Esquerda unida em S. Paulo pela candidatura Boulos

Os ex-candidatos à prefeitura de São Paulo, Orlando Silva Jr. (PCdoB) e Jilmar Tatto (PT), caminharam, na manhã desta quarta-feira (18), ao lado de Guilherme Boulos (PSOL) pelas ruas da cidade. Os três foram acompanhados por uma multidão que gritava: “Boulos e Erundina, nós vamos pra cima”.

Tatto e Orlando Silva, derrotados no primeiro turno das eleições municipais, prontamente manifestaram apoio a Guilherme Boulos, que vai disputar o segundo turno com o atual prefeito Bruno Covas (PSDB).

A primeira Pesquisa XP/Ipespe sobre as intenções de voto para o segundo turno em São Paulo, divulgada nesta quarta-feira (18), mostra que o atual prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), registrou uma queda de sete pontos em relação ao primeiro turno. Enquanto isso, Guilherme Boulos (PSOL) teve um crescimento de 8%.

Repúdio ao racismo e à intolerância

No domingo (15/11), entrou um casal de idosos na loja Ponto Frio do GV Shopping, em Governador Valadares (MG), e perguntou: “Quem é o gerente da loja?”. O gerente Bruno que estava próximo respondeu: “Sou eu, em que posso ajudar?”. A senhora olhou pra ele dos pés à cabeça , pegou no braço do marido e disse: “É inadmissível que um negro gerencie uma loja tão grande como esta”.
O gerente, pego de surpresa , ficou constrangido, abaixou a cabeça e não teve resposta, uma vez que o “cliente sempre tem razão”.
O casal saiu da loja em seguida e o gerente também não conseguiu ficar no salão de vendas, e seguiu pra uma sala interna da loja. Um dos funcionários que assistiu o fato após alguns minutos foi atrás pra ver como seu gerente estava. Encontrou Bruno chorando.
Todos os funcionários ficaram revoltados ao serem informados. Foi aí que a equipe decidiu tomar uma atitude. O que ocorreu a seguir está no vídeo acima.


Justiça Eleitoral sob ataque das milícias bolsonaristas

Por Moisés Mendes

Alexandre de Moraes foi por muito tempo o alvo de Bolsonaro. Era preciso manter acossado o ministro que chefia no Supremo as investigações sobre a participação dos filhos do sujeito e os amigos dos filhos na fábrica de fake news e no patrocínio dos atos fascistas do primeiro semestre.

As ações de Moraes chegaram a provocar, depois das buscas e apreensões contra a turma ligada à família, os voos de Bolsonaro (inclusive ao lado de generais), em helicóptero camuflado, com acenos para os parceiros da fascista Sara Winter. Foram dias tensos na Esplanada dos Ministérios.

Moraes sai do foco de Bolsonaro, pelo menos agora, e os ataques se dirigem a Luis Roberto Barroso. A prioridade é fragilizar a posição do ministro como presidente do TSE e xerife da eleição, do voto e da democracia. Não é uma guerra que vá se resolver tão cedo.

Bolsonaro repete há muito tempo que defende um novo “sistema eleitoral confiável”. Na segunda-feira, disse:  “Nós temos que ter um sistema de apuração que não deixa dúvidas. É só isso. Tem que ser confiável e rápido, não deixar margem para suposições”.

Quando hackers da extrema direita tentaram atacar o sistema do Tribunal Superior Eleitoral, no domingo, e o tribunal vacilou na hora da apuração dos votos, o cenário ficou como Bolsonaro queria.

Barroso falou em crime de milícias digitais, e o presidente da República em nenhum momento lamentou os ataques. Não disse nada porque espera que um dia as investidas provem sua tese de que todo o sistema é vulnerável.

Mas há um detalhe para que se entenda as táticas de Bolsonaro e de Trump. O que eles tentam é provar que existe a possibilidade de fraude. O que eles não querem, de jeito nenhum, é alterar os sistemas que consideram frágeis, até porque não conseguirão.

Bolsonaro precisa convencer sua base e as milícias de que, se perder em 2022, a eleição pode ter sido fraudada. Mas, se alguém dissesse hoje que todo o sistema seria mudado, para que os votos fossem impressos (como ele diz que devem ser), Bolsonaro levaria um susto e ficaria sem argumentos.

Bolsonaro já havia dito, em 2018, que o único resultado que aceitaria seria o da sua vitória. Aécio pensava a mesma coisa e foi assim que desencadeou o golpe contra Dilma. Trump também pensou, não só agora, mas já em 2016.

O fascista dizia que a eleição contra Hilary Clinton seria fraudada. É uma orientação que a direita mundial passou a seguir quase como protocolo, sob a orientação dos estrategistas da extrema direita americana. Mas Trump e Bolsonaro venceram e esqueceram as fraudes.

A torcida de Bolsonaro é para que, no segundo turno da eleição municipal, dia 29, os ataques de hackers se repitam e promovam estragos ou pelo menos desestabilizem Barroso. O sistema deve ser abalado, mas não destruído. Bolsonaro e as milícias analógicas e digitais querem atormentar o ministro.

O presidente do TSE ficará durante um bom tempo se defendendo das insinuações de Bolsonaro e dos ataques dos milicianos. Quanto mais o ministro disser que o sistema funciona, mais Bolsonaro tentará mobilizar sua turma, com declarações fortes, para que sejam sugeridas provas ao contrário.

Os ataques de 2020 são apenas o treino para 2022. A tentativa de desqualificar o voto eletrônico poderá ser a única arma para que Bolsonaro esculhambe com tudo, se for derrotado. Bolsonaro sabe que deve chegar à campanha caindo aos pedaços, em condições bem piores do que a da eleição municipal.

Se perder, numa eleição com novos ataques de hackers e algum problema técnico que desacredite o sistema do TSE, poderá dizer que sempre alertou para a possibilidade de fraude. Será seu álibi. Mas isso vai funcionar, agora que ele não tem mais nem o apoio incondicional dos militares?

Bolsonaro está preparando uma previsível reação à la Trump. O problema é que tentará o truque sem ser um Trump, sem um partido chamado Republicanos, sem a turma do Tea Party, sem uma indústria armamentista que o proteja e sem topete.

Bolsonaro, talvez já sem o suporte centrão, terá de imitar Trump só com aquela franja, com grileiros, desmatadores da Amazônia e milicianos. Poderá ser pouco.