Coluna: Outra temporada perdida

O futebol paraense não tem, rigorosamente, o que comemorar do ano que termina aqui. A temporada foi marcada pelo insucesso, ao contrário de 2009, quando pelo menos o S. Raimundo conquistou o título do Brasileiro da Série D. Desta vez, nem isso. Fiascos de diferentes quilates recobriram a participação de Paissandu, Águia, São Raimundo, Remo e Cametá nas competições nacionais.
Sem considerar o fato de que já estamos no limbo futebolístico, nossos representantes primaram pela inadequação de elencos, despreparo de gestão e fragilidade técnicas nas horas decisivas. Paissandu e Águia chegaram muito perto da ascensão à Série B, mas tombaram na semifinal do torneio.
No caso alviceleste, a frustração foi muito maior. Em plena Curuzu, sob um sol de verão, o time jogava por um empate sem gols contra o Salgueiro, mas acabou derrotado de virada. Pior que isso: subjugado por adversário modesto, sem tradição ou jogadores de renome.
O maior rival não ficou longe disso, embora disputasse divisão inferior. Depois de campanha caótica, naufragou diante de adversário igualmente inexpressivo, depois de alimentar as ilusões do torcedor ainda agastado pela temporada sem divisão em 2009. 
Exemplos de clamoroso insucesso que devem servir de alerta para os clubes paraenses, cuja distância em relação aos vizinhos maranhenses e amazonenses diminui perigosamente a cada janeiro. 
 
 
Apesar da aparência de filme velho, a realidade é dura e cruel na Curuzu. O Paissandu está à deriva, entregue à própria sorte. Se a ausência de autoridade já se manifestara de maneira grave nos dois últimos anos, comprometendo a vida administrativa do clube, agora chegou ao limite máximo. Não há quem possa decidir sobre rigorosamente nada, seja assinatura de cheques ou programação de treinos.
Atestado desse vazio de poder é a esdrúxula folga concedida ao técnico Sérgio Cosme para passar o Ano Novo no Rio de Janeiro, com retorno previsto – não confirmado – para o dia 2 de janeiro. Em função da falta de informações oficiais, pipocam especulações quanto à data exata da volta do treinador. Há quem garanta, inclusive, que ele pode estar se desligando do clube.
Mais preocupante é o fato de Cosme ter feito somente dois mini-coletivos antes de partir, deixando atrás de si a indefinição quanto ao time que estréia no dia 5 de janeiro no torneio internacional de Paramaribo. O Paissandu, pela inação de seus dirigentes, insiste em trilhar caminhos tortuosos. O torcedor, velho herói da resistência, merece mais respeito.  
 
Aos amigos e companheiros de viagem, um feliz e produtivo ano novo, com saúde e garra. Este escriba baionense dá uma ligeira trégua ao leitor, retornando com a coluna no próximo dia 10.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 31/12)

3 comentários em “Coluna: Outra temporada perdida

  1. Safra prejudicada pelas interferências atmosférica, além da péssima qualidade de sementes empregadas no cultivo. Colhe-se o que se planta. Sabedoria popular.

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  2. Discussão amiude no Paysandu é a frequente ausencia do pte. Luis Omar. Houvesse alguem com poder decisao seria o bastante. O celular ajuda mas não resolve tudo.

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  3. PIOR é que não vejo nenhuma luz no fim do túnel.
    DO LADO remista, se não se extirpar de vez um dos cânceres chamado ‘dívida’, tudo que se fizer agora será apenas um paliativo, um ‘engana-bobo’. HÁ outros – a falta de profissionalismo, a falta de transparência de gestão etc etc – mas, extirpando-se um câncer por vez já é um começo.
    FELIZ ano de 2011.

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