Ministro do STF rebate Bolsonaro: “Estado é laico”

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Em entrevista concedida ao jornal O Globo nesta sexta-feira (31), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, contestou a afirmação de Jair Bolsonaro de que era necessário um “ministro evangélico” na Corte. Mello destacou que o Supremo faz parte do Estado e deve ser laico.

Para o magistrado, a religião não deve ser um fator relevante na escolha de um ministro, mas sim o apego à Constituição. “No STF, o importante é professar a observância da Constituição Federal, a lei das leis. Amá-la e torna-la prevalecente. O importante é termos juízes que defendam a ordem jurídica e a Constituição. O Estado é laico. O Supremo é Estado”, afirmou.

O ministro, que disse não ver problema em dividir o tribunal com conservadores, também brincou sobre a pré-anunciada nomeação do ex-juiz Sérgio Moro, que hoje ocupa o Ministério da Justiça: “Não se sabe se ele é evangélico, mas quem sabe? Talvez ele se converta agora”.

Moro, que já comparou a vaga no STF com ganhar na loteria, não anuncia publicamente sua religião, mas segundo entrevistas de Odete Moro, mãe do ex-juiz, ele é católico.

INSS recebeu recomendação para fazer concurso e reduzir espera por benefícios

O Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) já havia recebido em abril uma recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para solucionar o déficit na prestação de atendimento à população. Segundo o MPF, há pelo menos 10 mil vagas sem reposição, enquanto tempo de espera para resposta do pedido de benefício pode chegar a mais de um ano.

Reportagem da Fórum nesta quarta-feira (29) revelou que o presidente do INSS, Renato Rodrigues Vieira, determinou uma nova diretriz que deve ser seguida no tratamento com a imprensa. Segundo decisão, não se pode relacionar a demora na concessão de benefícios aos segurados à redução do quadro de servidores do instituto.

A nota do INSS mostra que em nenhum momento a direção da autarquia admite que a demora das respostas de requerimentos de segurados tem relação à diminuição de funcionários, responsabilizando, em algum momento, os próprios segurados. O INSS é o órgão que cuida das aposentadorias, pensões e outros benefícios mantidos e pagos pela Previdência Social.

Segundo o MPF, há inúmeras ações judiciais questionando a incapacidade do órgão na prestação de benefícios e uma espera para resposta do pedido que pode chegar a mais de um ano – atingindo, fundamentalmente, idosos, pessoas com deficiência e mulheres em licença maternidade. Isso leva também à suspeita de que é proposital o atraso no atendimento a pedidos de novos benefícios, a fim de reduzir o número de aposentados. Após a autorização do concurso, o INSS deverá elaborar cronograma para a realização do certame, com prazo processual não superior a 180 dias para a posse dos aprovados.

Novo técnico do Papão já está em Belém

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O técnico Hélio dos Anjos desembarcou no aeroporto de Val-de-Cans no começo da tarde desta sexta-feira (31), sendo recebido por funcionários do Paissandu. Ele foi contratado pelo clube para substituir Léo Condé. Será oficialmente apresentado antes do treino desta tarde, no estádio da Curuzu.

Amor em tempos de ódio: a aula dos estudantes que Bolsonaro jamais entenderá

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O protesto dos estudantes foi expressivo e importante em todo o Brasil, mas a manifestação em uma cidade precisa ser destacada pelo simbolismo. Foi em Curitiba, a cidade que não se curvou à “ditadura” da república de Curitiba e seus lavajateiros.

Ontem, os manifestantes deram o troco nos trogloditas de direita que haviam retirado a faixa “Em defesa da educação”. Colocaram uma faixa ainda maior.

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Milhares de pessoas estavam lá, entre elas Ana Júlia, brindada com um belo texto de Flávia Martinelli:

AMOR EM TEMPOS DE ÓDIO

Em 2016, Ana Júlia foi liderança do movimento secundarista de Curitiba. Ela tinha 16 anos e ficou conhecida quando, no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, fez um discurso contundente em defesa da Educação.

Na época, mais de 1000 ocupações ocorreram em escolas públicas ameaçadas por outros “contigenciamentos”.

Ana Júlia permanece nas ruas em defesa do ensino público de qualidade. E também defende o amor em tempos de ódio. Com o estudante de direito Welitton Gerolane, seu namorado, mostra que o amor também é educativo!

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Também estava lá Odilon Oliveira, do Diretório Central do Estudantes (DCE) da UFPR. Ele foi um dos que tiveram a iniciativa de recolocar a faixa “Em defesa da educação”.  Por que ela havia sido retirada? “A gente esperava que fosse unidade, que a defesa da educação fosse feita por todos os lados, por toda população. O que nos pareceu, quando a faixa foi arrancada, é que, liderada pelo presidente, existe uma parcela da população claramente contra a educação”, disse.

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O relato é do jornalista Eduardo Matysiak, autor das fotos que compõem esta galeria.

Mídia internacional destaca estudantes como força de oposição a Bolsonaro

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Os meios internacionais deram bastante repercussão às manifestações brasileiras desta quinta-feira (30), e alguns deles foram além e usaram a segunda jornada de marchas contra o bloqueio de recursos às universidades e escolas técnicas como argumento para defender que os estudantes se erguem como uma das principais forças opositoras ao governo de Jair Bolsonaro.

Foi o caso, por exemplo, do canal de notícias russo RT em sua versão em espanhol, destaca uma entrevista com o diretor da UNE (União Nacional dos Estudantes), Iago Campos, na qual ele diz que “depois de uma eleição onde sobressaíram as ideias mais reacionárias, a oposição política passou por um período de instabilidade, e com estas nossas manifestações talvez possa se iniciar uma reorganização do setor”. O portal russo também fala que a jornada desta quinta-feira mobilizou ao menos 150 cidades brasileiras, e que serviram como prelúdio de uma greve geral, marcada para o próximo 14 de junho.

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Já o diário britânico The Guardian, conta que “de norte a sul do país, das cidades da Amazônia até as pequenas cidades no extremo sul do Brasil, os manifestantes marcharam para condenar as medidas altamente controversas de Bolsonaro, ao cortar o financiamento da educação pública e da ciência”.

Por sua parte, o diário catalão La Vanguardia destaca que os protestos estudantis no Brasil são uma resposta não só aos cortes nos recursos como também “a uma cruzada que o Ministério da Educação deste país decidiu impulsar contra o que chama de `marxismo cultural´, e que estaria presente nas escolas e universidades”.

O canal árabe Al Jazeera publicou uma reportagem do correspondente Daniel Schweimler, na qual ele entrevista estudantes e professores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), e afirma que as políticas do atual governo, segundo os especialistas locais, não significam somente um sucateamento da educação pública como também um ataque ao livre pensamento nas instituições de ensino.

Finalmente, o jornal argentino Página/12 concluiu que “o panorama observado no final da jornada e mostrou a capacidade de mobilização das organizações estudantis e de professores, mantendo a vitalidade mostrada no dia 15 de maio, mesmo que não tenha atingido os 1,5 milhão ou 2 milhões de participantes, como naquela vez”. (Da Revista Fórum)

Hélio dos Anjos, o novo comandante do Papão

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O mineiro Hélio dos Anjos está de volta ao Paissandu. Ele foi anunciado, através do site oficial do clube na manhã desta sexta-feira, como o novo técnico do time. Aos 61 anos, o último trabalho dele foi no Goiás, nas temporadas 2017-2018. Estava em disponibilidade desde maio do ano passado.

Será a segunda passagem do ex-goleiro Hélio César Pinto dos Anjos pelo Papão. Antes, ele dirigiu o time em 2002, por curto período – 5 jogos, 1 vitória -, no primeiro ano depois da volta da equipe à elite do Brasileirão, na reta final da competição. Antes, em 1995, passou pelo Remo, onde comandou o time em quatro partidas, obtendo 1 vitória e conquistando o título estadual da temporada.

Seus títulos mais importantes na carreira foram dois estaduais goianos, dirigindo a equipe do Goiás. Trabalhou também no Atlético-PR, Sport, Vitória, Grêmio, América-MG, Bahia, Juventude, Fortaleza, Náutico, Atlético-GO, Figueirense, ABC e Caxias, dentre outros.

Segundo o site do PSC, o treinador vai desembarcar em Belém ainda nesta sexta-feira (31), acompanhado dos seus auxiliares-técnicos Guilherme dos Anjos e Marcelo Rocha. De perfil conservador e linha-dura, o treinador possui uma carreira consolidada no cenário nacional e também nos Emirados Árabes, onde trabalhou duas vezes na Seleção da Arábia Saudita, pela qual foi vice-campeão da Copa da Ásia.

Hélio foi campeão brasileiro da Série B, campeão da Copa Centro-Oeste e pentacampeão Goiano com o Goiás; tricampeão pernambucano pelo Sport-PE; tricampeão do interior com o Juventude-RS; campeão baiano à frente do Vitória-BA; campeão paraense pelo Remo; conquistou acessos à primeira divisão do Paulistão com XV de Piracicaba-SP e Santo André-SP; e colocou o Náutico-PE na elite do futebol nacional.

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O acerto do clube com o treinador foi concretizado no fim da noite da última quinta-feira (30). Ele será apresentado oficialmente à imprensa antes do treino desta sexta-feira, às 15h, no estádio da Curuzu.

Leão lucra com apostas certeiras

POR GERSON NOGUEIRA

É voz corrente nos meios esportivos que o Remo foi mais certeiro que o PSC nas contratações da temporada. Suas apostas frutificaram ao longo da Série C. Dos novos nomes, que chegaram após a contratação do técnico Márcio Fernandes, quase todos têm sido bem aproveitados na competição. Nesse sentido, Ramires, Douglas Packer, Yuri, Carlos Alberto, Zotti, Daniel Vançan e Guilherme Garré são nomes imediatamente lembrados.

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Há uma regra básica no futebol moderno que jamais deve ser desrespeitada. Contratações devem ser sempre pontuais, para preencher carências óbvias. Do contrário, é grande a probabilidade de se tornarem inócuas.

Na reta final do Campeonato Estadual, antevendo as exigências da Série C, o Remo agiu de maneira cirúrgica, indo buscar jogadores de fato necessários, a fim de reforçar pontos frágeis da equipe.

Com o entrosamento adquirido e a assimilação das propostas de jogo do técnico Márcio Fernandes, os jogadores recém-chegados foram se encaixando naturalmente. Até os reservas, como Vançan, entraram jogando em bom nível.

O meio-campo passou a se consolidar com a dupla Yuri e Ramires, adquirindo força criativa com Douglas. Quando foi lançado, Zotti se saiu bem diante do Luverdense. O mesmo se aplica a Garré, que teve boa atuação no 2º tempo diante do Atlético-AC.

O meia-atacante Carlos Alberto chegou como indicação pessoal de Fernandes e não decepcionou. Seu futebol foi crescendo aos poucos e, à medida que o entrosamento chegou, tornou-se peça fundamental na armação ofensiva montada pelo técnico.

Ramires virou uma espécie de representante de Fernandes dentro de campo, responsabilizando-se pela mudança de postura tática quando a situação exige. Além do trabalho sempre firme na marcação, tem se mostrado desembaraçado nas tentativas ofensivas, sempre que há necessidade.

Parte significativa da boa campanha que o Remo faz até o momento deve ser creditada, em muitos aspectos, à precisa atuação do diretor de Futebol Luciano Mancha e às sugestões do técnico Márcio Fernandes.

O começo do trabalho, ainda no Parazão, não foi tão animador. Fernandes ainda dedicava atenção excessiva a Diogo Sodré e Mário Sérgio, jogadores que chegaram antes dele.

Aos poucos, superando erros evidentes de contratação – casos de Deivid Batista e Edno –, o trabalho começou a surtir efeito. As ideias de fazer um time mais empenhado em trocar passes e valorizar a posse de bola passaram a ser vistas na prática, substituindo a tática do “saber sofrer”, defendido por João Neto.

Ainda é cedo para cravar prognósticos, mas não se pode negar que o Remo encontrou um sistema de jogo adequado às peças individuais. Tudo até aqui tem sido feito dentro dos limites da coerência. Se vai alcançar a classificação e o acesso, já é outra história.

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Uma estratégia inédita e bem-vinda

O governo do Estado vai patrocinar pela primeira vez clubes paraenses que participam do Campeonato Brasileiro. A dupla Re-Pa está na Série C, Bragantino e São Raimundo disputam a Série D. No total, o incentivo será de R$ 1,3 milhão, que permitirá aos clubes fazer uma campanha melhor, com recursos que permitirão contratações e investimentos.

A assinatura do protocolo de intenções de patrocínio entre os quatro clubes, Governo, Federação Paraense de Futebol e Banco do Estado do Pará (Banpará) aconteceu na quarta-feira, 29.

Além da evidente valorização do esporte paraense, a ajuda do governo servirá para incentivar patrocinadores locais a também contribuírem com os clubes. O contrato dará condições aos clubes de terem mais visibilidade, refletindo positivamente em favor da imagem do Estado.

Desportista e torcedor, o governador Helder Barbalho avalia que o fortalecimento dos clubes representa uma alavanca de comunicação voltada para o turismo, através dos anúncios nas camisas e de incentivo à visitação aos principais pontos turísticos do Pará.

Como contrapartida pelo patrocínio, os times usarão camisas e faixas convidando torcedores de outros Estados a visitarem o Pará, configurando uma estratégia inédita que só evidencia a utilidade do apoio entre governo e esporte. Os primeiros a aparecer com o novo patrocínio serão o S. Raimundo e o PSC.

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Pará sedia Copa com ajuda a pessoas carentes

A partir de segunda-feira, 3 de junho, torcedores que quiserem assistir os jogos da Copa América Sub-16 Masculina, que será disputada na Arena Guilherme Paraense, em Belém, devem trocar um quilo de alimento não perecível pelo ingresso no próprio local da competição.

As trocas ocorrerão nas datas das partidas, começando às 09h e terminando 19h30, na própria arena, localizada na rodovia Augusto Montenegro, bairro Castanheira. Os alimentos arrecadados serão repassados a instituições de Belém que ajudam pessoas carentes.

O paraense Matheus Leoni, ala-armador da seleção brasileira, formado na divisão de base do PSC e que hoje defende o Palmeiras, é uma das atrações da competição. O Brasil estreia na segunda-feira, às 20h30, contra Porto Rico, fechando uma rodada que terá jogos interessantes, como Argentina x EUA e Canadá x Uruguai.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 31)