Capa do Bola – domingo, 22

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22 de janeiro de 2017 at 13:30 Deixe um comentário

A ladainha de sempre

POR GERSON NOGUEIRA

Os anos passam e o futebol paraense não encontra jeito de resolver problemas primários, simplórios até. Toda véspera de campeonato a situação se repete: os estádios não apresentam os laudos técnicos atestando condições de utilização em partidas oficiais.

unnamedDesta vez, o principal palco do futebol também se encontra em situação irregular, golpeando as pretensões do Remo quanto a obter uma boa receita logo na estreia contra o Cametá diante de sua torcida, no dia 29.
A Seel, responsável pelo estádio Jornalista Edgar Proença (Mangueirão), negligenciou, deixando de atualizar três laudos obrigatórios, que se referem diretamente à segurança do público e dos atletas.
A impossibilidade de mandar seus jogos no Mangueirão e no Souza, também sem os laudos exigidos pela FPF, faz com que o Remo contabilize mais uma vez prejuízos causados pela destruição parcial do estádio Evandro Almeida, ocorrida há dois anos.
Em 2015, o problema já afetou seriamente as finanças do clube, respondendo por boa parte do déficit daquela temporada. No ano passado, o problema explodiu de vez, alvejando as contas da agremiação e contribuindo para o não cumprimento de várias metas importantes.
Sem poder jogar em casa, o Remo disputou todos os jogos do Parazão, da Copa Verde, Copa do Brasil e Série C no Mangueirão. Quando as partidas tinham atrativos, a torcida comparecia e as arrecadações compensavam, mas contra times emergentes o prejuízo girava sempre em torno de R$ 80 mil a R$ 100 mil por jogo.
A nova temporada chegou e, desta vez, há o risco de não poder contar sequer com o Mangueirão. O prazo para que os laudos sejam entregues terminam na próxima terça-feira.
A ironia é que na sexta-feira aconteceu a solenidade de formalização dos contratos de patrocínio do campeonato, entre autoridades do governo e representantes do clube, com a cifra total superando a R$ 6,3 milhões. Tanto dinheiro investido sem que o principal palco da competição – mantido pelo próprio Estado – esteja em condições de receber jogos. Alguma coisa está fora de ordem.
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Trapalhadas azulinas em Castanhal
A temporada de jogos preparatórios do Remo caminhava bem. O time tinha vencido, com folga, a Pinheirense, Castanhal e Independente. Mas o quarto e último compromisso, contra o Castanhal, causou apreensão junto aos torcedores tanto pelo resultado quanto pela maneira destemperada como time e comissão técnica reagiram às pressões no estádio Maximino Porpino.
O técnico Josué Teixeira admitiu que o rendimento foi aquém do esperado. No primeiro tempo, o Remo aceitou a pressão castanhalense e permitiu que o placar fosse definido. Os erros de arbitragem atrapalharam a partida, mas não foram determinantes para a má atuação remista. Josué nega, enfaticamente, ter tentado retirar os jogadores de campo.
Pior que o desempenho do time foi a atitude dos dirigentes, que aceitaram uma arbitragem local e concordaram em fazer o jogo mesmo com iluminação deficiente. Em respeito ao público, o Remo aceitou ir a campo, mas acabou saindo derrotado e com a imagem arranhada.
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O futebol, esta mãe tão generosa
Não sei bem porquê, mas ainda me espanto com algumas notícias. O argentino Dario Conca, objeto de cobiça de vários clubes brasileiros desde que atuou bem pelo Fluminense em duas temporadas seguidas, volta ao país, agora para defender o Flamengo.
Por um salário que chega perto da cifra obscena de R$ 1 milhão, Conca chegou cercado de expectativas e aplausos da torcida, mas a primeira informação, dada pelos médicos rubro-negros, é a de que ele só poderá entrar em campo em meados de maio.
Ficará cerca de cinco meses entregue ao departamento médico, em recuperação de lesão contraída no futebol chinês. Como se o Flamengo tivesse rios de dinheiro para atirar pela janela com um jogador contundido. Donde se conclui que o clube carioca acaba de fazer um “negócio da China” às avessas.
(Coluna publicada no Bola deste domingo, 22) 

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