A frase do dia

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“Maradona está sendo exaltado pela mídia do mundo todo. Não só pela sua grandeza de gênio do futebol (uns o consideram o maior), mas também por suas transgressões, a coragem de seus posicionamentos, as fraquezas humanas. Há os que crescem por serem genuínos, e os que se apequenam”.

Hildegard Angel, jornalista

“Obrigado por ter existido, Maradona”, diz presidente da Argentina

O presidente Alberto Fernández comentou a morte de Diego Maradona e postou mensagem emocionada no Twitter.

“Você nos levou ao topo do mundo. Você nos fez imensamente felizes. Você foi o maior de todos. Obrigado por ter existido, Diego. Nós vamos sentir sua falta por toda vida”.

D. Diego Armando Maradona, um gigante

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Grande ídolo e craque máximo do futebol argentino, um dos maiores jogadores de todos os tempos, a notícia da morte de Diego Armando Maradona pegou a todos de surpresa nesta quarta-feira, 25. Segundo as autoridades, ele morreu num resort onde estava hospedado com a família em Tigre, Argentina, vitimado por uma parada cardiorrespiratória. No início deste mês, Maradona havia sido internado às pressas com sintomas de anemia. Os médicos descobriram uma pequena hemorragia no cérebro e foi necessária uma cirurgia para drenar o sangue. No dia 12 de novembro, ele recebeu alta e voltou para casa.

Maradona nasceu no dia 30 de outubro de 1960. Seu primeiro clube foi o Argentinos Juniors, de Buenos Aires. Sua estreia na time principal foi aos 15 anos. Após boas atuações pelo clube, transferiu-se para o Boca Juniors, em 1981, onde ficou por apenas uma temporada.  

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Apesar de idolatrado pela torcida xeneize, Maradona foi vendido ao Barcelona no ano seguinte. Mas foi o Boca que ele escolheu para encerrar a carreira, retornando ao clube em 1995 para fechar o ciclo vitorioso em 1997. Pela seleção argentina, Diego conduziu a equipe à conquista da Copa do Mundo em 1986, ficando marcado, entre outras coisas, pelo gol de mão, batizado de “La Mano de Dios”, no duelo contra a Inglaterra nas quartas de finais.

Naquele mundial, Maradona marcou cinco gols. Foi o apogeu de sua carreira, mostrando todo o repertório de dribles e arrancadas irresistíveis. Ao todo, o lendário camisa 10 disputou quatro mundiais pela seleção. Por clubes, ele conquistou dois campeonatos italianos (1987 e 1990), uma Copa Itália (1988) e uma Copa Uefa (1989) com a camisa do Napoli, além de um campeonato argentino em 1981 pelo Boca. 

Como treinador, Maradona assumiu a seleção argentina em outubro de 2008. O projeto era classificar a seleção para a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul. Maradona levou a equipe nacional ao 5º lugar daquele mundial. Após a seleção, ele passou pelo Al Wasl e Fujairah, ambos dos Emirados Árabes, pelo Dínamo Brest, da Bielorússia, e pelo Dorados de Sinaloa, do México.

Adiós, Maradona! Clubes, atletas e torcedores lamentam morte de ídolo argentino nas redes -

O último trabalho como técnico foi finalizado em novembro de 2019, quando ele deixou o Gimnasia y Esgrima, de La Plata, alegando problemas políticos pelo fato de o então presidente do clube não aceitar concorrer à reeleição. Até no final, Dieguito não perdeu a veia consciente e politizada. Um Deus dos estádios com perfil humano e a coragem de um guerrilheiro. Por isso mesmo, tão polêmico e tão amado.

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CNJ abre processo contra desembargadora por manifestações contra Marielle

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, abrir um processo administrativo disciplinar (PAD) contra a desembargadora Marília de Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), para verificar manifestações da magistrada em redes sociais, que evidenciam possível infração disciplinar, como posição político-partidária e discriminação. A decisão foi tomada nesta terça-feira (24/11), durante a 322º Sessão Ordinária do CNJ.

Relatora do Revisão Disciplinar 0000273-42.2019.2.00.0000, a corregedora nacional de Justiça, ministra Maria Thereza de Assis Moura, reuniu em um processo outros sete que questionavam a conduta da magistrada. Entre as postagens questionadas estão ofensas à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, a Guilherme Boulos, ao ex-deputado federal Jean Wyllys e ao próprio CNJ.

São Paulo terá manifestações simultâneas em memória ao assassinato de Marielle  Franco

A defesa de Marília de Castro Neves Vieira alegou que os comentários feitos pela desembargadora se referiam a questões políticas e sociais de domínio público. Disse ainda que o magistrado também é cidadão e, por isso, teria o direito de se manifestar. Além disso, segundo sua advogada, a desembargadora teria feito suas postagens em conta pessoal nas redes sociais, com acesso apenas aos seus contatos, sem se identificar como magistrada. Não haveria, portanto, prejuízo a terceiros, sendo possível manter a decisão do TJRJ de arquivar os processos.

Em seu voto, a relatora propôs a instauração do PAD, sem afastamento das funções, contra a desembargadora. Com base no Provimento nº 71 da Corregedoria Nacional e na Resolução CNJ nº 305/2019, que estabelecem os parâmetros para o uso das redes sociais pelos membros do Poder Judiciário; na Lei Orgânica da Magistratura (LOMAN) e no Código de Ética da Magistratura, a corregedora afirmou que os juízes têm, sim, direito à liberdade de expressão, mas não de forma absoluta.

Segundo a ministra, a postura dos magistrados deve ser regida pela prudência e responsabilidade. Ela ressaltou ainda que as postagens da desembargadora foram divulgadas pela imprensa e, em alguns casos, Marília de Castro Neves teria dado opinião de cunho político sobre processo em tramitação no TJRJ. A corregedora destacou que o posicionamento político-partidário da magistrada, criticando políticos – como no caso de Guilherme Boulos – e declarando apoio público ao atual presidente da República, viola o Provimento nº 71 e a Resolução CNJ nº 305/2019.

Ao analisar as queixas contra a desembargadora, Maria Thereza de Assis Moura arquivou as denúncias contra manifestações político-partidárias realizadas antes de dezembro de 2018, as críticas feitas ao CNJ e as opiniões em relação ao feminismo. As denúncias posteriores a dezembro de 2018, porém, deverão ser averiguadas no PAD, bem como as manifestações discriminatórias relacionadas a transexuais, pessoas com deficiência e contra a ex-deputada Marielle Franco.

Os conselheiros Mario Guerreiro e Luiz Fernando Keppen, além do ministro Luiz Fux, declararam suspeição e não votaram.

Lenir Camamura
Agência CNJ de Notícias

Um empate sem brilho

POR GERSON NOGUEIRA

Os cartesianos irão dizer que o Remo jogou com o regulamento e controlou a partida conforme sua conveniência. Fechado em seu campo, correu poucos riscos, trocou passes inúteis, atacou timidamente e conduziu o 0 a 0 até o fim. A pontuação permite um segundo lugar – pelo desempate em cartões amarelos – mas a situação no grupo segue indefinida, com quatro times (Remo, Vila Nova, PSC e Manaus) disputando três vagas. Ontem à noite, em João Pessoa, o Leão podia ter escapado a essa incerteza.

Além de um jogo horroroso, com muitos erros de parte a parte, Botafogo-PB e Remo tinham uma só intenção: não perder. Nesse sentido, foram bem sucedidos, mas o time da casa saiu no prejuízo, pois está a um ponto do penúltimo colocado (Treze) e a um passo da zona de rebaixamento.

O Remo, que foi a 27 pontos, também não tem muito a festejar, pois a segunda colocação na chave é ilusória. O empate adiou tudo novamente e a situação só ficará mais ou menos definido no confronto da próxima rodada com o Manaus, na capital amazonense.

Quanto ao que o Remo produziu em João Pessoa, vários pontos a observar, todos preocupantes. Há claros sinais de desgaste físico, caindo de rendimento a partir dos 20 minutos da etapa final, mesmo com várias substituições para recompor o estado geral da equipe.

Pior que a parte física é o aspecto técnico. Até jogadores que rendiam muito no começo da competição entram em visível processo de baixa produção, e justo no momento mais importante da disputa. Lucas Siqueira, Marlon e Eduardo Ramos simbolizam bem esse quadro de declínio.

São esteios do time, mas não funcionaram como tal nos últimos jogos. Para piorar, os companheiros não ajudam. O Remo é hoje um conjunto de atletas esforçados, que correm, se empenham e marcam muito, mas não criam e quase não agridem a defesa adversária.

Um dos achados de Bonamigo, as duplas pelos corredores laterais, praticamente não existe mais. Contra o Botafogo, que respeitou o Remo no primeiro tempo e ficou se defendendo com até oito jogadores, Bonamigo lançou uma escalação inédita, com Eduardo Ramos, Carlos Alberto, Felipe Gedoz e Eron. Uma temeridade.

Era óbvio que o time que iniciou a partida não iria ser mantido na etapa final. Diante disso, esperava-se um conjunto tecnicamente superior ao limitado Belo. Isso não se refletiu em campo. O Remo tocava bolas para os lados, recuava para os zagueiros, voltava a Vinícius e ficava nessa toada, sem partir para cima da marcação adversária.

Um panorama idêntico ao exibido em outros jogos da equipe fora de casa, como contra o Ferroviário e o Vila Nova. Deu a impressão, em determinados momentos, que o Remo funcionava melhor antes dos reforços acrescentados à equipe a partir de outubro. Gedoz segue sem estrear de fato, Salatiel é esforçado, Eron também. E só.

No 1º tempo, Vinícius evitou um gol em lance de bate-rebate na área. No segundo, voou para agarrar a bola chutada em direção ao ângulo esquerdo. Depois, torceu com os olhos para um chute desviado sair pelo lado.

A única chance real de gol para o Remo foi com Wallace, que havia substituído Gedoz. Ele limpou na entrada da área e tomou a decisão errada. Podia passar para Salatiel ou Ermel, mas chutou fraquinho. A zaga afastou.

Muito pouco para quem podia definir a classificação. Menos ainda para quem terá dois compromissos difíceis na sequência. E extremamente preocupante para quem sonha com o acesso. Quem quer subir não pode ser tão sem identidade, organização e compactação como visitante.  

Problemas técnicos enfraquecem o conjunto

Um amigo, muito atento às coisas azulinas, me escreveu antes do jogo de ontem angustiado com as últimas atuações do time, não apenas pelo tropeço diante dos reservas do Santa Cruz. Ele demarca a angústia como anterior a isso, citando as dificuldades criativas mostradas diante do Treze.

O desinteresse com a parte ofensiva quando o Remo joga fora de Belém é o ponto mais ressaltado por ele como sinal de alerta. Com várias opções para o ataque, Paulo Bonamigo parece se perder nas escolhas.

Pior ainda é observar que o técnico vem abandonando experiências bem sucedidas, como as duplas laterais, responsáveis por vitórias importantes, como sobre o PSC.

A dificuldade em optar por um homem de criação parece ter levado o treinador a utilizar logo três no jogo contra o Botafogo. Carlos Alberto, Eduardo Ramos e Gedoz. Podia ter deixado um deles para dar fôlego criativo ao time na etapa final.

Depois das mudanças, restou Eduardo Ramos em campo. Lutador, correu o tempo todo, mas para o time ele é hoje mais útil pensando e criando alternativas. Existem outros prontos a correr e marcar.

Quando cansou de vez, ali pelos 30 minutos, Wallace saiu da área e veio fazer o papel de organizador. Salatiel e Ermel ficaram correndo a esmo na frente, sem receber bolas de qualidade. Nem mesmo cruzamentos foram feitos para aproveitar a presença do centroavante.

Há algo de muito confuso no jeito de jogar do Remo, talvez nem os próprios jogadores consigam entender. É necessário que Bonamigo arrume a casa, há tempo para isso. Simplicidade é sempre uma boa aliada.

Messi e CR7 disputam o Prêmio de Melhor do século

Vai ser a escolha mais fácil do século. A Globe Soccer Awards anunciou ontem os nomes dos candidatos ao prêmio de melhor jogador do século 21. Quatro brasileiros estão listados: Kaká, Neymar, Ronaldinho e Ronaldo Nazário. Do quarteto, só Ronaldo teria alguma chance. Kaká e Neymar, por razões óbvias, não chegam nem perto da premiação. Ronaldinho foi bem até 2006, quando decidiu ir curtir a vida.

Acontece que, nos últimos 12 anos, o futebol consagra duas figuras acima de todas as demais: Lionel Messi e Cristiano Ronaldo. Zidane, também listado, é outro que só vai fazer figuração na plateia.

O resultado sai no dia 27 de dezembro, em Dubai. A escolha está sendo feita por meio de votação popular, o que transforma a premiação numa disputa particular entre Messi e CR7. Meu voto seria por La Pulga, obviamente, que até aqui é o grande craque deste século.

(Coluna publicada na edição do Bola desta terça-feira, 24)