Leão espera jogo de características diferentes contra o Atlético-AC

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Em fase de preparação para o jogo de domingo, no Mangueirão, contra o Atlético-AC, os jogadores do Remo projetam uma partida de características diferentes em relação ao confronto com o Ypiranga-RS na última segunda-feira. Os azulinos esperam ter pela frente um adversário mais disposto a atacar, ao contrário dos gaúchos, que armaram uma retranca e pouco se arriscaram no ataque.

“Até mesmo por características eu penso que o Atlético-AC vai ser uma equipe que vai sair para jogar. A gente sabe que quando enfrenta time do Sul tem uma grande tendência de vir fechado, que marca. Foi o que aconteceu na segunda-feira. Espero um jogo mais aberto contra o Atlético-AC, mas independente de como ele venha jogar, a gente tem que estar preparado para ter melhor êxito nas finalizações. A gente teve chances, criamos, e o goleiro deles estava em uma noite feliz – resumiu o camisa 87”, diz o volante Ramires.

O técnico Márcio Fernandes fez mudanças no time para o jogo com o Ypiranga, devido à contusão do zagueiro Fredson, mas para domingo deve escalar o time que vinha atuando antes.

Invicto na competição, o Remo é um dos líderes do grupo B da Série C, mas ninguém esconde a preocupação com os problemas do ataque. Até o momento, foram três gols marcados (Alex Sandro, Fredson e Emerson Carioca), apesar de muitas chances criadas. Contra o Ypiranga-RS foram 13 finalizações, mas sem balançar as redes.

Lula parabeniza Chico e brinca: “A Globo teve que colocar você no ar”

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Em carta, datada nesta quarta-feira (22), o ex-presidente Lula parabenizou o cantor, compositor e escritor Chico Buarque pelo Prêmio Camões, considerado a mais importante premiação literária dos países de língua portuguesa.

“Parabéns pelo Prêmio Camões. Fiquei feliz pelo prêmio, mas muito mais feliz porque a Globo teve que colocar você no ar em horário nobre”, escreveu Lula, mandando abraços e beijos para a namorada de Chico, a jurista Carol Proner, e dizendo que espera vê-lo em breve.

Em retribuição, Chico e Carol enviaram ao ex-presidente, por meio de amigos que o visitam, uma foto dos dois fazendo o L de “Lula Livre”.

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Premiação
A vitória de Chico foi chancelada com a unanimidade dos votos dos jurados e o brasileiro receberá, como premiação, o equivalente a R$ 452 mil. Esta é a 13ª vez que um brasileiro vence o prêmio, mas é inédito o fato de o ganhador ser alguém ligado ao universo musical.

Chico foi escolhido pelo júri por conta do conjunto de sua obra. Ele já recebeu prêmios Jabuti pelos livros Leite Derramado (2009), Budapeste (2003) e Estorvo (1991). Em 1995, lançou Benjamin e em 2014, O Irmão Alemão. Também escreveu as peças Ópera do Malandro e Gota d´Água, além da “novela pecuária” Fazenda Modelo. Em 2017, depois de seis anos, Chico Buarque lançou o álbum Caravanas, que teve turnê por todo o país e também chegou a Portugal.

Jornalista português comemora o Prêmio Camões para Chico Buarque

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Por Pedro Tadeu, no Diário de Notícias (Lisboa)

Quando recebi no telemóvel o alerta “Chico Buarque ganha o Prémio Camões” senti-me no direito de comemorar uma vitória: “Ganhei eu, caramba, ganhei eu!”.

Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela “contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa”.

E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?

Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava “A Banda”, a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia “cantando coisas de amor”. Chico Buarque impulsionou-me a dança.

Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de “Construção”, que “morreu na contramão atrapalhando o sábado”. Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.

Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, “Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?”. Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.

Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: “E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial”. Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.

Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais…), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata “Acorda amor”: “Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão”. Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.

Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção “O que será (à flor da pele)”: “Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido…” Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra “liberdade”.

Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir “Mulheres de Atenas”, que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas”. Chico Buarque justificou-me o feminismo.

Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de “O Meu Amor”. “Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz”. Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.

Aos 17 anos comovi-me com “Geni”, a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: “Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!”. Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.

Aos 18 anos de idade a história de “O Malandro” exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: “O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação”. Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.

Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.

Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.

Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.

Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: “ganhei eu, caramba, ganhei eu!”.