Bolsonaro perdeu “amigo imaginário” com derrota de Trump, diz Le Monde

Por Cristiane Capuchinho, no site RFI

Na esteira das mudanças internacionais esperadas após a vitória de Joe Biden para a Presidência dos Estados Unidos, o jornal francês Le Monde publicou nesta terça-feira (10) uma reportagem sobre os reflexos da derrota de Donald Trump no governo de Jair Bolsonaro.

Em um texto ácido, o diário francês classifica Trump como um “amigo imaginário” do presidente brasileiro e diz que Bolsonaro perdeu “de uma só vez um modelo, um mentor e seu único verdadeiro aliado de peso no cenário internacional”.

A reportagem afirma que a demora para parabenizar Joe Biden por sua vitória na corrida pela Casa Branca é apenas um sinal “da atmosfera sombria que reina no centro do poder em Brasília”.

Nas últimas semanas, o presidente brasileiro havia reiterado seu apoio a Trump, lembra o jornal. “Espero, se essa for a vontade de Deus, comparecer à posse do presidente brevemente reeleito nos Estados Unidos. Não preciso esconder isso. É do coração”, afirmou Bolsonaro no dia 20 de outubro.

Enquanto a contagem dos votos nos EUA não terminava, o chefe de Estado brasileiro voltou a se posicionar em relação à vantagem dos democratas. “A esperança é a última que morre”, disse no dia 4 de novembro.

Viúvo de Trump

Segundo o jornal francês, nos últimos dois anos “o ‘Trump dos trópicos’ apoiou, imitou (às vezes extrapolando em vulgaridade e exagero) seu mentor americano, elevado ao posto de ícone”.

“Jair Bolsonaro, que gosta de posar na companhia da bandeira americana ou de ouvir religiosamente os discursos na televisão do presidente que deixa o cargo, já esteve nos Estados Unidos quatro vezes em apenas dois anos. Por um tempo, ele cultivou o sonho de nomear seu próprio filho, Eduardo, como embaixador em Washington (antes de ser forçado a desistir)”, assinala o texto.

A reportagem lista as numerosas decisões tomadas no Brasil seguindo interesses americanos nos últimos dois anos, como a política dura contra Cuba ou a posição próxima de Israel, a negação da epidemia de Covid-19 ou ainda a defesa inveterada da hidroxicloroquina. E acrescenta que o Brasil não recebeu, em troca, nenhuma vantagem, sobretudo no setor comercial. Trump seria então para Bolsonaro “um amigo imaginário”, citando o editorialista Leonardo Sakamoto.

Sob pressão

A mudança política nos Estados Unidos deixa o governo brasileiro em uma situação delicada, segue o texto. “O encrenqueiro brasileiro, odiado por parte da comunidade internacional, agora é alvo fácil, sem ter um protetor para defendê-lo dos ataques”.

Um exemplo é a política ambiental. No debate de 29 de setembro contra Trump, Joe Biden decidiu falar sobre a Amazônia e se dirigir diretamente a Bolsonaro: “Pare de destruir a floresta. Se vocês continuarem, enfrentarão consequências econômicas importantes”, ameaçou o democrata.

Diante deste cenário, a reportagem afirma que é possível que haja uma mudança de ministros antes da posse do democrata na Casa Branca. Os cargos de Ricardo Salles, no Meio Ambiente, e de Ernesto Araújo, nas Relações Exteriores, estariam em risco. Ou então, indica o diário francês, o presidente brasileiro pode escolher usar a carta do nacionalismo, para tentar mobilizar sua base sobre o tema da soberania nacional na Amazônia.

Uma tacada certeira

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo esperou por semanas para contratar um meia-armador para reforçar o time na fase mais aguda da Série C. A espera terminou com a concretização do empréstimo de Felipe Gedoz, que estava no Nacional do Uruguai e em atividade, uma das exigências da comissão técnica. Ontem à tarde, após uma corrida para garantir os documentos de transferência no último dia da janela de transferência internacional.

Felipe Gedoz

A diretoria azulina manteve sigilo o tempo todo, tanto que as informações sobre Gedoz só vazaram na quinta-feira (5) ainda na forma de especulação. Na sexta-feira, a notícia da transação foi confirmada em detalhes por Jones Tavares, na Rádio Clube do Pará.

Para os uruguaios, o negócio soou interessante porque Gedoz não estava nos planos do técnico Jorge Giordano. A ideia de buscar um camisa 10 de renome foi da diretoria, com o aval do técnico Paulo Bonamigo, que dispõe hoje de apenas dois especialistas na posição, Eduardo Ramos e Carlos Alberto.

Daniel Costa, que está no Manaus, foi sondado quando ainda estava no XV de Piracicaba e quase fechou contrato com o Remo. O negócio não evoluiu porque Bonamigo deixou claro que quer um jogador que se diferencie de Eduardo Ramos e possa contribuir com a aceleração no meio.   

A preocupação no Leão é com o grau de dificuldade que a próxima fase da Série C deve oferecer, com grupos formados pelos melhores times da fase de classificação. Depois da vitória sobre o Treze-PB, domingo, o Remo ficou a 2 pontos de garantir presença na segunda etapa da competição.

Sem opções no mercado brasileiro, a diretoria voltou sua atenção para o futebol sul-americano, buscando um armador que faça o jogo fluir e saiba trabalhar na transição de jogadas. Gedoz foi lembrado por ter se destacado em 2017 no Atlético-PR, passando depois por Goiás e Vitória.

Contou também o fato de ser jovem e ter grande experiência internacional, com atuações no Defensor e no Nacional, além do Brugge, da Bélgica. O acordo com o atleta não foi divulgado, mas, segundo fontes do clube, está dentro do orçamento praticado no Evandro Almeida.

Gaúcho de nascimento, com cidadania uruguaia, Gedoz teve passagem pela Seleção Brasileira sub-21, fato que remete a um dos grandes ídolos azulinos das últimas décadas, o meia Gian.

Uma das fortes características do meia recém-contratado é o talento para chutes de média distância. É um exímio cobrador de faltas, tem boa aproximação com os atacantes e costuma marcar gols.

Apesar da queda de rendimento na temporada, razão de ter perdido espaço no Nacional em plena Copa Libertadores, Gedoz tem qualidade para se destacar na Série C revivendo seus melhores momentos.

O jogador ficou de chegar na madrugada. Será apresentado hoje para iniciar treinamentos com o grupo. Caso seu nome saia no BID até sexta-feira, será a novidade no Leão contra o Santa Cruz na partida que pode garantir a classificação antecipada à segunda fase.

Flamengo põe Ceni diante do maior desafio da carreira

Rogério Ceni, ídolo são-paulino como atleta, está de novo na berlinda como técnico cobiçado por um grande clube. Ele é a bola da vez para assumir o Flamengo em substituição ao catalão Domenèc Torrent, que foi despachado ontem após uma impressionante coleção de goleadas – Independiente Dell Vale (5 a 0), São Paulo (4 a 1) e Atlético-MG (4 a 0).

À frente do Fortaleza, Ceni vem construindo meticulosamente uma imagem de técnico moderno, disciplinador e diferenciado em relação a seus colegas brasileiros. Inquieto, instalou no clube cearense um ambiente de grande profissionalismo, com cobranças permanentes que levam o time a evoluir, apesar das óbvias limitações técnicas.

No aspecto da maturidade, quem evoluiu foi o próprio Ceni, depois de um pulo errado que podia ter queimado seu filme. Atraído pelo Cruzeiro no Brasileiro do ano passado, ficou pouquíssimo tempo, não resistindo ao boicote dos jogadores e à fritura da diretoria.

Enquanto o Cruzeiro afundava rumo ao rebaixamento, ele voltou ao ninho e retomou o trabalho com afinco, como se nem tivesse havido a interrupção. A campanha do Fortaleza na Série A é o maior atestado da capacidade profissional de Rogério Ceni.

Falta, porém, o teste definitivo: comandar um grande clube com a experiência adquirida nos últimos três anos. Antes, passou pelo próprio São Paulo sem repetir à beira do campo as façanhas que protagonizou embaixo das traves.

As notícias mais recentes indicam que ele aceitou negociar com o Flamengo, mas depende da liberação pelo Fortaleza. É uma decisão importante como evolução de carreira. Obviamente, treinar o Flamengo não é a mesma coisa que dirigir o tricolor cearense.

As pressões se amplificam e a responsabilidade triplica. Com o elenco estrelado que terá à mão, caso aceite a missão, Ceni terá todas as condições para conquistar o que surgir pela frente. Ao mesmo tempo, será cobrado como nunca, justamente por ter sob seu comando os melhores jogadores em atividade no país.

Ao mesmo tempo, fica sempre no ar o aspecto negativo do não cumprimento de contratos, como é prática entre os técnicos brasileiros, sempre dispostos a quebrar acordos para assumir outros clubes. Nesse aspecto, Ceni é igualzinho aos demais.

Inchada, Segundinha começa com poucos destaques

A Tuna, vencedora na estreia, deu sinais de que pode finalmente cumprir uma campanha que leve ao acesso. A boa vitória por 3 a 1 sobre o União Paraense, no sábado, com direito a um golaço do meia-atacante Lukinha, garante tranquilidade neste começo de competição, mas terá que se confirmar nas próximas rodadas.

O São Francisco goleou o Vênus, ontem, e é outro que tenta engatar uma trajetória que garanta o retorno à primeira divisão do certame estadual.

Já o Caeté, treinado por Artur Oliveira, teve dificuldades frente ao Pinheirense, mas acabou vitorioso e confirmando a expectativa quanto a um papel de destaque na Segundinha.

De toda sorte, é cedo ainda para projeções numa competição nivelada por baixo e com abundância de participantes. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 10)

Ao Senhor, meu Pai, e a Nossa Senhora

Por João Carlos Pereira (*)

Tarso Sarraf / Arquivo O Liberal

Senhor,
O coronavírus é tão do mal, me levou, além das forças, do ânimo, da coragem, da saúde, parte das palavras que uso para rezar.
Quando a oxigenação diminui e os sentidos me faltam, aproveito a privação do sentir para me ligar mais intimamente com o Senhor e com Nossa Senhora de Nazaré.
Na hora incerta, penso não no Crucificado, mas no Amigo sentado na beira do poço de Jacob, sendo servido pela samaritana. Ou então quando repousava no barco submetido à violência das ondas. Eu sou o barco sacudido pela maré da vida.
Meu Pai,
sempre me achei superior à pandemia e julgava que, por não andar de ônibus (embora, no domingo do Círio, tenha pegado carona em um), não me expor por ai (e o Ver-o- Peso, acaso, não é por aí? O Mercado de Carne também está livre de riscos?)
Pensei, meu Deus, que por me alimentar bem conseguiria driblar esse amaldiçoado.
A prepotência é algo de que o diabo gosta. Aliás, ele aprecia tudo que não presta e sabe posicionar seu exército em lugares aonde eu vou: o banco, a feira, o supermercado e até a um barzinho amigo para comer peixe frito.
Não estou me penalizando por haver tentado uma vidinha normal, ao lado de amigos a quem muito amo e que, felizmente, vão conseguindo driblar o maldito.
Senhor, as lições de humildade e de consciência do nada que sou mostram que estou longe de ser o que achava que era e mais perto da minha pobre verdade.
Essa é minha prece, Senhor, que faço diante do teclado, numa hora de sossego, com Nossa Senhora direcionando meus dedos, porque não duvido de sua ação na minha vida, quando dEla mais preciso.
Meu Pai e minha Mãe
Nas ocasiões de maior aperto, consigo senti-La pousar, como uma pequena Ave-Maria revoando, docemente, sobre meu corpo fatigado e débil, preso a respirador artificial e submetido, constantemente, a aparelhos.
Obrigado, Senhor, pelos amigos que rezam por mim e que velam ao meu lado, sobretudo pela Mariana, minha filha, e Emilia, minha mulher, que deixaram brotar suas asas de anjo e não me deixam um segundo sequer.
Quero aproveitar a paz e pedir um pouquinho por quem precisa mais do que eu, porque, não tenho dúvida, há gente sofrendo infinitamente mais do que este seu pobre filho no limite da ingratidão e do medo. Mas agora pleno de confiança.
Obrigado, meu Pai e minha Mãe.
Bênça!
Amém!

(*) Texto escrito pelo professor e jornalista João Carlos Pereira um dia antes de ir para a UTI em tratamento de covid. Na madrugada desta terça-feira (10), ele nos deixou, aos 61 anos de idade. Ele deixa quatro filhas, uma neta e a esposa, Emília. O velório é realizado na capela Max Domini, no bairro do Guamá, em Belém. O enterro será as 14h no Cemitério Municipal Santa Izabel, no mesmo bairro. Membro da Academia Paraense de Letras, João era um importante pesquisador do Círio de Nazaré.

Foto: Tarso Sarraf/O Liberal

Gedoz chega para se integrar ao elenco do Remo

Felipe Gedoz

O novo reforço do Clube do Remo, Felipe Gedoz, desembarcou na madrugada desta terça-feira (10) em Belém para se integrar ao time azulino que disputa a Série C. Ele chega por empréstimo junto ao Nacional (Uruguai), onde estava disputando o campeonato nacional e a Libertadores da América. Aos 27 anos, Gedoz tem passagens por várias equipes do futebol brasileiro e do Uruguai, tendo jogado também pelo Brugge, da Bélgica.

“Satisfação grande e imensa vestir essa camisa. Vai ser mais um desafio na minha carreira, onde venho feliz e motivado para ajudar o clube com os objetivos. Estou pronto para fazer o que eu mais gosto, ao lado de meus companheiros”, disse ao chegar. Na primeira foto em Belém, o jogador usou camisa em alusão ao mês da Consciência Negra.

O empréstimo de Gedoz ao Remo irá até 28 de fevereiro de 2021.