FHC admite que precisou “botar a mão na lama”

O sociólogo Fernando Henrique Cardoso admitia que era preciso “botar a mão na lama” para negociar com o Congresso. “Na proximidade de todos nós circulam malandros, é difícil evitá-los”, reconhece, nos último volume dos “Diários da Presidência”.

“Não tenho preocupação com pessoas nem com o falso moralismo”, anotou. “Tenho que contar com o que existe aí, a verdade é essa. É botar a mão na lama para fazer adobe para construir uma casa. É complicado”.

Apesar da confissão, segue com o discurso hipócrita em relação a Lula e ao PT.

Roger Machado disseca a questão racista no Brasil

Veja (abaixo) o vídeo da surpreendente entrevista do técnico Roger Machado após Fluminense x Bahia: “A bem da verdade é que dez milhões de indivíduos foram escravizados. Mais de 25 gerações. Passou pelo Brasil Colônia, passou pelo Império e só mascarou no Brasil República”.

Sem explicar “fuga para a Europa”, Ciro ataca sites progressistas

Por Joaquim Carvalho, no DCM

Na entrevista ao UOL, Ciro Gomes voltou sua metralhadora para dois sites progressistas, o DCM e o Brasil 247, e ofendeu, nominalmente, dois jornalistas, com declarações que não encontram amparo mínimo em fatos. Os jornalistas do UOL perguntaram se a oposição falhava em não mostrar os fatos que ligam Bolsonaro ao esquema de uso abusivo do WhatsApp na sua campanha eleitoral em 2018.

“Claramente, por causa dessa fração da oposição, que é o PT, a burocracia do PT. O PT fez a mesma coisa. O PT continua fazendo a mesma coisa. Se você olhar os sites 247, Diário do Centro do Mundo, é tudo picareta que o PT contrata nas piores escolas do jornalismo brasileiro e traz para servi-lo, fazendo a prática corrupta que fazia a serviço da direita bandida do Brasil para eles”, respondeu Ciro.

Um dos entrevistadores do UOL tentou focar no tema da pergunta, mas ele continuou: “Paulo Moreira Leite, quem é que não sabe de onde que vem? (dá uma risadinha) Esse Kiko Nogueira, quem é que não sabe de onde que vem? O Brasil vive de picaretagem, e a gente faz de conta que não sabe, um corporativismo exacerbado. O Kiko saiu do sistema Globo, da revista Época, banido porque estava fazendo picaretagem. O Moreira Leite foi demitido do Grupo Abril, onde fazia picaretagem a serviço da pior direita corrupta do Brasil”.

O repórter tentou voltar a pergunta, mas não conseguiu.

“Estão a serviço, e por dinheiro. As migalhas que caíram do mensalão, do petrolão, são eles que estão comendo.”

Ciro ainda tenta ligar a atuação dos sites a uma inexistente campanha difamatória contra o linguista Noam Chomski, que é formulador respeitado no campo da esquerda.

O que pretende Ciro Gomes?

O que ele disse sobre Kiko Nogueira é mentira flagrante. O jornalista que dirige o Diário do Centro do Mundo nunca trabalhou na revista Época.

Já Paulo Moreira Leite, com quem trabalhei na Abril, nunca foi demitido de lá. Saiu para atender a convite da editora Globo para dirigir Época.

São profissionais íntegros, que Ciro ataca por razões não declaradas. Uma possibilidade é seu incômodo com as críticas que os jornalistas fazem sobre sua saída do Brasil no segundo turno da eleição do ano passado, quando Fernando Haddad e Jair Bolsonaro disputaram a presidência.

Sua viagem à Europa, num momento crucial da democracia brasileira, facilitou a eleição de Jair Bolsonaro. Este é um fato, e a crítica em torno dele é feita sobre suas consequências no plano político. Não é uma crítica pessoal, ao contrário do que ele fez na entrevista ao UOL.

Suas declarações podem e devem ser interpretadas à luz do que define o Código de Processo Penal, no capítulo sobre crimes contra a honra. O Diário do Centro do Mundo repudia as declarações do ex-candidato a presidente, reafirma seu compromisso com o jornalismo orientado à defesa do Brasil e informa que processará Ciro Gomes.

‘Síndrome de Rony’ abala o Leão

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo parece sofrer de uma sina em relação a jogadores de nome Rony. Primeiro foi o atacante, que o clube perdeu no momento em que mais precisava dele, ao longo da Copa Verde de 2015. A entrada em cena de um empresário habilidoso tirou do Evandro Almeida, por R$ 230 mil (dinheiro que entrou oficialmente nas contas do clube), o maior talento revelado nos últimos 20 anos.

Pois o trauma pela perda de joia tão preciosa ameaça se repetir apenas quatro anos depois. Por irônica coincidência, um outro Rony é o protagonista da nova novela a se desenrolar nos bastidores do Leão.

Desta vez o Remo pode perder o lateral direito Rony, revelação que só ficou conhecido pela torcida ao entrar na partida que o Remo venceu o Atlético-AC, no Baenão, na Copa Verde.  

Depois, ele foi lançado no segundo tempo do primeiro clássico da semifinal diante do PSC. Na ocasião, Rony mostrou desenvoltura e habilidade. Foi o autor do chute que bateu na mão do lateral Bruno Collaço, gerando a polêmica do pênalti não marcado por Dewson Freitas.

No começo desta semana, Rony deixou a concentração do clube, onde mora. Como não se reapresentou, a direção de futebol fez contato com a mãe dele, que revelou que o jogador havia viajado a Barcarena, “para exames”.

A informação levantou as primeiras suspeitas porque Rony não precisa sair do Baenão para ser submetido a exames particulares – o clube oferece toda a estrutura necessária para atendê-lo. Mais surpreendente ainda foi a visita do atacante Gustavo Ramos, também empresariado pelo mesmo interessado na aquisição dos direitos de Rony.

Gustavo, segundo o presidente Fábio Bentes, teria ido à concentração apena para retirar os pertences de Rony, confirmando que o jovem atleta estava realmente abandonando o clube.

A partir daí, a história entra na seara judicial. O Remo vai tentar garantir seus direitos sobre o atleta, enfrentando o mesmo empresário que demonstra ter expertise em aproveitar as brechas nos contratos entre o Leão e seus jovens jogadores.

Segundo o presidente, a atual gestão não tem qualquer pendência em relação a Rony, mas, por via das dúvidas, ordenou um levantamento da situação do jogador no período final de 2017, quando o clube ainda era administrado por Manoel Ribeiro.

Situações que se repetem, ciclicamente, provando que o Remo ainda pode pagar preço muito alto pela negligência de gestões passadas.

TV que manda no futebol tenta reduzir desigualdade

Dona dos horários e se bobear até do regulamento do Campeonato Braileiro, a Globo parece estar readequando sua grade para tornar menos injusta a distribuição de cotas em dinheiro aos clubes, segundo informa o blogueiro Rodrigo Mattos. A mexida ainda é tímida, mas inaliza para uma mudança de postura, talvez por receio de uma “espanholização” da Série A.

A emissora paga 40% de forma igualitária, 30% por exibição na TV Aberta e outros 30% por classificação no campeonato. No total, serão distribuídos R$ 180 milhões por transmissão de jogo na TV aberta.

Como 90 jogos serão exibidos, cada clube deve faturar entre R$ 1 milhão e R$ 1,2 milhão cada vez que seu time aparecer na grade global. O Athletico-PR é o líder, com 16 partidas exibidas. As partidas do clube ssão contabilizadas tanto na TV Aberta como na internet, o que também conta como exibição na aberta.

O segundo colocado é o Corinthians, com 11 partidas, mas sua vantagem para os demai clubes diminuiu em relação a outros anos. Outra novidade é que o Flamengo não é o time com mais exibições. Tem nove partidas, abaixo do Vassco, com 10. Os outros clubes com nove jogos são Santos, Palmeiras, Internacional, Cruzeiro, Atlético-MG e Botafogo.

Apenas o Grêmio, dentre o grandess, destoa na distribuição de jogos. Teve aomente cinco partidas exibidas porque a emissora não prioriza times que usam reservas e têm partidas pouco atrativas. Pelos valores das cotas, o Athletico já acumulou R$ 17 milhões, quase 10% do total por exibição.

É cedo demais para imaginar um sistema de distribuição mais equânime, mas já é um começo. Seria oportuno que a CBF e os próprios clubes lutassem verdadeiramente para evitar que a Primeira Divisão se torne feudo de quatro ou cinco clubes, deixando um rastro de prejuízo para os demais.

STJD passa pano para a invasão nos Aflitos

A invasão do campo do estádio dos Aflitos após a partida entre Náutico e PSC, no mês passado, custou ao time pernambucano a graciosa multa de R$ 4 mil (R$ 2 mil por arremesso de objetos ao gramado e R$ 2 mil pela invasão).

Brando e compreensivo, o STJD tirou por menos o tumulto causado pela torcida do Timbu e desconsiderou o que reza o artigo 213, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva – perda de até 10 mandos de campo, além de multa de R$ 100 mil.

A força política da Federação Pernambucana de Futebol falou mais alto. Se bem que, nesse departamento, o PSC não pode reclamar muito. As ocorrências do jogo contra o Juventude (2ª rodada da Série C) no estádio da Curuzu até hoje não foram julgadas pelo STJD.

Bola na Torre

O programa deste domingo de Círio começa às 21h, na RBATV. Guilherme Guerreiro comanda. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam dos debates.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 13)

Para Mourinho, Ronaldo Fenômeno foi o maior

Cristiano Ronaldo? Lionel Messi? Nenhum dos dois. O maior atleta que José Mourinho já viu jogar foi o brasileiro Ronaldo. Em declarações ao site Livescore.com, o treinador português ressaltou as lesões atrapalharam o brasileiro e que no quesito “talento natural”, o atacante é incomparável.

“É o melhor jogador de futebol que já vi dentro de campo. Acho que as lesões mataram uma carreira que podia ser ainda mais incrível, mas o talento que o garoto tinha aos 19 anos era incrível”, disse.

“Não teve uma carreira como a de Cristiano Ronaldo ou Messi, durante 15 anos no topo todos os dias, mas em talento natural… Incrível”, finalizou. José Mourinho segue desempregado desde que deixou o comando do Manchester United em 2018.

O treinador recebeu propostas de Benfica, Lyon, Newcastle e da seleção chinesa, mas declinou todas. Segundo a imprensa inglesa, o português está esperando para ver se o treinador Mauricio Pochettino vai deixar o comando do Tottenham e sonha em voltar para a Premier League. (Do Lance!)

Círio de Nazaré, um rio de fé e tolerância

Todo ano a grande festa se repete. É, como disseram nossos velhos poetas, o Natal dos paraenses. É uma celebração única, popular e intensa, magnífica e superior aos ritos oficiais e clericais. Nossa Senhora de Nazaré une os paraenses. Não há quem fique indiferente à festa, que é religiosa, mas é profana também – no que o termo tem de mais saboroso. É um festival, na verdade, com comilança, cheiros, sons e sabores.

Nasci numa imensa e ruidosa família católica de Baião. Lá, nosso padroeiro é Santo Antonio, em homenagem ao paraibano que fundou e deu nome à cidade. As festas, em escala menor, eram muito parecidas com a de Nazaré. Foguetes na alvorada, gente feliz nas ruas, cânticos e comida.

Sei que este é um cenário que e repete no Brasil todo, aquele país maravilhoso e rico em esperança que se alegra muito além das convicções religiosas. Não há neste Brasil festivo espaço para intolerantes e fascistas.

É claro que, volta e meia, dá para perceber um ranço aqui, outro acolá, mas no geral a liberdade de culto é exercida plenamente, a ponto de a festa ser aberta a todas as crenças, indistintamente. Além de católicos, evangélicos, adventistas, umbandistas, macumbeiros e espíritas são acolhidos com o mesmo carinho e generosidade.

Toda festa deveria ser assim, sem exigência de crachá ou atestado de antecedentes. Obrigado, Nossa Senhora de Nazaré, por permitir que a tolerância seja bem exercitada.

Feliz Círio a todos!

A frase do dia

“Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estão fuzilando o Papa, o Sínodo, o Concílio Vaticano Segundo. Parece que não queremos vida, o Concílio Vaticano segundo, o evangelho, porque ninguém de nós duvida que está é a grande razão do sínodo, do concílio, deste santuário, a não ser a vida como já falei”.

Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida

Círio das Águas encanta e emociona romeiros

Depois da missa celebrada no trapiche do distrito de Icoaraci (foto), pouco antes das 9h deste sábado (12), a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré foi levada ao navio da Marinha “Garnier Santiago” para o início da terceira romaria da quadra nazarena: o Círio Fluvial pelas águas da baía do Guajará.

O Grupamento Fluvial da Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros deram apoio à Marinha na organização e segurança do Círio das Águas. No total, 23 embarcações e 105 homens das força de segurança estadual atuaram no controle das embarcações que acompanharam a romaria.

No total, 307 embarcações foram cadastradas pela Capitania dos Portos da Amazônia Oriental para participarem do Círio Fluvial. A romaria ocorre desde 1986, a partir de uma ideia do jornalista e historiador Carlos Rocque. Não foram registrados acidentes entre barcos.

Após cerca de 1h50 de Círio, a imagem da padroeira chegou à escadinha do cais ao lado da Estação das Docas, às 10h55, de onde foi conduzida com cortejo de motociclistas até o Colégio Gentil Bittencourt. À tardinha, sairá em direção à Catedral Metropolitana na tradicional procissão da Trasladação. (Foto: Gabriel Buenaño)