Esquema da ‘boquinha’ prioriza apaniguados e gera vexames em série

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Não há paralelo para a sucessão de fatos grotescos que se multiplicam no governo de Jair Bolsonaro. A mais recente aberração é a incompetência de um governo até para versões básicas do português para o inglês, com erros básicos. Pressuposto básico para um governo que se dispõe a participar de um Fórum internacional, a proficiência bilíngue foi jogada na lata do lixo por um governo que mal arranha o próprio português. O governo brasileiro traduziu “voltem a florescer” para “come back to bloom”. O correto seria “bloom again”.

O fato de nem o tradutor saber falar inglês é alarmante. Outros presidentes também não sabiam falar inglês, e isso não é problema algum, mas todos sempre tiveram tradutores. No governo Bolsonaro só entram amigos, mesmo que não tenham qualificação nenhuma para o emprego. O importante é garantir a mamata e a boquinha.

A imprensa mundial já começa a caçoar do Brasil e dos brasileiros pela escolha de um presidente como Bolsonaro, que envergonha o país na frente do mundo inteiro. Não é a primeira vez: o presidente da Apex indicado por Bolsonaro (órgão do Itamaraty), cujo trabalho é basicamente falar com empresários estrangeiros, também não sabia falar inglês e teve de ser demitido menos de uma semana após assumir o cargo.

Isolamento e jequice

 

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Jair Bolsonaro tinha 45 minutos para discursar em Davos. Falou um terço do tempo, exagerando em generalidades. Foi como se não tivesse participado do evento. De forma resumida, enumerou itens que pretende cumprir no governo, mas não se dirigiu ao mundo, objetivo maior do encontro. Prometeu privatizações, mas não especificou em quais setores da economia. Apresentou dados incorretos ao falar de sua política ambiental e citou reformas de maneira superficial, gerando críticas de correspondentes dos principais veículos de imprensa europeus.

Durante o dia, refugiou-se na segurança de seus companheiros de comitiva, evitando até mesmo interagir com outros chefes de Estado na hora das refeições. Almoçou sozinho no refeitório do galpão que fica ao lado do centro de convenções. Aos eleitores, tentou passar a mensagem marqueteira de austeridade. Ao mundo, passou a imagem de despreparo e isolamento.

No contexto internacional, demonstrou que está longe de ser um estadista inserido. Não se reconhece como tal e, obviamente, também não é visto assim. Mostrou-se um peixe fora d’água, como se estivesse perdido em meio aos holofotes da mídia estrangeira e sem saber o que fazer fora do universo do whatsapp.

Papão faz último treino antes da estreia

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A pré-temporada bicolor está chegando ao fim e o técnico João Brigatti passa a priorizar os treinos táticos para o elenco, às vésperas da estreia no Campeonato Paraense, contra o São Francisco, amanhã, na Curuzu.

Ontem, a movimentação teve exibição de vídeo preparado pela comissão técnica sobre o adversário. Em seguida, o técnico e seus auxiliares dirigiram exercícios táticos, de posicionamento, transições de jogo e recomposição.

Em seguida, enquanto parte do elenco participava de treinamento de cobranças de faltas e escanteios, os demais jogadores realizavam um míni rachão.

O grupo volta a treinar na tarde desta terça-feira (22) como atividade final de preparação para a estreia na temporada.

O time não foi definido pelo técnico João Brigatti, mas a formação mais utilizada nos últimos treinos foi a seguinte: Douglas Silva; Bruno Oliveira, Perema, Micael e Bruno Colaço; Caíque, Alex Galo, Leandro Lima e Nicolas; Paulo Rangel e Elielton.

Paissandu e São Francisco entram em campo nesta quarta-feira (23), às 20h, no estádio da Curuzu. Confira aqui detalhes sobre a venda de ingressos. (Com informações da Ascom PSC)

A queda moral dos bolsonaristas

Por Aldo Fornazieri, no Jornal GGN

O escândalo que envolve Flávio Bolsonaro e a própria família do presidente da República vem se revelando bem mais grave do que parecia no início: suspeita de lavagem de dinheiro, de corrupção e até de envolvimento com as milícias. Este escândalo tem um grande alcance na disputa política em geral e na disputa pelo poder. Ele representa a queda moral dos bolsonaristas, pois eles eram os detentores quase exclusivos do discurso moral, condição que lhes dava grande vantagem estratégica já que os mantinha na ofensiva retórica e embretava seus adversários, principalmente o PT, numa já prolongada defensiva.

Se a queda moral dos bolsonaristas ainda não representa uma reversão das posições ofensiva/defensiva na relação com o PT e o campo progressista, ao menos, no momento, equilibra um pouco mais o jogo nas escaramuças e do fogo cruzado da política entre governistas e oposicionistas. O desfecho da luta pela ocupação da posição ofensiva vai depender do desdobramento da crise, das ações do governo, das ações da oposição e da virtude e capacidade dos líderes em conduzir as batalhas.

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É importante observar que nenhuma força que detém o poder conseguirá mantê-lo se estiver numa longa defensiva moral. Da mesma forma, nenhuma força de fora do poder conseguirá vitórias significativas se estiver na defensiva moral. Na política brasileira recente sobram exemplos para ilustrar essas situações. Mesmo no campo militar, a defensiva moral é coveira de forças poderosas. Basta lembrar o exemplo dos Estados Unidos no Vietnã: lutavam uma guerra injusta que os colocou na defensiva moral junto à opinião pública interna e internacional, fator decisivo na sua derrota e retirada dos americanos. Ocorre que a defensiva moral erode a autoridade, a legitimidade, a confiança e o ânimo de quem a carrega, por mais meios de poder que detenha.

A moralidade, assim como a perversidade e o egoísmo, é uma potência inerente à natureza humana. Sua aspiração torna-se mais forte à medida em que as sociedades se humanizam e se civilizam, afirmam direitos, justiça, igualdade e liberdade. A exigência de conduta moral tornou-se um paradigma do republicanismo clássico por entender que o Estado deve ser res publica. E daí vem o forte repúdio às práticas de corrupção.

A exigência de moralidade na vida pública, no entanto, não está isenta de problemas. Ocorre que o discurso moral pode ser manipulado e tornar-se moralismo. O moralismo  pode ser entendido como aquela atitude que se empenha em moralizar todas as coisas e situações sem expressar uma compreensão sobre as quais o moralismo se manifesta. Assim, o moralismo se esvazia de conteúdo e se torna uma mera retórica incitadora de valores igualmente vazios. Veja-se, como ilustração, a fórmula “O Brasil acima de todos e Deus acima de tudo”. O que significa isto? Nada! Trata-se de um mero formalismo, carente de qualquer conteúdo, de qualquer significado real.

Ocorre que o moralismo vem imbricado com uma aspiração justa: o combate à corrupção, embora o moralismo seja incapaz de combate-la, pois esta requer leis pertinentes de punibilidade, a certeza de sua aplicabilidade e mecanismos de controles públicos e sociais do poder. Ademais, o moralismo vem carregado com as ideias de purificação, de pureza e de limpeza, mesmo que esta seja feita pelos instrumentos demoníacos da violência. O moralismo político, por ser um ardil na busca do poder ou de sua manutenção, sugere a violação da Constituição e das leis em nome da pureza. Ele contamina a decisão judicial, pois os juízes emitem sentenças, não a partir da Constituição, das leis e da técnica jurídica, mas a partir de sua vontade moral. Contamina as políticas públicas, pois estas também são moldadas a partir dos valores morais dos agentes públicos e políticos e não a partir das necessidades e dos direitos sociais dos cidadãos. Contamina também a elaboração legislativa, pois a carga moral conservadora privilegia grupos específicos e bloqueia direitos civis e políticas sociais necessárias.

O moralismo, em nome de valores genéricos e vazios, escamoteia os que são os verdadeiros injustos e os injustiçados e disfarça a injustiça real assentada na desigualdade, pois a sua clivagem é entre os puros e os impuros. O moralismo é uma forma de autoritarismo e pode generalizá-la, pois, em nome dos valores morais, a alteridade é negada e pretende-se construir a nação como  um lugar exclusivo para os iguais iniciados na comunidade dos puros. Em regra, os moralistas são hipócritas já que não praticam o pregam e usam o próprio moralismo não para uma melhora moral da sociedade, mas para conquistar e manter o poder. Não há um conteúdo moral no moralismo, mas mero uso instrumental.

Note-se que quase todos os políticos que foram às ruas exigir moralidade pública e o impeachment de Dilma se revelaram como moralistas sem moral, pois eram corruptos juramentados. O sistema, corrupto que era de fato, entrou em colapso, mas não foi superado. Valendo-se dessa situação, Bolsonaro apresentou-se como o último baluarte da moral e como o candidato antissistema. Sem que se completassem ainda 30 dias de governo, esse baluarte ruiu e mergulhou nas profundezas apodrecidas do sistema. A família Bolsonaro emergiu desse lodo como uma família de moralistas sem moral. Com isso, Bolsonaro perdeu a pureza e a condição de ser o eleito de Deus, por revelar-se um pecador.

Há que se notar que o discurso moralista tem uma grande capacidade persuasiva e de convencimento nos momentos das disputas, pois ele se isenta de fornecer explicações racionais. Este poder persuasivo aumenta se a sociedade está desesperançada, mergulhada na crise e nas vicissitudes do desemprego e da pobreza. Todo o mal é atribuído à corrupção que, de fato, é um mal, mas não o único e talvez nem o mais importante. Já o moralismo instalado no poder é um instrumento frágil de sua manutenção, pois o elemento mais valioso da manutenção do poder são os resultados proporcionados pelo governante em benefício dos governados. Quando os governados se sentem enganados, a sua cobrança por resultados será mais incisiva e o  repúdio ao governo fracassado será ainda mais contundente. Este agora é o grande risco de Bolsonaro que poderá ver sua lua de mel com os eleitores drasticamente reduzida.

O equacionamento da crise Queiroz-Bolsonaro não é fácil. A solução mais radical seria a renúncia de Flávio ao mandato de senador. O presidente Jair Bolsonaro, claro, não pode ser imputado pelos elementos do escândalo, mas pode ser investigado, o que o enfraquecerá politicamente. Se a crise se agravar, poderá ocorrer um aumento da tutela dos militares sobre o presidente. Se se tornar incontrolável, no limite, poderá ser pressionado a renunciar. Mas a hipótese mais provável é que ele permaneça na presidência sob forte tutela dos generais de seu governo.

Bolsonaro, seus filhos e os bolsonaristas não poderão mais atacar Lula, a esquerda, o PT, o PSOL e os movimentos sociais com a mesma desenvoltura que vinham atacando. As oposições agora também estão municiadas para o fogo cruzado. O Ministério Público, o Judiciário e Sérgio Moro foram postos contra a parede pela crise. Ou darão respostas claras e convincentes à sociedade ou a máscara enganosa de sua imparcialidade será rasgada para revelar rostos acabrunhados ou desavergonhados da cumplicidade com a corrupção e com o crime.

A crise Queiroz-Bolsonaro é a continuidade da crise anterior, é a crise de um sistema falido que não quer morrer. É a crise da incapacidade das forças políticas em reformar o sistema. É a crise da falta de lideranças virtuosas e corajosas. O que se tem são políticos acostumados à política miúda, aos conchavos, à manutenção de uma ordem institucional ineficiente que esmaga os direitos dos cidadãos. É a crise da manutenção dos privilégios inescrupulosos e criminosos que condenam o futuro da juventude e do país.

O escândalo Queiroz-Bolsonaro desfez o mito do justiceiro da pureza e fechou o caminho aos bolsonaristas em sua caminhada rumo à comunidade dos bem-aventurados. Agora eles precisam caminhar na estrada dos malditos junto com gente pecadora do PT, do PSol, do MDB, do PSDB etc. É neste jogo brutal dos interesses e das necessidades que os bolsonaristas terão que se ater. Sem o manto da pureza, terão que se revelar quem realmente são. E se o governo não for capaz de dar respostas às dramáticas necessidades sociais, a onda bolsonarista  poderá se espatifar nas mãos de um povo irado, pois o povo não perdoa moralistas sem moral.

Com Bolsonaro em Davos, jornal suíço fala das “suspeitas” sobre Flávio e Queiroz

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Tribune de Genève, principal jornal de Genebra, na Suíça, repercutiu as denúncias contra Flávio Bolsonaro. O pai Jair e o irmão Eduardo estão em Davos:

A agência do governo responsável pelo monitoramento das transações financeiras (COAF) descobriu depósitos de dinheiro “suspeitos” em uma conta bancária de Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, disse na sexta-feira O “Globo”.

Flávio Bolsonaro, filho mais velho do chefe de Estado, teria recebido em sua conta bancária em junho e julho 2017, 48 depósitos num valor total de 96.000 reais (cerca de 30.000 dólares ao câmbio atual). Segundo este relatório, a instituição não conseguiu estabelecer a origem desses depósitos.

São 48 depósitos de 2000 cada um em uma agência bancária no Estado do Rio, e os depósitos suspeitos foram feitos durante um período de cinco dias (…).

A notícia é publicada no dia seguinte a uma decisão da Suprema Corte do Brasil de suspender a investigação de movimentações financeiras suspeitas do motorista Fabricio José de Queiroz no valor de 1,2 milhão de reais em 2016 e 2017. Esses movimentos financeiros eram aparentemente inconsistentes com a renda do Sr. Queiroz (…).

Convocado várias vezes pela justiça no Rio de Janeiro, Queiroz não apareceu, citando problemas de saúde. Ele assegurou que os movimentos em sua conta vieram de seus negócios. “Eu sou um homem de negócios. Ganho dinheiro, compro carros, vendo-os”, disse ele à emissora de TV SBT.

Um dos movimentos suspeitos é um pagamento de 24 000 reais (cerca de 5 500 euros) na conta de Michelle Bolsonaro, agora primeira dama. Jair Bolsonaro explicou que era o pagamento de um empréstimo não declarado.

O caso cai mal para Bolsonaro, cuja luta anticorrupção foi um dos grandes temas da campanha e é um dos raros políticos brasileiros que ainda não foi atingido por um escândalo.

“Se um erro foi cometido, seja por mim, meu filho ou (seu assistente) Queiroz, vamos pagar por esse erro, porque não podemos mostrar nenhuma conivência com qualquer erro”, afirmou.

Pílulas sobre as lambanças da ‘nova era’

“Flávio Bolsonaro entrou na política em 2002, Patrimônio um carro Gol 1.0 Em 2018 4,2 milhões só em imóveis. o que acham?”. Lula Marques, fotógrafo

“O maior pânico do governo é que as investigações sobre a morte da Marielle cheguem a alguém da família do Bolso”. Emir Sader

“Há alguns meses Lula disse a Moro em audiência : ‘Dr. Hoje estou sendo massacrado, amanhã será o senhor’. Lula é um profeta!”. Cristina Andrade, no Twitter

“Um passarinho me contou q veículos da máfia midiática já têm elementos pra derrubar um certo ‘mito’. E q andam divulgando a conta-gotas as tretas menos graves até como instrumento de chantagem; pra faturar audiência etc. Isso é q dá trombadinhas desafiarem a máfia”. Michel Arbache

“E os bolsonaristas me pedindo respeito? Qdo chamava a Dilma de Dilmanta e o Lula de pato desarranjado ninguém cobrava respeito! Aí apareceu um e disse que agora é a sério, tá ok?”. Zé Simão

“Moro vai fazer um power point com a mamadeira de piroca em Davos”. Emir Sader

Sinal dos tempos: Globo critica Record por entrevista chapa-branca com filho de Bolsonaro

Do blog de Maurício Stycer

Fato muito incomum, neste domingo (20) a Globo fez uma crítica pública ao jornalismo praticado pela concorrente Record. Deu-se durante o “Fantástico” e fez menção a uma entrevista exibida minutos antes por seu concorrente direto, o “Domingo Espetacular”. O senador eleitor Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) deu uma entrevista ao dominical da Record na qual respondeu a duas denúncias divulgadas pelo “Jornal Nacional” nas edições de sexta (18) e sábado (20).

O telejornal da Globo revelou, primeiro, que entre junho e julho de 2017, Bolsonaro recebeu 48 depósitos no valor de R$ 2 mil cada, em espécie, feitos no caixa eletrônico da Assembleia Legislativa do Rio. Um dia depois, relatou que o senador eleito pagou um título bancário de R$ 1.016.839, emitido pela Caixa Econômica Federal, sem indicar o favorecido.

Os apresentadores do “Fantástico”, Ana Paula Araújo e Tadeu Schmidt, resumiram em 60 segundos o conteúdo das respostas dadas por Bolsonaro à Record. Em seguida, Ana Paula observou que o programa concorrente deixou de fazer duas perguntas ao senador eleito que poderiam ter esclarecido melhor o que foi dito. E, com alguma ironia, registrou que o senador eleito não respondeu a uma questão essencial por que não foi questionado a respeito.

“Ao senador, não foi perguntado, e por isso ele não respondeu, por que optou por 48 depósitos de R$ 2 mil com diferença de minutos em cada operação em vez de depositar o total que recebeu em espécie de uma só vez na agência bancária onde tem conta. Também não foi questionado por que preferiu receber parte do pagamento da venda em dinheiro e não em cheque administrativo ou transferência bancária.

Leão busca o ajuste perfeito

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo jogou em Santa Izabel, venceu por 3 a 0, placar mais dilatado da fase de preparação. Agradou pela movimentação, mas continua indefinido quanto ao time titular para a estreia no Campeonato Estadual, no próximo sábado, em Santarém, diante do São Raimundo.

Mais que o resultado, o amistoso valeu pela oportunidade que João Neto teve para observar e tirar suas dúvidas. Com 31 jogadores à sua disposição (21 importados), o técnico busca encontrar no grupo as peças certas para ajustar o time conforme seu plano de jogo.

No ano passado, ao assumir o comando no Brasileiro da Série C em condições desfavoráveis – sem tempo para mudanças profundas e necessitando vencer a qualquer custo –, Neto optou por aperfeiçoar princípios que tinham sido implantados por Artur Oliveira, principalmente na estrutura de meio-de-campo.

Foi muito bem sucedido ao compactar mais o setor, usando quatro homens na linha central, com os meias tendo liberdade para se lançarem ao ataque para robustecer o setor reconhecidamente mais fragilizado do time naquele momento. Tinha também Gabriel Lima como o atacante que podia voltar ante a necessidade de fechar a marcação.

Desta vez, o tempo conspira a favor e a pressão não é desesperadora. Netão sabe que o trabalho tem prazo de validade e que o Parazão será determinante para sua permanência no comando. A meta é realizar uma campanha convincente, capaz de repetir o êxito de 2018. Todo mundo sabe que título é consequência de uma boa trajetória, mas é fato também que o torcedor não admite outro resultado final.

E é aí reside o fator de risco para o jovem técnico. O time que irá escalar para o Parazão é, a rigor, o primeiro a levar sua assinatura como comandante efetivo. É verdade que no ano passado foi dele a influência discreta que permitiu a Givanildo Oliveira salvar a campanha errática e obter a conquista do campeonato.

Na Série C, pegou o bonde andando, embora sempre estivesse por perto, colaborando com os técnicos que iniciaram a caminhada. Depois, ao assumir a equipe, viu-se obrigado a trabalhar com os jogadores disponíveis adaptados às necessidades circunstanciais que o time tinha.

Para 2019, os atletas trazidos tiveram o aval do treinador e a montagem da equipe é de sua exclusiva responsabilidade. Daí a visível preocupação, reafirmada após o jogo em Santa Izabel, de avaliar minuciosamente as condições físicas e técnicas dos jogadores, dando chance a todos para que mostrem suas qualidades dentro da pré-temporada.

Pelo que se observa dos times formados para os amistosos contra o Castanhal (1 a 1), seleção de Barcarena (2 a 0) e Santa Izabel (3 a 0), Netão trabalha com a ideia de um 4-4-2 que permita variações para o 4-5-1 ou o 4-3-3, dependendo da situação de jogo.

As mudanças feitas nos três jogos dão a entender que a escalação mais provável para a estreia em Santarém será: Vinícius; Djalma, Mimica, Fredson e Ronael; Robson (Vacaria), Samuel, Etcheverría e Alex Sandro; David Batista e Mário Sérgio (Henrique).

Djalma parece definitivamente fixado na lateral-direita, David Batista confirmou a condição de centroavante de boa presença na área e Etcheverría mostrou-se mais adaptado à função de ajudar o ataque.

Os ajustes devem ser finalizados ao longo da semana, mas o torcedor remista em Belém só terá condições de avaliar de perto o novo time quando fevereiro chegar – o confronto com o Independente deve ocorrer no domingo, 3.

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Treinos intensivos para compensar falta de testes

O Papão de João Brigatti não demonstra angústia quanto ao começo do Estadual, mesmo sem ter realizado amistosos de preparação. Pelo pouco tempo dedicado aos treinos, o torcedor se mostra mais preocupado, receando tropeços nas primeiras rodadas. Ainda que o risco exista, há o fator campo a tranquilizar a comissão técnica – os dois primeiros jogos serão realizados na Curuzu, contra o São Francisco, quarta-feira (23), e Bragantino, domingo.

A dúvida que segue pendente é quanto ao dono da camisa 10, que deve ser Tiago Primão, ainda dependendo de detalhes burocráticos de transferência para ser oficialmente anunciado e inscrito para o Parazão.

Nas demais posições da equipe, apenas uma certeza: Perema deve ser o único jogador nativo. Os demais titulares serão inevitavelmente atletas recém-chegados ao clube e à realidade amazônica de muitas chuvas e gramados enlameados que caracterizam o campeonato.

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Visitantes indigestos na rodada inaugural

Dos três jogos que abriram o Parazão, destaque absoluto para os visitantes. O Águia beliscou um empate dentro do estádio Barbalhão, parando o São Raimundo e causando um desassossego no torcedor alvinegro.

O Paragominas foi além. Diante de um estádio Diogão lotado, superou o Bragantino de virada no 2º tempo. O gol da vitória instaurou a primeira polêmica da competição: há dúvida se o chute de Bilau transpôs mesmo a linha fatal.

Em Castanhal, o Independente não tomou conhecimento dos donos da casa e impôs uma vitória sem contestações.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 21)