A frase certeira

“Não considero como um ataque de Grondona. Eu mesmo dei a camisa 10 a Messi [quando foi treinador da seleção]. Pela primeira vez nós concordamos em algo. Acho que dessa vez Grondona tomou o remédio certo. Messi é um bom garoto e tem talento. Se continuar assim, certamente será o melhor camisa 10 da Argentina”.

De Diego Maradona, em resposta à declaração de Julio Grondona (AFA) elegendo Messi como melhor camisa 10 argentino.

Um pequeno balanço

Para não perder o hábito ortodoxo de tentar de organizar o que é naturalmente caótico, dedico aqui algumas linhas a um inventário breve da temporada que hoje finda. Em primeiro lugar, ao contrário do nosso malfadado futebol, com seus dirigentes aloprados e vocação para o erro, não posso reclamar de 2010. Foi um ano profissionalmente instigante em vários aspectos. O principal motivo de satisfação para este escriba baionense foi a consolidação do jornal que dirijo como o mais lido e influente da região Norte. Com método e inventividade, o DIÁRIO se estabilizou no âmbito do planejamento para a temporada, empenhando-se sempre em chegar aos corações e mentes do leitorado. Esforço recompensado: os números da pesquisa Ibope de dezembro de 2010 confirmam, pelo quinto ano consecutivo, a liderança absoluta e insofismável de mercado e a plena aprovação da opinião público ao nosso projeto editorial. 

Para quem já havia empreendido uma luta quase insana para conceber um formato essencialmente popular de TV no Pará, cujo principal artefato foi o pioneiro “Barra Pesada” (programa idealizado no final de 1990 e lançado em fevereiro de 1992) na TV RBA, a obsessão em praticar um jornalismo de qualidade dirigido ao grande público se corporifica no DIÁRIO atual. Um matutino de desenho gráfico arrojado, linha editorial clara e objetivo prioritário de noticiar o Pará e a Amazônia como nenhum outro jornal paraense jamais ousou. A receita é certeira: competência de uma equipe que mescla experiência e juventude aliada à maturidade de seu jovem presidente, Jader Barbalho Filho, inovador nas ações administrativas e tão vigilante à apuração dos fatos quanto qualquer operário da Redação. A impecável (e diferenciada) cobertura das eleições estaduais, com caderno exclusivo, atestam o compromisso do jornal com a seriedade.  

Impossível não elencar entre as grandes vitórias do ano a cobertura da Copa do Mundo pelo DIÁRIO e da Rádio Clube. Ao lado dos companheiros Geo Araújo, Giuseppe Tomaso e Valmir Rodrigues, integrei orgulhosamente a única equipe nortista presente à África do Sul. Os resultados de campo frustraram a todos, mas nosso trabalho foi aprovado publicamente pelos leitores e ouvintes. Cumprimos as metas que estavam ao nosso alcance. Dunga, Felipe Melo, Robinho & cia., infelizmente, não. Muito além dos infortúnios do escrete, tivemos a alegria abençoada de desbravar um país desconhecido. Impossível ficar indiferente aos encantos da terra de Mandela. Rica nos bens naturais e na incoerência, generosamente bela nas diferenças. Conheci cidades majestosas, convivi com gente de fino trato. Não há preço para isso.  

Por fim, cabe um ligeiro capítulo sobre as conquistas de natureza pessoal. Além do privilégio de acompanhar o crescimento de meus dois filhotes, Pedro e João, posso afiançar que a alegria de rever Paul McCartney ao vivo no Brasil só perdeu, em emoção, para a tocante reunião de irmãos Nogueira em torno da formatura de minha querida sobrinha Joyce. O bom da vida está, afinal, nesses encontros. Graças a Deus.

 

Feliz e próspero 2011 a todos os parceiros deste libertário espaço de convivência.

Imagens do mico do ano

Nas fotos de Mário Quadros, o retrato explícito de um dos piores dias vividos pela fiel torcida alviceleste. O que estava programado para ser uma festiva e carnavalesca manhã de outubro transformou-se em pesadelo a céu aberto. Na Curuzu lotada, o modestíssimo Salgueiro desfila brio e coragem para reverter o favoritismo do mandante e subir à Série B. Ao Paissandu, desorganizado, frouxo e apático, restou juntar os cacos e buscar os bodes expiatórios – até hoje incertos, apesar das desconfianças da torcida.

Coluna: Outra temporada perdida

O futebol paraense não tem, rigorosamente, o que comemorar do ano que termina aqui. A temporada foi marcada pelo insucesso, ao contrário de 2009, quando pelo menos o S. Raimundo conquistou o título do Brasileiro da Série D. Desta vez, nem isso. Fiascos de diferentes quilates recobriram a participação de Paissandu, Águia, São Raimundo, Remo e Cametá nas competições nacionais.
Sem considerar o fato de que já estamos no limbo futebolístico, nossos representantes primaram pela inadequação de elencos, despreparo de gestão e fragilidade técnicas nas horas decisivas. Paissandu e Águia chegaram muito perto da ascensão à Série B, mas tombaram na semifinal do torneio.
No caso alviceleste, a frustração foi muito maior. Em plena Curuzu, sob um sol de verão, o time jogava por um empate sem gols contra o Salgueiro, mas acabou derrotado de virada. Pior que isso: subjugado por adversário modesto, sem tradição ou jogadores de renome.
O maior rival não ficou longe disso, embora disputasse divisão inferior. Depois de campanha caótica, naufragou diante de adversário igualmente inexpressivo, depois de alimentar as ilusões do torcedor ainda agastado pela temporada sem divisão em 2009. 
Exemplos de clamoroso insucesso que devem servir de alerta para os clubes paraenses, cuja distância em relação aos vizinhos maranhenses e amazonenses diminui perigosamente a cada janeiro. 
 
 
Apesar da aparência de filme velho, a realidade é dura e cruel na Curuzu. O Paissandu está à deriva, entregue à própria sorte. Se a ausência de autoridade já se manifestara de maneira grave nos dois últimos anos, comprometendo a vida administrativa do clube, agora chegou ao limite máximo. Não há quem possa decidir sobre rigorosamente nada, seja assinatura de cheques ou programação de treinos.
Atestado desse vazio de poder é a esdrúxula folga concedida ao técnico Sérgio Cosme para passar o Ano Novo no Rio de Janeiro, com retorno previsto – não confirmado – para o dia 2 de janeiro. Em função da falta de informações oficiais, pipocam especulações quanto à data exata da volta do treinador. Há quem garanta, inclusive, que ele pode estar se desligando do clube.
Mais preocupante é o fato de Cosme ter feito somente dois mini-coletivos antes de partir, deixando atrás de si a indefinição quanto ao time que estréia no dia 5 de janeiro no torneio internacional de Paramaribo. O Paissandu, pela inação de seus dirigentes, insiste em trilhar caminhos tortuosos. O torcedor, velho herói da resistência, merece mais respeito.  
 
Aos amigos e companheiros de viagem, um feliz e produtivo ano novo, com saúde e garra. Este escriba baionense dá uma ligeira trégua ao leitor, retornando com a coluna no próximo dia 10.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 31/12)

Para Grondona, Messi é melhor que Maradona

Do G1

A relação entre o presidente da Associação de Futebol Argentino, Julio Grondona, e Diego Maradona nunca foi muito boa. E depois desta quinta-feira tende a piorar. Tudo por conta de uma polêmica declaração do dirigente a uma rádio local. “Messi, Maradona, Riquelme e Verón são de outro planeta, mas Messi é o melhor camisa 10 da história do futebol argentino”, disparou Grondona.

Na semana passada, o eterno ídolo do futebol argentino afirmou que iria processar o Grondona por espalhar falsas informações sobre seus problemas com álcool e drogas. Maradona teria chamado o dirigente, um dos responsáveis diretos pela sua demissão do comando da seleção argentina após a Copa do Mundo, de “gagá”.

Isso não vai acabar bem. El Pibe não vai deixar barato.

Portuguesa quer levar técnico do Remo

Depois de ter sido sondado pelos dirigentes do Grêmio Prudente, o técnico Paulo Comelli agora é assediado pela Portuguesa (SP). Os dois clubes disputarão a Série B no próximo ano. A direção do Remo manifesta tranquilidade, pois o treinador garantiu que fica no Evandro Almeida para a temporada 2011. (Com informações de Geo Araújo/Rádio Clube)

A frase do dia

“Não está correto passar de uma família para outra. Não será uma traição? Se eu estivesse nessa situação, nunca o faria, certamente. Estive muitos anos no Milan e era feliz. Creio que até os responsáveis da Inter tem esta forma de pensar”.

De Marco Van Basten sobre Leonardo, que assumiu o comando técnico da Internazionale depois de ser ídolo do Milan

Setubal: Lula é maior presidente da história

Por Guilherme Barros (iG)

Em setembro de 2002, durante a tradicional reunião anual do FMI, o banqueiro Roberto Setubal, presidente do Itaú, surpreendeu a toda a plateia, formada pelos maiores financistas do mundo, quando disse que Lula não só iria ganhar a eleição, como não seria nenhum problema para o Brasil. Hoje, oito anos depois, ao encerrar o segundo mandato, Setubal diz ao iG que Lula superou as próprias expectativas, que já eram bastante otimistas em relação ao seu governo. O banqueiro lembra que, quando declarou que não havia razão para se temer o governo Lula, fez-se um absoluto silêncio na plateia, como se ninguém acreditasse que um banqueiro poderia fazer tal tipo de afirmação.

Havia uma enorme desconfiança no mercado em relação ao Lula, o medo era generalizado e não se poderia imaginar jamais que um banqueiro, que sempre teve seu nome ideologicamente associado aos tucanos, pudesse declarar apoio (não foi o voto) a Lula. Setubal diz que ele tinha preparado uma apresentação cheia de gráficos e números para aquela tarde, em Washington, mas decidiu falar de improviso.

“O mercado estava exagerando nas incertezas. O que eu disse é que o Lula era um cara centrado, pragmático e não ideológico, como as pessoas diziam. Depois, o Lula já tinha escrito a Carta aos Brasileiros e tudo o que ele queria era o bem do país.” Setubal diz que Lula foi muito além do que ele imaginava.

Lula foi o maior presidente da história do país”, diz Setubal. Segundo o banqueiro, a grande diferença entre Lula e Getúlio Vargas, tido até então como o maior presidente da história, é a de que Lula foi eleito democraticamente, o que, para Setubal, faz uma enorme diferença. Setubal faz questão de dizer que o Brasil também teve outros grandes presidentes, como Juscelino Kubitschek e Fernando Henrique Cardoso, que sempre terão, certamente, um lugar diferenciado na história.

Entre as grandes qualidades de Lula, Setubal ressalta a sua capacidade de entender todos os ângulos dos problemas brasileiros e de encaminhar as soluções mais realistas para eles. “A sensibilidade de Lula para entender os problemas do Brasil é impressionante. Ele entende o Brasil como ninguém.”

A grande conquista de Lula, na opinião de Setubal, foi a melhor distribuição de renda do país. “Depois de muitos anos de piora da situação da distribuição de renda no país, veio o Plano Real e começou a  melhorar a situação, mas foi no governo Lula que houve mesmo um avanço.”

Setubal diz que “Lula, que veio de onde veio, dos níveis sociais mais simples da sociedade, assumiu a presidência sem manifestar nenhum rancor em nenhum momento e, com seu pragmatismo, contribuiu para a sociedade e para o sucesso do país.” Setubal se diz otimista com o governo Dilma Rousseff.

“As perspectivas são muito positivas, há claramente na política econômica um sinal de continuidade, e isso é muito bom”, afirma. “O Brasil terá anos muitos bons pela frente”. Para Setubal, a palavra chave do próximo governo será infraestrutura. A seu ver, essa será a prioridade do novo governo. O país tem problemas nessa área e precisa de investir maciçamente em infraestrutura.