Leão reencontra o ajuste certo

POR GERSON NOGUEIRA

Remo vence o Manaus e garante vaga na segunda fase

Depois de cinco temporadas na Série C, o Remo finalmente conseguiu a esperada passagem à fase de grupos para brigar pelo acesso à Série B. Derrotou o Manaus por 2 a 0, no sábado à noite, e garantiu a classificação, além de levar junto PSC e Vila Nova-GO. A bem da verdade, a luta desde ano podia ter sido menos árdua.

O Remo chegou a 26 pontos na vitória sobre o Treze na 14ª rodada, mas deixou escapar a classificação logo na rodada seguinte, quando enfrentou o Santa Cruz desfalcado e perdeu por 2 a 0. Na 16ª rodada, empatou com o Botafogo-PA, plantando várias dúvidas na cabeça do torcedor.

Veio a 17ª rodada e o Remo viajou a Manaus com a responsabilidade de garantir pelo menos um ponto contra o surpreendente Manaus, que vinha de uma vitória inesperada sobre o líder Santa Cruz, no Recife.

O primeiro tempo foi disputado em ritmo morno, quase sem dificuldades para os goleiros Jonathan e Vinícius. Os ataques tinham dificuldades para superar as defesas. A jogada mais perigosa pertenceu aos donos da casa. Gabriel Davis atacou pela direita e cruzou rasteiro. Rafael Jansen tentou o corte e quase pôs a bola contra a própria trave.

O técnico Paulo Bonamigo, criticado pelo esquema excessivamente retraído do jogo com o Botafogo, mandou a campo um ofensivo 4-2-1-3. Apesar da formação, os atacantes Hélio, Salatiel e Tcharlles tiveram atuação muito discreta nos primeiros 45 minutos.

No recomeço da partida, as orientações de Bonamigo mudaram a postura do Remo na partida, estabelecendo as condições para que a equipe chegasse à vitória em dois lances antes dos 10 minutos. O ataque passou a ser acionado com insistência, explorando os espaços deixados por avanços do Manaus pelos lados.

Remo garante vaga e define G-4

Logo de cara, aos 3 minutos, o lateral Ricardo Luz ganhou rebote junto à área, tocou para Hélio, que cruzou rasteiro para Salatiel. Pressionado pelo zagueiro Patrick, o centroavante deu um toque de letra e a bola entrou no canto direito do gol.

Dois minutos depois, a bola foi passada por Marlon para Tcharlles, que entrou na área pela esquerda e chutou forte, cruzado, vencendo o goleiro Jonathan. Os gols em sequência afetaram o Manaus, que levou alguns minutos para se recompor e sair em busca da reação.

Com as subidas do Manaus ao ataque, sempre mirando o artilheiro Hamilton, o Remo passou a explorar os contra-ataques. Em toques rápidos, a partir dos volantes Charles e Lucas Siqueira, a bola chegava aos homens de frente com muita facilidade.

O atacante Salatiel podia ter ampliado aos 14’, com duas tentativas na mesma jogada, com boa presença do goleiro Jonathan. Gedoz, que teve atuação regular, teve outra ótima oportunidade ao receber dentro da área pelo lado direito, mas bateu para fora, aos 18’.

Hélio, com grande participação tática no jogo, desperdiçou um bom ataque, aos 36’. O estreante Augusto, que havia substituído Salatiel, quase desviou um cruzamento para o gol, aos 40’.

Um jogo vencido com autoridade e que restitui o papel fundamental de Bonamigo na evolução do Remo dentro do campeonato. O time foi compacto, guerreiro e eficiente no setor defensivo e cresceu no 2º tempo com aceleração das transições, adicionando intensidade ao jogo, fato que em vários momentos parece ter desnorteado o adversário.

Grandes atuações de Ricardo Luz, Lucas Siqueira, Mimica, Salatiel e Hélio Borges. O Manaus não perdia na Arena da Amazônia há mais de dois anos, com uma invencibilidade de 22 jogos no estádio. A última derrota havia ocorrido em maio de 2018. (Fotos: João Normando)

Re-Pa determina a caminhada na fase de grupos

Com os dois representantes paraenses classificados, o clássico do próximo sábado, às 17h, terá caráter quase amistoso, mas pode determinar mudanças na formação dos grupos da segunda fase.

Na última rodada, o Re-Pa definirá a posição de cada um dentro da chave, o que servirá de critério para formação dos grupos da próxima etapa.

Do jeito como está a classificação nos dois grupos de classificação, os dois quadrangulares da segunda fase ficariam assim:

No grupo C: Santa Cruz, Ypiranga-RS, PSC e Ituano. No grupo D: Londrina, Remo, Brusque e Vila Nova. Além do enfrentamento direto, Leão e Papão dependerão do resultado do jogo Vila Nova x Jacuipense para saber se podem, por exemplo, ficar na mesma chave.

O quadrangular terá seis rodadas, em jogos de ida e volta. Os times que terminem nas duas primeiras colocações de cada lado sobem para a Série B 2021. A final do campeonato envolverá os primeiros de cada grupo.

Um forte exemplo da grandeza do ídolo

Muitos se perguntaram quando Maradona morreu o motivo de ser tão amado, anos depois de viver o auge como super craque dos estádios. Uma das explicações possíveis está na generosidade que era marca de seu caráter. Em janeiro de 1985, quando era o grande astro do Nápoli, recém-contratado junto ao Barcelona, ele aceitou disputar um jogo num capinho enlameado em Acerra, atendendo aos apelos de um colega de time para ajudar a salvar a vida de um menino que dependia de uma cirurgia.

Para levantar fundos, Maradona topou colocar em risco as caríssimas canelas. Debaixo de muita chuva, ele jogou no charco e conseguiu mostrar genialidade num dos gols do amistoso contra o modesto Acerrano.

Quem convidou Dieguito foi Pietro Puzone, meio-campista do Nápoli, que se comoveu com o drama de um conterrâneo de Acerra, cujo filho estava gravemente enfermo e não tinha recursos para uma operação salvadora.

Mesmo contra a recomendação da presidência do Nápoli, Maradona confirmou presença em campo. Havia o argumento de que a seguradora se recusaria a pagar o dinheiro investido em sua contratação. Em resposta, bem ao seu estilo, o gênio argentino disse: “F…-se o Lloyds de Londres”.

Assim era Diego, o monstro dos gramados tão idolatrado pelos argentinos, mesmo depois de tantos contratempos na vida pessoal e décadas depois de seu auge como astro da bola.

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 30)

Edmilson vence eleição contra candidato de Bolsonaro em Belém

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Com uma diferença de 36 mil votos, o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL) foi eleito prefeito de Belém neste domingo (29), conquistando 51,75 dos votos válidos contra o Delegado Federal Eguchi (Patriota), que obteve 48,25% dos votos. A abstenção foi de 20,77% e se manteve na média.

Edmilson obteve 388.839 votos contra 358.772 de Eguchi, que recebeu o apoio do PSDB no segundo turno e era declaradamente o candidato de Jair Bolsonaro na eleição de Belém. Edilson Moura (PT) é o vice-prefeito eleito.

Edmilson Rodrigues tem 63 anos e é professor universitário. Volta ao cargo de prefeito depois de 16 anos. Antes, governou a capital por dois mandatos, quando ainda pertencia ao PT.

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A vitória de Edmilson é também a do agrupamento de partidos de esquerda de Belém, que abraçaram a causa e apoiaram decididamente a candidatura psolista. A frende formada por PSB, PDT, PV e o PT foram decisivos ao longo da campanha do PSOL, que contou ainda com o apoio expressivo de setores do MDB, do governador Helder Barbalho.

Edmilson teve também maciça participação de sindicatos, entidades classistas, lideranças comunitárias, artistas e produtores culturais. Os ataques, na forma de fake news, foram o destaque negativo da campanha. Até o kit gay utilizado na eleição de Bolsonaro foi reeditado para desgastar a candidatura de Edmilson.

Dois Paulos. Dois arquitetos. E uma história do planejamento de Belém

Por Nélio Palheta (*)

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Podemos citar vários “Paulos” apegados a Belém, todos arquitetos que viram e viveram a capital paraense com amor e sensibilidade profissional, técnica e responsabilidade. Faltando poucos dias para a eleição de um novo prefeito, é bom lembrar a história que Paulo Martins e Paulo Cal, que hoje se foi, construíram como técnicos da prefeitura. Servem de exemplo; precisam ser lembrados e seguidos num momento em que a cidade enfrenta o caos urbano, econômico e social, diga-se de passagem, agravado a cada prefeito que sai do Palácio Antônio Lemos.

Sem demérito aos da atualidade, nunca a cidade precisou de profissionais do porte daqueles que comansaram a Companhia de Administração e Desenvolvimento de Belém (Codem), na década dos anos 1970.Referências já distantes do cuidado que um prefeito tem que ter pelo lugar que administra, lembrá-los serve de alerta para quem agora disputa o lugar de prefeito – para que os candidatos não executem as bobagens que prometam – não raro projetos estapafúrdios, simplesmente eleitoreiros.

Conheci de perto e convivi profissionalmente (não raro de rodadas de bar e restaurante) com os dois Paulos. Muitas vezes, estive na mesa do “Senadinho” do Restaurante “O Outro”, de Paulo Martins, que virou chefe de cozinha. Ali figuraram, em torno da comida e de muito uísque, arquitetos, advogados, médicos, engenheiros, magistrados, políticos, economistas, jornalistas. Paulo Cal foi um dos comensais assíduos.

O point dos últimos anos foi a Cervejaria Amazon Beer, aos sábados, onde há duas décadas se batia o ponto quase todo sábado, antes da pandemia. Paulo Cal, além de professor de Arquitetura da Universidade Federal do Pará, fez parte, nos anos 1970, da equipe que elaborou os estudos de urbanização de Belém, encomendado pelo prefeito Ajax d’Oliveira, à CODEM, presidida pelo Paulo Martins. A companhia, instalada no Edifício Manoel Pinto da Silva, organizou um grupo que fez amplo estudo sobre o desenvolvimento, ocupação, urbanização e saneamento da capital. Registre-se que, naquela época, a prefeitura não tinha sequer um mapa atualizado da cidade – lembra-me outro arquiteto, Paulo Elcídio Nogueira (superintendente de Planejamento da Codem, décadas depois foi Secretário de Estado dos governos Almir e Jatene).

Foi feito o levantamento aerofotogramétrico do município, que permitiu o governo ter uma noção do conjunto de problemas do território da capital, especialmente das chamadas “baixadas”. E assim nasceu o primeiro plano de desenvolvimento de Belém, que incluiu o levantamento das bacias hidrográficas, cadastro de propriedades, e o primeiro Plano Diretor. Eu integrei a equipe da como assessor de imprensa. A equipe, que hoje se chamaria de “multiprofissional”, sob a coordenação do amigo, João Tertuliano Lins (economista), foi integrada por mais um arquiteto, Jorge Derenji (Diretor de Planejamento), e pelo sociólogo José do Carmo Marques da Silva (outro ex-secretário de Estado, que há pouco também se foi), Leida Boisnic, economista (fez carreira nos governo de Almir e Jatene); LucyLeão (hoje esposa do economista Sérgio Leão), Margareth Refkalesfsky (socióloga), Nazaré Dias, advogada, e Kátia Esteves.

A equipe produziu um documento chamado “Monografia das Baixadas de Belém”, estudo que deu origem ao Projeto de Macrodrenagem da Bacia do Una, executado décadas depois pelo governo de Almir Gabriel. O futuro prefeito de Belém deveria desencavar a monografia e, no mínimo, captar, nas linhas e entrelinhas, inspiração para fazer um governo responsável, sensível, capaz de dar conta da enorme tarefa que é governar a capital paraense para além da verborragia eleitoral. P. Martins e P. Cal amaram Belém como poucos. E deixaram contribuição apreciável para a gestão da cidade.

O primeiro trocou a prancheta e o gabinete de servidor público pela cozinha; o segundo ficou numa verdadeira trincheira urbana, cultural, política. Quando se manifestava sobre os problemas de Belém, com crítica muitas vezes ácida, em artigos, na imprensa ou na mesa do bar, Paulo Cal falava com propriedade, domínio de conhecimento, sendo conhecedor da história da cidade, e vivendo o presente, embora já distante da academia e do serviço público que serviu até há pouco tempo – e do qual se desgostou definitivamente. Viva o governo de Belém daquela época!

(*) Jornalista.

Uma justa homenagem ao maior e melhor presidente da história do Brasil

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Flávio Dino votando em São Luís (MA) e homenageando Lula: “Já votei, sempre com muita gratidão aos que enfrentaram e derrotaram a ditadura militar, devolvendo-nos o direito de escolher nossos governantes. Na camisa, minha homenagem ao melhor presidente da história do Brasil: @LulaOficial”.