Juramento Athanasiano diante da Lanterna Mágica

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POR FERNANDO BIRRI (*)

Se um engenheiro constrói mal uma ponte, esta ponte cai.
Se um médico cura mal uma doença, este doente morre.
Se um cineasta, um videasta, um teleasta fazem mal um filme, um vídeo, um episódio de televisão, aparentemente não acontece nada, ninguém morre.

Tibetanos, cabalistas, Jean Cocteau repetiram: “Desconfiai dos espelhos”. E eu vos digo: desconfiai da impunidade das imagens. Pois o que são estas imagens audiovisuais senão o mais efêmeros dos espelhos, o mais perigoso deles, um espelho capaz de refletir os sonhos, capaz de evocar no branco de uma tela o mundo universal e fazê-lo desaparecer novamente em um nada branco sem se dilacerar?

Eu vos peço olhos e orelhas.

Imagens também podem matar, desmoronando arquiteturas secretas da imaginação, sepultando neurônios de consciência sob escombros de insensibilidade, venalidade, mediocridade.

Conscientes de sua responsabilidade para com o corpo físico do homem, os médicos, há centenas de anos, em um momento como este fazem seu juramento hipocrático de iniciação, em nome do salutar proto-médico Hipócrates. Eu lhes proponho nesta noite, para a saúde da imaginação audiovisual, este novo juramento, em nome do padre Athanasius Kircher, século XVII, inventor da Lanterna Mágica (não o façam em voz alta, basta que cada um o faça ouvindo a si próprio).

Jurais que não filmareis um só fotograma que não seja como o pão fresco, que não gravareis um só milímetro de fita magnética que não seja como a água limpa?

Jurais que não desviareis vossos olhos, que não tapareis vossos ouvidos diante do real maravilhoso e do real terrível da terra da América Latina e do Caribe, África e Ásia, do qual sois feito, e do qual sois inevitável expressão?

Jurais que sereis fiel a um sentimento irrenunciável de libertação da justiça, verdade, beleza, que não retrocedereis diante dos fantasmas da angústia, da solidão, da loucura, e sereis fiel antes de tudo a vossa voz interior?

Se assim não o fizerdes, que o tigre e a águia devorem o fígado de vossos sonhos, que a serpente se enrosque no chassi de vossa câmera, que exércitos de vaga-lumes chispem curtos-circuitos de interferências em vossas filmadoras eletrônicas.

Se assim o fizerdes, como nós confiamos, que o colibri vos proteja com o delicado escudo de um arco-íris tão longo quanto a vida e além, em vossas obras.”

(*) Diretor de cinema argentino, fundador da “escola de Cuba” e mestre do cinema social latino-americano. Morreu em dezembro-2017, em Roma, aos 92 anos. O texto-manifesto acima foi lido por ele, em 1990, na cerimônia de graduação da primeira turma da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños.  

Tradução: Mariana Sanchez

Diminui registro de violência contra jornalistas em 2017

A violência contra jornalistas diminuiu em 2017, em comparação com 2016. Foram registrados 99 casos de agressões contra a categoria, 38,51% a menos do que em 2016, quando houve 161 agressões. A Fenaj apresentou seu relatório anual nesta quinta-feira, 18, na sede do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro

Em 2017, também não ocorreu nenhum caso de assassinato em decorrência do exercício profissional do Jornalismo e houve grande redução de mortes de outros profissionais da comunicação e comunicadores populares. Em 2017, houve um único caso: o blogueiro Luís Gustavo da Silva foi assassinado no Ceará. Em 2016, foram cinco mortes.

Mas se é possível comemorar a redução dos casos gerais de violência concreta, é preciso estar alerta porque ainda é grande o número de casos de violência, concreta e simbólica, contra a categoria. Os jornalistas continuaram sendo vítimas de agressões, ameaças, atentados, detenções arbitrárias e ações judiciais, com o claro objetivo de cercear a liberdade de imprensa. Houve ainda casos de censura interna nas redações.

Quatro jornalistas foram demitidos em razão de comentários que teceram ou de reportagens que produziram e que geraram reações negativas. Um jornalista foi suspenso por 30 dias, após fazer comentários em seu perfil numa rede social sobre a direção da Fundação Piratini, em Porto Alegre.

O caso mais emblemático de censura foi o sofrido genericamente por jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Após a posse do presidente Michel Temer, em 2016, a empresa começou a ter o seu caráter publico desvirtuado. E, em 2017, os jornalistas sofreram censura direta em mais de uma ocasião.

Também é motivo de grande preocupação o aumento proporcional dos casos de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais, num ano em que a violência em geral teve grande queda. Foram registrados 12 casos nessa modalidade, o que representa 12,12% do total. Em 2016, esse porcentual foi de 11,18%.

Merece destaque o caso do jornalista Marcelo Auler, que teve seu blog censurado. A censura, estabelecida pelo juiz Nei Roberto de Barros Guimarães, do 8º Juizado Especial Cível do Paraná, foi mantida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Num caso inédito na história do STF, Moraes entendeu que a decisão do juiz de retirada de duas reportagens consideradas ofensivas pela delegada Erika Marena, da Polícia Federal, não se tratava de censura, mas uma forma de reparação de dano. Até então, todas as censuras determinadas por juízes de primeira instância haviam caído ao chegarem no Supremo.

O número de casos de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais levou os integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público à terceira colocação na listagem dos principais agressores, atrás apenas dos policiais, que foram os responsáveis por 19 agressões, e dos políticos, que aparecem na segunda colocação, com 15 casos.  Os funcionários públicos e empresários – incluindo os das empresas públicas de comunicação – também ganharam destaque na lista, com 12 casos de violência contra jornalistas cada.

A categoria foi vítima ainda de jogadores, dirigentes de clube esportivos e familiares (8 casos), populares (6 casos), seguranças (4 casos), manifestantes (3 casos), pastores (2 casos) e de um médico. Nos casos de atentados, os agressores não foram identificados.

A diminuição dos casos de violência, na avaliação da presidenta da Fenaj, Maria José Braga, é resultado das pressões por mais segurança no exercício profissional, feitas pela Federação e pelos Sindicatos de Jornalistas. Nos últimos anos, além das denúncias dos casos de agressões, Fenaj e Sindicatos têm cobrado das autoridades competentes apuração dos casos e punição dos culpados. Também cobraram das autoridades da segurança pública, em nível federal e estadual, e das empresas empregadoras a adoção de medidas de proteção aos profissionais.

Leão deve ter mudanças para confronto com o Independente

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Pelos treinos da semana, o técnico Ney da Matta parece disposto a fazer modificações no time remista para a partida de sábado, em Tucuruí, contra o Independente, pela segunda rodada do Campeonato Paraense. A mudança mais provável é a escalação de Adenilson no meio-campo. O jogador entrou na segunda etapa do confronto contra o Bragantino e mudou por completo a forma de jogar do time, contribuindo muito para a vitória.

Outra novidade pode ser o aproveitamento de Jayme no ataque. O jogador, por estar suspenso, não foi relacionado para a estreia. Ontem à tarde, o treino azulino Souza foi atrapalhado pelas fortes chuvas, mas nesta quinta-feira Ney da Matta deve definir a escalação para enfrentar o Galo Elétrico.

As boas atuações de Elielton e Felipe Marques praticamente asseguraram a titularidade aos dois atacantes. Ainda sem poder contar com Diego Superti (lesionado) e Rodriguinho (à espera de regularização), Da Matta passa a ter à sua disposição o lateral-direito Gustavo, que participou da Copa São Paulo de Juniores, juntamente com o zagueiro Keven e o meia David Lima, ambos integrados ao elenco profissional.

O frenético Liverpool x City e uma reflexão sobre a intensidade do jogo na Premier League

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POR RENATO RODRIGUES, na ESPN

Liverpool e Manchester City, no último domingo, protagonizaram um jogo com a essência da Premier League. Não faltaram transições, duelos pessoais, brigas em 1ª e 2ª bolas, gols… Mas a palavra mais certa para definir o confronto e, principalmente, a liga em que as duas equipes jogam é intensidade. Termo que, apesar de muito usado em solo brasileiro nos debates sobre futebol, não é totalmente compreendido.

Intensidade também inclui ações com bola e existem diversas maneiras de a ter com a posse. A velocidade de execução (tempo em que o jogador domina e passa/finaliza/lança), por exemplo, é um dos pilares deste conceito.  A mobilidade, como deslocamentos para achar linhas de passe, também entra dentro deste pacote. A rapidez na tomada de decisão idem. E temos também a reação após a recuperação da bola, que nada mais é o quanto você demora para atacar um espaço,  para dar uma opção de passe ou  infiltrar no exato momento em que recupera a posse. Ou seja, intensidade é bem diferente de “correria”, como muitos acham.

A organização e a criação de um modelo de jogo que se integre ao tipo de jogadores e clube que está também são de extrema importância. Intensidade sem estrutura, sem uma ideia por trás, vira um catado. É correr errado apenas.

No duelo do último domingo em Anfield vimos muito disso. Um jogo frenético. O alto número de ações com e sem bola, principalmente do Liverpool, nos dá uma dimensão de como foi o jogo e nos dá uma referência na hora de “medir essa intensidade”. Ao melhor estilo Jürgen Klopp, os Reds pressionaram a bola a desde o início, atrapalhando muito a saída de bola da equipe de Pep Guardiola. Na recuperação, acelerava e atacava espaços em profundidade. Firmino, em mais uma ótima atuação, flutuava por todo terço final, abrindo espaços e jogando com um ou dois toques, ajudando a desequilibrar a defesa de Manchester.

O duelo entre Arsenal e Chelsea (2×2) foi outro que também chamou a atenção neste sentido. Ainda mais por ter acontecido em meio ao boxing day (período no campeonato inglês com jogos seguidos em um curto espaço de tempo, que considero bastante inadequado, inclusive). Claro que os dois jogos citados aqui são de equipes gigantes, onde a qualidade técnica é maior pelo poderio financeiro, mas é possível ver tal velocidade, tal ritmo, tal intensidade, em jogos de menor porte também.

Obviamente que a Premier League é uma das (ou a) liga mais intensa do mundo. Seria até leviandade compará-la com o futebol praticado no Brasil neste sentido. Mas se olharmos para outros centros como Espanha, Alemanha, Itália e até Portugal, ainda estamos bastante atrás. Convivemos por aqui com um jogo lento, muitas vezes com posses pouco objetivas e, principalmente, quase sempre pragmáticos. Um arroz com feijão mal feito. Uma sonolência que tem a ver com a nossa cultura de jogo.

“Ah, mas os caras têm muito dinheiro!”, “Mas os melhores jogadores estão lá!”, “Vai jogar em Caruaru às 16h para você ver se tem intensidade!”… São vários os argumentos que recebi após levantar este assunto no Twitter. Todos com seu valor, inclusive. Já que englobam nas justificativas para um jogo tão pouco intenso que vemos no Brasil.

Claro que a qualidade técnica é essencial para a boa prática do futebol. E é fato que nossos grandes jogadores já não estão por aqui. Mas apesar de tudo isso, não poderíamos fazer mais? Somos um dos países que mais carregam a bola no futebol mundial. Ainda não achei uma estatística que comprove isso, mas a olho nu é bastante perceptível.

Cada lugar tem sua cultura e sua forma de ver/jogar futebol. Não dá para nós brasileiros abrirmos mão do nosso estilo. Quando cobramos uma melhora na qualidade do nosso jogo, não queremos simplesmente copiar. Mas sim adequar as boas lições que outros lugares podem nos dar e adaptá-las à nossa realidade, sem perder nossa essência. E o nosso problema vai além de dinheiro, qualidade técnica, organização… Tem a ver como tratamos e desenvolvemos futebol.

Primeiro que nossos métodos são ultrapassados. Claro que isso não é praxe de todos nossos treinadores, mas ainda enxergamos por aí treinamentos longos e exaustivos. Muitas vezes utilizando todas as dimensões do campo. Trabalhar espaço reduzido e em menor tempo tem sido a tônica nos grandes centros. E faz sentido. Você diminui o espaço, cresce as ações. Com o aumento de toques na bola, aumenta-se a participação de cada atleta. Mais ações = a mais intensidade.

Também não adianta fazer um treino em campo reduzido e usar a continuidade nele. Por exemplo: faça um 6 vs 6, mas jogue os jogadores 40 minutos neste exercício. Depois de 15 minutos a intensidade dos movimentos começará a cair de força gradual. Por conta disso os exercícios intervalados são bem mais usados nos grandes centros do mundo. Ainda em cima disso, entram os objetivos destes treinamentos. Largura para trabalhar amplitude (abrindo o campo), cumprimento para trabalhar profundidade, regras para levar a bola num devido setor ou mesmo estimular algum tipo de comportamento nos atletas… O repertório é vasto e exige criatividade dos treinadores, já que eles precisam sempre ter um objetivo final para aquele exercício, sempre pensando em refletir este conteúdo no jogo.

Nosso calendário apertado também vira um vilão nestas horas. Em ano de Copa do Mundo a situação se agrava muito, já que algumas equipes não terão nem 15 dias para realizar uma pré-temporada decente. Inclusive já pontuamos por aqui a importância desse período (clique aqui). Ou seja, já se começa errado por aqui. E, inevitavelmente, essa demanda vai ser cobrada lá na frente. Questões como a temperatura também entram no pacote. Aqui os dias e regiões quentes castigam qualquer atividade física.

Mas temos também a nossa cultura de “picar os jogos”. Caímos no chão após qualquer choque para esfriar o jogo. Fazemos bolinho no árbitro. Retardamos cobranças de tiro de meta. Enquanto alguns querem jogar a todo custo, nós queremos apenas ganhar. E não importa a forma como isso vai acontecer. São pequenas atitudes que colaboram para a qualidade do nosso jogo. A arbitragem, que ainda sofre com sua não profissionalização, também ajuda a complicar o cenário.

Está mais do que na hora de darmos este salto de qualidade no futebol praticado em solo brasileiro. O produto que oferecemos está longe de ser interessante. Enquanto isso, perdemos cada vez mais espectadores. Os estádios esvaziam. Se vende menos, se paga menos. E para dar os primeiros passos nessa direção, a primeira coisa que precisamos é aprender ver o futebol num todo. Aceitar que ele é sistêmico e deixar de individualizar problemas, já que são várias as questões que o cercam. A mudança é necessária. E ser auto-crítico está longe de ter síndrome de vira-lata. Queremos mais porque podemos mais.

Análise interessante. 

Remo agiliza negociações para para concluir a reforma do Baenão

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A diretoria do Remo está em negociações com novos parceiros para concluir a reforma do estádio Evandro Almeida, que há quatro anos foi semi-demolido pelo então presidente Zeca Pirão e desde então nunca mais sediou jogos oficiais do clube. Como o acordo com uma empresa de gerenciamento esportivo do Rio de Janeiro, que iria investir cerca de R$ 1 milhão nas obras, não se concretizou, a restauração continua a ser tocada através de doações de torcedores na compra de materiais.

No clube, porém, é dado como certo um acordo com novos patrocinadores, a ser celebrado nos próximos dias. Os parceiros são empresas do ramo farmacêutico e de fast-food, que irão explorar a área do Carrossel, anexa ao Baenão. “Gostaríamos de manter a nossa política de anunciar tudo em primeira mão pelas nossas mídias. Até por que, às vezes, as coisas, em cima da hora, acabam não acontecendo. Estão bem adiantados, mas assim que tivermos uma certeza, nosso site irá divulgar, como já vem acontecendo”, informou o diretor Milton Campos.

Haroldo Picanço, diretor financeiro, tinha dito em dezembro que no começo deste ano os acordos seriam fechados. “Nosso trabalho é esse, procurar investidores que possam nos ajudar. São parcerias muito interessantes para o clube, que devem se concretizar no começo de 2018”, adiantou. Segundo ele, o clube deverá receber um valor inicial e faturar cerca de R$ 200 mil mensais com as parcerias.

A ideia da diretoria é garantir que as obras – das arquibancadas e cadeiras do lado da travessa das Mercês – fiquem prontas até abril deste ano, a tempo de serem utilizadas ainda no Parazão e na Copa Verde.