das ocupações na profissão que escolheu, ele também preside, há dois anos, a Frente Azul, um grupo de gestão esportiva responsável pelo clube de futebol da sua cidade, o Serrano FC. Ao ver o time comemorar seu centenário, em 2015, sem condições financeiras de disputar nenhum campeonato profissional, a Frente assumiu em 2016 o compromisso de, em cinco anos, entregar um clube viável economicamente, disputando alguma competição nacional e na primeira divisão do Estadual.

Ousado, o projeto já apresenta resultados em sua terceira temporada: a equipe iniciou neste sábado, contra o Duque de Caxias (ganhou 1×0), a disputa da segunda divisão carioca com a expectativa de brigar pelo acesso e conquistar uma vaga na Copa Rio, campeonato que dá vaga à Série D nacional e à Copa do Brasil.

O risco de acabar existia em 2015. No ano de seu centenário, o Serrano não tinha condições financeiras de disputar nenhuma competição profissional. No mesmo ano, Dudu Monsanto fez um curso de gestão técnica na Universidade do Futebol. Para o trabalho de conclusão de curso, precisava traçar um planejamento estratégico para um clube real ou fictício. “Decidi que escolheria o Serrano”, explica. “E, no final, achei tão bom que [para aplicá-lo à vida real] era questão de reunir as pessoas certas”. Entre as “pessoas certas” estavam gerentes de futebol, advogados e publicitários com o desejo em comum de não deixar o Serrano falir.

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A relação com a diretoria ao querer assumir o clube foi tranquila uma vez esclarecidas as intenções da Frente Azul. “Os grupos gestores normalmente querem usar o clube como vitrine no futebol. Quando fomos conversar com o presidente [Alexandre Beck, que está no cargo desde 2007], explicamos que não queríamos nada em troca”. Feito o acordo, o primeiro passo foi um crowdfundingcom o lema “Camisa com história não morre”, que levantou 52.000 reais na venda de camisas, chaveiros, canecas e outros itens – “tudo bancado do meu bolso”, explica Monsanto –, fundamentais para que o primeiro passo, a reforma da arquibancada do estádio Atílio Marotti, então vetado pela Federação, fosse executada. “Mas não foi o suficiente. Tínhamos que melhorar o gramado, regularizar os jogadores e confirmar para a Federação que jogaríamos a terceira divisão até a primeira semana de abril [cerca de um mês depois do início do projeto]”, afirma Monsanto. “Mesmo sem o dinheiro, o momento era aquele. Eu tinha uma quantia guardada para comprar um carro novo e resolvi desistir dele. Minha mulher queria me dar um tiro, com razão. No primeiro ano, coloquei uns 80.000 reais do meu bolso. Foi loucura”.

Loucura recompensada

Em março a campanha começou, em abril o clube confirmou que jogaria a terceira divisão e, em setembro, o Serrano havia subido para a segunda divisão do Rio. No dia 4 daquele mês, uma vitória nos acréscimos contra o Duquecaxiense deu o acesso automático aos azuis de Petrópolis. O estádio foi reaberto já no segundo turno, depois de mais de um ano sem ser utilizado, momento que Eduardo Monsanto considera “emocionante”. “Imagina aqueles que só torcem para o Serrano. Imagina ficar mais de um ano sem ver seu time? Os caras entravam chorando. O futebol só é o que ele é por causa das pessoas”. Ele ainda cita como o aspecto humano do esporte o motiva a fazer uma boa gestão. “Já recebemos contatos de agentes que perguntaram quanto é para botar jogador no time. O futebol é um meio podre e com pouca gente séria. ‘Todo lugar é assim’, disse o agente. Aqui não é ‘todo lugar’”.

O segundo ano começou com maior orçamento, mas maiores dificuldades dentro de campo. O Serrano chegou ao sexto jogo, contra o último colocado, São Cristóvão, com quatro derrotas e um empate, ameaçado pelo rebaixamento. “Se a gente perde aquele jogo, eu ia ter que sair. Foi a quase ruptura. Ganhamos, de virada, com um pênalti aos 46 do segundo tempo”, conta. A ocasião foi, também, um teste para Marcelo Olimpio, que treina o Serrano desde o início da gestão de Dudu Monsanto e sofria pressão para ser demitido após a sequência negativa. “Se ele era bom para subir conosco, por que não seria mais agora? Trouxemos um treinador mais experiente [Wellington Fajardo, que disputou o Mineiro com a Patrocinense] para dar uma consultoria e ele nos ajudou com algumas impressões. Mudamos o esquema, ganhamos alguns jogos e terminamos brigando pelo acesso [apesar de não subir]”. Para a série B de 2018, segundo Monsanto, a ideia é manter o padrão que ditou o ano passado, com uma defesa forte e aposta na bola parada. “Não dá para aplicar o [método do] Guardiola em um gramado como o nosso”.

“Isso vale mais que um título”

Assim como a relação de confiança com o treinador, Dudu Monsanto também mantém contato com os jogadores e viaja para acompanhar o time sempre que os compromissos na emissora em que trabalha permitem. Do relacionamento com um elenco que, por necessidade financeira, tem como base jovens jogadores da cidade e medalhões sem clube, brotaram vínculos além do gramado nos três anos de gestão da Frente Azul. Um deles é com Marcelo Macedo, atacante revelado pelo Fluminense que passou por FlamengoAtlético-PR, Guarani, Coreia do Sul, México e Grécia. Antes de começar a terceira divisão, em 2016, Monsanto ligou para o jogador ao constatar que não tinha o camisa 9 que precisava no time titular. ‘Marcelo, preciso de alguém para fazer gol’. O jornalista explica que Marcelo é natural de Petrópolis e que o sonho do pai dele era ver o atleta jogando pelo Serrano. “Ele veio, com 33 anos, ganhando apenas 500 reais para tomar banho frio e jogar em gramado ruim”. O atacante acabou sendo uma referência para os garotos da equipe, segundo Dudu, e fez o gol de pênalti no jogo do acesso para a segunda divisão. “Nada me emocionou mais do que ver aquela bola entrar”, afirma o líder do projeto.

Outro caso é o de Roberto Lopes, volante que já passou por Vitória, Ceará e Vasco. “O Roberto era um cara que, quando chegou, acertou a equipe. Mas aí, ele recebeu uma proposta de emprego para trabalhar em um supermercado e cuidar do time de futebol local, já com 34 anos. Falei: ‘Roberto, aceita’. Ficaríamos fodidos sem ele, mas penso no futuro do cara”, conta Monsanto, lembrando ainda a história de Garrincha, que, poucos sabem, teve no Serrano sua primeira experiência como jogador profissional. “Em 1951, ele passou dois meses aqui. Mas morava no pé da serra e tinha que pegar trem todo dia, então logo se cansou”.

Por último, o caso de Arthur, lateral-esquerdo reserva. “Arthur tinha 18 anos quando começou com a gente, em 2016. Em uma semana de treino, ele faltou vários dias seguidos, até descobrirmos através do pai que ele tinha sido preso por tráfico de drogas”. Quando saiu, já havia perdido o prazo de inscrição para o campeonato, mas o clube fez questão que o jogador continuasse treinando com o grupo. “Era um menino muito bacana. Em 2017, voltou e foi aproveitado, porque não queríamos que ele se metesse com aquilo de novo”. Entre as últimas rodadas, ele assumiu a posição após uma lesão do titular. No jogo decisivo, precisando ganhar do Olaria para ir às semis, o Serrano, com Arthur jogando, só empatou. “Desci ao campo para cumprimentar os jogadores e, quando encontro o Arthur, ele fala: ‘Dudu, desculpa’”, conta o gestor. “Desculpa? Desculpa por quê? Você está aqui honrando seus companheiros, sua família, seu nome”. Como insiste em ressaltar, Monsanto gosta de priorizar o lado humano ao invés do resultado no placar. “É o que eu procuro no futebol. Vale mais que um título”.

Milhares de argentinos pedem a liberdade de Lula em ato cultural

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De Mídia Ninja

Em uma noite memorável, milhares de pessoas se reuniram na Plaza de Mayo, em Buenos Aires, para protestar pela liberdade de Lula e por justiça por Marielle Franco. Lula é mantido preso político há 42 dias na sede da Polícia Federal em Curitiba, após ser vítima de um processo ilegal e sem provas, midiático e comandado por um juiz acusado de parcialidade. Marielle Franco foi executada há 67 dias por lutar pelos direitos das mulheres, da população negra, favelada e LGBT. Os dois são lideranças simbólicas na América Latina e no mundo.

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Artistas, intelectuais, pensadores, ativistas e a povo argentina se somaram nesta noite histórica para contar ao mundo sobre a importância de dois líderes vítimas da injustiça. “Seguiremos lutando, do Brasil para a Argentina, da América Latina para o outro lado do mundo, até Lula estar livre”, cantavam artistas e espectadores.

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Um empate que caiu do céu

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POR GERSON NOGUEIRA

Em quantidade decepcionante para o seria uma nova festa pela conquista da Copa Verde, a torcida do Papão parecia estar prevendo que o jogo seria complicado e angustiante. Ao longo da primeira etapa, só deu São Bento, que desfilou em campo, ditando o ritmo e movimentando-se à vontade. Chegou ao gol logo aos 14 minutos e teve mais três boas chances para ampliar. O 2º período foi mais parelho. O PSC melhorou a partir dos 30 minutos e achou o empate em cobrança de pênalti aos 46 minutos.

Assim que a bola rolou, perante 6 mil espectadores, o São Bento partiu para a ofensiva. Diogo Oliveira, Dudu Vieira, Doriva e Walterson eram os jogadores mais envolvidos na busca pelo gol. Walterson queimou a primeira chance logo aos 9’, após tabelinha na área com Dudu. A defesa alviceleste, apática e lenta, apenas observava.

As facilidades eram tantas que, aos 14’, Diogo Oliveira recebeu um passe junto ao bico esquerdo da área e só teve o trabalho de definir o canto. Mandou um chute cruzado, de curva, fora do alcance de Renan Rocha. Pra variar, a zaga cochilou de novo.

Com o estreante Carlinhos na ala esquerda e o retorno de Maicon Silva pela direita, o Papão se ressentia de marcação mais firme pelos lados. Na frente, Thomaz tentava fazer a aproximação com Cassiano e Claudinho mas falhava nos passes curtos, para irritação da torcida.

Depois do gol, o setor defensivo do PSC ficou ainda mais exposto pela necessidade de subir ao ataque. Aos 19’, Diogo Oliveira, movimentando-se bem na intermediária, recebeu excelente passe de Walterson e bateu rasteiro para defesa arrojada de Renan Rocha.

O próprio Walterson, aproveitando a avenida deixada por Maicon Silva, esteve a pique de fazer o segundo gol, chutando à direita de Rena. Num reflexo da atrapalhada atuação do PSC, o primeiro arremate perigoso em direção ao gol foi de Thomaz aos 37’, com a bola saindo rente ao poste do gol sorocabano.

Para tentar mudar a fisionomia do time, Dado Cavalcanti tirou Perema e botou Pedro Carmona em campo. Manteve a linha de três zagueiros, recuando Renato Augusto para ficar ao lado de Edimar e Diego Ivo. Funcionou por alguns minutos, fazendo com que pela primeira vez no jogo o PSC desse sinais de que podia equilibrar as ações.

O problema é que Carmona voltou a sentir a lesão. Em gesto ousado, Dado lançou o estreante Ryan Williams. Moisés já estava em campo, substituindo Carlinhos. Ryan ficou no meio e Moisés caiu pela esquerda, ajudando Cassiano a de vez em quando pegar na bola, coisa que praticamente não aconteceu na primeira etapa.

Antes de deixar o campo, Diogo Oliveira quase fez 2 a 0, batendo forte e cruzado para defesa de Renan Rocha, que tocou com os dedos e desviou a bola para escanteio. O São Bento decidiu então se acautelar, mantendo apenas o atacante Zé Roberto na frente e esperando o PSC em seu campo.

Empurrado pela torcida, o Papão ficou insistindo com bolas cruzadas, sem sucesso, até que um lançamento na área tocou no braço do lateral Everton Silva. Cassiano bateu, o goleiro defendeu parcialmente e a bola entrou, aos 46’. Um empate sofrido, mas importante pelas circunstâncias do jogo. (Foto: Fernando Torres/Ascom PSC)

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Leão entrega o ouro em casa e despenca na tabela

Foi um exagero, mas o futebol pune a imperícia. Os três gols do Confiança aconteceram de maneira fulminante, entre os 25 e os 46 minutos do 2º tempo, justo quando o Remo era muito mais presente no ataque e criava situações de perigo para a retaguarda sergipano. O placar acachapante construído nos 21 minutos finais não o que foi o jogo, bastante equilibrado até o primeiro gol, mas demonstra que, ao contrário dos azulinos, os visitantes foram competentes no aproveitamento das chances criadas.

E chance não faltou aos azulinos. No primeiro tempo, Isac, Elielton, Jaime e Dudu perderam erraram finalizações diante do goleiro Genivaldo. É bem verdade que, antes de o Remo se estabilizar na partida, o Confiança rondou o gol de Vinícius em várias ocasiões.

O goleiro azulino impediu o primeiro gol logo aos 2 minutos, quando Diogo entrou pela esquerda e bateu cruzado. Iago perdeu duas chances claras e Raí bateu de fora da área, tirando tinta do poste direito remista. Aos poucos, depois do mau começo, o Remo foi se erguendo e a partir dos 20 minutos passou a comandar a partida.

Na etapa final, Givanildo trocou Jefferson Recife (contundido) por Levy, mas manteve Isac, mesmo sob os protestos da torcida. Depois, substituiu Elielton por Gabriel Lima. Com Levy, mesmo improvisado, o Remo aumentou a pressão pela esquerda em busca do gol. Ao mesmo tempo, cedia espaços para triangulações e saída rápidas do Confiança.

E, quando mais insistia no ataque, a casa caiu. Aos 25’, em contragolpe bem tramado que envolveu a defensiva azulina, a bola chegou a Léo Ceará. Ele chegou disparando um chute forte da entrada da área, aproveitando a hesitação de três defensores do Remo.

No desespero, Givanildo finalmente tirou Isac e lançou Eliandro. Apesar dos esforços, faltava jeito e organização para impor uma reação. Quando ainda buscava assimilar o golpe, nasceu o segundo gol – na verdade, um golaço de Everton, pegando na veia e sem defesa para Vinícius, aos 37’.

O terceiro gol (Bruno Maia contra) saiu nos acréscimos, em consequência do desespero azulino em tentar pelo menos diminuir a diferença.

A história final poderia ter sido outra, mas o fato é que o Remo, mesmo obtendo boa vitória em João Pessoa na rodada passa, insiste no equívoco de usar um 4-3-3 sem qualidade e força no meio-campo. Além de deixar a zaga vulnerável, a falta de criatividade e de alternativas de aproximação não permite que o ataque funcione como deveria.

Isac, Elielton e Jaime dificilmente alcançarão o encaixe suficiente para que o tridente seja agressivo e eficiente. Pesam diferenças de característica e a má fase do centroavante, cuja persistência não é recompensada com gols. Eliandro, que jogou por 20 minutos ontem, deveria ser mantido até para que Isac seja preservado e possa se recondicionar.

Ainda há muito por acontecer na Série C, mas, com tantos percalços, o Remo periga ficar emparedado nas cercanias da zona de queda, jogando sempre sob muita pressão. O cenário é cada vez mais preocupante.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)