A frase do dia

“Dilma carregava o germe da legalidade que continha a semente de sua própria destruição. Gabriel García Márquez usou esta imagem para falar da queda de Allende. Mas vale para a presidente deposta pelo maior exército de vigaristas já reunido no país também sob os auspícios da CIA”.

Palmério Dória, jornalista e escritor

Uma opção conservadora

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POR GERSON NOGUEIRA

De todos os nomes cogitados para dirigir o Remo, Givanildo Oliveira é de longe o que mais conhece os arraiais azulinos, mesmo estando afastado do Evandro Almeida há vários anos. Dos técnicos em atividade, o pernambucano é o que treinou o time por mais vezes – quatro. Este detalhe foi decisivo em sua contratação, além, obviamente, da reconhecida competência e do currículo vitorioso.

O retrospecto como técnico do Remo é positivo, com 61% de aproveitamento: foram 53 jogos, com 30 vitórias, 8 empates e 15 derrotas. Mas, das quatro passagens pelo Baenão, as duas últimas (2004 e 2011) foram as menos felizes, pois Givanildo foi chamado em momentos de extrema aflição no clube, mais ou menos como agora.

Acostumado a desafios, Givanildo terá que conviver com as contradições internas do Remo e a baixa qualidade do elenco montado no começo da temporada. De estilo disciplinador e rígido, é improvável que aceite passivamente a apatia e os altos e baixos do time nos últimos jogos.

Ao mesmo tempo, os dirigentes – autônomos ou não – precisam estar preparados para conviver com o estilo pessoal do técnico, que não admite interferências e cobra profissionalismo nas diversas instâncias.

Qualquer aposta é sujeita a riscos no universo do futebol e a opção feita pelo Remo ao contratar Givanildo não é garantia plena de sucesso, mas sinaliza para um trabalho de médio prazo, que tem como prioridade a busca pelo acesso à Série B.

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Encontrar formas de explicar esse objetivo maior ao torcedor – e convencê-lo – é tarefa dos dirigentes, nem tão difícil quanto a espinhosa missão reservada a Givanildo: extrair um time razoavelmente competitivo do desregulado grupo ao qual será apresentado amanhã.

Givanildo pode não ser a escolha dos sonhos do torcedor remista, mas sua presença no futebol paraense neste momento é razão para movimentar todas as peças do tabuleiro. Pelo nome, pela carreira exitosa e até pela mística que o acompanha quando assume times desacreditados.

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Caso Neymar: informação demais, verdade de menos

As notícias iniciais indicavam que Neymar havia sofrido uma lesão grave, capaz até de comprometer a participação dele na Copa do Mundo. O caso ficou ainda mais preocupante quando um site esportivo divulgou a informação de que a cirurgia era inevitável, o que faria com que o principal jogador brasileiro tivesse pouco mais de um mês para se colocar em condições de jogo para o mundial da Rússia.

Horas depois, o técnico do PSG deu entrevista negando a opção pela via cirúrgica, reafirmando que o jogador se recupera bem da contusão no tornozelo, embora a fissura mereça atenção dos médicos. O mais surpreendente é que o treinador chegou a admitir a possibilidade de ter Neymar relacionado para o jogo contra o Real pela Liga dos Campeões.

Em meio a essa barafunda de informações desencontradas, fica mais ou menos claro apenas que a temporada de dramaticidade pré-Copa – real ou fictícia por alguns veículos – está apenas começando.

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Técnico critica e volante reduz entusiasmo 

Chamou atenção, na partida do último domingo, na Curuzu, o rendimento aquém do esperado por parte do volante William, que havia tido papel de destaque nos primeiros dois jogos sob o comando de Dado Cavalcanti. Contra o Interporto, saiu de campo como o melhor da partida.

Nas entrevistas de vestiário, o técnico tratou de baixar a bola do jovem atleta, enumerando alguns pontos que considerou ainda falhos em sua atuação. Acentuou, principalmente, certa afoiteza do volante.

Curiosamente, foi justamente o desembaraço de William que fez com que fosse notado e se destacasse em relação ao estilo modorrento de Nando Carandina. Pode até não ter ligação direta com as palavras do técnico, mas o volante não repetiu contra o Castanhal as aparições anteriores.

Parecia claramente travado, sem arriscar nenhuma subida ao ataque e nem participação maior nas manobras do meio-campo, preferindo a burocracia dos passes laterais. Se porventura queria frear suas ousadias, Dado conseguiu. Resta saber se isto é, de fato, a melhor coisa para o time.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 28) 

Juca Kfouri: “Sofremos da ‘leifertização’ do jornalismo esportivo”

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Convidado do programa Voz Ativa, exibido nesta segunda-feira pela Rede Minas em parceria com o EL PAÍS, Juca Kfouri falou sobre seu livro recém-lançado Confesso que perdi (Companhia das Letras) e também contou histórias envolvendo dois temas que sempre estiveram muito presentes em sua trajetória profissional: esporte e política. Formado em Ciências Sociais pela USP, o jornalista criticou a mistura recorrente de jornalismo com entretenimento na cobertura esportiva, sobretudo a intimidade de emissoras de televisão com federações e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Para ele, as detentoras dos direitos de transmissão do futebol brasileiro deveriam se espelhar no modelo dos esportes norte-americanos, em que há um distanciamento entre interesses comerciais e a linha editorial de cada veículo. “Os americanos separam a ‘Igreja do Estado’. Jornalismo não tem nada a ver com entretenimento”, explica o jornalista, antes de criticar o estilo descolado consagrado por Tiago Leifert, ex-apresentador do Globo Esporte, hoje à frente do Big Brother Brasil.

“Nós sofremos da leifertização do jornalismo esportivo. É muita gracinha. Briga-se pra saber quem é mais engraçadinho, quem faz a melhor piada. Não estou pregando o mau humor, é bom dar risada. Mas tem uma hora pra rir e uma hora pra chorar. Não podemos eliminar o que há de sério no esporte, porque as coisas se misturam, são faces da mesma moeda. Não dá para pensar o Brasil sem pensar o futebol brasileiro. Não dá pra pensar o futebol brasileiro sem pensar na política, na supraestrutura do Brasil.”

Juca Kfouri entende que o esporte como um todo está diretamente atrelado a questões políticas e sociais. Entretanto, ele faz uma ponderação sobre a exigência de posicionamentos além da bola de jogadores de futebol. O jornalista lembra que a Democracia Corintiana, por exemplo, que marcou época na década de 80, contou com o aval de dirigentes do Corinthians para romper padrões de comportamento e levar mensagens políticas aos estádios.

“Via de regra, o atleta está tão voltado para a competição, em um período tão curto de sua vida, que realmente não olha para o resto do país. Mas, ao longo da minha vida, aprendi a não exigir heroísmo com o pescoço alheio. A sociedade está quieta e a gente quer que os jogadores se manifestem? Quantos jornalistas criticam o patrão na empresa jornalística em que trabalham? Por que vamos exigir só dos jogadores de futebol? Sem contar que a esmagadora maioria deles ainda é vítima do sistema educacional brasileiro. O Paulo André fez isso. Acabou exportado para a China contra a própria vontade”, disse Kfouri.

Questionado sobre o prestígio de dirigentes que se enveredam pela política, como Andrés Sanchez, Eurico Miranda e Zezé Perrella, o jornalista apontou que eles apenas comprovam que o futebol vai muito além dos gramados. E refletem, de certa forma, a falta de politização do público que gira em torno do esporte. “O torcedor confunde o resultado esportivo com a figura do cartola e acaba presenteando o dirigente por méritos que ele não tem. Isso evidentemente tem a ver com a nossa baixa consciência política. Mas não é um fenômeno brasileiro. Basta lembrar que o [Mauricio] Macri e o [Silvio] Berlusconi se tornaram personalidades dirigindo Boca Juniors e Milan, respectivamente.”

A entrevista ao Voz Ativa foi conduzida pelo âncora Florestan Fernandes Júnior e o time de entrevistadores composto pelo repórter do EL PAÍS Breiller Pires; o comentarista da ESPN Brasil e do site ultrajano.com, Cláudio Arreguy; José Augusto Toscano, da Rádio Inconfidência; Maíra Lemos, jornalista e youtuber, e o ex-goleiro e agora comentarista esportivo Raul Plassman.

O programa estreou em janeiro deste ano com a presença do dramaturgo e diretor de teatro José Celso Martinez. É transmitido às segundas-feiras, às 22h15, pela Rede Minas, às terças-feiras, às 21h, pela rádio Inconfidência FM, e aos domingos, às 22h, pela rádio Inconfidência AM. (Do El País)

Técnico do PSG diz que Neymar não deve enfrentar o Real, mas descarta cirurgia

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O técnico do PSG, Unai Emery, deu entrevista nesta terça-feira para descartar uma suposta cirurgia que Neymar teria de passar no quinto metatarso do pé direito por fissura sofrida na partida contra o Olympique de Marselha, no último final de semana. De acordo com o site “Globoesporte.com”, a lesão do craque brasileiro seria mais grave do que parecia e ele teria de passar por um procedimento operatório para colocação de um pino. Isso o deixaria fora de ação por dois meses, retornando um mês antes da Copa do Mundo. O jornal espanhol As também deu a mesma notícia.

“A informação da operação é falsa. Falei com os médicos e nós vamos ainda tomar uma decisão. Nós vamos ver o passar dos próximos dias para tomar uma decisão. O momento é de tranquilidade”, comentou o espanhol, em entrevista coletiva pré-jogo do PSG, pelas quartas de final da Copa da França, justamente diante do Olympique.

Emery ainda comentou sobre uma possível – porém improvável presença do camisa 10 na partida de volta das oitavas de final da Uefa Champions League, diante do Real Madrid, no Parque dos Príncipes. “Temos que ter paciência. Sei que é uma lesão, como falei com o médico, não é uma opção ele estar pronto para o jogo. É um jogador importante para nós, e temos jogadores capazes de ter uma boa performance contra equipes como o Olympique e o Real Madrid. Conto com meus jogadores, e se eles estão prontos, estou feliz. Se não, tenho que procurar outras opções. Gostaria de ter todos na equipe”, afirmou.

“Depois de conversar com o médico, o Neymar tem uma inflamação no tornozelo. Depois, nos exames, foi constatada uma fissura no quinto metatarso. Não está descartado. Vamos esperar os próximos dias, o jogador tem muita vontade de estar no jogo. A evolução virá com a confirmação da informação, mas por enquanto, não poderá estar no jogo”, completou.

Mais cedo, o L’Équipe, principal periódico francês, afirmou, por meio de fontes próximas ao Paris Saint-Germain, que a lesão “não é tão grave quanto o esperado” e que sua presença diante do Real ainda não estava descartada.

Neymar se machucou aos 31 minutos do segundo tempo neste domingo. Ele torceu sozinho o tornozelo direito em disputa de bola com Sarr e imediatamente começou a gritar, colocando as mãos no rosto. Em nenhum momento o camisa 10 se levantou e acabou saindo da partida de maca e chorando. (Da ESPN)