Forças Armadas têm orçamento maior que o do Ibama para não fiscalizar Amazônia

Militares do Exército durante Operação Verde Brasil, realizada em Rondônia.

Por Hyury Potter – The Intercept_Brasil

A militarização do combate ao desmatamento na Amazônia não tem evitado recordes de queimadas e desmatamento, mas isso não parece abalar o ânimo do governo Bolsonaro em gastar dinheiro com as Forças Armadas na região. Do fundo de R$ 1 bilhão para reduzir desmatamento na Amazônia, criado após acordo da Lava Jato, mais da metade está separado para despesas do Ministério da Defesa. O valor é dez vezes o orçamento do Ibama, principal órgão ambiental fiscalizador, que ficou com R$ 50 milhões.

A opção do governo federal por militares fiscalizando estradas e rios, sancionada pela Garantia de Lei e Ordem para a região, sai mais cara que as medidas comuns adotadas pelo Ibama, como uso de inteligência na detecção por satélite de focos de desmatamento e queimadas e posterior ação de órgãos ambientais de fiscalização, segundo pesquisadores e ambientalistas com quem conversei. Pior: não são eficientes.

Com previsão de gastos de R$ 60 milhões por mês –orçamento médio de um ano do setor de fiscalização do Ibama –, a Amazônia sob GLO viu um mês de junho com maior número de queimadas desde 2007. Pesquisadores apontam que o Prodes, sistema de monitoramento por satélites que analisa o corte de árvores na Amazônia entre agosto e julho do ano seguinte, deve apontar um acúmulo de área desmatada ainda maior do que 2019.

Enquanto isso, o Ibama tem problemas com falta de pessoal e em 2020 caminha para um novo recorde: aplicar o menor número de multas em mais de dez anos. Como mostramos no começo da gestão de Ricardo Salles, desde abril do ano passado não há mais fiscalização ativa na floresta, aquela em que os fiscais vão a campo vistoriar serrarias ou buscar áreas desmatadas.

Também não parece ser intenção do governo Bolsonaro permitir que a sociedade acompanhe como o dinheiro do fundo está sendo gasto. Não há qualquer detalhamento sobre as despesas das Forças Armadas na GLO. Mas pelo orçamento da operação, atualizado no final de maio, é possível verificar que pelo menos R$ 520 milhões do fundo estão separados para o Ministério da Defesa em 2020. Destes, R$ 112 milhões são para o Comando da Marinha, que faz fiscalização de barcos em rios — mais do que o dobro do que o Ibama recebeu do mesmo fundo.

O cenário pouco animador para a Amazônia enfrenta outro desafio com a pandemia de covid-19. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, determinou que R$ 630 milhões do fundo da Lava Jato, do qual saiu o dinheiro da GLO, fossem utilizados pela União contra o desmatamento na Amazônia e outros R$ 430 milhões para ações de prevenção e fiscalização ambiental de órgãos estaduais. No entanto, quatro estados pediram para usar a verba na saúde por causa da pandemia. O Acre conseguiu decisão favorável ainda em 7 de abril, e no dia 13 de maio foi a vez dos governos de Maranhão, Mato Grosso e Tocantins pedirem pela realocação dos recursos. Assim, ações contra desmatamento perderam R$ 186 milhões em pouco mais de um mês.

Dias depois, em 29 de maio, o vice-presidente Hamilton Mourão ignorou a perda orçamentária e anunciou em uma cartilha de 19 páginas que usaria R$ 1,06 bilhão do dinheiro do Fundo da Lava Jato para implementar, com a ajuda das Forças Armadas, o seu “Plano Nacional para Controle do Desmatamento Ilegal e Recuperação da Vegetação Nativa 2020-2023”. O documento é considerado um rascunho de continuação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, criado em 2004 e que reduziu o desmatamento na Amazônia apostando em monitoramento e fiscalização de crimes ambientais, fomento a atividades produtivas e ordenamento fundiário. Só que, diferente do anterior, que tinha eixos bem definidos de atuação no combate ao desmatamento, o plano de Mourão, diz a ex-presidente do Ibama e especialista em políticas públicas do Observatório do Clima Suely Araújo, tem apenas diretrizes gerais, sem metas de redução de desmatamento ou de emissão de gases do efeito estufa. “Por exemplo, o Exército tem feito fiscalização em estradas, algo que o Ibama não faz há anos, ao invés de usar a inteligência de monitoramento por satélite de desmatamento que já existe no país”, critica Araújo.

Nos EUA, Deltan pegaria prisão perpétua ou pena de morte

Por Jeferson Miola (*)

Nos EUA, a pátria à qual ele serve e se subordina, Deltan Dallagnol poderia ser condenado à prisão perpétua por alta traição. Ou, até mesmo, ser condenado à pena de morte. No mínimo dos mínimos, pegaria muitos anos de cadeia. Numa sequência de tweets sobre a Lava Jato e o governo dos EUA, a editora da Agência Pública Natalia Viana mostra como Dallagnol negociava dinheiro em troca da cooperação ilegal com o FBI e agências de espionagem e inteligência dos EUA.

FBI e Deltan Dallagnol

Pelo menos desde final de 2014/início de 2015 – sem citar os alertas anteriores sobre as jornadas “anti-política e anti-corrupção” de 2013 – veículos da mídia independente já manifestavam estranheza quanto aos reais propósitos da Lava Jato sob o pretexto do falso combate à corrupção. Dramaticamente, tais alertas não tiveram ressonância.

Desde os primórdios da Lava Jato ficou claro que Moro e Dallagnol atuavam como cônsules dos EUA no Brasil, realidade que passou despercebida pelo governo petista. Em 2019, o procurador do Departamento de Justiça dos EUA Daniel Kahn descreveu o “relacionamento bom e forte” que os gringos mantinham com a organização criminosa de Curitiba, como Gilmar Mendes hoje chama a Lava Jato que ele próprio ajudou a germinar.

É preciso reconhecer que o governo Dilma falhou, e não agiu a tempo para impedir a conspiração televisionada em tempo real pela Rede Globo. A editora da Agência Pública explicita isso quando cita a reação patética de José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça, que acreditou na versão do chefe da “farmacinha” Rodrigo Janot, de que espiões estadunidenses se reuniam em Curitiba com a Lava Jato por “alguma finalidade acadêmica” [sic].

É uma indecência que, a despeito das abundantes evidências e provas, Dallagnol siga impune, fora da cadeia e ainda se desempenhando como procurador da República.

Se Deltan Dallagnol fosse funcionário público nos EUA e tivesse praticado lá os mesmos crimes de espionagem, entreguismo e traição que praticou aqui contra os interesses do Brasil, ele seria condenado por alta traição e já estaria confinado na prisão há muito tempo.

(*) Integrante do Instituto de Debates, Estudos e Alternativas de Porto Alegre (Idea), foi coordenador-executivo do 5º Fórum Social Mundial

CBF lança novo calendário: Série C vai até janeiro de 2021

Calendário do Futebol Brasileiro

A Confederação Brasileira de Futebol publicou hoje o calendário revisado de competições profissionais masculinas para o ano de 2020. O ajuste se deve à paralisação dos jogos por conta da pandemia de Covid-19 e a temporada tem o encerramento previsto para o dia 24 de fevereiro de 2021. O documento em anexo contempla também as datas-base das Eliminatórias para Copa do Mundo FIFA 2022.

Para o futebol paraense, a novidade é que a Série C, onde estão Remo e PSC, vai de 9 de agosto a 31 de janeiro de 2021, com 26 datas. A Copa Verde, porém, a exemplo do ano passado, não foi anunciada pela CBF.

As tabelas das Séries A, B e C serão mantidas conforme originalmente anunciadas. O detalhamento das primeiras rodadas será disponibilizado pela Diretoria de Competições no início da próxima semana, juntamente com as Diretrizes Operacionais para realização das partidas.

“Este redesenho é a forma que encontramos para entregar o calendário integralmente e garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pelos clubes com os detentores de direitos televisivos, patrocinadores e apoiadores”, destaca o Presidente da CBF, Rogério Caboclo.

Os calendários do futebol de base e do futebol feminino serão divulgados de forma independente nos próximos dias.

Campeonato Brasileiro

– A Série A do Brasileirão será disputada entre os dias 9 de agosto e 24 de fevereiro de 2021. O formato da competição segue mantido, em pontos corridos ao longo de 38 rodadas. 

– A Série B do Campeonato Brasileiro irá de 8 de agosto a 30 de janeiro, permanecendo em sistema de pontos corridos e dando acesso a quatro equipes para a Série A do ano seguinte.

– A Série C terá seu início conjuntamente com as Séries A e B por solicitação unânime dos clubes. A competição será disputada em 26 datas, de 9 de agosto a 31 de janeiro. Esta temporada marca a estreia do novo sistema de disputa da competição, aprovado por todos os 20 clubes participantes no Conselho Técnico de março deste ano.

– A Série D tem como previsão de início em 6 de setembro e a data de 7 de fevereiro para o encerramento.

Copa do Brasil

As 11 datas restantes da competição mais democrática do país serão disputadas entre 26 de agosto e 10 de fevereiro. A Copa do Brasil será reiniciada com os jogos de volta da Terceira Fase e segue com o mesmo regulamento. 

Copa do Nordeste

A maior competição regional do país, organizada pela CBF, tem cinco datas a serem disputadas e será retomada em sua oitava e última rodada da primeira fase no dia 21 de julho. A Copa do Nordeste terá quartas e semifinais disputadas em jogo único. A decisão será em dois jogos, com o inicial marcado para 1º de agosto e o segundo para o dia 4 do mesmo mês.  Os jogos terão como sede única o Estado da Bahia, modelo inédito nas competições do futebol brasileiro.

Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA 2022

O calendário confirmado pela FIFA prevê seis datas para os jogos das Eliminatórias. São duas no mês de setembro, nos dias 3 e 8, duas em outubro, 8 e 13, e duas em novembro, nos dias 12 e 17.

Competições sul-americanas de clubes

As datas das competições organizadas pela Conmebol, como a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, serão informadas oportunamente pela Entidade. (De Imprensa CBF)

Remo apresenta o veterano Zé Carlos como reforço para o Parazão e a Série C

Zé Carlos chega ao Remo com fome de jogo e garante: 'Eu não vim aqui para passear' - Crédito: Samara Miranda/ Ascom Remo

Anunciado como reforço azulino para a retomada Campeonato Estadual, Zé Carlos já chegou ao Baenão. Ele foi apresentado na manhã desta quinta-feira e iniciou de imediato a preparação para buscar um lugar no time. Indicação do técnico Mazola Jr., com quem trabalhou no CRB-AL, o atacante firmou um contrato “de risco” com o clube, segundo informação do próprio treinador.

Antes de exercitar fisicamente, Zé Carlos vestiu a camisa do Leão pela primeira vez e concedeu entrevista no estádio Evandro de Almeida. O centroavante, de 37 anos, que chegou para resolver o problema de gols da equipe, afirmou que pretende repetir o feito de 2015, quando foi artilheiro da Série B e campeão alagoano pelo CRB.

Com a paralisação do futebol provocada pela pandemia, os elencos se reapresentaram para treinos e a preocupação é recuperar o condicionamento.

“A condição física está recomeçando para todo mundo. Sabemos o que o mundo e o nosso Brasil estão passando, foi quase 100 dias sem trabalho sem fazer aquilo que a gente mais gosta. Mas graças a Deus voltamos a trabalhar há uma semana e trabalhamos forte. Então esperamos o mais rápido está no melhor físico, melhor preparado para que no dia 2 de julho, eu chegue muito bem fisicamente”, disse Zé Carlos.

A respeito da cobrança da torcida, ansiosa pelo acesso à Série B, o jogador disse que conhece bem a pressão de grandes torcidas e que está pronto para o desafio. “A torcida é uma torcida muito apaixonada que incentiva. Eu acho que o clube está passando por coisas boas e tenho certeza que a torcida vai nos ajudar nesse momento. Faz quatro anos que o Remo está na Série C e não consegue se classificar. Espero que esse ano com todos os companheiros, torcida, diretoria e atletas consiga classificar primeiramente no brasileiro”.

Acrescentou que a pressão é normal em clubes de massa e que espera corresponder. “Todos os clubes onde passei sempre tive pressão e não é aqui que vai ser diferente espero fazer meus gols e ajudar meus companheiros para no final comemorar com todo mundo”.

O alagoano contou que está se adaptando ao clima e que a recepção do clube e da torcida ajudam no processo. “Aqui é diferente do Nordeste é muito quente e não venta muito, mas eu to me adaptando e fui muito bem recebidos por todos do clube isso me deixou feliz e espero retribuir dentro de campo”, disse.

Na quarta-feira, o lateral direito Everton Silva (ex-Sampaio Corrêa) já havia sido apresentado. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Esculhambação geral do jogo

POR GERSON NOGUEIRA

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O futebol do Rio anda tão avacalhado e tumultuado que somente uma hora antes da final da Taça RJ (e provável decisão do título), ontem à noite, foi que a Justiça Desportiva definiu que a transmissão do Fla-Flu só poderia ser feita pelo tricolor, mandante da partida. O STJD cassou a liminar do TJD carioca que permitia ao Flamengo exibir o jogo via streaming.

A parte mais esdrúxula da história é que o Flamengo brigou justamente para garantir que o direito de transmissão fosse do clube mandante. Obteve a mudança de regra através de uma MP baixada pelo presidente da República. Afinal, Bolsonaro tinha igual interesse em fustigar a Globo, detentora (por contrato) do direito de exibição das partidas do campeonato.

Como a emissora perdeu o interesse de transmitir a competição desde que o direito de exclusividade lhe foi subtraído (o Flamengo exibiu jogo com Boavista, ignorando o acordo contratual), a briga se transferiu para os bastidores, com golpes baixos e guerra de liminares.  

Seria até fácil de entender (e explicar) a barafunda se o campeonato do Rio, que já foi um dos charmosos do país, não estivesse em mãos de um comando ditatorial, exercido com gosto e método por Rubens Lopes, presidente da Federação de Futebol, há mais de 10 anos no cargo.

Legítimo representante da cartolagem mais retrógrada, Lopes comprou briga com dois dos grandes clubes (Botafogo e Fluminense), que se recusaram a aceitar imposição do recomeço da competição antes dos prazos recomendados pelas autoridades médicas e o bom senso.

Chegou a abraçar a ideia estapafúrdia de realizar jogos com público, seguindo a régua do prefeito Marcelo Crivella, outro negacionista da pandemia, fã da ideia de que a covid-19 é uma gripezinha e que a aglomeração de pessoas não representa perigo.

A federação recuou da infame iniciativa, mas passou a perseguir os clubes que mais combatiam o retorno imediato dos jogos. No melhor estilo Capitão Gancho, partiu para ataques baixos.

Marcou locais e horários desfavoráveis a Flu e Bota, aplicou multas irregulares a título de despesas operacionais e, não satisfeita, interferiu desastrosamente na cruzada rubro-negra para exibir a decisão na marra.

Espanta que um Estado historicamente tão importante para o futebol do país, que deveria ser referência nacional, mergulhe na bagunça institucional, por obra direta da federação e de dirigentes que deveriam buscar a evolução ao invés de abraçar o atraso.

Em artigo publicado ontem à tarde, antes da decisão com o Flamengo, o presidente do Flu, Mário Bittencourt, denunciou o que chama de “GatoFerj”, referindo-se aos escândalos na federação e deplorou favorecimentos explícitos a filiados.

No fim de tudo, independentemente do placar do confronto final de ontem, já se sabe que o Carioca 2020 terá um monte de perdedores e nenhum vencedor de fato. Ninguém ganha quando a esculhambação triunfa.

Ramos: um zagueiro sem medo na hora do pênalti

Um zagueiro famoso pelo jogo agressivo e até desleal é o mais efetivo anotador de gols em pênaltis no campeonato espanhol. Sérgio Ramos tem contribuído para a campanha do Real Madrid com a impecável execução da falta máxima nas três últimas rodadas. Marcou, de pênalti, contra Real Sociedad, Getafe e Bilbao.

Ramos mantém média altíssima de acertos. Não desperdiça uma cobrança há 26 meses, segundo o jornal Marca, tendo anotado ao longo desse período 22 gols (17 pelo Real e cinco pela seleção nacional).

Tal aproveitamento leva imediatamente à curiosidade pelos métodos de treinamento do zagueiro. Ramos diz treinar incansavelmente e que não estuda características dos goleiros, preferindo retardar ao máximo para ver que direção ou atitude o goleiro vai tomar. Quando o guardião se movimenta ele manda a bola no lado oposto.

Parece um método simples, mas requer muito sangue-frio e confiança na pontaria. Com tamanha performance, Ramos supera jogadores de linha, como Neymar e Messi, e suplanta até Cristiano Ronaldo, um exímio cobrador. Enquanto CR7 converteu 85% dos penais (79 acertos em 92 cobranças), o becão falhou apenas uma vez em 21 tentativas, com 95% de eficácia.

O Marca foi fundo no levantamento e descobriu que Ramos falhou bastante nas primeiras tentativas. Perdeu três dos oito pênaltis que bateu de 2011 a 2016. Foram jogos importantes (Liga dos Campeões, Copa das Confederações e Eurocopa). Desde então, especializou-se nas cobranças e hoje ostenta índice impressionante: 31 gols em 35 cobranças na carreira.

O talento para executar penalidades junta-se à elogiada eficiência no jogo aéreo (tanto defensivo quanto ofensivo) e pode ajudar Ramos a reduzir críticas pelo jeito sujo e violento de se impor em lances decisivos, como naquela célebre final de 2018 com o Liverpool, quando tirou o craque Salah de campo com um golpe de judô.

O futebol como espelho cristalino da alma nacional

“Vejo muita gente decepcionada com os bastidores do nosso futebol – trairagem, falta de senso coletivo, falta de vergonha na cara etc. Eu entendo. Só não entendo a expectativa de o futebol ser melhor que o país. Nosso futebol é o que somos como sociedade, para o bem e para o mal”.

André Rizek, jornalista

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 09)

Bolsonaro infectado vira notícia no mundo, da pior maneira possível

Bolsonaro ganha o mundo: O infectado que desprezou a doença que já matou 65 mil brasileiros

Por Olímpio Cruz, no Viomundo

O anúncio de Jair Bolsonaro de que contraiu o Covid-19 é manchete dos três principais jornais brasileiros – FolhaEstadão e O Globo – e está na capa de dezenas de diários impressos no país e no mundo. Poucas vezes a foto de um presidente brasileiro ganhou as capas dos principais jornais do planeta de maneira simultânea como ocorre nesta quarta-feira, 8 de julho.

Financial TimesNew York TimesWall Street JournalChicago TribuneEl PaísLa NaciónClarin e Página 12, que dá manchete para a ‘gripezinha’ do presidente – são alguns dos periódicos que estampam a imagem do brasileiro anunciando ter testado positivo.

Todos os veículos estrangeiros lembram que o presidente sempre menosprezou a pandemia, que colocou o país no meio de uma das maiores crises de coronavírus do mundo, com mais de 65.000 mortes pela doença.

E apontam que Bolsonaro agora estaria fazendo uso da hidroxicloroquina como medicamento para tratar a doença, apesar da ressalva de que a eficácia do remédio não estar comprovada cientificamente.

O jornal inglês Guardian lembra que o presidente brasileiro de extrema-direita banalizou repetidamente a pandemia.

No site do francês Le Monde, a notícia de que Bolsonaro diz ter contraído o Covid era a mais lida até o fechamento da edição deste briefing, ressaltando que “desde o início da pandemia, Bolsonaro minimizou a doença e participou de eventos públicos sem usar máscara”.

Financial Times – que trouxe também a foto de Bolsonaro na capa da edição desta quarta – aponta que o diagnóstico positivo faz do ex-capitão do exército um dos poucos líderes mundiais a contrair a doença, incluindo Boris Johnson no Reino Unido.

“Bolsonaro há muito nega a seriedade da pandemia e participa de numerosos comícios e eventos frequentemente sem precauções, como usar uma máscara”, destaca o texto. “Ele descreveu a doença como um mero ‘resfriadinho’ e disse uma vez: ‘O vírus está lá. Precisamos encarar isso como um homem’”.

Nas agências internacionais de notícias, Reuters relata que Bolsonaro minimizou repetidamente a gravidade do coronavírus e resistiu a medidas para mitigar sua disseminação. Nesta segunda-feira, o Brasil registrou 1.623.284 casos totais de coronavírus e 65.487 mortes atribuíveis ao vírus.

A France Presse diz que mesmo contaminado, “o presidente continua negando a gravidade da pandemia”, que “já matou mais de 65 mil pessoas em seu país” e tem “1,6 milhão de casos registrados”.

A Associated Press também observa que, durante meses, Bolsonaro flertou com o novo coronavírus, desdenhando o distanciamento social e incentivando multidões durante passeios na residência presidencial, muitas vezes sem máscara.

“Ele minimizou o risco representado pelo Covid-19”, aponta despacho da agência americana. “E anunciou que testou positivo para o vírus, tornando-o um dos mais de 1,6 milhão de brasileiros com infecções confirmadas”. A AP resgata todas as declarações do presidente desde o início da pandemia, expondo seu descaso diante da doença.

O mesmo fez o colunista Bernardo Mello Franco, no Globo.

O anúncio de Bolsonaro declarando-se doente pelo Covid ocorreu no mesmo dia que o filho dele, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), foi prestar depoimento no MP do Rio por conta do seu envolvimento em escândalo de corrupção na Assembleia Legislativa do Rio, na época em que era deputado estadual.

Jornais deram pouca relevância à audiência de Flávio, que só foi ouvido agora após 18 meses da primeira convocação, por manobras jurídicas e evasivas para escapar do cerco. Em compensação a cobertura sobre o anúncio de que Bolsonaro está doente mereceu cinco páginas na Folha, quatro páginas no Globo e três páginas no Estadão.

O assunto dominante em todas as edições dos jornalões é em cima da autodeclaração de Bolsonaro de que está doente. Nenhuma reportagem chega a duvidar da veracidade das declarações do mandatário. A maior parte da cobertura destaca o fato de Bolsonaro ter se reunido com centenas de pessoas na última semana.

Em editorial, a Folha diz que torce pela recuperação do presidente e que a experiência gere nova atitude: “Esta Folha deseja que, (…) depois de infectado, o presidente mude de atitude em relação à maior crise sanitária enfrentada pelo Brasil ao longo de muitas gerações”.

O Globo vai na mesma linha, ao expressar que a doença pode ter um “lado educativo” para Bolsonaro. “Contaminação do presidente, militante da rejeição a precauções contra a doença, é pedagógica”.

Todos os colunistas dos principais jornais tratam da possível doença de Bolsonaro, alguns lamentando o comportamento de cidadãos desejando a morte do presidente – como Vera Magalhães, no Estadão – enquanto outros torcem pelo Covid, que poderia livrar o país da permanência do líder da extrema-direita à frente da Presidência, como Hélio Schwartsman, na Folha: “Por que quero que Bolsonaro morra”.

O artigo de Hélio rendeu um novo movimento do ministro da Justiça, André Mendonça, contra a imprensa. Ele pediu a abertura de inquérito da PF para investigar texto do colunista, com base na Lei de Segurança Nacional, um entulho jurídico dos tempos da ditadura militar.

Em nota de duas linhas a Folha apontou que “o colunista emitiu uma opinião; pode-se criticá-la, mas não investigá-la”.

Flamengo começa a parecer com o Vasco dos tempos de Eurico

De Arrascaeta encara marcação na semifinal da Taça Rio entre Flamengo e Volta Redonda. Jogo foi à Fla TV após confusão - Thiago Ribeiro/AGIF

Para Fábio Sormani, o Flamengo corre o risco de se transformar em um “time rejeitado”. Debatendo, durante o Fox Sports Rádio de hoje, a postura rubro-negra diante dos direitos de transmissão da final da Taça Rio, o comentarista comparou o atual campeão brasileiro ao Vasco do presidente Eurico Miranda. “O Eurico Miranda, sob o pretexto de estar defendendo os interesses do Vasco da Gama, transformou o Vasco num clube rejeitado pela maioria dos torcedores brasileiros. Quando se falava em Vasco da Gama, se associava à figura do Eurico Miranda, e as pessoas rejeitavam o Vasco. Se você fizesse, na época, uma pesquisa sobre qual time as pessoas não gostam, provavelmente daria o Vasco da Gama. Os próprios torcedores do Vasco acham isso”, recordou Sormani.

“Então, o Flamengo está correndo um risco muito grande de se transformar no Vasco da Gama das próximas décadas por conta dessa postura reprovável, arrogante e soberba da sua diretoria. O Flamengo, hoje, é um time que, à exceção da sua torcida, está sendo rejeitado pela maioria dos brasileiros”, completou. Em relação aos direitos de transmissão da decisão da Taça Rio, cedidos ao Flu, Sormani criticou a postura e disse que a antipatia do Mengão pode prejudicá-lo futuramente.

Guardiola usa camiseta antifascista em entrevista

Pep Guardiola

Pep Guardiola, técnico do clube Manchester City, da Inglaterra, deu o que falar nesta terça-feira, ao aparecer em uma entrevista coletiva com uma camiseta que dizia “Love Simone, hate fascism”. Guardiola também declarou seu amor pela cantora Nina Simone. “Me envergonho por como nós brancos tratamos os negros durante os últimos 400 anos”, declarou, afirmando apoiar o movimento Black Lives Matter

Junto com a frase, a camiseta tinha uma foto da cantora e compositora estadunidense Nina Simone, uma das maiores artistas do seu país em todos os tempos, e que ele afirmou ser uma das suas preferidas. A mensagem em português seria, então, “Ame a (Nina) Simone, odeie o fascismo”.