Rock na madrugada – Rory Gallagher, “Moonchild”

Montreux Jazz Festival 5 de julho de 1985. Grande show de Gallagher, tocando “Moonchild”, uma canção que valoriza seu estilo rápido e único de dedilhar a guitarra. Acompanhado por Gerry McAvoy no baixo e Brendan O’Neill na bateria, Gallagher era famoso pelas performances ao vivo. Talento pouco enaltecido no rock, gravou um punhado de álbuns brilhantes entre o final dos anos 70 e começo dos 80′, mesclando rock e blues, depois de ter integrado a banda Taste nos anos 60. William Rory Gallagher nasceu na Irlanda e morreu, em 1995, na Inglaterra, aos 47 anos.

Foi o melhor guitarrista de todos os tempos, segundo Jimi Hendrix. Até hoje é elogiado por gente do nível de David Gilmour, Brian May e Jimmy Page. O problema é que Gallagher nunca deu muita bola para as exigências de uma carreira de astro do rock. Preferia o circuito de bandas mambembes nos pubs irlandeses, sem desperdiçar nenhuma chance de tocar ao vivo. O figurino desleixado, cabeleira desgrenhada e uma velha guitarra Stratocaster fizeram com que o público tivesse dele a imagem de um sujeito normal, identificado com a classe trabalhadora. Exatamente como ele preferia ser visto.

Abaixo, a sensacional versão de “Moonchild” em estúdio:

Conselho de Ética do COB suspende Wallace por incitar violência contra o presidente Lula

O Conselho de Ética do COB (CECOB) decidiu suspender, de forma cautelar, o jogador de vôlei Wallace Souza, do Sada Cruzeiro, que incitou violência contra o presidente Lula (PT) em postagem no Instagram, esta semana. A decisão foi o conselheiro Ney Bello, que também é desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e foi cotado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em indicação que cabe ao presidente da República. A representação contra Wallace foi apresentada pela Advocacia Geral da União (AGU) a pedido do ministro da Justiça, Flávio Dino.

Bello foi indicado relator do caso por sorteio entre os cinco membros do Conselho de Ética. Ele recebeu a denúncia ontem (2) à tarde e, nesta sexta-feira, decidiu por uma suspensão cautelar contra Wallace. Wallace é acusado de ter violado o Código de Conduta Ética do COB e do movimento olímpico ao compartilhar no Instagram uma enquete que incitava um ‘tiro na cara’ de Lula.

O jogador disputou as últimas três Olimpíadas pela seleção brasileira de vôlei e tem três medalhas em Campeonatos Mundiais. Mas o que torna ele passível de punição, no entender do Conselho de Ética, é o fato de estar disputadno uma competição nacional de vôlei, no caso, a Superliga Masculina.

Um dos artigos do Código de Ética citado na denúncia é o 34: “É indevida a prática de atos de violência, bem como a doutrinação, a incitação ou a orientação para a sua realização, no ambiente administrativo, de treinamento e competição ou fora dele”. O código prevê punições que começam com “advertência, reservada ou pública”, passa por multa e por suspensão de cinco a 10 anos, e chega ao banimento do esporte olímpico.

STJD AMARELA

No Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Vôlei, a decisão sobre a admissão ou não da denúncia ainda não foi tomada pelo procurador Fábio Lira. A tendência é que ela seja rejeitada. O subprocurador Wagner Dantas, que fez a denúncia contra Carol Solberg, escreveu em suas redes sociais que, diferente daquele caso icônico, “Wallace sugeriu o assassinato do presidente Lula em um ambiente fora de competição nacional, jurisdição do STJD”. Ele entende que o jogador não pode ser denunciado no âmbito da justiça desportiva.

A denúncia da AGU cita o artigo 243-D do CBDJ, sobre “incitar publicamente o ódio ou a violência”. Em seu parágrafo único, o artigo cita possibilidade de suspensão e multa a quem fizer a manifestação por “por meio da imprensa, rádio, televisão, internet ou qualquer meio eletrônico”. Wallace postou a enquete no Instagram. A discussão, jurídica, é se o atleta precisa estar no ambiente de jogo, para ser passível de punição.

(Com informações da coluna Olhar Olímpico, do UOL)

Ideias improváveis e geniais – Belchior canta Paulo Diniz

Belchior tributa Paulo Diniz com essa interpretação de “O Meu Amor Chorou” (de Luiz Marçal). Acompanham o bardo cearense os irmãos piauienses Clodomir, Climério e Clésio Ferreira. Radicados em Brasília, são compositores importantes e nem sempre reconhecidos. Clodô é um dos responsáveis pelo sucesso popular de Raimundo Fagner. É dele a canção “Revelação”, que colocou Fagner nas paradas de sucesso e o tornou um campeão de vendas.

Mundial inspira pachequismo

POR GERSON NOGUEIRA

É quase patética a preocupação da mídia esportiva do Sudeste em relação a detalhes sobre o estado físico de jogadores do Real Madrid e até mesmo com a programação de jogos do clube merengue nas próximas semanas. Tudo isso em nome de um pachequismo explícito, justificado pela carência de títulos mundiais da Seleção Brasileira – há 20 anos sem ganhar a Copa do Mundo. Essa circunstância conduz naturalmente à expectativa pela campanha do Flamengo no Mundial de Clubes.

A cobertura do embarque do time rubro-negro ontem à noite, no Rio, para um voo até Casablanca, no Marrocos, cumpriu meticuloso ritual, que envolveu a filmagem de todo o trajeto do ônibus em direção ao aeroporto. Nem a Seleção de Tite mereceu tal honraria a caminho da Copa do Qatar.

O fato é que há um clima generalizado – e sempre perigoso – de oba-oba mal disfarçado. Mesmo com o reconhecimento de que o atual Flamengo não tem a qualidade técnica e nem a consistência tática do time de 2019, treinado por Jorge Jesus, a torcida se mantém inabalável. Naquele mundial, o Flamengo teve o Liverpool pela frente e conseguiu sustentar um confronto equilibrado, desfrutando até de algumas chances.

Desta vez, o provável adversário na final é o Real Madrid, que já conquistou por sete vezes o Mundial de Clubes e é o maior papão de títulos do planeta. A filosofia do clube, desde sua criação, é a de vencer todas as competições possíveis. Por isso, não existe a menor possibilidade de ver um Real mesclado nos jogos do torneio.

Éder Militão e Benzema saíram do jogo de ontem, pelo certame espanhol, com lesões de níveis diferentes. Com incômodo muscular, o zagueiro brasileiro será poupado diante do Mallorca, no próximo domingo. O problema com Benzema aparentemente não preocupa.

Na caminhada rumo à decisão tão sonhada, o Flamengo terá pela frente o vencedor de Al-Hilal e Wydad Casablanca, campeão marroquino. A lógica indica que o melhor adversário para os rubro-negros seria o time saudita, pois a torcida da casa é famosa pela intensidade de sua participação. A recente presença na Copa do Mundo confirma isso. Fiquei impressionado ao ver que a gritaria e as vaias interferem no andamento do jogo.  

Em termos de comparação entre os times favoritos para o título, se o Flamengo não é tão forte quanto há três anos, o Real também não é o mesmo de um ano atrás. Até o ataque avassalador, que tinha a trinca Rodrygo-Benzema-Vinícius, não mostra a mesma letalidade.

Carlo Ancelotti tem utilizado Rodrygo sempre como jogador de segundo tempo e ele mantém a eficiência para mudar o panorama de jogos, que Tite não conseguiu extrair na Copa. Mesmo aparentemente mais cansado, o Real tem vários outros atletas de primeiríssima linha – Courtois, Modric, Kroos, Camavinga, Rudiguer, Tchouaméni, Asensio…

Ontem, diante do Valencia, no Santiago Bernabéu, mostrou competência para superar o adversário, metendo por 2 a 0. Vinícius Jr., que comemorava o 200º jogo com a camisa do Real, fez um dos gols e levou uma sarrafada do zagueiro Gabriel Paulista, que foi expulso em seguida.

No Fla, há a ausência sempre lamentada de Bruno Henrique, peça de destaque na equipe de 2019. Em seu lugar, Vítor Pereira tem hoje o centroavante Pedro, jogando quase sempre em dupla com Gabriel Barbosa. Arrascaeta e Everton Ribeiro são os responsáveis pela criação. A zaga, porém, inspira cuidados e desperta apreensões.

Intervenção impõe papel humilhante ao TJD

A comunicação oficial sobre a intervenção no TJD, assinada pelo presidente do STJD, Otávio Noronha, chegou finalmente ontem. Os termos são duros e até certo ponto humilhantes para a corte desportiva paraense. A partir de agora, todos os documentos que passem pela análise do tribunal terão que ser remetidos à corte superior, onde uma comissão extraordinária fará o pente-fino e só então irá deliberar a respeito.

A punição imposta ao TJD pelo episódio envolvendo o Paragominas transforma o tribunal em mero balcão de recebimento de papéis, sem qualquer autonomia ou poder decisório. A essa altura, a saída mais digna talvez fosse a renúncia coletiva dos integrantes do tribunal paraense.

Velha Senhora está metida em bronca outra vez

A Juventus, potência do futebol italiano, volta a ser investigada por possíveis irregularidades em contratações de atletas e ações ilegais no mercado de ações. Um dos truques era utilizar um esquema de maquiagem de valores para dourar balanços financeiros e, com isso, preservar sua licença para continuar na Série A.

O jornal Corriere dello Sport informou ontem que a Procuradoria da Federação Italiana de Futebol (Figc) apura o caso e não afasta a hipótese de punir o clube com a perda de 20 pontos na classificação do campeonato.

Foram mais de 60 transferências realizadas pela Juve de forma suspeita entre 2018 e 2021, agora sob análise da Comissão Supervisora da Série A.

O problema parecia resolvido quando o processo foi encerrado em abril do ano passado, mas surgiram novos indícios de maracutaia e o caso foi imediatamente retomado. Caso perca 20 pontos, será mais uma punição sofrida pelo clube por causa do escândalo.

Antes, a Velha Senhora perdeu 15 pontos devido a fraudes fiscais na aquisição de jogadores. Dez dirigentes e ex-gestores também foram afastados. A punição fez a Juve despencar da 3ª para a 10ª colocação – no momento, o time está na 13ª posição. Uma nova sanção levará ao rebaixamento de uma das mais tradicionais equipes da Itália.

Não seria a primeira vez. Em 2006, o clube foi flagrado operando um complexo esquema de favorecimento – pressão, ameaça e suborno a árbitros – que existia desde 2004. Como castigo, a Juve foi rebaixada e ainda teve dois títulos nacionais cassados pela Justiça.

A lição pelo visto não foi assimilada. Aliás, sobre esse primeiro escândalo, há um documentário no Netflix que detalha os meandros do esquema de corrupção desvendado em 2006. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 03)

STJD define regras e providências da intervenção no TJD

Uma portaria publicada nesta quinta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), assinada pelo presidente Otávio Noronha, definiu os termos da intervenção no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Pará. Fica determinado que o tribunal terá que enviar ao STJD todos os expedientes sobre as competições oficiais realizadas no Estado, e não apenas as súmulas dos jogos. Determina ainda a criação de uma Comissão Disciplinar Extraordinária para julgamento das infrações disciplinares ocorridas nas competições.

A intervenção foi decidida por unanimidade na sessão do Pleno do STJD, realizada na terça-feira (01). O relator do caso Paragominas atribui ao TJD toda a responsabilidade pelo problema que provocou a paralisação do Parazão 2023.

Relato de senador pode levar a cadeia de comando do golpe e à quebra de sigilo de Bolsonaro e militares

Político diz que, após as eleições, Silveira pediu que ele se reunisse com Moraes para forçar conversa comprometedora e gravasse áudio. Nesta quarta, Do Val foi acusado de ‘traição’ por bolsonaristas por, supostamente, ter votado para reeleger Pacheco no comando do Senado. Segundo o Estadão, STF pode pedir quebra de sigilo de Bolsonaro e dos ex-ministros Augusto Heleno e Braga Netto

Com informações do G1, Globonews, Estadão e Folha de SP

O senador Marcos Do Val (Podemos-ES), que apoiou o governo de Jair Bolsonaro, pode se tornar uma testemunha decisiva para a prisão do ex-presidente. Do Val anunciou, em um post, que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) tentaram usá-lo para dar um golpe de Estado contra o Brasil. O senador acusou Bolsonar e Silveira de organizarem uma reunião, em dezembro, para propor o envolvimento do senador em um plano golpista.

Marcos do Val chegou a dizer nesta quinta, em rede social, que pediria afastamento do mandato. Ele foi eleito em 2018 e, com isso, tem mandato vigente até 2026. No fim da manhã, do Val voltou atrás e afirmou que “estuda” pedir afastamento do cargo de senador.

Em conversa com a GloboNews, Marcos do Val relatou um diálogo presenciado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), logo após as eleições de outubro, em que o então deputado Daniel Silveira teria proposto uma ação golpista ao parlamentar.

Segundo o jornal Estado de São Paulo, a partir do relato do senador, o STF estaria propenso a quebrar o sigilo do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seus ex-ministros, generais Augusto Heleno e Braga Netto.

A Polícia Federal solicitou, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou que seja tomado depoimento de Marcos do Val na investigação que apura atos golpistas. Silveira foi preso nesta quinta-feira por decisão de Moraes, devido ao descumprimento de medidas cautelares (entenda aqui).

Do Val afirma que a proposta de Silveira envolvia não desmobilizar os acampamentos golpistas e, enquanto isso, gravar sem autorização alguma conversa que comprometesse Alexandre de Moraes, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Eles me disseram: ‘Nós colocaríamos uma escuta em você e teria uma equipe para dar suporte, e você vai ter uma audiência com Alexandre de Moraes, e você conduz a conversa pra dizer que ele está ultrapassando as linhas da Constituição. E a gente impede o Lula de assumir, e Alexandre será preso'”, relatou Do Val ao g1.

O senador diz que a proposta foi verbalizada pelo então deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) – Bolsonaro estava na mesma reunião e indicou concordar com a ideia. Do Val diz que pediu para analisar a proposta e responder em um segundo momento. E que, em seguida, relatou o caso ao próprio ministro Alexandre de Moraes. Ainda de acordo com o senador, Moraes ficou surpreso e considerou a proposta “um absurdo”.

Uma suposta troca de mensagens entre o ex-deputado Daniel Silveira e o senador Marcos do Val (Podemos-ES) mostra o plano de golpe de Estado e impedir a posse do presidente Lula. Na conversa, divulgada à imprensa por do Val, Silveira teria dito que o plano ficaria “restrito a um círculo de 5 pessoas”.