Pelo lockdown no futebol

POR GERSON NOGUEIRA

Perfil oficial da Série B celebra acesso do Remo: 'Bem-vindo de volta' -  Portal Roma News

O futebol é apaixonante, arrasta torcidas, eletriza multidões, gera empregos e movimenta a economia. Importante como genuína manifestação popular, a modalidade é parte fundamental da vida dos brasileiros. No Pará, as pessoas vivenciam a paixão futebolística com intensidade e fervor, mais até do que na maioria dos demais Estados.

Ainda assim, mesmo que seja parte importante de nossas vidas, o futebol não pode se sobrepor jamais a questões de segurança e proteção da população em geral. A pandemia, que está completando um ano no Brasil, paralisou as competições em março de 2020. O motivo era conter a expansão da pandemia.

Pois o motivo continua de pé, até mais forte do que antes. O inimigo comum se fortaleceu na forma de variantes mais letais. Nesses 12 meses, causou dor, destroçou famílias inteiras, superou a marca de 250 mil vítimas. Para se ter uma ideia do tamanho da tragédia, as bombas que arrasaram Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial mataram 250 mil pessoas.

Como defensor das determinações ditadas pela ciência e orientadas pela Organização Mundial da Saúde, a posição mais civilizada é a de defesa do lockdown para atividades não essenciais, e o futebol não é prioritário neste momento. Portanto, a paralisação do Parazão deve ser pauta da FPF e dos clubes, como forma de contribuir para a redução de riscos de contágio.

O deslocamento dos 12 times para jogos entre as cidades implica em aproximação e quebra de isolamento. É verdade que o protocolo sanitário é cumprido à risca e preserva atletas e comissões técnicas, mas há trabalhadores que atuam nas partidas. Pessoal da segurança, da infraestrutura dos estádios e da imprensa.

Desde o ano passado, a torcida não tem acesso aos estádios, mas o risco permanece para quem está envolvido diretamente com a competição. E houve quem defendesse a cobrança de ingressos. E nesse período houve quem afrontasse a lógica e desrespeitasse as normas.

Foi o que se viu na final da Libertadores, que levou mais de 10 mil pessoas ao Maracanã; nos festejos do acesso do Remo à Série B, que teve aglomeração na Doca; e nas reiteradas aparições da principal autoridade do país, que anda sem máscara, desaprova a vacina e ainda debocha dos riscos do novo coronavírus para a vida das pessoas.

As medidas anunciadas pelo governador Helder Barbalho precisam ser apoiadas por todos a fim de que tenham eficácia, e isso obviamente inclui o futebol. Embora não tenha sido prevista a proibição dos jogos, o papel dos clubes é juntar-se agora ao esforço do Governo e prefeituras em defesa da vida, um valor inestimável, acima de todos os interesses econômicos, esportivos, religiosos e mercadológicos.

Defendo que o campeonato pare não apenas por uma semana, mas por um mês, justamente março, considerado pelos especialistas como o mais difícil no enfrentamento à pandemia. Não só para robustecer o esforço geral de combate à pandemia, mas também por empatia e respeito às vítimas.

Detalhe: nas últimas 24 horas, a covid-19 matou 1.726 pessoas no Brasil. É o pior registro desde que a pandemia começou. O Estado está com 81% de UTI’s ocupadas, patamar que exige todas as formas de prevenção.

O futebol desnudado em documentário surpreendente

Há uma série documental em exibição no Sportv sobre um grande clube brasileiro. “Acesso total” registra o cotidiano, as entranhas e as muitas tretas da atual temporada do Corinthians. É interessante porque cobre um momento de baixa. Normalmente, os filmes sobre futebol se concentram em falar de conquistas épicas e glórias imortais.

É curioso ver como o elenco se comporta em meio a situações de forte pressão, cobranças de diretores e torcedores. No meio do furacão, está sempre a comissão técnica. Vagner Mancini, o treinador, aparece na maioria dos episódios e surpreende pela naturalidade no trato com jogadores e cartolas.

Até quem não é corintiano vai apreciar o olhar atilado da produção, que prioriza os diálogos de vestiário, com os jogadores ainda no calor da refrega, como no intervalo de um jogo com o Goiás. Outro momento interessante é o do desligamento do centroavante Mauro Boselli.

O presidente Duílio Monteiro Alves conversa com o jogador e explica que o técnico não tem mais interesse em sua permanência. Aparentando surpresa, Boselli rapidamente se recompõe e aceita na boa o bilhete azul. Situação dura e que raramente é mostrada ao torcedor e que diz muito da relação clube-jogador no futebol ultra profissional de hoje.

Alguns flagrantes de irritação e frustração também são focalizados, além de aspectos das arengas internas, envolvendo a campanha eleitoral mais recente, também integram a pauta do especial, que tem cinco episódios. Até agora o que foi mostrado passa longe da abordagem chapa-branca que marca documentários sobre clubes de futebol no Brasil.

Copa do Brasil: chances razoáveis de avanço

Remo, PSC e Castanhal já têm adversários definidos na primeira fase da Copa do Brasil. Chances quase iguais para todos, riscos também. O Papão vai encarar o Madureira, no Rio de Janeiro, jogando pelo empate. O Leão vai ao Rio Grande do Sul, também podendo empatar, para enfrentar o Esportivo de Bento Gonçalves. O Castanhal recebe o Volta Redonda com obrigação de vencer.

É possível, embora improvável, que o trio alcance a classificação. Neste momento, pelo estágio das equipes, o Remo parece mais forte para o confronto com os gaúchos. O PSC, ainda em formação de elenco, tende a ter mais dificuldades diante do simpático Madureira.

O Japiim tem a vantagem teórica – sem torcida – do mando de campo, mas pode se beneficiar mesmo é das condições climáticas, impondo correria e dinâmica para superar o (levemente) favorito Voltaço. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta quarta-feira, 03)

Gabriel Lima e Fellipe Borges são os novos reforços do Leão

A diretoria do Remo anunciou na tarde desta terça-feira, 2, a contratação de mais dois reforços para a temporada: o atacante Gabriel Lima e o lateral-esquerdo Fellipe Borges. Gabriel, 24 anos, é cria da base azulina e jogou pelo clube até 2018, quando se transferiu para o Avaí. Felippe, 21, é natural de Bento Gonçalves-RS. Chega ao clube através de uma parceria com o Juventude. Ele tem passagens pelo Boa Esporte e o próprio Juventude, onde atuou na última temporada.

Clube do Remo anuncia duas novas contratações para temporada de 2021 - Crédito: Fábio Will/Ascom Remo

Gabriel Lima (foto) chegou na manhã de hoje e mostra entusiasmo com o retorno ao clube de origem. “Volto muito animado e feliz em poder atuar pelo clube que me revelou e onde tenho uma história. Já conheço bem o Remo, sempre vou dar meu melhor para junto aos meus companheiros fazer uma temporada boa por aqui e conquistar os títulos para o clube”, disse.

Os novos jogadores passam por exames médicos antes de iniciar os trabalhos com o restante do grupo.

Helder prestigia em Cametá a abertura da temporada de pesca do mapará

Em meio ao cumprimento de agenda em Cametá, no Baixo Tocantins, o governador Helder Barbalho prestigiou a abertura da pesca do mapará, principal peixe da região, na comunidade Pindobal Miri, na manhã desta segunda-feira (1º). O evento marca tradicionalmente a retomada da atividade pesqueira após o período de defeso na região. Logo nas primeiras horas da manhã, dezenas de embarcações navegaram pelo rio Tocantins até a comunidade. Os pescadores começaram os trabalhos atentos à movimentação das águas e principalmente de botos, que indicam onde estão os cardumes do peixe.

O governador Helder Barbalho participou de parte das atividades junto aos pescadores e conferiu de perto como funciona o “arrastão”, tendo a deputada Elcione (MDB) ao seu lado. “Depois de quatro meses do defeso, respeitando a reprodução das espécies, estamos prestigiando esse novo ciclo que faz parte da cultura de Cametá e toda a comunidade de pescadores, garantindo alimento e renda para a região”, afirmou.

Segundo o prefeito de Cametá, Victor Cassiano, a retomada da pesca do mapará e outras espécies da região fomenta a atividade pesqueira. “É muito importante cuidar dos nossos rios e a abertura da pesca marca a retomada dessa atividade tão importante na região. Isso movimenta o setor produtivo do nosso município, e é uma das principais atividades econômicas da região, que gera renda para população ribeirinha”, disse o gestor cametaense. (Com informações da Agência Pará)

Remo avança na negociação para garantir retorno de Felipe Gedoz

Remo 6×2 Manaus-AM (Felipe Gedoz)

Virou uma novela a mobilização para garantir o retorno do meia Felipe Gedoz ao Remo. O jogador pertencia ao Nacional do Uruguai, que estaria exigindo uma compensação financeira para liberar o atleta. Informações da imprensa de Montevidéu indicam que o clube não tem mais interesse na permanência do jogador, o que de certa forma deve facilitar sua volta ao Baenão.

Em contato com o blog, o presidente Fábio Bentes confirmou que o clube tem interesse e está negociando com o estafe de Gedoz. Busca recursos financeiros para concretizar a negociação, a tempo de Gedoz se reintegrar ao elenco azulino que disputa o Campeonato Estadual. Uma das alternativas para levantar o dinheiro é através de uma campanha no programa de sócio-torcedor, que será relançado neste mês.

“Estamos em algumas conversas. O Gedoz tem uma empresa que administra a carreira dele. Ele estava colocado no Nacional (do Uruguai) e estamos conversando com esse pessoal. A vinda envolve alguns recursos, que neste momento não temos. Estamos conseguindo chegar numa forma de negociação que seja possível”, comentou o presidente.

Segundo Fábio Bentes, o clube está trabalhando com calma para viabilizar o negócio. “É um trabalho que estamos fazendo com toda calma, cuidado e ciente da responsabilidade, e da dificuldade de arrumar um (camisa) 10. Espero conseguir manter ele aí. Com a força da torcida, vamos conseguir”, concluiu. Evitou confirmar os valores envolvidos.

Centrais sindicais defendem isolamento social para combater a pandemia

As Centrais Sindicais – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB – apoiam as iniciativas dos governadores e prefeitos que têm atuado com as medidas necessárias para garantir o imediato isolamento social e, dessa forma, bloquear a propagação da Covid19 e evitar o esgotamento do sistema de saúde. Consideramos fundamental que os governantes articulem e coordenem essas medidas, inclusive atuando, conforme autorizou o STF, na implantação do plano de vacinação e no fortalecimento do SUS.
Consideramos que a vacinação deve ser acelerada para garantir a imunização de toda a população ainda neste semestre. Os custos econômicos do isolamento e da vacinação serão compensados com a segurança das pessoas, evitarão mortes e serão os melhores investimentos para uma retomada da atividade econômica com segurança sanitária e previsibilidade.
Continuamos afirmando que é necessário esclarecer a população para a urgência do isolamento – “Fique em Casa” -, sobre o uso correto de máscaras e dos protocolos de proteção. Exigimos que o Congresso Nacional aprove imediatamente a retomada do Auxílio Emergencial no valor de R$ 600,00 enquanto durar a pandemia e das medidas de proteção dos salários e dos empregos.

Denunciamos, mais uma vez, a intencional descoordenação das políticas públicas de vacinação e de proteção sanitária e econômica adotada pelo governo do Presidente Bolsonaro, estratégia que conduz o país para as mais de 250 mil mortes, que não param de crescer, ao agravamento da crise sanitária, à insegurança social e a uma gravíssima crise econômica, inúmeras práticas que caracterizam responsabilidade e crimes no exercício do cargo.
São Paulo, 1º de março de 2021

Sérgio Nobre – Presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores
Miguel Torres – Presidente da Força Sindical
Ricardo Patah – Presidente da UGT – União Geral dos Trabalhadores
Adilson Araújo – Presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e
Trabalhadoras do Brasil
José Reginaldo Inácio – Presidente da NCST – Nova Central Sindical de
Trabalhadores
Antônio Neto – Presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

Intensidade premiada

POR GERSON NOGUEIRA

Dioguinho e Gorne balançaram as redes nesta segunda-feira

O Remo teve a estreia mais tranquila no Campeonato Estadual. Em noite de iluminação nova no Baenão, o time não teve dificuldades para superar o Gavião Kyikatejê por 4 a 1, com direito a dois gols do centroavante Renan Gorne, que fazia sua primeira apresentação com a camisa azulina. A luz especial parece ter inspirado o Leão, que se lançou com disposição e afinco a alcançar a vitória.

Na prática, o jogo valeu pela movimentação dos primeiros 45 minutos, quando o Remo completo envolveu o visitante com toques rápidos e transição a cargo de Uchoa e Jefferson, ambos estreantes. Depois de alguns pequenos problemas de articulação, o jogo fluiu e os gols começaram a surgir naturalmente.

Com intensidade na busca pelo ataque, confundindo a marcação e forçando erros na defensiva do Gavião, Wallace fez o primeiro, aos 30 minutos. Dois minutos depois, enfiou um passe açucarado para Renan Gorne marcar o segundo. Aos 35’, Gorne cabeceou, o goleiro Urias espalmou e Dioguinho chegou batendo para as redes.

Destaque para a constante presença dos laterais Marlon e Wellington Silva no campo de ataque, contribuindo imensamente para o volume e o predomínio do Remo sobre a área adversária.

A escalação inicial trouxe a defesa completa, com jogadores que vinham atuando na Copa Verde. No meio-de-campo, Paulo Bonamigo começou a testar possibilidades. Escalou Uchoa, Jefferson, Lailson e Dioguinho, sendo que os dois estreantes tiveram atuações distintas.

Uchoa foi mais discreto, fazendo passes de segurança e arriscando pouco. Jefferson saiu mais para o jogo, com participação frequente em manobras ofensivas contribuindo algumas vezes e atrapalhando noutras, mas sem se omitir.

Wallace e Renan Gorne mostraram boa conexão, embora no início tenham atuado um pouco distanciados. Aos poucos, o entrosamento foi evoluindo e dessa parceria surgiram os momentos mais inspirados da estreia remista.

Em virtude do dinamismo na troca de passes, os avanços do Leão dificultavam a saída de bola do Gavião, que em raros momentos conseguiu passar do meio-campo. O Remo ainda perdeu mais duas chances com Jefferson e Wallace antes do final da primeira etapa.

Depois do intervalo, o Gavião adotou uma postura mais adiantada, tentando escapar do cerco azulino. Deu certo. Logo a um minuto, Tiago Bala foi lançado esplendidamente no meio da zaga e bateu cruzado para o gol diante da saída de Vinícius.

O gol parece ter alertado o Remo, que vem acumulando gols sofridos no reinício das partidas desde a semifinal da Copa Verde. Para se reencontrar em campo, o meio-campo precisou voltar a trabalhar em velocidade. E, aos 9 minutos, Dioguinho foi à linha de fundo, cruzou a pequena área e Gorne apareceu no segundo pau para fechar a goleada.

Até aí, o jogo foi interessante e cheio de lances agudos nas duas áreas. Tiago Bala chegou a acertar um belo disparo no travessão de Vinícius e o Gavião mostrou que estava disposto a evitar um placar mais elástico.

Uma outra providência foi a troca do goleiro Urias, que falhou no segundo e no quarto gols remistas, pelo reserva Gelson. Aparentemente, a substituição foi por razão técnica. O fato é que Gelson acabaria evitando nos pés de Renan Gorne o quinto gol, aos 15’.

Dioguinho quase conseguiu acertar um tiro de fora da área, fazendo a bola explodir no poste esquerdo de Gelson. No final, Ronald, que havia entrado no lugar de Laílson, bateu por cobertura e a bola passou rente ao travessão.

As mudanças feitas na equipe para rodar jogadores acabaram descaracterizando o formato de jogo do Remo após os 20 minutos da etapa final. O lateral Tiago Ennes entrou no lugar de Wellington e a intensidade das laterais sofreu um impacto com isso. Pepê e Warley entraram e não contribuíram para que a equipe mantivesse o pique inicial. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Os destaques e as decepções da primeira rodada

Na comparação geral dos 12 times nesta primeira rodada do campeonato, o destaque óbvio foi a produção ofensiva do Remo, que poderia ter sido até maior, caso o time fosse mais objetivo nas finalizações e não tivesse sido drasticamente modificado no 2º tempo.

A qualidade na troca de passes na primeira parte do jogo evidencia um entrosamento maior, cultivado nos jogos da Copa Verde, capaz até de evitar a estreia de três jogadores comprometesse o conjunto.

O Águia de Marabá foi outro destaque da rodada com um ataque que se mostrou forte o suficiente para marcar três gols na Tuna em 45 minutos. É verdade que fraquejou na segunda etapa, permitindo um princípio de reação, mas teve maturidade para concretizar a vitória.

João Galvão, mesmo sem grandes recursos, recoloca o Águia no grupo dos times que devem brigar pelas primeiras posições da classificação. Foi apenas o primeiro jogo, mas a segurança e o sentido competitivo trazem a marca característica do representante marabaense.

O Castanhal, que empatou com o PSC na Curuzu, teve uma atuação satisfatória, ficando muito perto de obter a vitória. Errou nas definições, mas reeditou o sistema de saída rápida e pressão constante em busca do gol que já havia sido executado no Parazão 2020.

Por ora, dois times ficaram devendo, por razões diferentes. O PSC não atuou bem, mas as razões estão bem claras. A equipe ainda se reconstrói e o tempo de preparação foi insuficiente para que as novas peças se afinem com os remanescentes da Série C. Mostrou, porém, dois bons novatos: Victor Souza no gol e Ari Moura no ataque.

A Tuna decepcionou menos pelo resultado, normal em confronto fora de casa, mas pela facilidade com que aceitou a pressão do Águia. O apagão defensivo visto no primeiro tempo foi parcialmente atenuado depois, mas deixou no ar uma preocupação com a caminhada da equipe na competição.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 02)