Ainda estão rolando os dados

POR GERSON NOGUEIRA

Não foi tudo aquilo que muitos receavam. O começo indicou um domínio dos donos da casa que, na prática, não se consumou. É verdade que a vitória por 3 a 1 poderia ter sido mais ampla, caso os gaúchos aproveitassem as chances criadas e a superioridade técnica, mas o Papão se apresentou com dignidade, sem recorrer à retranca bovina e saindo para o ataque em vários momentos da partida.

Apesar do começo meio confuso, com erros seguidos na transição e pouca mobilidade ofensiva, o PSC só se abalava quando o Inter abria o jogo pelas pontas, com Nico Lopez e Edenilson. Quando D’Alessandro e Nonato afunilavam as jogadas, a zaga bicolor prevalecia. Encolhido para explorar o contra-ataque, aos 5 minutos o Papão chegou bem organizado à frente e Tiago Primão acertou um chute sobre o travessão.

Sem acelerar o ritmo, o Inter parecia acreditar que o gol viria naturalmente. O susto inicial para a zaga paraense veio aos 18 minutos. Em cobrança de falta, D’Alessandro mandou no poste direito de Mota. A bola ainda bateu nas costas do goleiro antes de sair.

Guerreiro ameaçava, mas era bem acompanhado por Micael. No único vacilo da linha de zaga, D’Alessandro tabelou com Nico Lopez e a bola foi tocada em velocidade para o camisa 9 tocar para as redes, aos 25’, sem defesa para o goleiro Mota.

Dois gols, de Iago e Diego Rosa, foram anulados corretamente, por impedimento. O jogo caiu numa certa monotonia no final da primeira etapa. O Inter parecia feliz com a vantagem mínima e o Papão não demonstrava desespero.

Foi começar a segunda parte e o PSC partiu com tudo para o ataque, conseguindo um escanteio. Logo em seguida, aos 2’, Bruno Collaço cruzou da esquerda para o cabeceio certeiro de Micael, que saltou mais que toda a zaga colorada. O gol deu vivacidade à partida, entusiasmando o PSC e deixando o Inter atrapalhado no setor defensivo.

Aos poucos, porém, o Inter foi se reconectando ao jogo e entendendo a importância de construir um bom resultado. Passou a explorar os lados do ataque, com os laterais Zeca e Iago e o uruguaio Nico Lopez. Na primeira boa chegada, Guerrero bateu forte para excelente defesa de Mota.

Aos 11’, uma bola despretensiosa desviada por Emerson Santos dentro da área encontrou o volante Rodrigo Lindoso desmarcado. Quase caindo, ele completa para as redes com um leve toque, fazendo a bola rolar lentamente. O Inter voltava a mandar no jogo.

Para dar mais qualidade ao meio-campo, Léo Condé substituiu Primão por Tiago Luís, aos 15 minutos. Sem muita mobilidade, Tiago passou a fazer lançamentos e cobrou uma falta com perigo, mas sua presença tornou o time pouco ágil nas saídas para o ataque. A entrada de Vinícius Leite no lugar de Diego Rosa melhorou a movimentação do ataque, mas sem chegar a incomodar a defesa adversária.

Mais aplicado nas manobras de ataque, já com Tiago Sóbis em campo (substituiu D’Alessandro), o Inter intensificou a pressão pelos lados e também na faixa central, com Guerrero tendo duas excelentes oportunidades diante da trave do PSC.

Aos 33’, porém, o peruano subiu mais que os zagueiros e cabeceou para o gol vazio, marcando o terceiro gol. Os minutos finais foram de apreensão na zaga do PSC, constantemente fustigada pelas jogadas de Guerrero, Sóbis e Sarrafiore (que entrou no lugar de Nico Lopez). Felizmente, para Condé e seus comandados, os atacantes colorados não acertaram mais o pé e o jogo ficou em 3 a 1 mesmo.

Para quem foi a Porto Alegre buscar um resultado que permitisse esperanças para o jogo da volta, o PSC pode se considerar razoavelmente bem sucedido. A tarefa de golear o Inter por três gols de diferença no Mangueirão (quarta-feira, 29) é das mais desafiadoras, mas um escore por dois gols não é impossível de ocorrer, o que levaria a disputa para os penais.

O fato é que, mesmo sem fazer uma apresentação brilhante, o PSC se comportou relativamente bem, mantendo-se vivo na competição.

Os melhores do time, pela ordem, foram o goleiro Mota, novamente em destaque, fazendo três grandes intervenções; o atacante Nicolas, enquanto conseguiu se movimentar na frente; e o lateral Bruno Collaço, muito participativo nas tentativas ofensivas.

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Conmebol não perde a chance de complicar

Parece que virou prática corrente nas instituições a mania de complicar as coisas, gerando balbúrdia e depois levando a um envergonhado recuo em certas decisões. A Conmebol, useira e vezeira em aprontar trapalhadas, divulgou um documento proibindo que, a partir de 2020, a Libertadores e a Sul-Americana tivessem a participação clubes que estão fora da primeira divisão de seus países.

A acintosa e inaceitável discriminação sofreu tantas críticas que a entidade reformulou a tosca ideia, através de um constrangido comunicado divulgado na quarta-feira, 22. O torneio mais afetado pela medida seria a Copa do Brasil, que conta com a presença de clubes da Série C, como o PSC, o Sampaio Corrêa e o Juventude.

Reconhecer erros é uma atitude nobre, mas o histórico de lambanças da Conmebol passa a incluir em posição de destaque essa descabida tentativa de enfraquecer ainda mais os clubes emergentes do continente.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 24)

Haddad faz visita hoje ao Pará

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O ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad está em visita à Amazônia. A caravana, que já percorreu o Sul e o Sudeste em defesa da liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chegou nesta quinta-feira (23) à região Norte.

A comitiva visitou Manaus nesta quinta e chega a Santarém e Belém nesta sexta-feira, 24. O objetivo, além de levar a mensagem sobre a importância de Lula livre para a democracia brasileira, é estar ao lado do povo na luta contra a reforma da Previdência e em defesa da educação e das universidades públicas, duramente atacadas pelos cortes de recursos promovidos pelo ministro Abraham Weintraub e o governo Jair Bolsonaro.

Logo pela manhã, Haddad visitou a fábrica da Honda, na Zona Franca de Manaus. O polo industrial, reestruturado a partir do governo Lula, está sob ameaça no atual governo. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou mais de uma vez a intenção de mudar a relação com a Zona Franca e privilegiar outros estados zerando impostos como o sobre produtos industrializados (IPI).

Ex-ministro da Educação, Haddad destacou a importância das universidades e institutos federais públicos para a região. “Sem a produção de ciência não haverá recursos humanos para atrair investimentos à Zona Franca. Temos de combinar um plano de desenvolvimento para a Amazônia. Mas hoje o que existe é a ameaça de liquidar o que sobrou.”

A observação de um repórter, sobre a possibilidade aventada por Bolsonaro de explorar, compartilhar a Amazônia com os EUA, foi classificada por Haddad como “falta de juízo”. “Isso é soberania nacional. Ele se elegeu por quatro anos, não tem liberdade de ficar negociando partes do território brasileiro.”

Para Haddad, o aumento recorde do desmatamento e a liberação de dezenas de agrotóxicos evidenciam uma “concepção antiga de economia” nesse governo. “Emprego gerado com desmatamento, com exploração mineral em área de reserva ambiental, em reserva indígena, isso não se faz mais, é uma visão muito arcaica e nós temos que defender o meio ambiente.”

Em Santarém, atos em prol da educação serão realizados pela manhã na Universidade do Oeste do Pará, em Santarém. Às 16h, Haddad participa de ato público no ginásio Vadião, na UFPA, em Belém. (Da Rede Brasil Atual)

Leão espera jogo de características diferentes contra o Atlético-AC

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Em fase de preparação para o jogo de domingo, no Mangueirão, contra o Atlético-AC, os jogadores do Remo projetam uma partida de características diferentes em relação ao confronto com o Ypiranga-RS na última segunda-feira. Os azulinos esperam ter pela frente um adversário mais disposto a atacar, ao contrário dos gaúchos, que armaram uma retranca e pouco se arriscaram no ataque.

“Até mesmo por características eu penso que o Atlético-AC vai ser uma equipe que vai sair para jogar. A gente sabe que quando enfrenta time do Sul tem uma grande tendência de vir fechado, que marca. Foi o que aconteceu na segunda-feira. Espero um jogo mais aberto contra o Atlético-AC, mas independente de como ele venha jogar, a gente tem que estar preparado para ter melhor êxito nas finalizações. A gente teve chances, criamos, e o goleiro deles estava em uma noite feliz – resumiu o camisa 87”, diz o volante Ramires.

O técnico Márcio Fernandes fez mudanças no time para o jogo com o Ypiranga, devido à contusão do zagueiro Fredson, mas para domingo deve escalar o time que vinha atuando antes.

Invicto na competição, o Remo é um dos líderes do grupo B da Série C, mas ninguém esconde a preocupação com os problemas do ataque. Até o momento, foram três gols marcados (Alex Sandro, Fredson e Emerson Carioca), apesar de muitas chances criadas. Contra o Ypiranga-RS foram 13 finalizações, mas sem balançar as redes.

Lula parabeniza Chico e brinca: “A Globo teve que colocar você no ar”

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Em carta, datada nesta quarta-feira (22), o ex-presidente Lula parabenizou o cantor, compositor e escritor Chico Buarque pelo Prêmio Camões, considerado a mais importante premiação literária dos países de língua portuguesa.

“Parabéns pelo Prêmio Camões. Fiquei feliz pelo prêmio, mas muito mais feliz porque a Globo teve que colocar você no ar em horário nobre”, escreveu Lula, mandando abraços e beijos para a namorada de Chico, a jurista Carol Proner, e dizendo que espera vê-lo em breve.

Em retribuição, Chico e Carol enviaram ao ex-presidente, por meio de amigos que o visitam, uma foto dos dois fazendo o L de “Lula Livre”.

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Premiação
A vitória de Chico foi chancelada com a unanimidade dos votos dos jurados e o brasileiro receberá, como premiação, o equivalente a R$ 452 mil. Esta é a 13ª vez que um brasileiro vence o prêmio, mas é inédito o fato de o ganhador ser alguém ligado ao universo musical.

Chico foi escolhido pelo júri por conta do conjunto de sua obra. Ele já recebeu prêmios Jabuti pelos livros Leite Derramado (2009), Budapeste (2003) e Estorvo (1991). Em 1995, lançou Benjamin e em 2014, O Irmão Alemão. Também escreveu as peças Ópera do Malandro e Gota d´Água, além da “novela pecuária” Fazenda Modelo. Em 2017, depois de seis anos, Chico Buarque lançou o álbum Caravanas, que teve turnê por todo o país e também chegou a Portugal.

Jornalista português comemora o Prêmio Camões para Chico Buarque

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Por Pedro Tadeu, no Diário de Notícias (Lisboa)

Quando recebi no telemóvel o alerta “Chico Buarque ganha o Prémio Camões” senti-me no direito de comemorar uma vitória: “Ganhei eu, caramba, ganhei eu!”.

Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela “contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa”.

E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?

Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava “A Banda”, a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia “cantando coisas de amor”. Chico Buarque impulsionou-me a dança.

Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de “Construção”, que “morreu na contramão atrapalhando o sábado”. Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.

Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, “Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?”. Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.

Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: “E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial”. Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.

Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais…), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata “Acorda amor”: “Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão”. Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.

Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção “O que será (à flor da pele)”: “Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido…” Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra “liberdade”.

Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir “Mulheres de Atenas”, que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas”. Chico Buarque justificou-me o feminismo.

Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de “O Meu Amor”. “Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz”. Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.

Aos 17 anos comovi-me com “Geni”, a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: “Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!”. Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.

Aos 18 anos de idade a história de “O Malandro” exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: “O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação”. Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.

Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.

Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.

Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.

Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: “ganhei eu, caramba, ganhei eu!”.

Uma batalha nos Pampas

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POR GERSON NOGUEIRA

O cruzamento das oitavas da Copa do Brasil entre Papão e Internacional começa hoje à noite e cabe reavivar alguns pontos. O Colorado é um dos maiores e mais ricos clubes nacionais. Tem elenco qualificado e caro. Disputa a Taça Libertadores, é candidato ao título brasileiro da Série A e aspirante a conquistar a Copa BR. Por todas esses atributos, é favorito natural no mata-mata com o PSC, que começa hoje à noite.

Entendo que o caminho se tornou ainda mais íngreme para o time paraense com a definição do primeiro jogo para Porto Alegre. Essa condição dá ao Inter a possibilidade de construir um resultado favorável, esvaziando a resistência no jogo marcado para Belém. Caso o primeiro embate se realizasse no Mangueirão, o Papão teria a força da torcida a auxiliá-lo na tentativa de conseguir abrir um placar satisfatório.

Independentemente da vantagem óbvia dos gaúchos, o duelo é interessante do ponto de vista técnico e servirá como um teste de fogo para o trabalho de Léo Condé no PSC. Ao mesmo tempo, na condição de franco-atirador, o time paraense não pode entrar desanimado. Nos dias de hoje, ao contrário do que muitos receiam, a superioridade de um dos lados não significa vitória certa e fácil.

Com foco na marcação e concentração máxima nos deslocamentos do time gaúcho, principalmente nas jogadas iniciadas no meio-campo, o PSC tem chances de endurecer o jogo, dificultando as manobras tramadas por D’Alessandro e executadas por Paolo Guerrero e Nico Lopez.

A levar em conta o jogo apresentado pelo PSC diante do Volta Redonda, domingo passado, Condé deve montar um time de perfil brigador no meio e leve nas posições de ataque. Os volantes Johnny Douglas e Caíque devem ser efetivados, visto que Wellington Reis não pode jogar.

Na frente, Jheimy também está fora, o que abre a perspectiva de que Nicolas apareça como o atacante mais centralizado, tendo Vinícius Leite e Pimentinha pelos lados. Condé já ensaiou essa formação nos minutos finais contra o Volta Redonda. Por ironia, a impossibilidade de ter Jheimy e Wellington vem em socorro do técnico, pois ambos até agora não justificaram a titularidade.

A defesa terá a formação titular, com a dupla central Micael e Vítor Oliveira. As dúvidas que se acumularam ao longo do Campeonato Estadual se dissiparam um pouco na Série C, com atuações que tranquilizaram o torcedor. O mesmo ocorre em relação ao goleiro Mota, reabilitado depois da boa atuação e do pênalti agarrado diante do Voltaço.

Os bicolores devem ter em mente que o mais importante num jogo deste porte é manter a tranquilidade e minimizar erros. O Inter tem um bom time, mas não é imune a falhas e tropeços.

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Diretor do Flamengo insulta a própria torcida

E o Cacau Cotta, hein?

Na condição de diretor de relações institucionais do Flamengo, ele cometeu outra barbeiragem imperdoável ontem. Duvidou de uma pichação feita pelos torcedores nos muros do Ninho do Urubu criticando o técnico Abel.

Para Cacau, a forma como a palavra “Mickey” foi escrita indicava que não era coisa de torcedor, mas de gente ligada à oposição do clube. Em português claro, disse que os torcedores rubro-negros são analfabetos.

A evidente discriminação ratifica insulto que as demais torcidas costumam dirigir à massa flamenguista. Cacau, aliás, já havia sido criticado por ter sido o mentor de uma recomendação para que o clube evitasse ter seu nome vinculado ao termo “favela”.

Diretores, remunerados ou não, devem respeito em relação a todos dentro de um clube, mas principalmente aos torcedores. Debochar da origem sociocultural de uma torcida é pecado que deveria ser punido com demissão sumária.

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Medalha de ouro para a canoagem paraense

A canoísta paraense Lorena Jacob conquistou a medalha de ouro na primeira edição do Row To Win Water, o Festival de Alma Salgada. Atleta do programa Bolsa Talento, da Seel, ela subiu ao lugar mais alto do pódio pela modalidade Canoa Havaiana, categoria OC6 – Master Feminino. A disputa envolveu mais de 800 competidores, entre os dias 17 a 19 de maio, na praia de Cabeçudas, em Itajaí (SC).

Na disputa, Lorena dividiu canoa com cinco competidoras, sendo outra paraense, Sônia Bentes, e quatro atletas de São Sebastião, São Paulo, formando a equipe “Kila Kila”.

Outra competição já está na agenda da canoísta: disputará no dia 29 de agosto, em Fortaleza, o circuito de MolokaBRA. Depois, vai ao Campeonato Mundial de Canoagem Oceânica, na França, em setembro.

O programa Bolsa Talento, criado em 2008, no governo de Ana Júlia Carepa, contempla atualmente 75 atletas, com 27 nomes na categoria nacional e 48 na estadual.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira)

“O país não quebra se a reforma da Previdência não passar; isso é terrorismo”, diz doutor em economia

O discurso unificado e uniforme de que a reforma da Previdência seja fundamental e urgente para o país preocupa Onofre Portella. O economista é mestre em História Econômica, doutorando em Economia e professor de Economia Internacional e Macroeconomia na Faculdade Rio Branco.

Portella acredita ser necessária uma reforma, mas não essa que aí está. Segundo o professor, a proposta capitaneada por Paulo Guedes tem um cunho de concentração de renda, alinhado com o direcionamento da política econômica do atual ministro que é radicalmente neo-liberal e objetiva colocar o capital financeiro no poder.

Para o professor Portella, o formato da PEC é altamente excludente e uma afronta à Constituição Federal de 1988 que tem um caráter solidário de proteção social a indivíduos expostos à vulnerabilidade.

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DCM – Ouve-se um mantra vindo de todos os lados, inclusive da oposição, de que “é preciso fazer a reforma”. É mesmo preciso?

Onofre Portela – “É. Mas pela evolução do perfil etário do Brasil, pelo envelhecimento da população. Temos que repensar isso. Mas em hipótese alguma quebrar o caráter da nossa Previdência Social. Vamos trabalhar em tempo de contribuição, em idade mínima, mas junto com outras medidas.”

Quais?

“Macroeconomicamente. Estamos à deriva. Não temos uma política de emprego, não temos uma política de exportação, de alinhamento internacional. A questão é mais ampla.”

O discurso oficial é o de que só a reforma poderá ocasionar uma recuperação da economia, como se fosse um gatilho e a resposta viesse automaticamente no curto prazo. É isso mesmo?

“Não. Posso garantir que não há esse vínculo tão imediato. Esse discurso já foi usado na reforma Trabalhista, disseram que ela criaria 6 milhões de empregos imediatamente. Não aconteceu. Era um discurso para obter a aprovação e baratear nossa força de trabalho. Como está desenhada, a reforma da Previdência transfere um dinheiro que hoje está no orçamento da União, que é do brasileiro e retorna para o brasileiro, para o capital financeiro. É uma ampliação da apropriação do esforço de trabalho da população pelo capital financeiro.

Mas existe um déficit, ou não?

“Não tem nem mesmo o consenso de que exista um déficit. Tem gente graúda, estudiosa do assunto, que jura de pé junto que não tem déficit. Gente séria que afirma que isso é fabricado. Na verdade se retira dinheiro da Previdência para cobrir outras necessidades. Então o déficit é, no mínimo, muito discutível.”

Como se discute os números e cálculos utilizados se eles foram decretados sigilosos?

“Exatamente. Isso é um absurdo. Por que essa postura tão pouco transparente?”

Em relação à idade mínima e tempo de contribuição, é possível um cálculo único, regras únicas, para uma população tão desigual como a brasileira?

“Entendendo a Previdência Social como um vetor para diminuir essa concentração de renda, como um vetor que inclua pessoas. Eu ampliaria a cobertura da Previdência como foi feito com a população rural, como foi feito com o emprego doméstico. É preciso ampliar e garantir um salário crescente. Nós temos hoje uma política de salário mínimo que não vai nem acompanhar a inflação. Isso é terrível, é excludente, é uma política de concentração de renda. A partir do momento que você aumenta o salário e a Previdência se incumbe de distribuir isso, aí você está no caminho correto.”

Por falar em salário, não há um contrassenso entre as medidas que passaram na reforma Trabalhista e o argumento da baixa arrecadação da Previdência? Afinal, salário implica emprego formal e a reforma Trabalhista empurrou as modalidades de pessoa jurídica e informalidade, estimulou o ‘empreendedorismo’ para um número muito grande de trabalhadores…

“Na verdade é tudo uma coisa só. A reforma Trabalhista tem por função baratear a força de trabalho e a reforma da Previdência tem por finalidade transferir o recurso do capital para a dimensão financeira, então a receita fica como uma coisa secundária, pois o Estado não tem mais essa obrigação. Ele vai se liberar de bilhões que hoje coloca na mão do trabalhador com a cobertura do déficit, mas é bom que se diga, um dinheiro que retorna imediatamente para o Estado na forma de impostos. Esse circuito é um esquema keynesiano, que financia a retomada da economia. Tenho certeza que vingando a capitalização, esse dinheiro estará concentrado nas grandes corporações financeiras e não haverá esse segundo passo para consumo. Estaremos num ciclo vicioso, a cada giro estaremos mais dentro do buraco.”

É o que o senhor classifica de ‘lógica perversa’?

“Ela quebra o ciclo de solidariedade, de humanidade que está refletido na Constituição Federal. Toda constituição revela o espírito de uma sociedade, e essa reforma do Paulo Guedes vai na direção oposta daquilo que foi escrito lá em 1988.”

Lia Amancio

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