Justiça Eleitoral proíbe eventos presenciais de campanha em Belém

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu suspender, a partir desta quinta-feira, 5, comícios, bandeiraços, passeatas, caminhadas, carreatas e quaisquer tipos de eventos presenciais de campanha. A proibição vale para espaço aberto, semiaberto e até em formato drive-in, confraternizações e arrecadações de fundos de campanha, que possam vir a causar aglomerações de pessoas.

A decisão atende preocupação manifesta em ofício pela Procuradoria Regional Eleitoral do Pará, de terça-feira, 3, que pede a proibição de “atos presenciais de campanha que causem aglomeração de pessoas, tais como: comícios, bandeiraços, passeatas, carreatas e similares”.

A medida visa conter a propagação do vírus da covid-19 no estado. De acordo com o TRE, a “conjuntura de extrema gravidade e incertezas decorrente da pandemia da covid-19 está por exigir postura responsável de todos e, sobretudo, daqueles que almejam ocupar cargos nos Poderes Legislativo e Executivo, responsáveis pela definição e execução de políticas públicas, bem assim da própria Justiça Eleitoral”.

A resolução, assinada pelo desembargador Roberto Gonçalves de Moura, prevê, ainda, o uso de força policial para fazer valer as novas orientações, podendo os responsáveis pelo descumprimento serem enquadrados em “crime de desobediência”.

O procurador regional eleitoral do Pará, Felipe de Moura Palha, afirmou, na tarde desta quinta-feira, 5, que a suspensão dos eventos presenciais de campanha política ocorreu porque “todos os candidatos estavam desrespeitando medidas sanitárias”. Foi a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE) que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) decidiu pela proibição.

“Se percebeu que todos os candidatos estavam desrespeitando as normas sanitárias estipulados pelo próprio governo do Estado, através da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública) e as secretarias municipais de Saúde. Se percebeu que em quase todos, se não todos, os atos de campanha presencial, pessoas estavam sem máscaras, sem manter o isolamento necessário de 1,5 metro”, disse o procurador.

Record demite comentarista que responsabilizou Mariana Ferrer por estupro

Rodrigo Constantino em live no seu canal do Youtube - Rodrigo Constantino em live no seu canal do Youtube

Por Mauricio Stycer

O comentarista Rodrigo Constantino foi desligado da Record. Ele escrevia no site R7 e fazia comentários na Record News. A decisão é uma consequência das declarações de Constantino sobre o caso da jovem Mariana Ferrer, que acusou um empresário de estupro em uma casa noturna de Jurerê Internacional (SC). Em uma transmissão ao vivo, Constantino afirmou que, se sua filha sofresse um abuso em condições semelhantes, ele não denunciaria o homem e a deixaria de castigo.

Em nota, a Record disse que “a decisão foi tomada em virtude das posições que o profissional assumiu publicamente sobre violência contra a mulher, em canais que não têm nenhuma vinculação com nossas plataformas. O jornalismo dos veículos do Grupo Record tem acompanhado com muita atenção o caso de Mariana Ferrer e o Grupo não poderia, neste momento, deixar qualquer dúvida de que justiça não se faz responsabilizando ou acusando aqueles que foram vítimas de um crime.”

A emissora acrescentou: “Apesar de ter garantias de liberdade editorial e de opinião, julgamos que o posicionamento adotado por Constantino não compactuou com o nosso princípio de não aceitar nenhum tipo de agressão, violência, abuso, discriminação por questões de gênero, raça, religião ou condição econômica.”

Em mensagem no Twitter, Constantino comentou a decisão: “A Record foi mais um veículo que não aguentou a pressão. O departamento comercial pede ‘arrego’, pois recebe pressão de fora, dos chacais e hienas organizados, dos ‘gigantes adormecidos’. Sim, perdi mais um espaço, mas sigo com minha total independência e com minha integridade”.

Na quarta-feira, Constantino foi afastado da Jovem Pan, onde trabalhava. Em nota, a empresa afirmou que acredita que “a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor” e comunicou a demissão de Constantino:

“Diante do ocorrido nesta quarta-feira em uma live independente promovida fora de nossas plataformas por um de nossos comentaristas, o Grupo Jovem Pan esclarece que desaprova veementemente todo o conteúdo publicado nos canais pessoais e apresentado nessa live.”

“Reafirmamos que as opiniões de nossos comentaristas são independentes e necessariamente não representam a opinião do Grupo Jovem Pan. No caso de Mariana Ferrer, defendemos que a vítima não deve ser responsabilizada pelos atos de seu agressor, apesar do respeito que todos nós devemos ter às decisões judiciais”, continua o comunicado.

“Em consequência do episódio, na tarde desta quarta-feira (4/11) Rodrigo Constantino foi desligado de nosso quadro de comentaristas”, finaliza a Jovem Pan.

O adeus de Lan, um craque do traço

O cartunista Lan, em 1998 Foto: Camilla Maia / O Globo

Morreu Lanfranco Vaselli, o Lan, cartunista italiano apaixonado pelo Brasil onde construiu carreira de sucesso em várias publicações, principalmente na Última Hora e no Jornal do Brasil. Tinha 95 anos. Dono de um estilo voluptuoso, captou a sinuosidade das curvas da mulata carioca em muitos desenhos, tornando-a uma recorrência na sua arte.

Como chargista político, definiu o caráter ambicioso de então governador carioca Carlos Lacerda por meio da figura de um corvo, fixando, então, o apelido daquele político. Com seu inseparável cachimbo e o longo bigode, Lan consolidou-se como um dos maiores talentos do traço no Brasil e no mundo.