Um brinde ao novo ano que chega

Aos amigos do blog, colaboradores e assíduos frequentadores, que permitem a marca expressiva que atingimos, meus agradecimentos e votos de um 2013 repleto de realizações, saúde e felicidade. Aprendi a partilhar com todos aqui um pouco da minha vida, pois um blog é quase a extensão da própria casa. Por isso mesmo, quase todos são muito próximos, apesar de não nos conhecermos pessoalmente. Que o novo ano aprofunde esses laços e traga mais tolerância e capacidade de aceitar as diferenças, itens essenciais em qualquer relacionamento civilizado. Obrigado, amigos, por um ano pleno de sucesso. Dias ainda melhores estão por vir.

2013, um ano de centenários e penúria para o futebol amazonense

Por José Renato Santiago (de Manaus-AM)

O verdadeiro retrato do que acontece no futebol brasileiro. Temos testemunhado valores quase que imorais envolvendo contratações. Técnicos recebendo mais de R$ 700 mil mensais. Jogadores medianos com salários milionários.

Enquanto isso, equipes tradicionais vivem seus momentos derradeiros. Apenas um salário mensal de muitos jogadores da série A do Brasileiro, seria o suficiente para cobrir a folha de pagamento anual de muitas equipes, simultaneamente.

Lendo A Critica, jornal de grande circulação no Amazonas, tomei conhecimento sobre a situação de penúria vivida por tradicionais equipes do estado. O caso mais emblemático é o do Atlético Rio Negro Clube.

Fundado em 13 de novembro de 1913, a equipe “Barriga Preta” possivelmente estará ausente do campeonato amazonense, justamente no ano de seu centenário. Sinais dos tempos, certamente más administrações, algo também muito frequente, provocaram esta situação.

Daqui alguns dias, seu rival e maior vencedor de títulos no estado, o Nacional, também fará seu centenário. Será no próximo dia 13 de janeiro. Muito embora, a equipe nacionalina viva em situação um pouco melhor, está longe de ser a adequada. Sua sede está alugada, o que lhe rende cerca de R$ 15 mil mensais. Quando seus dirigentes precisam se reunir, há uma mesa guardada para isso.

Outro, chamado grande da cidade de Manaus, o Fast Clube, já chegou a mudar a sua sede em algumas oportunidades. Aliás, mudou de cidade. Sua sede em Manaus está alugada para bailes funks, já faz muitos anos.

Por fim, o São Raimundo, única equipe de Manaus que possui estádio próprio, o da Colina, vive momentos dramáticos também. Também está com sua sede arrendada. …para bailes funks, em um caso também de “agressão a boa música”.

No último ano, o único representante amazonense no campeonato brasileiro, sequer era de Manaus. Foi o Peñarol da pequena Itacoatiara. Em qual divisão? Série D. E como foi? Eliminação ainda na primeira fase.

Normal para um campeonato cuja média de público quase não chega ao número centenário. Ainda assim, se ergue a Arena da Amazônia, um estádio com capacidade para receber mais de 40 mil pessoas

A Economist e suas premissas

Por Delfim Netto 

Estou nesse ramo tempo suficiente para aprender que as críticas à política econômica são uma necessidade. Em determinadas circunstâncias são até bem-vindas, porque o simples fato de alguém estar em uma situação de “poder” não lhe transfere o benefício da infalibilidade. Nem que, para o poder incumbente, a eleição por uma eventual maioria lhe confira a “onisciência” a exigir a sua “onipresença”.
Sempre tive grande admiração pela The Economist, que passei a ler, semanalmente, desde 1952 na Faculdade de Economia e Administração, a FEA-USP, graças aos exemplares filados do grande professor W. L. Stevens, a quem o Brasil deve a introdução da estatística fisheriana.
Cativava-me a clareza dos textos, a imparcialidade (relativa) e o tom doutoral e provocador dos editoriais. Até hoje a revista se considera, convictamente, portadora de uma ciência econômica universal, independente da História e da Geografia.
Criada em 1843, tinha como objetivo fundamental defender a liberdade de comércio, então em discussão na Inglaterra. Fala, a seu favor, não ter mudado nos seus 169 anos. É reconhecida como a mais influente revista econômica internacional. Isso está longe, contudo, de garantir a validade dos seus conceitos. Se há uma virtude escassa na excelente The Economist é a humildade: ter, ao menos, uma pequena dúvida.
O deselegante e injusto ataque ad hominem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, partiu de duas premissas falsas:
1. O Brasil não estava “bombando” no início de 2011. O PIB caíra 0,3% em 2009 e, por puro efeito estatístico, aumentara 7,5% em 2010. O crescimento médio de 2009/2010 foi de 3,6%, o mesmo número medíocre obtido nos últimos 20 anos.
2. O ministro não errou sozinho, quando sugeriu um crescimento no terceiro trimestre sobre o anterior entre 1,1% e 1,3%. Analistas financeiros do Brasil e do restante do mundo, inclusive The Economist (por seu instituto de análises), acreditavam na mesma coisa. O resultado apurado pelo IBGE (sobre o qual não paira qualquer dúvida de credibilidade) foi mesmo uma surpresa (0,6%). Isso nos deixa com um problema. Se os inúmeros estímulos postos em prática produzirem um crescimento de 0,8% no quarto trimestre sobre o terceiro, o PIB de 2012 será da ordem de 1%, com crescimento per capita nulo.
O baixo crescimento tem pouca relação com as políticas monetária, fiscal e cambial. Tem mais a ver com uma redução dos investimentos gerada pela desconfiança exagerada entre o setor privado e o governo. Mesmo com a -pequena recuperação no setor industrial (que, é provável, continuará nos próximos trimestres) não tem acontecido nada brilhante para entusiasmar o setor privado.
Há gente, no meio empresarial, assustada com a forma de ação do governo, a enxergar uma tendência intervencionista na atividade privada. Quando acontece esse tipo de dúvida, fica difícil acelerar os investimentos.
Fala-se de quebra de contratos, quando isso não existe: todos os contratos estão sendo garantidos na energia. O que talvez pudesse ter sido diferente é a forma como a renovação das concessões das usinas foi tratada: poderiam, talvez, ter mandado um projeto de lei ao Congresso. Mas todos sabem ser preciso reduzir as tarifas de energia, claramente sobrecarregadas por impostos.
A dúvida dos investidores é, dessa forma, muito menos relacionada à qualidade da política econômica, no âmbito fiscal, monetário e cambial.
Fez muito bem, portanto, a presidenta Dilma ao rejeitar a impertinente sugestão da revista para demitir o ilustre ministro da Fazenda do Brasil!
O comentário presidencial, muito mais para o uso interno, foi simples e direto: “Não vou tirar o Guido”, sem precisar explicar coisa alguma, mostrando apenas estar a par dos interesses contrariados, da choradeira nos mercados financeiros que lamentam o fato de o Brasil não ser mais “o queridinho” dos investidores-especuladores. Agora é o México, que os anjos o protejam… Como se devêssemos nos chatear muito com isso…
Não diria que existe da parte da revista algum objetivo maligno, apenas um ataque muito deselegante, a causar decepção, mas se insere no espírito provocador que lhe é característico.
No fundo, a crítica procura disfarçar o mau humor de investidores com o retorno em dólares na Bovespa (-8%) ante os 20% positivos na Bolsa mexicana. E com o fim da era do ganho fácil e sem risco no Brasil.