Crônica para a ‘madinha’ Beth Carvalho

Por Rui Daher

Queridíssima ‘madinha’ Beth,

Cacete, você não podia esperar mais cinco dias até ficar apenas um ano mais nova do que eu?

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Eu, esta besta, que se apaixonou por suas beleza e voz, desde 1968, quando cantou “Andança”, de Dori Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, no Festival Internacional da Canção (FIC). Vejam-na, em 1980, depois de muitas andanças.

Não, minha ‘madinha’ e de todos os sambistas não começou no FIC/68. Família de músicos, estudou violão, bandolim e dança. Seu persistente ativismo político, à esquerda, veio com o pai cassado pelo golpe civil-militar de 1964.

Aposto que me apoiaria ao festejar o sofrer de Jair Bolsonaro, “chora, não vou ligar, chegou a hora vais me pagar, pode chorar, pode chorar, vais me pagar … vou festejar o teu sofrer o teu penar”.

‘Madinha’, permita-me parodiar Vinícius, ele deixou:

“Beth, você que não és uma só, mas tantas como tantas são o meu Brasil de todos os sambas, inclusive os ideais do Partidão, de Jango, Lula, Dilma, Fidel Castro, Chávez, MST.

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Saravá! A bênção sua Estrela Solitária, do Botafogo, da Mangueira, que eu também logo vou partir. Vou ter que dizer adeus, mas antes lacrimoso pedido.

Não sei se você, ‘madinha’, em sua exposição magnificente soube da existência deste cronista menor, de único livro, “Dominó de Botequim”, embora há 15 anos ou mais, sei lá, publico crônicas nas digitais. De esquerda, nenhuma publicação impressa me admitiria. Caso positivo, negaria.

Estive presente no dia em que foi gravado o CD “Esquina Carioca”, no Bar Pirajá, em São Paulo. Tímido, tive vergonha de me aproximar-me, beijar suas mãos e pedir um autógrafo. Não me perdoo.

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Compenso. Chegada ao céu, todo o Conselho do “Dominó de Botequim” estará a recepcionando. Darcy Ribeiro, Ariano Suassuna, Luiz Melodia, Dr. Walther Salles e Alfredinho “Bip-Bip”.

Passei-lhes um raspão. Como nenhuma mulher no Conselho? É você, ‘madinha’. Fale com o Alfredinho, de boteco e samba quem entende é ele.

Beijos. Me aguarde em breve. Levo a bandeira da Mangueira e a do Mengo, só para vadiar uma botafoguense.

Como os EUA apagaram a memória do 1º de Maio

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Por Eduardo Galeano – em “O Livro dos Abraços”

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

– Deve ser por aqui – me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago nem na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos o primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus próprios historiadores, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.

“Nossa estrela foi brilhar no céu”

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Alguns minutos depois da notícia da morte de Beth Carvalho, nesta terça-feira, ela passou a receber homenagens póstumas nas redes sociais. Uma das mais comoventes mensagens foi do Botafogo, time do coração de Beth, decretou luto de três dias, a bandeira oficial em General Severiano está a meio mastro.

Antes do jogo contra o Bahia, na quinta-feira (02), pela segunda rodada do Brasileiro, no Nilton Santos, haverá um minuto de silêncio em homenagem a Beth. O velório – aberto ao público – será realizado no Salão Nobre de General Severiano nesta quarta-feira, das 10h às 16h.

O Alvinegro carioca também postou homenagens em suas redes sociais com os dizeres “nossa eterna Madrinha!” e “nossa estrela foi brilhar no céu”. O clube disponibilizou ainda o seu salão nobre para o velório.

NOTA OFICIAL DO BOTAFOGO SOBRE BETH:

“Com imenso pesar e tristeza, o Botafogo de Futebol e Regatas comunica o falecimento de Beth Carvalho, a eterna Madrinha do Samba. A cantora morreu na tarde desta terça-feira, aos 72 anos, após dois meses internada. A causa não foi divulgada. O Clube coloca à disposição da família o Salão Nobre de General Severiano para a realização do velório.

Em mais de 50 anos de carreira, Beth Carvalho marcou por suas músicas, suas composições, seus discos e por ser madrinha de diversos artistas.

Durante toda a vida, sempre deu efusivas demonstrações de amor ao Botafogo e embalou a torcida com clássicos como “Vou Festejar” e “Botafogo campeão (Esse é o Botafogo que eu gosto)”.

Iker Casillas sofre infarto e é internado em Portugal

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O goleiro Iker Casillas, do Porto, sofreu um infarto na manhã desta quarta-feira, 1º, na cidade do Porto, em Portugal. Segundo nota divulgada pelo clube, ele foi internado com urgência em um hospital local, passou por exame de cateterismo e não corre risco de vida.

“Iker Casillas sofreu um enfarte agudo do miocárdio durante o treino da manhã desta quarta-feira, realizado no Centro de Treinamento. A sessão de trabalho foi prontamente interrompida para ser prestada assistência ao guarda-redes do FC Porto, que se encontra neste momento no Hospital CUF Porto. Casillas está bem, estável e com o problema cardíaco resolvido”, comunicou o Porto.

O veterano de 37 anos não deve voltar a campo pelo Porto nesta temporada. Casillas ajudou a equipe a chegar às quartas de final da Liga dos Campeões e ao segundo lugar no Campeonato Português.

Operário em construção

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Vinicius de Moraes

E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. IV, vs. 5-8.

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia…
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– “Convençam-no” do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Em jogo épico, Botafogo vence Pinheiros e vai à semifinal do NBB pela 1ª vez

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Do blog Bala na Cesta

Foi o jogo mais emocionante do NBB nesta temporada. Foi o jogo mais emocionante deste playoff do NBB. Foi um jogo pra entrar pra história por tudo que o cercou. Em um dia marcante e triste pra todos os botafoguenses, o do falecimento da cantora Beth Carvalho, torcedora fanática do time, os alvinegros viram o seu time de basquete jogar “do jeito que ela gostava, do jeito que ela conhecia”, tal qual o verso de uma de suas famosas canções.

Com o coração, com a alma, com tudo o que era necessário e mais um pouco o Botafogo foi a São Paulo para um encrespado jogo 5 contra o Pinheiros, perdeu o jogo inteiro mas teve sangue frio para contornar a situação, fazer 12-4 nos 120 últimos segundos e vencer uma épica partida por 82-78 na casa de um bravo rival.

Com o resultado, o alvinegro alcançou a inédita semifinal do NBB, onde encontrará o mega favorito Flamengo a partir de sexta-feira (21h) na série melhor de cinco. Com 21 pontos e 6 assistências, Jamal foi disparado o melhor jogador da partida. Na outra semi, Franca e Mogi medem forças a partir de sábado.

Não dá pra terminar esse texto sem citar o técnico Leo Figueiró, o maior responsável por colocar o Botafogo organizado, lutador e crente, no sentido de acreditar sempre até a última bola, desde o início do NBB. Em sua primeira temporada como técnico principal no cenário nacional, Leo conseguiu imprimir a seu time exatamente o mesmo espírito de quando ele era jogador – guerreiro e vibrante mesmo sem ser um virtuoso tecnicamente.

Por uma dessas coisas que só acontecem ao Botafogo, a última vez que o time de General Severiano alcançou uma semifinal de Nacional Masculino de Basquete foi em 2001. Leo Figueiró era o ala titular do time que também tinha Marcelinho Machado, Arnaldinho e era comandado por Emmanuel Bomfim, certamente uma de suas influências neste maravilhoso trabalho de técnico que ele vai fazendo.

Parabéns ao Botafogo. Quem ama basquete se emocionou com a vitória e a vibração dos atletas, torcida e comissão técnica do clube. Tal qual a canção de Beth complementava, “fazia tanto tempo que esperavam esse momento. Deixa celebrar que eles merecem”.

Mesmo quem não torce pelo clube, como é o meu caso, ficou feliz. Parabéns mesmo.

Remo anuncia Zotti, espera Garré e procura um centroavante

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A diretoria do Remo anunciou nesta terça-feira, 30, a contratação do meia-esquerda Zotti (foto). O atleta de 33 anos disputou o Campeonato Mineiro pelo Villa Nova. Ele foi indicado ao clube pelo técnico Márcio Fernandes, com quem trabalhou no Vila Nova goiano, conquistando o título da Série C 2015. Jogou também no Botafogo-SP e ABC de Natal.

Zotti agradeceu a oportunidade de jogar no Remo. “Feliz pela oportunidade de trabalho. Espero retribuir da melhor maneira possível defendendo o Clube do Remo, que tem uma torcida grande e fantástica”.

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Depois de anunciar Zotti, o Remo se prepara para contratar um centroavante, que pode ser Neto Baiano, e outro meia-armador. Guilherme Garré (foto acima), de 26 anos, é o meio-campista pretendido. Atualmente jogando no Santo André (SP), o jogador pediu aos dirigentes que esperem o final da Série A2 do Campeonato Paulista, onde o Ramalhão enfrenta a Inter de Limeira na decisão.

Garré fez carreira no interior paulista, tendo defendido o São Bento e o Botafogo-SP. Sua única experiência fora de São Paulo foi no Boa Esporte (MG). Nesta temporada, ele jogou 17 das 20 partidas realizadas pelo Santo André (SP), marcando 2 gols.