Os dilemas do novo Remo

bol_ter_230118_11.ps

POR GERSON NOGUEIRA

O amigo Edyr Augusto Proença, um dos 27 baluartes assíduos deste espaço, levantou uma questão pertinente a propósito do tropeço remista em Tucuruí no último sábado: já que a defesa é lenta, o meio não cria e o ataque não chuta, por que não colocar em ação os jogadores nativos?

Concordo com ele e vou além. O Remo tem se dado mal há várias temporadas porque aposta em técnicos pouco familiarizados com um campeonato que tem suas particularidades, punindo com rigor quem se arvora a jogar sem certas cautelas, principalmente nos campos do interior.

Um dos pontos fundamentais diz respeito à intensidade do jogo e à velocidade que os times emergentes usam como arma para alcançar um mínimo de equilíbrio com os titãs da capital, normalmente mais generosos em investimentos e contratações.

Quando enfrentam uma equipe ainda desarrumada e órfã de entrosamento, os interioranos costumam levar vantagem. Não por coincidência, isso tem ocorrido seguidamente nas incursões azulinas pelos campos de Marabá, Santarém, Cametá, Paragominas, Parauapebas, Castanhal, Bragança e Cametá.

Desde 2012, o Leão não vence dentro de Tucuruí. A estatística é amplamente favorável ao Independente em jogos disputados no estádio Navegantão. Nada a ver com as condições climáticas ou com a qualidade da grama. É questão de equilíbrio de forças e uso de estratégia adequada.

No sábado, além da dificuldade natural de encaixar um sistema de jogo que vive fase embrionária, o Remo teve contra si um gol aos 2 minutos. Para usar uma imagem compatível com a principal riqueza do município, pode-se afirmar que a equipe de Ney da Matta levou um choque elétrico. O impacto foi tão forte que o time perdeu o rumo e não conseguiu se recobrar ao longo dos 88 minutos seguintes.

A má atuação não pode ser observada apenas pelo prisma atual. Ney da Matta e o atual elenco sofreram as consequências da queda de prestígio (e respeito) do Remo junto às equipes interioranas. No passado, o time chegava e se impunha, mesmo que não estivesse lá muito bem das pernas.

O tempo se encarregou de mudar as coisas. Hoje, com os times mais atentos à competição estadual, sabedores de que têm mais chances de êxito no começo da disputa – quando os grandes da capital ainda estão formatando suas equipes –, a situação é inteiramente inversa ao que se via lá no começo dos anos 2000.

Mais difícil fica a situação quando os times da capital montam seus elencos majoritariamente com jogadores de fora, pouco afeitos ao Parazão. No caso do Remo, que no ano passado iniciou o ano com um time regionalizado (conseguindo se sair relativamente bem), tudo ficou mais difícil com a remontagem completa do elenco, com ênfase em peças de fora.

É esta intrincada equação que Da Matta precisa solucionar, já sem tempo de sobra para isso. Três dias apenas depois da derrota em Tucuruí já há um novo desafio pela frente, hoje, contra o Águia. Parada indigesta.

—————————————————————————————–

Sheik e a mania da benemerência no futebol

A notícia de que o Corinthians está contratando Emerson Sheik é daquelas que confirmam que o futebol de fato está andando para trás no Brasil. Se não for por alguma espécie de gratidão, a iniciativa corintiana revela apenas ausência de opções no mercado e insistência com o lado nostálgico que certos jogadores carregam.

Sheik foi fundamental na conquista da Libertadores, é um jogador carismático e de grande empatia com o torcedor, mas em campo já não é nem pálida sombra do que foi, visto que está beirando os 36 anos e tem dificuldades de jogar 90 minutos. Foi assim na Ponte Preta, no ano passado, durante a Série A.

Ocorre que nos clubes, principalmente os de massa, há sempre um diretor amigo disposto a fazer benemerência e ganhar pontos junto ao torcedor mais desmiolado. O chato é que, como sempre, a conta estoura nos cofres da agremiação e não de seus dirigentes temporários – e perdulários.

————————————————————————————–

As vantagens de armar um time a partir de uma espinha pronta

O Papão foi a Castanhal, não se deixou intimidar pela pressão dos donos da casa no começo da partida e usou de frieza objetiva para alcançar a vitória. A postura firme de focar na meta principal, sem se deixar perturbar pelas dificuldades de momento, é uma característica de times vencedores e que não fraquejam diante de qualquer obstáculo.

Não estou com isso dizendo que o atual time de Marquinhos Santos já está pronto e consolidado. Longe disso. Observa-se, porém, que é uma equipe mais talhada para as intempéries. Não refuga diante do primeiro problema enfrentado. Isso é, sem dúvida, um bom sinal.

Quem acompanhou a partida de domingo notou que o Castanhal usou o mesmo expediente do Independente no dia anterior contra o Remo. Velocidade, marcação adiantada e saída forte pelos lados do campo. A ideia era aproveitar a previsível perturbação inicial do visitante para sufocar e abrir vantagem.

Apesar do esforço castanhalense, exposto nas sucessivas investidas de Junior Rato, Souza e Dedeco, principalmente, o Papão se manteve razoavelmente tranquilo, embora titubeando na cobertura defensiva que deveria ser executada pelos volantes.

Poucas vezes o time se arriscou a subir ao ataque com mais de cinco jogadores. Só buscou essa pressão mais encorpada quando a situação permitia, sem representar riscos maiores. Ainda assim, a condição ideal só apareceu no finalzinho do primeiro tempo e foi aproveitada de maneira implacável.

O que viria depois confirmou a evolução anímica da equipe, centrada o suficiente para perceber as falhas do adversário e investir sobre elas. Fez mais três gols aproveitando as chances surgidas. Foi um procedimento cirúrgico, sem desperdícios.

Para tanto, contribuiu enormemente a espinha remanescente da Série B 2017. Marcão, Perema, Diego Ivo, Carandina, Renato Augusto e Fábio Matos. A partir deles, mesmo com curto período de treinos, Marquinhos está construindo a nova equipe e os resultados já começam a aparecer.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 23)

Um craque assume o poder na Libéria

000f4405-800

George Weah, eleito melhor jogador do mundo em 1995 quando defendia o Milan, prestou juramento nesta segunda-feira (22/1) como presidente da Libéria diante de milhares de partidários, na primeira transferência de poderes entre dois presidentes eleitos neste país desde 1944.

Weah, de 51 anos, prestou juramento ao meio-dia diante do presidente da Suprema Corte, Francis Korkpor, no maior estádio da Monróvia, lotado, constataram jornalistas da AFP. A influente senadora Jewel Howard-Taylor, eleita vice-presidente de Weah, ex-esposa do chefe de guerra e presidente Charles Taylor (1997-2003), também prestou juramento.

Weah prometeu emprego e educação no país africano, 15 anos após atrozes guerras civis (1997-2003), que deixaram 250 mil mortos.

“Passei muitos anos da minha vida nos estádios, mas o que sinto hoje é incomparável”, disse ele depois de prestar juramento no estádio Samuel Kanyon Doe, nome do ex-presidente do país (1980-1990), o único que não pertencia à elite “americano-liberiana”, descendente de escravos libertos nos Estados Unidos e que dominou a vida política nacional por 170 anos.

“Unidos, temos a certeza de alcançar o sucesso como uma nação. Divididos, temos a certeza do fracasso”, advertiu, referindo-se à guerra civil. O ex-jogador de futebol sucede a Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África em 2005, que deixa o poder após dois mandatos consecutivos de seis anos cada.

Vários chefes de Estado de países vizinhos participaram do evento, que também contou com a presença de amigos e ex-jogadores de futebol de Weah, ex-estrela do Monaco, Paris-Saint-Germain e Milan.

Weah conquistou o Bola de Ouro em 1995, sendo o único africano a vencer este prêmio que distingue todo o ano o melhor jogador do planeta. Depois de uma derrota durante sua primeira candidatura à Presidência em 2005 contra Sirleaf, ele conseguiu transferir sua popularidade para o cenário político e se tornou senador em 2014.

image

“Esta é a primeira vez que assisto a uma transferência pacífica de poder na Libéria”, disse Samuel Harmon, um vendedor de rua de 30 anos. “Toda a esperança deste povo depende dele (Weah). Todos pensam que, se ele falhar, a maioria das pessoas ficará desapontada com os políticos”, completou Harmon.

Pressão

Nos seus 12 anos à frente do país, Sirleaf conseguiu manter a paz após as guerras civis que deixaram cerca de 250 mil mortos entre 1989 e 2003. Em relação às reformas econômicas e sociais, porém, seu balanço é menos brilhante, e a pobreza extrema se espalhou no país, um dos piores Estados do mundo em termos de saúde, educação e desenvolvimento.

Durante uma missa realizada no domingo na Monróvia, Weah e Sirleaf mostraram sua unidade após uma campanha eleitoral difícil. Derrotado por Weah no segundo turno em 26 de dezembro, o vice-presidente em final de mandato, Joseph Boakai, denunciou em um primeiro momento fraudes nas eleições.

Seu recurso judicial adiou a realização do segundo turno e, portanto, reduziu o período de transição. O novo presidente teve apenas um mês para formar sua equipe de governo. A posse “implica continuidade e também uma resposta aos desafios da Libéria”, disse o ex-presidente Sirleaf à AFP no domingo.

maxresdefault

Weah terá de impulsionar a transformação de uma economia deprimida e que depende, em grande medida, da borracha e do minério de ferro, além de tentar atender às expectativas dos jovens que o levaram ao poder.

“Eles querem me ver como um ex-jogador de futebol, mas sou um ser humano. Tento ser excelente e posso ter sucesso”, declarou no sábado (20/1), reafirmando que sua prioridade é manter a paz.

Alguns observadores duvidam, no entanto, de sua capacidade de combater a corrupção endêmica no país. “Ele está sob a pressão de vários círculos eleitorais, e é improvável que nomeie um pequeno governo de especialistas, como anunciou após sua vitória”, aponta o analista político Malte Liewerscheidt.

Os nomes que circulam “indicam claramente que vamos ver o pagamento de dívidas políticas, o que sugere a continuação de certas práticas, em vez de uma nova era política na Libéria”, acrescentou. (Do Chuteira F.C., com AFP)

Balança da riqueza no Brasil: 5 por 102 milhões

top5

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Se alguém contasse a você a história de um reino distante no tempo e no espaço onde cinco pessoas tivessem mais de que 102 milhões se súditos você pensaria em potentados árabes e escravos suando sob sol e chibata.

Mas esse reino é aqui e agora.

A Folha publica hoje dados da distribuição de renda no mundo e nada de novo há senão a aberração que muitos passaram a achar “normal”:  82% de toda riqueza gerada em 2017 ficou nas mãos do 1% mais rico do mundo”, enquanto a metade da humanidade – 3,7 bilhões de pessoas – ganhou, literalmente, nada, exceto ima vida miserável.

Mas não é possível deixar passar o recorte destacado pela repórter Fernanda Mena, informando que os cinco homens mais ricos do Brasil ficam com uma renda igual ao de 102 milhões de brasileiros. São os da fileira de cima da foto e, apesar de não ter os números, acho que com os cinco da fileira de baixo devemos chegar perto de representarem a mesma renda de 153  milhões de almas verde-amarelas.

Para ficar bem claro: cada um dos cinco “vale” por 20,5 milhões de pessoas.

Mas são eles, reza o mantra neoliberal, os que nos sustentam com seus impostos, não é? Eles é que dão dinheiro ao estado para filantropias como a Bolsa Família que, no dizer do rechonchudo Rodrigo Maia, “escraviza” os pobres.

Só que não. Diz o jornal que “os 10% mais pobres do país gastam 32% de sua renda em tributos, a maior parte deles indiretos (sobre bens e serviços), e os 10% mais ricos gastam 21%.” E eu duvido deste dados, porque é provável que se esteja somando aí impostos pagos por empresas e repassados aos consumidores.

Ah, mas os ricaços são ricaços porque trabalharam muito e com enorme talento. De novo, nem sempre: “O relatório global da Oxfam aponta que cerca de um terço das fortunas dos bilionários do mundo provém de heranças ou de relações entre empresários e governos.”

Um professo explica lá na matéria que “nossa desigualdade é mais ligada a problemas estruturais, como falta de educação pública de qualidade e o fato de os servidores públicos, ativos e inativos, ganharem muito mais que o restante da população”

Ah, “fessor”, desculpa aí, mas por mais que haja deformações inaceitáveis com alguns privilegiados – togados, fardados ou “paletozados” – o dinheiro que ganham não tamparia nem o buraco da cárie de turma que não é do andar de cima, é da cobertura. Isso se eles tivessem cáries.

Eles são nada, em matéria de dinheiro perto dos megarricos. Embora, é verdade, tenham uma importância imensa para eles. Afinal, são os feitores que os protegem, que os adulam, que lhes fazem as vontades na política e mantêm a ordem no porão.

‘Não vamos aceitar, o Brasil vai parar’: marcha pró-Lula reúne milhares em Porto Alegre

20180122-jornal-sul21-jb-220118-9068-10

A manhã da segunda-feira (22) começou com cerca de três mil manifestantes cruzando a Ponte do Guaíba, em Porto Alegre, em defesa do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. “Não vamos aceitar, o Brasil vai parar”, cantavam em caminhada para o Anfiteatro Pôr do Sol, nas imediações do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), onde um acampamento está sendo montado pelos movimentos sociais para acompanhar o julgamento de Lula.

“O fundamental de toda essa mobilização é que o povo brasileiro protagonize um processo de resgate da democracia que foi golpeada em 2016”, disse o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra.  A marcha contou com o apoio de movimentos ligados à Frente Brasil Popular, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), Via Campesina, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Levante Popular da Juventude, entre outras organizações.

20180122-jornal-sul21-jb-220118-9042-01

Pouco depois das 8h, os manifestantes cruzaram a Av. da Legalidade e da Democracia e chegaram à Avenida Mauá. Próximos da prefeitura, cantavam pela liberdade de Lula para que possa ser candidato nas próximas eleições e contra o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (MDB) e o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. (PSDB). “Se a classe trabalhadora não tiver candidato, a eleição é uma hipocrisia”, defende João Pedro Stédile, membro da direção nacional do MST.

A caminhada seguiu pela Borges de Medeiros, com rumo à Ipiranga e com destino final no Acampamento pela Democracia e em Defesa do direito de Lula, montado no Anfiteatro Pôr do Sol.

20180122-jornal-sul21-jb-220118-8890-05

Julgamento

Na quarta-feira (24), em Porto Alegre, a 8ª Turma do TRF-4  decidirá se mantém ou não a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão imposta pelo juiz federal Sergio Moro em julho de 2017. Em 2016, o Ministério Público Federal denunciou Lula por ter recebido R$ 3,7 milhões em propinas por meio de um apartamento triplex.

Diversas mobilizações foram organizadas ao longo da semana para compor o calendário em apoio ao ex-presidente:

Segunda – 22 de janeiro

18h- Ato de Juristas e Intelectuais em defesa da Democracia, no auditório da Fetrafi-RS (Rua Fernando Machado, 820), no centro da Capital;

Terça – 23 de janeiro

9h – Plenária das Mulheres pela Democracia e pelo Direito de Luta ser Candidato, com as presenças da presidente deposta Dilma Rousseff e da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), dentre outras, no Teatro Dante Barone, na Assembleia Legislativa do RS.

14h – Ação Global AntiDavos, com a participação dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Roberto Requião (PMDB-PR), do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Edegar , dentre outros, no auditório Dante Barone na Assembleia Legislativa do RS

16h – Concentração para uma marcha na Esquina Democrática e Ato político cultural no acampamento da resistência

Quarta – 24 de janeiro

Vigília e ato público em frente ao TRF4

20180122-jornal-sul21-jb-220118-8945-07

(Fotos: Joana Berwnager/Sul21)

Mais informações podem ser encontradas no site www.comlulaempoa.com.br

O Brasil não tem imprensa de verdade

Por Mario Marona (*), no Facebook

“O Brasil não tem uma imprensa independente.

O Brasil não tem uma imprensa isenta que não seja pobre, alternativa, e feita com o sacrifício pessoal de uns poucos jornalistas que abrem mão do conforto que poderiam dar às suas famílias para suprir a carência de informação confiável na mídia tradicional.

Como fazia a Última Hora, nos anos 50, como fez a “imprensa nanica” durante a ditadura.

Já é assim há muito tempo.

A imprensa brasileira formal é facciosa, venal e criminosa.

Liderou, apoiou ou sustentou politicamente as piores tragédias políticas e econômicas da história contemporânea do Brasil.

pulit

Não é apenas porta-voz do atraso, é por si mesma parte e causa do atraso.

A imprensa brasileira levou Vargas ao suicídio.

Destruiu a reputação de JK.

Derrubou Jango.

Propiciou a radicalização do golpe militar com o AI-5.

Permitiu, escondendo e distorcendo fatos, a tortura de milhares de militantes políticos de oposição.

Escondeu os crimes cometidos pela ditadura militar.

Além de omitir ou fraudar informações sobre os crimes da ditadura, ofereceu apoio logístico e veículos para a polícia política.

Fez aprovar uma anistia que perdoou assassinos de presos que estavam sob a custódia do estado.

Impediu as eleições diretas, quando o país já estava pronto para elas.

Promoveu uma eleição indireta de caráter conservador.

Inventou e elegeu Fernando Collor, derrubando-o depois, quando ele já não interessava mais ao poder.

Mentiu e manipulou para enfraquecer politicamente Leonel Brizola e impedi-lo de se eleger presidente da República.

Fraudou a lisura da disputa entre Lula e Collor no segundo turno daquela eleição.

Apoiou todos os planos econômicos liberais que empobreceram a população.

Sabia da compra da emenda da reeleição por Fernando Henrique Cardoso e silenciou.

Reelegeu Fernando Henrique quando o Plano Real já havia cumprido seu papel e o país afundava economicamente.

Criou o medo do agravamento da crise econômica para tentar impedir a eleição de Lula em 2002.

Superdimensionou e deturpou o mensalão, e intimidou o STF para que o PT passasse a ser odiado pela população.

Tentou impedir a reeleição de Lula, apesar de sua enorme popularidade.

Mentiu, criou denúncias falsas e cobriu de maneira facciosa a campanha que elegeu Dilma Rousseff em 2010.

Em 2013, apoiou enquanto julgou necessário os atos de protesto violentos e manipulados pela direita contra um governo democrático.

Cometeu todas as fraudes de informação possíveis e sequer imagináveis para forçar a vitória de Aécio Neves na eleição de 2014.

Liderou com o PSDB e a oposição conservadora a maior sabotagem econômica e política já cometida contra um governo na história, comparável apenas ao que havia feito contra Vargas.

Criou, com o boicote ao governo no Congresso e no mercado, o ambiente propício a queda da popularidade e do apoio a Dilma.

Convocou, apoiou abertamente e amplificou as manifestações de protesto contra o governo em 2015.

Transformou Eduardo Cunha no homem poderoso que acabaria por liderar no Congresso o impeachment da presidenta, escondendo da população a sua verdadeira face corrupta e criminosa, que já conhecia.

Por meio de notícias, colunas e comentários, pressionou o STF a fugir covardemente do papel de garantidor do cumprimento da Constituição, que poderia ter impedido um impeachment sem crime de responsabilidade e por motivos fúteis.

Apoiou abertamente o golpe de estado e está enganando a população sobre os verdadeiros efeitos desastrosos de todas as medidas regressivas que tem coagido o governo ilegítimo a adotar.

Inventou, exaltou e sustentou as arbitrariedades cometidas pela operação Lava a Jato, pelos procuradores de Curitiba e pelo juiz Sérgio Moro.

Dedicou-se com persistência, todos os dias e sem qualquer concessão ao pluralismo de opinião, a atacar a reputação de Lula, destruir sua imagem pública e induzir o Judiciário a condená-lo por crime do qual não existem provas.

Neste momento, defende a confirmação da condenação de Lula e pressiona o TRF a sujeitar-se aos seus interesses.

Trata como verdade inquestionável qualquer notícia negativa para Lula e esconde de seus leitores, ouvintes e telespectadores informações que possam ser favoráveis ao ex-presidente em sua luta legítima por absolvição.

Prepara-se, em desesperada busca por um candidato, para interferir e vencer a eleição deste ano.

É a maior produtora e reprodutora de notícias mentirosas ou parciais que causem danos à imagem de governos progressistas do Brasil e de qualquer país.

Inspirou, pelo exemplo de seu vocabulário crescentemente grosseiro contra adversários, a linguagem de esgoto que se tornou corriqueira nas redes sociais.

Vale-se da ignorância, da truculência, do preconceito e de impunidade das redes sociais para dar credibilidade às suas próprias mentiras.

Enquanto o Brasil não tiver uma imprensa independente e isenta, que sirva de alternativa e contraponto, será governado por uma imprensa inescrupulosa e canalha.”

(*) Mario Marona é jornalista

A bola quadrada de Sergio Moro para o TRF-4

bola-quadrada-de-sergio-moro-trf-4

Por Kennedy Alencar, em seu blog

Os três desembargadores que julgarão o recurso de Lula terão desafio inédito na Lava Jato, porque analisarão sentença extremamente contestada por boa parte dos juristas e advogados, algo diferente de outras condenações de Moro que chegaram a Porto Alegre.

Há margem jurídica para absolvição, o que não é o comum nas sentenças que saem de Curitiba e chegam a Porto Alegre. As sentenças de Moro normalmente chegam redondas a Porto Alegre e são confirmadas na sua grande maioria pelos três desembargadores da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre. Agora, os três desembargadores receberam uma bola quadrada.

Advogados criminalistas apontam fragilidades da sentença de Sérgio Moro, como inversão do ônus da prova, condenação por fato que não consta da denúncia e incapacidade de provar a ligação entre a reforma no apartamento com três contratos da OAS com a Petrobras.

A decisão do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre, se confirmada ou não, terá forte influência no rumo político do Brasil. Isso aumenta muito a responsabilidade dos desembargadores. Como há fragilidade jurídica na sentença, o correto seria a absolvição.

Quem quer uma condenação política e moral de Lula pode fazer isso nas urnas. Portanto, os desembargadores terão de fundamentar melhor as suas decisões, caso optem pela condenação. Diferentemente de casos em que delatores assumiram culpas e apresentaram provas, Lula contesta com argumentos jurídicos consistentes a condenação de Moro.

Leão deve ter novas mudanças para enfrentar o Águia amanhã

leandrobrasilia_neydamatta

Depois da criticada atuação na derrota para o Independente, sábado, em Tucuruí, o time do Remo deve mudar novamente para o jogo desta terça-feira contra o Águia, no Mangueirão. O primeiro revés azulino não foi bem absorvido pela torcida, que constatou as muitas vulnerabilidades do time. Na prática, em nenhum momento o ataque azulino ameaçou o gol defendido por Paulo Rafael, salvo uma chegada de Jayme no segundo tempo.

O técnico Ney da Matta assumiu a culpa pelos erros, prometendo mudanças imediatas. Admitiu ter se equivocado nas modificações implementadas no meio-campo. “A gente quer movimentar aquilo que temos para depois ajustar o time. Não quero cometer injustiça com jogador para dizer depois que não teve chance de jogar”, considerou.

Acha, porém, que a derrota não foi causada pelas mudanças que fez, mas pelo gol sofrido logo a 2 minutos. “Aquele gol no início do jogo complicou tudo, atrapalhou toda a equipe. Infelizmente, não tivemos como nos recuperar. Faltou marcação e mais agilidade na saída de bola. Fomos presa fácil para o adversário. O time não teve como sair jogando. Foi inerte, deixou o Independente tomar conta do campo”.

Para enfrentar o Águia, Da Matta deve fazer novas mudanças, talvez voltando à escalação da estreia contra o Bragantino, a fim de conseguir a reabilitação. “Vamos trabalhar. Se for para mudar esquema, mudamos. Estamos aqui pra fazer esse time mais forte”, disse. Com a boa atuação, Jayme deve ser efetivado, pois Isac ainda está em condicionamento abaixo do ideal e Marcelo não conseguiu se encaixar, mesmo sendo o titular desde o primeiro jogo.

Time mais provável do Remo para amanhã: Vinícius; Levy, Bruno Maia, Martony (Mimica) e Felipe Recife; Geandro, Leandro Brasília e Andrey; Elielton, Jayme e Felipe Marques.