Há 60 anos, basquete conquistava o mundo

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O time era Algodão, Waldemar, Wlamir, Edson Bispo e Amaury; mas, naquele 31 de janeiro de 1959, eles eram Didi, Zagallo, Garrincha, Vavá e Pelé. Há exatos 60 anos, a seleção brasileira de basquete se apresentava verdadeiramente ao mundo, igualava o futebol e conquistava pela primeira vez um título mundial.

“A pátria continuou sendo de chuteiras”, como disse Wlamir Marques, em entrevista ao R7, ainda que a vitória contra o Chile, em uma quadra montada em pleno Estádio Nacional de Santiago, tivesse sido bastante comemorada. Se o futebol sofreu com o vice em 1950 para conquistar a Copa do Mundo em 1958, o basquete sofreu o mesmo revés em 1954 para vencer cinco anos depois.

“É difícil… Até hoje nós vivemos do futebol. Lembro que a repercussão foi muito grande e fomos acolhidos da mesma forma que o futebol. Certamente, foi uma época dourada em que o país viveu grandes momentos”, disse Wlamir, hoje com 81 anos, comentarista de basquete na ESPN.

A equipe do exigente técnico Togo Renan Soares, o Kanela, já havia sido vice-campeão em 1954, no Rio de Janeiro, em episódio semelhante ao Maracanazo. Daquelas histórias em que se aprende na derrota, o time passou a treinar ainda mais para conseguir a vitória em um torneio com algumas peculiaridades.

Inicialmente, a competição chilena seria disputada um ano antes, mas a organização não conseguiu entregar as instalações em tempo e as partidas começaram só em janeiro. Além disso, uma crise diplomática também invadiu a competição da Fiba (Federação Internacional de Basquetebol, na sigla em inglês) com a Bulgária e a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) se recusando a continuar no torneio.

Os dois países estavam do lado da China no bloco socialista da Guerra Fria e se recuaram a enfrentar Formosa (atual território de Taiwan). Bulgária e URSS então também não reconheciam a ilha chinesa como país independente e, por isso, tiveram suas partidas creditadas como W.O na segunda fase — a URSS venceu todas as suas partidas, exceto o resultado para Formosa, quando não entrou em quadra.

Quando olhado para trás, a conquista parece ainda mais surpreendente. Pecente, que era o que se diz hoje o ‘sexto homem’ do quinteto titular, lembra que pouco sabia o que ‘representava aquela sigla no uniforme’ adversário.

“Naquela época, o esporte como um todo ficou em evidência. Dividíamos as conquistas com Estados Unidos e a União Soviética. Era uma coisa inacreditável”, garantiu Pecente. “A nossa base era o jogo de velocidade, com muito contra-ataque. A bola chegava muito rápido ao ataque e com jogadores que se completavam. Isso foi fundamental para a nossa equipe.”

O sistema de disputa da competição não contemplava a fase eliminatória. Calhou do último jogo ser contra os donos da casa. O Brasil conquistou sua quinta vitória em seis jogos na fase final e bateu o Chile na decisão por 73 a 49. Os Estados Unidos, hoje dono de cinco ouros, acabaram na segunda colocação.

A seleção brasileira de basquete ainda conseguiu boas campanhas nas principais competições pelo mundo. Além do bicampeonato mundial em 1963 e o vice em 1970, o time verde-amarelo também levou outras duas medalhas olímpicas na mesma época, em 1960 e 1964.

Quando a geração se desfez, no entanto, os títulos minguaram. Para ficar só em Jogos Olímpicos, a equipe chegou a ficar três edições sem sequer se classificar. Já na Rio 2016, o time foi eliminado ainda na primeira fase da competição.

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